sábado, julho 30, 2011

Tertúlia BD de Lisboa - 325º Encontro - 2 Agosto








A Tertúlia BD de Lisboa terá, desta vez, não um Convidado Especial, mas sim, a representação de uma equipa, a R'Lyeh Dreams, que já tem a seu crédito duas criações colectivas de banda desenhada: "Murmúrios das Profundezas" (*) e "Voyager".

Esta última, a mais recente, tem tido visibilidade ao longo da sua criação, no blogue homónimo. Dele, com a devida vénia, retiro o seguinte texto de apresentação:

VOYAGER - MUITO MAIS QUE UMA MERA BD,
É UMA VERDADEIRA EXPERIÊNCIA MULTIMÉDIA

"A equipa dos "Murmúrios das Profundezas" foi convidada em 2008 pelos promotores da NetPeople in Action para realizar uma prancha de BD mensal (...) durante o período de um ano, para a revista ENNEmagazine. Contudo, problemas editoriais com a revista aos quais fomos alheios, levaram-nos a concluir este projecto sozinhos por nossa conta e risco.

"Desde o primeiro dia, foi nosso objectivo publicar na internet os episódios mensais de uma página durante um ano e compilá-los em livro, em conjunto com um episódio grande de 36 páginas.

"Mas depressa o projeccto se expandiu para outros media. Novas aventuras do "Voyager" encontraram morada também no Twitter, sendo um dos primeiros utilizadores a visar este meio para narrar histórias em português.

"E ainda passou a usar o Facebook para publicar fotos das duas aventuras, entre outro tipo de apresentação.

"Durante 3 anos, o "Voyager" tornou-se um fenómeno multimédia pioneiro em Portugal."

A equipa R'Lyeh Dreams é formada por:
1. Diogo Campos (argumentista)
2. Diogo Carvalho (argumentista e desenhador)
3. Luís Belerique ( idem, idem)
4. Luís Maiorgas (desenhador)
5. Nelson Nunes aka Cocas (desenhador)
6. Phermad (desenhador)
7. Ricardo Reis (argumentista, não confundir com o Ricardo Reis, desenhador de Lisboa)
8. Rui Ramos (argumentista e desenhador, além de mentor de ambos os projectos)
9. Salvador Pombo (desenhador)

(*) No evento VII Toféus Central Comics - 2009, "Murmúrios das Profundezas" obteve a classificação de "MELHOR FANZINE", e o 3º lugar na alínea "Melhor Projecto em BD".

Há uma apresentação em vídeo, realizado por Diogo Carvalho, do projecto "Voyager", no endereço:
http://www.youtube.com/watch?v=vME2zAEY5bg

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"A posteriori" (hoje, dia 3Ag., às 18h00, acrescento a lista de presenças:

1. Adelina Menaia
2- Álvaro
3. Ana Saúde
4. Ana Vidazinha
5. André Conceição
6. André Silva
7. António Amaral
8. Bruno Martins
9. Célia Pesseto
10. Falcato
11. Figueiredo
12. Geraldes Lino
13. Helder Jotta
14. Hugo Teixeira
15. João Antunes
16. João Paulo Sá-Chaves
17. João Raz
18. Luís Graça
19. Machado-Dias
20. MALS
21. Manuel Valente
22. Miguel Ferreira
23. Milhano
24. Nelson Martins
25. Nuno Amado "Bongop"
26. Nuno Duarte "O Outro Nuno"
27. Paulo Amado
28. Pedro Bouça "Hunter"
29. Petra Marcos
30. Rechena
31. Rui Domingues
32. Rui Ramos
33. Sandra Rosa
34. Vítor Nascimento


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As numerosas postagens deste assunto podem ser visitadas clicando no item Etiquetas: Tertúlia BD de Lisboa, visível no rodapé

quarta-feira, julho 27, 2011

Publicidade (Didáctica, Política, Comercial) em BD (III)

Luís Pinto-Coelho é assumidamente fã do motociclismo, e publicamente reconhecido como autor da popular série de banda desenhada "As Odisseias de Um Motard", centrada no castiço herói Tom Vitoín.

Mas ninguém em Portugal pode viver apenas da banda desenhada - aliás, neste país, na área das artes, não é possível a quem quer que seja viver em exclusivo só de uma delas. Concretamente, quem tem talento para o desenho, por exemplo, necessita expandir-se por outras áreas, designadamente ilustração e publicidade.

Pois foi nesta última faceta que, por mero acaso, descobri recente trabalho de Pinto-Coelho: trata-se de um folheto publicitário (formato A6) a cores, dividido em seis vinhetas, mostrando um pequeno episódio localizado em Lisboa - a primeira vinheta tem por cenário o Largo do Chiado, com as estátuas de Fernando Pessoa e o poeta Chiado a defrontarem-se - folheto esse legendado em inglês, obviamente direccionado para os visitantes estrangeiros da capital portuguesa, a serem sugestionados pelas divertidas imagens da banda desenhada, e pela frase publicitária "rent a scooter".
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Vejam as duas postagens anteriores deste tema, clicando no item Etiquetas: Publicidade em BD, visível no rodapé

domingo, julho 24, 2011

Música (Bandas, Cantores e Músicos) na BD (II)

A sigla GNR pode eventualmente nada ter a ver com guardas republicanos, antes com músicos, mais concretamente com o Grupo Novo Rock, banda portuense nascida nos inícios da década de 80. E nela, Rui Reininho é o nome que sobressai, identificando o vocalista e escritor de "letras", ambas as vertentes em língua portuguesa, contrariando saudavelmente a habituação à linguagem anglo-saxónica.

Nuno Saraiva integrou-se no espírito - e até no ritmo - de várias das peças que integram este álbum misto de BD e Rock , e será por isso que "Dunas" surge em banda desenhada colorida a cyan, "Muçulmania" em sépia, "Corpos" em magenta, "Julieta Su&Sida" num arroxeado crepuscular.

A componente de banda desenhada inclui, além dos episódios antes citados, "Canil" e "Dois Sentidos", constituindo um álbum de BD de vinte e oito pranchas, estupendo trabalho gráfico de N.S. - também escritor do argumento, legendador das legendas, colorista das manchas de cores -, dedicado a uma banda marcante do Rock português, a comemorar, neste 2011, trinta anos de carreira.

(2º álbum da colecção "BD Pop-Rock Português", editado em Maio de 2011, por "A Bela e o Monstro, Edições Lda.).
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Nuno Saraiva

Síntese biobibliográfica


Nuno Jorge de Avelar Teixeira Saraiva é natural de Lisboa, onde nasceu a 27 de Agosto de 1969. Como habilitações literárias não tem nenhum curso completo, mas sim frequências, nos cursos de Design de Comunicação (IADE), de Design (3º ano na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa - FBAUL) e de Pintura (2º ano, também na FBUL).


Assinando habitualmente com o seu primeiro nome e último apelido, mas usando por vezes pseudónimos (SIR, Ketch, ou simplesmente N.S.), tem bandas desenhadas curtas reproduzidas nas revistas Jornal da BD, Selecções BD, LX Comics, Ai-Ai, estas especializadas em BD. Mas também há colaborações suas em revistas sem serem da especialidade, tais como Ego e Cosmopolitan, e bem assim noutro tipo de publicações, nomeadamente no jornal Combate, no mini-álbum "Transcomix", e na Agenda Cultural (edição da C.M. de Lisboa).


Já está publicado em vários álbuns, com início em 1989 através do título "Os Dias de Bartolomeu", a que se seguiu, em 1995, "Filosofia de Ponta" recolha da publicação que tinha sido feita ao ritmo de duas páginas no semanário Independente, em colaboração com o argumentista Júlio Pinto, com êxito suficiente para que lhe fossem dedicados mais dois álbuns, um em 1998, outro em 1999.


Antes dessas segundas edições, a partir de 1997, e de novo a fazer dupla com Júlio Pinto, Nuno Saraiva desenhou "Arnaldo o Pós-cataléptico" ainda para o citado semanário, obra que posteriormente (1999) foi recolhida em álbum.


Também com Júlio Pinto realizou a desconcertante série "A Guarda Abília", uma agente de polícia muito descontraída e radical, série que teve direito a álbum em 2000.


Neste mesmo ano viu passadas a álbum as "Aventuras Extra Ordinárias dum Falo Barato", que tinha concretizado a solo.


Após o falecimento de Júlio Pinto, em 2000, Saraiva passou a trabalhar com apoio de diferente argumentista - Paulo Patrício - para o semanário Expresso, entre 10 Janeiro 2004 e 6 Novembro 2004, no qual criaram a série "Escrita Fina", usando o habitual esquema de duas páginas a cores para cada episódio.


A solo mais uma vez, Nuno Saraiva lançou-se em 2006 (16 Set.) na tarefa de imaginar argumentos e desenhá-los semanalmente, cada um em duas pranchas coloridas - o que tem feito com talento, imaginação e bastante liberdade criativa - para a revista Tabu, suplemento do jornal Sol, na série intitulada "Na Terra como no Céu", a que pertence o episódio que ilustra o presente "post".


Nascido no bairro bem lisboeta da Mouraria (embora tenha vivido a infância em Almada, pelo que se considera almadense de alma e coração), N.S. colaborou nos dois números já editados pela associação "Animar a Mouraria" do jornal gratuito Rosa Maria, com a série " Vida em Rosa", com uma prancha a cores de meia página em cada número.


Tem participado em vários álbuns colectivos, designadamente "Noites de Vidro", "Amnistia Internacional em BD", "José Muñoz, Cidade, Jazz da Solidão", "Síndrome de Babel e outras estórias", "Para Além dos Olivais" e "Os Putos de Agora Não Sabem Nada do 25 de Abril".


Há colaborações suas em alguns fanzines: "Banda", Boletim do CPBD", "Esponjiforme", "Hips", "Ménage à Trois", este último produzido pelo trio formado por ele próprio, Jorge Mateus e Fernando Relvas.

Após a longa série "Na Terra Como no Céu", este autor ecléctico dedicou-se a um tema inesperado: a biografia do futebolista Eusébio transmitida por cromos - em quadradinhos auto-colantes - para colar na tradicional caderneta. Os cromos estão a ser distribuídos no semanário Sol desde Abril de 2012.


Presentemente, Nuno Saraiva acumula a sua actividade de ilustrador e autor de BD com a de professor de Banda Desenhada e Cartune Político no [Centro de Artes e Comunicação] Ar.Co.


Um panorama bastante completo da série que realizou para o semanário Sol, até 27 Janeiro de 2012, pode ser visto no homónimo blogue "Na Terra como no Céu", no endereço.

http://naterracomonoceu.blogspot.com/

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Os interessados em ver a postagem anterior, poderão fazê-lo se clicarem no item Música na BD, visível em rodapé

quinta-feira, julho 21, 2011

Curtas de BD (Autores portugueses - VI) Fil e Gabriel Martins

"Cabaret Monstra" é o título de uma banda desenhada curta - curtíssima, apenas duas pranchas -, da autoria de Fil, desenhador, e Gabriel Martins, argumentista.

Trata-se de um episódio insólito, concretizado num estilo que se poderá classificar de realismo fantástico, protagonizado por uma stripper aparentemente sedutora, a despir-se nas cinco vinhetas iniciais, ao longo de toda a primeira prancha, mas alterando radical e surpreendentemente a sua figura humana na segunda prancha, e última.

O conceito, embora não totalmente inédito mas, apesar de tudo, em variante bem concebida, está concretizado com eficácia por Fil - aliás, Filipe Lopes - que representou com assinalável correcção o corpo feminino, e demonstrou imaginação na concepção da figura da personagem monstruosa, além da sua invulgar sensibilidade cromática na colorização (figuras e fundos) da breve narrativa visual.

"Zona Monstra" teve lançamento na "Monstra", Festival de Animação realizado anualmente em Lisboa, por isso é perfeitamente compreensível a preocupação dos editores e colaboradores que os episódios tivessem componentes miméticas relativamente ao evento de acolhimento.

Nota: A bd "Cabaret Monstra" foi extraída de Zona Monstra (nº6 - Março de 2011), edição aperiódica da Associação Tentáculo.
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Os interessados em ver as cinco postagens anteriores deste tema, poderão facilmente fazê-lo clicando no item Curtas de BD (Autores portugueses), visível no rodapé.

terça-feira, julho 19, 2011

Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD (XLV)

Há muito tempo já que tinha conhecimento da publicação, no suporte virtual da blogosfera, da banda desenhada "A Garagem de Kubrick", uma série criada pela dupla Carla Rodrigues, desenhadora, e J.B.Martins, argumentista/guionista (e cinebloguista há oito anos!).

Entretanto, como comprador da revista mensal de cinema Total Film, apercebi-me que, no nº3 (Jun. 2011) da publicação, havia uma novidade BD: um episódio intitulado "A Outra Escolha", pertencente àquela série, mas agora no tradicional suporte de papel, o que me induziu a esperar com curiosidade pelo número seguinte da revista.

 E logo no começo deste Julho, lá apareceu no nº 4, mais um "gag", o #2 intitulado "Teoria da Evolução", em que é mostrada a imagem de Harry Potter no seu início, em 2001, observada por duas crianças que seguem pela mão da mãe, enquanto que em 2011, agora já adolescentes, as mesmas personagens estão em frente dum Harry Potter também dez anos mais velho.

Carla Rodrigues desenha com facilidade, naquele registo muito em voga que se encaixa entre o figurativo e o caricatural, e J.B.Martins sabe aproveitar pormenores de filmes, ou situações paralelas, para criar curtos "gags".

Por conseguinte, agora que me certifiquei da continuidade da iniciativa, aqui fica a chamada de atenção aos bedéfilos/cinéfilos para o facto desta boa revista cinematográfica ter iniciado a inesperada bivalência BD/Cinema.

Para ver mais imagens de "A Garagem de Kubrick", visitar os seguintes endereços:
http://cineblog.blogs.sapo.pt/
https://www.facebook.com/agaragemdekubrick
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Os interessados em ver as 44 postagens anteriores deste tema consegui-lo-ão facilmente. Basta clicar no item Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD, visível no rodapé

sexta-feira, julho 15, 2011

Cursos, workshops em Oeiras

Dura apenas dois sábados (16 e 23 de Julho, das 14h às 19h), portanto dez horas ao todo, o workshop de banda desenhada que Carlos Barradas vai orientar na Livraria-Galeria Municipal Verney/Colecção Neves e Sousa, em Oeiras.

Falei aqui, nas duas postagens anteriores, daquele ilustrador, autor de BD, pintor, cineasta. A primeira foi a 9 de Julho, em que focava a sua exposição de BD, Ilustração e Pintura; a segunda, dois dias depois, a 13, mostrei imagens de Lisboa em vinhetas e pranchas de BD de sua autoria, pertencentes à obra em álbum "O 13º Passageiro".

Para os futuros alunos, mas também para visitantes deste blogue que não conheçam bem o autor, incluirei em seguida alguns elementos biográficos e bibliográficos.
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CARLOS BARRADAS

Biobibliografia

Carlos Manuel Barradas Teixeira nasceu em Lisboa, a 16 de Fevereiro de 1947. Possui duas licenciaturas e um mestrado. As licenciaturas são de Design de Comunicação - uma obtida na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, a outra no IADE -, tem um mestrado em Design e Cultura Visual, e frequência de três anos do Curso de Cinema do Conservatório.

Na génese da revista Visão (a de BD, publicada entre Abril de 1975 e Maio de 1976), estiveram Carlos Soares, jornalista, que teve a ideia, e Carlos Barradas, que realizou nela várias bandas desenhadas, a primeira das quais, "Clave sem Sol", feita sob argumento do jornalista.

Colaborou com BD e Ilustração em várias outras revistas e jornais, designadamente Pãocomanteiga, &Etc, Expresso, Pé de Cabra, O Bisnau, O Coiso, e no muito invulgar Pau de Canela, este derivado do programa televisivo "Arroz Doce", coordenado e apresentado por Júlio Isidro na RTP, em 1985, onde se efectuou pela primeira vez (e única) um "cadavre exquis" em filmagem directa, tendo Barradas participado com uma prancha das dezoito que constituiram a banda desenhada improvisada por dezoito autores de BD, e que foram publicadas, uma a uma, no citado Pau de Canela.

Teve a sua estreia em álbum, em 1978, na obra de carácter político "Banda Desenhada de Carlos Barradas baseada em O Capital - Karl Marx".

Colaborou com o episódio "Juca & Zeca - Um dia nas obras", no fanálbum "Novas fitas de Juca & Zeca", editado em Dezembro de 2002.

De novo a desenhar para álbum, realizou, em parceria com o advogado doublé de argumentista José António Barreiros, "O 13º Passageiro", obra editada em Janeiro de 2007.

Realizou, também uma BD - mas nunca editada - com o título "80 Anos de Jazz em Portugal", que constituiu a componente gráfica do seu mestrado.
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As três pranchas de BD que se vêem no topo do "post" são um excerto (3 de 10) de uma bd sem título, de Carlos Barradas, publicada na revista Visão nº 7, de 10 Out. 1975

quarta-feira, julho 13, 2011

Lisboa na Banda Desenhada (XVI)


Estive presente em Janeiro de 2007 no lançamento do álbum O 13º Passageiro no ANA-Museu -Aeroporto de Lisboa. Ao folheá-lo, tive de imediato a noção de estar perante uma obra em banda desenhada de muito interesse histórico e rica em imagens daquela Lisboa da já longínqua década de quarenta do século XX.

Apreciei depois mais pormenorizadamente o conteúdo do álbum, que incide sobre um misterioso caso ocorrido em meados de 1943, tendo como personagem fulcral o actor de cinema e teatro Leslie Howard, isto no período conturbado da Segunda Guerra Mundial.

Olhado suspeitosamente pelos alemães como espião dos aliados, o conceituado actor - famoso especialmente pela sua participação no filme "E Tudo o Vento Levou" -, está por essa data em Lisboa, onde vem fazer uma série de conferências, uma das quais no Teatro Politeama.

Após ter ido a Madrid repetir as conferências que fizera em Lisboa, Leslie Howard vai regressar a Londres no dia 1 de Junho de 1943, mas nunca lá chegará, porque o avião da KLM (ao serviço da britânica BOAC) será abatido por uma esquadrilha alemã de junkers, sobre o golfo da Biscaia, tendo morrido os treze passageiros.

Toda esta trama baseada na realidade é descrita no argumento de José António Barreiros, que Carlos Barradas transformou em banda desenhada, eficientemente, em estilo realista, recriando com rigor uma Lisboa antiga - até o já desaparecido Hotel Aviz, onde viveu o magnata arménio Calouste Gulbenkian -, baseado visivelmente em fotografias da época, que trabalhou graficamente de forma eficaz.

(Álbum com a chancela da editora "O Mundo em Gavetas", Data da edição: 2007)
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Os interessados em visitar as anteriores 15 vistas de Lisboa desenhadas por autores de BD, poderão fazê-lo clicando sobre o item Lisboa na Banda Desenhada, inserida no rodapé

sábado, julho 09, 2011

Exposições BD avulsas (VII)



"Desenhos do Quotidiano" é o título da exposição composta por bandas desenhadas, ilustrações e pinturas de Carlos Barradas, inaugurada hoje em Oeiras, na Livraria-Galeria Municipal Verney/Colecção Neves e Sousa.

Para quem tenha conhecido a revista Visão (a de BD, doze números editados entre Abril de 1975 e Maio de 1976) sabe que os seus pilares foram principalmente Victor Mesquita, Zé Paulo, Carlos Barradas, Pedro (Pedro Massano), Corujo Zíngaro, Isabel Lobinho, Duarte, Nuno Amorim, Pilar, Zepe, visionários que revolucionaram a Banda Desenhada em Portugal, realizando obras totalmente diversas do que até então se fizera, tanto pelo estilo como pelo conteúdo.

Na componente da banda desenhada - é disso que sempre estamos a falar neste blogue -, Carlos Barradas seleccionou pranchas de várias bedês da Visão, das obras "O Capital" e "O 13º Passageiro", ambas editadas directamente em álbum (a primeira a preto-e-branco, a segunda a cores), além da surpresa de se poderem ver pela primeira vez em público pranchas de "80 Anos de Jazz em Portugal", obra que fez parte do mestrado dele mas nunca publicada.
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No programa da exposição "Desenhos do Quotidiano" há uma muito interessante autobiografia de Carlos Barradas, que aqui reproduzo, com a devida vénia ao meu amigo autor:

CARLOS BARRADAS

Autobiobibliografia

Comecei a desenhar por volta dos 4 anos e ao tomar-lhe o gosto nunca mais parei. Depois foi uma despesona em lápis, papel, aguarelas, guaches, um ror de coisas que desequilibravam sempre o orçamento familiar mas que era compensado pelo gozo que me dava e o meu pai a protestar.
Em Angola onde vivi a minha infância e adolescência não havia televisão e sendo filho único tinha que inventar as minhas próprias brincadeiras. Tive tempo para ler muita BD, ver filmes de coboiada e a praia, muita praia e muito mar, muita cabulice e o meu pai sempre a protestar.
Em 1973 depois de feita a tropa vim para Lisboa acabar o curso de Belas Artes e fui ficando e vendo e aprendendo e também o Conservatório no Curso de Cinema. Tudo pelo gozo que a descoberta das coisas me davam e o meu pai em Angola sempre a protestar porque queria filho advogado que era profissão séria e respeitável (Ele não conhecia alguns advogados).
Colaborei em quase tudo que era revista e jornal, no tempo em que era uma aventura lançar uma revista.
Na véspera de Natal de 1974, o Carlos Soares, ex-colega do Liceu D. João de Castro, jornalista e mais tarde correspondente da Agência Lusa em Roma fez-me uma proposta desonesta: e que tal fazermos uma revista de banda desenhada só com autores portugueses. Lá iniciámos os contactos com amigos e colegas do pincel, vasculhando a cidade de alto a baixo até que juntámos uma equipa de jeito e começámos a trabalhar. Lá fomos desenhando e construindo aquela que é hoje a única experiência em BD mais consistente e pensada só com autores portugueses que se transformou ao fim destes anos todos numa revista de culto, a revista Visão.
Depois a revista foi boicotada pelas suas estranhas e atrevidas histórias, pelo preço caríssimo de 20 escudos e até pela própria distribuidora que a colocava em locais remotos do Portugal de então. A redacção foi-se enchendo de sobras e assim a pouco e pouco foi-se esmorecendo o fulgor, o deles e o nosso, chegando ao número 12, não alcançando o 13 para não dar azar.
Depois foi um período a dar aulas de Design no ensino preparatório, ilustrações para livros infantis, a seguir a RTP como designer gráfico a criar genéricos para programas e animações a sério, à mão que não havia as modernices dos computadores, depois logo a seguir o concurso para realizadores, o impedimento de ir a concurso por questões burocráticas e finalmente ultrapassadas e por ironia do destino o 1º lugar no curso de realizadores da RTP.
Projectos bons, outros nem tanto, outros falhados, e assim se passaram 20 anos. Os últimos dois na prateleira e finalmente a rescisão do contrato e ala que se faz tarde!
Depois como Art Director numa empresa de produção e um canal codificado na TV Cabo. Em seguida a realização de uma novela durante um ano. Uff! Estudar alguma coisa, sentir curiosidade pelo que nos rodeia e ter acabado o mestrado.

Carlos Barradas
2011
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As imagens que ilustram este "post" não necessitam legendagem.

Todavia há um aspecto curioso em relação à prancha de BD: a que mostro aqui é a que consta da revista Visão, intitulada "Clave sem sol".

Mas na exposição acima indicada está a prancha original, e o título que lá consta é: "História sem dó". O que significa que, ao ser editada na revista, lhe mudaram o título. Curioso... Não me ocorreu esclarecer esta alteração, qual o motivo, e quem a fez. Tenciono esclarecer o pormenor.
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Os interessados em ver as postagens anteriores destes temas conseguirão fazê-lo clicando no item Biografias  ou no outro item,  Exposições BD avulsas, visíveis no rodapé

sexta-feira, julho 08, 2011

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (XXIII).Jornal i - Especialista BD - Cristóvão Gomes









Má notícia para a divulgação da banda desenhada nos média. A rubrica "Especialista BD", no jornal i de hoje, dia 8 de Julho, despede-se laconicamente: "Já esta coluna acaba aqui".

Assim descontextualizada, a frase parece fazer pouco sentido. Mas faz, claro. Cristóvão Gomes, que semanalmente tem falado acerca de autores e obras de BD, ocupou a habitual coluna (sempre o mesmo espaço de 28x4,5cm, talvez com dois mil caracteres), a fazer referência crítica, desta vez, a Sammy Harkham (Los Angeles, USA, 1980), autor de BD e editor do (inicialmente fanzine, depois revista, quando passou a ter editora) Kramers Ergo, cujo nº 7 editado em 2008, teve direito a capa dura e dimensões "broadsheet", idênticas às dos jornais americanos dos inícios do século passado, maiores do que o A3.

Esta enorme edição, quer no formato, quer na quantidade de páginas - colaboraram mais de cinquenta autores, designadamente Dan Clowes, Ben Katchor, Seth, Josh Simmons, Adrian Tomine, Chris Ware -, mostra que a BD pode conter muitos aspectos diferentes, bem distantes das bandas desenhadas tradicionais.

Eis a pergunta com que Cristóvão Gomes finalizou o artigo: "Será que uma revista que não se pode ler, vendida a um preço que não se pode pagar, é BD?".

Ele próprio conclui: "A resposta de cada um ditará um final diferente para a BD. Já esta coluna acaba aqui."

É assim que, com um laconismo que soa a triste, Cristóvão Gomes se despede. Cansaço da tarefa? Ou em consequência da crise, os responsáveis do jornal acharam que estava a ser mal gasta a importância que pagavam por uma coluna a falar de BD? Fico sem saber, não o conheço.
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Reproduzo imagens do nº 7 do magazine "Kramers Ergot", em seguida mostro a última edição da rubrica "Especialista BD" no jornal i de 8 Jul.11, e também um número do meu fanzine "Folha Volante", distribuído na Tertúlia BD de Lisboa, onde estão incluídos, entre outros textos, duas edições da rubrica coordenada e escrita por Cristóvão Gomes
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Os interessados em ver os 22 anteriores artigos (com início em 15 de Julho de 2005) do presente tema, poderão fazê-lo, bastando para isso clicar no item Etiquetas: Imprensa - Críticas e notícias sobre BD, visível aqui por baixo no rodapé

quarta-feira, julho 06, 2011

Comic Jam - 31ª prancha

Seis ilustradores são os autores do "cadáver esquisito" visível no topo deste "post"-

Como sempre acontece, trata-se de uma banda desenhada tendencialmente bizarra, visto não haver argumento escrito previamente, realizada de improviso. Aconteceu no encontro de 5 de Julho, da Tertúlia BD de Lisboa.

Os nomes dos autores-gozões, pela ordem da leitura das vinhetas:

1. Nelson Martins (Convidado Especial)
2. Pepedelrey
3. Falcato
4. Rui Batalha
5. João Sequeira
6. Álvaro
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Vale muito a pena ver os "cadáveres esquisitos" anteriores.
Para isso basta clicar sobre o item Comic Jam visível aqui por baixo, no rodapé.

segunda-feira, julho 04, 2011

Tertúlia BD de Lisboa



Nelson Martins (Alhos Vedros, 1973) é essencialmente "webdesigner", sua actividade profissional. Mas desde muito cedo demonstrou gosto por fazer banda desenhada, o que o levou a participar num concurso de BD em 1987 - onde obteve o 1º prémio - e a colaborar em suplementos de jornais - DN Jovem, do Diário de Notícias, por exemplo - e em fanzines, um dos quais, o Comtrastes, editado pelo actualmente bem conhecido João Fazenda, seu colega nas Belas Artes.

Até que, em 2010, conseguiu aquilo que é um dos maiores anseios de qualquer autor de banda desenhada: ser editado em álbum. O que, caso invulgar, lhe aconteceu através de uma editora da Bélgica, apesar de viver em Portugal.

Nelson Martins vai ser o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa, na edição de 5 de Julho, e falará dessa sua experiência no momento de tertúlia propriamente dito.
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NELSON MARTINS

Biobibliografia

Nelson Manuel Gonçalves Martins nasceu em Alhos Vedros, a 14 de Abril de 1973.

Obteve o curso de Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, completado em 1996.

Trabalha actualmente como freelancer de webdesign, animação e ilustração.

Desde muito cedo que sentiu gosto por fazer banda desenhada, não sendo de estranhar que tenha participado em 1987 no V Concurso Nacional de Banda Desenhada, organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada, em que obteve o 1º Prémio. E em 1991 foi o vencedor, na categoria de BD, do evento "Pavarte", organizado pela Escola Secundária Padre António Vieira.

Dando o seguimento possível a essa tendência, colaborou regularmente no suplemento DN Jovem, do jornal Diário de Notícias, com bandas desenhadas autoconclusivas de prancha única e cartunes, entre 1990 e 1995. Neste suplemento obteve, em 1994, o 1º Prémio no concurso "Mundial de Futebol".

Também nessa década de noventa colaborou no jornal Correio da Manhã, numa secção aberta aos leitores (tal como acontecia no DN Jovem), onde foram impressas bandas desenhadas e cartunes de sua autoria. E no semanário regional setubalense Actual, nos anos 1991 e 1992, publicou bedês curtas.

Numa área que cedo o interessou, o humorismo por imagens, alcançou o Prémio Humor no VII Salão Livre/94, com uma bd de prancha única.

Voltou a fazer BD na primeira vez que colaborou num fanzine, o Comtrastes (nº1 - Out. 93), editado pelo agora bem conhecido João Fazenda, colega então nas Belas Artes. A sua colaboração consistiu numa bd de duas pranchas, a preto-e-branco, intitulada "A Fotografia".
Repete agora, dezoito anos mais tarde, a colaboração num fanzine, o Tertúlia BDzine (nº 163 - Julho 2011), com uma bd em quatro pranchas, a cores, "Lig & Mandu - Os Crápulas da Montanha - A Alegoria do Palhaço", em que teve a colaboração no argumento de Pedro Couto e Santos.

Mas o grande momento na sua ainda curta carreira na BD deu-se em Junho de 2010, ao ser editado em álbum, na Bélgica (pela Joker Éditions) a banda desenhada Tout sur les Célibataires ("Tudo sobre os celibatários", ou antes, entrando pelo registo humorístico, poder-se-á traduzir o título livremente por "Tudo sobre os solteirões"), em que teve a colaboração do argumentista Valéry Der-Sarkissian.

Tem participado na internet com regularidade. Em co-produção com Pedro Couto e Santos desenhou tiras de BD para a série "Os Especialistas", na revista online Digito.pt em 1998; a série "País dos Sapos", para o Sapo.pt; e aquela mesma série "Os especialistas" também para o Sapo.pt (canal de tecnologia), presente em http://www.nitrodesign.com/especialistas.

Ainda na internet, a sua colaboração actual é para a DGIDC - Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, através de uma tira semanal de BD no "site" http://www.seguranet.pt/

O seu portefólio está alojado em http://www.tintadachina.com/

Reconhecimento público: hoje, 5 de Julho de 2011, é o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa, com direito a Diploma de Incentivo.

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Registo de presenças

1. Abílio Pereira
2. Álvaro
3. Ana Saúde
4. Ana Vidazinha
5. António Amaral
6. Bruno Martins
7. Falcato
8. Geraldes Lino
9. Helder Jotta
10. Hugo Teixeira
11. João Sá-Chaves
12. João Sequeira
13. Luís Graça
14. Luís Ramos
15. Manuel Canário
16. Manuel Valente
17. Maria José Pereira
18. Miguel Ferreira
19. Milhano
20. Moreno
21. Nelson Martins (Convidado Especial)
22. Nuno Duarte "O Outro Nuno"
23. Nuno Neves
24. Paulo Gonçalves
25. Paulo Marques
26. Pedro Bouça "Hunter"
27. Pepedelrey
28. Rui Batalha
29. Rui Domingues
30. Rui Rôlo
31. Sandra Rosa
32. Simões dos Santos
33. Teresa Cardia

domingo, julho 03, 2011

Fanzines esses desconhecidos (XLVI)

Uma das regras dos fanzines é a de não cumprir regras. O Tertúlia BDzine, por exemplo, tanto surge num mês com uma banda desenhada reproduzida a preto-e-branco nas suas quatro páginas A4, como pode aparecer flamante, todo a cores, no mês seguinte.

Ou seja: se ao editor -o presente bloguista, neste caso - aparece um autor que lhe oferece para publicação uma banda desenhada a cores, a proposta é geralmente aceite, até porque o caso não é muito frequente.

Nelson Martins (*) com a ajuda do seu amigo Pedro Couto e Santos na escrita do argumento, realizou a bd Lig & Mandu. Os Crápulas da Montanha. A Alegoria do Palhaço. É esta bd curta, em quatro pranchas, que preenche o nº 163 do Tertúlia BDzine, que tem data de 5 de Julho, o dia em que se realiza a Tertúlia BD de Lisboa, e será distribuído um exemplar do zine a cada um dos participantes desta associação informal, aberta a todas as pessoas desde que sejam apreciadoras de BD.
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(*) Nelson Martins, co-autor do álbum Tout sur les Célibataires (Tudo sobre os Celibatários), editado na Bélgica (ver "post" anterior), vai ser o Convidado Especial do 324º Encontro da TBDL.
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Para se poderem ver as postagens anteriores relacionadas com o presente tema, basta clicar no item Etiquetas: Fanzines esses desconhecidos visível no rodapé.

sábado, julho 02, 2011

Exposições BD avulsas (VI)

Universos da Entropia, título de uma mostra "mix" que abrange Banda Desenhada, Caricatura, Cartune, Ilustração e Fotografia, inaugura-se hoje 2 de Julho, sábado, pelas 15h00, e estará visitável até 15 deste mês, no Centro de Exposições da Junta de Freguesia de Ramada (Odivelas).

São participantes autores que representam as áreas indicadas, e que nomeio por ordem alfabética, respeitando o cartaz que ilustra o topo do "post":

Adelina Menaia, Álvaro, Ana Maria Baptista, Bruno Balegas, Bruno Martins, Catarina Guerreiro, Gastão Travado,
João Amaral, João Figueiredo, João Raz, João Sá-Chaves, Manuel Alves, Melanie Romão, Miguel Ferreira,
Paula Nunes, Paulo Marques, Pedro Manaças,
Ricardo Correia.

Com satisfação, não posso deixar de pensar que, em Odivelas, há Juntas de Freguesia que gostam de Banda Desenhada. Pelo menos duas: a da Ramada, que citei no início do "post", e a da Pontinha, onde também houve evento similar - entre 2 e 26 de Novembro de 2010 -, dessa feita dedicada à obra "Odivelas em Banda Desenhada", de Paulo Rijo. (*)

Universos da Entropia
Local:
Centro de Atendimento e Exposições da Junta de Freguesia da Ramada
Rua João Villaret, nº36-D
Odivelas

Horário de funcionamento:
2ªs, 4ªs e 6ªs - das 09h00 às 12h30
3ªs e 5ªs ....... - das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h00


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(*) Quem tiver curiosidade em ver de que exposições já falei cinco vezes - incluindo a tal em Odivelas com a bd de Paulo Rijo -, poderá fazê-lo ao clicar no item Etiquetas: Exposições BD avulsas visível no rodapé