segunda-feira, agosto 29, 2011

Ilustração por autor de BD (II) - Nuno Saraiva





O artista Nuno Saraiva, essencialmente autor de BD, está cada vez mais em foco, devido à sua intensa e bem visível actividade. Isto porque, para além da banda desenhada em duas pranchas que faz semanalmente para a revista/suplemento "Tabu" (semanário Sol) assina com frequência ilustrações para outros sítios.



É o caso, por exemplo, do jornal Público, para cujo suplemento "Ípsilon" realizou um estupendo conjunto de ilustrações dedicadas à rentrée (a influência francófona ainda não foi totalmente submersa pela anglófona) e que constituem forte motivo de interesse para os apreciadores de BD na generalidade, e para tintinófilos, na especialidade.



"As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne", filme tão longamente anunciado, de Steven Spielberg, eis o dito motivo de interesse. E é Tintin, lui même, que surge em grande plano, tanto na capa do "Ípsilon" como na ilustração de página dupla no interior daquela publicação.


Os méritos das duas ilustrações são inquestionáveis, demonstrando, ainda outra vez, uma já antiga afirmação minha, que tenho comprovado ao longo de muitos anos: qualquer autor de BD faz facilmente uma ilustração, em contrapartida raros são os especializados apenas em Ilustração que são capazes de fazer com facilidade uma banda desenhada (pode ser discutível, mas não posso deixar de dizer o que penso e tenho observado, é portanto a minha opinião muito pessoal, visto que nunca a vi ser defendida por mais ninguém).

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Para ver a postagem anterior deste mesmo tema bastará clicar no item Ilustração por autor de BD inserido no rodapé

terça-feira, agosto 23, 2011

Exposições BD avulsas (VIII) - Tintim em Odivelas

Há uma excelente exposição de BD em Odivelas, dedicada à inseparável dupla Hergé/Tintin.

Compõe-se de treze painéis, numa bem concebida panóplia, que abrange diversificados temas facilmente visualizáveis pelos títulos:

1) Hergé o pai de Tintim
2) Coração de escuteiro
3) Companheiros de aventuras
4) A Ficção e a Realidade
5) Atenção ao pormenor
6) O Castelo de Moulinsart
7) Politicamente (In)Correcto
8) Tintim Repórter no Mundo
9) O Futuro antecipado
10) Tintim em Portugal
11) Tintim em versão portuguesa
12) Portugueses no mundo
13) O amigo português de Tintim

Graças ao meu amigo Miguel Sousa Ferreira - funcionário superior do equipamento cultural (pertencente à C.M. de Odivelas) organizador do evento - que encontrei lá por mero acaso, e graças também à pen que me forneceu com as imagens completas dos painéis, é-me possível mostrar a exposição quase no seu todo.

Exceptuam-se os expositores horizontais, onde estão visionáveis álbuns de variadas proveniências, bem como diversos objectos (figurinhas, t-shirts, relógios) e exemplares de revistas portuguesas, O Papagaio, Zorro, Cavaleiro Andante, Tintin (só faltando O Foguetão), onde foram publicadas as aventuras do célebre repórter e também jornalista de investigação avant la lettre.

Os treze painéis da exposição, para além da reprodução de um número considerável de pranchas dos vinte e três álbuns publicados, incluem textos demonstrativos de um profundo conhecimento do conjunto da obra.

O título da exposição é: Tintim e(m) Portugal, inaugurou-se a 13 de Julho (só agora tive conhecimento dela, hélas!), terminará a 4 de Setembro (ainda dá tempo para a ir visitar), foi concebida e montada por Orlando Diniz (ele próprio autor de BD, editei uma bd dele no meu fanzine Tertúlia BDzine), que escreveu também os textos que acompanham as imagens.
Os objectos e álbuns que se podem ver nos expositores horizontais são propriedade de Anabela Pires, Catarina Ferreira e Miguel Sousa Ferreira, colaboradores do evento.

A visitar rapidamente no

CENTRO DE EXPOSIÇÕES
Rua Fernão Lopes - Quinta da Memória (junto aos Paços do Concelho) Odivelas
Horário: de 3ª a Domingo, e feriados, das 10h às 23h

Entrada livre
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Aviso aos visitantes menos experientes: Para ampliar convenientemente os painéis, e poder ler os textos (vale a pena!), deverão clicar duas vezes sobre a imagem: uma para a primeira ampliação, a seguinte (já com o cursor em forma de lente) para ampliar ao máximo.

Peço desculpa de estar a maçar a quem esteja farto de saber isto
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Para ver as anteriores postagens referentes a este tema, bastará clicar no item Exposições BD avulsas visível no rodapé

segunda-feira, agosto 15, 2011

Autógrafos desenhados (XVII) - Juan Zanotto




Do vasto acervo de desenhos originais que me têm sido oferecidos por autores de BD, retirei agora este da autoria de Juan Zanotto, nome que em Portugal nunca foi muito divulgado.
Embora, como se poderá constatar pelos elementos biobibliográficos que coligi, se tenha tratado de autor de prestígio a nível internacional.
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JUAN ZANOTTO

Síntese biobibliográfica

Nascido em Itália, Turim, em 26 Setembro de 1935, Juan Zanotto passou a viver na Argentina, Buenos Aires, a partir dos doze anos, onde estudou na North American School of Art.

A partir de 1953 começou a trabalhar em BD na Editorial Codex, para a qual fez westerns, como foi o caso de, sob argumento de Alfredo Grassi, "Ric de la Frontera", em 1955, sendo que, logo no ano seguinte, o ainda muito jovem Zanotto iniciaria "El Mundo del Hombre Rojo". Graças a estas boas provas iniciais, foi-lhe possível começar a trabalhar para a agência (syndicate) inglesa Fleetway.

Em 1965 tornou-se director artístico (apenas com 30 anos!) da Codex, editora na qual se iniciara; e em 1974 passou a exercer as mesmas funções nas Ediciones Record, editora da revista Skorpio, lançada no mesmo ano. Foi para aquela revista que Zanotto criou "Zenga" (conhecido em Itália como "Yor), um caçador do período neozoico, uma das suas personagens mais importantes, em colaboração com o argumentista Diego Navarro (um dos numerosos pseudónimos do argentino Eugenio Zappietro).

Em 1976, no nº 40 da revista Tit Bits, é iniciada a publicação da obra "Wakantanka", cujo argumento era da autoria do já à data muito conceituado Hector Oesterheld, que ainda antes de acabar de escrever aquele argumento foi sequestrado por ordem da ditadura militar, tendo desaparecido para sempre, pelo que a finalização do texto ficou a cargo de Carlos Albiac.
Esta obra voltaria a ser publicada num suplemento do nº 8, de 1991, da revista Skorpio (revista que, em edição brasileira, chegou a ser distribuída em Portugal).

Nos anos de 1980, o talentoso banda-desenhista produziu várias obras, designadamente "Barbara", "Penitenciaria" (esta com argumento do conceituado Ricardo Barreiro), "Falka", "Tagh" (sob argumento do italiano Alfredo Grassi), "Nueva York, año cero" e "Cronicas del Tiempo Medio" (argumentista: Emilio Balcance).

Ainda na mesma década de 1980, a editora americana Eclipse republicaria as duas últimas obras citadas. E na década seguinte Zanotto criaria as novelas gráficas "Warman" e "Starlight", em parceria com o argumentista Robin Wood, para a Marvel.

Zanotto faleceu na Argentina, a 13 de Abril de 2005.

Fontes: "La Historieta Argentina - Una historia", de Judith Gociol e Diego Rosenberg, e site "Lambiek Comiclopedia"
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Os interessados em apreciar os dezasseis desenhos incluídos nesta categoria, referentes a originais que me foram oferecidos por autores de BD (Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, entre muitos outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Curtas de BD - Autores estrangeiros - (I) - Boucq





Por causa do filme baseado na popular série da BD belga, criada por Peyo, "Les Schroumpfs" - agora que a influência francófona já está muito esbatida, ultrapassada pela anglófona, os estrumpfes (forma aportuguesada do nome) estão a ser apresentados como "Smurfs" -, lembrei-me deste episódio caricatural, com uma componente tipo "pastiche" na última prancha, criada pelo notável François Boucq.

A banda desenhada que reproduzo, extraída da extinta revista Cimoc (nº 137, de 1992) - com a devida vénia ao seu editor, o meu amigo Rafa Martinez -, apesar de ter sido feita por um autor francês, vi-a/li-a, portanto, em versão espanhola/castelhana, daí que os populares duendes azuis sejam aqui chamados de "pitufos".

E lembrei-me da impressionante mensagem subjacente na tão amarga paródia intitulada Briefing...

(Ampliar para poder ler as legendas: peço desculpa aos mais experientes, mas repito o aviso: é necessário clicar duas vezes em cima da imagem - a 2ª em cima da 1ª ampliação - para ser possível a leitura)

(*) Esta revista nunca apresentava data de publicação, pelo que não me foi possível detectar o mês, apenas consegui o ano.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Concurso de BD



O humor é coisa séria, parece um paradoxo, todavia nada melhor para confirmar a ideia do que observar a banda desenhada curta pertencente à obra Idées Noires, de Franquin, que se pode visionar no topo do "post".



Mas a que propósito seleccionei aquela bd para ilustrar o árido texto que constitui este "post"? Porque tem algo a ver com o tema do Concurso Nacional de Banda Desenhada, na sua 22ª edição, realizado em complementaridade com o Festival Internacional de BD/Amadora 2011.

Vejamos então, em síntese, o regulamento do concurso, com destaques meus, bloguista, dos pontos mais importantes.

1)
Tema obrigatório: "O Humor é Uma Coisa Séria"

2)
Os concorrentes incluir-se-ão em três escalões:


A+ - A partir dos 31 anos (sem bedês publicadas em álbum, e que nunca tenham sido premiados/as pelo Amadora BD)

A - dos 17 aos 30 anos


B - dos 12 aos 16 anos

3)
12 Setembro de 2011, até às 17h, data e hora limite para entrega das bandas desenhadas à entidade organizadora CMA/CNBDI (Câmara Municipal da Amadora/Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem).

As bandas desenhadas enviadas por correio terão de chegar, ao limite, também naquelas data e hora, ao seguinte endereço:
22º Concurso de BD
Amadora BD - Festival Internacional de Banda Desenhada
CMA/CNBDI - Av. do Brasil, 52-A
2700-134 Amadora / Portugal

4)

a) Cada banda desenhada será constituída por 4 pranchas originais, inéditas, produzidas nos últimos dois anos, podendo ser a preto-e-branco ou a cores;
b) O formato das pranchas pode ser A4 (210x297mm) ou A3 (420x297mm);
c) As quatro pranchas têm de estar numeradas (preferivelmente no canto inferior direito), mas não podem estar assinadas (os autores podem deixar um pequeno espaço em branco a fim de posteriormente as assinarem, para efeitos de publicação e/ou exposição (isto independentemente de as quatro pranchas a concurso terem de ser numeradas e identificadas com o pseudónimo e respectivo escalão, no verso).
Ainda a respeito do pseudónimo: este deve ser original, não podendo ser usado algum que já tenha sido utilizado anteriormente pelo(s) autor(es).

5)
Mais pormenores importantes:
a) Os autores têm de fazer duas fotocópias de cada prancha, sendo uma para ficar em seu poder, e a outra para seguir junto ao original;
b) Os autores devem dar atenção ao tamanho (corpo) das legendas, que terão de ser feitas de forma a ficarem legíveis após serem reduzidas para formato A4 (isto no caso dos autores que preferem desenhar em pranchas de formato A3);
c) O início da banda desenhada deve apresentar título; o final do episódio também deverá estar claramente marcado.

6)
Inscrição

A fim de se inscreverem, os concorrentes deverão recortar ou fotocopiar a Ficha de Inscrição
(a qual fica reproduzida no topo deste "post"), preenchê-lo, e enviá-lo juntamente com uma fotocópia legível do Cartão de Cidadão (ou Bilhete de identidade), mais o Cartão de Número de Identificação Fiscal (NIF, vulgo "Cartão de Contribuinte").

Nota importante - A inscrição dos participantes apenas se considera válida após a recepção das obras a concurso, juntamente com os documentos acima indicados.

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Ilustração do "post"
A banda desenhada curta, em duas pranchas, de Franquin, que tomei a liberdade de reproduzir, pertence ao álbum "Idées Noires" (tomo 2), edição de "Fluide Glacial".
Que fique claro: a escolha desta peça de BD é da responsabilidade do presente blogger, tem a ver com alguma ligação ao título do tema do concurso, mas não é nenhuma sugestão para os potenciais concorrentes

Quanto à imagem da Ficha de Inscrição poderá servir aos interessados em participar no concurso (para vê-la em condições terão de lhe clicar duas vezes consecutivas em cima)

sexta-feira, agosto 05, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Luanda) 8º Festival BD




No que se refere a países africanos lusófonos, ao nível de eventos de grande dimensão pública, a banda desenhada apenas está a ser aproveitada em Angola.

Mas de que maneira! Para já, na capital angolana, está aberto ao público, a partir de hoje, 5 de Agosto, até ao dia 12, o  
8º Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação - Luanda Cartoon.

O local onde se realiza é prestigiante para a BD e restantes artes contempladas. Nada menos que o Instituto Camões, em Luanda e no Elinga, e conta com a presença de 30 artistas/autores de BD e cartunistas angolanos, e cinco estrangeiros.

Destes últimos, destaque para os talentosos brasileiros Gabriel Ba e Fábio Moon (que já estiveram em Portugal, no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja), e para os portugueses J. Mascarenhas (que já esteve presente no evento em 2010, a apresentar o seu omnipresente "Menino Triste"), e João Amaral, autor de várias obras publicadas em álbum, entre as quais "A Voz dos Deuses", adaptação em BD do excepcional romance homónimo de João Aguiar.

(Dos nossos compatriotas, João Amaral e João Mascarenhas, mostro no topo do "post" uma prancha de cada: do primeiro, uma imagem da obra "História de Fornos de Algodres - Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens", e do segundo, "A Essência - O Menino Triste").

Este festival africano de BD, de periodicidade anual, existe graças ao entusiasmo, persistência e amor à banda desenhada de dois ilustradores/autores de BD: os irmãos Olímpio de Sousa e Lindomar de Sousa, donos do estúdio Olindomar.

Parabéns aos dois, dignos da admiração incondicional de todos os bedéfilos! Não terá sido fácil conseguir pôr de pé o evento, não será fácil conseguir mantê-lo, anualmente.
Saravá aos angolanos Sousa!
 


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Para ver postagens anteriores acerca de Festivais BD, bastará clicar no item Festivais de Banda Desenhada e Prémios respectivos, visível no rodapé

quarta-feira, agosto 03, 2011

Comic Jam -32ª prancha

Como sempre acontece nos encontros mensais da Tertúlia BD de Lisboa, realiza-se um "cadáver esquisito" ("Comic Jam" na versão anglófona) com a colaboração de seis desenhadores, que realizam de improviso uma banda desenhada.

No topo do "post" fica a imagem da bd de seis vinhetas, cujos autores foram os seguintes:

1. Rui Ramos (representante do projecto "Voyager")
2. João Raz
3. André Silva
4. ARechena ("Dona Zarzanga")
5. Petra Marcos
6. Nelson Martins

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Para ver os 31 improvisos de BD anteriores basta clicar no item Comic Jam visível no rodapé