sábado, julho 28, 2012

Fanzines, esses desconhecidos - Efeméride






O fanzine Efeméride foi criado no invulgar formato A3 para homenagear personagens de banda desenhada criadas em tempos idos, e que foram atingindo, após o seu aparecimento - quer nos suplementos dominicais americanos, quer em revistas -  um número redondo de anos: Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay, teve início em Outubro de 1905, o que deu azo à comemoração da efeméride dos cem anos, tendo eu editado o primeiro número do fanzine Efeméride em Outubro de 2005, com o título Sonhos de Nemo no Século XXI, cujas pranchas constituiram uma exposição patente no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora
O projecto desenvolveu-se com as obras Príncipe Valente no Século XXI (Nº 2 - Fevereiro 2007), Super-Homem no Século XXI (Nº3 - Junho 2008), Tintim no Século XXI (Nº4 - Junho 2009) e, finalizando a existência do fanzine, com  o nº5 dedicado a Corto Maltese no Século XXI (*), neste mês de Julho de 2012, quarenta e cinco anos depois do início da sua publicação, na revista italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967.

(*) Tal como acontecera com as pranchas do nº1, também as deste nº 5 deram azo a uma exposição, desta vez no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, entre 26 de Maio e 10 de Junho de 2012

As imagens que ilustram o topo do "post" referem-se a (de cima para baixo):

1) Capa do fanzine, de Regina Pessoa
2) Prancha do episódio "Os dois Pratts", de JCoelho (desenho), David Soares (argumento)
3) Prancha do episódio "No séc. XXI? Aquilo já era esquisito no séc. XX", de Pedro Massano 
4) Prancha do episódio "O Vazio", de Carlos Páscoa
5) Prancha do episódio "Corto no Alentejo", de João Sequeira "JAS"
6) Prancha do episódio "Cliché", de José Pedro Costa
7) Prancha do episódio "Corto Maltese e as Mulheres no Século XXI", de Ricardo Cabrita
8) Prancha do episódio "Numa Praia da Linha", de Joana Afonso

Ficam aqui reproduzidas sete pranchas como mero "teaser" para os interessados em verem a totalidade das 43 que compõem o miolo do fanzine

----------------------------------------------------------------------------
Para quem não conheça o zine, nem o venha a conhecer - a tiragem é de 150 exemplares apenas, e já só restam umas seis dezenas - reproduzo o meu editorial:

Corto Maltese alter ego de Hugo Pratt

Há muitas semelhanças entre Hugo Pratt, autor de banda desenhada, e Corto Maltese, herói de papel por ele criado. É um facto detectado pelos especialistas e pelos leitores mais atentos.

Todavia, um pormenor importante os distingue. Enquanto que Hugo Eugenio Pratt, como qualquer mortal, nasceu apenas uma vez - em Rimini, Itália, a 15 de Junho de 1927 -, Corto Maltese nasceu duas vezes, por muito estranho que isso pareça, mesmo para uma personagem de BD.

A primeira foi quando o seu criador ficcional e gráfico lhe marcou, como data de nascimento, 10 de Julho de 1887. A segunda teve lugar no acto concreto da sua aparição comopersonagem de banda desenhada, no primeiro número da revista mensal italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967. É nessas páginas que se publicam as primeiras seis pranchas da novela gráfica Una Ballata del Mare Salato.

Quando Corto surge, a sua imagem não corresponde propriamente à de um herói: ele aparece amarrado a uma cruz decussata em cima de uma jangada que voga ao largo das ilhas Salomão, em pleno Oceano Pacífico. E representa, naquela obra seminal, o papel de mero figurante.
Para cúmulo, as suas origens que posteriormente se vêm a tornar conhecidas, também não são brilhantes nem têm especial dignidade: nasceu em La Valetta, na ilha de Malta, fruto de relação casual entre a cigana andaluza Niña de Gibraltar, prostituta, e um marinheiro inglês da Cornualha, de passagem ocasional por aquela ilha mediterrânica.

Quanto a semelhanças entre a personagem e o criador, nenhumas até aqui, obviamente. Na realidade, elas detectam-se ao compararem-se com as características nómadas do seu progenitor artístico - neste caso, o autor da ficção -, visto que Corto, sendo marinheiro de profissão, desempenhará, ao longo da saga, o papel de aventureiro errante, protagonista de peripécias em África, nas Caraíbas, no Brasil, na Rússia, na Irlanda, em Itália, mais concretamente em Veneza, cidade pela qual se sente da sua parte um subtil fascínio.

Aqui, a semelhança é flagrante. Pratt, embora nascido em Rimini, passou a infância e parte da juventude naquela belíssima cidade do Adriático, que sempre considerou como a sua verdadeira terra deorigem.
E, tal como Corto, também ele viajou muito, tendo vivido mesmo em diversos países -além do seu país de origem, onde viveu a infância, permaneceu durante algum tempo na Etiópia, mais tarde na Argentina, onde trabalhou bastante na BD, depois no Brasil (Baía, Amazónia), e finalmente na Suiça, onde terminou o seus dias, vitimado por cancro, a 20 de Agosto de 1995.

Outras características coincidentes entre autor e personagem: ambos são atraentes e volúveis.

Quanto a Pratt, a sua vida amorosa iniciou-se na adolescência quando vivia na Etiópia, com uma jovem etíope chamada Mariam. Depois desta foi Fernanda Brancati, mas também Erika, Leonora Schena, e várias outras namoradas, até chegar às três mulheres principais da sua vida: Gucky Wogerer, de origem jugoslava, com quem casará em veneza, em 1953 (de cujo casamento nasceram Lucas e Marina) e se divorciará em 1957; Gisela Dester, de origem alemã, que será sua assistente e companheira; e Anne Frognier, de origem belga, com quem teve um filho, Giona, e uma filha, Silvina. Mas também teve uma filha com uma mestiça brasileira da Baía, e a seguir, numa breve passagem de vinte dias pela Amazónia, onde viveu com os índios Xavantes, por lá ficou um filho seu.

No que diz respeito a Corto Maltese, ele é um dos mais charmosos heróis de papel, capaz de impressionar fortemente as mulheres com quem se cruza - Pandora, Morgana, Banshee O'Dannon, Louise Brookszowic, a "bela de Milão", "Pezinho de Prata", entre outras -, e torna-se evidente a sua atracção por algumas, mas jamais se fixará em qualquer delas.

Isto para que - como confidenciou Pratt numa entrevista - Corto se mantenha sempre disponível. Astuto enquanto ficcionista, o autor criou-lhe uma situação especial, a de estar fortemente ligado a um amor perdido, estratagema digno de um criador de génio.

Mas talvez para o mostrar sensível a uma certa nostalgia amorosa, Pratt inculcou-lhe uma bem humana reacção: a de não conseguir apagar da memória a recordação da jovem Pandora, que conhecera em 1913 - tinha ele vinte e seis anos - numa ilha do Pacífico.

Uma outra afinidade entre autor e personagem advém do facto de já muito divulgado de Pratt ser maçon. Em Fábula de Veneza, percebe-se que só alguém conhecedor das praxes maçónicas e dos seus secretismos, poderia incluir, logo na página inicial, certas palavras porventura habituais naquelas cerimónias (proferidas por um encapuçado): "em nome da maçonaria universal, sob os auspícios da Grande Loja de Itália".

Ora, enquanto personagem, Corto igualmente participa, embora acidentalmente, numa reunião de encapuçados maçons. E quando ele comenta "por certo os senhores são da Pitágoras", depreende-se que tem conhecimentos na matéria, mesmo que sendo apenas "o profano Corto Maltese", como lhe chama o "irmão Scarpetton", "Mestre Secreto".

Há ainda um aspecto que mostra como o autor se espelhou na própria personagem: é sabido que Pratt, na sua errante e bem preenchida juventude, chegou a cantar em festas. E Corto também gosta de cantar. Constata-se esse pormenor no episódio Concerto em O Menor para Harpa e Nitroglicerina, quando sai da sua boca um balão de fala cheio de notas musicais, acompanhadas dos versos: "Hoje sou um javali/Sou um rei forte/e vencedor/O meu canto e as minhas palavras eram gratas noutros tempos..."

Restarão dúvidas de que Corto é o alter ego de Pratt?

Geraldes Lino     


Autores das bandas desenhadas (desenhadores e argumentistas) por ordem alfabética:
Alice Geirinhas; Álvaro; Ana Madureira; André Ruivo; ARechena (Andreia Rechena, Dona Zarzanga); Arlindo Fagundes; Carlos Páscoa; "Zíngr" (Carlos Zíngaro); Daniel Lopes; David Campos; David Soares; Falcato (Miguel Falcato); Ferrand (Ricardo Ferrand); Filipe Abranches; J. Mascarenhas; JCoelho (Jorge Coelho); Joana Afonso; João Chambel; João Sequeira (JAS); José Lopes; José Pedro Costa; Lam (João Pedro Lam); Luís Guerreiro; Luís Pedro Cruz; Machado-Dias; Marco Mendes; Maria João Careto; Mota (Pedro Mota); Nazaré Álvares; Nuno Saraiva; Paulo Monteiro; Pedro Massano; Pedro Nogueira; Pepedelrey (Elpep); Regina Pessoa; Renato Abreu; Ricardo Cabral; Ricardo Cabrita; Roberto Macedo Alves; Rui (Rui Pimentel); Santo (Ricardo Santo, Ricardo Santo Machado); Susa (Susa Monteiro, Susana Monteiro); Tiago Baptista; Vasco Gargalo; Victor Mesquita.

Capa
Regina Pessoa

Contracapa
JCoelho / David Soares

Design e paginação: Jorge Silva
http://almanaquesilva.wordpress.com
http://livingdeadcovers.wordpress.com
jorge.silva@silvadesigners.com

Tiragem
150 exemplares

Editor
Geraldes Lino
http://divulgandobd.blogspot.com
http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com
http://geraldeslino.interdinamica.pt
geraldes.lino at gmail.com
Apartado 50273
1707-001 Lisboa

Números editados anteriormente, títulos e datas de edição:
Nº 1 - Sonhos de Nemo no Século XXI (Homenagem pelos 100 anos de Little Nemo in Slumberland) - Data da edição: 15 de Outubro de 2005

Nº 2 - Príncipe Valente no Século XXI - Data da edição: 13 de Fevereiro de 2007

Nº 3 - Super-Homem no Século XXI - Data da edição: Junho de 2008

Nº 4 - Tintin no Século XXI - Data da edição: Janeiro de 2009

Notas do editor:
Estes quatro números foram impressos em quadricromia, contrariamente ao presente nº 5, a preto e branco.

Justificação da homenagem a Corto Maltese:
Entre Julho de 1967, data do aparecimento da personagem, e Julho de 2012, data da edição deste quinto número do fanzine Efeméride, medeiam 45 anos.
Em jeito de homenagem, quarenta e cinco autores (43 desenhadores e 2 argumentistas), inventaram novas peripécias, trazendo o herói para o século que decorre e, apesar de viajante compulsivo, fazendo-o visitar novas paragens, inclusive Portugal, onde o seu criador esteve várias vezes.
---------------------------------------------------------------
Ainda as diferenças de fanzine e revista


Aproveito o ensejo para tecer algumas considerações, mais uma vez, acerca do tema "fanzines", confusões e deturpações, e o que os separa das revistas comerciais.

Passando por cima da incompreensível tendência actual de nomear os fanzines pelo artigo feminino - apesar de até já haver verbete no dicionário da Porto Editora, desde a sua edição datada de Maio de 1998, estando portanto já oficializado o vocábulo -, vigora ainda entre nós o erróneo conceito de que o termo fanzine apenas se aplica a publicações de pouca qualidade gráfica, compostas por fotocópias ou, na melhor das hipóteses - mais actualizada - em cópias digitais, diferentemente do que se entende por revista, publicação impressa em offset, de qualidade superior. 

Ora sempre houve fanzines impressos em offset, de excelente aspecto gráfico, mesmo em Portugal - esta expressão "mesmo em Portugal" não pretende ser depreciativa em relação ao nosso país, apenas realça o facto de haver grande desconhecimento do que que se fez entre nós, desde 1972, Ano I do fanzinato português, com o aparecimento em Janeiro desse ano do nosso primeiro fanzine, o Argon.

Mas quem já esteve em Angoulême, no grande festival francês de BD, indubitavelmente o maior evento europeu do género, viu, no pavilhão dos fanzines, dezenas deles impressos em offset e vários com lombada quando mais volumosos, exibindo uma apresentação gráfica a rivalizar com quaisquer publicações profissionais, com chancela de grandes editoras comerciais.

Ora à conta do fanzine Efeméride - um dos quinze títulos que já editei - tenho ouvido com frequência o comentário: "isto é uma publicação luxuosa, é uma revista, não é um fanzine!".

Mantém-se ainda hoje, portanto - julgo que só em Portugal - este preconceito em relação aos fanzines. Esclareço de novo: uma qualquer publicação pode ter ISSN, depósito legal, até código de barras, e uma impressão gráfica de nível equivalente a qualquer revista comercial; mas - e a partir daqui falo do Efeméride - se não for editada por uma editora legalizada, mesmo de pequena dimensão , se quem a edita não o fizer para beneficiar dos lucros das vendas, se o seu editor e respectivos colaboradores colaborarem pro bono, isto é, não lhes seja paga a colaboração, se não tiver periodicidade, nem distribuição a nível nacional, ou, como acontece em alguns outros casos, tenha uma concepção gráfica irregular - por exemplo, mudar repentinamente de formato -, então, por uma questão conceptual e de diferenciação de géneros, deverá ser-lhe aplicada a classificação de fanzine .

Não há nesta classificação qualquer intenção depreciativa, porque, afinal de contas, um fanzine é um campo de liberdade para a criatividade, é a permissividade total para que a imaginação se expanda sem limites, a todos os níveis: desde o conteúdo e a forma das obras publicadas - de banda desenhada, ilustração, literatura - poesia e prosa -, ficção científica, música, cinema, teatro - ou seja, qualquer tema pode ser desenvolvido num fanzine. 


E na forma, pode ser modesto ou luxuoso, depende da disponibilidade do faneditor, ou até de uma qualquer associação sem fins lucrativos -que também as há a editar publicações que se inserem na categoria de fanzines -, visto que essas associações não vivem das vendas, mas sim de apoios de beneméritos ou de associados.        
---------------------------------------------------------------
As anteriores postagens relacionadas com este tema podem ser vistas, basta para isso clicar no item Fanzines esses desconhecidos visível aqui no rodapé

quinta-feira, julho 26, 2012

Curtas de BD (Autores portugueses - VIII) Sónia Oliveira


A partir de um conto de Apollinaire, Sónia Oliveira realizou uma banda desenhada curta, de singular nível estético.
Os cenários distorcidos que plasmou numa tonalidade sombria, tornam lúgubres os ambientes que servem de fundo a uma trama insólita, por onde perpassa um frémito de terror. O Marinheiro de Amesterdão, personagem da curta novela gráfica, na sua tentativa de negociar sedas que trouxera de Java, vê-se enredado numa teia da qual não conseguirá libertar-se, nem voltará a ver a sua terra natal pela qual tanto ansiava, após três anos de ausência.
-------------------------------------------------------------------

SÓNIA OLIVEIRA

Autobiobibliografia


Sónia Oliveira vive e trabalha em Lisboa, cidade de onde é natural.

Tem desenvolvido ilustração e banda desenhada desde 2004, tendo iniciado em 2006 a sua colaboração com as Edições Nelsondematos, realizando para estas as ilustrações de capas de autores como José Cardoso Pires e Pepetela. 

Foi durante uma estadia de 2 anos em Glasgow que desenvolveu a sua linha de trabalho actual e algumas das suas bandas desenhadas mais importantes.

Foi premiada e seleccionada em diversos concursos e conta com participações regulares em vários fanzines e revistas.

---------------------------------------------------------------------
Os interessados em ver as cinco postagens anteriores deste tema, poderão facilmente fazê-lo clicando no item Curtas de BD (Autores portugueses), visível no rodapé.

domingo, julho 22, 2012

Exposições BD Avulsas (XXIII)










Surpresa inesperada e fascinante para quem admira a personagem/herói de BD Corto Maltese, e o desenhador/argumentista/escritor italiano Hugo Pratt, seu criador: vai inaugurar-se a 25 de Julho, já na próxima 4ª feira, uma exposição intitulada Corto Maltese: Viagem à Aventura. (*)
O evento realizar-se-á num local de prestígio, a Fundação Eugénio de Almeida, em Évora.

Proveniente de entidade congénere (apenas na sua constituição, claro) a Fundação Hugo Pratt, em Veneza, e sob coordenação dos comissários Stefano Cecchetto e Cristina Taverna, a exposição incluirá, diz o texto de apresentação, "51 obras originais de Hugo Pratt, desde aguarelas, a tinta-da-china e guache."
Presumi, da sua leitura, que a expressão"tinta-da-china" se refereria a pranchas ou vinhetas de bandas desenhadas, protagonizadas por Corto Maltese. Contactei elemento responsável da Fundação eborense, que me confirmou esta minha presunção.

A importante mostra vai ficar instalada no espaço chamado Fórum Eugénio de Almeida, de 25 de Julho até 2 de Dezembro do corrente ano de 2012.

Como sabem os iniciados da BD, Corto Maltese surgiu na revista italiana Sgt. Kirk em Julho de 1967, perfazem-se este mês quarenta e cinco anos. E sabem também que o marinheiro de brinco na orelha "nasceu", enquanto personagem, na ilha de Malta, igualmente em Julho, dia 10, mas no longínquo ano de 1887.

Exactamente por esses motivos cronológicos - os mesmos, digo eu, que terão motivado a exposição em apreço -, editei o quinto (e último) número do fanzine Efeméride (imagem da capa reproduzida aqui ao lado), dedicado ao tema Corto Maltese no Século XXI, com data de Julho de 2012, embora tenha tido lançamento em 26 de Maio, dia da inauguração do VIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde constava uma estupenda exposição com os quarenta e três episódios que compõem o fanzine, dois dos quais intitulados "Corto no Alentejo" e "O Vazio", da autoria, respectivamente, de João Sequeira e Carlos Páscoa (dois alentejanos autores de BD, ambos arquitectos), reproduzidos aqui por baixo.

Podemos considerar, por conseguinte, Julho como mês de Corto Maltese! E para os admiradores do herói - alter ego do seu criador... - vai haver durante considerável espaço de tempo um local de "peregrinação" indispensável (eu conto ir à inauguração).

(*) Tive conhecimento deste evento, há já umas semanas, através do meu amigo cartunista/autor de BD e arquitecto Rui Pimentel, que vive agora em Estremoz.























Local da exposição:
Fórum Eugénio de Almeida (*)
Rua de Vasco da Gama, nº13
7000-941 Évora

(*) A foto que tirei com o telemóvel ficou desfocada, mas dá para ter uma ideia da apresentação da expo na fachada do edifício da Fundação

Calendário:
Inauguração: 25 de Julho, às 18h30
Permanência da exposição: de 25 de Julho a 2 de Dezembro de 2012
Horário: diariamente das 9h30 às 19h00
Custo de entrada: 1.00€

Para mais informações, contactar:
Fundação Eugénio de Almeida
Maria do Carmo Mendes
Assessora de Comunicação
Tel. 266 748 326
email: carmo.mendes@fea.pt

Nota: a Fundação Eugénio de Almeida é uma organização sem fins lucrativos. Está classificada como sendo uma instituição portuguesa de direito privado e utilidade pública
http://www.fundacaoeugeniodealmeida.pt
http://www.facebook.com/fundacaoeugeniodealmeida

-------------------------------------------------------------------------------------
Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os anteriores vinte e três "posts" do presente tema, poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas, visível no rodapé

sexta-feira, julho 20, 2012

Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD (XLVIII)


Veja-se a coincidência: ainda ontem, no post que aqui afixei, tinha mencionado o facto de só ter a revista Cais do mês de Junho. E não é que hoje, ao passar pela Praça do Aeroporto (vulgo "rotunda do relógio"), vejo um daqueles infelizes conhecidos como "sem abrigo", devidamente identificados como vendedores da revista, já com o nº175 de Julho /Agosto. Para quem não saiba, a Cais custa apenas 2€, sendo para o vendedor 70% do preço de capa.

Claro que a primeira coisa que fiz foi procurar a habitual banda desenhada de duas pranchas. E lá estava ela, colorida, com o respectivo título bem visível: Isto Não É o México...

Autores? Pedro Carvalho, desenhador, e André Oliveira, argumentista. Embora tal não esteja escrito, eu sei que é o André que está a coordenar este espaço dedicado à BD, além de escrever os argumentos para todos os autores que ele próprio convida. Grande tarefa! E tenho a convicção que ele a vai desempenhar por muito tempo, não é pessoa para desistir ou cansar-se.

Os vigentes tempos de crise estão subjacentes à trama do episódio:
"Vamos passar as férias num parque público a cinco minutos de nossa casa? - diz uma das personagens.
"E que mal tem isso?" - responde-lhe outro dos intervenientes no diálogo. "Devemos aprender com o nosso Primeiro Ministro e ver esta experiência também como uma oportunidade é inspiradora".

E, sim, a realidade inspira a ficção, e espelha-se visivelmente nesta banda desenhada, torna-a interveniente.  
-----------------------------------------------------------------
Os visitantes do blogue interessados em ver as 47 postagens anteriores desta rubrica, poderão fazê-lo clicando no item Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD, inserido no rodapé
  

quinta-feira, julho 19, 2012

Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD (XLVII)

A revista Cais já nos habituou à publicação de BD, normalmente em episódios de duas pranchas, a cores. A banda desenhada que surge no nº 174, referente a Junho (a mais recente edição, que eu tenha visto), tem como autores um argumentista de créditos firmados, André Oliveira, a fazer equipa com uma ainda desconhecida desenhadora, Paula Almeida, co-autores da bd Sempre o mesmo.

O experiente argumentista tem feito parcerias com vários (e várias) desenhistas, mas não o tinha visto a colaborar com alguém que se percebe - em especial pela legendagem, demasiado descuidada, quase infantil - ser ainda bastante inexperiente. Isso não invalida que se aprecie o jeito para a composição das vinhetas e para a planificação, além de facilidade no desenho da figura humana com influência do estilo mangá. 

André Oliveira está agora a tomar conta do espaço que esta revista costuma disponibilizar para a BD, e percebe-se que quererá dar oportunidade aos mais novos, o que é positivo. Mas convirá que ele lhes explique que a legendagem para a BD é também uma componente visual importante, e que tem de ser feita com letra desenhada, de forma a complementar harmoniosamente as imagens. 
---------------------------------------------------------------
Os visitantes do blogue interessados em ver as 46 postagens anteriores desta rubrica, poderão fazê-lo clicando no item Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD, inserido no rodapé

sábado, julho 14, 2012

Webcomics (II) - Fred & Companhia, por João Amaral




Criada pelos finais dos anos 90 - impossível indicar a data exacta, o próprio autor não tem o registo -, e após longa hibernação numa gaveta, a tira de banda desenhada Fred & Companhia, da autoria de João Amaral, depois de por ele repescada em 2010 (mais exactamente, a 24 de Dezembro) tem mantido uma regularidade praticamente semanal no seu blogue homónimo. (*)

A tira primogénita - a que se vê em 4º lugar, a contar do topo - acaba por ser, historicamente, a que impulsionou Amaral a trabalhar num registo humorístico para o qual não se sentia especialmente vocacionado. Mas tira a tira - formalmente classificável como banda desenhada, embora o espírito fique próximo do cartune -, a série tem vindo a marcar posição na área dos webcomics da blogosfera portuguesa, já com mais de oitenta tiras publicadas.   

----------------------------------------------------
No "post" datado de 28 de Janeiro deste ano de 2012, com que iniciei esta rubrica "Webcomics", escrevi: 

Em todo o universo da world wide web têm proliferado os webcomics (há quem lhes dê o nome de online comics), quer em tiras quer em pranchas, editados com maior ou menor regularidade.
Em Portugal também há uma considerável quantidade de autores a fazerem bandas desenhadas expressamente para a net, daí que, desde há dois ou três anos, me tenha surgido a ideia de criar uma rubrica específica. Só não o fiz no intuito de evitar dispersar-me ainda mais na já numerosa diversidade de temas que trato neste blogue.

-------------------------------------------------------
(*) http://joaocamaral.blogspot.com

JOÃO AMARAL

Biobibliografia

João Carlos Saraiva Amaral, Lisboa, Novembro de 1966. Frequentou o 2ºano do Curso de Gestão de Empresas do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - ISCTE, e possui um curso de Design Gráfico assistido por computador.


A sua entrada na banda desenhada, em 1994, foi pela porta grande, como inferirá do título do seu primeiro álbum, A Voz dos Deuses, quem tiver lido o romance homónimo de João Aguiar, base para a adaptação literária realizada por Rui Carlos Cunha..


Cinco anos depois colabora na revista Selecções BD (2ª série) com a banda desenhada a preto e branco, Quid Novi in Imperium? - Que Há de Novo no Império?, dividida em dois capítulos, intitulando-se o primeiro O Fim Coroa a Obra, e Dias de Cólera o segundo, publicados naquela revista em Agosto de 1999 e Junho de 2000, respectivamente.


Meses mais tarde, nessa mesma 2ª série de Selecções BD, entre Dezembro de 2000 e Fevereiro de 2001, foi publicada outra obra sua, tal como a anterior também a preto e branco, intitulada O Fim da Linha, para cujo argumento João Amaral se baseou num antigo filme, protagonizado por Gary Cooper e Grace Kelly, "O Comboio Apitou Três Vezes", um "western", mas localizando a acção da banda desenhada numa vila portuguesa .


Missão Quase Impossível é o título do episódio que realizou em sete pranchas, sob argumento de Jorge Magalhães, para a obra homenageante Vasco Granja - Uma Vida... 1000 Imagens, editada em Maio de 2003.


Em 2006 volta a ser editado em álbum, dessa vez com A História de Manteigas no Coração da Estrela.


Foi-lhe publicada mensalmente, a partir de Abril de 2006, a bd O Gui, a Nô... e os Outros, a preto e branco, no jornal paroquiano A Cruz Alta, da igreja de Sintra. João Amaral usou o pseudónimo"Joca", e a banda desenhada teve argumento de Isabel Afonso, que assinava como "Gui", tendo terminado em Outubro de 2008.

Antes, em Fevereiro de 2007, realizara numa só prancha (em formato A3 e a cores) o episódio Sonhos para a obra colectiva "Príncipe Valente no século XXI", publicada no fanzine Efeméride (nº2). 

Posteriormente, já no seu blogue http://joaocamaral.blogspot.com criou, sob o pseudónimo "Joca", a 24 de Dezembro de 2010, outra série aparentemente infantil, intitulada "Fred & Companhia", mas de vincado carácter crítico e satírico, que também já está visível numa importante rede social, no endereço http://facebook.com/fredecompanhia


No seu blogue, o dinâmico autor tem reproduzido bandas desenhadas inicialmente publicadas na revista Selecções BD, que aparecem igualmente no jornal Alentejo Popular, na rubrica "Através da banda desenhada" ( sob coordenação de Armando Corrêa/Luiz Beira), onde já foi reproduzida a bd Ok Corral (realizada sob argumento de Jorge Magalhães), em 2008.


Quid Novi in Imperium? - Que Há de Novo no Império?, banda desenhada de grande fôlego, que teve início nas Selecções BD, com os dois primeiros episódios, e que ficou incompleta por desaparecimento daquela revista, tem tido continuidade na blogosfera, com o seguinte alinhamento:
"Acabou a Representação", 3º episódio (10 pranchas), em 11 de Janeiro de 2010
"Ao Homem!" 4º episódio (12 pranchas), em 19 e 20 de Janeiro de 2010
"O Dente do Lobo" (9 pranchas), em 4, 5, 6 e 7 de Maio de 2010, sendo que este último episódio está também a ser publicado no citado jornal Alentejo Popular em 2012.


Ao nível mais elevado de edição da BD, ou seja, na publicação em álbum, este prolífico autor tem também as seguintes obras: Bernardo Santareno (2006) e História de Fornos de Algodres (2008).


João Amaral foi o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa em Maio de 1999.
Geraldes Lino
------------------------------------------------------------
Os visitantes interessados em ver o "post" anterior (dedicado ao blogue "Van Dog") poderão fazê-lo clicando no item "Webcomics" visível em rodapé

sexta-feira, julho 13, 2012

Exposições BD avulsas (XXII)


Inaugurou-se ontem, 12 de Julho, 5ª feira, na SNBA - Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, uma exposição de ilustração e banda desenhada.

Uma notícia que me foi dada, de chofre (nunca tinha tido qualquer informação sobre a existência deste curso, e sem possibilidade de estar presente, por não estar em Lisboa), pelo meu amigo Ricardo Correia, que foi o professor de um curso de Ilustração e BD que decorreu entre Outubro de 2011 e Julho de 2012, com aulas semanais, naquela antiga e conceituada instituição artística e cultural, sendo que a exposição é composta pelas obras finais do Curso de Iniciação à Ilustração, em que se incluiu um exercício de banda desenhada (felicito-o, Ricardo Correia, por não esquecer as suas origens de bedéfilo).

Na exposição estão patentes oito bandas desenhadas (sete de duas pranchas cada, e uma de prancha única).

Aqui se registam os nomes dos (das) autores (autoras) das bedês, pela ordem (casual, presumo) que me foi fornecida pelo prof.):

Maria Luiza Bragança
Isabel Atalaia
Celina Gil
Maria Vidigal (a autora das duas pranchas que ilustram o presente "post")
Manuel Andrade
Mário Rodrigues
Paula Ruivo
Ana Lourenço

Amavelmente, foram-me enviadas pelo Ricardo as duas pranchas de uma das bandas desenhadas expostas, da autoria de Maria Vidigal. Não vi esta nem as restantes bedês (estou no Algarve, mais propriamente em Sagres), mas, pela amostra, fico cheio de curiosidade em apreciar a totalidade, o que poderei fazer (melhor, poderemos fazer, todos os apreciadores de BD) até 3 de Agosto, de 2ª a 6ª feira, das 12h às 19h (excepto feriados), na SNBA - Rua Barata Salgueiro, nº 36 (em frente da Cinemateca Portuguesa).


Mais uma boa notícia: as bandas desenhadas expostas serão incluídas num fanzine, a editar por um colectivo formado pelo professor Ricardo Correia e os seus alunos, o que constitui uma iniciativa muito positiva e inédita.  
------------------------------------------------------------------------
Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os anteriores vinte e dois "posts" do presente tema, poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Exposições BD avulsas, visível no rodapé

quarta-feira, julho 11, 2012

Improvisos na Toalha de Mesa (X)










Mais um encontro da Tertúlia BD de Lisboa, mais umas tantas toalhas de mesa que ficaram totalmente cobertas de desenhos improvisados. Com grande pena minha, apenas há ilustrações soltas, nunca há bandas desenhadas (excepto uma do Pepedelrey, na postagem V desta rubrica, datada de 5 de Fevereiro).
Apesar disso, não há dúvida que nessa área da ilustração ficam espalhadas pelas toalhas de papel excelentes peças, como se pode observar nos improvisos que ilustram o topo do presente post, da autoria de João Amaral, Falcato (ele próprio auto-caricaturizado, a perguntar "sério?"), João Sequeira e Hugo Teixeira (por esta ordem, de cima para baixo). 
E ainda ficou a faltar um realizado por Osvaldo Medina, que me escapou. 
---------------------------------------------------------------------
Para o caso de alguém querer ver outras ilustrações improvisadas reproduzidas nos 9 "posts" anteriores,  poderá fazê-lo clicando sobre o item Improvisos na toalha de mesa, visível no rodapé

terça-feira, julho 10, 2012

Concursos BD

Prorrogado o prazo para entrega de trabalhos de BD até 31 de Julho
Uma banda desenhada em apenas duas pranchas formato A3 , com TEMA LIVRE, pode ser a vencedora do prémio de 100€
Quem faz este desafio é a Alagamares - Associação Cultural,
e podem concorrer todos os interessados com 16 anos ou mais , sem limite máximo de idade.
O regulamento já foi publicado neste blogue, e pode ser visto na coluna "Categorias", no item "Concursos de Banda Desenhada", no "post" datado de 16 de Maio
Dúvidas que haja podem ser esclarecidas pelo e-mail

sexta-feira, julho 06, 2012

Exposições BD avulsas (XXI)


Aviso desde já que não se trata, de facto, de uma exposição de banda desenhada a que vai estar, a partir de amanhã, dia 7 de Julho (até 14 do mesmo mês), na Biblioteca Museu da República e Resistência. 

Mas José Vilhena, que me merece incondicional admiração e respeito, é o nome de um criativo contestatário em diversas áreas da cultura: na caricatura, no cartune, nos textos críticos e demolidores, mas, lá está, também nas suas bandas desenhadas curtas, geralmente de carácter brejeiro e humorístico (presentes em numerosos pastiches dedicados às personagens das séries de BD Peanuts e Mafalda, impagáveis em absoluto), espalhadas pelas várias revistas de que tem sido editor, Gaiola Aberta, Fala Barato, O Cavaco, O Moralista, entre outras.

Como é óbvio, se outras razões pertinentes não houvesse, bastaria essa sua faceta de autor de BD, esporádico mas com carácter e talento, para, com muita consideração se registasse neste blogue o nome de Vilhena, e se desse a devida relevância à exposição que, justificadamente, lhe é dedicada, "que comporta praticamente 50 anos de actividade editorial, essencialmente livros e revistas, e alguns relatórios de leitura da censura, que, regra geral, são no mínimo hilariantes", conforme texto de Alexandre Rodrigues, responsável pela iniciativa. É também deste estudioso da obra de Vilhena o seguinte texto:

----------------------------------------------------------------------------------

VILHENA

Síntese biográfica

Editor, escritor, cartunista, humorista, ilustrador e pintor português, JOSÉ Alfredo VILHENA Rodrigues nasce em Figueira de Castelo Rodrigo a 7 de Julho de 1927.

Filho de uma professora primária e de um "pequeno terratenente", passa a sua infância em Freixedas, concelho de Pinhel com as suas irmãs. Aos dez anos vai estudar para Lisboa até ao terceiro ano do liceu e depois para o Porto onde conclui o ensino liceal.

Interessado desde muito cedo pelo desenho e pintura, ingressa na Escola de Belas-Artes do Porto escolhendo arquitectura em vez de pintura por aquela ser "uma profissão". Contudo, começa a desenhar para jornais e não chega a concluir o curso.

Após o serviço militar, no início dos anos 1950, regressa a Lisboa e fixa-se em frente aos armazéns Grandela, na rua do Carmo e começa a publicar desenhos nos jornais «Diário de Lisboa» e «Diário Popular», e mais tarde nas revistas «Cara Alegre» e «O Mundo Ri».

Em simultâneo, publica livros. No início são essencialmente compilações, antologias e traduções mas, progressivamente, a produção original ganha força, especialmente após o fim de «O Mundo Ri», em 1966. É a partir daqui que solidifica a sua máquina de distribuição e cimenta a marca "Vilhena". A produção entra em velocidade de cruzeiro (praticamente um livro por mês) chegando a publicar catorze livros num único ano (1972).

Os textos e ilustrações que publica, alguns deles usando a censura como tema de paródia, provocam-lhe problemas com a polícia e com a PIDE, que lhe apreende sistematicamente as suas obras e lhe proporciona algumas estadias na prisão (nomeadamente em 1964 e 1966).

Os problemas com a censura e a PIDE tornam-no muito popular entre os leitores chegando a fazer tiragens de 40 a 50 mil exemplares de alguns dos seus livros. Segundo o relatório da Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, José Vilhena é o autor com mais obras proibidas (24 livros, 6 fascículos da sua grande enciclopédia e 4 traduções).

Em 20 anos, de 1954 até ao 25 de abril de 1974 Vilhena redige, publica e distribui mais de 50 livros originais e mais uma vintena de traduções e compilações.
A sua máquina está tão bem oleada que apenas vinte dias depois do 25 de Abril, Vilhena lança a «Gaiola Aberta», uma revista quinzenal com um grande impacto social e enorme sucesso de vendas, chegando a fazer tiragens de 150 mil exemplares durante o PREC.

Entre 1983 e 1987, suspende a actividade editorial e dedica-se em exclusivo ao negócio da restauração e diversão nocturna.

Em Julho de 1987, após ter acabado com os negócios de restauração, volta à carga com o jornal mensal «O Fala Barato», mas regressa rapidamente ao formato revista que ele bem conhece.

Inspirando-se na revista de Bordalo Pinheiro «O António Maria» baptizado com o nome do presidente da república, Vilhena acaba com o «Fala Barato» e lança, em Outubro de 1994, «O Cavaco» em alusão ao primeiro-ministro.

Cavaco Silva acaba o seu mandato e Vilhena lança «O Marginal» mas, devido à fraca adesão do público, retira rapidamente este título substituindo-o por «O Moralista».

Em 1996 a Câmara de Lisboa patrocina uma exposição da sua pintura no palácio Galveias.

Em Janeiro de 2003, a Galeria Barata promove uma exposição com mais de 100 obras de pintura e ilustração. 

Em Maio do mesmo ano, Vilhena lança a «Gaiola Aberta», 2ª série, que manterá até meados de 2006.
----------------------------------------------------------
Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes vinte "posts" do presente tema, poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Exposições BD avulsas, visível no rodapé


quarta-feira, julho 04, 2012

Comic Jam


Apesar de na BD portuguesa não abundarem os argumentistas, mais uma vez o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa foi um deles. Fernando Dordio é o seu nome literário, e já tem obra bem visível na banda desenhada, a escrever argumentos para o desenhador Filipe Teixeira, de início, para Osvaldo Medina seguidamente e até ver.

Tal como acontece com outros argumentistas, Fernando Dordio também tem algum jeito para o desenho - embora se tenha dedicado decididamente à componente literária de argumento/guião. Todavia, essa sua não desenvolvida capacidade desenhística foi suficiente para, com facilidade, desenvencilhar-se da tarefa de desenhar a primeira vinheta do comic jam - como aqui já tem sido dito em vezes anteriores (peço desculpa aos habituais, mas os visitantes não são sempre os mesmos), trata-se de uma bd colectiva improvisada - que foi iniciada por ele e continuada por cinco desenhadores propriamente ditos, durante o 336º encontro da Tertúlia BD de Lisboa, no qual foi o Convidado Especial, como pode ser confirmado no "post" anterior.

Em relação ao citado comic jam visível no topo do presente post, os colaboradores foram os seguintes:

1) Fernando Dordio................................................................2) Osvaldo Medina
3) João Amaral ......................................................................4) Luís Valente
5) Rui Batalha ........................................................................6) Álvaro

-------------------------------------------------------------
Os visitantes interessados em verem os "posts"anteriores deste tema, poderão fazê-lo com um simples clique no item Comic Jam visível no rodapé

segunda-feira, julho 02, 2012

Tertúlia BD de Lisboa


A Tertúlia BD de Lisboa vai ter o seu 336º Encontro, a 3 do presente mês de Julho. Na continuação do ciclo "Nova BD Portuguesa", iniciado em Junho de 1985, terá desta vez como autor Convidado Especial um argumentista de banda desenhada: Fernando Dordio.

Quem acompanhe com atenção o panorama da BD em Portugal ter-se-á apercebido da publicação da obra C.A.O.S., abrangendo já vários volumes, em que, para além da qualidade dos desenhos de Filipe Teixeira (nos três tomos iniciais) e de Osvaldo Medina (no mais recente tomo), ressalta a consistência invulgar do argumento escrito por Fernando Dordio.

----------------------------------------------------
FERNANDO DORDIO

Biobibliografia

Assumido fã de cinema, Fernando Dordio apenas começou a interessar-se seriamente por banda desenhada em 2005, graças a ter travado conhecimento com obras de Frank Miller e Alan Moore.
Apercebendo-se então das potencialidades da BD e sentindo-se apto a participar nela como argumentista, concebeu um argumento e transformou-o num curto guião de dez páginas, de cariz policial, que mais tarde se transformaria no tomo inicial da obra C.A.O.S., tendo como personagem central José Franco, inspector da Polícia Judiciária, que voltaria a pôr em acção no caótico universo após um atentado terrorista em Lisboa.
Fernando Dordio, enquanto argumentista, tem a seu crédito a seguinte bibliografia: 

- C.A.O.S. Livro Um, com desenhos de Filipe Teixeira e colorização de Carlos Geraldes - Editora: Kingpin Comics (Out. 2006);
C.A.O.S. Livro Dois, com desenhos de Filipe Teixeira e colorização de Carlos Geraldes - Editora: Kingpin Books (Maio 2007);
C.A.O.S. Livro Três, com desenhos de Filipe Teixeira e colorização de Carlos Geraldes - Editora: Kingpin Books (Out. 2007);
- Agentes do C.A.O.S. Conspiração Ivanov, com desenhos de Filipe Teixeira e colorização de Mário Freitas (Out. 2010) - Editora: Kingpin Books (Out. 2010);
- Agentes do C.A.O.S. Nova O.R.D.E.M., com desenhos de Osvaldo Medina e colorização de Mário Freitas - Editora: Kingpin Books (Maio 2011).

Fernando Dordio Campos, nascido em Évora a 4 de Agosto de 1978, é licenciado em engenharia informática pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
--------------------------------------------------------------------

Nota: A ilustrar a presente postagem podem ver-se as capas das duas edições do Livro Um, com a curiosidade de serem diferentes, tal como acontece com a página inicial da bd, não só na colorização como também na colocação da figura da personagem nas 1ª e 2ª vinhetas
----------------------------------------------------
Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens poderão fazê-lo clicando no item Tertúlia BD de Lisboa, incluído em rodapé  

--------------------------------------------------------------------
Lista de presenças neste 336º Encontro da TBDL
(Lista elaborada a posteriori e susceptível de ter falhas; por isso agradeço que quem notar alguma, envie comentário):

1. Alexandre Rodrigues
2. Álvaro
3.Ana Vidazinha
4. Bruno Martins
5. Cátia Alves
6. Cristina Amaral
7. Falcato
8. Fernando Dordio - Convidado Especial
9. Geraldes Lino
10. Filipe Bravo
11. Frederico Carvalho
12. Helder Jotta
13. Hugo Teixeira
14. Isabel Viçoso
15. Joana Andrade
16. João Amaral
17. João Antunes
18. João Sequeira aka "JAS"
19. Luís Graça
20. Luís Valente
21. Machado-Dias
22. Manuel Valente
23. Mário Freitas
24. Miguel Ferreira
25. Milhano
26. Moreno
27. Osvaldo Medina
28. Pedro Bouça aka "Hunter"
29. Pedro Vieira
30. Rechena aka "Dona Zarzanga"
31. Rui Batalha
32. Rui Domingues
33. Sandra Rosa
34. Simões dos Santos
35. Sá-Chaves
36. Sónia Oliveira
37. Vítor Nascimento