terça-feira, julho 30, 2013

Astrologia e BD (I),Banda Desenhada publicada em revistas não especializadas em BD (LI)




Lá pelos idos dos anos 80 do século passado, Fernando Relvas, nome sonante da BD portuguesa, andava em grande actividade embora em colaborações dispersas, pelo que fazia bandas desenhadas na revista Tintin (edição portuguesa), no semanário Sete, e também - facto bem menos conhecido -, na revista Pão Comanteiga.


Para esta última publicação citada, Relvas decidiu debruçar-se sobre a Astrologia - aliás, ele até escreveu no ante-título "Os Planetas Mostram-lhe o Misterioso Mundo da Astrologia" - e de seguida aproveitar os populares signos bem como as respectivas definições que os caracterizam, para os transformar em sequências desenhadas, com um cariz declaradamente humorístico, em consonância com o traço caricatural que tão bem domina.
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Para os visitantes que quiserem ver postagens anteriores relacionadas com o segundo tema bastar-lhes-á clicar no respectivo item visível em rodapé

sábado, julho 27, 2013

Autógrafos Desenhados (XXIV) - Paolo Ongaro


Conheci Paolo Ongaro, autor italiano de banda desenhada, no Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione de Lucca, em Itália, na sua 14ªedição, entre 26 Outubro e 2 de Novembro de 1980. E, obviamente, pedi-lhe um desenho, que aqui mostro, passados mais de trinta anos.

Embora não se tratasse de um autor muito conhecido, ele era anunciado em Lucca como sendo, nessa época, um dos desenhadores do anti-herói Diabolik.

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PAOLO ONGARO

Síntese biobibliográfica

Nascido a 22 de Junho de 1946 em Mestre (Veneza), Itália, o início de Paolo Ongaro na BD deu-se com o trabalho de arte-finalização aos desenhos de Vladimiro Missaglia, a que se seguiu a realização a solo de bandas desenhadas no género de horror. 

Foi em 1970 que deu início à sua colaboração em "Diabolik", personagem criada, ao nível do argumento, pelas irmãs italianas Guissani, Angela e Luciana, e desenhado inicialmente por Luigi Marchesi.

Colaborou também com as revistas L'Intrepido, Il Giornalino (onde desenhou histórias de Larry Yuma), Il Corriere dei Ragazzi, entre outras. Em meados desses anos setenta, Ongaro encarregou-se de desenhar a personagem Tarzan. 
Fez igualmente histórias de guerra para a agência inglesa Fleetway, e para a revista Audax da editora italiana Mondadori, desenhou o Agente Speciale Magnum.

Para essa mesma editora teve a seu cargo o desenho de histórias de espionagem, entre 1976 e 1977, e colaborou na série "Uomini e Guerra", bem como na "Storia d'Italia a Fumetti", além de realizar a componente gráfica da "Storia delle Olimpiade", editada em 1996, numa outra iniciativa da editora Mondadori.

Fez a experiência de desenhar personagens da Disney editadas em Itália pela Mondadori, e a partir de 1990 começou a participar na conhecida série de origem italiana "Martin Mystère".
Também chegou a trabalhar em França, onde colaborou nas revistas L'Écho des Savanes e Pif.

(Ignoro se faz actualmente alguma coisa na BD. Espero que haja quem, entre os visitantes deste blogue, me possa dar qualquer novidade).

Fontes consultadas: 

1) The World Encyclopedia of Comics, edited by Maurice Horn - Chelsea House, 1999
2) Dictionnaire Mondial de la Banda Dessinée, de Patrick Gaumer, avec la collaboration de Claude Moliterni - Larousse, 1998
3) Lambiek Comiclopedia

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Os interessados em ver as 23 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch, entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

domingo, julho 21, 2013

Coleccionadores e Colecções de BD (X) - Bana e Costa









Nos meados da década de oitenta do século passado, entre os muitos coleccionadores de banda desenhada destacava-se Rui Bana e Costa, devido à sua enorme colecção de publicações de BD, incluindo revistas portuguesas e estrangeiras, álbuns de BD portuguesa e de álbuns com BD europeia editados em Portugal, neste último caso entre 500 a 600 unidades! 

Daí eu tê-lo entrevistado para a revista Coleccionando (nº 2 - 2ª Série - Novembro 86), entrevista essa que reproduzo hoje. Para muitos dos visitantes deste blogue, veteranos coleccionadores, os valores em escudos mencionados por Bana e Costa, são compreensíveis. Aos bedéfilos mais jovens apenas poderei ajudar, lembrando-lhes que 1€ é equivalente aos antigos 200$00 (duzentos escudos), e que o Jornal da BD, revista publicada nessa década, custava 70$00 (setenta escudos), e era considerado cara...

O meu amigo coleccionador nunca deixou de comprar BD, tendo até conseguido, em datas relativamente recentes, adquirir peças de grande raridade, designadamente os nºs 73 e 74 da revista  


Gafanhoto, e o nº 391 da revista Fagulha (datada de 15 de Abril de 1974), que já não chegou a ser posto à venda por causa do 25 de Abril desse ano, visto que era editada pela Organização Nacional Mocidade Portuguesa... 

Actualmente, este meu amigo coleccionador decidiu desfazer-se das revistas estrangeiras - Charlie, Tintin, Spirou, Metal Hurlant, e uns milhares de "comic-books". Para tal, criou uma loja na E-Bay (*)

  A fim de facilitar a leitura, passo em seguida a reescrever a entrevista.

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COLECCIONO TODAS AS REVISTAS PORTUGUESAS DE B.D.
AS QUE SAEM, AS QUE SAÍRAM... E AS QUE SAIRÃO!

- diz, muito a sério, Bana e Costa

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Bana e Costa é um "furioso" coleccionador e tem consciência disso, mas não tenciona abrandar. O seu único "receio" é que,perante estas suas confidências, lhe passem uma "guia de marcha" para o manicómio.
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Aquele homenzarrão volumoso, bem disposto e com ar pachola, quando entra no Clube [Português de Banda Desenhada], é apenas mais um apaixonado da Banda Desenhada que ali está ao nosso lado. Quer mostrando a raridade mais recente que conseguiu, quer trocando impressões sobre as novidades surgidas em França ou onde quer que seja, é com entusiasmo que o faz.
É curioso saber-se que a actividade do nosso amigo coleccionador é bastante complexa, e sem dúvida, bastante desumanizada. Será talvez por isso que Rui António Bana e Costa, profissional de absorvente especialidade tecnológica (ele é Director da Organização e informática da União de Bancos Portugueses), ocupa os seus tempos livres numa forma de escape que lhe dá grande prazer: o coleccionismo de banda desenhada.
Nesta actividade lúdica, ele é bem conhecido no meio: poucos serão os alfarrabistas de Lisboa e Porto onde não tenha feito valiosas aquisições; também os numerosos coleccionadores da especialidade temem o seu poder aquisitivo e referem, com admiração, a importância e volume das suas colecções, quer portuguesas, quer estrangeiras. Neste aspecto, refira-se o facto de que há livrarias /alfarrabistas em Paris, que guardam, propositadamente para ele, os exemplares mais raros que lá aparecem.
E, como é do conhecimento de quem o visita - caso do autor destas linhas - ele já não tem espaço em casa para guardar todas as suas colecções. Mas como possui um apartamento não habitado, utiliza-o, quase em exclusivo, com essa finalidade!
Aos quarenta anos (nasceu em 18/10/1945, em Alenquer), Bana e Costa é ainda suficientemente novo para, com a embalagem já adquirida, poder vir a ser - se não o é já - o português possuidor do maior número de colecções de BD. Claro que nestes últimos anos, o seu elevado poder económico tem-lhe permitido adquirir as colecções mais difíceis. Mas o seu entusiasmo pela Banda Desenhada não é recente. Daí a minha primeira pergunta:

- Que idade tinhas quando começaste a comprar revistas de BD?

- Olha: conscientemente houve duas fases, e em ambas encontrava-me fora de casa. A primeira - tinha os meus seis, sete anos, e estava nos Açores, onde passei três anos - foi a fase do "Cavaleiro Andante". A segunda - tinha então vinte e três ou vinte e quatro anos, e estava a cumprir o serviço militar em Angola - foi a fase do "Tintin".

- Quais as colecções portuguesas que tens completas ou, pelo menos, com significativo número de exemplares?

- Tenho aqui umas listas que fiz para responder às tuas perguntas. Toma nota: Valente, Pluto, Álbuns Flecha, Titã, Trovão, Leão, Jacaré, Tintin, Spirou, Foguetão, Mickey, Falcão (1ª Série e quase toda a seguinte), Cavaleiro Andante - seus suplementos (Pajem, Desportos) e também os Álbuns -, Mundo de Aventuras, Gafanhoto (1ª Série de 1903, e 2ª Série de 1910), o outro Gafanhoto (que, iniciado em 1948, nada tinha a ver com o anterior), Notícias Miudinho, Mosquito (e suplemento Formiga), Flecha, Pisca-Pisca.
Ainda não completas: Senhor Doutor (falta-me o nº 418), ABCzinho (faltam-me os nºs 78, 133 e 258 da 2ªSérie), Tic-Tac (faltam-me nove números), Papagaio (algumas falhas), Águia (faltam 22 números), Audácia (faltam alguns números do 5º volume), Trovão (faltam 4 números), Carlitos (faltam 12 números), Diabrete (faltam as páginas do romance referente a cinco números) e Faísca (faltam os nºs 1 e 54).

- E estrangeiras?

- Pilote, Charlie, L'Echo des Savanes, Metal Hurlant, Mormoil e Phenix são colecções que tenho desde o início. Também tenho Journal do Lucky Luke, o Journal de Achille Talon, Spirou (mais de 1800 números), Tintin belga (mais de 1100 números), Mickey (mais de 600 números).

- Entre as colecções portuguesas que possuis, quais as que consideras mais valiosas quanto à raridade?

- Das portuguesas, além do "Mosquito", penso que será o "Carlitos", pois julgo ser o único coleccionador a possuir a colecção completa. Nem mesmo a Biblioteca Nacional a possui!

- E entre as estrangeiras?

- Além do "Pilote" (completo, mais de 100 recolhas), possuo recolhas valiosas e raras do períodoem que a França foi ocupada, mormente "Coeurs Vaillants" e "Âmes Vaillantes".

- Qual é a revista mais antiga que possuis?

- O "Jornal da Infância", que é a 1ª revista infantil em que aparece banda desenhada (portuguesa e estrangeira), datando o 1º número de 1883, portanto com mais de 100 anos!
Quanto às estrangeiras, menciono o nº 1 de "O Gury" (brasileira) datada de 12 de Abril de 1910.

- E qual a colecção de BD que tens tido mais dificuldade em completar?

- O "Senhor Doutor", de que me falta o nº 418.

- Sei que coleccionas muitas revistas de BD. Podes dizer-me quais?

- Espero que a minha resposta a esta pergunta não me valha uma "guia de marcha" para um manicómio, mas lá vai: em relação às portuguesas colecciono todas as antigas, todas as que saem actualmente, mais as que sairão!
Em relação às estrangeiras, vou dividi-las por nacionalidades e por escolas:
Entre americanas e inglesas, colecciono mais de 100 títulos; das revistas francesas e belgas, antigas e actuais, colecciono 32 títulos; espanholas, são 35 ao todo; italianas, são menos. 
Posso dizer alguns títulos.
Das italianas: If, Orient Express, Wow, Corto Maltese, Linus, Eternauta, Alter Linus; Séries de Clássicos: da Comic Art, é o Brick Bradford, Steve Canyon (já uns 150 álbuns); da Pacific Comics (americana): Flash Gordon, Buck Rogers, Príncipe Valente. Revistas: Epic, Famous Features, Golden Age Comics, Heavy Metal, Nemo, Spirit, 1st Folio, Savage, etc.; da B.O. (espanhola): Príncipe Valente, Flash Gordon (Alex Raymond e Mac Raboy), Fantasma, Rip Kirby, Rei da Polícia Montada; da Amary, (também espanhola): Buck Rogers, Brick Bradford, Tarzan e Mandrake. Ainda espanholas (revistas): Guerrero Antifaz, Firmado por..., Cairo, Cimoc, Creepy, Delta, Heróis de Papel, Zona 84, Comix Internacional, Metal Hurlant, Makoki, Madrix, Nostalgia, Papel Vivo, Rambla, Sunday, Trigan, Thriller, El Víbora, Victor Nerviu; da Glénat (francesa): Jeff Hawke, Modesty Blaise, Mandrake, Rip Kirby; da Deligne (belga): Eric Le Vicking, Warren Tufts; da Slatkine (suiça): todas, (cerca de 10 álbuns); da Futuropolis (francesa): todas (mais de 60 álbuns).
Entre as francesas, belgas e suíças poderei nomear mais alguns títulos: Air Comprimé, Age d'Or, A Suivre, Baron Noir, Barbarie, Bedeadult, Chic, Circus, Cri Que Tue, Charlie (2ª Série), L'Echo des Savanes (2ª Série), Fluide Glacial, 1994, Integrale Mickey, Ice Crims, Le Petit Psichopat, Metal Hurlant, Metal Hurlant Aventure, Microbe, Mickey, Pilote, Rigolo, Sex Bulles, Spacial, Viper, Zoulou... Chega?

- Uff! Vamos mudar rapidamente de assunto: tens alguma recordação ligada a qualquer das revistas que possuis, ou algum facto digno de registo que tenhas observado?

- Agradava-me extraordinariamente ver o elevado número de pessoas que devorava o meu "Tintin", quando ele chegava ao quartel onde estive, em Angola.

- Mas isso já foi numa fase adulta. E de quando eras criança, tens alguma recordação agradável?

- Quando fui para os Açores - aos meus seis, sete anos, como já te disse - tinha acabado de sair o "Cavaleiro Andante". O meu avô passou a enviá-lo para S. Miguel, e os meus pais eram obrigados a ler as histórias enquanto eu acompanhava as imagens. Um dia - segundo conta a minha mãe - quando eles se preparavam para ler os balões/textos, comecei eu a ler, parece que o "Neco e o Patareco", no "Pajem".

- Qual o preço mais elevado que pagaste por uma peça de qualquer das tuas colecções?

- Penso que paguei 3.000$00 pelos dois últimos números que me faltavam do "Mosquito" (embora esteja já a caminho duma segunda colecção completa). Hoje, os preços mais elevados que estou a pagar são pelas recolhas do "Spirou" (belga): à medida que me aproximo das primeiras (colecciono dos números mais recentes, de 1952 para trás, até 1948), os preços atingem valores impossíveis. A "recueil" nº 1 custa 6000 FF, ou seja, cento e vinte e tal contos!

- E álbuns de BD, também coleccionas?

- Além dos que incluem autores clássicos (de que já mencionei os títulos anteriormente, misturando álbuns e revistas), acrescento ainda álbus com obras de Hugo Pratt, de Corben, Moebius/Gir, Franquin, Bilal, Morris, Uderzo, etc. 

- Depois da avalanche de álbus e revistas que mencionaste, no conjunto das respostas, será que ainda consegues coleccionar mais alguma coisa?

- Já coleccionei selos; agora só colecciono envelopes do 1º dia com a respectiva medalha.

- Só? Olha, lembras-te de algum episódio pitoresco, ligado à tua actividade de coleccionador de Banda Desenhada?

- Durante vários anos comprei material ao Daniel. A dada altura ele começou a insistir comigo para eu levar umas recolhas francesas. Um dia, para não o ouvir mais, comprei-as por 500$00; mais tarde, ao folhear a "Bíblia das cotações", descobri que valiam uns 8000 FF, ou seja, uns 170 contos!
Lembro-me ainda (embora me falhem os nomes dos intervenientes) de outro episódio curioso. Um dia, eu e mais dois ou três coleccionadores, encontrámo-nos perante um monte de "Titãs", que estava à venda. A cada um de nós faltavam uns tantos números. Fizemos a divisão do lote e, quando chegámos ao último exemplar - imagina a nossa satisfação... - tínhamos todos completado as nossas colecções!

- E recordações tristes? Tens alguma relacionada com as tuas colecções?

- A perda das minhas colecções originais, principalmente o "Cavaleiro Andante", o "Zorro" e o "Alvo", que comprava com as mesadas que me davam os meus pais, quando eu era miúdo.

- Mas como é que as perdeste?

- Bem, foram várias as causas: a mudança da casa dos meus avós para a dos meus pais, a ida à tropa, e até um certo desinteresse numa dada altura da minha vida. Já agora acrescento que o aparecimento do Clube Português de Banda Desenhada teve grande influência no reavivar do meu interesse pela BD; e foi o contacto com a malta do clube que me levou a tentar recuperar essas colecções perdidas.

- Na tua opinião, qual a influência para a BD, resultante da actividade dos coleccionadores?

- Divido a minha resposta em três partes.
1ª - A contribuição para o não desaparecimento de colecções que, se não fosse a sua "mania", há muito teriam sido esquecidas;
2ª - Os notáveis estudos sociológicos e/ou semânticos e de pesquisa de homens como o Dr. Dias de Deus e A.J.Ferreira, no presente, e de Vasco Granja, no passado:
3ª - O trabalho árduo de divulgação, por "carolas" como o Gonçalves e o Geraldes Lino.

- Pela parte que me toca, agradeço-te a referência. 

(*) - E-Bay 
Endereço do Bana e Costa, onde ele tem à venda entre 500 a 600 álbus, e 50.000 (!) "comic books": 
http://stores.ebay.fr/BDCOMICSPORTUGALRUIBANA

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Imagens que ilustram o presente "post"

1 - Pilote Le Magazine des Jeunes de L'An 2000 - Nº 176, 7 Mars 1963
2 - O Papagaio - Nº 277, 1 de Agosto de 1970
3 - Spirou - Nº1 - 1º Ano - 31-10-1971 (Edição portuguesa)  
4 - ABCzinho - Nº 329 - 3ª Série - 25 Abril 1932
5 - Faísca - Nº 1 - Ano 1 - 6 de Março de 1943
6 - Cavaleiro Andante - Nº 19 - 10 de Maio de 1952
7 - Foguetão - Nº 2 - 11 de Maio de 1961

8 - Texto (parcial) da entrevista na revista "Coleccionando"
9 - Foto de Bana e Costa
10 - Capa da revista [mensal] "Coleccionando" - Nº 2 - 2ª Série - Novembro/86
11 - Fagulha - Nº 391 de 15 de Abril de 1974


Nota do blóguer: As revistas de BD que usei para ilustração da postagem são exemplares soltos do meu acervo, excepto a da alínea 11, "Fagulha" (uma raridade que não tenho), cuja imagem da capa me foi enviada hoje por e-mail pelo Bana e Costa         

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Os visitantes interessados em ver os oito artigos anteriores poderão fazê-lo, clicando no item Coleccionadores e Colecções de BD visível no rodapé     

terça-feira, julho 16, 2013

Concurso de Banda Desenhada - Organização da Associação Chili Com Carne


O concurso de banda desenhada que hoje aqui se divulga apresenta-se com uma frase bem humorada, à maneira de Marcos Farrajota, seu principal responsável: "TOMA LÁ 500 PAUS E FAZ UMA BD!!! 

Bom, as coisas não se vão passar bem assim, na realidade será mais tipo "FAZ UMA BD E PODE SER QUE GANHES 500 PAUS"

Seja como for, a ideia é boa, e um prémio de 500 paus (sim, já é tempo de se chamar paus aos euros, tal como fazíamos em relação aos desactivados escudos...).

Quem organiza o inesperado concurso é a Associação Chili Com Carne - CCC, e para a respectiva divulgação conta com um imaginativo cartaz da autoria de Sílvia Rodrigues (olhe-se ali para cima, para o topo do "post").

Claro que por trás desta boa intenção está o inferno cheio, onde se destaca uma bem pragmática: a de arranjar sócios para a Associação CCC, porque só eles podem concorrer. Mas não é difícil nem caro preencher esse requisito.

Está tudo bem explicadinho no texto que a CCC distribuiu. Por isso, o melhor é mostrar o regulamento, e para tal nada como um cómodo "copy paste". 

REGULAMENTO E COMENTÁRIOS DA ORGANIZAÇÃO

A BD portuguesa queixa-se mas o que falta é iniciativa, como aliás, tudo neste país de deprimidos! A Associação Chili Com Carne é cosmopolita e extremamente saudável para saber o que fazer!

Vamos organizar um concurso interno para se fazer uma BD! Um livro de BD! Um livro com BD's! Um livro de BD's de um autor! Um livro de BD's de vários autores!!! Afinal não sabemos o que queremos fazer...


Para quem?
Para Sócios da CCC com as quotas em dia - não é sócio? então é de tocar neste LINK.

O prémio monetário?
É sim! 500 paus! 500 Euros!

Quem decide o vencedor?
Uma parte da actual Direcção da Associação Chili Com Carne - a saber: Marcos Farrajota, Joana Pires, Sílvia Rodrigues, Ricardo Martins e Rudolfo

Sendo que no caso de algum elemento do júri decida concorrer com algum projecto, iremos convocar outros elementos da Direcção para avaliação.

Datas?
7 de Outubro é a entrega dos projectos!
21 de Outubro é anunciado o vencedor!
Dezembro 2013 ou em 2014 é publicado o livro!

Regras de apresentação dos trabalhos?
- O livro não tem limite de páginas e (eventualmente) de formato, mas porque desejamos inserí-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, LowCCCost (de viagens), THISCOvery CCChannel (de ensaio, embora ainda não tenhamos editado nada em BD nesta colecção), ... - o vencedor terá mais hipóteses de ganhar se o apresentar num formato das colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está afastada de ser abordada!
 

- Envio do seguinte material:
a) texto de apresentação do(s) autor(es),
b) pequeno portfolio de 5 imagens,
c) sinopse do projecto
d) planeamento por fases (com datas)
e) envio de 20% do total da BD, sendo que o minímo serão 4 páginas seguidas e 16 planeadas.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace, wetransfer,...) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com

"Mas afinal sempre sabem o que o que querem?"
Sabemos que podem ser estas hipóteses:
- Uma BD longa de um autor ou com parceiros
- Um livro com várias BDs do mesmo autor (desde que tenham uma ligação estética ou de conteúdo)
- Uma antologia de vários autores com um tema comum


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Qualquer visitante deste blogue que tenha curiosidade de ver anteriores regulamentos de concursos de BD, poderá fazê-lo clicando no item Concursos de Banda Desenhada visível no rodapé

segunda-feira, julho 15, 2013

XI Troféus Central Comics


Acabam de ser entregues - ontem, Domingo, pelas 17h00 - os troféus dedicados a obras de BD instituídos pelo portal Central Comics, que atingiram agora a sua 11ª edição, após nomeação por um júri de especialistas, seguidos por votação do público.

Na cerimónia, que decorreu no Hard Club do Porto, esteve em destaque Rui Lacas com a obra Han Solo, de que foi o autor completo - argumento e desenho - e com ela arrecadou três prémios, sendo por conseguinte o grande vencedor destes XI Troféus Central Comics.


Vejamos em pormenor a lista de obras e autores que obtiveram distinções:


Melhor Argumento - Han Solo, de Rui Lacas (Editora Polvo)

Melhor Publicação Independente: Zona Desenha de AAVV (Associação Tentáculo)

Melhor Publicação Técnica: Amor,  de Pepedelrey (El Pep Livros)

Melhor Arte: Rui Lacas, com Han Solo (Editora Polvo)

Melhor Obra Curta: O Desenho e Eu, de Jorge Coelho (in Zona Desenha)

Melhor Publicação de Humor: Pequenos Prazeres - 1, de Arthur de Pins (Editora Contraponto)

Melhor Publicação Clássica: Wolverine - Arma X, de  Barry Windsor-Smith (Editora Levoir e jornal Público)

Melhor Publicação Estrangeira: Três Sombras, de Cyril Pedrosa (Editora Polvo)

Melhor Publicação Nacional: Han Solo, de Rui Lacas (Editora Polvo)

Troféu do júri: Franklin Ferreira da Silva (*)

(*) - Um dos fundadores do Clube Português de Banda Desenhada, criador e redactor da rubrica "Quadradinhos" (1980 a 1983) no jornal "A Capital"

quinta-feira, julho 11, 2013

Central Comics-Con e XI Troféus Central Comics


Central Comics-Con é o título de um evento tipo "mix", nele cabendo várias componentes - banda desenhada, cinema de animação, "cosplay", videojogos, exposições e até palestras - que se vai realizar no 
Hard-Club (do Porto), nos dias 13 e 14 de Julho.

Uma das áreas abrangidas é especialmente importante para a BD, intitula-se Troféus Central Comics e já vai na sua 11ª edição, graças à iniciativa persistente de Hugo Jesus, organizador do homónimo portal, dos prémios, e também deste novel evento.   



Vista do local onde vai decorrer o "Central Comivs-Con"

Hard Club no Porto, espaço cultural a funcionar no antigo mercado Ferreira Borges, 
na Praça Infante Dom Henrique

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PROGRAMA


Reproduzo o texto que me foi enviado pela entidade organizadora, apenas alterando ligeiramente a sua disposição

Troféus Central Comics – é a mais antiga iniciativa privada do género em Portugal, promovida pelo portal Central Comics – regressa com a  
11ª edição do prémio que elege as melhores obras e autores de BD e Cartoon no país, sendo os vencedores definidos pelas preferências do público leitor, entusiastas e profissionais da área.

Entre todas as edições e autores publicados no ano transacto,  
o júri, composto por críticos, investigadores, promotores e profissionais do sector
pré-seleccionou nomeados nas nove categorias:

Melhor Publicação 
Nacional, 
Estrangeira, 
Clássica, 
Humor, 
Independente, 
Técnica, 
Melhor Arte e Argumento, 
Melhor Obra Curta. 

Fora do escrutinio pelo público,  
será ainda atribuído o Troféu do Júri 
a uma personalidade marcante da área.



O convite a intervir na votação não requer registos e é aberto ao grande público, que pode participar com os seus favoritos entre 22 Junho e 11 Julho, no boletim disponível no portal 


sendo os vencedores revelados a 14 Julho, 
no 2º dia do evento Central Comics-Con, 
no auditório principal do Hard Club, do Porto (antigo Mercado da Ribeira).


Entre outros, estarão presentes no evento personalidades do mundo do cartoon, animação e BD, como o comediante Nuno Markl, a actriz de teatro e dobragens Fernanda Figueiredo (Abelha Maia, SailorMoon), e o desenhador André Araújo (Marvel).



Sintetizando: nos candidatos ao XI Troféus Central Comics, foram nomeados os livros: 

Diário Rasgado e o autor Marco Mendes, 
Han Solo e o autor Rui Lacas, 
O Baile e os autores Nuno Duarte e Joana Afonso, 
Sobrevida e o autor Carlos Pinheiro, 
mais a mega-antologia 
Mesinha de Cabeceira vol. 23 – Inverno, 
que marca o 20º aniversário desta série, donde é igualmente eleita a BD “Framed Winter” e o seu autor, João Fazenda. 

Foram ainda eleitos os autores António Gomes de Almeida e Zé Burnay, e as suas edições "O País dos Cágados" e "Doom Mountain", respectivamente.


Outras obras nacionais constam nos finalistas: 
os álbuns 
Amor, de Pepedelrey; 
Autobiografia sem Factos, de Tó Pedro; 
Há Piores! 2, de Geral e Derradé; 
Magical Otaku #1, de Rudolfo; 
Sangue Violeta e outros contos, de Fernando Relvas; 

e as antologias 
Bem dita Crise!, pela Documenta; 
Efeméride #5, por Geraldes Lino; 
Zona Desenha, pela Associação Tentáculo. 

E as BDs 
“O Desenho e Eu”, de Jorge Coelho, 
“Sem título”, de Filipe Abranches, 
“Sem título”, de João Chambel, 
“Tao”, de Bruno Bispo e Victor Freucht.


Ainda em publicações nacionais, os seguintes livros técnicos foram nomeados: 
catálogo 23º Amadora BD – Autobiografia, 
BDjornal #29, 
O Jogo da Glória – O Século XX malvisto pelo Desenho de Humor, e compilação do World Press Cartoon 2012; 
e vários álbuns humoristicos: 
 Mutts 5 – Os nossos Mutts, 
O Mundo de Garfield, 
Pequenos Prazeres 1.


Por último, relativamente a publicações estrangeiras, surgem a votos algumas das melhores novidades e obras clássicas, tais como:
Comprimidos Azuis, de Freedrik Peeters, 
Demolidor: Renascido, de Frank Miller e David Mazzucchelli, 
Fun Home: Uma Tragicomédia Familiar, de Alison Bechdel, 
Persépolis, de Marjane Satrapi, 
Portugal, de Cyrill Pedrosa, 
Spirou – QRN sobre Bretzelburgo, de Franquin, 
Três Sombras, de Cyrill Pedrosa
Wolverine: Arma X, de Chris Claremont e Barry Windsor-Smith.




O júri que nomeou estas obras foi composto pelos seguintes especialistas:



- HUGO JESUS, co-fundador e administrador do portal "Central Comics", legendador e argumentista de BD;

- PEDRO VIEIRA MOURA, critico no blog "LerBD", pedagogo, promotor de eventos e exposições de BD;

- SARA FIGUEIREDO COSTA, crítica na revista Os Meus Livros e outros, e no blog "O Beco das Imagens";

- CARLOS CUNHA, editor e crítico de BD na revista JuveBêDê;

- LUÍS SALVADO, jornalista na revista Première e crítico de BD.

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PROGRAMA DE SÁBADO E DOMINGO








Para mais informações sobre todo o evento, visite o site: 
www.con.centralcomics.com

domingo, julho 07, 2013

Entrevistas antigas a autores de BD (I) - Jorge Colombo


Jorge Colombo foi o grafista com que iniciei, no jornal Diário Popular, um conjunto de entrevistas e publicação das respectivas bandas desenhadas. Foi isto em meados da década de 1980, quando o mais velho dos irmãos Colombo - o outro é o Vasco - era ainda um jovem, e eu - em representação do Clube Português de Banda Desenhada -, tinha conseguido, com grande alegria, convencer os responsáveis do já citado vespertino, a criar um suplemento de duas páginas a que chamaria Tablóide, e que teria início a 21 de Setembro de 1985.

Jorge Colombo era (é) dono de um talento singular. Como pessoa, era igualmente alguém que surpreendia, e foi com ele que decidi estrear aquele suplemento.
Comecei por lhe pedir para fazer o grafismo do título, sugerindo-lhe que escrevesse em maiúsculas as letras B e D do vocábulo tablóide.
Em contrapartida, o Jorge exigiu que fosse dele a primeira banda desenhada do suplemento taBlóiDe, a que acedi com satisfação.

Ao olhar para a colecção de folhas de jornal, impecavelmente preservadas pelo coleccionador Hugo Tiago, ocorreu-me reproduzir as entrevistas feitas àqueles então ainda jovens iniciantes na área da BD.

A acompanhar as entrevistas, no verso da folha, iniciava-se a banda desenhada, da autoria dos entrevistados, que continuava (e, eventualmente, terminava) no Sábado seguinte.

É curioso verificar como as afirmações do entrevistado Jorge Colombo - há muitos anos a viver nos EUA, casado com uma americana, provavelmente já com dupla nacionalidade -, é curioso, repito, como as suas afirmações, feitas há quase três décadas, reflectem uma realidade que não se distancia muito da que existe hoje em dia neste país.

(Reproduzo, em seguida, a entrevista, para facilitar a leitura. 
Relembro que tudo aquilo que ali é dito tem de ser lido com a noção cronológica de se estar em 1985)
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                         Não faço BD
              porque não há onde 

- diz Jorge Colombo, desenhador
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Jorge Colombo, que aparece na estreia deste "taBlóiDe", começou a tornar-se conhecido no tempo, ainda recente, em que assinava, num conhecido semanário, uma coluna de crítica de banda desenhada, a "BDSete".
Polémico nas suas opiniões, irregular na assiduidade, demonstrou, inequivocamente, uma invulgar capacidade no manejo da escrita. Após um interregno em que parecia ter-se eclipsado, voltou a aparecer, agora no JL, fazendo ilustrações diversas, incluindo o grafismo de primeiras páginas, ramificando-se ainda em textos diversos - críticas de Banda Desenhada e de Cinema, por exemplo.
Dentro da sua versatilidade, Jorge Colombo é também um autor de BD. Para além de algumas experiências desgarradas, foi distinguido com um dos primeiros prémios do concurso da ESBAL, em 1984. A sua mais recente participação neste campo foi a prancha que realizou no programa televisivo "Arroz Doce", dando continuidade às desconcertantes aventuras da Isidriana, personagem de "Godofredo Leite Fresco".
Frequentador esporádico da ESBAL, quisemos saber a sua opinião sobre o ensino ministrado naquela escola superior em relação à Banda Desenhada.

"Uma escola é, normalmente, um ensino do tipo «pronto-a-vestir». Quando uma pessoa lá entra, não se ralam com as suas particulares aptidões ou dificuldades numa ou noutra matéria. Eu aprendi muito mais - quando ainda andava no liceu - ao frequentar o "atelier" de Victor Mesquita, ou o curso de José Garcês, na Galeria de Arte Moderna, ou a trabalhar em publicidade, ou até, simplesmente, a ver com muita atenção filmes e revistas de Banda Desenhada. É preciso é uma pessoa fazer a autópsia daquilo que lhe cai nas mãos, perceber como é que determinados efeitos são conseguidos. 
Mas, voltando à polémica que há, se as Belas Artes ajudam quem quer fazer BD, eu acho que sim, porque não ensinando nada sobre BD, impedem as pessoas de se esclerosarem, de pensarem só nisso."

Mas quando um jovem que gosta de desenhar pensa em fazer Banda Desenhada precisa de conhecer autores, analisar-lhes o estilo, treinar nas suas soluções gráficas, Jorge Colombo, por exemplo, manifesta um certo pendor para cultivar o estilo patente nas bandas desenhadas de Loustal, Serge Clerc ...

"Para além de um fascínio, o muito imediato pelo universo revivalista dessas bandas - mas isso é um gosto pessoal - e de achar que qualquer deles desenha com grande perícia, eu encontro sobretudo nos trabalhos conjuntos de desenhista Loustal e do argumentista Paringaux, inovações que nada têm a ver com o plano gráfico. Acontece que esta dupla evita sistematicamente a redundância palavra/imagem, e distante de uma forma inédita o tempo das suas narrativas. Em relação ao desenho, até sou capaz de gostar mais de Mário Botas ou de David Hockney."

Este conhecimento crítico dos novos caminhos da BD, e uma natural convivência com as edições estrangeiras que chegam até nós, não o deveriam induzir a realizar, com maior assiduidade, neste campo?

"Acontece que eu tenho montes de ambições, desde a mais tenra idade: fazer capas de discos ou de livros, filmes, escrever prosa ou poesia, sei lá... e álbuns de banda desenhada. Até agora tenho feito aquilo a que é mais fácil dar sequência. Escrevo porque basta ter papel e caneta, faço grafismos porque a edição portuguesa tem uma certa animação. Mas, por exemplo, não faço filmes por que não há dinheiro, nem BD porque não vejo sítios onde a publicar."

Um panorama sem dúvida pobre o da BD portuguesa. Haverá alguma coisa nela, hoje, que valha a pena destacar?

"As pastas onde o Pedro Morais ou o Pedro Cavalheiro guardam os seus originais são dos meus locais de leitura favoritos. Se eu tivesse uma data de contos para perder, editava-os."

Ter uma data de contos... O que faz Jorge Colombo para ganhar alguns? Onde ocupa ele o seu tempo?

"Ando ocupado a ganhar dinheiro em vários lados. Faço ilustrações para jornais ("JL", "O Jornal"), capas de livros e os grafismos de uma série de discos nacionais. Gosto particularmente dos que fiz para os Heróis do Mar."

Um dia desses fui a uma galeria, no Bairro Alto, ver uma exposição de desenhos de Jorge Colombo. Uma nova experiência?

"Sim, há dois meses experimentei fazer desenhos grandes - eu trabalho sempre em formato minúsculo -, emoldurá-los e colocá-los numa galeria. As pessoas parece terem gostado... Mas não faço muita carreira disso."

Agora, neste «taBlóiDe» que hoje nasce, uma incursão na BD. Experiência isolada, ou novo alento para trabalho mais contínuo? 

"Sempre que houver um sítio para que me convidem usarei a minha disponibilidade a trabalhar para ele, embora não se ganhe tanto como na ilustração".

O que terá significado para Jorge Colombo ir à TV participar no «Arroz Doce»?

"Eu devo dizer que fui anunciado na TV antes de ser convidado pessoalmente, embora o Carlos Barradas já me tivesse contactado. Foi engraçado, porque o Júlio Isidro, aparentemente, era o único a não saber que eu não publicava Banda Desenhada. A iniciativa teve, como possível vantagem, homologar publicamente uma série de artesãos da matéria. Foi um prazer ver a minha página ser retomada por tantos colegas."

E desta ideia do «taBlóiDe», que acha dela Jorge Colombo?

"Melhor que aquela horrorosa «Flecha 2000». Pelo menos o título é melhor. E somos poupados aos Lucky Luke requentados."

Sempre polémico, este Jorge Colombo, nascido na Rua da Junqueira, aos 20 de Julho de 1963.
Com vinte e dois anos apenas, ele é bem o retrato de mais uma geração com múltiplos talentos e minguadas oportunidades.

Entrevista e foto por
Geraldes LIno