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sexta-feira, setembro 18, 2015

Lince Ibérico







Por vezes a BD envolve-se em áreas que nada têm a ver com a ficção ou simples entretenimento, antes com causas superiores. Como, por exemplo, a protecção da natureza. 

Assim acontece com a obra "Lince Ibérico - A Sua História em Portugal", realizada graficamente pelo consagrado autor de banda desenhada José Garcês, sob texto do biólogo Bruno Pinto, que se debruça sobre o felino mais ameaçado do mundo, que existe apenas na Península Ibérica, e que corre o risco de extinção.

A que se deve tal situação? É esta a pergunta com que se inicia a citada obra, que analisa a história do lince desde a antiguidade, quando estes animais eram considerados guardiões demoníacos de locais interditos ao homem.

Só em épocas recentes se chegou à conclusão de que o lince ibérico tem um papel importante no eco-sistema, ao controlar a densidade de outros predadores, como a raposa e o sacarrabos.

Mas o próprio lince está em perigo, visto que se trata de um animal sensível à destruição do seu habitat pelo fogo, pela expansão urbana ou pelo aumento das zonas agrícolas e florestais.

É de tudo isto que trata, em modo de figuração narrativa, esta interessante obra de carácter divulgatório, criado no contexto do Programa Lince para a Protecção da Natureza.

Ficha Técnica

Título: Lince ibérico - A sua história em Portugal
Ilustrações e ideia original: José Garcês
Argumento: Bruno Pinto
Revisão científica: Miguel Lecoq, Eduardo Santos e Filipe Loureiro
Edição: Liga para a Protecção da Natureza
1ª edição - 1ª Tiragem - Lisboa 2011
3000 exemplares
A banda desenhada tem 22 pranchas, a cores
Formato do álbum:  21x30cm

http://habitatlinceabutre.lpn.pt
   
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 JOSÉ GARCÊS

Síntese biobibliográfica

José dos Santos Garcês, Lisboa, Julho de 1928. 
Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio. 
Iniciou-se na Banda Desenhada no jornal infanto-juvenil O Mosquito. Para lá fez "O Inferno Verde", a sua primeira bd aos dezoito anos, tendo posteriormente colaborado em O Papagaio e no Camarada. Encontramo-lo também na Fagulha, revista infantil editada entre 1958 e 1974, preenchida por muitas bandas desenhadas e colaborações literárias cuja autoria, em ambas as vertentes, era feminina na sua maioria, e intencionalmente projectada para leitura das raparigas.
Mas também houve alguns autores a colaborarem, José Garcês, foi um deles, embora quase sempre sob argumentos escritos por mulheres, o que prova a forte influência feminina na revista.
Nessas condições, lá se encontram numerosas histórias suas - chega a haver duas em publicação simultânea! -, como seja "O Camaroeiro Real" (com Isabel Falcão a escrever o argumento), "O Elefante Branco" (sendo o argumento assinado por Madressilva), "A Grande Caçada" (no argumento, Maria Clara Tavares da Silva), "O Terror da Floresta", história escrita por Teresa Sampaio. 
Esta copiosa produção que comporta várias bandas desenhadas no género animalista, acontece em paralelo com bedês suas no período 1952/61 para o Cavaleiro Andante, publicação periódica que marca toda uma vasta camada de leitores, onde é mostrada uma das suas importantes obras de carácter histórico intitulada "Viriato".
Aliás, neste género se baseia grande parte da sua carreira na BD, bem como na adaptação de obras literárias, caso de "Eurico, o Presbítero", de Alexandre Herculano, que fez para o suplemento Joaninha da revista Modas e Bordados. Afora as já citadas publicações com colaboração sua, há que acrescentar outros títulos: Lusitas, Girassol, Titã, Falcão, Zorro, Pisca-Pisca, Mundo de Aventuras, Tintin, Fungagá da Bicharada, Selecções BD (2ª série). 
Também se encontra trabalho seu em suplementos de jornais, em fanzines e obras várias. Nos primeiros, além do já mencionado Joaninha, passou igualmente pelo Pim-Pam-Pum, acompanhante infantil do jornal O Século, pelo Pirilim (1979/80), suplemento de O Comércio do Porto e pelo suplemento/revista Notícias Magazine, englobado nos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias, tendo entre vários outros autores, criado um episódio para a personagem "Maria Jornalista". 
Nos fanzines, além de ter sido faneditor, em 1944, de O Melro, um fanzine avant la lettre, ou seja, quando entre nós ainda se desconhecia o conceito, autorizou a publicação de obras antigas suas nesses magazines amadores, pelo que nesse quadrante se encontra representado no Almada BD Fanzine e Cadernos Sobreda BD. Em 2007 voltou a colaborar num fanzine, o  Efeméride, com um episódio curto, de prancha única, dedicado ao Príncipe Valente.  
No capítulo das obras várias merece relevo o episódio "Os Argonautas", em seis pranchas a cores e alguma carga erótica na obra colectiva "Vasco Granja... 1000 Imagens", editada em 2003, onde introduz como personagens, além do homenageado, José Ruy e Machado Diniz.
Em álbum, é logo no início dos anos 1960 que, pela primeira vez, obra sua aparece. Tratou-se de volume colectivo, acompanhado por Baptista Mendes, Hernâni Lopes, José Antunes, José Ruy, Manuel Ferreira e Victor Paiva, sob o título genérico "Grandes Portugueses". A sua colaboração restringe-se ao primeiro de dois tomos, nela tendo desenhado seis episódios de uma só prancha dedicados a personagens históricas: Viriato, Infante D. Henrique, Serpa Pinto, entre outras. Cerca de vinte anos mais tarde, em 1983, a Editorial Futura recupera para álbum uma sua antiga adaptação literária de obra de Alexandre Herculano à BD, "Eurico o Presbítero".
Entre 1986 e 1989, sob texto de A. do Carmo Reis, desenha a sua obra de maior fôlego (quatro volumes) a "História de Portugal".
Sucessivamente, Garcês foi realizando sozinho ou trabalhando com argumentista, uma longa série de obras de BD publicadas em álbum. 
De 1988 até hoje os títulos sucedem-se: "Bartolomeu Dias", "O Tambor/A Embaixada", "Cristóvão Colombo Agente Secreto de João II" (dois tomos), "D. João V - Uma Vida Romântica", "História do Jardim Zoológico de Lisboa em Banda Desenhada", "História da Guarda-Oitocentos Anos de Cidade", "História de Oliveira do Hospital-Povo Valoroso Passado Heróico", "História do Porto em BD", "História de Ourém", História de Pinhel", "História de Faro em BD", "O Lince Ibérico".
Foi feita no corrente ano de 2015 a reedição em fanálbum pelo GICAV da obra "Viriato", publicada originalmente na revista infanto-juvenil Cavaleiro Andante nos anos 1952-53. O lançamento da peça teve lugar na inauguração em Viseu da exposição "Viriato na BD". 
Está em vias de edição "A História de Silves em BD". 
Geraldes Lino

Nota: A foto de José Garcês é da autoria de seu filho Ricardo Garcês          


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segunda-feira, agosto 24, 2015

Porto na BD - Uma Viagem Fantástica



Um livro de banda desenhada tendo como autores dois nomes com prestígio noutras áreas culturais - Rui Azul, músico, designer gráfico e autor de BD (*), e Manuel António Pina, jornalista e poeta, infelizmente já falecido -, editado por uma entidade não ligada à área editorial da BD, e com uma invulgarmente grande tiragem dedicada a oferta na totalidade, é algo de inusitado e  imprevisível.

Uma Viagem Fantástica constitui uma interessante peça de BD, editada em 1996, quase há vinte anos, por conseguinte actualmente já difícil de obter.

A trama da obra, gizada com imaginação por Manuel António Pina (provavelmente a sua única participação como argumentista de BD), e bem desenhada por Rui Azul (que já tinha feito BD no fanzine Belo Zebu), tem um fundo onírico, pois gira em torno de peripécias protagonizadas por dois irmãos que sonham estar a viajar no metro do Porto, numa altura em que esse meio de transporte urbano ainda não existia naquela cidade, pois apenas seria inaugurado em 2005.  

Ficha técnica

Título: Uma Viagem Fantástica

Autores: 
Desenhos e design gráfico - Rui Azul
Texto e diálogos- Manuel António Pina

Texto de apresentação de Arnaldo Saraiva

Produção - Dividendo Comunicação e Imagem
1996 / 1ª edição

Edição de GEC ALSTHOM

50 mil exemplares destinados a oferta

Formato 20x28cm
32 páginas
Álbum brochado

(*) http://ruiazul.wix.com/rui-azul#!__bd-comics

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sexta-feira, abril 24, 2015

25 de Abril na BD








Há já uma razoável bibliografia na área da BD dedicada à data histórica do 25 de Abril e, consequentemente, a figuras de relevo no acontecimento de 1974, na chamada revolução dos Cravos.

O álbum que aqui apresento, intitulado "Salgueiro Maia O Rosto da Liberdade", é um daqueles que se podem considerar imprevisíveis e até difíceis de obter pelos coleccionadores de BD.

Trata-se de um álbum editado em Abril de 1999 pelo semanário regional O Ribatejo (com apoio da Câmara Municipal de Santarém) jornal esse que resolveu comemorar os 25 anos do 25 de Abril, com a história da intervenção dos militares da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandados por Salgueiro Maia.

A acção da banda desenhada, contada por desenhos em estilo realista, acompanhados algumas vezes por imagens fotográficas, tem início em Santarém num café, onde alguns amigos lêem o jornal O Ribatejo, cuja primeira página apresenta o título "Salgueiro Maia vai ter estátua em Santarém".
Um dos presentes,induzido pela notícia, começa a rememorar os acontecimentos, e a partir daí assiste-se, em flashback, à reconstituição desse episódio histórico, desde a saída dos militares de Santarém até à rendição de Marcelo Caetano perante Salgueiro Maia no Quartel do Carmo.

António Martins, autor completo da banda desenhada (argumento e desenho), serviu-se de vários testemunhos de Salgueiro Maia, designadamente do relatório da operação "Fim-Regime", do depoimento recolhido pela investigadora Maria Manuela Cruzeiro para o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, de uma entrevista dada ao jornalista Fernando Assis Pacheco e publicada no semanário O Jornal, e do livro "Alvorada em Abril", de Otelo Saraiva de Carvalho.           

Ficha Técnica
Título: Salgueiro Maia O Rosto da Liberdade
Álbum em formato A4, brochado, 32 páginas a cores (a banda desenhada tem 22 pranchas)
Texto e desenhos de António Martins
Direitos da 1ª Edição reservados por Câmara Municipal de Santarém
Tiragem: Não consta
1ª Edição: Abril 1999 
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ANTÓNIO MARTINS (1949/2012)

Síntese biobibliográfica
António da Silva Antunes Martins nasceu em Tomar, a 2 de Janeiro de 1949.

Possui o curso de Pintura Decorativa da Escola de Artes Decorativas António Arroio (como então se chamava).

Tem obras em banda desenhada publicadas em álbum, sob os títulos:
- Salgueiro Maia, o Rosto da Liberdade  (Abril de 1999)
- A Aventura de Cabral ou A Invenção do Brasil

E em revistas e jornais:
Em 1994 fez BD para a revista mensal Activa, em episódios auto-conclusivos de uma prancha, a cores, durante seis meses;
Em 1998, entre 10 de Junho e 13 de Julho, fez uma banda desenhada em 34 tiras diárias, sob o título "Vacanças", tendo por tema o Campeonato do Mundo de Futebol, realizado esse ano em França, para o jornal 24 Horas.

Tem trabalhado em ilustração para diversas publicações (revistas Visão e Visão Júnior), jornais (A Capital, 24 Horas e Expresso) e livros da Editora Verbo.

Foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa, no 274º encontro, em 3 de Julho de 2007.

Faleceu em Óbidos, a 3 de Julho de 2012.

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quarta-feira, setembro 15, 2010

Álbuns imprevisíveis e difíceis de obter (XVII) - A Lenda do Rio Lima






Mostrar em banda desenhada a realização de um hipotético filme, cujo enredo se intitula A Lenda do Rio Lima, foi a ideia, com significativa dose de originalidade, de um trio formado por Sara Coelho, Rui Alves "Rá" e Teresa Cardia.
A primeira desenhou as figuras, fez a legendagem e participou na colorização; "Rá" desenhou os cenários e também ajudou na legendagem; Teresa fez a maior parte da colorização e ficcionou o texto lendário, fazendo um "mix" das diversas versões que se conhecem da lenda do rio Lima, confirmando-as em várias fontes, argumento aprovado pela Câmara Municipal de Ponte de Lima, no qual introduziu "gags" para tornar divertidas as oito páginas do mini-álbum (mini em termos de número de páginas, visto que o formato é quase A4).
Estamos, por conseguinte, perante um verdadeiro trabalho de equipa, que está a ser profícuo, visto este ser o segundo tomo da série.

Detendo-nos sobre a acção do filme/banda desenhada, apercebemo-nos, nas vinhetas iniciais, de estarmos a acompanhar um grupo que se dirige para Ponte de Lima com o fito de filmar a lenda que se conta acerca do rio que banha a cidade.
Os actores que vão protagonizar o filme pertencem a um grupo teatral amador local, e são eles os soldados romanos (localizados temporalmente no ano 137 A.C.) que surgem no "écrã/página do álbum", junto ao rio Lima o qual, na época revisitada, banhava a chamada província da Lusitânia.
Dando um imprevisto ar de veracidade, os soldados romanos/actores recusam-se a atravessar o rio que pensam ser o Lethes, famoso por ser o rio do esquecimento.
A cena final, dos actores a jantarem à luz de archotes, na margem do Lima, funciona como engraçada citação gráfica ao banquete que finaliza cada episódio da dupla Astérix e Obélix.

Um pequeno álbum, de impecável aspecto gráfico, que por certo suscitará cobiça a alguns coleccionadores de peças imprevisíveis...

A Lenda do Rio Lima
Autores: Sara Coelho, Rui Alves "Rá", Teresa Cardia
Álbum de 8 páginas, formato 19,5x28cm (ligeiramente inferior a A4)
Impressão em policromia sobre papel "couché"
Edição da parceria formada por Sopa de Letras (uma chancela da Prinicipia Editora) e a Càmara Municipal de Ponte de Lima
Tiragem: 5000 exemplares na versão em português (ver a versão em inglês no "post" de Set. 12)
Data da edição: Julho 2009
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Neste poste dedicado à edição portuguesa estão reproduzidas as páginas 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 8ª.
Da edição em inglês (no poste de Set. 12) estão reproduzidas as páginas 1ª, 5ª e 6ª.
 

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sábado, dezembro 05, 2009

Álbuns imprevisíveis e difíceis de obter (XVI) - Vulcão dos Capelinhos

Vale a pena clicar em cima de cada uma destas imagens, a grande ampliação permite apreciá-las como deve ser








Quanto mais elevado é o nível cultural das pessoas, maior consideração e apreço têm pela Banda Desenhada. Há muito que defendo esta teoria - baseada na observação e no contacto com as várias camadas sociais.
Mais uma vez a realidade vem dar-me razão: reponsáveis do Observatório do Mar dos Açores (OMA), pessoas obviamente cultas e com formação científica, decidiram historiar, através da BD, a tremenda erupção vulcânica e respectivas sequelas, registadas nos Açores entre Setembro de 1957 e Outubro de 1958, ao largo da costa Oeste da ilha do Faial. E para tal editaram um álbum em Setembro de 2007, que só recentemente obtive, graças à amabilidade do meu amigo António Amaral, que foi de visita àquela ilha.
A transformação em figuração narrativa ficou a cargo de Paulo Neves, ilustrador-autor de BD (presumo que açoriano, e se assm for, um dos raros que por lá há com obra publicada, como disse no "post" anterior a respeito de Luís Belerique), associado ao argumentista António Bulcão.
A criatividade deste novel argumentista levou-o a imaginar que o flashback a um acontecimento passado há cinquenta anos, fosse dado através de conversa entre peixes, embora isso só fosse possível pela existência de um velhinho mero, visto que, na generalidade, os peixes não têm grande longevidade. Quem não soubesse isso, ficaria agora a saber pela divertida conversa entre dois peixes, logo na primeira vinheta, diálogo que reproduzo em seguida:
"Ó senhor coça, eu gostava de saber a história do vulcão dos Capelinhos".
"Não te armes em carapau de corridas. Eu também ainda não tinha nascido nessa altura".
"Foi há 50 anos, não foi? Haverá algum peixe que dure tanto tempo?"
"Só se for o senhor mero, que já é muito velhinho. Vamos procurá-lo no seu buraco?"
Claro que logo a seguir vão aparecer pessoas. Por acaso, a primeira que surge, na prancha 2 (página 07) até se parece um pouco comigo, quando algum autor de BD me transforma (à minha revelia, sem me dar cavaco) em personagem de BD - salvo o chapéu, que nunca usei, o resto confere: cara magra, nariz comprido, bigode... -, do que se depreende, por este meu comentário, que os desenhos integram um registo caricatural nas figuras das personagens, mas realista nos cenários, uma opção muito habitual na banda desenhada, que Paulo Neves desenvolve com eficiência e domínio da linguagem da BD (o que se prova com o visionamento de um bom exemplo de "zoom" na página 20 do álbum, que mostrarei em futuro "post".
Em tempo: o desenhador não me conhece, e vice-versa

Vulcão dos Capelinhos
Autores: Paulo Neves (desenho), António Bulcão (argumento)
Álbum brochado, formato A4, impresso totalmente a cores
Miolo: 28 páginas em papel couché mate de boa gramagem
Data da edição: Setembro 2007
Editor: Observatório do Mar dos Açores (OMA)
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A seguir se indicam os títulos dos "posts" anteriores e respectivos autores

(XV) Nov. 27 - O Crime de Arronches - Autor: Eugénio Silva
(XIV) Out. 3 - História e estórias do ACP - Autores: Luís Correia (desenho), Carlos Morgado (argumento)
(XIII) Julho 11 - Salúquia. A Lenda da Moura em Banda Desenhada, por AAVV: Artur Correia, Augusto Trigo e Jorge Magalhães, Baptista Mendes, Carlos Alberto (Santos), Catherine Labey e Jorge Magalhães, Eugénio Silva, Isabel Lobinho, José Abrantes, José Antunes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Luís Afonso, Pedro Massano, Zé Manel
(XII) Junho 17 - Deu-La-Deu Martins - Autores: Sara Coelho, Rui Alves, Teresa Cardia
(XI) Maio 16 - Fernando Lopes Graça - Andamentos de Uma Vida - Autor: Ricardo Cabrita
2009 (daqui para cima)
(X) Julho 25 - Luís Figo e a Taça Mundial contra a Tuberculose - Autor: Rod Espinosa
2008 (daqui para cima)
(IX) Agosto 27 - Postais de Viagem - Autora: Teresa Câmara Pestana
(VIII) Agosto 23 - Babinsky - Autores: Luís Henriques (desenho), José Feitor (arg.)
(VII) Agosto 20 - Os Problemas Fiscais de Porfírio Zap - Autor: José Carlos Fernandes
(VI) Junho 30 - A Aventura de Cabral ou A Invenção do Brasil - Autor: António Martins
(V) Jun. 17 - A la recherche du trésor de Rackham le Rouge - Autor: Hergé
(IV) Abril, 1 - Aquaventura em Almada - Autores: Carlos Laranjeira (desenho), Paulo Rebelo e Isabel Laranjeira (argumento)
(III) Fev. 9 - Everest - Autor: Ricardo Cabral
2007 (Daqui para cima)
(II) Setembro 1 - As Bodas de D. Dinis e Isabel de Aragão em Trancoso - Autor: Santos Costa
(I) Ag. 8 - O Passeio de Inês - Autores: Carlos Rocha (desenho), José Carmo (arg.)
2006 (Daqui para cima)
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sexta-feira, novembro 27, 2009

Álbuns imprevisíveis e difíceis de obter (XV) - O Crime de Arronches





As cinco páginas iniciais do álbum, que situam o local de acção e apresenta várias personagens que vão interferir no enredo criado por Henrique Lopes de Mendonça e ilustrado por Eugénio Silva
Em cima: Henrique Lopes de Mendonça
Em baixo: Eugénio Silva

Felizmente que a edição de banda desenhada não se confina às editoras profissionais, como mais uma vez se verifica com o surgimento do álbum O Crime de Arronches, editado pela Câmara Municipal de, obviamente, Arronches.

Eugénio Silva, o autor das imagens sequenciais é já um veterano. A sua obra na BD é assinalável e, para relembrar os bedéfilos mais antigos, assim como dar a conhecer aos mais novos, bastará citar dois títulos, "Eusébio, Pantera Negra" e "Inês de Castro".

Desta vez, o excelente ilustrador transpôs para a BD uma obra de origem teatral, da autoria de Henrique Lopes de Mendonça, que assim funcionará como argumentista, enquanto que o guião foi da responsabilidade de Eugénio Silva.

A acção passa-se na primeira metade do século XVI, e gira em torno de um tema passional, tendo como intérpretes fulcrais três personagens: Gaspar Palhoça, rendeiro do alcaide de Arronches, Gomes Tição, criado do Bispo da Guarda, e a encantadora Margarida do Telheiro, alegre provocadora de amores e ciúmes.

Uma eficiente adaptação em 28 pranchas a cores, editada em álbum com dois tipos de encadernação: brochado, mais vulgarmente designado por "capa mole", e cartonado, também conhecido por capa dura.

Indubitavelmente, trata-se de peça com interesse artístico, mas algo difícil de obter, visto ter sido editada por uma entidade oficial que não chegará aos escaparates das livrarias habituais.
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O Crime de Arronches
Adaptação em BD da obra de Henrique Lopes de Mendonça.
Autor da adaptação literária, desenhos, legendagem e colorização: Eugénio Silva
Edição: Câmara Municipal de Arronches
Tiragem: 1ª edição, 5000 exemplares
Julho de 2008
Edição em dois tipos de encadernação: brochado e cartonado
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sábado, outubro 03, 2009

Álbuns de BD imprevisíveis e difíceis de obter (XIV) - História e estórias do ACP











Em 15 de Abril de 1903, na Sociedade de Geografia de Lisboa, nascia o Real Automóvel Clube de Portugal, cujo nome perderia o adjectivo Real após a implantação da República.
É a história deste respeitado clube, desde a sua fundação até 2007, que nos contam Luís Correia e Carlos Morgado, este enquanto escritor do argumento, o primeiro como autor das imagens sequenciais.

Luís Correia é um veterano autor de BD, com dois álbuns de banda desenhada no seu currículo: "As Aventuras de D. Paio e o Principezinho" (com argumento de Magalhães dos Santos), e "As Aventuras de D. Paio e o Principezinho em O Rapto do Embaixador" (sob argumento de Carlos Grifo), nenhum dos álbuns indicando data de edição, mas ambos editados em meados da década de 1960.

Cerca de quarenta anos depois, Luís Correia volta à Banda Desenhada com esta bd curiosa, afirmando que procurou com ela fazer homenagem à BD tradicional, pelo método seguido, sem qualquer interferência das novas tecnologias.

Parecerá talvez estranho que integre a presente peça na categoria de "Álbuns de BD imprevisíveis e difíceis de obter", em especial atendendo à classificação "difícil de obter", em vista da considerável tiragem de 2.500 exemplares.

Mas convém atentar no facto de o Automóvel Club de Portugal dar prioridade aos seus milhares de associados (mais de 200.000!) na aquisição do álbum, que será vendido na sede do clube e respectivas delegações.
A um não sócio da centenária colectividade, será pois imprescindível algum esforço e persistência para a aquisição desta invulgar peça gráfica.
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História e Estórias do ACP
Autores: Luís Correia (desenho), Carlos Morgado (argumento)
Formato A4 - 40 páginas (A bd tem 34 pranchas, a cores) em papel "couché" de boa gramagem
Álbum brochado
Tiragem: 2500 exemplares
Data da edição não indicada [Setembro 2009]
Edição da Revista ACP
Rua Rosa Araújo, 24
1250-195 Lisboa 
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A seguir se indicam os títulos dos "posts" anteriores e respectivos autores

(XIII) Julho 11 - Salúquia. A Lenda da Moura em Banda Desenhada, por AAVV (Artur Correia, Augusto Trigo e Jorge Magalhães, Baptista Mendes, Carlos Alberto (Santos), Catherine Labey e Jorge Magalhães, Eugénio Silva, Isabel Lobinho, José Abrantes, José Antunes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Luís Afonso, Pedro Massano, Zé Manel.
(XII) Junho 17 - Deu-La-Deu Martins - Autores: Sara Coelho, Rui Alves, Teresa Cardia
(XI) Maio 16 - Fernando Lopes Graça - Andamentos de Uma Vida - Autor: Ricardo Cabrita
2009 (daqui para cima)

(X) Julho 25 - Luís Figo e a Taça Mundial contra a Tuberculose - Autor: Rod Espinosa
2008 (daqui para cima)

(IX) Agosto 27 - Postais de Viagem - Autora: Teresa Câmara Pestana
(VIII) Agosto 23 - Babinsky - Autores: Luís Henriques e José Feitor
(VII) Agosto 20 - Os Problemas Fiscais de Porfírio Zap - Autor: José Carlos Fernandes
(VI) Junho 30 - A Aventura de Cabral ou A Invenção do Brasil - Autor: António Martins
(V) Jun. 17 - A la recherche du trésor de Rackham le Rouge - Autor: Hergé
(IV) Abril, 1 - Aquaventura em Almada - Autores: Carlos Laranjeira (desenho), Paulo Rebelo e Isabel Laranjeira (argumento)
(III) Fev. 9 - Everest - Autor: Ricardo Cabral
2007 (Daqui para cima)

(II) Setembro 1 - As Bodas de D. Dinis e Isabel de Aragão em Trancoso - Autor: Santos Costa
(I) Ag. 8 - O Passeio de Inês - Autores: Carlos Rocha (desenho), José Carmo (arg.)
2006 (Daqui para cima)
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sábado, julho 11, 2009

Álbuns imprevisíveis e difíceis de obter (XIII) - Salúquia. A Lenda de Moura em Banda Desenhada - AAVV

Capa do álbum "Salúquia A Lenda de Moura em Banda Desenhada". 
Originalmente, trata-se de pintura, da autoria de Carlos Alberto Santos, que está incluída no miolo do álbum, e que foi utilizada para capa.
Carlos Alberto Santos (Lisboa, 18 Julho 1933)
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Isabel Lobinho (Vila Nova da Barquinha, 11 Junho 1947)
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2ª prancha (2 de 3) do episódio "Lenda da Moura Salúquia", por Eugénio Silva
Eugénio Silva (Barreiro, 25 Fevereiro 1937)
----------------------------------------------------------------------------- 2ª prancha (2 de 4) do episódio "Lenda da Moura Salúquia", por José Antunes
José Antunes (Lisboa, 25 Maio 1937)
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5ª prancha (5 de 5) do episódio "A história triste do árabe Braffma e do seu casamento que já era!...", por Artur Correia
Artur Correia (Lisboa, 20 Abril 1932)
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2ª prancha (2 de 3) do episódio "A Lenda da Moura Salúquia", por José Garcês
José Garcês (Lisboa, 23 Julho 1928)
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1ª prancha (1 de 6) do episódio "Histórias de Mouras", por Augusto Trigo (desenho) e Jorge Magalhães (argumento) Augusto Trigo (Bolama, Guiné, 17 Outubro 1938), desenhador, 
Jorge Magalhães (Porto, 22 Março 1938), argumentista, 
dupla de autores do episódio em 6 pranchas, "Histórias de Mouras"
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1ª prancha (1 de 3) do episódio "A Lenda de Moura", por Baptista Mendes Baptista Mendes (Luanda, Angola, 4 Março 1937)
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2ª prancha (2 de 4) de um episódio sem título, por Pedro Massano Pedro Massano (Lisboa, 15 Agosto 1948)
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1ª prancha (1 de 2) de uma bd sem título, da autoria de Luís Afonso Luís Afonso (Aljustrel, 1965)
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1ª prancha (1 de 4) do episódio "A lenda da moura Salúquia como nunca foi contada", por Catherine Labey (desenho) e Jorge Magalhães (argumento) Catherine Labey (Évreux, França, 8 Setembro 1945), desenhadora, Jorge Magalhães (Porto, 22 Março 1938), argumentista
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1ª prancha (1 de 4) do episódio "Salúquia a moura", em desenhos de José Ruy José Ruy (Amadora, 9 Maio 1930), autor dos desenhos e da adaptação literária do poema de Maria Carlota Sousa Queiroga, escrito em 1850, "Salúquia a moura"
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3ª prancha (3 de 4) do episódio "Saluk Hiah A paixão lendária de uma princesa árabe", da autoria de José Pires
José Pires (Elvas, 10 Outubro 1935)
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1ª prancha (1 de 2) do episódio "A moura de Moura", por Zé Manel
Zé Manel (Lisboa, 22 Janeiro 1944)
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3ª prancha (3 de 6) de uma bd sem título de José Abrantes

José Abrantes (Lisboa, 1960)


A Moura Salúquia é uma das muitas lendas que a tradição oral vai passando de geração em geração, neste caso em especial, pelos mourenses. Carlos Rico, nado e criado em Moura, fez em tempos a passagem da lenda à banda desenhada, e teve direito a álbum.
Considerando que este ano, devido à crise, o Festival Internacional de Banda Desenhada de Moura não se poderia realizar, o dinâmico alentejano CRico (nome artístico que actualmente está a usar, para se distinguir de um cartunista brasileiro com o mesmo rico apelido:-) não se deu por vencido, e decidiu que Moura haveria de continuar a ser falada nos meios bedéfilos, mesmo que por diferente motivo. Qual? A edição de um álbum, em que participassem os vários homenageados nesse Festival BD de Moura, com a excepção do ainda não homenageado Zé Manel, e a não colaboração, por motivos de saúde, dos já distinguidos com o troféu "Balanito", Jobat (José Batista), José Manuel Soares e António Barata, este último doente na altura do lançamento do projecto, e entretanto falecido.
Apesar dessas ausências, vamos encontrar representados nesta peça, totalmente impressa em policromia, os seguintes autores/artistas da BD:
Carlos Alberto Santos, autor de pintura incluída no miolo e que foi utilizada para capa
Eugénio Silva, autor do episódio em 3 pranchas, "Lenda da Moura Salúquia"
José Antunes, autor do episódio em 4 pranchas, "Lenda da Moura Salúquia"
Artur Correia, autor do episódio em 5 pranchas, "A história triste do árabe Braffma e do seu casamento que já era!..."
José Garcês, autor do episódio em 3 pranchas, "A Lenda da Moura Salúquia"
Augusto Trigo, desenhador, Jorge Magalhães, argumentista,
dupla de autores do episódio em 6 pranchas, "Histórias de Mouras"
Baptista Mendes, autor do episódio em 3 pranchas, "A Lenda de Moura"
Pedro Massano, autor de um episódio em 4 pranchas sem título
Luís Afonso, autor de um episódio em 2 pranchas sem título
Catherine Labey, desenhadora, Jorge Magalhães, argumentista,
autores do episódio em 4 pranchas "A lenda da moura Salúquia como nunca foi contada"
José Ruy, autor do episódio em 4 pranchas, "Salúquia a moura"
José Pires, autor do episódio em 4 pranchas, "Saluk Hiah A paixão lendária de uma princesa árabe
Zé Manel, autor do episódio em 2 pranchas, "A moura de Moura"
José Abrantes, autor de um episódio em 6 pranchas sem título
Isabel Lobinho, autora da pintura incluída no miolo do álbum e que também ilustra a contracapa.
O álbum é valorizado pelo acompanhamento de notas biográficas dos autores participantes, identificados pelas respectivas fotografias (que também reproduzo sob as pranchas, uma de cada artista, que aqui mostro).
Uma peça de colecção, que será compreensivelmente cobiçada pelos apreciadores (também coleccionadores, uma coisa está ligada à outra) da BD em geral e da BD portuguesa em particular.

Salúquia A Lenda de Moura em banda desenhada
Autores (por ordem alfabética): 
Artur Correia, Augusto Trigo, Baptista Mendes, 
Carlos Alberto, Catherine Labey, Eugénio Silva, Isabel Lobinho, Jorge Magalhães, José Abrantes, José Antunes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Luís Afonso, 
Pedro Massano, Zé Manel
Álbum com 74 páginas em policromia, mais capa e contracapa brochadas
Formato A4
Tiragem: 1500 exemplares
Papel "couché" de elevada gramagem (talvez 120 grs.)
Edição da Câmara Municipal de Moura
Data da edição: Junho 2009 
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