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domingo, janeiro 30, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 38º Festival/2011- Premiados

Foi hoje que se soube quais os autores de banda desenhada galardoados e obras premiadas neste festival de Angouleme.
(Foto de Art Spiegelman a ilustrar o poste)
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GRANDE PRÉMIO DA CIDADE D'ANGOULÊME 2011
............. ART SPIEGELMAN
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FAUVE D'OR - PRÉMIO DO MELHOR ÁLBUM
............. Cinq mille quilometres par seconde, de Manuele Fior Editions Atrabile
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.FAUVE FNAC SNCF - PRÉMIO DO PÚBLICO
............ Le Bien est une couleur chaude, de Julie Maroh
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
............ Asterios Polyp, de David Mazuchelli
Editions Casterman
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA SÉRIE
........ Il était une fois en France - tomo 4, Aux armes citoyens!, de Fabien Nury e Sylvain Vallee
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO REVELAÇÂO
Nota: Este prémio foi atribuído ex-aequo a duas obras:
.......... La parenthèse, de Elodie Durand
Editions Delcourt
......... Trop n'est pas assez, de Ulli Lust (*)
Editions Çà et là
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO OLHARES SOBRE O MUNDO
........ Gaza 1956, en marge de l'histoire, de Joe Sacco
Editions Futuropolis
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA AUDÁCIA
.......... Les noceurs, de Brecht Evens
Editions Actes Sud BD
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO INTERGERAÇÕES
....... Pluto, de Naoki Urasawa, segundo Osamu Tezuka
Editions Kana
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DO PATRIMÓNIO
........... Bab-el-Mandeb, de Attilio Micheluzzi
Editions Mosquito
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO JUVENTUDE
............ Chronokids - tomo 3, de Zep, Stan e Vice
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA BANDA DESENHADA ALTERNATIVA
............ L'arbitraire, volume 9 (periódico editado em Lyon)
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PRÉMIO JOVENS TALENTOS
Primeiro premiado - Adrien Herda
Segundo premiado - Noemie Weber
Terceiro premiado - Antoine Maillard
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PRÉMIO JOVENS TALENTOS DA REGIÃO POITOU-CHARENTES
.......... Lei Fang , por La boutique de Wang
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CONCURSO "ANIME TON FAUVE"
Premiado: Julien Farto
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PRÉMIO BD DOS COLEGIAIS DE POITOU-CHARENTES
........... Kheti, fils du Nil, tomo 4 - Le Jugement d'Osiris, de Mazan e Dethan
Editions Delcourt
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PRÉMIO DAS ESCOLAS DE ANGOULÊME
............. L'ours Barnabe - Integral I, de Jean-Luc Coudray (La Boite a Bulles)
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CONCOURS REVELATION BLOG
Premiado: Le blog d'Aspirine
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(*) Trata-se de uma autora já publicada em Portugal, no fanzine Gambuzine, de Teresa Camara Pestana, conforme a própria confirmou em comentário a esta postagem.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 38º Festival/ 2011


Já na sua 38ª edição, o Festival International de la BD d'Angoulême é, inquestionavelmente, o maior evento europeu de banda desenhada.
Desde sempre que são apenas quatro dias, de quinta-feira a domingo - e as datas não variam muito de ano para ano, desta vez de 27 a 30 de Janeiro.

Um curto período de tempo, mas intenso, que obriga os visitantes a constantes movimentações, na tentativa de verem as exposições que mais lhes interessam, contactar com os autores da sua predilecção e deles obterem autógrafos e desenhos...
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Apenas em esboço, veja-se a amplitude e a variedade de solicitações nos diversos locais por onde se estende o evento:
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CHAMP-DE-MARS
Le monde des bulles
Onde estão as grandes editoras de BD europeias, americanas (comics), asiáticas (de mangá e manhwa).
E ainda dentro desta última especificidade, nota-se uma novidade: "MangAsie", que inclui conferências, "performances" gráficas, projecções
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PLACE NEW-YORK
Le nouveau monde
Espaço reservado aos editores independentes e aos fanzines, havendo também fóruns dedicados a esses temas.
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PLACE DES HALLES
Collectionneurs
Imagine-se uma portuguesíssima "feira da ladra", mas dentro de uma tenda extens]issima (dantes era numa casa antiga de dois andares), onde se agrupam dezenas de alfarrabistas ("bouquinistes") que apresentam revistas francesas e belgas antigas, álbuns dos anos sessenta e setenta, pranchas originais de desenhadores europeus e americanos, em qualquer dos casos material capaz de fazer perder a cabeça a todos os bedéfilos franceses, e mesmo a alguns portugueses apesar do seu menor poder de compra... É um local sempre a abarrotar!
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Agora há dois museus, tendo cada um deles o seu programa (obviamente). Assim:
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MUSEU DE ANGOULÊME
Planches et hiéroglyphes
Exposição de pranchas de obras dedicadas ao antigo Egipto, dos autores Isabelle Dethan, Mazan e Julien Maffre
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MUSÉE DE LA BD (este inclui-se no conjunto de edifícios que compõem a "Cité de la BD", e tem várias exposições. Falo aqui apenas de três)
1) Parodies: la BD au second degrée
Obras paródicas dedicadas a personagens e obras da banda desenhada, quer europeia quer americana (neste caso, aos super-heróis)
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2) Cent pour Cent - saison 2
Depois de ter havido, na edição de 2010, a exposição "Cent pour Cent", onde colaboraram os autores portugueses António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches e Luís Henriques, que teve direito a um excepcional catálogo (mostrei as pranchas daquele trio lusitano e respectivas "pranchas musas" na postagem de Dez.28, 2010), volta à baila o tema, desta vez por homenagens realizadas exclusivamente por autores espanhóis e turcos aos autores de BD que lhes serviram de inspiração. Ainda poucas, todavia de qualidade a prometer uma interessante sequela.
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3) Nos guerres
David Benito, Laurent Boriaud e Patrice Cablat têm a autoria de dez episódios em que atacam o absurdo de todas as guerras

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Comentário "off the record"
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Houve tempos em que era minguada a presença de portugueses no evento, malgrado a sua projecção internacional.
De há alguns anos para cá tem havido um aumento notório de participantes (maioritariamente de Lisboa, também isto será por causa do tão atacado centralismo?) e o facto de ter havido casos de sucesso - nomeadamente Rui Lacas e Nelson Martins, ambos publicados por editoras francesas - terá incentivado a esperança a mais talentos lusitanos de conseguirem idêntico sucesso.
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Desta vez, o conjunto de portugueses englobava autores, editores, divulgadores e acompanhantes. Aqui fica uma lista feita a posteriori:
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1. Falcato (autor)
2. Hugo Teixeira (autor "mangaka"
3 e 4. João Amaral (autor e bloguista) e Cristina Amaral (acompanhante)
5. Jorge Ribeiro (bedéfilo e realizador de Cinema de Animação)
6. Lígia Macedo (Relações Internacionais do Festival BD Amadora)
7 e 8. Marcos Farrajota (autor, editor e bloguista) e Joana Pires (acompanhante)
9. Maria José Magalhães Pereira (Responsável editorial de BD da ASA/Leya)
10. Nelson Dona (Director do Festival BD da Amadora)
11 e 12. Nelson Martins (autor) e Catarina Gusmão (acompanhante)
13. Nuno Amado (bloguista) e Aida Teixeira
14. Nuno Duarte (autor e bloguista)
15 e 16. Pepedelrey (autor e editor) e Sandra Oliveira (acompanhante)
17. e o presente bloguista, também faneditor e escasso argumentista
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Total: 17 pessoas, um número significativo para o exíguo panorama português



domingo, janeiro 31, 2010

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) - Prémios do 37º Festival BD

Baru


Grande PrémTamanho do tipo de letraio do Festival BD de Angoulême
(Galardão que recompensa um autor de BD pelo conjunto da sua obra)

BARU
Aliás, Hervé Baruléa
Autor, entre outras obras, de
"Roulez Jeunesse" (1991)



"L'Autoroute du Soleil"(1996)
Editora: [de ambas as obras] Casterman



Melhor Álbum
Obra: Pascal Brutal (Vol. 3 - "Plus fort que les plusforts"
Autor: Riad Sattouf
Editora: Fluide Glacial


Prémio do Público
Autor: Michel Rabagliati
Obra: Paul à Quebec
Editora: La Pasteque
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Prémio Especial do Júri
Autor: Joe Daly
Obra: Dungeon Quest
Editora: L'Association
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Prémio [Melhor] Série
Autor: Alain Dodier
Obra: Jerome K. Jerome (Vol. 21 - "Déni de Fuite"
Editora: Dupuis
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Prémio Intergerações (Intergenerations)
Autores: Mathieu Bonhomme e Gwen de Bonneval
Obra: L'Esprit Perdue
Editora: Dupuis
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Prémio Olhares sobre o Mundo (Regards sur le Monde)
Autor: David Prudhomme
Obra: Rebetiko (Episódio "La Mauvaise Herbe")
Editora: Futuropolis
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Prémio Audácia
Autor: Jens Harder
Obra: Alpha... Directions
Editora: Actes Sud
Prémio Revelação
Autor: Camille Jourdy
Obra: Rosalie Blum (vol. 3)
Editora: Actes Sud

Prémio Património
Obra: Paracuellos
Autor: Carlos Gimenez
Editora: Fluide Glacial
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Prémio Juventude
Autor: Julien Neel
Obra: Lou (Vol. 5º - "Laser Ninja")
Editora: Glenat
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Prémio BD Alternativa
Publicação: Special Comics
Local de publicação: Nanjing (China)
Editora (ou faneditor) - Não indicada

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) - 37º Festival/2009 - Prémios


Cartaz do Festival

Imagem da BD independente

A nova Mangá (la nouvelle manga)

A Rússia estar presente com a sua Banda Desenhada e os seus autores, e assim, pela primeira vez, o público europeu ocidental poder tomar contacto - através de uma exposição - com a produção de um país que no mundo da BD é praticamente desconhecido, eis motivo fortemente apelativo para os bedéfilos franceses e de muitos outros países, portugueses incluídos (*), que durante uns curtos quatro dias (28 a 31 de Janeiro) vão estar em Angoulême, no seu 37º Festival International de Bande Dessinée.
Com efeito, até agora era impensável ver uma exposição de BD de autores russos, isto porque sendo esta arte tão popular na Europa Ocidental, nos Estados Unidos, e nos países da América do Sul - Brasil e Argentina, os principais neste continente -, praticamente não existia na União Soviética, "nos tempos da outra senhora".
Em tradução minha, mais ou menos literal, dizem os organizadores do importante evento francês a este respeito:
......................................
(...) Ao encontro duma comunidade de autores mal conhecida, portadores duma identidade colectiva em plena renovação. Desconhecida, ou quase, deste lado do continente europeu, a nova banda desenhada russa vem expor-se em Angoulême, contribuindo assim para um intercâmbio entre este Festival Internacional de Banda Desenhada e o seu homólogo de São Petersburgo, o festival russo Boomfest.
"(...) A entrada em cena da banda desenhada russa é uma estreia, sob todos os pontos de vista. Jamais autores de BD vindos da Rússia tinham viajado até Angoulême para aí expor as suas criações, e também nunca se tinha levantado o véu sobre o trabalho dos autores russos da geração actual.
Convém dizer que esta geração é emergente. Não há na Rússia um mercado concreto da BD, no sentido que é entendido na Europa Ocidental. Há um pouco de micro-edição e de "small press", de aparições esporádicas nos editores generalistas, e algumas janelas de visibilidade no momento dos festivais de S. Petersburgo e Moscovo, mas o espaço é limitado para os autores, que se esforçam, apesar disso, por mostrarem, seja sobre o suporte de papel, seja no da Internet, os seus universos coerentes e originais."
.....................................
Nesta mostra colectiva estarão presentes autores de que nunca antes se tinham visto obras em França (nem, se calhar, em nenhum outro país europeu), que têm os desconhecidos nomes de Edik Kathikin, Alexei Nikitin,Vika Lamozco, Polina Petrochina,Varvara Pomidor, Roma Sokolov, Oleg Tishenkov, Lena Uzhinova, todos eles a desenvolver um tema comum: "Nascido(a) na U.R.S.S."
Trata-se, enfim duma exposição obrigatória, digo eu, pela singularidade, novidade e ineditismo. Resta saber se também pela qualidade...
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(*) Por falar em portugueses, este ano presentes em Angoulême: são bastantes, cada vez mais fazem peregrinação à "Meca" europeia da Banda Desenhada, e o sucesso de Rui Lacas, com a sua obra Merci Patron, que só foi editada em Portugal por ter sido primeiramente em França, graças ao contacto do jovem autor com uma editora independente (a Paquet), esse sucesso de Lacas, dizia eu, está a suscitar visível entusiasmo entre a nova geração da BD portuguesa.
Daí que, nesta edição, tenham viajado até à região de Charente uma série de autores - a maioria já com obra publicada em Portugal -, cujos nomes aqui ficam por ordem alfabética (para não ferir susceptibilidades):
Carlos Páscoa
Falcato
Filipe Andrade
Filipe Pina

Inês "Myuuhailurusu" Freitas
João Maio Pinto
João Tércio
Marcos Farrajota
Maria João Careto
Nuno Duarte
Nuno Leal "Untxura" (argumentista)
Paulo Monteiro
Pedro Ganchinho
Ricardo Cabral
Ricardo Martins
Rui Lacas
Susa Monteiro

São ao todo 17 autores portugueses, um recorde, que eu saiba.
Fui ao festival, anualmente, entre 1982 e 2007 (em 2008 já não, podem ficar a saber o porquê da minha desmotivação no "post" de 28 Jan. 07, basta clicar no rodapé e vão ter a esse texto), e nunca lá vi tanta lusa gente. Ainda bem, sinal de que seja qual for a crise, económica ou pessoal, nada pode impedir uma viagem a Angoulême, quando se quer muito à BD.
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L'Expo Louvre
Outro dos polos que atrairá com certeza o interesse dos milhares de bedéfilos (este ano fala-se em 200.000), visitantes do Festival de Angoulême, será a exposição onde quatro autores apresentam o seu ponto de vista sobre o Museu do Louvre.
Em 2009, a Banda Desenhada entrava pela primeira vez naquele Museu, visto que a célebre exposição "Bande Dessinée et Figuration Narrative" em 1967, na realidade esteve patente no "Musée des Arts Décoratifs/Palais du Louvre".
Citando o texto da organização do Festival, desta vez o Louvre deu carta branca â editora Futuropolis escolher os autores para esta exposição, que transitará depois para o Museu. A editora seleccionou obras dos seguintes autores:
Nicolas de Crécy, Marc-Antoine Mathieu, Eric Liberge e Bernard Yslaire.
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Diz a organização que "Angoulême é também a ocasião para descobrir o melhor da banda desenhada alternativa internacional". Fabrice Neaud é um dos autores representativos dessa corrente, cujas bandas desenhadas deram azo a uma exposição monográfica que permitirá conhecer um emergente representante da autobiografia em banda desenhada" (fim de citação).
Aliás, Neaud também tem tido activa participação noutras áreas, visto que foi co-fundador da editora independente "Ego comme X", cujo projecto tem a ver exactamente com a BD autobiográfica..
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Mangá
A mangá estará presente em força num espaço actualmente chamado "Manga Building". Foi relativamente perto que, em 2007, esteve exposta a mostra "La Nouvelle Manga", sempre repleta de visitantes.
Desta vez haverá um tema central: "La Fabrication des Mangas", através de um espectáculo (costuma ser no sistema de projecções) e de conferências, geralmente feitas por editores e mangakas (autores de mangá), com traduções em vários idiomas (em Angoulême não se brinca...).
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Léonard e Tuniques Bleues
Duas séries que já tiveram popularidade em Portugal, no tempo da revista Tintin, terão também as respectivas exposições.
Menciono apenas alguns dos muitos motivos de interesse deste importante evento, omitindo, por exemplo, pormenores da componente comercial, onde estarão presentes as grandes editoras francesas, algumas espanholas e também italianas, com os seus autores exclusivos a autografarem álbuns, uma área onde se formam filas de muitas centenas de bedéfilos, dos 7 aos 77...

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Vários festivais, salões e eventos afins foram anteriormente divulgados neste blogue. Para comparação ou qualquer outra finalidade, as respectivas postagens podem ser vistas com um simples clic na etiqueta inserida em rodapé

domingo, janeiro 28, 2007

Festivais, Salões BD e afins (Angoulême) - 34° Festival Internacional

Infelizmente, devido a problemas de tecnologia - compra da "Blogger" pela "Google" - apenas hoje, domingo, estou a ter possibilidade de escrever algo no blogue acerca do Festival de BD de Angoulême.
Antes de mais, quero dizer que estou muito desiludido com as alterações radicais sofridas - sofridas, eis o termo exacto! - pelo festival. Tenho-o visitado, grande parte das vezes para sobre ele escrever para revistas - Jornal da BD, Selecções BD (1ª e 2ª séries) - e jornais - Diário Popular, semanário O País - para onde escrevi diversas crónicas e reportagens.
Especialmente no que se refere à localização: em vez de estarem, como estiveram ao longo de vinte e cinco anos que venho a Angoulême, as duas grandes "bulles" (enormes tendas assim baptizadas por aquele termo que significa "balões da BD") que sempre existiram no centro histórico, na "Place New York" e "Champ de Mars", foram deslocadas para um local periférico chamado "Montauzier", bem mais distante do que o CNBDI-Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image, (sim, a Amadora repetiu o nome) que era, até agora, o polo mais afastado do centro.
Embora esse pormenor possa parecer despiciendo, à primeira vista - e, que fique claro, o serviço de "navette", ou seja, um autocarro especial sempre em constantes viagens abarcando os diversos polos, esteve impecável -, para mim, do meu ponto de vista, significou a perda de factores extremamente importantes: uns, de ordem subjectiva, obviamente, têm a ver com o espírito e a atmosfera de festa que se sentiam fortemente, pormenores que, embora possam parecer pouco importantes, caracterizavam flagrantemente o evento; outros, de ordem objectiva, relacionam-se com a proximidade do público em geral que sempre observava com curiosidade os locais mais visíveis, e acabava por, de certa forma, aderir e respeitar a BD; e também com a constante movimentação dos "festivaliers", entre uma "bulle" e outra, o que d
ava àquela zona da cidade bulício e alegria, que se comunicava a toda a gente.
Neste momento, estou com a convicção de que me despeço de Angoulême, em definitivo, com alguma nostalgia.
(*)
Acabado o amargo intróito, resta-me incluir a lista de prémios e premiados.

Grande Prémio da Cidade de Angoulême - José Muñoz


Este prémio é outorgado em votação realizada pelo conjunto dos anteriores galardoados. O argentino José Muñoz, que já esteve em Portugal mais do que uma vez, é o criador, em conjunto com o seu argumentista habitual, Carlos Sampayo (*), da personagem Alack Sinner, divulgado inicialmente entre nós no jornal de BD Lobo Mau.

(*) Comentário a propósito:
Há algum tempo, num "post" em que falei sobre o fanzine "Mesinha de Cabeceira", ao mencionar as bandas desenhadas publicadas, por escrever de improviso - como praticamente, quase sempre faço - cometi a omissão (imperdoável, reconheço) de não indicar o nome de dois argumentistas. Penitenciei-me, invocando a meu favor o facto de eu próprio ser argumentista (muito pequeno, até agora, publicados, tenho apenas três argumentos e meio, neste último caso um que fiz a meias com o próprio desenhador) e, por conseguinte, seria de esperar o meu cuidado em respeitar os argumentistas, não repetindo a secundarização a que eles geralmente estão sujeitos.
Mas, mais uma vez, nesta distinção que acaba de se registar em relação a José Muñoz, se nota o papel subalterno que tradicionalmente lhes cabe: Carlos Sampayo, o autor dos argumentos das obras desenhadas por Muñoz (quando se fala de Alack Sinner, por exemplo, diz-se sempre "da autoria de Muñoz & Sampayo"), Sampayo, dizia, nem sequer foi mencionado no momento da entronização de Muñoz...

Prémio do Melhor Álbum:
Non Non Bâ, de Shigeru Mizuki
Pela primeira vez, uma mangá aparece como obra vencedora.
Shigeru Mizuki, veterano autor de oitenta e quatro anos, é considerado um mestre no Japão, embora o seu nome fosse praticamente desconhecido na Europa.

Prémios "Os Essenciais":
Black Hole, de Charles Burns
Lucille, de Ludovic Debeurme
Lupus, de Frederik Peeters
Le photographe, de Emmanuel Guibert e Didier Lefèvre
Pourquoi j'ai tué Pierre, de Olivier Ka e Alfred

Prémio Revelação:
Panier de Singe, de Jérôme Mulot e Florent Ruppert

Prémio do Património:
Sergent Laterreur, de Touïs e Frydman

Note-se que esta obra derrotou uma lista de nomeadas onde havia mais as seguintes cinco:
- Golgo 13, de Takao Saito (uma mangá)
- Little Nemo, de Winsor McCay (numa edição da Delcourt, feita na enorme dimensão "broasheet", exactamente igual à dos jornais americanos onde inicialmente a obra foi publicada)
- Hato, de Osamu Tezuka (outro autor japonês, este já bem nosso conhecido, logo, outra mangá)
- Service des cas fous, de Gébé
- Les vents de la colère, de Tatsuhiko Yamagami (mais uma mangá!)
Para quem ainda não se convenceu da importância que a BD japonesa está a alcançar, estas três mangás nomeadas para tão importante prémio deve ser suficientemente esclarecedora.

Prémio do público:
Pourquoi j'ai tué Pierre, de Olivier Ka e Alfred (premiado outra vez)

Prémio: Fanzines e Banda Desenhada alternativa:
Canicola, fanzine italiano de Bolonha

Prémios dos "partenaires" (editoras, entidades oficiais e privadas,) do Festival:

Grande Prémio RTL
Henry Désiré Landru, de Christophe Chabouté

Prémio René Goscinny:
Lucille, de Ludovic Debeurme

Prémio da Escola da Imagem (École de l'Iimage):
Ben Katchor

Num quadrante bem diferente, registo a homenagem prestada a Goscinny através da inauguração da Rue Goscinny (onde tive o gosto de estar presente) , atitude semelhante à que havia sido tomada em relação à existência da Rue Hergé, ambas localizadas em pontos centrais da cidade.

Nota importante:
As ilustrações das capas dos álbuns premiados podem ser vistos no site do Festival, no endereço:
http://www.bdangouleme.com/
(*) Comentário a posteriori:
Tive conhecimento, no ano seguinte, que devido à forte pressão do comércio local (que sentira a falta dos forasteiros durante aqueles quatro dias) e até de uma parte considerável dos "angoumoisins" (habituados à animação que transformava o pacato centro histórico de Angoulême num ambiente fervilhante), os poderes locais fizeram marcha atrás, e o núcleo do festival, que tinha sido deslocalizado para um longínquo descampado, voltou a ocupar os dois espaços nobres que sempre tinham sido seus.
Então porque não voltei? Aquele hiato arrefeceu-me, e no fundo eu já lá ia por inércia adquirida em vinte e cinco anos de particpação, em especial porque as revistas para onde tinha feito reportagens ou crónicas - o Jornal da BD e a [revista] Selecções BD (lª e 2ª séries) já tinham desaparecido, além de que, agora na internet, uma boa parte dos entusiastas da BD tinha acesso a todas as informações.
Por tudo isso, a partir de 2008, inclusive (estou a escrever isto em Janeiro de 2010), deixei de lá ir. Mas não garanto que num próximo ano não volte, nem que seja apenas para matar saudades..

terça-feira, janeiro 31, 2006

Angoulême - 33º Festival (III) - Lewis Trondheim, Grande Prémio

Lewis Trondheim no momento em que, após ter sido anunciado como Grande Prémio de Angoulême, agradece algo sarcasticamente, os aplausos do público

Lewis Trondheim (aliás, Laurent Chabosy, o seu verdadeiro nome) nasceu em Fontainebleau, França, em Dezembro de 1964.
Lapinot, a personagem de referência de Trondheim
É inquestionável tratar-se de autor talentoso e prolífico: o seu nome aparece a assinar, em apenas uma quinzena de anos de actividade artística, perto de uma centena de obras editadas em álbuns, especialmente dedicadas às séries Donjon e Lapinot, sendo esta última a de maior sucesso comercial, e que ele acaba de "matar" na sua última aventura.

"Ele faz parte desta geração de autores de banda desenhada que se tornaram autores literários", disse dele Nikita Mandryka, um nome importante do núcleo de autores já consagrados.

Com efeito, Trondheim não é propriamente um virtuoso do desenho, mas desenvolveu uma técnica narrativa bastante original, tendo a vantagem de ser um excelente argumentista, o que faz com que as suas obras sejam do tipo a que se dá prioridade à história em detrimento do gozo estético proporcionado habitualmente pelas imagens.

Lewis Trondheim foi co-fundador da emblemática editora L'Association. Portanto já terá alguma prática directiva e organizativa, o que lhe será útil para bem desempenhar o seu futuro papel de Presidente do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em Janeiro de 2007.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Angoulême - 33° Festival (II) - "Palmarès" oficial

"O voo do corvo - 2º vol. -, da autoria de Gibrat, obra a que foi atribuído o Prémio do desenho, e já editada em Portugal

Claro que quem tem internet viu a lista de prémios sem necessitar de vir ao meu blogue. Mas como dei a lista dos nomeados, ela ficaria amputada sem esta outra que completa o assunto. De resto pode ser uma interessante tarefa, a de cotejar ambas as listas.


Prémio do melhor álbum:
"Notes pour une histoire de guerre", de Gipi

Prémio do desenho:
"Le vol du corbeau" - 2° vol., de Gibrat (Jean-Pierre)

Prémio do argumento
"Les mauvaises gens", de Etienne Davodeau

Prémio do primeiro álbum
"Aya de Yopougon", de 1° vol., de Clément Oubrerie (desenho), Margueritte Arouet (argumento)

Prémio do Património
"Locas" - série "Love and Rockets", de Jaime Hernandez

Prémio da série
"Blacksad" - 3° vol., "Âme rouge", de Juan Guarnido (desenho) e Juan Diaz Canales (argumento)

Prémio da banda desenhada alternativa
Mycose (Liège, Bélgica)

Mistério! Esta publicação não constava da selecção oficial que foi fornecida no opúsculo de onde tirei as listas que divulguei no "post" de ontem, opúsculo esse com editorial assinado por Jean-Marc Thévenet, director do festival.

Um prémio que considero digno de ser copiado em Portugal, é o do público, que, por acaso, coincidiu com o do júri, coincidência que mereceria ser analisada, visto que as escolhas dos júris costumam ser contestadas.

E o prémio foi para:
"Les mauvaises gens", de Etienne Davodeau

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 33° Festival (I) - Os prémios


Para se apurarem as obras escolhidas para serem premiadas, o processo é o seguinte: todos os anos, ao longo dos meses, o "comité" de selecção do festival recebe vàrias (*) centenas de àlbuns (*) apresentados pelos editores.

Desse numeroso lote inicial é estabelecida a selecçao (*) oficial, composta por seis categorias de prémios. Em cada categoria ficam propostos sete albuns para a competiçao final.

Vejamos entao os sete propostos, nesta fase, para cada um dos prémios:

Prémio do melhor àlbum:
Ripple, de Dave Cooper; Hanté, de Philippe Dupuy; Olivia Sturgess 1914-2004, de Floc'h e François Riviére; Notes pour une Histoire de Guerre, de Gipi; Les Damnées de Nanterre, de Chantal Montellier; Le Petit Bleu de la Côte Ouest, de Jacques Tardi; Fritz Haber - tome 1 - L'Esprit du Temps, de David Vandermeulen.

Prémio do desenho:
Chocottes au sous-sol, de Stéphan Blanquet; Mitchum, de Blutch; Le vol du corbeau, de Jean-Pierre Gibrat; Gogo monster, de Tayou Matsumoto; Prestige de l'uniforme, de Hugues Micol e Loo Hui Phang; Cinema Panopticum, de Thomas Ott; Quimby the mouse, de Chris Ware.

Prémio do argumento:
The autobiography of me too two, de Guillaume Bouzard; Les mauvaises gens, de Etienne Davodeau; Dans la prison, de Kazuichi Hanawa; Hemingway, de Jason; Le roi des mouches - 1 Hallorave, de Mezzo & Pirus; Les Passe-Murailles (1° vol.), de Jean-Luc Cornette e Stéphane Oiry; A History of Violence, de John Wagner & Vince Locke.

Prémio do primeiro àlbum
"Le blog de Frantico", de Frantico; "Essence", de Gawronkiewicz e Janusz; "Cornigule", de Takashi Kurihara; "Kinki et Cosy", de Nix; Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet;" A la lettre près", de Cyrille Pommès; "The Goon", de Eric Powell.

Prémio do Patrimonio (*)
No festival anterior, quando foi iniciado este prémio, Eduardo Teixeira Coelho esteve nomeado, mas o seu nome desapareceu este ano.
Significa isso que este ano vai acontecer o mesmo, isto é, depois de ser escolhido um, todos os outros nomeados desaparecem para nunca mais, deixam de ter categoria para o préemio? Parece-me absurdo o critério, fico à espera de 2007 para ver o que acontece.

Este ano foram nomeados os seguintes autores de grande prestigio (incidindo sobre as obras indicadas a seguir):
Jean-Claude Forest e "Comment décoder l'etircopyh; Jaime Hernandez e "Locas"; Charles M. Schulz e "Snoopy et les Peanuts"; E.C.Seagar e "Popeye"; Cliff Sterrett e "Polly and Her Pals"; Osamu Tezuka e "Prince Norman"; Kazuo Umezu e "L'Ecole emportée".

Prémio da série
"Bouncer", de Boucq e Jodorowsky; "Black Hole", de Charles Burns; "Théodore Poussin" - 12° vol.- "Les Jalousies", de Frank Le Gall; "Lupus", de Frederik Peeters; "Pascin, la java bleue", de Joan Sfar; "Blacksad" - 3° vol. - "Âme Rouge", de Juan Garnido e Juan Diaz Canales; "Bone" - 11° vol. - "La Couronne d'Aiguilles", de Jeff Smith.

E ainda aparece outra lista de sete obras propostas para o Grand Prix RTL de la Bande Dessinée, que me excuso de indicar, por o considerar menos importante.

Do lote de quarenta e dois titulos (*) acaba por ser seleccionado um de cada tema pelo Grande Jùri (*) do Festival.

Mais interessante me parece o

Prémio da banda desenhada alternativa

Como aparece descrito, para se ver que nao sou eu a separar os géneros:
"Les revues et fanzines sélectionnées sont"

Portanto, aparecem agora "revistas alternativas" e "fanzines". E as nomeadas, e os nomeados, sao:

Abécédaire, Ailes du Corbeau (Les), Amiante (3 de França), Canicola (Italia), C'est bon anthology (Suécia), Claffouti, Cochon Dingue, Cosmic Tubes ( mais 3 de França), Dark Warrior (Ucrania), Dossier Kamb, Inedit (L'), (2 da Bélgica), Institut Pacome, Megalith, Moi Je, Morocco, My Way, Oculaires (Les), On a marché sur la bulle, Patate douce, Phylloxera (9 de França), Reddition (Alemanha), Sesame, Skermu (2 de França).

Pena que Portugal nao esteja representado, e contra mim falo.

(*) Problemas literarios e ortograficos: tive necessidade de arranjar textos onde evitasse algumas palavras, embora nem sempre o conseguisse, isto porque nestes teclados franceses é inexistente o acento agudo nas letras a, i, o, u e o acento til (nao existe). Por isso escrevi àlbum (é menos "grave" pôr acento grave do que nao pôr nenhum, e em vez de escrever "sao propostos" escrevi ficam propostos, e muitos outros rodeios do género.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) - 4ª feira, lá estarei

Desenho de Solé, reproduzido no "Dossier de Presse" relativo ao 25e Festival International de la Bande Dessinée - Angoulême 98

O Festival Internacional de BD de Angoulême, na sua 33ª edição, realiza-se entre 26 e 29 de Janeiro.

Na próxima 4ª feira, aí vou eu. Primeiro, de avião até Paris, a seguir de comboio. Vamos a ver se não me acontece o mesmo que no ano passado. Os ferroviários estavam em greve (em protesto por uma colega deles ter sido assassinada no posto de trabalho), e por isso só havia o serviço mínimo, um comboio que iria servir muitos mais destinos do que os habituais, daí que fosse completamente à cunha.

Pela minha parte, fiz a viagem de três horas sempre em pé, íamos todos sem podermos sair do mesmo sítio. Uma experiência como ainda nunca tinha tido...

Também é verdade que não paguei nada, as bilheteiras estavam encerradas (greve é greve...).