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sábado, julho 09, 2011

Exposições BD avulsas (VII)



"Desenhos do Quotidiano" é o título da exposição composta por bandas desenhadas, ilustrações e pinturas de Carlos Barradas, inaugurada hoje em Oeiras, na Livraria-Galeria Municipal Verney/Colecção Neves e Sousa.

Para quem tenha conhecido a revista Visão (a de BD, doze números editados entre Abril de 1975 e Maio de 1976) sabe que os seus pilares foram principalmente Victor Mesquita, Zé Paulo, Carlos Barradas, Pedro (Pedro Massano), Corujo Zíngaro, Isabel Lobinho, Duarte, Nuno Amorim, Pilar, Zepe, visionários que revolucionaram a Banda Desenhada em Portugal, realizando obras totalmente diversas do que até então se fizera, tanto pelo estilo como pelo conteúdo.

Na componente da banda desenhada - é disso que sempre estamos a falar neste blogue -, Carlos Barradas seleccionou pranchas de várias bedês da Visão, das obras "O Capital" e "O 13º Passageiro", ambas editadas directamente em álbum (a primeira a preto-e-branco, a segunda a cores), além da surpresa de se poderem ver pela primeira vez em público pranchas de "80 Anos de Jazz em Portugal", obra que fez parte do mestrado dele mas nunca publicada.

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Exposição BD
No programa da exposição "Desenhos do Quotidiano" há uma muito interessante autobiografia de Carlos Barradas, que aqui reproduzo, com a devida vénia ao meu amigo autor:
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CARLOS BARRADAS
Autobiobibliografia

Comecei a desenhar por volta dos 4 anos e ao tomar-lhe o gosto nunca mais parei. Depois foi uma despesona em lápis, papel, aguarelas, guaches, um ror de coisas que desequilibravam sempre o orçamento familiar mas que era compensado pelo gozo que me dava e o meu pai a protestar.Em Angola onde vivi a minha infância e adolescência não havia televisão e sendo filho único tinha que inventar as minhas próprias brincadeiras. Tive tempo para ler muita BD, ver filmes de coboiada e a praia, muita praia e muito mar, muita cabulice e o meu pai sempre a protestar.
Em 1973 depois de feita a tropa vim para Lisboa acabar o curso de Belas Artes e fui ficando e vendo e aprendendo e também o Conservatório no Curso de Cinema. Tudo pelo gozo que a descoberta das coisas me davam e o meu pai em Angola sempre a protestar porque queria filho advogado que era profissão séria e respeitável (Ele não conhecia alguns advogados).
Colaborei em quase tudo que era revista e jornal, no tempo em que era uma aventura lançar uma revista.
Na véspera de Natal de 1974, o Carlos Soares, ex-colega do Liceu D. João de Castro, jornalista e mais tarde correspondente da Agência Lusa em Roma fez-me uma proposta desonesta: e que tal fazermos uma revista de banda desenhada só com autores portugueses. Lá iniciámos os contactos com amigos e colegas do pincel, vasculhando a cidade de alto a baixo até que juntámos uma equipa de jeito e começámos a trabalhar. Lá fomos desenhando e construindo aquela que é hoje a única experiência em BD mais consistente e pensada só com autores portugueses que se transformou ao fim destes anos todos numa revista de culto, a revista Visão.
Depois a revista foi boicotada pelas suas estranhas e atrevidas histórias, pelo preço caríssimo de 20 escudos e até pela própria distribuidora que a colocava em locais remotos do Portugal de então. A redacção foi-se enchendo de sobras e assim a pouco e pouco foi-se esmorecendo o fulgor, o deles e o nosso, chegando ao número 12, não alcançando o 13 para não dar azar.
Depois foi um período a dar aulas de Design no ensino preparatório, ilustrações para livros infantis, a seguir a RTP como designer gráfico a criar genéricos para programas e animações a sério, à mão que não havia as modernices dos computadores, depois logo a seguir o concurso para realizadores, o impedimento de ir a concurso por questões burocráticas e finalmente ultrapassadas e por ironia do destino o 1º lugar no curso de realizadores da RTP.
Projectos bons, outros nem tanto, outros falhados, e assim se passaram 20 anos. Os últimos dois na prateleira e finalmente a rescisão do contrato e ala que se faz tarde!
Depois como Art Director numa empresa de produção e um canal codificado na TV Cabo. Em seguida a realização de uma novela durante um ano. Uff! Estudar alguma coisa, sentir curiosidade pelo que nos rodeia e ter acabado o mestrado.

Carlos Barradas
2011
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As imagens que ilustram este "post" não necessitam legendagem.

Todavia há um aspecto curioso em relação à prancha de BD: a que mostro aqui é a que consta da revista Visão, intitulada "Clave sem sol".

Mas na exposição acima indicada está a prancha original, e o título que lá consta é: "História sem dó". O que significa que, ao ser editada na revista, lhe mudaram o título. Curioso... Não me ocorreu esclarecer esta alteração, qual o motivo, e quem a fez. Tenciono esclarecer o pormenor.

Nota "a posteriori": Carlos Barradas deixou um comentário onde explica o que aconteceu.
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Os interessados em ver as postagens anteriores destes temas conseguirão fazê-lo clicando no item Biografias  ou no outro item,  Exposições BD avulsas, visíveis no rodapé

quarta-feira, novembro 11, 2009

Curtas de BD (Autores portugueses - II) Carlos Barradas e Carlos Soares





Clicar sobre as imagens para as ampliar (às vezes, com a pressa, há quem não se lembre de o fazer)

Reprodução das seis pranchas da bd Clave Sem Sol. Infelizmente não foi possível reproduzir directamente das páginas da revista, por ter o formato 22,9x31,9 - maior do que o "scanner" A4. Devido a isso, a ilustração do "post" foi feita sobre fotocópias, o que prejudicou a limpidez das tramas usadas pelo desenhista.

Clave Sem Sol é o título de uma banda desenhada curta (6 pranchas), da autoria de Carlos Barradas (desenho) e Carlos Soares (argumento).
 

A publicação desta excelente bd - excelente nas duas componentes, literária e artística - teve lugar na revista Visão (de BD, nada a ver com a que se publica actualmente - nota para os mais novos e iniciantes), logo no seu nº1, datado de 1 de Abril de 1975.
 

A ficção que suporta esta curta figuração narrativa é perturbante, e consegue ilustrar com imaginação as artimanhas tecnológicas que a ganância pode engendrar.
 

As ilustrações de Carlos Barradas corporizam talentosamente a presente curta, exemplar na 
forma como transmite visualmente a metáfora.
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Nota: Para quem estiver interessado em saber algo acerca de Carlos Barradas (não conheço o argumentista) poderá fazê-lo indo à coluna da esquerda do blogue, na rubrica "Categorias", e clicar no item "Visão". Encontrará uma breve entrevista com ele, e respectiva fotografia, tal como os dos restantes autores mais importantes daquela revista de BD, publicada entre Abril de 1975 e Maio de 1976.

Para ver a curta anterior, basta clicar no item inserido no rodapé 

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Outro assunto:
Nota pessoal:
Na 6ª feira, dia 13, vou às Caldas da Rainha participar na imprevista e original


1ª Mostra Erótica-Paródica de Caldas da Rainha
evento organizado no período
de 22 Outubro a 22 Novembro
pela Confraria do Príapo


Irei apresentar o tema:
"Erotismo na Banda Desenhada"
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Quem quiser ver mais pormenores visite o blogue http://terradasmalandrices.blogspot.com/
E para saber o que é e o que pretende fazer a Confraria do Príapo (e já agora a imagem do Deus Príapo - neste acredito eu!), servido generosamente no seu atributo procriador, bem à mostra, basta ver em:


A imagem da inauguração do evento, através de um bem realizado vídeo, está no "site" da TV CALDAS, em:


Como a seguir vou passear, o blogue ficará parado uma semana. Na minha condição de apaixonado de castelos, visitarei de passagem o de Noudar, um dos poucos portugueses que ainda não conheço.