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quinta-feira, janeiro 07, 2016

Exposições BD Avulsas - Charlie Hebdo


Hoje mesmo, 5ª feira, 7 de Janeiro, na Galeria da Bedeteca da Amadora, será inaugurada pelas 20h00 a exposição documental "Estúpidos, maldosos e semanais - Uma constelação em torno do Charlie Hebdo", integrada no programa "Os 5 sentidos da banda desenhada".

A curadoria é, como já vem sendo hábito naquele novel equipamento cultural amadorense, da responsabilidade de Pedro Vieira de Moura.
Mas desta vez, como o semanário Charlie tem uma forte componente de cartunismo e caricatura, Osvaldo Macedo de Sousa está também envolvido na organização do evento.

Leiamos o texto distribuído aos média (blogues incluídos) de apresentação desta surpreendente exposição:  

Inaugurada um ano após os atentados que vitimaram, entre outros, membros da redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, a exposição visa mostrar o contexto em que este título (assim como o grupo editorial que o formou, associado à revista Hara-Kiri) surgiu. 

Revisitando referências da imprensa ilustrada satírica, os títulos de banda desenhada, imagens da publicação e livros que refletem a sua história, há ainda um complemento organizado por Osvaldo Macedo de Sousa: “Cartoonismo: uma profissão de risco?”, em que se visitam vários artistas que, no mundo dito do Médio Oriente e Ásia têm sofrido as consequências mais graves pelo seu trabalho artístico, demonstrando que a luta pela liberdade de expressão é verdadeiramente universal, e que a solidariedade deve ultrapassar fronteiras, línguas e culturas.

A inauguração é seguida de uma mesa-redonda informal, com a presença de Nuno Saraiva, Rui Pimentel e Osvaldo Macedo de Sousa. 

A exposição conta com o apoio da Bedeteca da Biblioteca Municipal dos Olivais e do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, onde haverá, no dia 23 de janeiro, um debate associado a este evento, com hora a indicar posteriormente. Patente até 30 de janeiro. 

Bedeteca da Amadora
3ª a sábado das 10h às 18h
Av. Conde Castro Guimarães, 6
2720-119 Amadora

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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições avulsas anteriores, ou sobre eventos na Bedeteca da Amadora, ou acerca do Charlie Hebdo poderão fazê-lo clicando nos respectivos itens visíveis em rodapé

sexta-feira, janeiro 23, 2015

Mesas-Redondas (XIII) - Rafael Bordalo Pinheiro



Rafael Bordalo Pinheiro é o autor da que tem sido considerada a primeira BD portuguesa, com o seu álbum "Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro Sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa" (sendo Rasilb o anagrama de Brasil).

A atribuição da paternidade de Rafael Bordalo Pinheiro da banda desenhada em Portugal deve-se ao ilustre estudioso António Dias de Deus na sua obra "Os Comics em Portugal. Uma História da Banda Desenhada", editada em 1997.

Acontece que hoje, dia 23 de Janeiro, passam 110 anos sobre a morte daquele notável ceramista, caricaturista e cartunista, nascido em Lisboa a 21 de Março de 1846, falecido na mesma cidade a 23 de Janeiro de 1905. 

Aproveitando a efeméride, mas também os recentes acontecimentos com o magazine satírico Charlie Hebdo, o Museu Bordalo Pinheiro organiza hoje uma mesa redonda dedicada ao tema "Cartoon e Liberdade de Imprensa", em que participarão os cartunistas António e Zé Bandeira, e o ilustrador e autor de BD Nuno Saraiva, sendo moderador o Dr. Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura.
 
A este propósito foi distribuído um press release, que tomo a liberdade de reproduzir: 


No dia 23 de Janeiro passam 110 anos sobre a morte de Rafael Bordalo Pinheiro,

Não é que gostemos muito de comemorar as mortes, mas este número redondo – 110 anos – e o momento tão complicado da vida nacional (e internacional, com o ataque ao Charlie Hebdo), faz-nos pensar que relembrar o olhar crítico de Bordalo é muito importante. 


Para isso O Museu Bordalo Pinheiro promove no dia 23 de janeiro, pelas 18h30 uma Mesa Redonda sobre a importância do cartoon nos jornais, para a qual convidámos os cartoonistas António, do Expresso, Bandeira, do Diário de Notícias e Nuno Saraiva, do Sol.

Como moderador o presidente do Centro Nacional de Cultura Guilherme d’Oliveira Martins, estudioso da nossa Identidade e admirador de Bordalo.


Lembramos que Rafael Bordalo Pinheiro reagiu às tentativas de encerramento dos seus jornais e atentados contra a sua vida com um enorme humor. Na tira deste convite, referente à tentativa de encerramento d' O António Maria em 1881, pode ler-se que mesmo debaixo do punhal dos sicários ou sob o cutelo dos algozes  “Nós afirmamos que o António Maria não cessará de aparecer. Continua-se a receber assinaturas para esta publicação imortal”.


Assim, o Museu Bordalo Pinheiro associa-se a este debate tão na ordem do dia mas já secular.


                                                                                          Entrada Gratuita

23 de janeiro, 18h30

Galeria do Museu Bordalo Pinheiro

Campo Grande, 382 – Lisboa

Tel: 21 817 06 71 |

Email: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt
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RAFAEL BORDALO PINHEIRO (1846-1905)

Síntese biobibliográfica

Raphael Bordallo Pinheiro - era assim que se grafava o seu nome na época -, nasceu em Lisboa a 21 de Março de 1846, filho de Manuel Maria Bordallo Pinheiro e Augusta Maria do Ó Carvalho Prostes.

Estreou-se como actor aos 14 anos, no Teatro Garrett, experiência que não teve seguimento, mas que muito o marcou.

Na sua juventude gozou, com excesso, a vida boémia de Lisboa, pelo que a sua carreira académica foi um fracasso, não por falta de se matricular em várias instituições de ensino, designadamente Academia de Belas Artes (desenho de arquitectura civil, desenho antigo e modelo vivo), Curso Superior de Letras, Escola de Arte Dramática, embora nunca tenha completado qualquer curso.
O seu primeiro emprego, conseguido por interferência de seu pai, foi num emprego público, a Câmara dos Pares, mantendo-se a seguir cursos de pintura a aguarela, e fazendo caricaturas, o que o levou a tentar ganhar a vida como artista plástico.
As suas primeiras obras intitulam-se "O Dente da Baronesa", de e "O Calcanhar de Achiles", ambas dedicadas à caricatura, e no que se classifica de figuração narrativa, em "A Berlinda - Reproducções d'um Álbum Humorístico ao Correr do Lápis", todas datadas de 1870.
Estava próxima a realização da sua obra mais importante, representativa do que se pode considerar como a génese da banda desenhada portuguesa, e que data de 1872. Trata-se de um álbum, em imagens sequenciais, com o título "Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro Sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa", uma sátira tendo por personagem central o Imperador Pedro II do Brasil.
Em 1875 publica a "Lanterna Mágica", onde irá surgir a sua personagem mais icónica, o Zé Povinho, com o seu popular "manguito".
Neste mesmo ano, a 19 de Agosto, partiu para o Brasil, onde colaborou em jornais e revistas, designadamente O Mosquito, Psit!!!, O Besouro.
Regressa a Portugal em Maio de 1879, onde trabalha na importante revista António Maria (1879), no "Álbum das Glórias" (1880), e no álbum de BD "No Lazareto de Lisboa" (1881).
Em 1882 e 1883 publicou-se o "Almanach do António Maria". Em 1884 experimenta trabalhar em barro nas oficinas de Gomes de Avelar e em seguida na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, onde se manteve durante vinte e um anos.
Em 1885 a revista "Pontos nos ii" substitui "O António Maria". Nesse ano homenageia os seus amigos do Grupo doLeão num painel que ficará no Café Leão de Ouro, em Lisboa, e participa com os seus irmãos Columbano e Maria Augusta na redecoração do interior do Palácio do Beau Séjour, também em Lisboa.
Em 1889 realiza a decoração do Pavilhão de Portugal na Exposição de Paris, desse ano, pelo que é agraciado com a Legião de Honra.
devido a uma lesão no coração, morre a 23 de Janeiro de 1905, no nº 28 da Rua da Abegoaria, actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro.

Obras consultadas:
Os Comics em Portugal. Uma História da Banda Desenhada, de António Dias de Deus
Uma Nova Forma de Estar no Humor, de Osvaldo Macedo de Sousa  
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Os interessados em ler textos anteriores das rubricas Mesas-Redondas ou Charlie Hebdo, podem fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Mesas-Redondas (XII) - Tema: Charlie Hebdo



Uma mesa redonda dedicada a um tema candente, o ataque fanático ao magazine Charlie Hebdo, vai decorrer num monumento histórico, algo improvável para um evento deste género - o Museu Arqueológico do Carmo.

Derivado desse facto, outros assuntos serão focados, tais como o poder dos cartunes editoriais, liberdade de imprensa e expressão, os contextos históricos da imprensa ilustrada.

Participam nessa mesa redonda: Sara Figueiredo Costa, Nuno Saraiva, Osvaldo Macedo de Sousa e Eduardo Salavisa, com moderação de Pedro Moura

Reproduzo o texto que foi enviado para os média, incluindo a blogosfera (as separações dos parágrafos são de minha responsabilidade):

O crime perpetrado contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo colocou na ordem do dia junto ao grande público uma discussão que tem tido lugar em círculos especializados.

Qual o papel do cartoon editorial nas democracias modernas, cujas leis de liberdade de expressão permitem um qualquer grau de negociação entre o que se entenderá por "aceitável" e "pertinente", por um lado, e "exagerado" e "ofensivo", por outro.

Se se acreditar numa tal categorização, porém, há que compreender que ambas pertencem a uma longa tradição de trabalhos, e com particular presença na cultura francesa. A questão desta liberdade vai embater noutras questões, como os posicionamentos ideológicos, os ditos limites da imprensa, a censura prévia e as decisões judiciais, assim como a conjuntura actual a nível mundial cujas fricções são vistas por alguns como um "choque de civilizações". 

Não é difícil começar uma discussão sem tropeçar em controvérsias ou mesmo afirmações elas mesmas insustentadas, já que tudo isto implica emoções, limites ao nosso conhecimento, posicionamentos extremados, etc. 

A comunidade de artistas de banda desenhada, ilustração e cartoon editorial, assim como investigadores e críticos da área têm multiplicado a sua expressão de solidadriedade, assombro e até mesmo incompreensão nos mais variados canais de comunicação.

Alguns dos seus membros não sabem bem como começar a articular o que pensam e sentem, mas sentem também a urgência em fazer algo mais. 
Esta é uma oportunidade, entre outras, de dialogar.


Museu Arqueológico do Carmo
Largo do Carmo - Lisboa
Dia 20 de Janeiro, Terça-feira, 18h30
Entrada livre

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Os interessados em ler textos anteriores das rubricas Mesas-Redondas ou Charlie Hebdo, podem fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé.

sábado, janeiro 17, 2015

Palestra sobre o Charlie Hebdo, por Pedro Cleto



Título da palestra:

Charlie Hebdo: a história de uma publicação polémica



A história de um jornal satírico com 35 anos, trazido para as primeiras páginas da comunicação social devido ao recente atentado, é o tema desta apresentação, a cargo de Pedro Cleto, crítico e divulgador de banda desenhada, que vai ter lugar no auditório da FNAC do Norte Shopping, no próximo dia 18 de Janeiro, pelas 17 horas.


Os primeiros tempos do jornal, o seu lugar na sociedade face à tradição do género satírico em França, a polémica que o fez mudar de nome, o percurso dos seus principais autores, algumas capas mais significativas ou curiosas, alguns momentos marcantes e se é possível estabelecer limites ao humor, serão também abordados.

(Texto recebido da organização do evento)
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Quem estiver interessado em ver notícias sobre palestras tratadas anteriormente, basta clicar no item Palestras visível no rodapé 

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Charlie Hebdo








Do drama do Charlie Hebdo ressaltam dois aspectos fulcrais: Antes de mais, os execráveis fanatismos. E logo a seguir, as culposas religiões que os provocam.

Sempre foi esse o leit motif do citado magazine satírico francês, irreverente, cáustico, fortemente anti-clerical, que nunca poupou mordacidades aos representantes das igrejas, e onde têm pontuado autores eminentemente truculentos, designadamente Cabu e Wolinski, este malicioso e dado ao erotismo tanto nos cartunes como nas bandas desenhadas.

O Islão e respectivo profeta, ambos têm sido causticados, mas também a Igreja Católica não tem sido poupada - vejam-se as 2ª e 3ª capas do [magazine] Charlie que ilustram este "post" - o que demonstra a democraticidade e a independência religiosa da conceituada publicação.

Terão sido os gags dirigidos ao Islão e a Maomé a causa do massacre levado a efeito hoje, 7 de Janeiro de 2015, por dois atiradores, com ligações à AlQaeda, que atingiram mortalmente doze pessoas e feriram onze, algumas delas com gravidade.

Entre os assassinados constam os cartunistas/banda-desenhistas Cabu e Wolinski, os de maior nomeada, mas também Charb, Honoré e Tignous.

Aqui me associo ao repúdio geral pelo absurdo atentado, levado a efeito por fanáticos religiosos, que assim atacam com ferocidade a liberdade de expressão.

Imagens que ilustram a postagem:
- 5 capas do magazine Charlie Hebdo
- Je Suis Charlie - Um voto de solidariedade

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WOLINSKI (1934-2015)

Síntese biobibliográfica


Georges David Wolinski, Tunis, Tunísia francesa, 28 Junho 1934.

Os seus pais (pai polaco, mãe italiana) emigraram para França, Briançon, e foi ali que Wolinski fez os seus estudos secundários. Em 1952 mudou-se para Paris onde estudou na Escola de Arquitectura.

Em 1960 começou a colaborar no Hara-Kiri, mensário satírico, fazendo cartunes, ilustrações e séries de BD de carácter político e erótico, de que são representativas "Ils Ne Pensent Qu'à Ça", "Histoires Inventés", "Hit-Parades".

Wolinski teve papel activo na revolta estudantil de Maio 68, fundando com Siné o magazine satírico L'Enragé. Os seus pontos de vista filosóficos são explanados numa série intitulada "Je Ne Veux Pas Mourir Idiot", nesse mesmo ano de 1968.

No ano seguinte Wolinski tornou-se editor do recém-editado mensário humorístico Charlie, onde se tornou notado pelas suas críticas sociais e políticas, concretizadas em desenhos simples.

A partir de 1977 passou a exercer a função de cartunista político no diário comunista L'Humanité, o que não o impediu de colaborar em várias outras publicações de áreas políticas diferentes, desde o Libération, diário liberal, até ao semanário conservador Paris-Match.

Em Portugal começou a fazer parte do júri do "Porto Cartoon" em 2004, e foi-lhe editado um álbum com a banda desenhada "Diz-me Que Me Amas", na colecção Herman Piripiri.

Em 2005 foi distinguido no Festival BD de Angoulême com o mais importante galardão, o Grande Prémio da Cidade de Angoulême.

Devido ao facto de trabalhar para a TV, e também para o Teatro, além da  participação em vários eventos, as suas bandas desenhadas passaram a ser esporádicas, produzindo mais cartunes para os magazines L'Echo des Savanes e Charlie Hebdo

Era com este último que continuava a colaborar, na redacção em Paris, até que, a 7 Janeiro 2015 foi assassinado num assalto perpetrado por dois terroristas, fanáticos religiosos, adeptos do islamismo e da al-Qaeda, mas de nacionalidade francesa.

(Texto parcialmente baseado numa biografia publicada em "The World Encyclopedia of Comics", editado por Maurice Horn para a editora Chelsea House Publishers, Philadelphia, USA, em 1999 - 2ª edição).    


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CABU (1938-2015)

Síntese biobibliográfica


Jean Cabut, 13 Janeiro 1938, Châlons-sur-Marne, França

Publicou os seus primeiros desenhos em 1954 na publicação regional L'Union de Reims, passando a colaborar na imprensa popular, designadamente nas revistas Paris Match e Ici Paris.

Em 1960, depois de deixar o serviço militar, participa na fundação do magazine satírico Hara-Kiri, substituído sucessivamente por Charlie Mensuel e Charlie Hebdo. Em todas estas publicações, Cabu teve contínua colaboração, criando várias personagens, designadamente "Madame Pompidou", "Mon Boeuf", "Catherine".

A partir de 1962 começa a colaborar no magazine Pilote, para o qual cria "Le Grand Duduche". Para além deste trabalho colabora nas publicações Ici Paris, L'Enragé, Candide, Le Nouvel Observateur, Paris Presse, Periscope, La Gueule Ouverte, Politique Hebdo, Canard Enchainé e, por fim, no Charlie Hebdo.

Foi nas instalações em Paris deste magazine satírico, que Cabu foi assassinado a 7 de Janeiro de 2015, como resultado de um assalto perpetrado por dois terroristas, radicais islâmicos de nacionalidade francesa, ligados à organização terrorista alQaeda.

(Texto parcialmente escrito com elementos extraídos do "Dictionnaire de la Bande Dessinée", da autoria de Henri Filippini, em edição de Bordas, Paris - 1989)