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segunda-feira, julho 26, 2010

Conversas Soltas sobre Banda Desenhada (II) - Mangá, Televisão, Livrarias especializadas e generalistas








A mangá, tal como acontece em diferentes géneros da banda desenhada - a franco-belga, a dos super-heróis, a alternativa, a underground - inclui obras de elevada qualidade, outras de nível médio, e há-as também claramente medíocres.
As imagens que ilustram este "post" pertencem a uma mangá de qualidade singular, "O Homem Que Caminha", da autoria de
Jiro Taniguchi, eivada de grande sensibilidade, e onde se prova que nas mangás os olhos femininos não são necessariamente tipo bambi, e as personagens não têm sempre a boca escancarada, pormenores estéticos que tanta celeuma levantam em muitos bedéfilos ocidentais, em especial aqueles com longa habituação à BD franco-belga, mas também em alguns jovens demasiado fixados no estilo norte-americano, ou na restrita franja que só aprecia a BD alternativa.

Falo aqui de mangá por ter sido um dos pontos focados no "fórum" provocado pela postagem inicial desta rubrica "Conversas Soltas sobre Banda Desenhada".
Aliás, o que me fez escrever aquele texto algo amargo foi basicamente o facto de ter estado numa livraria onde não havia uma única peça de BD, contrariamente ao que nela acontecia com os donos anteriores. E seria por aí que deveria ter começado.

Mas como, antes de chegar a esse ponto fulcral, fui passando por outros aspectos naquela conversa - a gradual diminuição do espaço para BD na maior parte das livrarias, e alguma tendência para a empurrar para o sector dedicado às crianças, ou, vá, aos jovens -, foi nestes dois pontos que se centraram as participações dos visitantes que leram aquele meu artigo.

Um dos participantes mais activos no fórum espontâneo que ali se realizou foi o escritor e autor de BD Santos Costa.
Um dos pontos de vista que defendeu foi o de que para ajudar a ultrapassar a situação actual teria de haver um programa de televisão, que deveria ter um tal Geraldes Lino como dinamizador.
Ora eu sei, e o Santos Costa também, que as coisas não são assim lineares. Nenhum canal poria no horário nobre um programa dedicado a um sector restrito como é o nicho da BD, tal como as livrarias não a colocam nas prateleiras mais visíveis.
As leis da economia de mercado são conhecidas de todos, só o que se vende bem é que tem direito a horário nobre (isto na TV), ou lugar de destaque (isto nas livrarias).

Mas o entusiasmo de Santos Costa pelo programa de televisão como panaceia levou-me a contactar Hugo Jesus, autor de BD (argumentista), livreiro nortenho especializado em BD, editor do portal Central Comics e apresentador de BD num canal de TV do Porto, e pedir-lhe para falar do seu programa televisivo, que, afinal, pese embora à força irradiadora da TV, passou despercebida a muita gente que aprecia banda desenhada, quer autores, quer leitores/visionadores.
Todos ficámos agora a saber que o programa já acabou (lá está...). Porém - e era esse o meu interesse - ficou por esclarecer, por parte do Hugo Jesus, se o seu programa de TV sobre BD teve influência significativa nas vendas da sua própria livraria. Desafio-o agora a fazer tal tipo de análise nesta segunda dose de "Conversas Soltas".

Santos Costa propõe ainda que se ponha em prática uma espécie de "Círculo dos Leitores" centrado na BD. Ideia interessante mas que, para ser concretizada, implicaria a formação de uma organização minimamente estruturada e exigente, em termos de dedicação a tempo inteiro de algumas pessoas... Mas venham opiniões, adesões ou críticas à proposta.

Aproveito para dizer, a quem estranhou a minha não participação no debate, que eu, bloguista, deliberadamente não quis fazer qualquer intervenção para evitar a deslocação das participações dos visitantes em direcção às minhas opiniões.
Falo com conhecimento de causa, obtido em debates anteriores na caixa de comentários. Em vez de continuarem os abrangentes diálogos entre os vários intervenientes, alguns deles passaram a centrar-se unicamente sobre as minhas opiniões, o que se tornou redutor e centrípeto.

Após esta introdução, vou reproduzir excertos das opiniões expressas na caixa de comentários desta rubrica, no "post" datado de 18 Julho.
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BONGOP - "Infelizmente as livrarias generalistas são um dos grandes responsáveis pela exclusão da BD dos olhos do público (...)"

ÁLVARO - "(...) Uma livraria não é um espaço cultural. É um local onde se vendem livros (...) Um livreiro não é propriamente um agente cultural. É um gajo preocupado em meter à vista na sua tasca de ácaros os títulos que acha que ou que ouviu dizer que vendem (...)"

MANUEL FREDERICO - "(...) quem modificou a visão livreira do negócio foi a Fnac com os seus sofás, os outros vieram todos atrás.
E aqui no Norte, pelo que conheço nas livrarias generalistas, o espaço para a BD diminui, tanto a importada como a nacional, tanto nas Fnacs e Bertrands, têm um cantinho escondido e pouco mais."

JOSÉ ABRANTES - "Quanto às misturadas de BD para adultos em espaços infantis, já dei para esse peditório, precisamente quando estreou a Barata de Campo de Ourique: a BD estava no espaço infantil, fosse com material infanto-juvenil ou não.
Quanto à ausência de BD em certas livrarias, cada vez mais isso se deve ao facto de a BD não ser muito procurada ou lida! Deploro o facto, mas é verdade! (...)"

JOBA - "Às livrarias só lhes interessa vender. Se os livros ocupam espaço e não vendem, então vai de os tirar e colocar em seu lugar outros que dêem rentabilidade (...) A crescente falta de cultura e uma cada vez maior dificuldade monetária por parte dos portugueses são alguns dos factores negativos também (...)"

SANTOS COSTA - "Os leitores de BD estão a entrar no ciclo da extinção. Provavelmente, à beira do fim, haverá alguém que se lembre de levar um ou dois álbuns para o ensino, como leitura obrigatória.
Até lá, assistiremos a esta exclusão económico-livreira, e um total esquecimento dos meios de comunicação mais influentes nas mentalidades: a televisão (...)"

JOSÉ ABRANTES - "(...) Um bom livro de BD é mais caro que um DVD. Mais ainda, dantes a BD só tinha [*] romances, a TV e o Cinema.
Agora há mais os jogos de computador, a internet e os dvd. Pior, estes últimos são pirateáveis, logo são mais baratos (...)"
[*] Nota do bloguista: Julgo que faltaram, no texto do José Abrantes, entre "só tinha" e "romances", algumas palavras, talvez as seguintes: "como rivais".

JOÃO FIGUEIREDO - "(...) Já repararam que na década de 90 do século passado ainda era possível encontrar BD (americana, das importações do Brasil ou suas traduções nacionais) em qualquer quiosque, tabacaria ou papelaria, e que agora, dez ou vinte anos passados, nem pensar em encontrar disso? Esse, para mim, é um dos grandes problemas (...)"

LUÍS GRAÇA - "Já disseram quase tudo. Os leitores de BD já podiam ser objecto de estudo dos arqueólogos (...)
Parece impossível como o mundo actual e o Deus Cifrão mataram de forma tão eficiente essa fábrica de sonhos e de cultura que é a BD."

TERESA - "(...) bd que não vende morre; se calhar ainda há outro problema: o fosso entre o comércio de bd e o novo público dela... com os críticos e divulgadores que faltam"

ÁLVARO - "Que a BD desapareça das livrarias não me causa qualquer espanto. O que me espanta é que as livrarias ainda não tenham desaparecido na sua totalidade.
As moribundas que ainda mantêm as portas abertas têm à entrada uns expositores espaçosos com jornais e revistas, umas importadas (para dar estilo, duvido que dêem lucro), umas sobre carros, outras sobre jogos informáticos de mata e esfola, umas técnicas, umas com moças meio despidas, outras sobre combates de relvado e outros desportos, umas sobre telemóveis, portáteis e Gê pê esses, mais umas sobre o que as senhoras podem ou não vestir na próxima estação e bastantes, bastantes, bastantes publicações de pornografia social.
Na zona infantil, geralmente com o chão forrado com uma alcatifa fofa, têm uns monitores a passarem DVDs com cantigas tão agradáveis e melodiosas como as músicas de Natal, bastantes jogos didácticos, brinquedos vários e ainda alguns livros, estes últimos paulatinamente a ocupar o espaço que era dedicado à BD (...)"

SANTOS COSTA - "(...) No tempo em que havia censura, a banda desenhada era censurada, amputada, vilipendiada. O desenho de uma mulher, se trouxesse o umbigo à mostra, tapa! (...)
(...) O estigma da BD "para crianças" ainda prevalece; pior, quando sabemos que já nem as crianças são educadas para a sua leitura.
O José Abrantes, como editor, sabe que as coisas não estão fáceis. Há um ou outro jornal que alinha (eu fiz BD n'O Crime durante 5 anos), mas, como o José Abrantes sabe, pois lá colaborou, há mais carolice que resultados materiais."

ANÓNIMO - "Poderíamos dizer que existe banda desenhada nas livrarias generalistas?
Sinceramente prefiro que não haja, a ver os livros colocados a um canto e mal tratados (como acontece na Bertrand muitas vezes).
No entanto, o problema da bd em Portugal vai muito mais longe. Depois, da minha geração (nascidos em 70), houve um grande período sem bd para os jovens, tal como eu tive as revistas da Abril - super-heróis ou Disney.
(...) No entanto, da maneira como vejo os jovens a devorar Manga, pode ser que este triste fado não esteja para tudo."

TERESA - "se os putos devoram e adoram mangá é lá com eles, com a idade deles também não tolerava que me dissessem o que devia gostar... (nem agora). Mangá trouxe muitos novos leitores para as outras bds...
há muita gente jovem a desenhar e a querer fazer, há, como já disse antes, um fosso de mentalidades, e mesmo que a bd seja a mesma, a forma de a ver é que mudou...
Os pretensos críticos, a amadora bd e alguns fans mais antiquados de bd é que ainda não se aperceberam..."

HUGO JESUS - "(...) 2009 foi um ano muito complicado para as livrarias de BD portuguesas e 2010 está a ser igual ou pior.
A manga foi quem mais quebrou (...) A Naraneko, única livraria especializada em manga, yambém já confessou ter começado a cortar na manga. Por isso os espaços de Manga estão a diminuir e não a aumentar.
Ei já tive o prazer de apresentar uma rubrica de BD inserida num programa jovem chamado Zona Interdita (*) Estive alguns meses na sua apresentação até que o programa foi de férias no Verão e depois não teve uma nova temporada.
Poderão ver aqui alguns vídeos:
1º Programa
http://videos.sapo.pt/99D23dypfSKl45zLjYVL (nota do bloguista: não dá nada)
2º Programa
http://videos.sapo.pt/eOsgqtA5aNBQSkaPegty ("a página a que está a tentar aceder não existe")
Último programa (1/2)
http://www.youtube.com/watch?v=OCnCAYE0Gow (aparece o Hugo Jesus a falar de "Cosplay"
Último programa (2/2)

(*) Isto foi em 2009
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Este ano surgiu o programa Orelhas de Spock, de Filipe Homem Fonseca e Nuno Duarte noCanal Q.
É um programa sobre "cultura geek" onde falam muito sobre banda desenhada. Penso que o programa passa aos Domingos, mas como o canal é interactivo, podem ver a qualquer altura, basta carregar no botãpo vermelho do comando do Meo."

SANTOS COSTA - "(...) fórum de discussão sobre um assunto que nso incomoda a todos (...) Não sei se sairá daqui a panaceia para o "mal"; também não é de uma hora para a outra que possamos inverter, poucos de nós, a tendência decrescente da apetência dos leitores de banda desenhada.
(...) A crise está, pelo que me parece, no consumidor final, o que degenera o etrebuchar do comércio exclusivo e do desinteresse do comércio não exclusivo da BD.
Porém,se conseguíssemos organizar uma espécie de circuito "obrigatório" de consumo, à guisa de um "círculo de leitores" e a cooperação de editores que apostem forte neste segmento, talvez se resolvesse, em princípio, parte da situação (...)
(...) Esse "círculo" que atrás sugeri, podia - e devia - conglomerar todo o universo de autores e apreciadores de banda desenhada, consubstanciado à aquisição das obras editadas (não todas, como é evidente) e a um registo das pessoas que se interessam por esta arte, independentemente de serem fazedores ou leitores.
Pode parecer uma utopia, mas é uma ideia peregrina. Haja quem a estude,a proponha, e lhe dê viabilidade e sequência (...)"

HUGO JESUS - "Eu divulgo todas as minhas acções no meu portal http://www.centralcomics.com/
e quando posso envio notas de imprensa para os blogs e comunicação social que conheço. Se estes as usam para divulgar no seu espaço, já é com eles.
Com a minha vida agitada, infelizmente tenho de confessar que venho a este blogue poucas vezes por mês.
Este tópico em particular só o soube porque o Lino ligou-me :-)"
.
TERESA - "na minha opinião quem lê bd está farto de levar com histórias recicladas, as pessoas querem é boas histórias, querem ser surpreendidas, querem novidade (...)"

AS OPINIÕES COMPLETAS DESTES PARTICIPANTES PODEM SER LIDAS NA CAIXA DE COMENTÁRIOS (ATÉ AGORA, 26 JULHO, SÃO 21) DO "POST" DATADO DE 18 JULHO
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Para ver a postagem anterior e respectivos comentários, completos, basta clicar na etiqueta indicada em baixo no rodapé, onde diz "Conversas Soltas sobre Banda Desenhada"

domingo, julho 18, 2010

Conversas soltas sobre Banda Desenhada (I) - BD nas livrarias



Falando de Banda Desenhada e da sua visibilidade e acessibilidade pública em espaços comerciais, constata-se que tem a apoiá-la várias livrarias especializadas (*), as quais tanto têm à venda novidades editoriais portuguesas como expõem preciosidades de clássicos estrangeiros ou obras de autores modernos de nomeada, além de fornecerem aos respectivos addicts os comics e as mangás em voga.

Em contrapartida, o panorama que se verifica em relação à BD nas livrarias generalistas, tem vindo a ser, de há uns anos a esta parte, desanimador em várias delas (salvam-se, relativamente, a Bertrand do Chiado, a Bulhosa, de Entrecampos, e a Nouvelle Librairie Française). Andam a diminuir-lhe o espaço, gradual e inexoravelmente.

É um facto que tenho verificado in loco em vários estabelecimentos de Lisboa, onde nasci e vivo.
O primeiro, mais flagrante, foi a FNAC do Chiado; outro, que muito me impressionou negativamente, foi a Livraria Barata da Avenida de Roma: não só diminuiram a área de exposição dos álbuns, como para cúmulo colocaram-nos na cave com livros para as crianças (!) mesmo que lá constassem obras de carácter explicitamente erótico, de Manara e Serpieri. Subi ao primeiro piso e chamei a atenção da responsável para a anómala situação, que a justificou com o facto de terem de rendibilizar o espaço principal, o primeiro piso, onde antes estava a BD.

Este meu desabafo de hoje, que motivou a abertura da presente rubrica "Conversas Soltas", teve por origem a minha ida à livraria do Cinema King, nas traseiras da Avenida de Roma.
Os antigos livreiros Assírio e Alvim - que sempre lá dedicaram espaço à BD, incluindo os modestos fanzines - foram substituídos por novos donos, que remodelaram completamente a cave, colocando sofás e mesas para os clientes, mantendo o bar que já lá existia, o que permite estar a ver um livro e a beber um copo. Até aqui tudo bem.
O pior é que a banda desenhada foi completamente banida por estes senhores que até adoptaram um sugestivo título francês para o espaço, "Les Enfants Terribles" (pertence à Chiado Editora), mas que parece detestarem a BD: nem um único álbum de autor português ou estrangeiro lá se encontra, uma situação absolutamente inédita em qualquer livraria de Lisboa.
Manifestei a minha estranheza ao funcionário de serviço, um jovem brasileiro - que, coitado, não tem a mínima culpa -, mas foi a única pessoa com quem eu podia falar.
E fi-lo porque, tal como lhe disse, se ninguém se manifestar, os patrões da livraria não se aperceberão que há clientes interessados em BD e que há quem proteste pela ausência da 9ª Arte num espaço que se pretende cultural.

Espero que haja quem me siga o exemplo - vale a pena ir àquele cinema ver um excepcional filme uruguaio (!), "Whisky", ou um argentino, também de grande interesse, "O Segredo dos Seus Olhos" - e pergunte ostensivamente por banda desenhada. Há que atender ao velho rifão popular "quem cala consente".
 


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Ilustração no topo do blogue: duas vinhetas da obra Bórgia - O Poder e o Incesto, de Manara e Jodorowsky (Edições ASA)
 

Pergunta aos responsáveis da Livraria Barata: a banda desenhada é para colocar no espaço das crianças? 
(Aquando da minha visita, embora o livro não estivesse ao alcance dos mais pequenos, era o primeiro volume desta obra, que qualquer adolescente mais crescido podia ver e folhear, um dos que estavam na prateleira!).
Vejam bem o assunto, actuais senhores responsáveis, sucessores de um homem culto, o Sr Barata, que fez dessa casa uma livraria de referência em Lisboa.
 

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(*) Livrarias e/ou lojas especializadas
(texto de minha autoria publicado no balanço respeitante a 2007, no sítio da Bedeteca de Lisboa, rubrica Dossiê, item "Movimentos
")

Este ano lembrei-me de voltar a fazer, tal como em Movimentos 2004, o registo das livrarias e/ou lojas especializadas espalhadas pelo país.
De Norte para Sul, começa-se pelo Porto (Central Comics, Mundo Fantasma e alfarrabista Tintim por Tintim); passa-se por Aveiro e encontra-se a Secção 9, aberta este ano; vamos a Coimbra e temos a Dr Kartoon, agora com novos donos, dois dos quais, João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos são muito bons conhecedores do material que vendem, e há também a Dungeon Comics.
Mais para sul, em Leiria, encontramos a Shop Suey Comics.
Chegamos enfim a Lisboa, e depara-se-nos uma boa rede livreira:
BdMania, Kingpin of Comics, Mongorhead Comics, NLF - Nouvelle Librairie Française, no material novo; a pequena Livraria do Duque, com edições francesas e espanholas, recentes e antigas, e a Casa da BD na Feira da Ladra com muito material antigo bem como bd importada do Brasil.
Há também alfarrabistas que, pela sua capacidade em obter e vender publicações raras, merecem referência. Façamos-lhas:
Em Lisboa, o Freitas, o Vilela, Vilelivros, e o Oliveira (perdão), Castanheira, da Figueira, perdão, da Silveira, dono da Loja das Colecções (entretanto falecido).
No Porto, julgo que continua a fumegar o castiço Chaminé da Mota, um dos melhores alfarrabistas de BD em Portugal, que conheci na Feira de Vandôma, quando esta ainda rodeava lá no alto a Catedral.
Voltando às livrarias de material importado, desçamos para Sul, até
Setúbal, onde vamos encontrar a Nono Império, e em Faro a Ghoul Gear.
Para finalizar o capítulo livrarias, voemos até à região autónoma da Madeira, concretamente à cidade do Funchal, lá encontramos a livraria Sétima Dimensão
que, para além de vender bd, costuma organizar o evento 12 horas de BD. 

Geraldes Lino 

"A posteriori"
 

Repito, para quem não reparou, que o levantamento acima descrito se refere ao ano de 2007.
Entretanto ocorreu-me actualizar, com data de hoje, 19 de Julho 2010, a listagem.
 


1) Asa Negra Comics - C.C. Sommer, Almada (desde 28 Abril 2008)
2) Invicta Indie Arts - R. das Oliveiras, nº 67 - Porto (desde 22 Maio 2010)
3) Kingpin of Comics - Lisboa:
mudou o nome, em Novembro 2008, para
Kingpin Books.
4) Nono Império - Setúbal (presumo que fechou, porque o respectivo blogue está desactivado. Alguém saberá dizer-me o que se passa e, se possível, o contacto dos donos?)
5) Central Comics - Porto: a loja física vai fechar no fim deste mês de Julho, exactamente no dia 31. Aviso feito pelo próprio dono, Hugo Jesus)
6) Secção 9 - Aveiro: vai fechar no próximo dia 30Jul. (informou-me hoje, dia 21, o Hugo Jesus, por telefonema que lhe fiz há pouco). Por conseguinte, a livaria aveirense durou cerca de três anos, e não resistiu a esta destruidora crise que atravessamos.


Os aditamentos acima têm a ver com livrarias especializadas. Nas generalistas há pelo menos uma que, por lapso,nunca me ocorreu mencionar, e que é a:

1) Tema - Lisboa (Av. da Liberdade, 9 - loja 1, e C.C.Colombo) - A loja da Av. da Liberdade tem espaço para BD desde 1994. Também aqui tenho notado que as revistas de banda desenhada estrangeiras (francesas, espanholas e americanas) ocupam agora menos prateleiras do que há uns três ou quatro anos.
É fácil de deduzir que tal se deve, como em todos os casos antes focados, ao facto concreto de haver menos clientes; é óbvio que se vendessem bastante BD, não diminuiriam o espaço.
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É a primeira vez que me ocorre fazer isto, mas, como é costume dizer-se, "há sempre uma primeira vez para tudo".
Ora o que me ocorre é chamar a atenção aos visitantes deste blogue, aqui no espaço do "post" propriamente dito, para a vibrante e útil discussão, autêntico fórum,
que está a decorrer na "caixa de comentários".
Convido os numerosos visitantes a repararem nessa componente, e até a participarem no debate.
Nada disto resolve o [velho] problema que ressuscitei da crise na BD, visível na actuação das livrarias generalistas e também nas especializadas, agudizada pela profunda crise que afecta todas as actividades; não resolve, mas, pelo menos, ajuda a esclarecer pontos de vista.
(GL - 21 Julho)