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segunda-feira, janeiro 26, 2015

Entrevistas Antigas a Autores de BD (IV) - António Ruivo



Continuando a reproduzir entrevistas que fiz em meados da década de oitenta, no jornal Diário Popular, mais propriamente num suplemento intitulado "Tablóide", cabe hoje a vez a um novo que me mostrara umas bandas desenhadas de sua autoria, e que me surpreenderam. António Ruivo, o seu nome, tanto quanto sei desapareceu da área da BD e, sinceramente, perdi-lhe o rasto.

Pode ser que alguém veja a reprodução desta entrevista, acompanhada da prancha inicial da sua bd "O Beco" (que aqui será mostrada na totalidade em "post" futuro), e ele me contacte. Gostaria de saber o que tem feito, se voltou a fazer alguma coisa de BD.

A entrevista que se segue foi publicada na edição de 9 de Novembro de 1985, do desaparecido vespertino Diário Popular, jornal de grande prestígio, de âmbito nacional, que se editava em Lisboa. 
E um dos aspectos que julgo com interesse é apercebermo-nos do que se pensava nessa década acerca da BD.
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Ser profissional de BD
é talvez um sonho
mas quero tentar

- diz, bem acordado, António Ruivo


Entre os jovens que gostam de fazer banda desenhada, poucos são aqueles que, actualmente, se interessam por temas de mistério e terror, ou de "western".
Não é esse o caso de António Ruivo. Ele sente uma especial atracção - artística, evidentemente - por esses ambientes, além de que possui notável - porventura perigosa - facilidade em assimilar o grafismo de alguns grandes mestres de ambos os géneros.

"O Beco", a banda desenhada que se inicia neste número de TABLÓIDE, é bem demonstrativa do talento polivalente deste jovem: ele é, simultaneamente, imaginoso argumentista e brilhante realizador gráfico. Neste último aspecto, para além de uma invulgar capacidade técnica, salienta-se o cuidado na recriação dos ambientes e a planificação de ritmo cinematográfico.

Nascido em Lisboa, a dezasseis de Novembro de 1964, José António Emídio Martins Ruivo completou o 12º Ano e está, neste momento, a cumprir o serviço militar obrigatório. A sua produtividade afrouxou por esse motivo, mas não a sua intensa atracção pela banda desenhada.

"Ler BD é o meu passatempo favorito, sem qualquer dúvida" - diz António Ruivo. "Por outro lado, quando a estou a fazer, dá uma trabalheira dos diabos. Mas dá o dobro do gozo..."

Eis o que seria ideal: cada um de nós trabalhar naquilo que verdadeiramente nos desse prazer... Mas, claro, há outras coisas a considerar: ganhar para a bucha, pagar a renda da sua própria casa, num futuro breve, enfim, organizar a sua vida. A banda desenhada dar-lhe-á essa possibilidade?

"Sobre o ponto de vista profissional não me estou a ver a fazer mais nada. Talvez seja uma ilusão, um sonho, mas estou disposto a tentar essa via... Depois logo se vê."

É natural que um jovem seja assim, entusiasta, sonhador...
Mas os pais desse jovem, como encararão eles este entusiasmo por uma coisa que, se calhar, menosprezam?

"A minha mãe diz: «Mas isso dá alguma coisa?» O meu pai reforça: «Só estás p'raí a cansar a vista!...»"

E o público apressado que passa pelas bancas dos ardinas, que vagamente olha para as capas coloridas daquelas revistas com nomes curiosos - «Mosquito» (1), «Mundo de Aventuras», «Jornal da BD», «Falcão» - o que pensará ele deste entusiasmo renascido à volta das velhas histórias aos quadradinhos? Começará esse público - jovem ou adulto, o gosto pela BD não sofre a barreira das idades... -, começará ele a sentir mais interesse pela banda desenhada?

"Acho que quem terá uma palavra a dizer sobre isso serão os editores e livreiros, pois certamente possuem números sobre vendas que reflectirão o menor ou maior interesse da parte do público relativamente à BD. 
No entanto, o número de editoras e publicações que passaram a incluir BD nos seus catálogos e páginas aumentou, assim como apareceram novas editoras e algumas novas revistas. Penso, por isso, que o interesse do público aumentou. Quanto mais não seja por todas estas editoras e publicações o estarem a despertar."

Portanto, na opinião de António Ruivo, o ambiente em Portugal, actualmente, é favorável à BD. Será isto?

"Estamos longe do ambiente ideal, claro! Mas tudo isto é relativo, sabe? temos de ver a situação económica actual do público, e como ela está, penso que apesar de tudo não será o pior possível. Continua-se a publicar bastante BD.
Mesmo assim, embora os autores portugueses comecem a aparecer mais, a grande percentagem é de BD estrangeira."

É um facto. Todavia, à frente de duas das principais revistas portuguesas, está um senhor da BD, Jorge Magalhães, que puxa pelos novos sempre que pode.

"É isso mesmo. Tanto assim que foi no «Mundo de Aventuras» (nº 558, de 1 de Setembro último) que apareceu um western intitulado "Shannon" que fiz em sete pranchas. É a minha única banda desenhada publicada até agora."

Shannon, uma personagem do Oeste americano, um herói criado por Ruivo. É para continuar?

"Tinha realmente a intenção de continuar, com o «Shannon», embora em moldes diferentes, tanto a nível gráfico como na psicologia das personagens. Para além disso, e apesar de ter alguns outros argumentos para mais histórias, nenhum deles é destinado a personagem fixa."

Piremo-nos do Oeste. Faz um calor dos demónios, zunem-nos as balas aos ouvidos. Voltemos p'ràs bandas lusitanas e falemos dos nossos desenhadores. Nomes a destacar?

"Victor Mesquita, E.T.Coelho, Augusto Trigo, Fernando Relvas."

Estrangeiros?

"Berni Wrightson, um desenhador incrível; também Frazetta, Hermann, Giraud, Harold Foster... enfim, tantos génios!"

Desses, há três que guiam, insensivelmente talvez, a mão de António Ruivo quando desenha. Mas, claro: não há ninguém que comece que não sofra influências...

"Bem, quanto às influências nas personagens que crio, tento que elas sejam o menos possível. Se a nível gráfico não consigo, por enquanto, evitar certas referências, pretendo que os intervenientes nas minhas histórias sejam diferentes de quaisquer outras.
É claro que em meia dúzia de páginas isto é difícil provar."

Os temas favoritos são evidentes quando se vêem as bandas desenhadas deste jovem que tenho à minha frente.
Deu-me agora para o observar melhor: tem um tipo pouco vulgar, este António Ruivo. Talvez isso se deva aos óculos redondos, à John Lennon, e ao cabelo sempre curto... É curioso: não o imaginaria, se o visse na rua, se não o conhecesse, a fazer bandas desenhadas de «cow-boys», monstros mutantes, coisas assim...

"Os meus temas favoritos são realmente o «western» e a ficção fantástica. Quer dizer: algo que engloba a ficção científica, o horror, o fantástico... Sei lá! Tudo o que a imaginação conseguir conceber."

E temas portugueses? Dá para experimentar um dia?

"Já tive a ideia de escrever e desenhar algo no contexto histórico da época dos Descobrimentos; no entanto, por questão de tempo que implicaria uma investigação, e a necessidade de documentação rigorosa, achei por bem dedicar-me a outras coisas. Mas no futuro, e talvez sobre outro aspecto, com um bom argumento... é muito possível."

E outra hipótese, talvez menos difícil: um herói português em ambientes estranhos?

"É uma ideia. Ideia que, aliás, já me tinha ocorrido. Falta pensar melhor sobre isso, e talvez crie qualquer coisa. Ideias tenho eu muitas, por enquanto falta-me é tempo. Não fosse isso e eu já tinha feito umas coisas meio esquisitas, pode crer!"

Heróis de papel, tantos os nomes que toda a gente conhece: Flash Gordon, Tarzan, Príncipe Valente, Rip Kirby, Steve Canyon, Cuto, Mandrake, Corto Maltese...
Excepcionais para o António Ruivo, quais são?

"Olhe: Bernard Prince e Comanche são duas séries cujo conjunto de personagens, clima psicológico e aventuresco considero excepcionais. Como os seus autores, aliás. 
Ah! E Thorgal. Tal como as outras, foi uma série que me cativou desde a primeira leitura."

Para terminar, vamos lá a uma curiosidadezinha doméstica: que pensa do "Tablóide"?

"Penso que é uma oportunidade para os jovens valores da BD portuguesa verem os seus trabalhos publicados. É uma iniciativa a elogiar e apoiar sobre todos os ângulos. Pela minha parte, só uma palavra: obrigado."

Ora, António Ruivo, você e todos os jovens - e até alguns, já bem menos jovens... - que em solidões prolongadas, enchem pranchas e pranchas de desenhos, num gosto e numa luta tão pouco valorizada, bem merecem, no mínimo, este TABLÓIDE.      

(1) Nesta altura estava em publicação a 5ª Série, editada pela Editorial Futura

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Os interessados em ler as entrevistas anteriores (a Jorge Colombo, Luís Louro, António Simões) poderão fazê-lo clicando no item Entrevistas antigas a autores de BD visível no rodapé

sexta-feira, outubro 03, 2014

Relvas, autor de BD, e o "crowdfunding"


Como acontece à maior parte dos autores portugueses de BD, Relvas, Fernando Relvas, tem dificuldade em ser editado pelas editoras nacionais e, cumulativamente, a sua capacidade económica é insuficiente para ser ele próprio a auto-editar-se.

Mas existe o sistema chamado crowdfunding - que noutros países tem sido bastante utilizado, consta que com bons resultados - a que Fernando Relvas também recorreu agora para conseguir editar uma nova obra. 

Apesar dessas experiências positivas no estrangeiro, o nosso compatriota está algo desapontado com a escassa adesão dos aficionados portugueses ao sistema. 

Daí que, para divulgar a situação, este bloguista lhe tenha apresentado algumas questões.

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Entrevista com

FERNANDO RELVAS


Geraldes Lino - Depois de teres publicado, entre 2007 e 2011, com base no sistema usado pela editora Lulu, as bandas desenhadas "Palmyra", "The Chinese Master Spy", e "Li Moonface", decidiste largar esse sistema de "print on demand". Porquê? Não funcionou bem?

Fernando Relvas - Não larguei o sistema de print-on-demand por muito tempo. Em 2013 saiu uma nova versão de Palmyra pela CCB Publishing que está disponível online em vários sítios. 
Mas é certo que até agora não tem funcionado muito bem. 

G.L. - Estás agora a elaborar outra obra de BD, a "Nau Negra. One Boatman, Two Ships", também a cores. Podes dizer-me quantas pranchas já tens feitas, e também descrever, em síntese, o tema?

Fernando Relvas - O título em português é só "Nau Negra", e a versão inglesa está prevista para ser publicada em print-on-demand.
A história tem cerca de 100 páginas, com 50% já feito (cerca de 70 páginas com interrupções. 
A trama passa-se junto ao porto de Nagasaki no início do século XVII. Há material da história que pode ser visto nos blogues "Urso do Relvas"
http://urso-relvas.blogspot.com

mas posso adiantar que tem de tudo, portugueses, japoneses, ingleses, italianos, a bordo de um navio que anda às voltas no mesmo sítio.

G.L. - Desta vez decidiste recorrer à plataforma crowdfunding, ainda pouco divulgada em Portugal, penso eu, para a edição da "Nau Negra".
Podes dar uma ideia sucinta da forma como é que funciona esse sistema?

Fernando Relvas - E obviamente há a apresentação, muito completa, na página da campanha de fundos

no Indiegogo, que é uma plataforma onde se podem iniciar campanhas de angariação de fundos. Não é assim tão recente quanto isso, só que nos primeiros anos só funcionava para os Estados Unidos, onde neste momento já é um sistema comum. 
O próximo filme de Martin Scorsese foi financiado através de crowdfunding
Em Portugal, onde o "pedir esmola" faz parte da estrutura social, o conceito custa a entrar e causa, no mínimo, confusão às pessoas.
A campanha destina-se a financiar o acabamento da história em português e a edição em inglês. A publicação da edição em poruguês ainda está em aberto.

G.L. - A campanha de crowdfunding começou em 2 de Setembro e terminará a 1 de Novembro de 2014. 
Sendo tu um autor de BD de elevado prestígio, como está a decorrer a participação do público interessado em banda desenhada?
 


Fernando Relvas - Não parece haver ninguém da BD no horizonte, nem discutindo, nem contribuindo, nem sequer rabujando.
Alguns passaram pela página da campanha e nem bom dia disseram, ou aconselharam a outros mas não participaram. Será timidez? Tirando raros e corajosos membros da tripulação que avançaram logo no início.

Entretanto, quando estava a acabar as respostas à tua entrevista, recebi uma boa notícia: o Centro Cultural de Portugal em Tóquio aceitou divulgar a campanha na página do facebook.
Se fores ao meu blogue "Urso do Relvas" tens lá uma nova animação sobre a campanha.


G.L.- Faço votos para que esse teu pequeno filme (fui agora mesmo vê-lo, está bem feito e com muita piada!) anime o crowdfunding...


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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: Palmyra (2007), The Chinese Master Spy (2008), Li Moonface (2011), Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy? (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura.

Em 2013 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de BD/2012 pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Esteve parte do corrente ano de 2014 a preparar, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", quase terminada em fins de Setembro.

quarta-feira, maio 21, 2014

Entrevistas antigas a autores de BD (III) - António Simões


António Simões - ou Tozé Simões, como também assinava - e Luís Louro são amigos de longa data, tiveram um período de grande actividade na BD iniciada em meados da década de 1980. Simões, dotado para a criação de argumentos, Louro, sequioso de desenhar e fazer BD, juntaram os respectivos talentos e fizeram nascer Jim del Monaco, personagem que enriqueceu a galeria de heróis de papel da banda desenhada portuguesa.

Por coincidência, Louro e Simões tinham acabado de criar o primeiro episódio para aquele herói, quando se iniciava a publicação do suplemento "Tablóide", criado e coordenado pelo autor destas linhas no jornal Diário Popular. Daí que a estreia de Jim del Monaco tenha tido lugar naquele suplemento.

Seguindo o critério anterior, para além da publicação da bd, constava também uma entrevista com o autor da bd, sendo que neste caso eram dois. O primeiro  ser entrevistado foi Luís Louro (entrevista já reproduzida anteriormente neste blogue), seguiu-se Tó Zé Simões, após a reprodução da banda desenhada.

Aqui no blogue o esquema está a ser diferente: após a entrevista com Luís Louro, reproduz-se já a entrevista com Tó Zé Simões, e só mais tarde, quando surgir a oportunidade, publicar-se-á a bd, o episódio inicial da série que se apresentava simplesmente sob o nome do herói.
 

(Reescrevo seguidamente  a entrevista a fim de facilitar a leitura.
Relembro que tudo aquilo que nela é dito terá de ser lido considerando que a edição do jornal data de 2 de Novembro de 1985).
 
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                    Ficção, humor e aventura
                      são as minhas paixões

- Confidencia Tó Zé Simões, argumentista de BD

São bem raros os jovens que, gostando de escrever, se dediquem a fazer argumentos para Banda Desenhada. Tó Zé Simões é um deles. Ele tem aparecido desde sempre como argumentista de Luís Louro. Como terá começado essa colaboração?

- Partiu de um convite do próprio Luís Louro. Foi assim.

- Julgo que vocês eram amigos e que ele conhecia a sua tendência para escrever.

- Sim, sim.

- O que é que você tinha escrito, antes de fazer o seu primeiro argumento para BD?

- Contos, poesias e divagações várias, sem objectivo definido.

- Dessas suas primeiras experiências literárias, foi alguma coisa publicada? 

- Não, por recusa minha. Eram - continuam a ser - coisas muito pessoais. O único poema que publiquei foi para ilustrar uma entrevista que me fizeram. Mas de resto recuso e continuarei a recusar.

- Qual o título do seu primeiro argumento para BD?

- "O Império". Tratava-se da invasão da Bretanha pelos romanos.

- Você tem trabalhado argumentos de tipo histórico e de ficção científica. São os seus preferidos?

- Digamos que tenho feito um pouco de tudo, mas o que mais me continua a apaixonar é a ficção, o humor e a aventura.

- Entre os argumentos que fez até hoje, qual considera de maior qualidade?

- Os da série "Estupiditia", pelos finais que, no meu entender, estavam bem conseguidos. E talvez um que ainda não foi passado a BD, com o título "Por Um Lugar ao Sol", que acho tocante pelo conteúdo da sua temática.

- Você, de parceria com Luís Louro, já criou alguns heróis. Fale-me deles.

- Os "Glopters", género infantil que já abandonámos; "Nelsinho", estilo caricatural, em prancha única, que também já abandonámos; "Connie and Blyde", estilo policial, que também já sofreu a mesma sorte.
Actualmente mantemos apenas "Styron", ficção científica, que está adormecido por assim dizer, e "Jim del Monaco", que se iniciou neste seu espaço. 
É a nossa mais recente criação, dentro do género de aventura humorística, e que traduz uma completa viragem em relação a tudo o que tínhamos feito até aqui. 
É um novo estilo, que esperamos desenvolver e manter no futuro, sem que isso signifique uma ruptura com o nosso género habitual.

- Pensa, no futuro, vir a criar bedês sobre temas portugueses ou, no mínimo, inventar um herói português, mesmo que inserido em ambientes estranhos?

- Se entendermos por temas portugueses, História de Portugal, não. 
Penso que há gente mais qualificada para o fazer. Se entendermos como temas actuais, sim.
Devo dizer que até tenho já escrito um argumento, o tal "Por Um Lugar ao Sol", que se refere a uma realidade bem presente na sociedade portuguesa, e outros que pretendo realizar a breve trecho.
Quanto a personagens de origem portuguesa, de momento não possuo nada de concreto, mas tenho uma vaga ideia para o fazer.

- Há algum herói da BD, portuguesa ou estrangeira, que tenha despertado interesse especial da sua parte?

- Um. "RanXerox", de Liberatore, um "Silêncio", de Comès, um "Roco Vargas", de Daniel Torres, um "Corto Maltese", de Hugo Pratt, são assim alguns dos que eu acho que têm maior personalidade própria.

- Nunca lhe passou pela ideia criar personagens principais femininas?

- Sim, é até uma ambição, mas confesso que ainda não estou suficientemente preparado para o fazer. 
As mulheres são muito complicadas, e preciso estudar melhor a sua psicologia.

- Tenciona manter a sua colaboração em exclusivo com o Luís Louro, ou está aberto à hipótese de criar argumentos para outros grafistas?

- Tenciono manter a exclusividade com o Luís Louro. Depois de seis anos de trabalho consecutivo em comum, teria agora alguma dificuldade em adaptar-me a outro desenhador. E depois não vejo necessidade disso.
O trabalho de Luís Louro realiza muito o meu. Se fizer alguma experiência com outro desenhador, num futuro próximo, será apenas por curiosidade.


É assim, de ideias bem definidas, o António José Simões Pinheiro, ou melhor, Tó Zé Simões, ou ainda, eventualmente, "Piñero".
Nascido em Lisboa, há vinte anos (completados a quinze do passado mês de Agosto), este jovem está agora na expectativa de entrar para a faculdade. 
Enquanto isso não se concretiza, vai continuando a arquitectar argumentos. Ele é uma das mais seguras promessas da banda desenhada portuguesa nesta área. 
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Os interessados em ler as entrevistas anteriores (de Jorge Colombo e de Luís Louro), poderão fazê-lo clicando no item Entrevistas antigas a autores de BD visível no rodapé

segunda-feira, abril 28, 2014

Entrevistas Antigas a Autores de BD (II) - Luís Louro




Luís Louro foi o segundo autor de BD - após Jorge Colombo - que entrevistei para o suplemento jornalístico Tablóide incluído no [extinto] vespertino Diário Popular, de grande tiragem, que se editava em Lisboa.

Como descrevi nessa primeira das entrevistas antigas a autores de BD, o dito suplemento era publicado ao Sábado, e compunha-se de duas páginas.
Na da frente era impressa a entrevista, e no reverso iniciava-se a banda desenhada, que continuava no Sábado seguinte. A reprodução da bd aqui no blogue ficará para uma próxima postagem.

(Reescrevo seguidamente  a entrevista a fim de facilitar a leitura.
Relembro que tudo aquilo que nela é dito terá de ser lido considerando que a edição do jornal data de 12 de Outubro de 1985).

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                    A BD é uma forma 
                      de me realizar

- diz Luís Louro, desenhador

Luís Louro é o desenhador que aparece hoje no Tablóide.
Apesar de ser muito jovem, as suas qualidades já foram reconhecidas publicamente: os sócios do Clube Português de Banda Desenhada votaram maioritariamente nele em 1985, para que lhe fosse atribuído um dos troféus «O Mosquito», aquele que é dedicado à Revelação da BD do ano anterior. 

Luís Alexandre Santos Louro é natural de Lisboa, onde nasceu a 14 de Junho de 1965. Já finalizou o 12º ano e, por agora, vai aguardando a chamada para o serviço militar «com bastante sofreguidão e entusiasmo, hugh!».

- Entretanto vai continuando a fazer BD, coisa que faz parte das suas necessidades vitais, desde que se conhece. Não é verdade isto, Luís Louro?

- Sim, posso dizer que desenho quase desde a barriga da minha mãe. Suponho que a deixei cheia de rabiscos...
Mas, mesmo a sério, foi há cerca de seis anos.

- O que é que a BD representa para si?

- Uma forma de expressão, de divertimento, também uma forma de me realizar. Não vou dizer que gostaria de fazer profissão da BD: além de ser habitual as pessoas dizerem isso, é utópico.

- Não sente que o ambiente à volta da BD, hoje, começa finalmente a ser favorável ao seu desenvolvimento?

- Não, pelo contrário, parece um ninho de víboras. Apesar de não parecer, nos bastidores existem muitas rivalidades, interesses, invejas.

- Mas em relação ao público - que está alheio a essas tricas -, não acha que há agora mais interesse pela BD em geral, e pela portuguesa em particular?

- Pela BD em geral, acho que sim, acho que há mais interesse, uma vez que a BD está a ser cada vez mais utilizada, até a nível didáctico.
Quanto à BD portuguesa, acho que não está suficientemente desenvolvida, por culpa dos editores, uma vez que as revistas portuguesas não são divulgadas no estrangeiro.

- Isso não será também devido ao facto de não ser fácil colocar as nossas revistas no estrangeiro? Você sabe que em Espanha, França, Bélgica ou Itália há imensas revistas e muito superiores às nossas...

- Lá há melhores, mas também há piores. Acho que seria uma maneira de fomentar a nossa BD e abrir os olhos aos editores estrangeiros, fazê-los ver que por cá também se fazem umas coisas.

- Mas também está um pouco nas vossas mãos tentarem ir pessoalmente apresentar as vossas experiências aos editores estrangeiros. Já tem havido antecedentes...

Eu concordo com isso plenamente, mas há um certo complexo nosso, criado pelos editores portugueses, que de certa forma se estão a baldar para as nossas experiências.
Portanto, se os próprios portugueses não ligam, imagine-se os estrangeiros, que já lá têm os seus próprios autores.

- Apesar desse seu cepticismo, você continua, com persistência, a desenhar. A que se deve esse facto?

- Essa é a grande prova de que eu desenho por gosto, não por necessidade ou materialismo - isto é, não desenho para vender.
Considero a BD como arte, e é nessa perspectiva que continuo a fazê-la.

- Como encara o facto de lhe ter sido aribuído, por votação entre os sócios do CPBD, «O Mosquito», considerando-o «Revelação da BD Portuguesa» em 1984?

- Espero que não me chamem convencido, o ponto de vista não é esse, mas considero que não foi nada que eu não merecesse. 
Não pretendo afirmar que sou bom ou qualquer coisa do género, mas, pelo menos, eu e o meu argumentista trabalhámos para isso. Acho que somos dos que mais trabalhámos em 1984 para nos aperfeiçoarmos.

- Quantas bandas desenhadas já fizeram vocês?

- Fizemos nove completas, sete delas incluídas numa série intitulada "Estupiditia", e ainda outras duas, mais extensas, para uma personagem.

- Quantas foram publicadas?

- Três no "Mundo de Aventuras", a mais recente das quais, no número 556 referente à 1ª quinzena de Agosto, era apresentada por uma capa feita por mim. Apareceu uma outra no fanzine "Protótipo". E estão previstas mais nessas mesmas publicações.

- Há algum desenhador português por quem tenha admiração especial?

- Não quero destacar nenhum, para não ser injusto e não ficar ninguém no esquecimento.

- Há algum tema que o atraia para vir a transformar em BD?

- De momento, o tema surge-nos e nós trabalhamos nele, seja qual for.

- Qual o desenhador estrangeiro que acha justo destacar?

- Enki Bilal e, uns graus mais abaixo, Liberatore. Gosto da "linha clara", principalmente de Daniel Torres.  

Entrevista e foto por
Geraldes Lino 
 
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Luís Louro

Síntese biobibliográfica 

Luís Alexandre Santos Louro, 14 de Junho de 1965, Lisboa.
Curso  de Técnico de Meios Audiovisuais da Escola de Artes Decorativas António Arroio (Lisboa).
Foi galardoado com os troféus: Mosquito (do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD) em 1985, como Revelação da BD Portuguesa de 1984; Zé Pacóvio e Grilinho, para Melhor Álbum Português de 1995, e o mesmo troféu, atribuído pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, dedicado ao Prémio Juventude 1995.

Jim del Monaco foi o primeiro herói desenhado por Luís Louro, sob argumento de António Simões (ou Tozé Simões), que protagonizou várias aventuras editadas em álbum com os seguintes títulos: Jim del Monaco (1986), Menatek Hara (1987), O Dragão Vermelho (1988), Em Busca das Minas de Salomão (1989), A Criatura da Lagoa Negra (1991), A Grande Ópera Sideral (1992), O Elixir do Amor (1992), Baja África (1994).
Roques e Folques foi outra série criada pela mesma dupla Louro e Simões, e que teve os seguintes álbuns: O Império das Almas (1989), e A Herança dos Templários, em dois tomos (I-1990 e II-1992, respectivamente).
Vieram a seguir as Estórias de Lisboa, em que se incluiram os episódios O Corvo (1994), Alice (1995) e Coração de Papel (1997), criados a solo por Luís Louro, autor dos argumentos e desenhos, assim como Cogito Ego Sum (2000).
Nesse mesmo ano de 2000, agora de novo com um argumentista, Rui Zink, surge O Halo Casto. Em 2002, a transformar em imagens sequenciais um argumento escrito por João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos, foi a vez de Eden 2.0.
De novo a solo, em 2003, retomou uma das suas personagens favoritas, em O Regresso do Corvo.
Tem colaborações dispersas em vários tipos de publicações, designadamente em revistas de BD - Mundo de Aventuras (1985), O Mosquito-5ª série (1985/86), Selecções BD (1989/90, 1999 e 2001), Lx Comics (1991) em revistas de temas diferentes (Valor, 91 a 94; Visão, 95 a 2000; Ego, 1998), e em fanzines: Protótipo (1985), Hyena (1986), um zine espanhol intitulado Un fanzine llamado Camello (1986), Max (1986), Banda (1989/90), e Shock (1989/91). 
Colaborou também num jornal, o Diário Popular, no suplemento semanal Tablóide, em Outubro de 1985.
Participou, com outros autores portugueses de BD, na exposição colectiva "Perdidos no Oceano", organizada pelo Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême, em 1998. 

G.L.
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Os interessados em ler a entrevista anterior a Jorge Colombo poderão fazê-lo clicando no item Entrevistas antigas a autores de BD visível no rodapé

domingo, março 23, 2014

Pedro Massano e "A Batalha" - Entrevista




Pedro Massano é, entre os autores da BD portuguesa actual, um dos de maior prestígio, com uma obra em dois tomos publicada em França - ainda não traduzida em Portugal -, e numerosas obras editadas entre nós. 

A Conquista de Lisboa, em dois volumes, tinha sido a sua mais recente obra editada em Portugal, mas está prestes a acontecer o aumento da sua bibliografia com a próxima edição do livro intitulado "A Batalha - 14 de Agosto de 1385".

Trata-se de obra encomendada por uma Fundação, de cuja feitura tive conhecimento desde o início, e de que vi algumas pranchas esporadicamente, primeiro desenhadas a lápis, mais tarde algumas já terminadas.
Nunca fiz qualquer divulgação, respeitando o pedido de sigilo que me fez Pedro Massano. Porém, tendo tido conhecimento de estar próximo o seu lançamento, caducando portanto a justificação do sigilo, decidi entrevistar o autor, e graças às suas respostas, desvendar pormenores relacionados com esta muito importante e inesperada edição.

Segue-se a entrevista.

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GL - Pedro Massano: Tenho acompanhado o teu imenso trabalho de realização da obra em BD "A Batalha - 14 de Agosto de 1385", que está terminada e prestes a ser lançada pela editora Gradiva.
Sei que se trata de encomenda de uma importante instituição. Podes contar-me em pormenor como, quando e por quem te foi apresentado este projecto?

Pedro Massano - Fui  contactado por um responsável da Fundação Batalha de Aljubarrota, e o projecto deveria fazer parte do conjunto de documentos que o CIBA – Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota tem vindo a editar para esse fim.

GL - O argumento e respectivo guião de "A Batalha" são de tua autoria. Como sei quão elevado é o teu nível de exigência e de rigor histórico, calculo que tiveste de te basear em textos escritos por autores dignos de crédito. Quais?

PM -   Em primeiro lugar, obviamente, Fernão Lopes: uma dor de cabeça para restabelecer a cronologia, porque ele anda para trás e para diante, ao “sabor da pluma”, sem nenhuma consideração por nós – pobres leitores da era dos filmes e do híper texto – baralha tudo, volta a dar, e o leitor que se desenrasque. Para além disso, mascara alguns pormenores sem os quais o desfecho quase não se percebe. Esta foi a parte que mais trabalho me deu na preparação, mas o F. Lopes é sempre de uma riqueza e de um colorido fantásticos.
Depois, Froissart, que tem dois relatos; um primeiro, quase inócuo, escrito pouco depois do acontecimento, a partir de relatos de sobreviventes franceses.  E um segundo, resultante de uma entrevista ao filho do Diogo Lopes Pacheco na Flandres – aonde se deslocou para o encontrar – que, esse sim, complementa e traz nova luz à leitura de Fernão Lopes.
Por último, e de enorme interesse, a carta de D. Juan (rei de Castela) aos murcianos, que é um quase pedido de desculpas pela derrota sofrida, e os escritos de Pêro Lopes Ayalla (cronista de D. Juan) que visam desculpar o rei perante a posteridade.
Fiz questão de ler os textos nas transcrições dos originais, porquanto nas adaptações e nas traduções perde-se sempre muita coisa.

GL - Trata-se de uma obra de grande envergadura. Quantas pranchas fizeste?

PM - O número de pranchas desenhadas é de 86.

GL - Lembro-me de ter visto no teu estúdio umas pranchas duplas. Sempre foi possível incluí-las no livro?

PM - Todas as pranchas são duplas.
Gosto do efeito de alguns desenhos passarem de uma página para a outra, mesmo que isso possa dar algum trabalho às gráficas e, houve alguém que me disse, um dia, com muita graça, que eu não era capaz de respeitar os quadrados e de deixar os desenhos sossegados lá dentro.
As únicas pranchas singulares são a 1 e a 86. 

GL - A obra é completamente tua, incluindo a legendagem e a colorização. Quanto tempo investiste na sua execução?

PM -  Demorei cerca de dois meses com o texto, e mais um ano e pouco a desenhar tudo a lápis, para o conjunto poder ser aprovado pelo historiador que, à altura, tinha essa responsabilidade por parte da Fundação, o prof. Mário Barroca.
Para a execução final não me comprometi expressamente com prazos – e isto tenho de agradecer à Fundação – porque sabia e queria que a obra me desse o trabalho que merecia. Demorei cerca de 4 anos.

GL - Sendo a legendagem escrita por ti, gostaria de saber se usaste a ortografia antiga, a do acordo de 1945 (AO45), ou se a escreveste em conformidade com o novo acordo de 1990 (o AO90).

PM - Usei a antiga, embora o que haja mais na “Batalha” sejam “espetadores".
 
GL - Sei que a capa com que é editado o livro não foi a primeira que fizeste. Por que foi substituída essa capa inicial?

PM - Foi um daqueles acidentes que acontecem, às vezes, nestes percursos. O editor achou que a primeira capa “não vendia”…  Mas, para quem passou a vida a trabalhar para clientes, uns com ideias, outros sem, até poderia fazer uma terceira.

GL - Estás satisfeito com o resultado final, ou pensas que poderia ter ficado melhor em algum aspecto?

PM - Penso que houve cuidado, de todas as partes envolvidas, em respeitar o mais possível o que estava feito. Quero salientar o empenho da Multitipo – amigos que já não via há 30 anos! – no resultado final da cor.
 
GL - A edição será posta à venda na totalidade, ou haverá uma parcela reservada para a Fundação?

PM - Quanto a isso não seria elegante, da minha parte, estar a comentar acordos que desconheço entre a Gradiva e a Fundação. A pergunta deve ser-lhes dirigida.
 
GL - Quando e onde será lançada a obra? 

PM - Também não faço a mais pequena idéia.

GL - Agradeço-te a disponibilidade.

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Imagens que ilustram o presente "post":

1 - Capa definitiva da obra

2 - Capa realizada inicialmente mas não utilizada, mais a contracapa 

3 e 4 - Pranchas duplas da obra

5 - Foto recente de Pedro Massano

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