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sábado, fevereiro 18, 2012

Fernando Pessoa na BD... e não só (XVI)









Ónima - Heterónimos Pessoanos é o título da edição em livro - no formato invulgar de 34x14cm - de um projecto levado a efeito por alunos da turma do 2º ano de Comunicação da Escola Profissional Profitecla do Porto, sob orientação do Arquitecto Pedro Castro.

Nesta obra colectiva - realizada em contexto de trabalho pedagógico da Profitecla -, surge um artigo dedicado à BD intitulado Fernando Pessoa na Banda Desenhada, da autoria deste bloguista, convidado por Pedro Castro que, além de arquitecto e professor naquela escola, também tem feito banda desenhada esporadicamente.

Esse artigo, que ocupa três páginas da invulgar edição, está reproduzido no topo do "post". E, embora com lacunas respeitantes a obras surgidas posteriormente, uma brasileira e outra espanhola, faz um levantamento de bandas desenhadas surgidas em álbuns, revistas, fanzines e também na blogosfera, debruçadas sobre o poeta Fernando Pessoa. 

Os visitantes habituais da blogosfera sabem como fazer para os textos ficarem bem legíveis. Mas para quem tem pouca prática, aqui fica uma ajuda: um clique inicial sobre o texto faz a primeira ampliação; a seguir o cursor toma o aspecto de uma lente, e volta-se a clicar. O texto fica bem legível.

Mas, para facilitar a leitura, reescrevo o texto mais abaixo.

Ónyma - Heterónimos Pessoanos (*)
Autores: Alunos de Comunicação/Grupo de FCT
Orientação gráfica: Pedro Castro
Livro brochado, 80 páginas em papel couché de elevada gramagem, com impressão de imagens em quadricromia
Edição: Edições Profitecla (2007/2008)
Porto

(*) Heterónimo provém do grego, na junção das palavras Heteros, que significa diferente, e Ónymo, cujo significado é nome

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Embora este livro tenha sido editado em 2008, só agora decidi divulgá-lo aqui no blogue, considerando o facto de estar patente ao público uma excepcional exposição intitulada Fernando Pessoa: Plural como o Universo, que foi organizada pelo Museu de Língua Portuguesa em São Paulo, Brasil, tendo vindo para Portugal para ser exposta na Fundação Calouste Gulbenkian, a partir do dia 9 de Fevereiro, e onde se manterá até 30 de Abril.
Note-se que a exposição brasileira foi valorizada com peças do espólio do poeta que estavam dentro duma muito falada "arca de Pessoa".  
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Pedro Castro, responsável pelo projecto e pela edição, acrescentou ao nome deste bloguista a indicação "Presidente do Clube Português de Banda Desenhada".
Acontece que Pedro Castro conheceu-me nos anos 1980, quando eu era membro da Direcção daquela colectividade, de que fui vice-presidente várias vezes, alternando com Carlos Gonçalves. Por mútuo consenso, ambos decidimos nunca concorrer ao lugar de presidente, deixando esse cargo para desenhadores, como foi o caso de Eugénio Roque, José Garcês e Pedro Massano.
Obviamente, Pedro Castro desconhecia esses pormenores, e "elegeu-me" como presidente do CPBD para me identificar.

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Os anteriores artigos dedicados a este tema podem ser vistos clicando no item Fernando Pessoa na Banda Desenhada, visível no rodapé.
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Fernando Pessoa na Banda Desenhada

Biografar figuras históricas, transformar em figuração narrativa factos da História de Portugal, ou adaptar romances dos nossos maiores romancista, tem sido recorrente na Banda Desenhada Portuguesa.

Outro tanto não acontece no que concerne a poetas ou à própria Poesia, excepção feita a Luís de Camões e também aos Lusíadas, autor e obra bastante divulgados em publicações várias - álbuns e revistas - tanto em Portugal como no Brasil.

Fernando Pessoa, depreende-se da premissa, fica em plano secundário na comparação, pese embora o seu enorme prestígio em ambos os países. Apesar disso, tendo em conta a efeméride dos cento e vinte anos após a data do nascimento do poeta em Lisboa, a 13 de Junho de 1888, faz todo o sentido tentar historiar quantas e quais as obras desta forma de arte em que ele, ou os seus heterónimos, e respectivas poesias, tenham servido de tema.

Em primeiro lugar, surge uma curtíssima referência em duas vinhetas apenas, no episódio caricatural "Manifesto Anti-Mantas", desenhado a preto e branco por Jorge Mateus, sob argumento de Carlos Martins, na revista Selecções BD - I Série - nº3 - Julho 1988, cem anos (e um mês) após o nascimento de Pessoa.
Apesar do centenário ser seu, o principal protagonista desta bd é, afinal, o seu amigo Almada Negreiros (e como figurante, um tal Ritinha, o comum amigo Santa-Rita Pintor) aparecendo o poeta como figura secundária e de forma insólita. Tal acontece quando, a certa altura, surge a imagem de um locutor negro da RTP (na BD, tudo é possível, e no que se refere a anacronismos humorísticos, são frequentes) a dizer, entre outras coisas, "já vejo ali os famosos Pessoas". E, de facto, sentados à mesa do café, com um exemplar do nº2 da revista Orpheu (em que Pessoa colaborou e de cuja geração fez parte) em cima do tampo, vêem-se dois esqueletos, ambos com os infalíveis pormenores identificativos da figura do poeta, chapéu, óculos, bigode e lacinho, que pedem ao locutor "Posso recitar um poema, posso?".

Admitindo a possibilidade de erro, estabelece-se esta aparição da figura de Fernando Pessoa como sendo a primeira na BD portuguesa. Com bem maior espessura ficcional surge uma outra, três anos depois, onde ele se apresenta como personagem principal, "Tião e Maria: Pessoa em Apuros", publicada igualmente na primeira série da revista Selecções BD - nº40, Agosto de 1991. Criada totalmente por José Abrantes, a trama, de claro sentido crítico, desenvolve-se em quatro pranchas, a preto e branco, num "gag" onde Fernando Pessoa tenta fugir por todos os meios a uma praga de pessoanos que querem saber tudo a seu respeito, para sobre ele escreverem, e à conta dele ganharem fama e dinheiro, e por isso o perseguem obsessivamente para onde quer que vá. De referir que a capa, a cores, desse número da revista, serve de apresentação ao episódio, com a figura do poeta em destaque.

Desopilante em absoluto é a obra que se segue cronologicamente, publicada em Outubro de 2000 no nº1 da revista brasileira Chiclete com Banana, mas em versão editada em Portugal. Da autoria de Laerte, o episódio tem por antetítulo "Piratas do Tietê", o mesmo da série, seguido de "O Poeta" como título, completado pelo subtítulo "Com a participação especial de Fernando (em) Pessoa".
São doze pranchas em que aparece alguém, de chapéu, óculos e bigode, a falar sozinho: "Eu não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada". Dominado pelo espírito do heterónimo Álvaro de Campos em fase de profunda depressão, resolve suicidar-se, lançando-se de uma ponte, mas caindo dentro de uma canoa que o leva até próximo de um barco de piratas (do Tietê, claro) que o ouvem declamar, "chamam por mim as águas, chamam por mim os mares" e sobre ele disparam, afundando-lhe a canoa. Insolitamente, o poeta emerge, dentro dum escafandro surgido sabe-se lá donde (da caneta do artista brasileiro, por hipótese...), e continuamente a dizer os versos de qualquer um dos seus heterónimos.
Volta a ser alvo de tentativas de destruição, às quais sempre sobrevive incólume, sem sequer se dar conta dos ataques, absorto na sua poesia, enquanto os piratas desesperam, com o barco quase a afundar-se, e o furibundo e frustrado capitão a berrar no fim "Malditos poetas!!".

Em 2002, sob chancela das Íman Edições, surge o livro Heróis da Literatura Portuguesa, afinal escritores, ficcionistas e poetas, todos biografados pela banda desenhada. Na apresentação da extensa peça de dezoito pranchas, a preto e branco, dedicada a Fernando Pessoa, lê-se: "No Equinócio do Outono de 1930 vamos entrevê-lo na Quinta da Regaleira, numa inconfessável descida aos túneis onde cresce a árvore dos Sefirotes, com saída para o mar, na Boca do Inferno. Por lá passam também o Mago Crowley (...)". É sobre este acontecimento que Pedro Pestana Soares tece o argumento do episódio eivado de esoterismo, desenhado com garra e imaginação por João Chambel.

Em Cádiz, Espanha, edita-se o fanzine Radio Ethiopia. No seu nº 14, com data de Outono-Inverno 2005, foi reproduzida a banda desenhada "Pessoa Revisited", sob a assinatura de Rafa Infantes, no desenho a preto e branco, e no texto que complementa o excerto dum poema de Álvaro de Campos, escrito em português. A apresentação aparece na vinheta inicial: "El joven Campos ya no siente ningún apego a este mundo. Él podria hablaros de las conquistas de la Ciencia moderna, del arte y la metafísica. Podria, si acaso os interesara una solo de sus palabras. Pero las palabras que sus labios pronuncian poco tienen que ver con vosotros".
"Não sou nada". Os versos do poema irão aparecendo nas vinhetas seguintes. "Nunca serei nada". "Não posso querer ser nada". "À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". E na última vinheta vê-se o poeta deitar fora o caderno onde estivera a escrever, sob a legenda: "Já disse que não quero nada".

Os novos tempos trouxeram diferentes tecnologias. Em vez de impressas em papel, há já muitas bandas desenhadas que começaram, de raiz, no espaço virtual da internet. E Fernando Pessoa, com o fascínio da sua poesia e da sua personalidade, não podia deixar de inspirar algum internauta autor de BD. Miguel Moreira tinha imaginado há muitos anos um projecto desse género, e em Abril de 2004 fez os primeiros esboços. Mas só em 29 de Outubro de 2007 surge no endereço http://lmigueldsm.blogspot.com o blogue "As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal" a mostrar as vinhetas iniciais da homónima banda desenhada. Colorida por Catarina Verdier, a figura bem reconhecível do poeta aparece em "post" de 13 de Junho de 2008, cento e vinte anos após o seu nascimento, num episódio em que, numa das vinhetas, ele está na cama, de tronco nu, mas de óculos e chapéu, ao lado de alguém - de que só se vê um braço - e que num balão de fala, emite a onomatopeia trocista "Blá blá blá". Assim se começa a transformar em banda desenhada o poema "Gostava de gostar de gostar", de Álvaro de Campos, uma entre numerosas meias pranchas que vão compondo sequências com intervalos de dias entre elas, que quase fazem subentender a tradicional frase das antigas histórias aos quadradinhos, "continua no próximo número".

Algo diferente na sua origem, mas com resultados finais semelhantes, é como se pode classificar a banda desenhada "A Anunciação". Concebida por André Oliveira, que após escrever o argumento (um sonho de Fernando Pessoa em que o poeta sente um chamamento divino), teve a ideia de pedir a vários colaboradores - Nuno Frias, Ricardo Reis, Miguel Cabral, João Vasco Leal, para desenharem, e Cristiano Baptista para colorir - que concretizassem o respectivo guião em cinco pranchas, com a finalidade de que a bedê fosse reproduzida no BDJornal. Porém, estando este com a publicação suspensa, isso possibilitou, após acordo com o seu editor e respectivos autores, que editasse no meu blogue "Divulgando Banda Desenhada", no endereço http://divulgandobd.blogspot.com aquela banda desenhada original e inédita a qual, assim, diferentemente, teve a sua estreia na blogosfera.

Continuando a navegar na internet, depara-se-nos o título "Descobrir Portugal em Língua Gestual Portuguesa (LGP), com o subtítulo "A História Animada/Desenhada Descobrir Portugal em Língua Gestual Portuguesa (LGP) para Crianças Surdas, criada, escrita, ilustrada, desenhada e realizada pelo Prof. Francisco Goulão (surdo/deaf) - Portugal".
Não há qualquer data que indique quando se deu o início deste site localizável no endereço http://profsurdogoulao9.no.sapo.pt todo feito à base de imagens desenhadas, apresentando alguma sequencialidade, com os diálogos transmitidos pela linguagem gestual. A intenção é a de falar de Portugal por aquela forma, dando claramente ênfase às cidades do Porto e de Lisboa, visitadas de forma quase exaustiva. No que concerne à capital, uma das imagens que a representam é exactamente a figura do lisboeta Fernando Pessoa, através do famoso retrato que dele fez o seu amigo Almada Negreiros.

Na revista Cais, nº 131 - Junho 2008, aparecem umas tantas bandas desenhadas feitas por alunos e alunas do AR.CO - Centro de Arte e Comunicação Visual. Uma dessas bedês, emduas pranchas matizadas a sépia, é assinada por Ana Filomena Pacheco, e tem o título de "O Banqueiro Anarquista". Trata-se do conto escrito por Fernando Pessoa em Janeiro de 1922, publicado no nº1 da revista Contemporânea em Maio desse ano, cujos invulgares diálogos entre o banqueiro, que assume uma atitude política nada consentânea com a função que exerce, e um seu amigo, a novel autora parcialmente aproveitou,para realizar singular obra de figuração sequencial.

Por fim, é sabido, disse-o Fernando Pessoa, "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce", verso pertencente ao poema "O Infante", do "Mar Português", tantas vezes usado como lema ou justificação, serviu de mote para a prancha inicial da bd "FP vs Bubas". Este antagonista do poeta, de nome tão estranho, é o anti-herói de estimação de Derradé (aliás, Dário Rui Duarte), que continua o episódio inicial e o conclui, numa segunda prancha, com o próprio Bubas a recitar "Ai que prazer/Ter um livro para ler e não o fazer", na presença do tal FP.
Inédita até agora, esta banda desenhada destinava-se ao nº 3 da revista de BD HL (Herpes Labial), cuja edição esteve prevista para Outubro de 2006. Com essa data protelada sine die, surgiu a hipótese de ser editada no meu blogue já anteriormente citado, o que acaba de acontecer, constituindo assim a mais recente homenagem a Fernando Pessoa pela banda desenhada,outra vez em suporte electrónico.
                                                                                                   Geraldes Lino
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Os visitantes que estiverem interessados em ver as 15 postagens anteriores poderão fazê-lo clicando sobre o item Fernando Pessoa na Banda Desenhada, visível no rodapé

segunda-feira, agosto 30, 2010

Fernando Pessoa na BD... e não só (XV) - Autores: Filipe Frade e Lúcio Ferro




 
Fernando Pessoa serviu de inspiração à banda desenhada Flagrante Delitro (sic), com desenhos de Filipe Frade ("Ninja") e argumento de Lúcio Ferro.

Pelo trocadilho do título (baseado na legenda "Em pleno delitro"(*), que o poeta escreveu numa foto em que se vê ele próprio a beber um copo numa tasca, e que enviou a Ofélia, sua namorada), percebe-se de imediato que o humor é o tempero principal do episódio, sendo esse evidente registo humorístico reforçado pelo traço caricatural das personagens, uma das quais pertence à intrigante e supostamente fictícia "Polícia da Criatividade". 
Quanto ao principal intérprete, o próprio Fernando Pessoa, é apanhado em flagrante delito (ou "delitro", faça-se a vontade ao poeta e ao título da bd), visto que acaba de escrever o poema (**):

O Poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

"O poeta é um fingidor", escreveu Pessoa. Uma forte razão, ao que parece, para enfurecer o representante da "Ordem" e o levar a apreender toda a produção do poeta, acusando-o de violar o artigo 17 do "Código Positivo da Criatividade", ao usar estimulantes químicos proibidos para aumentar a inspiração poética.


Um argumento prenhe de subentendidos e ironias, demonstrando imaginação e cultura da parte do argumentista, bem coadjuvado pelo grafismo caricatural do banda-desenhista, também responsável por uma "mise-en-page" dinâmica e funcional.
.
(*) "Em pleno delitro", dedicatória que Fernando Pessoa escreveu na fotografia que enviou à sua namorada (platónica, digo eu, GL) Ofélia.
.
(**) Autopsicografia
.
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
.
1 de Abril de 1931
Fernando Pessoa
.
Poema publicado na revista Presença, nº 36 - Novembro 1932
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BD publicada em A Peste (nº3, 2003), que se apresenta, em subtítulo, como "A revista de menor circulação em Portugal e arredores", fanzine editado por Eduardo d'Orey.
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Índice de autores participantes neste tema:
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(XIV) Jun. 13 - Rui Pimentel
2010 - Daqui para cima

(XIII) Jun. 20 - Luís Manuel Gaspar
(XII) Maio 8 - Rui Pimentel
(XI) Abril 22 - Mariana Capela
2009 - Daqui para cima

(X) Nov. 27 - Alvoeiro e C. Martins
(IX) Nov. 22 - Jorge Colombo
(VIII) Ag.8 - Miguel Moreira e Catarina Verdier
(VII) Jul. 27 - Derradé
(VI) " 20 - Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal (desenhos), Cristiano Baptista (cor), André Oliveira (argumento)
(V) Julho 12 - Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Laerte
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 15 - Rafa Infantes
(I) Junho 13 - José Abrantes
2008 - Daqui para cima
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Os interessados em ver as postagens anteriores deste tema poderão fazê-lo, para o que basta clicar no item "Fernando Pessoa na Banda Desenhada" mostrado no rodapé

domingo, junho 13, 2010

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (XIV) - Imagens múltiplas desenhadas por Rui [Pimentel]





Num já longínquo 13 de Junho nascia Fernando Pessoa em Lisboa. Estava-se em 1888, perfazem-se hoje 122 anos. Nesse dia - e naquele quarto andar esquerdo do nº 4 do Largo de S. Carlos - estava o ponto de partida humano para alguém que viveria essencialmente para a poesia - sim, também para a prosa, mas menos - e que espantaria os vindouros com a pulverização da sua personalidade em múltiplas, cada uma delas adoptando um heterónimo e diferente estilo literário do ortónimo.

Rui Pimentel - cartunista, caricaturista e autor de BD, além de arquitecto - colaborou, nas duas primeiras facetas mencionadas, no semanário O Jornal e no Jornal Ilustrado, em seguida na revista Visão, perfazendo nestas duas publicações cerca de vinte anos, assinando simplesmente Rui.

As Edições O Jornal fizeram em 1989 uma recolha em livro, intitulado Desenhos de Escárnio e Mal-Dizer, totalmente dedicado a caricaturas da autoria de Rui, de onde retirei (com a anuência do meu amigo autor) a notável composição caricatural dedicada a Fernando Pessoa, que vai mencionando alguns dos seus heterónimos, designadamente Horace James Faber, Álvaro de Campos, Thomas Crosse, Barão de Teive, Abílio Quaresma, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, João Craveiro, Jean-Seul de Méluret, Bernardo Soares, Alexander Search, Raphael Baldaya, Vicente Guedes, António Mora...
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A ilustrar o poste estão, de cima para baixo, as imagens:
1 - A composição da autoria de Rui
2 - Retrato de Fernando Pessoa
3 - Largo de S. Carlos, vendo-se à esquerda, parcialmente, o prédio onde nasceu Fernando Pessoa
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Em baixo ficam visíveis os nomes dos desenhadores (autores de BD. ilustradores e 
cartunistas/caricaturistas) com imagens dedicadas ao poeta em postagens anteriores

(XIII) Jun.20 - Autor: Luís Manuel Gaspar
(XII) Maio 08 - Autor: Rui Pimentel
(XI) Abr. 22 - Autor: Mariana Capela
2009 - Daqui para cima

(X) Nov. 27 - Autores: [Luís] Alvoeiro e C. Martins
(IX) Novembro 22 - Autor: Jorge Colombo
(VIII) Agosto 08 - Autores: Miguel Moreira e Catarina Verdier
(VII) Julho 27 - Autor: Derradé
(VI) Julho 20 - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal, Cristiano Baptista, André Oliveira
(V) Julho 12 - Autora: Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Autor: Laerte
(III) Junho 22 - Autor: João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008 - Daqui para cima
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Para ver de imediato todas as postagens anteriores basta clicar na etiqueta Fernando Pessoa na Banda Desenhada indicada no rodapé

sábado, junho 20, 2009

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (XIII) Autor: Luís Manuel Gaspar



Homenagem [em figuração narrativa] por Luís Manuel Gaspar
in revista Ler - Outono de 1999

[No comboio descendente]

No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada.
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela.
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não.
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.

Escreveu Fernando Pessoa, todos sabemos. Mas jamais saberá ele que o seu poema deu azo a esta versão em imagens sequencializadas, em notável realização gráfica de Luís Manuel Gaspar, como também nunca terá imaginado que Zeca Afonso, voz única e insubstituível, o teria homenageado no seu repertório de canções de intervenção.

E ainda menos Fernando Pessoa imaginaria ser apresentado ao lado de Zeca Afonso numa das vinhetas desta banda desenhada.
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sexta-feira, maio 08, 2009

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (XII) - Autor: Rui Pimentel



Fernando Pessoa, acompanhado por Bernardo Soares, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, três dos seus múltiplos heterónimos, em notável retrato caricaturizado por Rui Pimentel autor de BD, caricaturista e cartunista, arquitecto de profissão (como cartunista sempre usou o nome artístico de Rui), impresso na folha relativa a este mês de Maio, num calendário editado pelo CNBDI - Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (Amadora).

Algo desconcertante à primeira vista (começa em Out. 08...), mas sem dúvida precioso, este calendário, que apresenta no título a indicação "Outubro 2008-Dezembro 2009", e o subtítulo "Personalidades da Cultura Portuguesa, por Rui Pimentel".

E quais foram as escolhidas?

Logo na capa, Rafael Bordalo Pinheiro.

Em 2008:
Outubro - Luís de Camões
Novembro - Eça de Queirós
Dezembro - Amadeu de Souza Cardoso

Em 2009:
Janeiro - Álvaro Siza Vieira
Fevereiro - Maria João Pires
Março - Almada Negreiros
Abril - José Afonso
Maio - Fernando Pessoa
Junho - Mariza
Julho - Paula Rego
Agosto - Maria João (Pires? apaguei sem querer, e agora terei de ir ver o calendário)
Setembro - Agustina Bessa Luís
Outubro - Carlos Paredes
Novembro - José Saramago
Dezembro - Amália Rodrigues

quarta-feira, abril 22, 2009

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (XI) - Autora: Mariana Capela



Haverá quem não aceite como BD esta mescla de desenho/fotografia... Eu costumo classificar o género, de que Claeys terá sido um precursor (e há quantos anos o conheci num álbum, nunca editado em Portugal, de desenho sobre fotografia), costumo classificar, dizia, como "banda desenhada-fotografada".

O que interessa para aqui é o invulgar resultado estético obtido por Mariana Capela, admiradora de Fernando Pessoa, que inseriu esta curta peça sequencial figurativa num site com o titulo "Fernando Pessoa Poeta e Fingidor" (*) feito por professores/as, mas assinado por alguém que usa o pseudónimo "weteam".

Como esclarece a citada bloguista, "existe um texto escrito por Bernardo Soares, semi-heterónimo de Fernando Pessoa, que explica muito bem esta BD"
E logo de seguida reproduz o citado texto, de que apenas mostro aqui um excerto:
"Não tenho sentimento nenhum político ou social, tenho porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa (...)"
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, vol.I

Este alter-ego de Fernando Pessoa, o "poeta-núcleo-central", teve direito ao seguinte comentário:
"O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição, aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade".

(*) Se o interesse pelo mencionado site foi suficientemente forte, o respectivo endereço e o meu comentário estão visíveis através de um simples clic na categoria/etiqueta "Banda Desenhada na Internet (Portugal) - Blogues, sítios e portais de BD - de A a Z", que dará acesso a uma extensa listagem por ordem alfabética de blogues, sítios e portais de BD (e alguns mistos na Parte II), estando este "Fernando Pessoa Poeta e Fingidor" exactamente na mencionada segunda parte, visto tratar-se de espaço internético de diferente tema, todavia com focagem na BD, embora esporádica.
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As postagens anteriores podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no item Fernando Pessoa na Banda Desenhada inserido no rodapé deste "post".

quinta-feira, novembro 27, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (X) - Autores: Alvoeiro e C. Martins

Excerto (2 vinhetas) da 2ª prancha da banda desenhada "Manifesto Anti-Mantas", de Luís Alvoeiro e Carlos Martins. Repare-se na capa da revista "Orpheu", nº2 e último, onde Fernando Pessoa e Almada Negreiros colaboraram.


Prancha 1 de 2 da banda desenhada "Manifesto Anti-Mantas"


(Prancha 2 de 2)

O tema da banda desenhada reproduzida na íntegra é o gozo ao "Manifesto Anti-Dantas", daí o trocadilho do título "Manifesto Anti-Mantas". 
E como personagens principais temos Almada Negreiros, um tal "Ritinha" (Augusto Santa Rita Pintor), "Tadeu de Sousa Caroço" (Amadeu de Sousa Cardozo) e "os famosos Pessoas" (Fernando Pessoa, transfigurado em esqueleto duplicado!), um trabalho em BD notável, da autoria de uma dupla que, lá pelos idos de 80 e 90, teve grande cotação: Luís Alvoeiro e Carlos Martins, este último essencialmente argumentista, mas também ilustrador, e que a certa altura passou a assinar Carlos Guerreiro.
(bd publicada in revista Selecções BD, nº 3, I Série, de Julho 88)
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".

(IX) Novembro 22 - Autor: Jorge Colombo
(VIII) Agosto 08 - Autores: Miguel Moreira e Catarina Verdier
(VII) Julho 27 - Autor: Derradé
(VI) Julho 20 - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal, Cristiano Baptista, André Oliveira
(V) Julho 12 - Autora: Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Autor: Laerte
(III) Junho 22 - Autor: João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008 - Daqui para cima

sábado, novembro 22, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (IX) - Anúncio desenhado por Jorge Colombo

A imagem de Fernando Pessoa na Publicidade
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Percebe-se bem por este subtítulo: o que está em causa não é dissertar acerca da passagem de Fernando Pessoa como publicitário, onde teve, pelo menos, uma frase de génio relacionada com um refrigerante, "primeiro estranha-se, depois entranha-se".

A intenção é, tão-somente, mostrar a estupenda e engraçadíssima ilustração, visível no topo desta postagem, e dar os parabéns ao respectivo desenhador, que nem sei quem seja (*), de um anúncio reproduzido no jornal Público.

Em tempo: "Passe a publicidade", como se costuma dizer nestes casos, para afastar suspeitas de possível interesse económico no assunto por parte deste bloguista.

(*) Hoje, dia 24, isto já não é verdade. Ou seja: já sei quem foi o autor daquela tão engraçada ilustração: Jorge Colombo. E, por conseguinte, também já alterei o título.
Não resisto a contar que, há duas semanas, estava eu no Chiado, e encontrei o Jorge Colombo, que vive nos Estados Unidos, mas esteve em Portugal uns dias. 
Como ele estava acompanhado, a conversa foi breve, mas amistosa. Mal sabia eu que iria ficar encantado com esta pequena ilustração, e que viria a descobrir ser ele o autor, por informação obtida na Casa Fernando Pessoa...............................................................................................
Para ver postagens anteriores basta clicar no item mostrado em rodapé, onde se vê o título da etiqueta Fernando Pessoa na Banda Desenhada

sexta-feira, agosto 08, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (VIII) - Autores: Miguel Moreira e Catarina Verdier







Julgo que ainda não será exequível desenhar directamente no espaço internético específico da blogosfera, mas nada impede os banda-desenhistas de lá fazerem a estreia das suas bandas desenhadas. 

Graças a esse aproveitamento pragmático das potencialidades do espaço virtual da internet, é possível apreciar extensa e interessante abordagem, via BD, da personalidade e da obra de Fernando Pessoa, no blogue intitulado "Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal" (*).

Tem por autor principal Miguel Moreira, que escreve o argumento e desenha as imagens sequenciais, coadjuvado por Catarina Verdier, responsável pela colorização.
Uma ideia original, que está a tomar corpo desde Outubro de 2007, onde, através da BD, se vai acompanhando o evoluir de Fernando Pessoa, enquanto ser humano e criador de poesia.
Também criador de heterónimos... 

Por exemplo, a génese de C. R. Anon, aliás, Charles Robert Anon - é mostrada, no blogue anteriormente citado, numa meia prancha de BD datada de 1 Jul. 08, logo seguida pela descoberta do poeta americano Walt Whitman, e da sua obra seminal "Leaves of Grass", na bem fornecida biblioteca do liceu onde estudava o jovem Fernando António Nogueira Pessoa.
.
 Claro que os desdobramentos psicológicos do ortónimo Fernando Pessoa tinham de ser focados, como acontece na referência a Álvaro de Campos, na composição "Gostava de gostar de gostar", justamente postada a 13 de Junho de 2008, na celebração dos cento e vinte anos após o nascimento do genial poeta.
.
(Esta obra, criada na blogosfera, no blogue já antes referido, está registada na Inspecção-Geral das Actividades Culturais. 
Confesso que não fazia ideia que se pudessem registar as obras criadas de raiz na internet
E, se calhar, poucos bloggers o saberão. Digo eu...)

(*) Endereço do blogue Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal: http://lmigueldsm.blogspot.com/
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".

(VII) Julho 27 - Autor: Derradé
(VI) Julho 20 - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal, Cristiano Baptista, André Oliveira
(V) Julho 12 - Autora: Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Autor: Laerte
(III) Junho 22 - Autor: João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008 - Daqui para cima

domingo, julho 27, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (VII) - Autor: Derradé


Liberdade é, também, poder dizer como Fernando Pessoa: "Ai que prazer/ não cumprir um dever./ Ter um livro para ler e não o fazer!/
Liberdade é, outrossim, poder fazer como Dário Rui Duarte, aliás, Derradé, uma prancha de banda desenhada do poema com esse título. 
E o mesmo com um outro, "Mar Português - O Infante", onde o primeiro verso tantas vezes tem servido de lema ou justificação: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.", compondo ambas, não por esta ordem, mas sim pela inversa, a bd intitulada "FP vs BSB" (BSB é a sigla para a série "Badsummerboys Band", criada pela dupla Derradé, desenhador, e Geral, argumentista).
Pela segunda vez, num curto período de tempo, acontece-me a agradável surpresa de editar uma banda desenhada inédita (esta composta por duas pranchas). 
As circunstâncias são semelhantes ao que aconteceu com a bedê do "post" nº VI do tema "Fernando Pessoa na Banda Desenhada", afixado no dia 20 deste mês: agora tratou-se de uma bd que estava para ser publicada no nº 3 da revista HL (Herpes Labial), prevista a edição para finais de Outubro de 2006. 
Por razões que têm a ver com o exíguo mercado da BD em Portugal, especialmente no que concerne às revistas, a HL ficou suspensa no segundo número, e o editautor, o amigo Derradé, ficou com ela nas mãos. Após o que, com grande prazer meu, veio parar às minhas, e, obviamente, a este blogue.
Para quem não conheça o cromo que aparece a recitar um poema de Fernando Pessoa, com grande espanto do poeta, apresento-o: chama-se Bubas (ele já "actuou" algumas vezes neste blogue, via rubrica "Banda Desenhada portuguesa nos jornais"), é o intérprete principal da série BSB, e é também o anti-herói de estimação do Derradé.
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(VI) Julho 20 - Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal, Cristiano Baptista, André Oliveira
(V) Julho 12 - Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Laerte
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008 - Daqui para cima

domingo, julho 20, 2008

Fernando Pessoa na BD... e não só (VI) - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Leal (desenhos), Cristiano Baptista (cor), André Oliveira (arg.)












Em A Anunciação, Fernando Pessoa é o protagonista de um sonho, imaginado pelo jovem argumentista André Oliveira, e transformado numa banda desenhada.

Inédita até agora, esta estupenda obra de figuração narrativa tem estreia absoluta neste blogue, que assim, excepcionalmente, debuta em diferente faceta: a de publicar BD original e nunca antes reproduzida.

A Anunciação é composta por cinco episódios (cada um a ocupar uma prancha), da autoria de vários desenhadores e coloristas, que nomeio pela ordem sequencial das cinco pranchas:

Prancha 1 - Nuno Frias (desenho), Cristiano Baptista (cor);
Prancha 2 - Ricardo Reis (desenho), Cristiano Baptista (cor);
Prancha 3 - Miguel Gabriel (desenho e cor);
Prancha 4 - João Vasco Leal (desenho a preto e branco com tramas);
Prancha 5 - Nuno Frias (desenho), Cristiano Baptista (cor).

Projecto concebido e escrito por André Oliveira, as cinco pranchas mostram fases bem distintas, sendo que as primeira e última representam a realidade, enquanto que as três intermédias têm a ver com o sonho do poeta. 

Exactamente por tal motivo, o argumentista decidiu que cada parte da BD seria realizada por um desenhador-artista diferente, o que sofreu ligeiro desvio na concretização porquanto as primeira e última pranchas têm as mesmas assinaturas.

A presente banda desenhada esteve em exposição, em Fevereiro 2007, na Galeria da Associação dos Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, numa iniciativa do Imaginarte - Núcleo de Banda Desenhada, Ilustração e Argumento da FBAUL, e voltou a estar patente ao público na própria Casa Fernando Pessoa, em Julho 2007.

Para além de ter estado visível nestas duas exposições, o seu destino era, como acontece com qualquer BD que se preza, ser publicada em papel, no BDJornal, para cumprir integralmente a condição de banda desenhada. 

Por tal não ter sido possível até agora, nem isso estar previsto para breve, os respectivos autores e o editor Machado-Dias acederam à sua publicação virtual neste blogue. O que não sendo caso virgem na Internet, é-o completamente aqui no Divulgando Banda Desenhada, que, repito, pela primeira vez, apresenta uma banda desenhada inédita.
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto colorida de castanho, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".

(V) Julho 12 - Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Laerte (brasileiro)
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) Junho 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) Junho 13 - Autor: José Abrantes
2008 (daqui para cima)

sábado, julho 12, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (V) - Autora: Ana Filomena Pacheco


"O que é um anarquista? É um revoltado contra a injustiça de nascermos desiguais socialmente - no fundo é só isto. (...) Tão mau é o dinheiro como o Estado, a constituição de família como as religiões"(...).
Assim fala um banqueiro que se assume anarquista. Ou, em última análise, terá sido Fernando Pessoa, a expor a sua opinião própria, no conto escrito em Janeiro de 1922, e publicado no nº 1 da revista Contemporânea, em Maio desse mesmo ano.
E ao aproveitar partes do diálogo entre esse banqueiro e um seu amigo, relutante em aceitar tão inverosímil dicotomia na mesma pessoa, diálogo imaginado pelo ilustre escritor - poeta e ficcionista -, Ana Filomena Pacheco criou, em duas pranchas matizadas a sépia, uma singular obra de banda desenhada.

in revista Cais - nº 131, Junho 2008
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(IV) Julho 6 - Laerte
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008

domingo, julho 06, 2008

Fernando Pessoa na banda desenhada... e não só (IV) - Autor: Laerte





















Também desta vez foi a arte poética de Álvaro de Campos que serviu de mote inicial a uma banda desenhada, da autoria do brasileiro Laerte, que ele intitulou "Piratas do Tietê - O Poeta - Com a participação de Fernando (em) Pessoa" (sendo que "Piratas do Tietê" é uma série criada por aquele quadrinhista, como se diz no Brasil).

É bem conhecida a intensa admiração dos brasileiros pela poesia de Fernando Pessoa (e, obviamente, pela dos seus heterónimos, extensões poéticas pessoanas). Todavia, que um autor-artista de "Histórias em Quadrinhos" (expressão em português do Brasil quase igual à nossa, tradicional, "Histórias aos Quadradinhos"), mais conhecido pela sua tendência humorística, tenha dedicado uma peça de figuração narrativa ao nosso poeta, isso é que talvez seja algo surpreendente, mesmo que ele tenha desenhado uma peça de humor delirante, autêntica lição de como utilizar inteligentemente o "nonsense".

Quem estiver interessado em ver/ler em papel (ah, o prazer de mexer no papel, de folhear uma revista...) pode procurar, com poucas possibilidades, aviso desde já, o nº1 da revista Chiclete com Banana - Humor, comportamento e subcultura dos anos 80 (Outubro 2000, edição da Devir), de onde foi pirateada ("pirataria é cultura"*, como Laerte escreveu a finalizar) esta divertidíssima homenagem a Fernando Pessoa, em imagens sequenciais, sob excertos de poesias de heterónimos seus.
Por exemplo, na 1ª vinheta da 1ª prancha:
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"(...) Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada" - Álvaro de Campos - "Tabacaria";
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3ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Eu nem sequer sou poeta: vejo./ Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:/ O valor está ali nos meus versos (...)" Alberto Caeiro - "A espantosa realidade das coisas";
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7ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Sinto uma alegria enorme/ Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma (...)" - Alberto Caeiro - "Quando vier a Primavera";
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8ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade./Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, (...)" - (Álvaro de Campos - "Tabacaria");
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4ª vinheta, 2ª prancha: "Com um lenço branco digo adeus/Aos meus versos que partem para a humanidade (...)/- Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa"
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5ª vinheta, 2ª prancha: "Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre/a que foi sua/Passo e fico, como o Universo (..)" - Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa";
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6ª vinheta, 2ª prancha: "(...) Ah, quem sabe, quem sabe/ Se não parti outrora, antes de mim/ Dum cais; Se não deixei, navio ao sol / Oblíquo de madrugada,/ Uma outra espécie de porto? - Álvaro de Campos - "Ode Marítima"
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Eis um bom exercício para todos os admiradores do poeta: localizarem os poemas e respectivos heterónimos, na análise de cada legenda de cada balão, ao longo das vinhetas que compõem as 12 pranchas desta invulgar peça de BD baseada em excertos (extraordinários) de poemas.
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*"Todas as falas do personagem Fernando Pessoa - e também esta do 'coro' - são frases tiradas de poemas de Fernando Pessoa. (Pirataria é Cultura). - pode ler-se no rodapé da última prancha, em letras minúsculas, no sentido literal.
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post". 

(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes