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domingo, dezembro 11, 2005

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no "Cartoon" e na Internet (IV) - "Benvindos" (??)


Benvindos, não! Bem-vindos, sim.

Como costumo dizer, os artistas (da banda desenhada, do "cartoon", da música, e não só) envolvem-se profundamente no seu universo de criatividade, e desligam-se de pormenores que talvez lhes não mereçam tanta consideração, como será o caso da língua portuguesa.

Terá sido isso que aconteceu com Zé Paulo, na página inicial de A Família Slacqç, publicada no nº 12 da revista de banda desenhada Visão (Maio de 1976), onde, como se pode ver na imagem digitalizada, aparece escrito em subtítulo "4º Episódio - Wilkommen! Benvindos!"

Ora o vocábulo "Benvindo", ou "Benvinda", só existe como nome próprio, em especial no feminino. A forma correcta de escrever é "bem-vindo" (ou "bem-vindos").
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"Post" remissivo
Deste mesmo tema há 3 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:
Out. 27 - "vê-mo-nos"; Nov.12 - "pareçe"; "esqueçendo"; Nov. 28 - "gingeira"

segunda-feira, novembro 28, 2005

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no "Cartoon" e na Internet (III) - "gingeira" (??)



Gingeira?

Claro que é erro ortográfico. Correcto: Ginjeira

"Cartoon" intitulado Vozes do Além, da autoria de alguém que assina sob o pseudónimo de "Avis Rara"

in jornal Alentejo Popular de 24 de Novembro de 2005

A palavra Ginja não pode dar Gingeira, mas sim Ginjeira.

Aliás, verifica-se erro da mesma "família" no nome de algumas casas especializadas que se dedicam à venda de um licor feito à base de ginjas.

Esse licor, muito popular, chama-se ginjinha (como toda a gente sabe), é servido em copinhos, por vezes feitos de chocolate. 
Como toda a gente também sabe, o licor pode ser "com elas" (as ginjas), ou "sem elas".

Todavia, para espanto de quem respeita a língua portuguesa, algumas dessas casas (uma delas no Cais do Sodré, outra antes de chegar às Escadinhas do Duque, na realidade Calçada do Duque) ambas aqui em Lisboa) ostentam letreiros incluindo a palavra, erroneamente grafada, "Ginginha".

De facto, como todos sabemos, a letra g antes de e ou i tem o som [j], mas o que parece estar esquecido é que a raiz da palavra ginjinha é ginja.

De resto, em relação ao "cartoon", reconheço que se apresenta de uma forma original, sem se verem as figuras das personagens, apenas se vêem as "falas" nos "balões".

(Para saciar a curiosidade de quem estiver intrigado como é que um lisboeta tem acesso a um jornal regional editado em Beja: é que passei por lá na minha ida ao Salão de Banda Desenhada de Moura:-)
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"Post" remissivo

Deste mesmo tema há 2 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:
Out. 27 - "vê-mo-nos"; Nov.12 - "pareçe; esqueçendo"

sábado, novembro 12, 2005

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no Cartune e na Internet (II) - "pareçe" (??) "esqueçendo" (??)

Pareçe? Esqueçendo?

No "post" do blogue Kuentro

kuentro.weblog.com.pt

dedicado ao 16º Festival de Banda Desenhada da Amadora, houve vários comentários colocados por bloguistas visitantes, iniciando uma polémica tendo como alvo o autor José Carlos Fernandes.

Um dos comentadores, assinando João Paulo Dias, ao dirigir-se a Luís Graça (texto afixado em Novembro 11, 2005, 04.50 pm), cometeu erro ortográfico grosseiro (e repetiu-o). 
De estranhar em pessoa que demonstra ter cultura geral, e que foi o seguinte:

Escreveu "ao que pareçe" (c com cedilha antes da vogal e? ou i, já agora)
e repetiu, ao escrever "esqueçendo" (uma segunda vez o erro básico de usar o ç antes da vogal e, invalida a hipótese de mera distracção).

No que se refere à BD, considera Victor (ele escreveu Vítor, de facto existe essa grafia, mas o autor em questão usa Victor, que lhe puseram no B.I.) Mesquita o "Moebius" português.

Será que conhece um autor francês chamado Druillet? Aconselho-o a procurar na Bedeteca de Lisboa alguma obra de Druillet, comparar os estilos do trio Mesquita, Moebius, Druillet, e afirmar então, com o competente conhecimento de causa, quem influenciou quem.
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"Post" remissivo

Há texto anterior acerca do mesmo tema; procurar no Arquivo (Archives), no "post" afixado em Out. 27

quinta-feira, outubro 27, 2005

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no "Cartoon" e na Internet (I) - "vê-mo-nos" (??)

Erros, Gralhas e Distracções

Erros - palavras erradas ortograficamente

Gralhas - Troca de letras e coisas do género, perfeitamente compreensíveis e irrelevantes.

O Pequeno Nemo no Reino dos Sonhos (Little Nemo in Slumberland) - 1º volume - Editora: Livros Horizonte - 1990
Tradução de Cláudia Moura - Letragem (eu prefiro legendagem, mas não está mal, balonagem é que é foleiro) de Paulo Rodrigues.

Por ordem de gravidade dos erros ortográficos/gramaticais:

Pág. 34 - 8ª vinheta
Cupido diz para Nemo:



"Até logo, Nemo, depois vê-mo-nos (...)

"Vê-mo-nos"? Que erro! E não me venham cá com desculpas tipo "foi feito em cima da hora, à pressa". Logicamente, deveria estar escrito "vemo-nos"

Pág. 17 - 7ª vinheta
Está escrito na legenda:

"Porem, mal se apercebeu (...)"

Deveria estar escrito "Porém".
Assim como está, é do verbo "pôr" que se trata, erradamente.

Na página 2 (prancha ao lado do frontispício), está escrito, nas legendas das vinhetas nºs 6 e 7,

patéticamente (errado)
frenéticamente (errado)

O correcto é "pateticamente" e "freneticamente", respectivamente.

Os advérbios de modo, desde 1973 que deixaram de ser acentuados.
Note-se que isto é uma pequena amostra do que encontrei, sem estar à procura.
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De repente sinto uma estranha sensação de estar no papel de "advogado do diabo", ou seja, ao fazer estas críticas de índole ortográfica à BD, parece que decidi atacar apenas um tema (que, ainda por cima, me é caro), a Banda Desenhada, como se a BD fosse o "mau da fita" das incorrecções ortográficas...

Que fique claro: Tenho bem a noção da frequência de erros na literatura, nos jornais, nas legendas da televisão (ui!!) e dos filmes.

Mas como o meu blogue tem a ver com BD, é apenas nela que bato (e daí, talvez que para variar um pouco, venha a atirar para outros alvos, esporadicamente).

Seja como for, voltarei a este assunto do "Língua Portuguesa em mau estado", em especial na Banda Desenhada, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet.