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terça-feira, dezembro 15, 2015

Palestra por Fernando Relvas



Relvas, Fernando Relvas, consagrado autor de BD, vai fazer uma palestra centrada em três das suas obras, onde se inclui a novela gráfica Nau Negra - The Last Black Ship, recentemente editada (apenas em inglês), bem como duas mais antigas, mas muito boas ("Oldies but Goldies"), Sangue Violeta e Rosa Delta Sem Saída (*), no auditório da associação cultural existente na Costa de Caparica, chamada Associação Gandaia

A palestra insere-se na iniciativa "Uma Noite LAL - Livros, Autores e Leitores".

Pepedelrey, editor, e este blogger, ambos amigos e admiradores do Relvas, estarão 4ª feira, 16 de Dezembro, às 21h30.
É a primeira vez que vou assistir a uma palestra dada por ele, e é também para mim uma estreia esta visita à Associação Gandaia, de que desconhecia a existência.

Associação Gandaia
Auditório Costa da Caparica
Centro Comercial o Pescador
Rua das Flores
Costa da Caparica

Entrada livre 

(*) Os três livros estarão à venda, com direito a autógrafo   
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 FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica (Versão Actualizada em Dez.'15)

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando
nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a fazer banda desenhada num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
 

Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: Palmyra (2007), The Chinese Master Spy (2008), Li Moonface (2011), Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy? (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura. 

Em 2013 foi-lhe atribuído um Prémio Nacional de BD/2012, na alínea "Clássicos da 9ª Arte", incidindo sobre o livro editado em 2012 "Sangue Violeta e Outros Contos", no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde, além disso, esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Durante 2014 realizou, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", terminada em fins de Setembro, que é editada em Agosto de 2015, numa versão em inglês, redigida pelo próprio Relvas.


Geraldes Lino 

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Quem estiver interessado em ver notícias sobre palestras tratadas anteriormente, basta clicar no item Palestras visível no rodapé 

sexta-feira, agosto 14, 2015

Lançamento - Nau Negra The Last Black Ship




Merecidamente, Fernando Relvas vai ver editada a sua mais recente obra em BD, o romance gráfico Nau Negra The Last Black Ship, graças às Edições El Pep, de Pepedelrey, aliás Pedro Pereira.

Para o lançamento (*) da obra, cujo texto é em língua inglesa, da autoria do próprio Relvas, escreveu ele também o seguinte texto de apresentação:

Nau Negra é uma obra de ficção em banda desenhada e não uma tentativa de reconstituição histórica. 

É, contudo, sustentada por referências históricas concretas e procura dar uma ideia do ambiente da época, ainda que de modo ligeiro. 

Charles Ralph Boxer é, neste campo, a principal fonte de inspiração e, sobretudo, uma ampla fonte de informação. 
Os acontecimentos desta história foram tirados da sua obra “O Grande Navio de Amacau.” São eles o destino trágico da nau Madre de Deus capitaneada por André Pessoa e destruída à saída de Nagasaki, depois de três dias de luta em Janeiro de 1610, e as peripécias registadas por Richard Cocks, feitor inglês de Hirado, da nau Nossa Senhora da Vida, capitaneada por Lopo Sarmento de Carvalho, oito anos depois. 

Boxer, nas suas obras, dá-nos mais do que uma possível interpretação das informações que colheu. 
Para este enredo, criei mais uma. A ideia de um aventureiro japonês surgiu ao deparar com uma fugaz referência à presença de japoneses entre os corsários de Argel, nas primeiras décadas de 1600, escondida numa nota de rodapé em “O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico” de Fernand Braudel. 

Não sabia eu, então, que a presença de japoneses nos mares dessa época era muito maior do que uma ideia enraizada, a do Japão-país-fechado, nos faz crer. Porém, a ideia do japonês aventureiro, o barqueiro da história, talvez tivesse sido esquecida ao fim de algum tempo se eu não transportasse comigo, na bagagem, uma antiga publicação sobre os biombos namban do Museu Nacional de Arte Antiga. Foram as imagens dos biombos que me mantiveram agarrado, durante anos, à ideia de fazer esta história.

Os melhores biombos namban do Museu Nacional de Arte Antiga, feitos no Japão no princípio do século XVII e que representam a chegada de navios portugueses, são um trabalho complexo e podem ser incluídos na lista das mais bem conseguidas narrativas gráficas que se conhecem. Não é um trabalho apenas decorativo, como se espera de um biombo, não é simples caricatura para entreter ou exclusivamente um relatório ou reportagem sobre um determinado acontecimento, são sobretudo várias histórias em torno de episódios de um acontecimento. Quando comparados com as detalhadas ilustrações que os artistas japoneses fizeram, uns séculos mais tarde, da chegada dos navios americanos, e que se aproximam muito claramente da informação militar, percebe-se que a intenção é mesmo fazer um filme que torne acessível ao observador japonês não só informação técnica e militar, como também comportamental. 


Para quem a saiba ler, cada um daqueles narizes compridos é uma bandeira espetada num pedaço de informação. Cada um conta uma história ligeiramente diferente, mas talvez mais humana e acessível, até caricatural, dentro de um conjunto que, por sua vez, é radicalmente diferente daquele a que é destinada a mensagem, pintado por convenções sociais e enquadramento técnico, por vezes interpretados ao pormenor.
 

Exceptuando o sermão do frade italiano, tirado de um texto de Frei Tomé de Jesus, de finais do século XVI, não fiz qualquer esforço para preservar o discurso da época, mas deixei bem visíveis as ansiedades de classe dos portugueses, através da manipulação um pouco arbitrária dos pronomes de tratamento. 

Convém, ainda, para compreender os europeus da época, lembrar que o banho era francamente impopular, que a crença nas relíquias de santos e mártires era uma febre mórbida e devoradora, que o martírio, por cruel que fosse, era tido em grande glória e mesmo provocado, que a tortura e a execução eram apreciados espectáculos públicos, que as chacinas cometidas nas guerras religiosas da época eram tidas como exemplos a emular, que foram tempos de escravatura desenfreada e brutal, defendida em nome do realismo económico, e que, no Oriente, escravos até os havia nas comitivas de guarda-costas e espadachins dos portugueses abastados.
 

Existem várias referências à presteza com que os japoneses lidavam com situações de perigo. Como este excerto duma carta de Diogo do Couto, referindo-se a um episódio em que os portugueses assistiam passivos ao roubo da sua fazenda pelos holandeses, datada de Goa, 23 de Dezembro de 1605:

“(…) e andando os olandezes em terra tomando entrega della, e os nossos Portugueses da náo com maõs amarradas sem fazerem nada, enfundio deos nosso senhor Animo em quinze ou vinte Japõis Christãos, que aly estavao em huma soma, e aleuantando hum cruxifiçio Remeterão com suas catanas aos olandezes e mataraõ a mor parte delles, e daquelle caminho logo se forão embarcar em huma soma e se forão.”

A propósito de cortes de orelhas, antiga punição legal que criou a categoria de “desorelhados”, e com a mesma naturalidade com que fala de degolações e de cabeças empilhadas, narra António de Oliveira Cadornega na “História Geral das Guerras Angolanas”: “(…) dizião os Antigos Conquistadores fora tanta a matança em aquele basto gentio que mandára o nosso Conquistador a Portugal dous Barris de seis Almuzes de narizes e orelhas do gentio que se havia morto naquellas batalhas e recontros (…)”


Por seu lado, conta Frei Paulo da Trindade, na abundante descrição de martírios e milagres que são os três grossos volumes da “Conquista Espiritual do Oriente”, a propósito duma particular relíquia dos mártires do Japão, que podia muito bem ser semelhante à que o frade italiano trouxe discretamente para bordo:


“(…) um italiano chamado João Baptista, colheu em um chapéu muito sangue do Comissário e dos bem-aventurados mártires (…) e depois o lançou em um bule de porcelana e o guardou, e nove meses depois do martírio (…) se quebrou a vasilha onde o sangue estava, o qual foi achado líquido e sem nenhum mau cheiro, como consta do testemunho que disto se tomou.”

Respeitou-se a informação contida nos biombos, em relação às naus. Há três tipos de naus representadas nos principais biombos namban, uma mais antiga, atribuída a Kano Domi, com dois castelos saindo sobre a proa e popa do navio, típico das naus do século anterior, mas que são tão cómicos que é duvidoso que o artista tenha chegado a ver alguma delas, e duas outras atribuídas a Kano Naizen, em que o castelo de proa, mais discreto, já vem na continuação do casco e prolonga-se pelo beque, e em que a superstrutura da popa ou é quadrada ou exibe uma tentativa de modernização, alta e com um final muito estreito.


Escolhi esta para a nau mais recente, em que decorre a história, e aquela para a nau da batalha. Quanto ao perfil das galeotas, parece-me possível que variasse entre as linhas da galé e do pataxo. Escolhi dar à que aparece aqui uma forma de pequeno pataxo, tal como é referido em texto da época. Em qualquer dos casos, não se procurou tratar as embarcações em pormenor, ou com exagerado rigor.
 

A solução encontrada pelos passageiros da nau para escapar ao navio corsário holandês, ou seja, adiar a viagem por um ano, esperando que ele então já lá não esteja, não é de estranhar, pois era prática corrente não sair enquanto houvesse inimigo na costa. A atitude passiva dos portugueses, já comentada desfavoravelmente na carta de Diogo do Couto, justifica-se em parte pelas conhecidas capacidades náuticas dos navios norte-europeus, ao ponto de André Furtado de Mendonça, Capitão-Mor e Geral do Mar do Sul, em carta de Amboino, de 10 de Maio de 1602, comparar o seu próprio navio a um ponto de aguada em terra: 

“(…) e indolhe dando caça hum pedaço (…) e não ter outro velame para meter nas vergas, e as naus ingresas serem tão ligeiras que com o papafigo de proa sem outra nenhuma vella dado, hião desapareçendo de nos, surgi em paragem (…); visto estar desenganado que a mais ligeira nao de minha companhia em comparação da dos Ingreses fica sendo o morro d’Angediva; mas ao que Deus ordena não ha poder fugir (…)”

(*) O lançamento vai ter lugar no dia 15 de Agosto, Sábado, pelas 17h30 na

El Pep Store & Gallery
Lx Factory
Rua Rodrigues Faria, 103 - Edifício I, Piso 0
Espaço 0.01D.5
Alcântara
Lisboa  


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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica (Versão Actualizada)

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
 

Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: Palmyra (2007), The Chinese Master Spy (2008), Li Moonface (2011), Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy? (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura. 

Em 2013 foi-lhe atribuído um Prémio Nacional de BD/2012, na alínea "Clássicos da 9ª Arte", incidindo sobre o livro editado em 2012 "Sangue Violeta e Outros Contos", no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde, além disso, esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Durante 2014 realizou, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", terminada em fins de Setembro, que é editada em Agosto de 2015, numa versão em inglês, redigida pelo próprio Relvas.


Geraldes Lino 


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segunda-feira, maio 25, 2015

Teaser (V) - BD "Nau Negra", de Fernando Relvas








Escreve Fernando Relvas, à laia de intróito, que "Nau Negra é uma obra de ficção em banda desenhada e não uma tentativa de reconstituição histórica. É, contudo, sustentada por referências históricas concretas".

Assiste-se, de facto, ao longo de oitenta e cinco pranchas, valorizadas por notável trabalho cromático, a uma trama ficcional intensa, constituindo figuração narrativa de inquestionável nível.

Entre variadas peripécias, entremeiam-se informações técnicas e comentários jocosos. Fica-se a saber, no primeiro caso, que as naus holandesas são rápidas, enquanto que o Navio Negro, português, é muito grande e lento; e no segundo, que "uma nau cheia de portugueses é uma nau cheia de teimosos".

Enquanto a obra não é editada, fica aqui uma mínima amostragem gráfica em modo de teaser.

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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica (Versão Actualizada)

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: Palmyra (2007), The Chinese Master Spy (2008), Li Moonface (2011), Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy? (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura. 

Em 2013 foi-lhe atribuído um Prémio Nacional de BD/2012, na alínea "Clássicos da 9ª Arte", incidindo sobre o livro editado em 2012 "Sangue Violeta e Outros Contos", no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde, além disso, esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Durante 2014 realizou, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", terminada em fins de Setembro.


Geraldes Lino 
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domingo, abril 19, 2015

Teaser (III) - BD "The True Story of My Rebel Left Slipper", de Fernando Relvas







Na banda desenhada - tal como na literatura - o género autobiográfico funciona como tema com razoável frequência, e alguns autores de BD de renome estão-lhe associados. Entre outros Joe Sacco e Art Spiegelman. 

Está prestes a juntar-se-lhes Fernando Relvas, cuja obra em construção "The True Story of My Rebel Left Slipper" constitui uma corajosa e dramática assunção de sofrer da doença de Parkinson, que lhe foi diagnosticada há três anos.

Relvas, nesta apresentação da futura obra - onde até se detecta uma réstia de amargo humor - utiliza um impressionante grafismo, sombrio e pesado, condizente com a situação que descreve.

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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão CoManteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: "Palmyra (2007), The Chinese Master Spy" (2008), "Li Moonface" (2011), "Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy?" (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura.

A obra "Sangue Violeta e Outros Contos", recolha de três bandas desenhadas ("Sangue Violeta", "Tax Diver" e "Sabina") publicadas originalmente no semanário Sete, foi editada em livro sob o selo ElPep, em 2012, e foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Clássicos da 9ª Arte pelo Festival Internacional de Banda Desenhada - AmadoraBD 2012, onde esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


 No ano de 2014,  mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, realizou a obra "Nau Negra".

G.Lino 


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quarta-feira, janeiro 21, 2015

Exposições BD Avulsas (Lisboa) - Relvas



Relvas, Fernando Relvas, é um dos autores de referência da BD portuguesa, nunca é de mais afirmá-lo. E também nunca é de mais haver oportunidades para poder apreciar, e comprar, pranchas originais de bandas desenhadas de sua autoria.

Ora é exactamente esse ensejo com que se depara quem visitar a exposição que se inaugura hoje, 4ª Feira, 21 de Janeiro, pelas 18h30, no Espaço Arte da Livraria Europa-América, em Lisboa, onde estarão expostas 120 pranchas originais pertencentes a obras de BD já publicadas em jornais, revistas e álbuns.

Um pormenor inusitado: as pranchas, para além de poderem ser vistas, também podem ser compradas.
Para as visionar, apreciar e, eventualmente, comprar, haverá 20 expostas na parede, as restantes em expositores. 
Todas a 280€, excepto a mais pequena que custa 350€ 

Incluída na inauguração da exposição será projectado um filme de animação "Fado na Noite", na realização do qual Relvas teve contribuição fundamental. (*)

Espaço Arte 
Livraria Europa-América
Av. Marquês de Tomar, 1B
Lisboa
 
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(*) "Fado na Noite" (2012), de Fernando Relvas (11' 04'')


"Fado na Noite" (2012), de Fernando Relvas (11' 04'')

Argumento, Autoria Gráfica, Realização, Storyboard e Layouts: Fernando Relvas / Produção e Co-Realização: Humberto Santana / Animação: Osvaldo Medina / Traçagem de Máscaras: Élio Machado, Humberto Santana e Osvaldo Medina / Direcção técnica, scan, pintura, processamento de imagem e montagem: Luís Canau / Fados compostos com quadras e músicas populares / Direcção e gravações musicais: João Penedo / Fadistas: Mafalda Taborda – Tagana (Guitarra, minha guitarra, Eu pedi a Deus a Morte e Pelo canto das sereias), Ricardo Ribeiro – Belezas (Rapazes quando eu morrer), Marco Oliveira – Briol (Nasci nas praias do mar e Tenho dentro do meu peito) / Músicos: João Penedo – Baixo e Contrabaixo; Ricardo Rocha – Guitarra Portuguesa; Carlos Mil Homens – Percussão; Marco Oliveira – Viola / Vozes: Mafalda Taborda, Ricardo Ribeiro, Marco Oliveira, Humberto Santana, Osvaldo Medina, Luís Canau, Paulo Curado, Élio Machado, Rui Miguel Silva / Sonoplastia: Paulo Curado - Estúdios Animanostra / Edição: Mixturas / Administração: Manuela Costa / Contabilidade: Paula Cruz / CPI / Produção financiada por:ICA /MC e RTP / ANIMANOSTRA 2012


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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: "Palmyra (2007), The Chinese Master Spy" (2008), "Li Moonface" (2011), "Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy?" (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura.

Em 2013 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de BD/2012 pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Esteve parte do corrente ano de 2014 a preparar, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", quase terminada em fins de Setembro.

G.Lino
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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes cinquenta e nove "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas visível no rodapé.

sexta-feira, outubro 03, 2014

Relvas, autor de BD, e o "crowdfunding"


Como acontece à maior parte dos autores portugueses de BD, Relvas, Fernando Relvas, tem dificuldade em ser editado pelas editoras nacionais e, cumulativamente, a sua capacidade económica é insuficiente para ser ele próprio a auto-editar-se.

Mas existe o sistema chamado crowdfunding - que noutros países tem sido bastante utilizado, consta que com bons resultados - a que Fernando Relvas também recorreu agora para conseguir editar uma nova obra. 

Apesar dessas experiências positivas no estrangeiro, o nosso compatriota está algo desapontado com a escassa adesão dos aficionados portugueses ao sistema. 

Daí que, para divulgar a situação, este bloguista lhe tenha apresentado algumas questões.

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Entrevista com

FERNANDO RELVAS


Geraldes Lino - Depois de teres publicado, entre 2007 e 2011, com base no sistema usado pela editora Lulu, as bandas desenhadas "Palmyra", "The Chinese Master Spy", e "Li Moonface", decidiste largar esse sistema de "print on demand". Porquê? Não funcionou bem?

Fernando Relvas - Não larguei o sistema de print-on-demand por muito tempo. Em 2013 saiu uma nova versão de Palmyra pela CCB Publishing que está disponível online em vários sítios. 
Mas é certo que até agora não tem funcionado muito bem. 

G.L. - Estás agora a elaborar outra obra de BD, a "Nau Negra. One Boatman, Two Ships", também a cores. Podes dizer-me quantas pranchas já tens feitas, e também descrever, em síntese, o tema?

Fernando Relvas - O título em português é só "Nau Negra", e a versão inglesa está prevista para ser publicada em print-on-demand.
A história tem cerca de 100 páginas, com 50% já feito (cerca de 70 páginas com interrupções. 
A trama passa-se junto ao porto de Nagasaki no início do século XVII. Há material da história que pode ser visto nos blogues "Urso do Relvas"
http://urso-relvas.blogspot.com

mas posso adiantar que tem de tudo, portugueses, japoneses, ingleses, italianos, a bordo de um navio que anda às voltas no mesmo sítio.

G.L. - Desta vez decidiste recorrer à plataforma crowdfunding, ainda pouco divulgada em Portugal, penso eu, para a edição da "Nau Negra".
Podes dar uma ideia sucinta da forma como é que funciona esse sistema?

Fernando Relvas - E obviamente há a apresentação, muito completa, na página da campanha de fundos

no Indiegogo, que é uma plataforma onde se podem iniciar campanhas de angariação de fundos. Não é assim tão recente quanto isso, só que nos primeiros anos só funcionava para os Estados Unidos, onde neste momento já é um sistema comum. 
O próximo filme de Martin Scorsese foi financiado através de crowdfunding
Em Portugal, onde o "pedir esmola" faz parte da estrutura social, o conceito custa a entrar e causa, no mínimo, confusão às pessoas.
A campanha destina-se a financiar o acabamento da história em português e a edição em inglês. A publicação da edição em poruguês ainda está em aberto.

G.L. - A campanha de crowdfunding começou em 2 de Setembro e terminará a 1 de Novembro de 2014. 
Sendo tu um autor de BD de elevado prestígio, como está a decorrer a participação do público interessado em banda desenhada?
 


Fernando Relvas - Não parece haver ninguém da BD no horizonte, nem discutindo, nem contribuindo, nem sequer rabujando.
Alguns passaram pela página da campanha e nem bom dia disseram, ou aconselharam a outros mas não participaram. Será timidez? Tirando raros e corajosos membros da tripulação que avançaram logo no início.

Entretanto, quando estava a acabar as respostas à tua entrevista, recebi uma boa notícia: o Centro Cultural de Portugal em Tóquio aceitou divulgar a campanha na página do facebook.
Se fores ao meu blogue "Urso do Relvas" tens lá uma nova animação sobre a campanha.


G.L.- Faço votos para que esse teu pequeno filme (fui agora mesmo vê-lo, está bem feito e com muita piada!) anime o crowdfunding...


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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: Palmyra (2007), The Chinese Master Spy (2008), Li Moonface (2011), Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy? (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura.

Em 2013 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de BD/2012 pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Esteve parte do corrente ano de 2014 a preparar, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", quase terminada em fins de Setembro.