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domingo, novembro 29, 2009

Teatro na Banda Desenhada (III) - O Crime de Arronches - Autores: Eugénio Silva (desenhador), Henrique Lopes de Mendonça (dramaturgo)

As possibilidades de criatividade da Banda Desenhada estão bem visíveis nesta prancha, que ultrapassa qualquer hipótese de cena em Teatro e até mesmo no Cinema, porque a simultaneidade da imagem do intérprete com a sequência de luta, só é mesmo possível na BD

 






Uma peça teatral como argumento para banda desenhada é pouco frequente entre nós, e até mesmo no estrangeiro (*). Mas é disso mesmo que trata O Crime de Arronches (**), uma adaptação à Figuração Narrativa realizada por Eugénio Silva da peça homónima de Henrique Lopes de Mendonça.

Localizada no Alentejo, a vila de Arronches serve de cenário à peça que se passa na primeira metade do século XVI. O enredo não é complicado, mas suficientemente apelativo, tendo como base um quarteto de personagens - a atraente Margarida do Telheiro, Gaspar Palhoça, o marido, Gomes Tição, o mau da história, e Simão Ventura, o carpinteiro.

Margarida e Gaspar formam um casal feliz, mas Tição, fascinado pela jovem mulher ("essa criatura põe-me o sangue em alvoroço", diz ele), engendra um ardil para raptar Margarida e vemos, num flashforward, a sua tentativa de violar a jovem mulher.

Tição aparece morto, Simão Ventura, o carpinteiro, que tinha discutido com ele na taberna, é acusado como principal suspeito. Mas Gaspar Palhoça, sentindo que está em perigo um inocente, conta como tudo se passou quando se lhe deparou a cena de tentativa de violação de sua mulher pelo Tição, a luta que se trava entre ambos, e a morte acidental deste.

Segue-se a condenação de Gaspar, o desalento do jovem, e o desespero de Margarida... O drama adensa-se...

As últimas cinco pranchas da BD, representativas das derradeiras cenas da peça, são desenhadas por Eugénio Silva com evidente sentido teatral. 
Nada de espantar, se soubermos que o ilustrador de BD é também actor amador... Aliás, pormenor curioso, o intérprete Gaspar Palhoça teve por modelo um colega de teatro do autor da banda desenhada.

(*) Para ver pormenores de uma bem interessante adaptação à BD de peças de Shakespeare, basta clicar no rodapé
(**) Há mais imagens desta adaptação teatral "O Crime de Arronches", mas numa diferente rubrica, a "Álbuns de Banda Desenhada imprevisíveis e difíceis de obter", no "post" anterior.
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Postagens anteriores, que poderão ser visíveis por um simples clic no item Teatro na Banda Desenhada inscrito em rodapé nas "Etiquetas para esta mensagem"

(II) Março 27 - Shakespeare: Hamlet; Romeu e Julieta; A Tempestade - Desenhos de Gianni De Luca - Dramaturgia de Shakespeare
2006 - daqui para cima

(I) Out. 21 - O Mistério da Camioneta Fantasma - Desenhos de Pedro Massano - Dramaturgia de Helder Costa
2005 - daqui para cima

segunda-feira, março 27, 2006

Teatro na Banda Desenhada (II) - Hamlet - Romeu e Julieta - A Tempestade - Gianni De Luca (desenho), Shakespeare (dramaturgia)

Capa do álbum publicado pelas Edições Celbrasil -Companhia Brasileira do Livro - Lisboa, datado de Outubro de 1977

Celebra-se hoje o Dia Mundial do Teatro, criado em 1961 pelo Instituto Internacional de Teatro.

E porque a Banda Desenhada tem fortes afinidades com as artes que dependem da imagem e da palavra, há obras em que as suas linguagens artísticas se fundem.

É o que acontece com a obra intitulada Shakespeare - Banda Desenhada - Hamlet. Romeu e Julieta. A Tempestade, uma adaptação realizada pelo notável artista italiano Gianni De Luca.

Reprodução da prancha inicial da banda desenhada que "põe em cena" a peça Hamlet

Reprodução parcial da 1ª prancha (trata-se de prancha dupla, a ocupar duas páginas) da banda desenhada baseada na peça Romeu e Julieta

Repare-se na interessante e nada habitual linguagem gráfica adoptada por Gianni De Luca para criar a ilusão de movimento, desenhando as personagens em imagens consecutivas situadas em plano descendente semi-circular, convenção visual que se observa nesta vinheta pertencente à peça "Romeu e Julieta", e em plano descendente oblíquo, na de baixo.

1ª prancha da banda desenhada baseada na peça A Tempestade
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GIANNI DE LUCA

Síntese biográfica

Gianni De Luca (1927-1991)
Artista italiano nascido em Gagliato, na província de Catanzaro, Janeiro de 1927.

Estudou Arquitectura em Roma, mas cedo se dedicou à Banda Desenhada, em trabalho executado para o semanário católico Il Vttorioso.

Entre as primeiras obras, realizadas em 1947- 48 (nos seus verdes anos ainda) que mereçam destaque, conta-se "Il Mago da Vinci", onde foca aspectos da vida de Leonardo da Vinci.

Em 1971 foi galardoado com o prémio Yellow Kid, no Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione (Lucca, Itália).

Quem leu a popular revista Cavaleiro Andante (publicada entre 1952 e 1962) lembrar-se-á talvez de algumas bandas desenhadas sob a sua assinatura: "David Pastor da Judeia", "A Esfinge Negra" e "O Império do Sol". 
Nos Álbuns do Cavaleiro Andante e nos Números Especiais do Cavaleiro Andante (publicações complementares) houve ainda outras obras suas, de que se destaca "O Colar Etrusco".

O eclectismo do artista permitiu-lhe tratar, com elevado nível de criatividade, vários temas, entre os quais o policial, como é exemplo "O Caso da Rua 14", publicado no Álbum do Cavaleiro Andante nº 84 (Maio de 1961) e reproduzido de novo no livro "Cavaleiro Andante", da autoria de Leonardo De Sá e António Dia de Deus, sob chancela conjunta de Edições Época de Ouro e Editorial Notícias.
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Os visitantes que estiverem interessados em ver o "post" anterior, poderão fazê-lo clicando no item Teatro na Banda Desenhada visível no rodapé 

sexta-feira, outubro 21, 2005

Teatro na BD (I) ­- O Mistério da Camioneta Fantasma – peça adaptada à BD por Pedro Massano

Uma vinheta da obra de BD em execução

Acaba de estrear em Lisboa, no Teatro "A Barraca" (teve duas representações com a categoria de estreia), em 18 e 19 de Outubro, a peça O Mistério da Camioneta Fantasma, com texto e encenação de Helder Costa.

No programa elaborado para acompanhamento da peça insere-se o enquadramento histórico da trama, que se inicia no dia 19 de Outubro de 1921, data em que "desabou sobre Portugal uma horrível tragédia", conforme se pode ler no programa.

É sobre a série de acontecimentos de cariz dramático que gira a peça, valorizada por um conjunto de actores que conseguem transmitir de forma impressiva as emoções criadas pelos acontecimentos.

Mas o que tem a ver a BD com isto?

Bom, acontece que foi na Tertúlia BD de Lisboa que Pedro Massano e Hélder Costa se conheceram. E como fui eu a apresentá-los, fui tendo conhecimento do projecto que teve início naquele encontro.

A peça já está feita, Hélder Costa fez investigação histórica e escreveu o argumento. O cartaz e a animação gráfica são de Pedro Massano, que também ilustrou o programa, onde se incluem as caricaturas dos actores (Rita Fernandes, João d'Ávila e outros) e do próprio encenador.

E a BD, onde é que aparece? Para já, no "foyer" do teatro, numa vitrine existente logo à entrada, estão expostas quatro pranchas, desenhadas, legendadas e coloridas por Pedro Massano, as primeiras de um total previsto de 64, para um álbum que irá ter o mesmo título da peça.

"Mas olha que não se trata da transposição da peça para a Banda Desenhada" – esclarece Pedro Massano. "Isto é assim: o Helder Costa tinha um texto bastante extenso, mas adaptou-o para a peça que acaba de estrear, e que nós estivemos a ver".

"Como eu e o Helder Costa já tínhamos falado acerca do desafio que ele me tinha feito – por acaso até foi na tua tertúlia – há um ano e tal, mais ou menos".

"Eu entretanto fui mastigando, e quando peguei nisso, foi talvez em Maio, comecei a comparar o texto da peça com alguns dados históricos que há desse episódio, que tem a ver com um dos muitos golpes que houve na 1ª República."

"Mataram-se cinco pessoas nessa noite de 19 de Outubro, todas elas vultos importantes do nascimento da República. E o que eu faço é comparar o texto da peça com a descrição real do que aconteceu."

Pedro Massano acabou por aqui a sua explicação. Assim, por mero acaso, este blogue dá um passo que julgo não vulgar nos seus congéneres, ao registar uma mini-entrevista com um autor português. Em primeira mão, aqui fica a notícia destes primeiros passos na realização de uma banda desenhada, mais uma, de Pedro Massano, desta vez relacionada com uma peça teatral, experiência original na sua já longa carreira e categorizada carreira..

Nota: A vinheta reproduzida no início do "post", foi fotocopiada da prancha original (por amável deferência do autor) e tem ainda, como se verifica, a legendagem apenas feita a lápis.