terça-feira, agosto 30, 2005

Revistas BD (II) - Estrangeiras: BoDoï - a BD em revista francesa (2ª parte)

Ao continuar a análise do nº 88 da BoDoï, é indispensável falar-se da divertidíssima rubrica "Le Pinailleur" (traduzível por "O Cocabichinhos"), que vive da colaboração dos leitores e das suas sagazes observações, algumas constituindo autênticos achados.

Exemplo de um deles: o leitor Vincent de Houilles faz o reparo (pertinente) acerca da mudança de posição, em vinhetas diferentes, da espada de Abraracourcix (eu sei, a editora portuguesa ASA mudou-lhe o nome e a outros dos intérpretes da série, em álbum recente, mas isso dará para uma conversa específica noutro poste).
Vincent enviou duas vinhetas do episódio Astérix entre os Belgas (Astérix chez les Belges), onde, numa delas, o chefe dos gauleses tem a espada do lado direito do corpo (prancha 9A - pág. 13, 1ª vinheta), como lhe é habitual, e na página seguinte (prancha 10A - 1ª vinheta) a espada já aparece do lado esquerdo.

Entretanto, lendo e visionando, uma vez mais, tantos anos passados, a antiga edição do álbum, também eu reparei que o mesmo volta a acontecer na página 27 (prancha 23B), onde, em duas vinhetas contíguas, exactamente as últimas da página, a espada muda de um lado para o outro do corpo de Abraracourcix, de uma vinheta para a seguinte.

Em ambos os casos, é óbvia a distracção de Uderzo. Mas, se no exemplo descoberto pelo leitor francês, poderá ter havido erro de "raccord", por se verificar em pranchas diferentes, naquela que eu próprio detectei a falha é algo indesculpável, pois acontece no momento em que o desenhador termina a prancha 23B, com as duas imagens do chefe gaulês e mais a sua espada "dançante", em vinhetas desenhadas ao lado uma da outra!

Estes gauleses são loucos... e distraídos.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (VI) "9ª Arte" - Rubrica de BD em jornal de Loulé

Imagine-se alguém apreciador de banda desenhada que, numa qualquer cidade de província, ao comprar o periódico local, se depara com uma página inteira a falar de BD e a mostrar bandas desenhadas, publicadas em continuação ao ritmo de uma prancha semanal... É fácil prever que esse bedéfilo se sentirá entusiasmado com a iniciativa, lerá com eventual curiosidade os artigos e ficará ansiosamente à espera do número seguinte.

Terá sido assim o que aconteceu a numerosos bedéfilos de Loulé, leitores do semanário O Louletano, no dia 30 de março de 2004, dia em que se iniciou a rubrica 9ª Arte, uma página inteira, com muito boa apresentação.



Sob este título em caixa alta, 9ª ARTE - classificação algo discutível que bedéfilos franceses de prestígio deram à BD, na década de sessenta do século passado - mais os subtítulos "Memórias da Banda Desenhada - Pesquisa e coordenação de Jobat" e "Nostalgia", seguindo-se a identificação do autor do texto, José Batista (afinal, Jobat)), assim se apresenta este inesperado suplemento de, e sobre, Banda Desenhada.

Para início, 9ª Arte apresentou o primeiro de três artigos intitulados "ETCoelho, eu e O Mosquito", que ocupou o espaço de três páginas (no mesmo número de semanas), copiosamente ilustradas com desenhos de mestre Eduardo Teixeira Coelho, falecido recentemente.

Na mesma linha de divulgação de biografias de autores de nomeada, José Batista já escreveu acerca de Vítor Péon (oito capítulos, bem ilustrados), de José Garcês e as suas primeiras H.Q. (Jobat parece preferir Histórias aos Quadradinhos, em detrimento de Banda Desenhada), logo após escreveu sobre "Sua Majestade El-Rei O Mosquito", descreveu em seguida, com profundo conhecimento de causa, "O Império editorial da Agência Portuguesa de Revistas" (treze capítulos!).

Outros articulistas têm contribuído para o espaço literário da página, casos de Jorge Magalhães, que analisou a fundo Raul Correia, como co-editor de "O Mosquito" e como novelista, bem como Carlos Alberto, banda-desenhista e pintor (personalidade que mereceu também de José Batista vários artigos complementares. De Magalhães é igualmente o texto "Uma revista 100% Portuguesa", referindo-se à publicação intitulada "Camarada", editada pela extinta organização "Mocidade Portuguesa". Entretanto, o autor José Pires autobiografou-se, e José Batista dissertou sobre Roussado Pinto, enquanto editor de revistas de BD, argumentista (Edgar Caygill) e novelista (Ross Pynn).

No capítulo da BD propriamente dita, têm sido publicads váriasm ao ritmo de uma página por semana, no sistema de "continua no próximo número". Foram contemplados, até agora, o próprio Jobat, através da sua bd Ulisses, seguido por José Garcês, representado por A Maldição Branca, depois Carlos Alberto com A Filha do rei de Nápoles, e José Pires, sob argumento de Benoît Despas com O Perro Negro.

No que se refere à rubrica 9ª Arte - cujo título é recuperado do "Jornal do Cuto", com o mesmo grafismo, suponho que da autoria do próprio Jobat, que foi colaborador daquela revista - e ao excelente trabalho de José Batista, dá-se aqui o devido relevo.
Mas convém acrescentar que o jornal Louletano tinha iniciado a divulgação de BD em 11 de Junho de 2003, pela republicação de A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões, desenhos de José Batista, ilustre louletano.

Como se vê, em Loulé há um jornal e um bedéfilo - bom, há dois, José Batista e José Carlos Fernandes! - que merecem destaque. Divulgando BD fá-lo, justificadamente.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Revistas BD (I) - Estrangeiras: BoDoï, a BD em revista francesa (1ª parte)

Após o desaparecimento da sempre lembrada A SUIVRE, parecia que dificilmente poderia ser substituída no apreço dos numerosos bedéfilos portugueses que a coleccionavam.

Mas como que a "reencarnando" - embora com evidentes diferenças - surgiu há 88 números a BoDoï (os franceses lêem bodói e não boduá, como já ouvi).

Este dito octagésimo oitavo número, chegado há pouco às bancas (a sério, não se vende apenas nas "boas livrarias"), refere-se ao período bimestral de Agosto-Setembro.

Mantendo a linha editorial que a tem caracterizado, a BoDoï tem várias bandas desenhadas de continuação, e numerosas páginas de texto. É a esta parte que hoje me refiro. Nelas se incluem:

-uma entrevista a Albert Uderzo, dando já a notícia do seu 33º Astérix, a ser lançado a 14 de Outubro próximo;
-também é entrevistado o inovador Joan Sfar
-inclui igualmente uma entrevista ao muito prestigiado Jacques Tardi.

Ainda nos textos, há a útil coluna INFOS, onde se podem encontrar informações preciosas, como seja a que regista a edição "hors série" do jornal Libération, que consagra seis páginas ilustradas por Loustal a contar a História do Jazz nestes últimos trinta anos.

Muito - mas, oh, muito mesmo! - surpreendente é a novidade que divulgam, em relação ao CNBDI- Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image (só a sigla é que é igual à da Amadora), novidade essa que consiste na realização do
1º Fórum da Imagem Desenhada Francesa, em Pekin (sim, na China, exactamente aí!), entre 6 e 9 de Outubro. A minha alma está parva, como dizia a minha mãe.

Voltarei a referir-me ao nº 88 da BoDoï. O merecido é devido.

domingo, agosto 21, 2005

Homem-Aranha em Portugal, ao mesmo tempo em dois locais

Não, não se trata de o Spider-Man ter agora também o dom da ubiquidade, pelo facto de aparecer em simultâneo em dois locais diferentes, cá por estas bandas lusitanas.

Acontece, simplesmente, o seguinte: na continuação dos artigos dedicados ao tema "Heróis-Jornalistas da Banda Desenhada", que o jornal Público tem estado a apresentar, aos domingos, em textos assinados pelo jornalista, "doublé" de crítico de BD, Carlos Pessoa, a personagem apresentada neste Domingo, 21 de Agosto, foi o Homem-Aranha, herói que deu azo ao artigo "Spiderman (sic) - Repórter fotográfico em part-time".

O BI divulgado dá os elementos essenciais. Informa os nomes dos criadores, Steve Ditko, desenhador, e Stan Lee, argumentista. Data de nascimento do herói: 1962. Local: Revista Amazing Fantasy (USA). Profissão: Repórter fotográfico, enquanto Peter Parker. E no que se refere a este pormenor que os leitores sabem desde sempre, é triste dizê-lo mas o jovem Parker só se aguenta no emprego por ser o único repórter a conseguir fotos do Homem-Aranha, por razões óbvias.
Após o bem elaborado, embora necessariamente sintético, artigo desta semana, teremos no próximo Domingo a continuação da série, com a apresentação de Ernie Pike.

Também em continuação, mas neste caso de uma colecção, intitulada "Série Ouro", em edição portuguesa pelas Edições Devir, num lançamento dominical junto com o matutino Correio da Manhã, surgiu neste mesmo dia 21 de Agosto (um Domingo em cheio para os bedéfilos), o bem apresentado volume (nº 9 da colecção) com o título "Homem-Aranha, Regresso às Origens".

Trata-se de um conjunto de volumes, muito bem apresentados, em bom formato (18x26cm, um pouco menos do que A4), capa e miolo a cores, cujos anteriores oito álbuns foram dedicados a:
Capitão América- nº1; Batman- nº2; Quarteto Fantástico-nº3; Mónica (*)-nº4; Elektra-nº5; Star Wars-nº6; Wolverine-nº7; Tex-nº8.

(*) O nome da personagem aparece na capa com a grafia do português do Brasil, "Mônica". Mas se os brasileiros abrasileiram os nomes, nós temos o direito de os aportuguesar. Nenhum bedéfilo português alguma vez terá pronunciado aquele nome com o "o" fechado (ô) mas com ele bem aberto, (ó).

sábado, agosto 20, 2005

Hugo Pratt e Corto Maltese - o fim há dez anos







HUGO PRATT e CORTO MALTESE


Será possível já se terem passado dez anos após a morte de Hugo Pratt? Pois será, um cancro o levou a 20 de Agosto de 1995. Tinha nascido em Rimini, perto de Veneza - ele dizia-se veneziano, era o que sentia, em Veneza tinha passado uma fase importante da juventude -, estava-se em 1927, a 15 de Junho.

Passados quarenta anos e um mês, em Julho de 1967, Pratt vê iniciar-se a publicação de "A Balada do Mar Salgado", sua obra de referência - uma das mais importantes na História Mundial da Banda Desenhada -, na relativamente modesta revista italiana "Sgt. Kirk". Seria ali, portanto, o berço de papel e tinta do herói Corto Maltese.

Pratt traçou-lhe uma imagem elegante, deu-lhe perfil aristocrático, pôs-lhe um brinco na orelha. E aqui cabe perguntar: que outro herói europeu da BD, nascido em fins dos anos 1960, se atreveria a usar tal adereço? A única justificação que terá tido Hugo Pratt, perante a curiosidade dos bedéfilos mais conservadores, é que a mãe de Corto era uma charmosa cigana andaluza.
Outra característica da personagem, do foro psicológico, tem a ver com o seu gosto pelas viagens, mas essa foi herdada do pai, marinheiro inglês. Ou até do próprio Pratt...

Com efeito, Hugo Pratt sempre foi um cidadão do mundo. Nascido em Itália, ainda jovem viajou para a Etiópia, mais tarde foi trabalhar em BD para a Argentina, e de caminho vagueou pela América do Sul. Assim não espanta que a personagem Corto Maltese, seu "alter ego", tenha deambulado também por muitas paragens, China, Sibéria, Pérsia e, claro, Buenos Aires (veja-se Tango), tal como o seu criador.

Ambos chegaram ao fim, estamos agora a falar deles por se ter passado uma conta redonda, dez anos após o desaparecimento de autor e personagem.
Mas se Hugo Pratt não mais voltará, Corto Maltese ainda está ao alcance de um autor/artista da BD que consiga os direitos de o recriar. Sei de um português que atingiria a felicidade se o deixassem ser ele o continuador (não é verdade, Arlindo Fagundes?).
Mas valerá a pena?


sexta-feira, agosto 19, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (III) Tertúlia Lisboa dos Fanzines - O quê, como, onde?

O universo da banda desenhada caracteriza-se bastante pelo individualismo dos seus cultores. É bem conhecida a psicologia dos autores de BD, de se isolarem para facilitarem a própria criatividade, conscientes de terem um labor solitário - se calhar como acontece a um pintor, a um poeta, a um escritor...

Também com os editores de fanzines (os faneditores) acontece algo semelhante. Como apaixonado fanzinista que sou - enquanto coleccionador e editor -, resolvi tentar alterar um pouco a situação, propor, a quem tem a ver com os fanzines, uma reunião mensal, onde mostrássemos uns aos outros os nossos zines, onde pudessemos tentar fazer algo em conjunto, exposições dos ditos, ou das pranchas neles publicadas, isto tudo com muita conversa à mistura e umas "bejecas" para molhar as goelas. 

Assim aconteceu no dia 19 de Outubro de 1999, data do início da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, apenas dedicada aos fanzines de banda desenhada.

Embora mantendo o dia do encontro - terceira 3ª feira (não é difícil fixar!) do mês -, a tertúlia já mudou várias vezes de horário, a fim de facilitar a participação da maioria dos interessados, e passou por diversos locais. Começou em Entrecampos, no primeiro andar duma pizzaria, a "Don Pasolini", passou depois para o Bairro Alto, para o bar "Meia Nota" (que os muito batidos no B.A. conhecem por "António", nome do patrão), voltou a mudar, dessa vez para a Livraria Ler Devagar. 
Na mais recente mudança escolhi o bar "Estádio", na Rua S. Pedro de Alcântara. Não há lisboeta que saia à noite de vez em quando (já para não falar dos noctívagos encartados), que não conheça este simples e simpático bar, aberto até às duas, porta de entrada para o B.A.).

Convém ainda dizer que, neste caso, se trata de uma pequena tertúlia, com não mais do que seis ou sete participantes mensais. Mas ao longo destes quase seis anos de existência, já por lá passaram cerca de três dezenas de fanzinistas, neles se incluindo autores.

Nomes dos editores (não menciono aqui autores isolados, mas vários faneditores são também autores) e títulos dos respectivos fanzines:

Álvaro ("Bunker" e outros), Bruno Silva ("Funzip"), Gamito ("Vertigens"), Gastão Travado ("Cyber Extractus"), Ilda Castro ("Não fazer nada é que é bom"), J. Mascarenhas ("Cyber Extractus" e outros), Joana Figueiredo ("O osso da pilinha" e outros), João de Ovar ("9 Gunas"), Jorge Coelho ("Vertigens"), José Lopes ("Colecção Doczine"), Marcos Farrajota ("Mesinha de Cabeceira" e outros), Nuno Catarino ("Netcomixzine"), Paulo Marques ("O Mundo do Estranho"), Pedro Alves ("ZineJal" e outros), Pepedelrey ("Ovelhas Anarkis" e outros), Pitchu! ("Sub"), Pedro Zamith ("Nova Gina"), Rafael Gouveia ("Carneiro Mal Morto"). E eu próprio, obviamente ("Tertúlia BDzine" e outros).

Poucos de cada vez, mas, mesmo assim, muita gente já lá esteve. A maioria, moradores de Lisboa (nem todos lisboetas como eu...), outros de cidades vizinhas. Uma prova de que os fanzines representam actividade editorial alternativa com raízes culturais e artísticas eminentemente urbanas.

quinta-feira, agosto 18, 2005

BDjornal - Jornal de banda desenhada e não só

Jorge Machado-Dias e Pedranocharco há anos que se fundem, de tal maneira que não se sabe bem onde acaba o homem e começa a editora. Em "íntima" colaboração já editaram álbuns, elaboraram fanzines, estão agora envolvidos num projecto inédito, sem par entre nós, com raros congéneres no mundo da BD.

Estamos a falar de um mensário (bem, desta vez é bimestral, abrange os meses de Julho e Agosto, esperemos que seja excepção) cujo título, BDjornal, está a ter uma projecção insuspeitada, graças a uma distribuição de bom nível.



Falo assim com conhecimento de causa. Em Lisboa, a minha habitual jornaleira - o termo correcto é ardina, mas tento evitar palavras que possam ser consideradas quase arcaicas... - tem lá tido o BDjornal, com grande satisfação minha. E neste momento que me encontro no Algarve, encontrei hoje à venda, aqui em Faro - num quiosque de nome "Tim Tim", 'tou a falar a sério! - o flamante nº4 do BDjornal, acabadinho de distribuir.

Não haverá bedéfilo, que se preze de o ser, que não se disponha a dar os €2.00 por um exemplar desta "avis rara" do universo editorial da BD, para mais deparando-se-lhe uma capa apelativa constituída por variadas imagens, a saber:

- Vinheta de "A Trilogia de Nikopol", de Enki Bilal, referente a artigo do próprio editor, que tem a ver com o filme "Immortel" ("O Imortal", título português), realizado por ele mesmo, Bilal;

- O rosto de Maria Keil, decana das ilustradoras portuguesas, entrevistada por Pedro Leitão, ele próprio ilustrador e banda-desenhista, com intervenções de Clara Botelho Uma observação: sob o título "Maria Keil conversa com Pedro Leitão" aparece o nome de Clara Botelho. Deveria estar Pedro Leitão e Clara Botelho, não é verdade, senhor editor?
Aproveito a oportunidade para informar que Maria Keil irá ser homenageada, como autora de BD, que também fez, a 6 de Setembro, primeira 3ª feira do próximo mês, na Tertúlia BD de Lisboa.
(Para quem visitar este blogue pela primeira vez, pode saber mais acerca da citada tertúlia num "post" anterior, é só ver no índice aqui ao lado);

- Reprodução de capas das revistas Tex, Dylan Dog e Conan, sob título que remete para entrevista com os responsáveis da brasileira Mythos, uma editora actualmente com presença visível nos escaparates das livrarias especializadas e nas bancas;

- Selos e BD, imagens que são apenas uma pequena amostra do que se pode ver na página 29, a ilustrar artigo de Pedro Cleto, especialista da BD em geral e deste tema em particular, para o qual já tem organizado exposições em eventos bedéfilos;

-A figura de Batman, que se irá mostrar de novo na página 5, onde consta um levantamento de títulos de filmes baseados em adaptações de obras de Banda Desenhada ao Cinema, com o respectivo ano de realização, nomes dos seus realizadores e actores, trabalho efectuado por J. Machado-Dias com a colaboração de Clara Botelho;

- Imagem referente a "Seaguy, o gajo marítimo", como escreve David Soares, autor de BD, também ensaísta e crítico da especialidade;

- Reprodução da primeira prancha da bd "Adélia", de Maria João Careto, editada em encarte de 16 páginas, com duas bedês daquela jovem bejense: "Adélia" e "Allegra". Vale a pena ler/ver.

No miolo do jornal há muito mais para ler e ver, embora sem referência na primeira página (ou capa, para quem assim preferir). Exemplos de textos a merecer leitura:

- "Ghost World" (Mundo Fantasma), uma análise crítica desta obra de Daniel Clowes, escrita por Nuno Franco;

- Parte 2 e conclusão do artigo biográfico "Eduardo Teixeira Coelho", escrito por Leonardo De Sá e António Dias de Deus;

- Fanzineteca - Notícias acerca de fanzines editados recentemente;

- Prémios Eisner 2005, lista e fotos da autoria de João Lameiras, o sortudo colaborador da Editora Devir, que teve direito a estar presente no dia 15 de Julho, na 17ª edição anual dos "Will Eisner Comic Industry Awards", em San Diego, Califórnia;

- Notícia sobre a 23ª edição do Salão BD de Barcelona, levado a efeito entre 9 e 12 de Junho.
Estive lá no primeiro ano, e alguns anos depois. Agora é a vez dos mais novos, e o João Lameiras, com presença em San Diego e Barcelona, começa a parecer-se comigo nas minha primeiras idas a Lucca, Angoulême, Barcelona, num glorioso ano em que fiz uma tripla...

- Notícias sobre os Encontros de BD de Santo Tirso, já na 3ª edição (força, malta jovem, suponho que os líderes do projecto são aqueles que conheci o ano passado no Festival da Amadora, junto a uma modesta banca, a divulgarem os "Encontros", tb no título foram modestos, se calhar realistas) , os quais tiveram lugar entre 17 e 19 de Junho. Fala-se igualmente do novel Festival Internacional de Pinhal Novo (Palmela), realizado de 1 a 3 de Julho;

- Aviso oportuno sobre a exposição patente na Biblioteca Nacional, em Lisboa, visitável desde 30 de Junho até 24 de Setembro, dedicada ao tema "Ilustradores de D. Quixote", onde se podem admirar extraordinárias ilustrações, designadamente de Salvador Dalí, Alfredo de Morais e Eduardo Teixeira Coelho;

- Uma notícia relativa aos 20 anos da Tertúlia BD de Lisboa, com texto parcialmente extraído deste blogue, mas complementado com sugestivas fotografias do próprio J. Machado-Dias.
Em tempo: por incrível distracção minha, escrevi aqui no blogue (mas já emendei) que a tertúlia se realiza na terceira 3ª feira, quando na realidade é na primeira 3ª feira. A confusão deve-se ao facto de eu ser também o organizador da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, que se tem realizado sempre na tal terceira 3ª feira, mas que já este mês passará para a última 3ª feira, para evitar confusões;

- Regulamento do Concurso de BD & "Cartoon" - Moura 2005, com a síntese extraída aqui do "Divulgando BD";

- A caricatura de um cota qualquer que me é vagamente familiar. O autor da caricatura chama-se Nelson Santos, diz o editor que é jovem, e classifica-o como promissor talento.
Não pondo em dúvida o talento para um género tão difícil, eu acho que o rapaz começa mal, podia ter escolhido como modelo um gajo menos pencudo;

- Um cartune desopilante, intitulado "fanático da BD", assinado por Pedro Alves, um cartunista que costumava encher-me o email com cartunes diários ('Tão, Pedro, ainda 'tás com o tal problema?).

Por tudo o que ficou dito, o conteúdo deste número está excelente (com excepção da tal caricatura, blaarrrgh :-), e é de esperar que se esgotem os 5000 exemplares, muito bem impressos e com muito sumo.

terça-feira, agosto 16, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (V) A Gazeta Cru, bom espaço BD no jornal Blitz

Já aqui falei do suplemento BD (sobre BD pelos textos crítico/divulgatórios de Esgar Acelerado; e com BD, ou seja a bd a cores"Superfuzz", sob argumento de Esgar Acelerado e desenho de Rui Ricardo).

Este suplemento BD, com o título "A Gazeta Cru", já se publica a partir de Julho de 2001, e desde essa data que a banda desenhada Superfuzz (entretanto parcialmente editada em álbum) era realizada pela equipa Rui Ricardo no desenho e Esgar Acelerado no argumento.

De repente, na terça-feira da semana passada, não apareceu o habitual episódio, divertido e autoconclusivo, substituído por um engraçado jogo. Telefonei para o Porto, para o Esgar Acelerado, para saber o motivo da alteração: apenas férias do Rui Ricardo, presumia eu, mas quis saber. 
Fiquei com a novidade digamos que em primeira mão: o Rui Ricardo, por impedimentos pessoais, tinha de deixar de desenhar o Superfuzz e, por conseguinte, o Esgar Acelerado tinha de arranjar substituto, visto que não queria suspender a série.

E aí está um novo desenhador, chamado João Maio Pinto, a concretizar visualmente as peripécias protagonizadas, em especial, pela impagável dupla "patrão Paiva" e "Ricky".

Parabéns à nova equipa, que já criou um prometedor (se for para continuar, espero que sim) super-herói, de nome Mr. Substandard sob argumento de um tal Arnald Peter e desenho de um patusco Johnny M. Chicken.




Sublinho a graciosa ideia do "Esgar Acelerado" (eu sei como ele se chama na realidade, e acho que não haverá muitos bedéfilos também a saber, aceito palpites :) de eleger Rui Ricardo para a rubrica Cromos da BD (*) , com simpáticas palavras de agradecimento.

(*) Cromos da BD - Uma colecção semanal de quadradinhos, muito bem esgalhada, com imagens de personagens da BD, também criada pelo imaginativo, incansável, talentoso, bom argumentista, bom ilustrador, um "topa-a-tudo-e-bem) "Esgar Acelerado" (quem é ele, quem é, este nortenho impagável?), colecção essa inserida na "Gazeta Cru", e que bem merecia ser recolhida numa qulquer publicação, um fanzine, por exemplo, que é o tipo de publicação suficientemente descontraída para dar cobertura aos delírios (positivos) do dito cujo Esgar Acelerado, aliás Emerenciano Osga, "and so on".

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (IV) Jornalistas/repórteres, heróis da BD

Publicou-se anteontem, no jornal "Público", mais um artigo, o segundo da série, a dissertar sobre aqueles "Heróis da BD" que se apresentam sob a capa de jornalistas. Esta série de artigos, já aqui o disse num anterior "post", teve o seu começo naquele matutino na edição de Domingo, há duas semanas (é preciso dizer "duas semanas atrás", como está na moda, tipo inglês, "two weeks ago"?) sob a assinatura do jornalista Carlos Pessoa. No dia 7, como referenciei, o "Herói da BD - alter-ego de jornalista" foi a dupla "Superman-Clark Kent". Neste domingo, 14 de Agosto, foi a vez de Tintin, que ñ tem alter-ego.

Como terá entendido quem tiver lido esse meu "post", não foi por acaso que falei dele (anunciava-se artigo sobre o herói de origem belga para a semana seguinte), e tb não foi por acaso que mencionei o erro que habitualmente se cometia, quando se dizia que o rapaz da poupa nunca tinha escrito uma linha. Obviamente que Carlos Pessoa aproveita a ocasião para, com efeitos retroactivos, desfazer o equívoco.

Já opinei anteriormente no "Divulgando BD". Mas como calculo que poucos serão os que terão pachorra para ir ver "posts" anteriores, repito (ou, fazendo-me eco da asneira que se ouve com frequência, "volto a repetir", poupem-me, por favor :( ,trata-se de uma interessante série de artigos, que valerá a pena acompanhar dominicalmente.

Todavia, quem ñ puder ou ñ o quiser fazer, por ñ gostar do jornal, ou por ñ estar interessado em comprá-lo apenas por causa de um artigo (atenção, só pelo cartoon-bd (*) do Bartoon, de Luís Afonso, e pela tira de BD do Calvin e Hobbes, de Bill Watterson, vale a pena ler o "Público", desculpem lá a publicidade :), posso confidenciar-lhe, aqui q ninguém nos ouve, da minha convicção de que isto vai dar livro. Se já aconteceu com Corto Maltese e com Tintin, por que há-de ser diferente desta vez? Eu podia perguntar directamente ao Carlos Pessoa. Mas calculo que ele respondesse, com aquela precaução tipicamente jornalística: "Ó pá, não te posso dizer nada de concreto. Já se falou nisso, mas sabes como são estas coisas". Assim sendo, aguardemos pacientemente, para ver se este meu "feeling" faz ou não sentido...

(*) Cartoon-bd - Até alguém encontrar melhor definição, classifico assim, desta forma mista, aquele tipo de comentário-crítico, em género "one shot", quer social, quer político, dado através de imagens sequenciais. Ou seja: pelo espírito, momentâneo, efémero, datado (se calhar para o ano já ninguém o entende, é "cartoon", mas pela forma como aparece concretizado graficamente, em imagens sequenciais, é banda desenhada. Como acontece com a excelente série "Bartoon".

Será que vou ter um "comment" do Luís Afonso, a barafustar comigo? Vou esperar pela pancada :)

quinta-feira, agosto 11, 2005

Concurso de BD - Ficha de inscrição

Concurso BD - Festival BD Amadora 2005

Já vários bedéfilos me tinham perguntado se eu sabia alguma coisa em relação ao concurso de banda desenhada organizado anualmente pelo Festival de BD da Amadora (sob a égide da autarquia local). Pois acabo de receber um exemplar do regulamento (aliás recebi três, um endereçado a Geraldes Lino, outro ao fanzine "Tertúlia BDzine", e ainda outro ao fanzine "Folha Volante", ambos editados por mim, claro :).
Ora então vou extrair do regulamento os elementos que considero mais importantes para quem queira participar neste concurso inserido no 16º Festival Internacional de Banda Desenhada / Amadora 2005 (FIBD'A). Eis os pontos a ter em consideração:


16º Concurso de Banda Desenhada - Amadora 2005
Condições de Participação: Pode concorrer quem tenha entre 12 e 30 anos. Os concorrentes serão divididos em dois escalões etários: A - dos 17 aos 30; B - dos 12 aos 16 anos.

Prémios: Antes de mais, um prémio excelente será a publicação. A entidade organizadora não garante que isso aconteça, mas envidará todos os esforços nesse sentido.
Quanto aos prémios pecuniários, serão os seguintes:
Escalão A - 1º prémio: €1000 // 2º prémio: €750 // 3º prémio: €600
Escalão B - 1º prémio: €750 // 2º prémio: €600 // 3º prémio:€500

Tema do concurso
"SONHOS NUMA NOITE DE VERÃO"

Especificações técnicas: Cada banda desenhada (bd) tem de ser constituída por 4 pranchas, originais e inéditas, a preto e branco ou a cores. // O formato das pranchas deve ser A4 ou A3, e têm de estar numeradas. // Na 1ª prancha deve constar o título do episódio. // Os concorrentes têm de ter em consideração a hipótese de as bedês vencedoras poderem vir a ser publicadas em formato A4, portanto as legendas, textos de balões e restante letragem terão de ser legíveis em caso de redução de A3 para A4. Logo, os próprios autores deverão fazer as reduções para testar essa legibilidade, antes de enviar as pranchas para a organização. // Os autores devem fazer duas fotocópias de cada prancha, ficando uma em seu poder e enviando a outra juntamente com o original // As pranchas não podem estar assinadas. Deve ser deixado um espaço em branco a fim de poderem colocar a assinatura posteriormente para efeito de publicação ou outro qualquer. // Todas as pranchas, logo tb as respectivas cópias, devem estar numeradas legivelmente e identificadas com o pseudónimo e escalão no verso. // O pseudónimo deve ser totalmente original, não podendo ter sido utilizado anteriormente.

Calendário: A data limite para entrega das bedês na CMA - CNBDI é a de 16 Setembro (2005, claro). As que não forem premiadas serão devolvidas por correio.
Inscrição: a) Com a inscrição é entregue por cada concorrente o valor de €2.50 para devolução das pranchas, o que deverá ser feito em cheque à ordem do Tesoureiro da Câmara Municipal da Amadora. b) Para efeito de participação, os concorrentes devem recortar ou fotocopiar o cupão publicado na norma distribuida em papel pelo CNBDI
(julgo eu que a imagem que reproduzo do cupão, no "post seguinte" pode ser mandada imprimir, e servirá para o efeito)
preenchê-la e enviá-la juntamente com uma fotocópia do B.I., mais a tal importância de €2.50 em cheque, num envelope devidamente fechado, juntamente com a banda desenhada, tendo inscrito no exterior o pseudónimo e escalão respectivo.
As bedês devem ser enviadas ou entregues directamente, até 16 de Setembro, para

16º Concurso de BD - Amadora
Festival Internacional de Banda Desenhada
CMA/CNBDI - Av. do Brasil, 52 A
2700-134 Amadora

segunda-feira, agosto 08, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (III) Heróis-Jornalistas na Banda Desenhada

Um tema interessante este, iniciado ontem, domingo, no jornal Público, que irá debruçar-se sobre "seis retratos de personagens de banda desenhada", na edição dominical, em seis semanas consecutivas. A série apresenta-se sob o título "Heróis–Jornalistas na Banda Desenhada".

Para começar, são publicados dois artigos. Um, assinado por Hugo Real, intitula-se BD e JornalismoUma história de fascínio, traça um panorama generalista, recorrendo inclusivamente a opiniões de Leonardo De Sá, estudioso e crítico, e a José Rodrigues dos Santos (sim, o apresentador da RTP, professor universitário e autor de um estudo sobre a importância da BD na História da Comunicação). O outro, intitulado Superman O super-repórter do Daily Planet, tem autoria do jornalista Carlos Pessoa, também crítico e estudioso da especialidade.

No que se refere a Hugo Real, ele nomeia diversos heróis da Banda Desenhada que se apresentam no papel de jornalistas, especialmente repórteres. Vê-se que não estão nada mal representados ao longo da História da BD, havendo alguns bastante famosos, como acontece com o Super-Homem (visível na profissão através do seu "alter-ego" Clark Kent) e com o Tintim.

Com Tintin aconteceu uma coisa curiosa, que observei atónito durante uns anos: muitos críticos portugueses, recorrentemente, acusavam-no de nunca ter escrito uma linha, ignorância devida ao facto, bem visível, de nunca terem lido o primeiro episódio.
Com efeito, esse episódio inaugural da série, com o título original "Les Aventures de Tintin, reporter du "Petit Vingtième" au Pays des Soviets", só em 1999 foi editado em Portugal pela Editorial Verbo.

Acontece que eu tinha adquirido, uns anos antes, em Angoulême, a edição "fac-simile" desse episódio "maldito" (Hergé nunca o redesenhou, como fez com os outros, nem autorizou a sua modificação, quer na redução do número de páginas, quer na impressão a cor). E nele se via Tintim a escrever – pela primeira e única vez, é um facto – ou, pelo menos, a tentar escrever (à mão, claro), um artigo. Ou, como ele próprio diz, em monólogo na edição portuguesa: "Toca a fazer um belo artigo". E vêem-se acumuladas numerosas folhas, já escritas, continuando o nosso herói a monologar: "Pergunto-me se já terei escrito o suficiente?".

Assim se verificou, muitos anos mais tarde, que o repórter Tintin tinha andado a ser acusado, injustamente, pelos críticos e bedéfilos portugueses, de nunca ter escrito qualquer artigo que lhes justificasse a sua, durante muito tempo, apenas presumível profissão. Que, aliás. ele faz questão de publicitar quando, em "A Ilha Negra", se identifica com a frase "Aqui, o repórter Tintin". Talvez não tenha sido muito prolífico a escrever, pelo menos que o seu criador, Hergé, no-lo mostrasse. Mas, e isso é que não sofre contestação, pelo menos uma vez ele escreveu. E bastante.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (II) Exposição & Feira de Fanzines BD de Sintra

Os fanzines são magazines amadores, que tanto podem ter a forma de uma qualquer publicação, seja em que tamanho for - podem ser em formato grande, A3, mas também surgem pequeníssimos, em A6, por exemplo - como igualmente por vezes se apresentam sob o aspecto de objecto, ou antes aproveitam qualquer objecto para nele se encaixarem, dependendo da imaginação do faneditor.

Os fanzines abarcam grande variedade de temas. Todavia, a Banda Desenhada é um dos motivos mais frequentes, daí que agora surjam a justificar a realização da
1ª Exposição & Feira de Fanzines de Banda Desenhada de Sintra, integrada num evento já com raízes, a Feira Ecológica de Sintra, a atingir a sua 12ª edição.

Ambas - embora geminadas, cada uma tem as suas características próprias - vão ser levadas a efeito a 7 de Agosto, 1º Domingo do mês. O local em que decorrerão será o Cine-Teatro "Os Aliados", em São Pedro de Sintra.

A organização da Exposição & Feira de Fanzines recai sobre duas entidades, a Feira Ecológica de Sintra, cujo responsável se chama Fernando Winkermantel, e a Tertúlia Lisboa dos Fanzines, iniciada e puxada pelo bloguista deste mesmíssimo "webblog", que pode ser contactado, por algum faneditor que lá queira pôr fanzines à venda, pelo tlm 91 9137027.

Autor do cartaz da Exposição: Ricardo Cabral

Informação útil: o horário é das 10h às 19h.
Portanto, dia 7 de Agosto, Domingo, todos os fanzinistas e apreciadores de banda desenhada estão convidados a aparecer. A entrada é LIVRE!

Concurso BD de Moura - Importante

Data limite para os concorrentes entregarem pessoalmente/enviarem por correio as suas bedês e cartunes: 30 de Setembro (de 2005 :). Estou a falar ainda em relação ao Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon" integrado no Salão BD de Moura/2005.
Acontece que no meu "post" datado de 24 de Julho, por tê-lo feito de improviso, dizendo por palavras minhas o que ia lendo no regulamento que o Carlos Rico (principal responsáve do evento)l me enviou por email, falhei esta informação. Um leitor do blogue e potencial concorrente chamou-me a atenção para o lapso. Aqui fica o aditamento.
Felizmente que há tempo suficiente. Mas ñ convém adiar muito o início da bd ou do cartune...

domingo, julho 31, 2005

Tertúlia BD de Lisboa (I) - O que é, como funciona.

Realiza-se na próxima 3ª feira, dia 2 de Agosto, o 248º encontro da Tertúlia BD de Lisboa.
Claro que já não há tertúlias como no século XIX, dei~lhe este nome pq há dois pormenores que lhe dão semelhança com as antigas:
Primo: toda a gente que lá vai tem de ter um factor em comum, o gosto pela Banda Desenhada. Secondo: Na parte final, com o Homenageado e/ou Convidado Especial, após a sua apresentação pessoal, estabelece-se diálogo, com perguntas efectuadas pelos tertulianos; e, consoante o espírito de comunicabilidade do autor/artista, a conversa pode constituir (ou não) um momento de bastante interesse.
E embora não haja a pretensão de apenas se falar de BD, ela acaba por estar sempre presente, em especial através de um sorteio de revistas, actuais ou antigas, e álbuns, momento de bastante interactividade, porque há uma espécie de trocas que permite chegar às mãos dos participantes veteranos, revistas de "comics" ou "mangás", e dos mais novos, exemplares de revistas antigas que nunca antes tinham visto.

A Tertúlia BD de Lisboa é uma associação informal, visto que funciona sem existência oficializada, não tem estatutos nem corpos gerentes, não há associados nem pagamento de quotas. Por que razão se chama tertúlia? Porque os seus participantes têm uma coisa em comum que os une, o gosto pela Banda Desenhada, e é com a finalidade de falar dela e prestarem homenagens a autores que se deslocam ali de propósito para receberem o galardão em forma de diploma (e dessa forma os "tertulianos" contactam com eles pessoalmente) que se reúnem.

A Tertúlia BD de Lisboa fez 20 anos em Junho, entrou portanto há pouco no 21º ano de existência. Os encontros da tertúlia são mensais – sempre na primeira 3ª feira de cada mês –, e têm lugar num restaurante do Parque Mayer. Sim, leram bem. Porque, embora haja bastante gente, incluindo até muitos lisboetas, convencida que aquele emblemático local, actualmente em avançada degradação, já está fechado, a verdade é que ainda lá estão a funcionar três restaurantes e um teatro de revista.

Mas voltando à tertúlia: esses encontros que, repito, se mantêm mensalmente sem nunca falhar, há vinte anos, contam permanentemente com a participação de quarenta a cinquenta pessoas, abrangendo vários escalões etários, visto que, como o prova a realidade, a banda desenhada é para leitores dos 7 aos 77. Repetindo o que já disse antes, o traço de união entre quem vai à tertúlia é a Banda Desenhada, a BD, a bedê, daí que só lá tenha aceitação quem seja bedéfilo (não é indispensável ser-se especialista, mas é condição "sine qua non" ter consideração pela arte sequencial). Os numerosos bedéfilos que participaram até hoje, ao todo umas largas centenas, não são sempre os mesmos – há quase todos os meses duas ou três pessoas que lá vão pela primeira vez, e há outras que vão de tempos a tempos – mas existe um "núcleo duro", de cerca de vinte, de quase impecável assiduidade, além da presença praticamente sem falhas do fundador da tertúlia e seu organizador mensal, o bloguista (ou "blogger") que aqui escreve. Esse conjunto não fixo de bedéfilos abarca todas as áreas da BD: autores (desenhadores e argumentistas), editores, estudiosos, críticos, divulgadores, jornalistas, coleccionadores, fanzinistas, e "last but not the least", simples leitores.

A tertúlia inicia-se às 20 horas e termina sempre três horas e picos mais tarde. Divide-se em três partes: 1) jantar; 2) sorteio de BD; 3) homenagem a um autor consagrado ou veterano com obra realizada há muitos anos, e incentivo a um autor mais novo.

Começa-se pelo jantar (uma opção estratégica, pois não haveria hipótese de conseguir a permanência de tantas pessoas, durante três horas, se não estivessem sentados a uma mesa, mas, note-se, nem toda a gente janta lá, há gente mais jovem que quando lá chega já comeu uma sandocha ou assim:), que decorre entre as oito horas e as nove e meia. Saliente-se o pormenor importante, em termos económicos, de o pagamento ser individual. Outro aspecto a relevar: o restaurante fica totalmente reservado, naquele dia, para os "tertulianos"; e, por causa da tertúlia, abre sempre, mesmo que a primeira terça feira do mês calhe num feriado!

A 2ª parte, bastante animada, compõe-se de um sorteio de peças de banda desenhada, oferecidas pelos próprios participantes, que engloba álbuns, revistas (portuguesas e estrangeiras, actuais e antigas, fanzines e desenhos originais, incluindo os que são oferecidos pelos Homenageado e Convidado Especial. Este sorteio tem duas finalidades principais: pôr toda a gente a mexer em peças de BD, as mais variadas, o que suscita o desenvolvimento de conversas sobre o assunto, tanto mais que, muitas vezes, a revista antiga que sai a um jovem constitui para ele autêntica surpresa, outras vezes sai ao bedéfilo veterano um fanzine algo desconcertante, em ambos os casos peças que nunca teriam tido oportunidade de conhecer.

Outra faceta importante deste sorteio é a possibilidade de as pessoas se conhecerem. Porque, se ao participante X sai uma peça oferecida por um benemérito Y, e eles não se conheciam, ao deslocar-se o premiado até junto do ofertante para que este lhe entregue a peça, está criada a oportunidade de terem assunto de conversa na tertúlia seguinte.
Mas a finalidade principal que justifica a existência da tertúlia e a razão pela qual foi fundada – sei bem do que estou a falar J – é a de homenagear um autor consagrado , ou até com escassa obra mas já com suficiente veterania, e prestar incentivo a autor jovem ou relativamente novo, mas com obra ainda escassa, que é classificado como Convidado Especial, dando-lhe assim um primeiro destaque público.

Na tertúlia de hoje estará presente, como Homenageado, um autor veterano, Vasco San-Payo, que fez bandas desenhadas na revista "Camarada", nos anos 1949 e 1950. E o Convidado Especial será Alex Gaspar, autor representado em diversas publicações, designadamente "O Fiel Inimigo", "Coice de Mula", Informal (revista da Associação Académica de Lisboa), Diário de Leiria e Jornal de Leiria.

Alguém que leia este "post", seja apreciador de BD (condição "sine qua non") e esteja interessado em participar na próxima tertúlia de Setembro, no dia 6, primeira terça feira do mês, pode escrever para (não quero divulgar publicamente o meu email): Apartado 50273 – 1707-001 Lisboa. Ou, noutra hipótese, se preferir deixar um comentário no blogue com esses elementos a facilitar o contacto, pode crer que eu próprio lhe telefonarei a convidá-lo para participar na tertúlia.

terça-feira, julho 26, 2005

Concurso BD de Moura - Aditamento

No "post" anterior, referente ao Concurso de Banda Desenhada que está a ser organizado pela autarquia de Moura, que funciona como preparação para o respectivo Festival de BD, esqueci-me (mea culpa) de indicar um pormenor muito importante para os concorrentes: o tema é LIVRE!

domingo, julho 24, 2005

Concurso BD de Moura: sem limite de idade

De que eu tenha tido conhecimento, este é o terceiro concurso dedicado no corrente ano à banda desenhada, e dos méritos e deméritos específicos deste tipo de iniciativas, e tb das minhas bastante numerosas participações nos ditos cujos concursos (um momento: só a nível de elemento de júris, e é um pau:), falarei noutro dia. O que me traz agora ao blogue tem a ver com as mesmas razões desde há umas decadazitas no que à BD se refere: valorizá-la, divulgá-la. Por tudo quanto é sítio, mostrar aos menos atentos, ou com menos acesso à informação que, por vezes só chega a círculos restritos e/ou especializados. Como, se calhar, acaba por acontecer tb com os blogues, com este blogue, hélas, provavelmente quase só visto por outros bloguistas (bloggers, se preferirem...). Mas isso são outras conversas, que podem ficar para diferentes núpcias. Por agora, vou avançar para o assunto propriamente dito, neste caso o regulamento (embora resumido) do:
13º Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon". Moura 2005
Para começar, o destaque que já fiz no título do "post": Neste concurso apoiado por uma autarquia alentejana, podem concorrer pessoas de todas as idades, com apenas duas divisões: o escalão etário A, para os que, à data limite de entrega das obras, tenham entre 13 e 25 anos; e o escalão B, para quem, à data limite de entrega, tenha 26 anos ou mais. Ora isto quer dizer que qualquer mortal, com jeito para banda-desenhar, e que nunca tenha tido antes oportunidade de mostrar os seus dotes, está perfeitamente a tempo de o fazer! É democrático ou não?
Mais pormenores: cada concorrente pode enviar um máximo de 5 trabalhos originais (isto para os cartunes e tiras de BD dá muito jeito) e inéditos. Portanto, fica claro q a organização não aceita cópias, mesmo a cores. As pranchas podem ser feitas nos formatos A4 ou A3. Quando apresentadas em suporte digital, devem ser enviadas em formato TIFF ou JPFG, acompanhadas de um "print" de boa qualidade. As pranchas têm de ser identificadas no verso (atenção: na parte de trás, muitos concorrentes enganam-se e põem o nome na frente, sei do que estou a falar) com o nome, morada e contacto telefónico.
Já dei uma ideia das modalidades aceites, mas isto tem de ficar bem claro, portanto, "tomem tacto e vão vendo", como dizia a minha mãe:
Dentro do concurso haverá três modalidades: na Banda Desenhada, o número de pranchas pode variar entre duas (mínimo) e seis (máximo); na "Tira BD", é conveniente que sejam enviadas as tiras individualizadas, ou seja, uma tira em cada folha; no "Cartoon", onde se engloba o desenho de humor e a caricatura, podem ser enviadas o quantitativo já indicado no início, isto é, um máximo de cinco.
As obras a concurso (geralmente classificadas de "trabalhos", nomenclatura de que não gosto muito e evito o mais possível) devem ser enviadas conjuntamente com um pequeno currículo, fotocópia do B.I. e número do contribuinte, para: Câmara Municipal de Moura - Gabinete de Informação, Imagem e relações Públicas - 13º Concurso de B.D. e "Cartoon"-Moura 2005 - Praça Sacadura Cabral - 7860-207 Moura.
Prémios, um aspecto essencial: em cada escalão serão instituídos os seguintes: Melhor Banda Desenhada: € 750; Melhor Tira: € 350; Melhor "Cartoon": €350.
Os vencedores receberão ainda colecções de BD e diplomas.
Haverá também prémios para o Melhor Autor do Concelho de Moura, €250, e Prémio Juventude, €250, neste caso para autores que, à data limite de entrega das suas participações artísticas, tenham de 13 a 17 anos, inclusive. Tal como nas distinções anteriores, os prémios pecuniários serão complementados com colecções de BD e Diplomas.
Para terminar: todas as obras serão expostas no MOURA BD 2005 - 15º Salão de Banda Desenhada, que se realizará entre 12 e 27 de Novembro naquela cidade alentejana.
Claro que, dada a abrangência do Escalão B, por vezes há uns autores veteranos que se candidata, como já aconteceu, que me lembre agora, com Eugénio Silva na BD e Estrompa no Cartune, o que valoriza o concurso e a exposição. Mas há ainda espaço para surpresas...

Já tenho um contador de visitantes no blog

Isto de ter um contador de visitantes no blogue (a partir de 22 de Julho, obrigado filhão!) é, para qq bloguista da lusitana blogosfera, vulgar de Lineu. Mas para mim, básico no q concerne às técnicas informáticas, constitui motivo de satisfação. Isto apesar de o "blog" já estar aberto desde Março... A sério! A coisa foi assim: o Fernando Relvas "decidiu" :) que eu tinha de ter um blogue. Vai daí, abriu-o ele mesmo, e foi ele próprio quem o iniciou com um texto, exactamente aquele que diz "Enquanto o nosso amigo Geraldes Lino não começa a mexer nestas coisas dos blogs, aqui vai um abraço". Apesar de aparecer a indicação "posted by geraldes lino", o autor do texto foi ele, Relvas (obrigado, amigo), numa sexta-feira dia 4 de Março deste ano de graça de 2005, nos arredores de Zagreb, para onde o nosso categorizado autor de BD se mudou desde o ano passado, após ter casado em Portugal com a croata Nina Govedarica, e onde se sente feliz, tanto quanto sei pelos seus emails.

terça-feira, julho 19, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (II) Gazeta Cru do Blitz, bom espaço com BD e sobre BD

A música é o tema essencial do semanário Blitz, é facto bem sabido de todos os melómanos.
Mas todas as terças-feiras há uma página de muito interesse para os bedéfilos que, graças a também gostarem de música, leiam aquele jornal: tem por título "A Gazeta Cru" e compõe-se de duas partes: a principal preenche-se por uma bd a cores baptizada "Superfuzz", desenhada por Rui Ricardo sob argumento de Esgar Acelerado. Na secundária, em coluna lateral, o mesmo "Acelerado", disfarçando-se em variados outros pseudónimos, de que o mais usual será "Emerenciano Osga", organiza duas séries de pequenos desenhos em formato quadrado, dignos de serem coleccionados: "Lendas da BD" (uma antologia gráfica, caricatural, de muito interesse para os aficionados da BD que, na edição de hoje, 18 Julho, podiam ver a figura de "Yellow Kid", atinge o nº 79), e "Cromos do Rock", já no nº 181, com Billy Joel.

Ainda para os fãs da BD, no resto da coluna (2/3 do espaço), Esgar Acelerado, ele também um conhecedor da especialidade, escreve recensões críticas a propósito da BD em geral e dos fanzines de BD (e não só), sempre que tem conhecimento de novidades. Daí que o seu comentário crítico de hoje seja dedicado ao Tertúlia BDzine nº 92 - Especial, numa edição limitada, distribuída gratuitamente na Tertúlia BD de Lisboa e, obviamente, já esgotada.

O conteúdo deste número especial é composto por uma banda desenhada em 8 páginas em 3D, que exige o uso de óculos de lentes coloridas, acoplados ao exemplar. A bd "Arquivo: 20; Marte 2205", da autoria de Cris Lou (argumento), Gastão Travado e J. Mascarenhas, ilustradores e especialistas em técnicas digitais, constitui a primeira bd em 3D de autores portugueses, editada em tiragem inicial de apenas 60 exemplares, que eventualmente será aumentada, exemplar a exemplar, a fim de satisfazer pedidos de coleccionadores, que podem contactar o editor do fanzine (que por acaso é também o bloguista editor e escrevinhador deste blogue "Divulgando BD") para o endereço físico (não gosto de divulgar demasiado o meu email) seguinte: 
Geraldes Lino - Apartado 50273 - 1707-001 Lisboa.