sábado, setembro 17, 2005

Hungria - Banda Desenhada húngara (e não só) vista em Budapeste (I)

Estou a passar uma semana em Budapeste e, claro, nao poderia deixar de dar, embora sucintamente, uma ideia do que se pode encontrar de banda desenhada aqui pela Hungria.

Nota: Este texto foi escrito num teclado húngaro, que nao possui os acentos til e circunflexo, nem o c cedilhado

De origem húngara, encontrei:
1) uma revista em formato A5 intitulada "Kis Malac" com várias bd's pornográficas a cores;

2) outra, de formato tipo 'comic-book', a "Mozaik", com apenas uma extensa bd em 36 páginas a cores, inconclusiva apesar da extensao, bem desenhada no registo infantil.
Ambas as revistas, aparentemente, sao totalmente feitas por autóctones. Ainda outra, com histórias da "Mad" e várias de autores húngaros, numa curiosa edicao mista, mas que mostra na capa o Alfred E. Newman na pele de um tal "Betmen", a parodiar o original.

3) Da editora Mozaic (nome igual ao da revista), foi editado um álbum da série "Detektiv Palantak", com desenho (rajzol) de Thorsten Kiecker, e argumento (szoveg) de Hubertus Rufeldt.


4) Da mesma equipa, Kiecker e Rufeldt, há uma versao cómica de Robin Hood, sob o titulo "Robin", editada em álbum cartonado.


5) "Macbeth", uma "Képrégeny" (Banda Desenhada em húngaro) desenhada por Germán Fatime - num álbum brochado de 34 páginas, a cores. O estilo de Germán Fatime mostra-se algo tosco, mas surpreende pela expressividade das personagens.

6) "Szigetvar Ostromi", de Sarlos Endre, que escreveu o argumento, e fez o desenho. Trata-se de novela gráfica de grande extensao,(79 pranchas) num estilo irregular mas atingindo grande dinamica em algumas das imagens.

7) Em desenho muito simples mas desenvolto, Koresmáros Pál assina duas obras:
"Egri Csillagok" - capa a cores, miolo a preto e branco;

"Beszterce Ostroma", capa a cores e conteúdo numa ligeira tonalidade esverdeada.
Ambas de evidente fundo histórico, tema que, tal como acontece em Portugal, continua a ser inesgotável fonte de inspiracao.

Em traducao - desculpem esta grafia, mas já contei no início a estranha história do teclado húngaro -, vi:
"Batman, Ano Um", no tradicional formato de "comic book".
Há também traducoes da Disney:

"Donald Kacsa"

"W.I.T.C.H.", esta a mostrar a implantacao das cinco amigas de poderes excepcionais como grande sucesso internacional.


Mas também:

"Tarzan"
"XIII"
"Sin City"
"Charlie Brown" e "Snoopy", em volumes separados.
"Adam Teremtese", do frances Jean Effel, e a correspondente "Eva Teremtese".

Em versoes originais, adquiri:
a) de origem americana, a "Mad", bem fresca, com carimbo do corrente mes, com as séries habituais;

b) de origem francesa, a "Pif Gadget", nova série da já bem antiga revista, que tem para nós, bedéfilos portugueses veteranos, um interesse especial: Eduardo Teixeira Coelho colaborou nela durante anos, e nela voltara a colaborar recentemente.

A "Pif Gadget" chega aqui com atraso, mas chega, o que nao acontece em Portugal. Primeiro, vi o número 11, datado de Junho. Por pouco falhei a sorte de encontrar o nr. 1o, referente a Maio, onde foi publicada a derradeira banda desenhada de E.T.Coelho, falecido no último dia desse mes.

Na mesma livraria "Press", comprei o nr. 12, que trazia a seguinte nota, dirigida aos presumiveis jovens leitores, que passo a traduzir:

"Homenagem a Eduardo Coelho
Há alguns meses Eduardo Coelho tinha-te oferecido a sua última história, a de um lobo ferido sobrevivendo no Grande Norte canadiano.
Este extraordinário desenhador realista, nascido em 1919 em Portugal, faleceu no fim de Maio em Itália. Ele regalou os teus pais dando vida, na "Pif Gadget", a Robin des Bois, Le Furet, Ragnar le Viking, Erik le Rouge, Ayak...
Tu terás sem dúvida ocasiao de descobrir no teu magazine ou nos seus suplementos algumas das suas mais belas bandas desenhadas."

Ora isto quer dizer, obviamente, que a "Pif Gadget" se prepara para reeditar alguns episódios de séries desenhadas pelo nosso compatriota. Uma boa novidade, obtida por acaso aqui na Hungria.

Edicoes em idiomas estrangeiros:
Mangás em edicoes inglesas, em álbuns de boa apresentacao, de vários autores, nomeadamente de Gosho Aoyame, Takahashi Miyuki, Tajima.

Ainda em edicao inglesa, "Asterix", em álbuns similares aos editados em Portugal;

Em alemao, edicoes no formato tradicional, de "Micky Maus".

sexta-feira, setembro 16, 2005

Jovens Criadores fazem BD

Recebi uma sms da Andreia Rechena a perguntar-me se eu tencionava ir a Amarante ver a expo dos Jovens Criadores 2oo5. Gostaria de ir, recebi convite do CPAI mas por acaso estou em Budapeste.

A Rechena nao me disse, foi modesta, mas entretanto soube, via Net, que ela estará representada na BD, juntamente com Cátia Salgueiro, Daniela Reis, Rosa Baptista (3 mulheres 3) e Pedro Burin.

Desconheco o que tem de especial... Bom, antes de mais desculpe o eventual leitor deste "poste", mas o teclado do computador que estou a usar aqui na Hungria nao tem o c com cedilha, nem os sinais ortográficos til e acento circunflexo...

Como dizia, desconheco...
Dizendo doutra maneira afim de evitar o c sem cedilha: nao sei o que tem de especial hoje em dia o Clube Portugues Artes e Ideias para captar mais participacoes de desenhadoras-autoras de BD do que tinha há alguns anos, quando eu fiz parte do júri nos primeiros concursos. Ainda bem que assim está a acontecer, sinal de que as potenciais banda-desenhistas sao actualmente em maior quantidade, e estao mais desinibidas.

Esperemos que o CPAI repita na capital as exposicoes de BD, Ciber Arte, Ilustracao, Literatura, e também as outras. Lisboa merece.

sexta-feira, setembro 09, 2005

CNBDI - 5 anos em exposição

Isto das siglas às vezes tem o seu lado perverso. Só quem conhece bem o Festival de Banda Desenhada da Amadora, e entre eles têm obrigação de estar os bedéfilos lisboetas e amadorenses, sabe que CNBDI significa Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, porque é uma sigla repetida com frequência em várias componentes do dito festival.

Pois é esse equipamento cultural da Câmara Municipal da Amadora, já com bem visível actividade no âmbito da BD, que se apresta para comemorar o seu 5º Aniversário, inaugurando os festejos no dia 14 deste mês de Setembro, às 19h00, exactamente no local onde funciona o CNBDI (Amadora, Av. do Brasil, 52A), que possui uma área exposicional de boas dimensões.

Será nesse espaço que irão estar visitáveis várias exposições, divididas em dois núcleos.
Num deles estará o acervo composto por pranchas originais adquiridas pelo CNBDI, outras doadas, da autoria de diversos autores.

Entre os portugueses, há obras de Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês, José Ruy, Augusto Trigo, Artur Correia, José Carlos Fernandes, Miguel Rocha, João Fazenda.

No núcleo dos autores estrangeiros estarão patentes pranchas de autores que trabalharam argumentos de Alan Moore, bem como imagens realizadas por Lourenço Mutarelli, Luke Ross, Rick Veitch, Seth Fisher, e outros.

No outro núcleo haverá um panorama relativo às exposições que se foram realizando ao longo dos cinco anos que agora se comemoram.

Ao todo, no conjunto dos dois núcleos, os bedéfilos terão possibilidade de visionar uma suculenta retrospectiva composta por cerca de 50 originais, nos estilos mais diversificados.

A "rentrée" bedéfila apresenta-se prometedora.

Para quem ainda não conhece o espaço do CNBDI, que também funciona como Bedeteca e Fanzineteca, é um bom momento para ir até lá.

sábado, setembro 03, 2005

Tertúlia BD de Lisboa

No próximo dia 6 deste mês de Setembro, primeira 3ª feira, realiza-se o 249º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.
Como artista alvo da homenagem estará presente Maria Keil, autora de grande prestígio na Ilustração - actualmente considerada a decana da especialidade -, mas que também teve breve incursão na Banda Desenhada, consubstanciada em dois álbuns editados sob os títulos Os Presentes e As Três Maçãs.
É mais um momento alto desta tertúlia, por onde já passaram os nomes mais importantes da Banda Desenhada Portuguesa:
António Barata, Fernando Bento, Vítor Péon, José Garcês, José Ruy, Eugénio Silva, Fernando Relvas, José Pires, José Manuel Soares, Baptista Mendes, Bixa, Manuela Torres, Júlio Gil, Marcelo de Morais, Pedro Massano, Victor Mesquita, Duarte, Isabel Lobinho, Zé Paulo, Carlos Barradas, José Morim, entre outros - e igualmente vários artistas de nível superlativo noutras áreas, mas com obra na BD, designadamente Júlio Resende (consagrado pintor), Rui Mendes (sim, o actor), José Viana (também actor) e outros.
Convidado Especial é uma categoria criada para gente mais nova, tendo o momento que decorre na tertúlia, e o diploma que lhes é oferecido, a função de incentivo. Por lá passaram, em fase inicial das carreiras, vários autores que entretanto ganharam prestígio na BD:
Nuno Saraiva, Diniz Conefrey, Luís Louro, Pedro Morais, Filipe Abranches, Miguel Rocha, João Fazenda, Rui "Lacas", Pedro Cavalheiro, Pedro Brito, Pedro Burgos, Pedro Leitão, Pedro Nora, Pedro Zamith, Isabel Carvalho, Esgar Acelerado, António José Lopes, Mota, Pedro Nogueira, Horácio, Pepedelrey, e outros.
Nessa categoria de Convidado Especial irá estar agora "Manel" Cruz, conhecido vocalista dos ex-Ornatos Violeta, e da actual banda "Os Pluto". Mas, claro, vai estar na Tertúlia BD de Lisboa na qualidade de ilustrador (retratou, para o jornal "Público", os implicados no caso do bar "Meia Culpa", dentro do tribunal, enquanto decorria o respectivo julgamento), e de autor de BD no fanzine Édito, e nas revistas "365" e "Op".
Ambos os autores, mantendo a tradição, vão oferecer, cada um deles, um desenho original, para ser sorteado entre os bedéfilos presentes.
Maria Keil, apesar da respeitável idade (91 anos), fez um desenho propositadamente para esse efeito. A sério.
Nota: Algum bedéfilo desconhecido, muito interessado em participar neste momento excepcional e irrepetível que vai acontecer na Tertúlia BD de Lisboa, pode enviar uma SMS para o 919137027, até Domingo às 22h00.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (IV) Tertúlia BDzine - Os temas propostos aos autores

O (fanzine) Tertúlia BDzine é um magazine muito simples, de apenas quatro páginas em formato A4, distribuído gratuitamente aos participantes na Tertúlia BD de Lisboa.

Inicialmente muito irregular, passou a ser quase mensal nestes anos mais recentes. 

Os temas que tem abrangido são bastante diversificados:
1 - 3001 Odisseia no Futuro
2 - Super-Heróis no Ano 3000
3 - Super-Heroínas no Ano 3000
4 - Super-Vilões no Ano 3000
5 - Super-Vilãs no Ano 3000
6 - Espada e Feitiçaria
7 - Homem versus Robô
8 -Coisas que você queria saber sobre sexo na vida dos super-heróis (e nunca lhe tinham mostrado)
9 - Eu não creio em bruxas mas que as há, há... na BD
10-As Guerras do Nosso Descontentamento
11-Humor e/ou Sátira Social
12-Cenário: Lisboa
13-É Natal, ninguém leva a mal :-)
14-"Pastiches" à Portuguesa
15. Sonhos & Pesadelos
16. Poesia em banda desenhada
17. Admirável Mundo Novo?

A abrangência dos temas (imaginados por este mesmo bloguista que daqui vos fala), e a qualidade dos autores/artistas colaboradores, entre consagrados e novos, tem tido bons resultados, quer no acolhimento obtido junto dos "tertulianos" leitores (vários estão a coleccioná-lo), mas também em termos de distinções obtidas exteriormente.

Efectivamente, o TertúliaBDzine foi premiado com o título de "Melhor Fanzine", nos anos 2003 e 2004, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Festivais,salões BD e afins - 1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada


Foi bem sucedida a experiência, realizada no primeiro domingo de Agosto, dedicada aos fanzines de banda desenhada, através de exposição e feira. 
Teve apreciável número de visitantes, que demonstraram bastante curiosidade em relação àquele tipo de magazines ilustrados. Daí que se insista na iniciativa, mudando o esquema mas mantendo a BD como "leit-motiv".
Portanto, desta vez vai realizar-se a 1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada.

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Para uma Mostra de Banda Desenhada não há dimensões obrigatórias, depende do contexto em que se insere.
No respeitante a esta "1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada", que engloba extractos de obras de autores consagrados e novos, em face dos limites de espaço - uma simples sala do Cine-Teatro "O s Aliados" - e de tempo, apenas um dia -, seria mais apropriado baptizá-la de "Um Breve Olhar sobre a BD Portuguesa".

Com efeito, o que se patenteia aos visitantes insere-se nesse conceito, e é o seguinte:

1. Imagens digitalizadas, a cores, de pranchas de seis autores portugueses consagrados:
Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, José Garcês, José Ruy, Vítor Péon e Eugénio Silva.

2. Pranchas originais de três novos valores:
Álvaro, J. Mascarenhas e Gastão Travado.

Se os organizadores conseguirem mostrar, mensalmente, sínteses visuais semelhantes, isso fará com que os visitantes mais persistentes acabem por visionar um panorama razoavelmente representativo da Banda Desenhada em Portugal.


Esta Mostra insere-se na Feira Ecológica de Sintra. Ambos os eventos decorrem no Domingo, dia 4 de Setembro, entre as 10h00 e as 19h00.

A organização é da responsabilidade do trio:
Feira Ecológica de Sintra
Tertúlia BD de Lisboa
Grupo Extractus

Autor do cartaz da Mostra: Gastão Travado

Local: Cine-Teatro "Os Aliados" - São Pedro de Sintra

1000 VISITAS! HÁ FESTA NO BLOGUE!

Neste momento de festejos, antes de mais, muito obrigado aos visitantes, e um agradecimento muito especial aos que, de alguma forma, participaram no blogue:

Ao Fernando Relvas, que foi quem “decidiu”, lá na Croácia onde se encontra, que eu tinha de ter um blogue, e ele próprio o criou; (*)

Ao Pedro Lino, meu filho, que decidiu alterar a cor rósea com que o blogue tinha sido colorido pela mulher do Relvas, a Nina Govedarica, dando-lhe uma cor mais discreta, e de que eu também gosto mais; e também por ter criado, no dia 22 de Julho, um contador de visitas.

À Guida, empregada do Cybercafé da Avenida do Brasil, que me tem ajudado em pequenas dificuldades;

Ao Gastão Travado, que nestes últimos posts tem tomado a seu cargo a inclusão de imagens.

(*) Para seu castigo, o Relvas recebe na Croácia, sem eu nada fazer para tal, todos os posts do blogue (ainda por cima truncados, com caracteres e sinais ortográficos esquisitos pelo meio). Presumo, talvez erroneamente, que isso estará a acontecer pelo facto de o blogue ter sido criado por ele num computador croata -:)

terça-feira, agosto 30, 2005

Revistas BD (II) - Estrangeiras: BoDoï - a BD em revista francesa (2ª parte)

Ao continuar a análise do nº 88 da BoDoï, é indispensável falar-se da divertidíssima rubrica "Le Pinailleur" (traduzível por "O Cocabichinhos"), que vive da colaboração dos leitores e das suas sagazes observações, algumas constituindo autênticos achados.

Exemplo de um deles: o leitor Vincent de Houilles faz o reparo (pertinente) acerca da mudança de posição, em vinhetas diferentes, da espada de Abraracourcix (eu sei, a editora portuguesa ASA mudou-lhe o nome e a outros dos intérpretes da série, em álbum recente, mas isso dará para uma conversa específica noutro poste).
Vincent enviou duas vinhetas do episódio Astérix entre os Belgas (Astérix chez les Belges), onde, numa delas, o chefe dos gauleses tem a espada do lado direito do corpo (prancha 9A - pág. 13, 1ª vinheta), como lhe é habitual, e na página seguinte (prancha 10A - 1ª vinheta) a espada já aparece do lado esquerdo.

Entretanto, lendo e visionando, uma vez mais, tantos anos passados, a antiga edição do álbum, também eu reparei que o mesmo volta a acontecer na página 27 (prancha 23B), onde, em duas vinhetas contíguas, exactamente as últimas da página, a espada muda de um lado para o outro do corpo de Abraracourcix, de uma vinheta para a seguinte.

Em ambos os casos, é óbvia a distracção de Uderzo. Mas, se no exemplo descoberto pelo leitor francês, poderá ter havido erro de "raccord", por se verificar em pranchas diferentes, naquela que eu próprio detectei a falha é algo indesculpável, pois acontece no momento em que o desenhador termina a prancha 23B, com as duas imagens do chefe gaulês e mais a sua espada "dançante", em vinhetas desenhadas ao lado uma da outra!

Estes gauleses são loucos... e distraídos.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (VI) "9ª Arte" - Rubrica de BD em jornal de Loulé

Imagine-se alguém apreciador de banda desenhada que, numa qualquer cidade de província, ao comprar o periódico local, se depara com uma página inteira a falar de BD e a mostrar bandas desenhadas, publicadas em continuação ao ritmo de uma prancha semanal... É fácil prever que esse bedéfilo se sentirá entusiasmado com a iniciativa, lerá com eventual curiosidade os artigos e ficará ansiosamente à espera do número seguinte.

Terá sido assim o que aconteceu a numerosos bedéfilos de Loulé, leitores do semanário O Louletano, no dia 30 de março de 2004, dia em que se iniciou a rubrica 9ª Arte, uma página inteira, com muito boa apresentação.



Sob este título em caixa alta, 9ª ARTE - classificação algo discutível que bedéfilos franceses de prestígio deram à BD, na década de sessenta do século passado - mais os subtítulos "Memórias da Banda Desenhada - Pesquisa e coordenação de Jobat" e "Nostalgia", seguindo-se a identificação do autor do texto, José Batista (afinal, Jobat)), assim se apresenta este inesperado suplemento de, e sobre, Banda Desenhada.

Para início, 9ª Arte apresentou o primeiro de três artigos intitulados "ETCoelho, eu e O Mosquito", que ocupou o espaço de três páginas (no mesmo número de semanas), copiosamente ilustradas com desenhos de mestre Eduardo Teixeira Coelho, falecido recentemente.

Na mesma linha de divulgação de biografias de autores de nomeada, José Batista já escreveu acerca de Vítor Péon (oito capítulos, bem ilustrados), de José Garcês e as suas primeiras H.Q. (Jobat parece preferir Histórias aos Quadradinhos, em detrimento de Banda Desenhada), logo após escreveu sobre "Sua Majestade El-Rei O Mosquito", descreveu em seguida, com profundo conhecimento de causa, "O Império editorial da Agência Portuguesa de Revistas" (treze capítulos!).

Outros articulistas têm contribuído para o espaço literário da página, casos de Jorge Magalhães, que analisou a fundo Raul Correia, como co-editor de "O Mosquito" e como novelista, bem como Carlos Alberto, banda-desenhista e pintor (personalidade que mereceu também de José Batista vários artigos complementares. De Magalhães é igualmente o texto "Uma revista 100% Portuguesa", referindo-se à publicação intitulada "Camarada", editada pela extinta organização "Mocidade Portuguesa". Entretanto, o autor José Pires autobiografou-se, e José Batista dissertou sobre Roussado Pinto, enquanto editor de revistas de BD, argumentista (Edgar Caygill) e novelista (Ross Pynn).

No capítulo da BD propriamente dita, têm sido publicads váriasm ao ritmo de uma página por semana, no sistema de "continua no próximo número". Foram contemplados, até agora, o próprio Jobat, através da sua bd Ulisses, seguido por José Garcês, representado por A Maldição Branca, depois Carlos Alberto com A Filha do rei de Nápoles, e José Pires, sob argumento de Benoît Despas com O Perro Negro.

No que se refere à rubrica 9ª Arte - cujo título é recuperado do "Jornal do Cuto", com o mesmo grafismo, suponho que da autoria do próprio Jobat, que foi colaborador daquela revista - e ao excelente trabalho de José Batista, dá-se aqui o devido relevo.
Mas convém acrescentar que o jornal Louletano tinha iniciado a divulgação de BD em 11 de Junho de 2003, pela republicação de A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões, desenhos de José Batista, ilustre louletano.

Como se vê, em Loulé há um jornal e um bedéfilo - bom, há dois, José Batista e José Carlos Fernandes! - que merecem destaque. Divulgando BD fá-lo, justificadamente.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Revistas BD (I) - Estrangeiras: BoDoï, a BD em revista francesa (1ª parte)

Após o desaparecimento da sempre lembrada A SUIVRE, parecia que dificilmente poderia ser substituída no apreço dos numerosos bedéfilos portugueses que a coleccionavam.

Mas como que a "reencarnando" - embora com evidentes diferenças - surgiu há 88 números a BoDoï (os franceses lêem bodói e não boduá, como já ouvi).

Este dito octagésimo oitavo número, chegado há pouco às bancas (a sério, não se vende apenas nas "boas livrarias"), refere-se ao período bimestral de Agosto-Setembro.

Mantendo a linha editorial que a tem caracterizado, a BoDoï tem várias bandas desenhadas de continuação, e numerosas páginas de texto. É a esta parte que hoje me refiro. Nelas se incluem:

-uma entrevista a Albert Uderzo, dando já a notícia do seu 33º Astérix, a ser lançado a 14 de Outubro próximo;
-também é entrevistado o inovador Joan Sfar
-inclui igualmente uma entrevista ao muito prestigiado Jacques Tardi.

Ainda nos textos, há a útil coluna INFOS, onde se podem encontrar informações preciosas, como seja a que regista a edição "hors série" do jornal Libération, que consagra seis páginas ilustradas por Loustal a contar a História do Jazz nestes últimos trinta anos.

Muito - mas, oh, muito mesmo! - surpreendente é a novidade que divulgam, em relação ao CNBDI- Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image (só a sigla é que é igual à da Amadora), novidade essa que consiste na realização do
1º Fórum da Imagem Desenhada Francesa, em Pekin (sim, na China, exactamente aí!), entre 6 e 9 de Outubro. A minha alma está parva, como dizia a minha mãe.

Voltarei a referir-me ao nº 88 da BoDoï. O merecido é devido.

domingo, agosto 21, 2005

Homem-Aranha em Portugal, ao mesmo tempo em dois locais

Não, não se trata de o Spider-Man ter agora também o dom da ubiquidade, pelo facto de aparecer em simultâneo em dois locais diferentes, cá por estas bandas lusitanas.

Acontece, simplesmente, o seguinte: na continuação dos artigos dedicados ao tema "Heróis-Jornalistas da Banda Desenhada", que o jornal Público tem estado a apresentar, aos domingos, em textos assinados pelo jornalista, "doublé" de crítico de BD, Carlos Pessoa, a personagem apresentada neste Domingo, 21 de Agosto, foi o Homem-Aranha, herói que deu azo ao artigo "Spiderman (sic) - Repórter fotográfico em part-time".

O BI divulgado dá os elementos essenciais. Informa os nomes dos criadores, Steve Ditko, desenhador, e Stan Lee, argumentista. Data de nascimento do herói: 1962. Local: Revista Amazing Fantasy (USA). Profissão: Repórter fotográfico, enquanto Peter Parker. E no que se refere a este pormenor que os leitores sabem desde sempre, é triste dizê-lo mas o jovem Parker só se aguenta no emprego por ser o único repórter a conseguir fotos do Homem-Aranha, por razões óbvias.
Após o bem elaborado, embora necessariamente sintético, artigo desta semana, teremos no próximo Domingo a continuação da série, com a apresentação de Ernie Pike.

Também em continuação, mas neste caso de uma colecção, intitulada "Série Ouro", em edição portuguesa pelas Edições Devir, num lançamento dominical junto com o matutino Correio da Manhã, surgiu neste mesmo dia 21 de Agosto (um Domingo em cheio para os bedéfilos), o bem apresentado volume (nº 9 da colecção) com o título "Homem-Aranha, Regresso às Origens".

Trata-se de um conjunto de volumes, muito bem apresentados, em bom formato (18x26cm, um pouco menos do que A4), capa e miolo a cores, cujos anteriores oito álbuns foram dedicados a:
Capitão América- nº1; Batman- nº2; Quarteto Fantástico-nº3; Mónica (*)-nº4; Elektra-nº5; Star Wars-nº6; Wolverine-nº7; Tex-nº8.

(*) O nome da personagem aparece na capa com a grafia do português do Brasil, "Mônica". Mas se os brasileiros abrasileiram os nomes, nós temos o direito de os aportuguesar. Nenhum bedéfilo português alguma vez terá pronunciado aquele nome com o "o" fechado (ô) mas com ele bem aberto, (ó).

sábado, agosto 20, 2005

Hugo Pratt e Corto Maltese - o fim há dez anos







HUGO PRATT e CORTO MALTESE


Será possível já se terem passado dez anos após a morte de Hugo Pratt? Pois será, um cancro o levou a 20 de Agosto de 1995. Tinha nascido em Rimini, perto de Veneza - ele dizia-se veneziano, era o que sentia, em Veneza tinha passado uma fase importante da juventude -, estava-se em 1927, a 15 de Junho.

Passados quarenta anos e um mês, em Julho de 1967, Pratt vê iniciar-se a publicação de "A Balada do Mar Salgado", sua obra de referência - uma das mais importantes na História Mundial da Banda Desenhada -, na relativamente modesta revista italiana "Sgt. Kirk". Seria ali, portanto, o berço de papel e tinta do herói Corto Maltese.

Pratt traçou-lhe uma imagem elegante, deu-lhe perfil aristocrático, pôs-lhe um brinco na orelha. E aqui cabe perguntar: que outro herói europeu da BD, nascido em fins dos anos 1960, se atreveria a usar tal adereço? A única justificação que terá tido Hugo Pratt, perante a curiosidade dos bedéfilos mais conservadores, é que a mãe de Corto era uma charmosa cigana andaluza.
Outra característica da personagem, do foro psicológico, tem a ver com o seu gosto pelas viagens, mas essa foi herdada do pai, marinheiro inglês. Ou até do próprio Pratt...

Com efeito, Hugo Pratt sempre foi um cidadão do mundo. Nascido em Itália, ainda jovem viajou para a Etiópia, mais tarde foi trabalhar em BD para a Argentina, e de caminho vagueou pela América do Sul. Assim não espanta que a personagem Corto Maltese, seu "alter ego", tenha deambulado também por muitas paragens, China, Sibéria, Pérsia e, claro, Buenos Aires (veja-se Tango), tal como o seu criador.

Ambos chegaram ao fim, estamos agora a falar deles por se ter passado uma conta redonda, dez anos após o desaparecimento de autor e personagem.
Mas se Hugo Pratt não mais voltará, Corto Maltese ainda está ao alcance de um autor/artista da BD que consiga os direitos de o recriar. Sei de um português que atingiria a felicidade se o deixassem ser ele o continuador (não é verdade, Arlindo Fagundes?).
Mas valerá a pena?


sexta-feira, agosto 19, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (III) Tertúlia Lisboa dos Fanzines - O quê, como, onde?

O universo da banda desenhada caracteriza-se bastante pelo individualismo dos seus cultores. É bem conhecida a psicologia dos autores de BD, de se isolarem para facilitarem a própria criatividade, conscientes de terem um labor solitário - se calhar como acontece a um pintor, a um poeta, a um escritor...

Também com os editores de fanzines (os faneditores) acontece algo semelhante. Como apaixonado fanzinista que sou - enquanto coleccionador e editor -, resolvi tentar alterar um pouco a situação, propor, a quem tem a ver com os fanzines, uma reunião mensal, onde mostrássemos uns aos outros os nossos zines, onde pudessemos tentar fazer algo em conjunto, exposições dos ditos, ou das pranchas neles publicadas, isto tudo com muita conversa à mistura e umas "bejecas" para molhar as goelas. 

Assim aconteceu no dia 19 de Outubro de 1999, data do início da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, apenas dedicada aos fanzines de banda desenhada.

Embora mantendo o dia do encontro - terceira 3ª feira (não é difícil fixar!) do mês -, a tertúlia já mudou várias vezes de horário, a fim de facilitar a participação da maioria dos interessados, e passou por diversos locais. Começou em Entrecampos, no primeiro andar duma pizzaria, a "Don Pasolini", passou depois para o Bairro Alto, para o bar "Meia Nota" (que os muito batidos no B.A. conhecem por "António", nome do patrão), voltou a mudar, dessa vez para a Livraria Ler Devagar. 
Na mais recente mudança escolhi o bar "Estádio", na Rua S. Pedro de Alcântara. Não há lisboeta que saia à noite de vez em quando (já para não falar dos noctívagos encartados), que não conheça este simples e simpático bar, aberto até às duas, porta de entrada para o B.A.).

Convém ainda dizer que, neste caso, se trata de uma pequena tertúlia, com não mais do que seis ou sete participantes mensais. Mas ao longo destes quase seis anos de existência, já por lá passaram cerca de três dezenas de fanzinistas, neles se incluindo autores.

Nomes dos editores (não menciono aqui autores isolados, mas vários faneditores são também autores) e títulos dos respectivos fanzines:

Álvaro ("Bunker" e outros), Bruno Silva ("Funzip"), Gamito ("Vertigens"), Gastão Travado ("Cyber Extractus"), Ilda Castro ("Não fazer nada é que é bom"), J. Mascarenhas ("Cyber Extractus" e outros), Joana Figueiredo ("O osso da pilinha" e outros), João de Ovar ("9 Gunas"), Jorge Coelho ("Vertigens"), José Lopes ("Colecção Doczine"), Marcos Farrajota ("Mesinha de Cabeceira" e outros), Nuno Catarino ("Netcomixzine"), Paulo Marques ("O Mundo do Estranho"), Pedro Alves ("ZineJal" e outros), Pepedelrey ("Ovelhas Anarkis" e outros), Pitchu! ("Sub"), Pedro Zamith ("Nova Gina"), Rafael Gouveia ("Carneiro Mal Morto"). E eu próprio, obviamente ("Tertúlia BDzine" e outros).

Poucos de cada vez, mas, mesmo assim, muita gente já lá esteve. A maioria, moradores de Lisboa (nem todos lisboetas como eu...), outros de cidades vizinhas. Uma prova de que os fanzines representam actividade editorial alternativa com raízes culturais e artísticas eminentemente urbanas.

quinta-feira, agosto 18, 2005

BDjornal - Jornal de banda desenhada e não só

Jorge Machado-Dias e Pedranocharco há anos que se fundem, de tal maneira que não se sabe bem onde acaba o homem e começa a editora. Em "íntima" colaboração já editaram álbuns, elaboraram fanzines, estão agora envolvidos num projecto inédito, sem par entre nós, com raros congéneres no mundo da BD.

Estamos a falar de um mensário (bem, desta vez é bimestral, abrange os meses de Julho e Agosto, esperemos que seja excepção) cujo título, BDjornal, está a ter uma projecção insuspeitada, graças a uma distribuição de bom nível.



Falo assim com conhecimento de causa. Em Lisboa, a minha habitual jornaleira - o termo correcto é ardina, mas tento evitar palavras que possam ser consideradas quase arcaicas... - tem lá tido o BDjornal, com grande satisfação minha. E neste momento que me encontro no Algarve, encontrei hoje à venda, aqui em Faro - num quiosque de nome "Tim Tim", 'tou a falar a sério! - o flamante nº4 do BDjornal, acabadinho de distribuir.

Não haverá bedéfilo, que se preze de o ser, que não se disponha a dar os €2.00 por um exemplar desta "avis rara" do universo editorial da BD, para mais deparando-se-lhe uma capa apelativa constituída por variadas imagens, a saber:

- Vinheta de "A Trilogia de Nikopol", de Enki Bilal, referente a artigo do próprio editor, que tem a ver com o filme "Immortel" ("O Imortal", título português), realizado por ele mesmo, Bilal;

- O rosto de Maria Keil, decana das ilustradoras portuguesas, entrevistada por Pedro Leitão, ele próprio ilustrador e banda-desenhista, com intervenções de Clara Botelho Uma observação: sob o título "Maria Keil conversa com Pedro Leitão" aparece o nome de Clara Botelho. Deveria estar Pedro Leitão e Clara Botelho, não é verdade, senhor editor?
Aproveito a oportunidade para informar que Maria Keil irá ser homenageada, como autora de BD, que também fez, a 6 de Setembro, primeira 3ª feira do próximo mês, na Tertúlia BD de Lisboa.
(Para quem visitar este blogue pela primeira vez, pode saber mais acerca da citada tertúlia num "post" anterior, é só ver no índice aqui ao lado);

- Reprodução de capas das revistas Tex, Dylan Dog e Conan, sob título que remete para entrevista com os responsáveis da brasileira Mythos, uma editora actualmente com presença visível nos escaparates das livrarias especializadas e nas bancas;

- Selos e BD, imagens que são apenas uma pequena amostra do que se pode ver na página 29, a ilustrar artigo de Pedro Cleto, especialista da BD em geral e deste tema em particular, para o qual já tem organizado exposições em eventos bedéfilos;

-A figura de Batman, que se irá mostrar de novo na página 5, onde consta um levantamento de títulos de filmes baseados em adaptações de obras de Banda Desenhada ao Cinema, com o respectivo ano de realização, nomes dos seus realizadores e actores, trabalho efectuado por J. Machado-Dias com a colaboração de Clara Botelho;

- Imagem referente a "Seaguy, o gajo marítimo", como escreve David Soares, autor de BD, também ensaísta e crítico da especialidade;

- Reprodução da primeira prancha da bd "Adélia", de Maria João Careto, editada em encarte de 16 páginas, com duas bedês daquela jovem bejense: "Adélia" e "Allegra". Vale a pena ler/ver.

No miolo do jornal há muito mais para ler e ver, embora sem referência na primeira página (ou capa, para quem assim preferir). Exemplos de textos a merecer leitura:

- "Ghost World" (Mundo Fantasma), uma análise crítica desta obra de Daniel Clowes, escrita por Nuno Franco;

- Parte 2 e conclusão do artigo biográfico "Eduardo Teixeira Coelho", escrito por Leonardo De Sá e António Dias de Deus;

- Fanzineteca - Notícias acerca de fanzines editados recentemente;

- Prémios Eisner 2005, lista e fotos da autoria de João Lameiras, o sortudo colaborador da Editora Devir, que teve direito a estar presente no dia 15 de Julho, na 17ª edição anual dos "Will Eisner Comic Industry Awards", em San Diego, Califórnia;

- Notícia sobre a 23ª edição do Salão BD de Barcelona, levado a efeito entre 9 e 12 de Junho.
Estive lá no primeiro ano, e alguns anos depois. Agora é a vez dos mais novos, e o João Lameiras, com presença em San Diego e Barcelona, começa a parecer-se comigo nas minha primeiras idas a Lucca, Angoulême, Barcelona, num glorioso ano em que fiz uma tripla...

- Notícias sobre os Encontros de BD de Santo Tirso, já na 3ª edição (força, malta jovem, suponho que os líderes do projecto são aqueles que conheci o ano passado no Festival da Amadora, junto a uma modesta banca, a divulgarem os "Encontros", tb no título foram modestos, se calhar realistas) , os quais tiveram lugar entre 17 e 19 de Junho. Fala-se igualmente do novel Festival Internacional de Pinhal Novo (Palmela), realizado de 1 a 3 de Julho;

- Aviso oportuno sobre a exposição patente na Biblioteca Nacional, em Lisboa, visitável desde 30 de Junho até 24 de Setembro, dedicada ao tema "Ilustradores de D. Quixote", onde se podem admirar extraordinárias ilustrações, designadamente de Salvador Dalí, Alfredo de Morais e Eduardo Teixeira Coelho;

- Uma notícia relativa aos 20 anos da Tertúlia BD de Lisboa, com texto parcialmente extraído deste blogue, mas complementado com sugestivas fotografias do próprio J. Machado-Dias.
Em tempo: por incrível distracção minha, escrevi aqui no blogue (mas já emendei) que a tertúlia se realiza na terceira 3ª feira, quando na realidade é na primeira 3ª feira. A confusão deve-se ao facto de eu ser também o organizador da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, que se tem realizado sempre na tal terceira 3ª feira, mas que já este mês passará para a última 3ª feira, para evitar confusões;

- Regulamento do Concurso de BD & "Cartoon" - Moura 2005, com a síntese extraída aqui do "Divulgando BD";

- A caricatura de um cota qualquer que me é vagamente familiar. O autor da caricatura chama-se Nelson Santos, diz o editor que é jovem, e classifica-o como promissor talento.
Não pondo em dúvida o talento para um género tão difícil, eu acho que o rapaz começa mal, podia ter escolhido como modelo um gajo menos pencudo;

- Um cartune desopilante, intitulado "fanático da BD", assinado por Pedro Alves, um cartunista que costumava encher-me o email com cartunes diários ('Tão, Pedro, ainda 'tás com o tal problema?).

Por tudo o que ficou dito, o conteúdo deste número está excelente (com excepção da tal caricatura, blaarrrgh :-), e é de esperar que se esgotem os 5000 exemplares, muito bem impressos e com muito sumo.

terça-feira, agosto 16, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (V) A Gazeta Cru, bom espaço BD no jornal Blitz

Já aqui falei do suplemento BD (sobre BD pelos textos crítico/divulgatórios de Esgar Acelerado; e com BD, ou seja a bd a cores"Superfuzz", sob argumento de Esgar Acelerado e desenho de Rui Ricardo).

Este suplemento BD, com o título "A Gazeta Cru", já se publica a partir de Julho de 2001, e desde essa data que a banda desenhada Superfuzz (entretanto parcialmente editada em álbum) era realizada pela equipa Rui Ricardo no desenho e Esgar Acelerado no argumento.

De repente, na terça-feira da semana passada, não apareceu o habitual episódio, divertido e autoconclusivo, substituído por um engraçado jogo. Telefonei para o Porto, para o Esgar Acelerado, para saber o motivo da alteração: apenas férias do Rui Ricardo, presumia eu, mas quis saber. 
Fiquei com a novidade digamos que em primeira mão: o Rui Ricardo, por impedimentos pessoais, tinha de deixar de desenhar o Superfuzz e, por conseguinte, o Esgar Acelerado tinha de arranjar substituto, visto que não queria suspender a série.

E aí está um novo desenhador, chamado João Maio Pinto, a concretizar visualmente as peripécias protagonizadas, em especial, pela impagável dupla "patrão Paiva" e "Ricky".

Parabéns à nova equipa, que já criou um prometedor (se for para continuar, espero que sim) super-herói, de nome Mr. Substandard sob argumento de um tal Arnald Peter e desenho de um patusco Johnny M. Chicken.




Sublinho a graciosa ideia do "Esgar Acelerado" (eu sei como ele se chama na realidade, e acho que não haverá muitos bedéfilos também a saber, aceito palpites :) de eleger Rui Ricardo para a rubrica Cromos da BD (*) , com simpáticas palavras de agradecimento.

(*) Cromos da BD - Uma colecção semanal de quadradinhos, muito bem esgalhada, com imagens de personagens da BD, também criada pelo imaginativo, incansável, talentoso, bom argumentista, bom ilustrador, um "topa-a-tudo-e-bem) "Esgar Acelerado" (quem é ele, quem é, este nortenho impagável?), colecção essa inserida na "Gazeta Cru", e que bem merecia ser recolhida numa qulquer publicação, um fanzine, por exemplo, que é o tipo de publicação suficientemente descontraída para dar cobertura aos delírios (positivos) do dito cujo Esgar Acelerado, aliás Emerenciano Osga, "and so on".

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (IV) Jornalistas/repórteres, heróis da BD

Publicou-se anteontem, no jornal "Público", mais um artigo, o segundo da série, a dissertar sobre aqueles "Heróis da BD" que se apresentam sob a capa de jornalistas. Esta série de artigos, já aqui o disse num anterior "post", teve o seu começo naquele matutino na edição de Domingo, há duas semanas (é preciso dizer "duas semanas atrás", como está na moda, tipo inglês, "two weeks ago"?) sob a assinatura do jornalista Carlos Pessoa. No dia 7, como referenciei, o "Herói da BD - alter-ego de jornalista" foi a dupla "Superman-Clark Kent". Neste domingo, 14 de Agosto, foi a vez de Tintin, que ñ tem alter-ego.

Como terá entendido quem tiver lido esse meu "post", não foi por acaso que falei dele (anunciava-se artigo sobre o herói de origem belga para a semana seguinte), e tb não foi por acaso que mencionei o erro que habitualmente se cometia, quando se dizia que o rapaz da poupa nunca tinha escrito uma linha. Obviamente que Carlos Pessoa aproveita a ocasião para, com efeitos retroactivos, desfazer o equívoco.

Já opinei anteriormente no "Divulgando BD". Mas como calculo que poucos serão os que terão pachorra para ir ver "posts" anteriores, repito (ou, fazendo-me eco da asneira que se ouve com frequência, "volto a repetir", poupem-me, por favor :( ,trata-se de uma interessante série de artigos, que valerá a pena acompanhar dominicalmente.

Todavia, quem ñ puder ou ñ o quiser fazer, por ñ gostar do jornal, ou por ñ estar interessado em comprá-lo apenas por causa de um artigo (atenção, só pelo cartoon-bd (*) do Bartoon, de Luís Afonso, e pela tira de BD do Calvin e Hobbes, de Bill Watterson, vale a pena ler o "Público", desculpem lá a publicidade :), posso confidenciar-lhe, aqui q ninguém nos ouve, da minha convicção de que isto vai dar livro. Se já aconteceu com Corto Maltese e com Tintin, por que há-de ser diferente desta vez? Eu podia perguntar directamente ao Carlos Pessoa. Mas calculo que ele respondesse, com aquela precaução tipicamente jornalística: "Ó pá, não te posso dizer nada de concreto. Já se falou nisso, mas sabes como são estas coisas". Assim sendo, aguardemos pacientemente, para ver se este meu "feeling" faz ou não sentido...

(*) Cartoon-bd - Até alguém encontrar melhor definição, classifico assim, desta forma mista, aquele tipo de comentário-crítico, em género "one shot", quer social, quer político, dado através de imagens sequenciais. Ou seja: pelo espírito, momentâneo, efémero, datado (se calhar para o ano já ninguém o entende, é "cartoon", mas pela forma como aparece concretizado graficamente, em imagens sequenciais, é banda desenhada. Como acontece com a excelente série "Bartoon".

Será que vou ter um "comment" do Luís Afonso, a barafustar comigo? Vou esperar pela pancada :)

quinta-feira, agosto 11, 2005

Concurso de BD - Ficha de inscrição

Concurso BD - Festival BD Amadora 2005

Já vários bedéfilos me tinham perguntado se eu sabia alguma coisa em relação ao concurso de banda desenhada organizado anualmente pelo Festival de BD da Amadora (sob a égide da autarquia local). Pois acabo de receber um exemplar do regulamento (aliás recebi três, um endereçado a Geraldes Lino, outro ao fanzine "Tertúlia BDzine", e ainda outro ao fanzine "Folha Volante", ambos editados por mim, claro :).
Ora então vou extrair do regulamento os elementos que considero mais importantes para quem queira participar neste concurso inserido no 16º Festival Internacional de Banda Desenhada / Amadora 2005 (FIBD'A). Eis os pontos a ter em consideração:


16º Concurso de Banda Desenhada - Amadora 2005
Condições de Participação: Pode concorrer quem tenha entre 12 e 30 anos. Os concorrentes serão divididos em dois escalões etários: A - dos 17 aos 30; B - dos 12 aos 16 anos.

Prémios: Antes de mais, um prémio excelente será a publicação. A entidade organizadora não garante que isso aconteça, mas envidará todos os esforços nesse sentido.
Quanto aos prémios pecuniários, serão os seguintes:
Escalão A - 1º prémio: €1000 // 2º prémio: €750 // 3º prémio: €600
Escalão B - 1º prémio: €750 // 2º prémio: €600 // 3º prémio:€500

Tema do concurso
"SONHOS NUMA NOITE DE VERÃO"

Especificações técnicas: Cada banda desenhada (bd) tem de ser constituída por 4 pranchas, originais e inéditas, a preto e branco ou a cores. // O formato das pranchas deve ser A4 ou A3, e têm de estar numeradas. // Na 1ª prancha deve constar o título do episódio. // Os concorrentes têm de ter em consideração a hipótese de as bedês vencedoras poderem vir a ser publicadas em formato A4, portanto as legendas, textos de balões e restante letragem terão de ser legíveis em caso de redução de A3 para A4. Logo, os próprios autores deverão fazer as reduções para testar essa legibilidade, antes de enviar as pranchas para a organização. // Os autores devem fazer duas fotocópias de cada prancha, ficando uma em seu poder e enviando a outra juntamente com o original // As pranchas não podem estar assinadas. Deve ser deixado um espaço em branco a fim de poderem colocar a assinatura posteriormente para efeito de publicação ou outro qualquer. // Todas as pranchas, logo tb as respectivas cópias, devem estar numeradas legivelmente e identificadas com o pseudónimo e escalão no verso. // O pseudónimo deve ser totalmente original, não podendo ter sido utilizado anteriormente.

Calendário: A data limite para entrega das bedês na CMA - CNBDI é a de 16 Setembro (2005, claro). As que não forem premiadas serão devolvidas por correio.
Inscrição: a) Com a inscrição é entregue por cada concorrente o valor de €2.50 para devolução das pranchas, o que deverá ser feito em cheque à ordem do Tesoureiro da Câmara Municipal da Amadora. b) Para efeito de participação, os concorrentes devem recortar ou fotocopiar o cupão publicado na norma distribuida em papel pelo CNBDI
(julgo eu que a imagem que reproduzo do cupão, no "post seguinte" pode ser mandada imprimir, e servirá para o efeito)
preenchê-la e enviá-la juntamente com uma fotocópia do B.I., mais a tal importância de €2.50 em cheque, num envelope devidamente fechado, juntamente com a banda desenhada, tendo inscrito no exterior o pseudónimo e escalão respectivo.
As bedês devem ser enviadas ou entregues directamente, até 16 de Setembro, para

16º Concurso de BD - Amadora
Festival Internacional de Banda Desenhada
CMA/CNBDI - Av. do Brasil, 52 A
2700-134 Amadora

segunda-feira, agosto 08, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (III) Heróis-Jornalistas na Banda Desenhada

Um tema interessante este, iniciado ontem, domingo, no jornal Público, que irá debruçar-se sobre "seis retratos de personagens de banda desenhada", na edição dominical, em seis semanas consecutivas. A série apresenta-se sob o título "Heróis–Jornalistas na Banda Desenhada".

Para começar, são publicados dois artigos. Um, assinado por Hugo Real, intitula-se BD e JornalismoUma história de fascínio, traça um panorama generalista, recorrendo inclusivamente a opiniões de Leonardo De Sá, estudioso e crítico, e a José Rodrigues dos Santos (sim, o apresentador da RTP, professor universitário e autor de um estudo sobre a importância da BD na História da Comunicação). O outro, intitulado Superman O super-repórter do Daily Planet, tem autoria do jornalista Carlos Pessoa, também crítico e estudioso da especialidade.

No que se refere a Hugo Real, ele nomeia diversos heróis da Banda Desenhada que se apresentam no papel de jornalistas, especialmente repórteres. Vê-se que não estão nada mal representados ao longo da História da BD, havendo alguns bastante famosos, como acontece com o Super-Homem (visível na profissão através do seu "alter-ego" Clark Kent) e com o Tintim.

Com Tintin aconteceu uma coisa curiosa, que observei atónito durante uns anos: muitos críticos portugueses, recorrentemente, acusavam-no de nunca ter escrito uma linha, ignorância devida ao facto, bem visível, de nunca terem lido o primeiro episódio.
Com efeito, esse episódio inaugural da série, com o título original "Les Aventures de Tintin, reporter du "Petit Vingtième" au Pays des Soviets", só em 1999 foi editado em Portugal pela Editorial Verbo.

Acontece que eu tinha adquirido, uns anos antes, em Angoulême, a edição "fac-simile" desse episódio "maldito" (Hergé nunca o redesenhou, como fez com os outros, nem autorizou a sua modificação, quer na redução do número de páginas, quer na impressão a cor). E nele se via Tintim a escrever – pela primeira e única vez, é um facto – ou, pelo menos, a tentar escrever (à mão, claro), um artigo. Ou, como ele próprio diz, em monólogo na edição portuguesa: "Toca a fazer um belo artigo". E vêem-se acumuladas numerosas folhas, já escritas, continuando o nosso herói a monologar: "Pergunto-me se já terei escrito o suficiente?".

Assim se verificou, muitos anos mais tarde, que o repórter Tintin tinha andado a ser acusado, injustamente, pelos críticos e bedéfilos portugueses, de nunca ter escrito qualquer artigo que lhes justificasse a sua, durante muito tempo, apenas presumível profissão. Que, aliás. ele faz questão de publicitar quando, em "A Ilha Negra", se identifica com a frase "Aqui, o repórter Tintin". Talvez não tenha sido muito prolífico a escrever, pelo menos que o seu criador, Hergé, no-lo mostrasse. Mas, e isso é que não sofre contestação, pelo menos uma vez ele escreveu. E bastante.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (II) Exposição & Feira de Fanzines BD de Sintra

Os fanzines são magazines amadores, que tanto podem ter a forma de uma qualquer publicação, seja em que tamanho for - podem ser em formato grande, A3, mas também surgem pequeníssimos, em A6, por exemplo - como igualmente por vezes se apresentam sob o aspecto de objecto, ou antes aproveitam qualquer objecto para nele se encaixarem, dependendo da imaginação do faneditor.

Os fanzines abarcam grande variedade de temas. Todavia, a Banda Desenhada é um dos motivos mais frequentes, daí que agora surjam a justificar a realização da
1ª Exposição & Feira de Fanzines de Banda Desenhada de Sintra, integrada num evento já com raízes, a Feira Ecológica de Sintra, a atingir a sua 12ª edição.

Ambas - embora geminadas, cada uma tem as suas características próprias - vão ser levadas a efeito a 7 de Agosto, 1º Domingo do mês. O local em que decorrerão será o Cine-Teatro "Os Aliados", em São Pedro de Sintra.

A organização da Exposição & Feira de Fanzines recai sobre duas entidades, a Feira Ecológica de Sintra, cujo responsável se chama Fernando Winkermantel, e a Tertúlia Lisboa dos Fanzines, iniciada e puxada pelo bloguista deste mesmíssimo "webblog", que pode ser contactado, por algum faneditor que lá queira pôr fanzines à venda, pelo tlm 91 9137027.

Autor do cartaz da Exposição: Ricardo Cabral

Informação útil: o horário é das 10h às 19h.
Portanto, dia 7 de Agosto, Domingo, todos os fanzinistas e apreciadores de banda desenhada estão convidados a aparecer. A entrada é LIVRE!

Concurso BD de Moura - Importante

Data limite para os concorrentes entregarem pessoalmente/enviarem por correio as suas bedês e cartunes: 30 de Setembro (de 2005 :). Estou a falar ainda em relação ao Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon" integrado no Salão BD de Moura/2005.
Acontece que no meu "post" datado de 24 de Julho, por tê-lo feito de improviso, dizendo por palavras minhas o que ia lendo no regulamento que o Carlos Rico (principal responsáve do evento)l me enviou por email, falhei esta informação. Um leitor do blogue e potencial concorrente chamou-me a atenção para o lapso. Aqui fica o aditamento.
Felizmente que há tempo suficiente. Mas ñ convém adiar muito o início da bd ou do cartune...

domingo, julho 31, 2005

Tertúlia BD de Lisboa (I) - O que é, como funciona.

Realiza-se na próxima 3ª feira, dia 2 de Agosto, o 248º encontro da Tertúlia BD de Lisboa.
Claro que já não há tertúlias como no século XIX, dei~lhe este nome pq há dois pormenores que lhe dão semelhança com as antigas:
Primo: toda a gente que lá vai tem de ter um factor em comum, o gosto pela Banda Desenhada. Secondo: Na parte final, com o Homenageado e/ou Convidado Especial, após a sua apresentação pessoal, estabelece-se diálogo, com perguntas efectuadas pelos tertulianos; e, consoante o espírito de comunicabilidade do autor/artista, a conversa pode constituir (ou não) um momento de bastante interesse.
E embora não haja a pretensão de apenas se falar de BD, ela acaba por estar sempre presente, em especial através de um sorteio de revistas, actuais ou antigas, e álbuns, momento de bastante interactividade, porque há uma espécie de trocas que permite chegar às mãos dos participantes veteranos, revistas de "comics" ou "mangás", e dos mais novos, exemplares de revistas antigas que nunca antes tinham visto.

A Tertúlia BD de Lisboa é uma associação informal, visto que funciona sem existência oficializada, não tem estatutos nem corpos gerentes, não há associados nem pagamento de quotas. Por que razão se chama tertúlia? Porque os seus participantes têm uma coisa em comum que os une, o gosto pela Banda Desenhada, e é com a finalidade de falar dela e prestarem homenagens a autores que se deslocam ali de propósito para receberem o galardão em forma de diploma (e dessa forma os "tertulianos" contactam com eles pessoalmente) que se reúnem.

A Tertúlia BD de Lisboa fez 20 anos em Junho, entrou portanto há pouco no 21º ano de existência. Os encontros da tertúlia são mensais – sempre na primeira 3ª feira de cada mês –, e têm lugar num restaurante do Parque Mayer. Sim, leram bem. Porque, embora haja bastante gente, incluindo até muitos lisboetas, convencida que aquele emblemático local, actualmente em avançada degradação, já está fechado, a verdade é que ainda lá estão a funcionar três restaurantes e um teatro de revista.

Mas voltando à tertúlia: esses encontros que, repito, se mantêm mensalmente sem nunca falhar, há vinte anos, contam permanentemente com a participação de quarenta a cinquenta pessoas, abrangendo vários escalões etários, visto que, como o prova a realidade, a banda desenhada é para leitores dos 7 aos 77. Repetindo o que já disse antes, o traço de união entre quem vai à tertúlia é a Banda Desenhada, a BD, a bedê, daí que só lá tenha aceitação quem seja bedéfilo (não é indispensável ser-se especialista, mas é condição "sine qua non" ter consideração pela arte sequencial). Os numerosos bedéfilos que participaram até hoje, ao todo umas largas centenas, não são sempre os mesmos – há quase todos os meses duas ou três pessoas que lá vão pela primeira vez, e há outras que vão de tempos a tempos – mas existe um "núcleo duro", de cerca de vinte, de quase impecável assiduidade, além da presença praticamente sem falhas do fundador da tertúlia e seu organizador mensal, o bloguista (ou "blogger") que aqui escreve. Esse conjunto não fixo de bedéfilos abarca todas as áreas da BD: autores (desenhadores e argumentistas), editores, estudiosos, críticos, divulgadores, jornalistas, coleccionadores, fanzinistas, e "last but not the least", simples leitores.

A tertúlia inicia-se às 20 horas e termina sempre três horas e picos mais tarde. Divide-se em três partes: 1) jantar; 2) sorteio de BD; 3) homenagem a um autor consagrado ou veterano com obra realizada há muitos anos, e incentivo a um autor mais novo.

Começa-se pelo jantar (uma opção estratégica, pois não haveria hipótese de conseguir a permanência de tantas pessoas, durante três horas, se não estivessem sentados a uma mesa, mas, note-se, nem toda a gente janta lá, há gente mais jovem que quando lá chega já comeu uma sandocha ou assim:), que decorre entre as oito horas e as nove e meia. Saliente-se o pormenor importante, em termos económicos, de o pagamento ser individual. Outro aspecto a relevar: o restaurante fica totalmente reservado, naquele dia, para os "tertulianos"; e, por causa da tertúlia, abre sempre, mesmo que a primeira terça feira do mês calhe num feriado!

A 2ª parte, bastante animada, compõe-se de um sorteio de peças de banda desenhada, oferecidas pelos próprios participantes, que engloba álbuns, revistas (portuguesas e estrangeiras, actuais e antigas, fanzines e desenhos originais, incluindo os que são oferecidos pelos Homenageado e Convidado Especial. Este sorteio tem duas finalidades principais: pôr toda a gente a mexer em peças de BD, as mais variadas, o que suscita o desenvolvimento de conversas sobre o assunto, tanto mais que, muitas vezes, a revista antiga que sai a um jovem constitui para ele autêntica surpresa, outras vezes sai ao bedéfilo veterano um fanzine algo desconcertante, em ambos os casos peças que nunca teriam tido oportunidade de conhecer.

Outra faceta importante deste sorteio é a possibilidade de as pessoas se conhecerem. Porque, se ao participante X sai uma peça oferecida por um benemérito Y, e eles não se conheciam, ao deslocar-se o premiado até junto do ofertante para que este lhe entregue a peça, está criada a oportunidade de terem assunto de conversa na tertúlia seguinte.
Mas a finalidade principal que justifica a existência da tertúlia e a razão pela qual foi fundada – sei bem do que estou a falar J – é a de homenagear um autor consagrado , ou até com escassa obra mas já com suficiente veterania, e prestar incentivo a autor jovem ou relativamente novo, mas com obra ainda escassa, que é classificado como Convidado Especial, dando-lhe assim um primeiro destaque público.

Na tertúlia de hoje estará presente, como Homenageado, um autor veterano, Vasco San-Payo, que fez bandas desenhadas na revista "Camarada", nos anos 1949 e 1950. E o Convidado Especial será Alex Gaspar, autor representado em diversas publicações, designadamente "O Fiel Inimigo", "Coice de Mula", Informal (revista da Associação Académica de Lisboa), Diário de Leiria e Jornal de Leiria.

Alguém que leia este "post", seja apreciador de BD (condição "sine qua non") e esteja interessado em participar na próxima tertúlia de Setembro, no dia 6, primeira terça feira do mês, pode escrever para (não quero divulgar publicamente o meu email): Apartado 50273 – 1707-001 Lisboa. Ou, noutra hipótese, se preferir deixar um comentário no blogue com esses elementos a facilitar o contacto, pode crer que eu próprio lhe telefonarei a convidá-lo para participar na tertúlia.

terça-feira, julho 26, 2005

Concurso BD de Moura - Aditamento

No "post" anterior, referente ao Concurso de Banda Desenhada que está a ser organizado pela autarquia de Moura, que funciona como preparação para o respectivo Festival de BD, esqueci-me (mea culpa) de indicar um pormenor muito importante para os concorrentes: o tema é LIVRE!

domingo, julho 24, 2005

Concurso BD de Moura: sem limite de idade

De que eu tenha tido conhecimento, este é o terceiro concurso dedicado no corrente ano à banda desenhada, e dos méritos e deméritos específicos deste tipo de iniciativas, e tb das minhas bastante numerosas participações nos ditos cujos concursos (um momento: só a nível de elemento de júris, e é um pau:), falarei noutro dia. O que me traz agora ao blogue tem a ver com as mesmas razões desde há umas decadazitas no que à BD se refere: valorizá-la, divulgá-la. Por tudo quanto é sítio, mostrar aos menos atentos, ou com menos acesso à informação que, por vezes só chega a círculos restritos e/ou especializados. Como, se calhar, acaba por acontecer tb com os blogues, com este blogue, hélas, provavelmente quase só visto por outros bloguistas (bloggers, se preferirem...). Mas isso são outras conversas, que podem ficar para diferentes núpcias. Por agora, vou avançar para o assunto propriamente dito, neste caso o regulamento (embora resumido) do:
13º Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon". Moura 2005
Para começar, o destaque que já fiz no título do "post": Neste concurso apoiado por uma autarquia alentejana, podem concorrer pessoas de todas as idades, com apenas duas divisões: o escalão etário A, para os que, à data limite de entrega das obras, tenham entre 13 e 25 anos; e o escalão B, para quem, à data limite de entrega, tenha 26 anos ou mais. Ora isto quer dizer que qualquer mortal, com jeito para banda-desenhar, e que nunca tenha tido antes oportunidade de mostrar os seus dotes, está perfeitamente a tempo de o fazer! É democrático ou não?
Mais pormenores: cada concorrente pode enviar um máximo de 5 trabalhos originais (isto para os cartunes e tiras de BD dá muito jeito) e inéditos. Portanto, fica claro q a organização não aceita cópias, mesmo a cores. As pranchas podem ser feitas nos formatos A4 ou A3. Quando apresentadas em suporte digital, devem ser enviadas em formato TIFF ou JPFG, acompanhadas de um "print" de boa qualidade. As pranchas têm de ser identificadas no verso (atenção: na parte de trás, muitos concorrentes enganam-se e põem o nome na frente, sei do que estou a falar) com o nome, morada e contacto telefónico.
Já dei uma ideia das modalidades aceites, mas isto tem de ficar bem claro, portanto, "tomem tacto e vão vendo", como dizia a minha mãe:
Dentro do concurso haverá três modalidades: na Banda Desenhada, o número de pranchas pode variar entre duas (mínimo) e seis (máximo); na "Tira BD", é conveniente que sejam enviadas as tiras individualizadas, ou seja, uma tira em cada folha; no "Cartoon", onde se engloba o desenho de humor e a caricatura, podem ser enviadas o quantitativo já indicado no início, isto é, um máximo de cinco.
As obras a concurso (geralmente classificadas de "trabalhos", nomenclatura de que não gosto muito e evito o mais possível) devem ser enviadas conjuntamente com um pequeno currículo, fotocópia do B.I. e número do contribuinte, para: Câmara Municipal de Moura - Gabinete de Informação, Imagem e relações Públicas - 13º Concurso de B.D. e "Cartoon"-Moura 2005 - Praça Sacadura Cabral - 7860-207 Moura.
Prémios, um aspecto essencial: em cada escalão serão instituídos os seguintes: Melhor Banda Desenhada: € 750; Melhor Tira: € 350; Melhor "Cartoon": €350.
Os vencedores receberão ainda colecções de BD e diplomas.
Haverá também prémios para o Melhor Autor do Concelho de Moura, €250, e Prémio Juventude, €250, neste caso para autores que, à data limite de entrega das suas participações artísticas, tenham de 13 a 17 anos, inclusive. Tal como nas distinções anteriores, os prémios pecuniários serão complementados com colecções de BD e Diplomas.
Para terminar: todas as obras serão expostas no MOURA BD 2005 - 15º Salão de Banda Desenhada, que se realizará entre 12 e 27 de Novembro naquela cidade alentejana.
Claro que, dada a abrangência do Escalão B, por vezes há uns autores veteranos que se candidata, como já aconteceu, que me lembre agora, com Eugénio Silva na BD e Estrompa no Cartune, o que valoriza o concurso e a exposição. Mas há ainda espaço para surpresas...

Já tenho um contador de visitantes no blog

Isto de ter um contador de visitantes no blogue (a partir de 22 de Julho, obrigado filhão!) é, para qq bloguista da lusitana blogosfera, vulgar de Lineu. Mas para mim, básico no q concerne às técnicas informáticas, constitui motivo de satisfação. Isto apesar de o "blog" já estar aberto desde Março... A sério! A coisa foi assim: o Fernando Relvas "decidiu" :) que eu tinha de ter um blogue. Vai daí, abriu-o ele mesmo, e foi ele próprio quem o iniciou com um texto, exactamente aquele que diz "Enquanto o nosso amigo Geraldes Lino não começa a mexer nestas coisas dos blogs, aqui vai um abraço". Apesar de aparecer a indicação "posted by geraldes lino", o autor do texto foi ele, Relvas (obrigado, amigo), numa sexta-feira dia 4 de Março deste ano de graça de 2005, nos arredores de Zagreb, para onde o nosso categorizado autor de BD se mudou desde o ano passado, após ter casado em Portugal com a croata Nina Govedarica, e onde se sente feliz, tanto quanto sei pelos seus emails.

terça-feira, julho 19, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (II) Gazeta Cru do Blitz, bom espaço com BD e sobre BD

A música é o tema essencial do semanário Blitz, é facto bem sabido de todos os melómanos.
Mas todas as terças-feiras há uma página de muito interesse para os bedéfilos que, graças a também gostarem de música, leiam aquele jornal: tem por título "A Gazeta Cru" e compõe-se de duas partes: a principal preenche-se por uma bd a cores baptizada "Superfuzz", desenhada por Rui Ricardo sob argumento de Esgar Acelerado. Na secundária, em coluna lateral, o mesmo "Acelerado", disfarçando-se em variados outros pseudónimos, de que o mais usual será "Emerenciano Osga", organiza duas séries de pequenos desenhos em formato quadrado, dignos de serem coleccionados: "Lendas da BD" (uma antologia gráfica, caricatural, de muito interesse para os aficionados da BD que, na edição de hoje, 18 Julho, podiam ver a figura de "Yellow Kid", atinge o nº 79), e "Cromos do Rock", já no nº 181, com Billy Joel.

Ainda para os fãs da BD, no resto da coluna (2/3 do espaço), Esgar Acelerado, ele também um conhecedor da especialidade, escreve recensões críticas a propósito da BD em geral e dos fanzines de BD (e não só), sempre que tem conhecimento de novidades. Daí que o seu comentário crítico de hoje seja dedicado ao Tertúlia BDzine nº 92 - Especial, numa edição limitada, distribuída gratuitamente na Tertúlia BD de Lisboa e, obviamente, já esgotada.

O conteúdo deste número especial é composto por uma banda desenhada em 8 páginas em 3D, que exige o uso de óculos de lentes coloridas, acoplados ao exemplar. A bd "Arquivo: 20; Marte 2205", da autoria de Cris Lou (argumento), Gastão Travado e J. Mascarenhas, ilustradores e especialistas em técnicas digitais, constitui a primeira bd em 3D de autores portugueses, editada em tiragem inicial de apenas 60 exemplares, que eventualmente será aumentada, exemplar a exemplar, a fim de satisfazer pedidos de coleccionadores, que podem contactar o editor do fanzine (que por acaso é também o bloguista editor e escrevinhador deste blogue "Divulgando BD") para o endereço físico (não gosto de divulgar demasiado o meu email) seguinte: 
Geraldes Lino - Apartado 50273 - 1707-001 Lisboa.

Jazz na BD

Inquestionavelmente, o Jazz está numa boa onda. Sucedem-se os eventos por tudo quanto é sítio, multiplicam-se os pequenos agrupamentos (combos), os concertos sucedem-se, as gravações/divulgações em CD surgem em sobreposição.
Neste quadrante tem estado a editar-se semanalmente, apoiada pelo matutino Diário de Notícias, uma colecção invulgar, adaptada de obra de origem francesa, que merece entusiástico destaque neste blogue essencialmente bedéfilo. A iniciativa tem por título BD JAZZ, apresenta-se em sugestivas caixas, incluindo cada uma delas uma banda desenhada de índole biográfico a respeito de um músico/compositor da especialidade, acompanhada por dois CD's com composições representativas da carreira desse artista/autor. Numa primeira fase foram editados volumes (caixa com mini-álbum e discos) relativos a nove nomes sonantes: Ray Charles, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Frank Sinatra, Louis Armstrong, Lester Young, Nat King Cole, Oscar Peterson e Duke Ellington, com a nota bem simpática de ser um banda-desenhista, ilustrador e pintor português, Pedro Zamith, quem assina a bd dedicada a Frank Sinatra, coisa que já acontecia na colecção original francesa das Éditions Nocturne.
Surge no DN de hoje a notícia da continuidade da colecção por mais três volumes, dedicados a outros tantos músicos/compositores e/ou cantores: Chet Baker, Anita O'Day e Charlie Parker. E observando-se com o mínimo de atenção a imagem publicitária relativa ao próximo lançamento dedicado a Chet, que ocupa a totalidade de uma página, tem-se a surpresa, bastante grata para a BD portuguesa, de ver os nomes de dois portugueses autores da respectiva banda desenhada: J. Fazenda e J.P.Cotrim. Como sabe qualquer bedéfilo atento ao panorama português da arte sequencial, João Fazenda será o autor das imagens e João Paulo Cotrim o argumentista deste trabalho biográfico. Atenção, portanto, ao DN (passe a publicidade, claro) da próxima 6ª fª, dia 22 de Julho, a este 10º volume de BD JAZZ.

sexta-feira, julho 15, 2005

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (I) Surpresas BD de Verão no Jornal de Negócios

Um apoio à BD de onde menos se espera, que surpresa agradável! 

No Jornal de Negócios (edição de 13 de Julho), apareceu um suplemento intitulado "Verão", com três páginas dedicadas à banda desenhada, sendo a primeira a funcionar como capa, com as figuras a cores das personagens Quim e Manecas (criadas no início do século passado por Stuart Carvalhais), e as restantes duas com um texto abarcando comentários a autores portugueses, desde Rafael Bordalo Pinheiro a José Carlos Fernandes, passando a vol d'oiseau pelos fanzines, uma iniciativa que merece valente chapelada de admiração. 

Um jornal tão conspícuo, tratando obviamente de assuntos essencialmente terra-a-terra característicos do mundo dos negócios, debruçar-se pelo universo da fantasia como é o da BD e dos fanzines, é, convenhamos, surpreendente.

A autoria do texto deve-se à jornalista Dora Ribeiro, que, naturalmente, para obter opiniões e elementos sobre as várias componentes, contactou individualidades ligadas à BD: João P. Boléo Pedro Silva, José Carlos Fernandes e o escriba deste blogue. Aplausos ao jornal e à jornalista!

quinta-feira, julho 07, 2005

Festivais, Salões BD e afins (II) - Subsídios para um estudo (I)

Para os fãs de banda desenhada, todos os eventos bedéfilos são momentos desejados e inolvidáveis. Isso porque lhes permitem ver pessoalmente os autores que admiram, falar com eles, obterem autógrafos ou até desenhos autografados, e adquirirem novidades editoriais a preços mais acessíveis.

Mas também são úteis para esta forma de arte sequencial, porque lhe dá maior visibilidade, não só pela participação das editoras, como também pelo contacto do público com as exposições compostas geralmente por pranchas originais.

Vêm de longe no tempo as iniciativas dedicadas à BD em várias cidades portuguesas.
Têm-se apresentado com títulos diferentes, consoante a sua dimensão ou apenas devido à preferência das entidades organizadoras, que optam, um tanto aleatoriamente, por lhes chamar Festival, Salão, Jornada, Encontro, Quinzena ou Semana de Banda Desenhada.

Com direito à classificação de pioneiro no género, o I Encontro Nacional de Banda Desenhada foi organizado na Figueira da Foz, de 24 a 26 de Agosto de 1973, seguindo-se-lhe em 1977 o Salão de BD de Aveiro, ambos apenas limitados a uma edição.

Mais importante foi o aparecimento do Festival de Banda Desenhada de Lisboa - organizado pelo amador Clube Português de Banda Desenhada - que teve existência ininterrupta durante quinze anos, com início em Março de 1982, fim em 1996. O CPBD pouco mais tempo durou, em termos oficiais.

Na Sobreda, em Maio desse mesmo 1982, começaram as Jornadas de Banda Desenhada, que se têm mantido, sendo hoje o decano dos eventos bedéfilos, sob diferente título, o de Sobreda BD.

A seguir, noutros locais – Porto, Amora, Viseu, Amadora, Moura –, outras realizações idênticas surgiram.

O evento portuense teve estreia em 1985, denominando-se no início Salão de Banda Desenhada e do Fanzine, tendo passado em seguida a Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto - SIBDP, mantendo-se anual até 1989, posteriormente bienal até à 11ª edição, e última, em 2001.
Alguns dos seus organizadores decidiram realizar uma edição virtual, na Internet, entre 5 e 26 de Novembro de 2005, que numeraram 12ª.

Em 1998 inaugurou-se na capital o Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada que, de certa forma, foi substituto do anteriormente citado festival lisboeta, embora com uma dimensão e projecção não comparáveis, por ser organizado pela Bedeteca de Lisboa, um equipamento cultural da Câmara Municipal de Lisboa.

Em Abril de 2003 estrearam-se os Encontros de BD de Santo Tirso, talvez para compensar a extinção do salão portuense.

Em 2004, o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora atingiu a sua 15ª edição, decorrida entre 22 Outubro e 7 Novembro.
A justificar o facto de ser actualmente o mais importante evento nacional, teve vários autores estrangeiros presentes.

Ainda no mesmo ano de 2004, entre 16 e 30 de Novembro, realizou-se em Pinhal Novo, pela primeira vez, a Quinzena de Banda Desenhada com o subtítulo "Quinze Dias em Banda".
Também em Novembro, de 13 a 24, teve lugar mais um salão bedéfilo mourense, o 14º, intitulado "Moura BD 2004".

Mesmo no final desse ano 2004, de 4 a 19 de Dezembro, foi o 13º Salão BD de Viseu.

Estamos agora em meados de 2005, e já houve cinco eventos. 
Dois deles têm o estatuto de repetentes: o 6º Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada, de 19 de Maio a 5 de Junho, e o 3º Encontro de BD de Santo Tirso, entre 17 e 19 de Junho.
Quanto a estreias, foram três: 
o 1º Festival BD de Almodôvar, de 14 a 19 de Março; 
o 1º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, de 9 a 28 de Abril; 
e o 1º Festival BD de Pinhal Novo, de 1 a 3 de Julho.

Ainda neste ano 2005 teremos mais um Salão BD em Viseu, previsto para o período de 1 a 15 de Outubro.

Haverá outro Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, com início a 21 de Outubro e final a 6 de Novembro.

E entre 12 e 27 de Novembro realizar-se-á o 15º Moura BD.

Perante um programa anual tão preenchido, os bedéfilos não se podem queixar de a BD ter falta de apoios, estímulos e visibilidade.

sexta-feira, julho 01, 2005

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (I) Autor: José Carlos Fernandes

Há um autor português, talentoso, corajoso (mandou às malvas o seu estável emprego como engenheiro de ambiente na Ria Formosa, para se dedicar, a tempo inteiro, à BD. 
Chama-se José Carlos Fernandes, tornou-se especialmente conhecido pela obra, ainda incompleta, que dá pelo título de "A Pior Banda do Mundo". 
Inicia hoje, dia 1 de Julho, nova e invulgar experiência, uma obra em pranchas a publicar diariamente no jornal matutino Diário de Notícias, sob o título "A Agência de Viagens Lemming", impressa a cores - naquelas tonalidades laranja e sépia, tão ao seu gosto. 
Enquanto a componente gráfica tem a marca inconfundível do estilo que o caracteriza, a ficcional promete amarrar-nos à leitura diária até ao último dia de Agosto, fazendo reviver um género que há muito não se via, o da história que continua no próximo número, e que mantém o leitor/visionador em "suspense", neste caso para saber que viagens irão fazer os "urbanitas" que recorrem à imprevisível Agência Lemming.

segunda-feira, junho 27, 2005

Jazz na BD

Já aqui falei do meu novo fanzine, dedicado à banda desenhada e ao jazz.
Como é habitual neste tipo de publicações amadoras, a distribuição é feita pelos próprios editores (faneditores, é a definição especializada), e é isso que tenho andado a fazer. Como se impunha, fui a uma discoteca (para o caso é uma loja de venda de discos e não espaço de dança), especializada em jazz, a Trem Azul, localizada ao fundo da rua do Alecrim, no nº 21 A.
Como a discoteca engloba uma pequena galeria de arte - onde então estava uma exposição de fotografias de músicos de jazz -, o bacano Jorge Trindade, que conheci na altura, convidou-me a organizar uma exposição com as duas bedês que compõem a componente ilustrada do zine. E assim se fez. Portanto, até ao dia 25 de Julho, a mostra de BD estará à disposição dos bedéfilos e, já agora, também de quem goste de jazz. Na galeria encontrará um "flyer" onde escrevi o seguinte:
"Cruzar visualmente a Banda Desenhada e o Jazz é a intenção de quem edita o fanzine Jazzbanda, tentando que as sonoridades "jazzísticas" se transmitam pelas imagens sequenciais, a própria essência da BD.
As pranchas originais com as imagens, reproduzidas nas páginas do fanzine - por extenso: um magazine editado por um fã (fan) - ganham mais ressonância visual quando expostas, e dão maior realce ao labor dos dois artistas/autores de BD, o já consagrado Pedro Massano, e Ricardo Cabral, um novo de talento emergente."

domingo, junho 26, 2005

Festivais, Salões BD e afins (I) - Salão Lisboa de Banda Desenhada

Cumpriu-se mais uma edição do Salão Lisboa de Banda Desenhada, já lá vai algum tempo, e só agora falo nisso porque, confesso, não atinava com a forma de entrar no blog.

Agora que voltei a encontrar "o caminho por cima das pedras" (obrigado formador Ricardo Lopes), queria deixar registada uma breve crítica.

O Salão Lx, como é sabido, começou por abarcar a banda desenhada e a ilustração, e mostrava no título essa dupla intenção. Entretanto, os seus responsáveis decidiram separar as águas (artes?) e, bienalmente, dedicar-se apenas a uma delas. Tudo bem. 

Este ano era o ano da BD. Lá estiveram representados vários autores, com destaque para os finlandeses, convidados especiais, bem acompanhados pela representação portuguesa, encabeçada por José Carlos Fernandes.

Mas o que eu queria sublinhar era o facto de também a ilustração lá estar representada, o que nada teria de criticável, se identicamente isso acontecesse com a banda desenhada quando o salão é dedicado à ilustração, o que, infelizmente, não se verifica.

Portanto, parece evidente um certo favoritismo da Bedeteca em relação à ilustração, em detrimento da banda desenhada.

E aqui impõe-se a pergunta: será que a Bedeteca está em vias de passar a chamar-se Ilustrateca?

segunda-feira, maio 16, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (I) 8ª Feira Internacional do Fanzine/Almada

Apesar de ser mais conhecido como, provavelmente, o maior coleccionador português de fanzines (portugueses) de banda desenhada, também tenho a meu crédito, até hoje, nove títulos de fanzines dedicados à BD:

Eros,
Autobiografias ilustradas,
Preciosidades da BD,
Ad Hoc,
Cadavre Exquis aliás Cadáver Esquisito,
Improvisos na toalha de mesa,
Tertúlia BDzine,
Folha Volante,
Anãozine.

Amanhã, 17 Maio 05, vai ser lançado na Feira Internacional do Fanzine, em Almada (mais propriamente em Cacilhas), no espaço chamado "Ponto de Encontro" (Câmara Municipal de Almada), pelas 22h00, mais um título, o 10º, editado por mim, o JAZZBANDA.

Este fanzine é dedicado à BD, obviamente, e ao Jazz. Nasceu de um encontro casual com um trio de músicos de Jazz que se apresentam pelo nome de Tricotismo, composto por uma cantora (Ana Bacalhau), um contrabaixista (José Pedro Leitão) e um pianista (Miguel Cordeiro).
Como não são indiferentes à BD e eu não sou indiferente ao Jazz, combinámos fazer um fanzine em que eles escrevessem sobre música e eu trataria de arranjar bedês que aflorassem o Jazz.

Neste primeiro número há uma bd de Pedro Massano e outra de Ricardo Cabral. Esta edição ficou completa com um texto universitário sobre Jazz escrito pela Ana, e uma entrevista que fiz ao José Pedro Leitão. A capa é a cores, com design de Susa, sobre ilustração de José Carlos Fernandes.

Graças à categoria dos colaboradores artísticos Susa, José Carlos Fernandes, Pedro Massano e Ricardo Cabral, atrevo-me a dizer que o fanzine não está nada mau ;)