sexta-feira, outubro 14, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (V) Juvebedê, fanzine com BD para a Juventude

F Capa assinada por Maia

Localiza-se em Lisboa a Associação Juvemedia, uma entidade sem intuitos lucrativos, cuja finalidade é, basicamente, a de organizar eventos e actividades para a juventude.

Uma dessas actividades, de contornos culturais, é a edição de uma publicação com o título "Juvebedê".

Classifico-a como fanzine por corresponder a vários dos requisitos desse tipo de publicações amadoras, sendo que dois deles são fundamentais:
1) Não é editada por nenhuma editora profissional (a Juvemédia é uma associação de finalidades não lucrativas, sobrevivendo à base de apoios diversos);
2) A publicação Juvebedê não é editada com finalidades lucrativas, visto ser distribuída gratuitamente.

Para alegria deste bloguista, por acaso é totalmente dedicada à banda desenhada, quer em textos críticos e/ou divulgatórios, quer em BD (embora escassa). Neste momento, a mais recente edição apresenta-se datada de Outubro 2005, e tem o nº 33.

Juvebedê
Formato A4, capa a cores, miolo a p/b, agrafada.
Director e Coordenador Editorial - Carlos Fernando Cunha.

Redacção: Alexandra Sousa, Carlos Fernando Cunha e Miguel Coelho (este está em Braga). Como colaboradores há ainda Pedro Cleto e Daniel Maia.
Lisboa 
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A propósito de Daniel Maia (eu ainda o conheci quando assinava Daniel Silva,depois passou para Dan e/ou Daniel Maia, agora na capa que se reproduz neste "post" assina apenas como Maia...), é ele o autor do argumento (pois, ele desenha bem, mas também faz o papel de argumentista quando lhe dá na bolha) da bd "Deus dos Tubos" - 1ª Parte, com Arte de Dinis Vale.
Não conhecem? Também eu não. O que posso dizer é que, pelo estilo, parece ter forte admiração pelo próprio Dan, perdão, pelo Daniel Maia, perdão, pelo Maia, o que não lhe fica mal.

A planificação da bd está boa, os contrastes claro-escuros equilibram-se em harmonia. Quanto à história, ainda é cedo para dizer algo de concreto. Publicam-se, para começar, seis pranchas nas páginas centrais. Continua (e conclui) no próximo número (onde é que eu já li isto?).

Quem estiver interessado em ver estas imagens iniciais, e quiser ver o desfecho da história, tem duas hipóteses: ou liga para o argumentista, Daniel Maia, ou pede ao Senhor Director (Olá Carlos Cunha), via email cunha@iol.pt, que o considere assinante, ele esclarecerá as condições que, para meu desespero, não consegui detectar na ficha técnica. Sei que, a sua tiragem de 400 exemplares, além de se destinar aos assinantes, é distribuida pelas Delegações Regionais do I.P.J. (Instituto Português da Juventude) e na Livraria Ler Devagar, onde costuma estar à disposição, gratuitamente, dos clientes. Esta livraria mudou da Rua de S. Boaventura (Bairro Alto), para o palácio que se situa no Alto de Santa Catarina, já na periferia do B.A.

Há muita informação disseminada pelo corpo do Juvebedê (na ficha técnica diz: "O Juvebedê é uma publicação (...)".
O pormenor de escreverem"o Juvebedê" deve vir do tempo em que admitiam a publicação como magazine amador, logo, um fanzine.

É habitual os editores de fanzines chamarem-lhes revistas, oque, em última análise, está certo: o magazine, publicação que deu origem ao neologismo fanzine. é sinónimo de revista.
Como escreveram os editores do Argon, pioneiro português, editado em Janeiro de 1972:
"Este fanzine é uma revista".

Mas, voltando à informação.
Aparece a rubrica "Os Álbuns Portugueses em Destaque" nos versos das capa e contracapa.
São referenciados criticamente: "Baby Blues 17 - Secos e Molhados", "Giuseppe Bergman" 9, "A Trilogia Nikopol", "Lucky Luke" 37, (Quer dizer: Os Álbuns de Autores Estrangeiros Editados em Portugal), "Cravo e Ferradura" (Ah, agora sim, Zé Bandeira, um português, viva!), "Red & Rover" 2, "Viagem Com Quino e Mafalda", "A última obra-prima de Aaron Slobodj" (mais um português, isto vai), "Sin City-A Cidade do Pecado" 1 - 2ª edição (O que é bom vende bem, ah grande Frank Miller, que eu conheci ainda jovem, no mais antigo evento bedéfilo que se realizava na italiana e linda Lucca, estava-se na gloriosa década de oitenta do século passado, ai, ai, o tempo passa), "Mutts" III, "Humberto Delgado, o General Sem Medo (de José Ruy, pois de quem houvera de ser, está em todas as frentes, o incansável), W.E.S.T. (Weird Enforcement Special Team), obra assinada por Rossi, Nury e Dorison, diz a ficha, além de dar um lamiré do que se passa na trama, localizada nos Estados Unidos, em Agosto de 1901.
Uma rubrica orientadora para a escolha entre o que se vai editando... e é muito, apesar de se estar sempre a dizer que a BD está em crise.

Há também espaço informativo em "JuveBreves".
Fala-se dos troféus Central Comics 2005, fiz parte do júri, puxei pelo Eduardo Teixeira Coelho para o Troféu Especial do Júri, mal sabia eu que, em 31 de Maio, o grande autor/artista português nos deixaria), fala-se de BDJazz no Diário de Notícias, regista-se o 3º Encontro de BD de Santo Tirso, Junho 17,18 e 19, haja Zeus que voltou a haver quem trabalhe para a BD no Norte, oh carago, está-se atento à publicação das pranchas diárias de José Carlos Fernandes que apareceram no matutino "Diário de Notícias", ao longo de dois meses a partir de 1 de Julho, faz-se saber que houve uma Tertúlia (este vocábulo não me é estranho) sobre BD em Braga, no dia 15 de Julho, organizado por "A Velha-a-Branca - Estaleiro Cultural" (que nome giro), com a presença de Arlindo Fagundes, Carlos Dias Tavares, Paulo Patrício, Pedro Costa (olá Arlindo Fagundes, olá Paulo Patrício, um abraço para vocês), e acontece que houve um ateliê de BD, entre Abril e Maio, e os alunos apresentaram os seus trabalhos sob a forma de um fanzine. Alto e pára o baile, isto tem a ver comigo, mais um fanzine, ora aí está uma boa notícia, obrigado Juvebedê!

Um pormenor relativo a este Juvebedê nº 33: faz parte dele uma separata, impressa apenas de um lado, com a indicação "Última Hora", com breves referências críticas a várias recentes edições, designadamente "1602" (volumes I e II), "Wolverine: Snikt", "Quarteto Fantástico - Imaginautas", "Cloudburst - Dilúvio Mortal", "Batman - Cidade Destroçada", "Hellblazer - Nas Ruas de Londres". Só que esta separata parece ter sido feita em menor quantidade, pelo que, na caixa cheia de exemplares que o Carlos Fernando Cunha (e sua mulher, Alexandra) levaram à Tertúlia BD de Lisboa, no dia 4 de Outubro, não havia nenhum exemplar que tivesse esta separata, só eu tive direito a uma, que me foi amavelmente oferecida pelo casal, com a indicação de que já não havia mais!

Enfim, além desta separata, há muito mais para ver e ler no fanzine Juvebedê.
A sério: há ali povo atento (Carlos Cunha, Miguel Coelho) ao contexto editorial, e a tudo quanto mexe na BD. Só lhes fica bem.

quinta-feira, outubro 13, 2005

3000 visitas! Festa no blogue pela terceira vez


É verdade, já houve três mil visitas, nada mau para um blogue dedicado apenas a um tema, a BD!

Se calhar, até terá acontecido que alguns visitantes, já conhecedores do blogue, tenham ficado decepcionados por não encontrarem "posts" recentes (quanto a diários, nem pensar...), e cá o bloguista (ou bloguer,ou "blogger" se preferirem) é o primeiro a lamentar.

Mas a aproximação do Festival BD da Amadora, que inaugura no próximo dia 21 (daqui a uns dias haverá aqui notícias sobre o evento), no qual estou a colaborar, além de um novo fanzine que editarei por estes dias, tem-me impedido de uma mais constante presença.

Saudações bedéfilas a todos os conhecidos e desconhecidos visitantes.

Um sentido agradecimento ao amigo Gastão Travado, apoio técnico imprescindível para a inserção de imagens nos "posts", o que, indiscutivelmente, valoriza esteticamente o blogue.

À saúde! À amizade! À Banda Desenhada! À Blogosfera! Até ao próximo glorioso milhar de visitas!

O bloguista Geraldes Lino.

BD portuguesa em jornais e revistas não especializadas - Mundo Universitário - Uma b.d. de Francisco Sousa Lobo

Está já em distribuição gratuita, na maioria das universidades, o nº 23 do jornal quinzenal Mundo Universitário, datado de 10 de Outubro (Uma dica amiga: procure-se, por exemplo, no átrio de entrada da Faculdade de Letras, logo à direita, um distribuidor metálico de cor azul. Há ainda lá muitos jornais :-).

A página de BD apresenta uma história simbólica idealizada por Francisco Sousa Lobo (*) sob o título "Relato de um sonho que me visitou em 2 de Abril de 2005".



Excerto (vinheta) da banda desenhada Relato de um sonho que me visitou em 2 de Abril de 2005, da autoria de Francisco Sousa Lobo

Assiste-se, através de uma narrativa gráfica em registo estético vanguardista, àquilo que o autor descreve como actual corrente da arte performativa do mundo ocidental. Características que a identificam neste episódio: a forma como os artistas se vestem, em modelos futuristas, e as suas tendências para se auto-filmarem enquanto se despenham aos pares de arranha-céus situados numa qualquer metrópole hodierna.
O público assiste pela televisão, abúlico. Aquela estranha "performance", que mais parece um suicídio colectivo, apenas suscita uma atitude psicológica indiferente, até talvez vagamente sado-masoquista. À vertiginosa queda nenhum artista sobrevive. Sobreviverá a Arte a esta auto-destruição colectiva?
Uma banda desenhada enigmática e depressiva, transmitida em jeito de parábola.

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FRANCISCO SOUSA LOBO

(*) Síntese biográfica do autor: Francisco Sousa Lobo nasceu em 1973 na cidade moçambicana que, nesse ano, ainda se chamava Lourenço Marques, posteriormente baptizada como Maputo.
É licenciado em Arquitectura, e tem exercido a respectiva função. Apesar disso trabalha também como ilustrador - área em que já obteve um prémio atribuído pela Society for News Design.
Na Banda Desenhada a sua actividade é ainda curta. Merece referência a sua novela gráfica Câmara Escura - Uma Única História em Seis Retratos, editada pela Bedeteca de Lisboa na colecção "Lx Comics", no nº 16, datado de Abril 2003.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Tertúlia BD de Lisboa - 250º Encontro


No próximo dia 4 de Outubro, primeira 3ª feira do mês, realiza-se o 250º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.

Homenageado (no caso presente, homenageada): Manuela Bacelar, conhecida fundamentalmente como ilustradora. Todavia, e isso será um aspecto menos conhecido do seu "curriculum", ela fez bandas desenhadas para a revista "Fungagá da Bicharada".
Convidado Especial: João Maio Pinto, um novo da BD, com bandas desenhadas publicadas no fanzine "Mesinha de Cabeceira" (com o subtítulo "Crica ilustrada") e no "Blitz". Neste semanário está actualmente a fazer parceria com o argumentista Esgar Acelerado, realizando em todos os números uma prancha, a cores, para a série "Superfuzz".

A Tertúlia BD de Lisboa reúne um numeroso grupo, uma média mensal de quarenta e tal irredutíveis bedéfilos, que resistem ainda e sempre ao invasor... e às suas constantes ameaças de fechar para obras o Parque Mayer, onde a Tertúlia se realiza.

Se houver algum bedéfilo interessado em participar na Tertúlia, pode telefonar para o organizador, que por acaso é este mesmo bloguista, para o telemóvel 919137027.

Banda Desenhada portuguesa em jornais - Mundo Universitário, um quinzenário gratuito com BD


Com óptima apresentação, num formato tablóide, propício a um bom trabalho gráfico, com todas as páginas profusamente ilustradas e coloridas, este quinzenário de distribuição gratuita atingiu agora o nº 22, datado de 26 de Setembro.

Após um interregno para as férias grandes - até mesmo um jornal, se é universitário, tem direito a férias :) - reapareceu e, como habitualmente, já terá sido distribuido por todas as universidades, de Norte a Sul do país.

Numa das 16 páginas tem algo que justificará o interesse de todos os leitores, mas em especial daqueles que se assumem como bedéfilos. Estamos a falar de uma página (coordenada por este mesmo bloguista/escriba) onde se pode ver/ler uma banda desenhada a cores, num episódio autoconclusivo.



"Há alguém lá em cima que gosta de mim", é o título, bem sugestivo, desta bd da autoria (argumento e desenho) de José Lopes, um jovem de origem africana - nasceu em Nampula, em 1977 - a viver em Portugal desde os quatro anos, tendo adoptado a nacionalidade portuguesa.

Realizado com um grafismo moderno, o episódio tem por base as acções de pessoas envolvidas nos acontecimentos dramáticos de 11 de Setembro de 2001. José Lopes parece, ele próprio, ter vivido, psicologicamente, a situação angustiante.

Esta página existe há meses, e todas as quinzenas tem sido dado espaço a um autor diferente. Anteriormente foram publicadas bandas desenhadas com as seguintes autorias:

Álvaro, Pedro Alves, J. Mascarenhas, Zé Manel, Mota, Ricardo Cabral, Alexandre Algarvio, Carlos Marques, Jorge Coelho, Pepedelrey, Kalika e Carlos Rocha.

E porque o desfile de novos autores da BD portuguesa - e, eventualmente, até por algum consagrado - vai continuar a acontecer numa das páginas do Mundo Universitário, sugere-se aos estudantes, professores, e não só, que procurem na Universidade mais próxima um expositor de cor azul. Está lá disponível e gratuito o Mundo Universitário, sempre com uma bd de tema e estilo gráfico diferente, consoante o autor que realiza a banda desenhada.

Livros sobre BD - Os meus livros (I) - Roteiro Breve da BD em Portugal, por Carlos Pessoa


Os meus livros sobre BD (I)

Inicio aqui uma rubrica onde, a pouco e pouco - alternando com diversos outros assuntos - irei falando da vasta bibliografia que possuo, dando prioridade àqueles mais recentes que vou adquirindo (ou que me vão sendo oferecidos, como é o caso do referenciado neste "post").

Para começar, tem total cabimento registar o aparecimento nos escaparates dos CTT Correios de Portugal do livro Roteiro Breve da Banda Desenhada em Portugal. Portanto, em primeiro lugar nesta rubrica, aparece a mais recente peça da minha vasta colecção.

O "Roteiro..." é obra assinada pelo jornalista Carlos Pessoa, nome conhecido dos leitores do jornal "Público", em geral, e dos bedéfilos em particular, visto que a maioria dos artigos que aparecem sobre BD naquele diário têm a sua asinatura.

O livro, de muito boa apresentação e invulgar formato - quadrado, 24,5x24,5 cm -, apresenta-se com capa cartonada de cor amarela, ilustrada com a ampliação de imagem parcial da personagem Manecas, criação de Stuart Carvalhais.

Numa análise necessariamente breve, ocorre relevar a interessante paginação, a profusa e bem seleccionada ilustração dos temas. Cujo iniciante é, como não poderia deixar de ser, a homenagem ao acto fundador de Raphael Bordallo Pinheiro, arquitecto do primeiro importante edifício da BD portuguesa, ao realizar a obra editada em álbum em 1872 (o primeiro português, só ultrapassado, em precocidade, a nível mundial, pelos álbuns editados pelo professor e pintor suiço Rodolphe Töpffer), sob o histórico título Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa.

Em vertiginosa viagem visual pelo universo da nossa figuração narrativa, Pessoa lança olhares rápidos, mas sempre com textos claros e imagens representativas, sobre as carismáticas revistas e suplementos jornalísticos, desde o início até ao fim do século passado, citando e mostrando imagens de ABC-Zinho, Pim-Pam-Pum (suplemento do jornal O Século), Tic-Tac, O Senhor Doutor, Joaninha (suplemento da revista Modas e Bordados), O Papagaio (cujos derradeiros números foram publicados como suplemento da revista Flama), Diabrete, O Mosquito, Cavaleiro Andante, O Falcão, O Mundo de Aventuras, Titã, Camarada, Lusitas", "Fagulha", "Foguetão", "Zorro", "Jornal do Cuto", "Jacto", "Flecha 2000", "Jacaré", "Spirou", "Nau Catrineta" (suplemento do jornal Diário de Notícias), Quadradinhos (suplemento do jornal A Capital), Tintin, Visão, Lobo Mau, O Mosquito (5ª série), O Fungagá da Bicharada, Selecções BD. Nesta última fase, acho que também merecia aparecer o Jornal da BD (mas sou suspeito, porque coordenei nele o Suplemento BD).

Como se impunha, e seria imperdoável não o fazer, Carlos Pessoa alude aos anos 80, que considera "a travessia do deserto". Por lá passou o camelo que escreve estas linhas, coordenando no jornal Diário Popular o suplemento Tablóide (gostei de ver a reprodução de uma das suas páginas neste livro) com grafismo do título de Jorge Colombo, e a piada de ter sido lá que "nasceu" a personagem Jim del Monaco, criada pela dupla Louro & Simões.

Também os fanzines ocupam merecido espaço, desde o Argon (de 1972) passando por Aleph, Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, O Estripador, Nemo, Banda, Nemo, Dossier Top Secret e Graphic, todos estes com direito a reprodução da capa, havendo uns tantos distinguidos com breves referências escritas, designadamente Estripador, O Ovo, Vinheta, Hic, O Estirador, Ruptura, Códradinhos, Ritmo, Protótipo, Eros (este é meu, obrigado pelo destaque), Facada Mortal (o primeiro fanzine editado por uma faneditora, Alice Geirinhas), BD & Roll, Hips e, como diz o autor, com carradas de razão, muitos outros. Por exemplo, o Shock (iniciado por Luiz Beira, continuado por Estrompa), um dos que merecia ter sido lembrado.

Tal como também o autor do livro diz, consciente das limitações da obra, essencialmente divulgatória,
"(...) ficam imediatamente à vista os limites deste livro, que não aspira a mais do que ser uma modesta obra de divulgação de alguns dos marcos deste meio de expressão (...)".

Mas, indubitavelmente, considerando como público alvo a grande maioria que desconhece os vectores fundamentais da História da Figuração Narrativa (popularmente designada, nos anos quarenta e cinquenta, mais precisamente até meados dos anos sessenta, por Histórias aos Quadradinhos), este bloguista, sempre aqui de plantão, considera que o jornalista Carlos Pessoa - doublé de especialista daquilo que modernamente se classifica, incluindo verbetes de dicionários, de Banda Desenhada - passou a ser uma personagem de referência na bibliografia especializada na matéria em causa, com mais este livro.

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (VII) "Cincinato", suplemento jornalístico sobre BD


Começou por ser um fanzine, editado em Viseu pelo então faneditor João Magalhães. Passou mais tarde a integrar, como suplemento, a revista "BI – Banca de Ideias", passou depois, em idêntica forma, para o jornal "Via Rápida".

Actualmente, mantendo-se como suplemento jornalístico, integra o jornal "Notícias de Viseu". Este jornal engloba ainda, semanalmente, o jornal "Diário da Guarda", sendo assim distribuído nas cidades de Viseu e Guarda, com uma tiragem de 14.000 exemplares.
Isto significa que o "Cincinato" com quatro páginas de notícias, críticas e imagens bedéfilas, representa uma forma de divulgação invulgar e abrangente da Banda Desenhada.

Neste 29º número, o "Cincinato" dá grande destaque, na primeira página, a três motivos:
1) Ao BDjornal, reproduzindo-lhe a capa;
2) À obra “Humberto Delgado O General Sem Medo” transposta para a BD pelo incansável e prolífico banda-desenhista José Ruy;
3) E ainda sobrou espaço para uma elogiosa referência ao fanzine “Jazzbanda”, do faneditor que é também o bloguista aqui de plantão.

Vários outros assuntos aparecem inseridos nas restantes três páginas:

Recensões críticas aos mais recentes lançamentos das Edições ASA, onde se inclui uma obra excepcional que se chama “Os Olhos de Chumbo”, de Breccia (desenho) e Oesterheld (argumento).

Comentário acerca da exposição do 5º Aniversário do CNBDI – Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (Amadora).

Síntese do regulamento do concurso de BD & “Cartoon” lançado pelo Moura BD 2005 – 15º Salão de Banda Desenhada.

Um bom trabalho de divulgação, levado a cabo eficiente e persistentemente por João Magalhães.

Festivais, Salões BD e afins - 2ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada

Em São Pedro de Sintra a BD tem tido visibilidade mensal, no primeiro Domingo de cada mês.
Esta ideia é invulgar, e o bloguista do "Divulgando BD" também tem a ver com o assunto. Aliás, já aqui se falou dos dois eventos anteriores, o primeiro dedicado aos fanzines BD, e o segundo totalmente preenchido com imagens de BD, de autores clássicos e novos valores, ambos realizados com as colaborações, alternadas, da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, o Grupo Extractus e a Tertúlia BD de Lisboa, sempre em conjunção com a Feira Ecológica de Sintra.

Será já no próximo dia 2 de Outubro que se realizará a que será a 2ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada, entre as 10h00 e as 19h00, no espaço muito bonito e invulgar do Cine-Teatro "Os Aliados", em São Pedro de Sintra.

Esta efémera Mostra – dura apenas um dia! – será totalmente composta pela exposição de 30 pranchas pertencentes a uma banda desenhada da autoria (argumento e desenho) de José Ruy, cujo título, "A Ilha do Futuro", dá de imediato a ideia de tratar de um tema de Ficção Científica.
É o estado dos Oceanos, no futuro, o problema subjacente à trama da obra.
A exposição apelará visualmente para o problema, e talvez suscite a curiosidade de ler/ver aquela bd no seu suporte verdadeiro, o álbum. De qualquer forma, a mostra servirá, no mínimo, para chamar a atenção dos visitantes da feira para o facto de a BD ser uma arte que permite debater problemas sérios, e não serve apenas para entretenimento, como ainda há quem erroneamente assim pense.
O cartaz da 2ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada é da autoria do próprio José Ruy.

quarta-feira, setembro 28, 2005

2000 VISITAS! O BLOGUE VOLTA A ESTAR EM FESTA!


Pela segunda vez o blogue "Divulgando BD" faz uma pequena festa, para a qual são convidados todos os bedéfilos que o têm visitado, e a que, desde já, este bloguista/escriba agradece, muito sensibilizado.

Para a festa comemorativa das 2000 visitas ao blogue correr bem, nada melhor do que servir um bom vinho tinto, marca "Bloguetuga", colheita de 2005. Brindemos, pois:

Viva a tribo dos bedéfilos lusitanos!
Viva a tribo dos bloguistas!
Viva a blogosfera!

quinta-feira, setembro 22, 2005

Festivais, Salões BD e afins (III) - Viseu - XIV Salão de Banda Desenhada

Cartaz da autoria de Augusto Trigo

Apesar de algumas intermitências no já longo percurso, este evento viseense conseguiu criar raízes na cidade, mas também afectivas nalguns responsáveis do GICAV–Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu.

Assim, ultrapassando as razões pontuais que têm provocado hiatos na sequência cronológica, esse reduzido grupo de entusiastas aparece uma vez mais à cabeça da tarefa organizativa do "Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu", ou "Viseu-BD/05.

Esta 14ª edição será inaugurada na Biblioteca Municipal. no dia 1 de Outubro, às 15 horas, e decorrerá até ao dia 15.

Seguindo as pisadas dos congéneres internacionais na planificação, os organizadores decidiram criar três núcleos, cada um deles em local diferente.

O primeiro ficará situado na Biblioteca Municipal da cidade. Dele constarão duas exposições:

a) "Tex – cowboy e pistoleiro – coleccionar a BD", dedicada àquele herói de papel, emblemático na BD italiana de aventuras, onde se poderá apreciar um panorama impressionante, tanto de edições raras como de peças de "merchandising", que fazem parte duma colecção, provavelmente única no mundo, pertencente ao coleccionador José Carlos Francisco, de Anadia.
b) "Mara", um conjunto de pranchas originais da autoria de Mara Mendes, uma das raras banda-desenhistas portuguesas actuais.

O 2º núcleo situar-se-á no Solar do Vinho do Dão, no Fontelo. Compõe-se de:

a) Obras do Homenageado Estrangeiro, o espanhol Juan Espallardo,
e do Homenageado Português, Augusto Trigo.

b) "Os Mistérios da Serra da Estrela", mostra baseada em dez álbuns de autores portugueses que têm por temática a História daquela região, bem como lendas, tradições e personagens serranas.

c) "Inês de Castro – O mito e a História", pranchas da autoria de um autor de prestígio, Eugénio Silva.

d) "O vinho e a vinha na BD". Imagens recolhidas na BD nacional e estrangeira.


O 3º núcleo será no IPJ – Instituto Português da Juventude, Delegação de Viseu, e terá as seguintes exposições:

a) "Retratos da BD", conjunto de telas que retratam heróis e estilos da Banda Desenhada;

b) "Álbuns em destaque", conjunto de obras sobre os direitos humanos. "Auschwitz", de Pascal Croci; "Maus", de Art Spiegelman; Crianças, de Stassen; e "Sarajevo", de Hermann, são as seleccionadas, e que atrairão aquele público mais sensível aos problemas sociais.

c) "Histórias da Vida Real", síntese composta por histórias publicadas na nossa imprensa;

d) "Will Eisner, homenagem póstuma". O GICAV decidiu homenagear o falecido mestre, consagrado autor de novelas gráficas exemplares.

e) "Tertúlia BDzine", um fanzine editado em Lisboa, premiado no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora em 2003 e 2004, graças à inclusão de obras de alguns autores/artistas de grande originalidade. A exposição constará das pranchas de várias histórias completas.

f) Exposição das obras participantes ao concurso de bd do GICAV 2005.

Haverá ainda outros motivos de interesse incluídos no evento. É o caso da realização de uma Tertúlia BD, no próprio dia da inauguração, na Livraria da Praça. E no Solar do Dão estará montada uma Feira do livro de banda desenhada.

Uma série de razões para os bedéfilos de todo o país fazerem uma visita a Viseu. A cidade e o Salão BD justificam a viagem.

Nota: Texto em colaboração com o jornal Mundo Universitário

Hungria, Budapeste - BD em imagens

Pode parecer estranho o título deste "poste", mas tem uma razão de ser. Qual?

A de chamar a atenção para o "poste" que inseri aquando da minha estada em Budapeste, mais propriamente no sábado, 17 de Setembro, em que falava da BD que por lá tinha encontrado, mas sem acompanhamento de qualquer imagem.

Só agora, em Lisboa, com a ajuda do meu amigo Gastão Travado, é que o texto ficou minimamente ilustrado.

Por conseguinte, os bloguistas bedéfilos que tenham lido o "poste" daquele dia, e tenham estranhado a falta de complemento visual, façam o favor de voltar lá. Agora sim, poderão complementar a leitura com o visionamento das respectivas imagens.

sábado, setembro 17, 2005

Hungria - Banda Desenhada húngara (e não só) vista em Budapeste (I)

Estou a passar uma semana em Budapeste e, claro, nao poderia deixar de dar, embora sucintamente, uma ideia do que se pode encontrar de banda desenhada aqui pela Hungria.

Nota: Este texto foi escrito num teclado húngaro, que nao possui os acentos til e circunflexo, nem o c cedilhado

De origem húngara, encontrei:
1) uma revista em formato A5 intitulada "Kis Malac" com várias bd's pornográficas a cores;

2) outra, de formato tipo 'comic-book', a "Mozaik", com apenas uma extensa bd em 36 páginas a cores, inconclusiva apesar da extensao, bem desenhada no registo infantil.
Ambas as revistas, aparentemente, sao totalmente feitas por autóctones. Ainda outra, com histórias da "Mad" e várias de autores húngaros, numa curiosa edicao mista, mas que mostra na capa o Alfred E. Newman na pele de um tal "Betmen", a parodiar o original.

3) Da editora Mozaic (nome igual ao da revista), foi editado um álbum da série "Detektiv Palantak", com desenho (rajzol) de Thorsten Kiecker, e argumento (szoveg) de Hubertus Rufeldt.


4) Da mesma equipa, Kiecker e Rufeldt, há uma versao cómica de Robin Hood, sob o titulo "Robin", editada em álbum cartonado.


5) "Macbeth", uma "Képrégeny" (Banda Desenhada em húngaro) desenhada por Germán Fatime - num álbum brochado de 34 páginas, a cores. O estilo de Germán Fatime mostra-se algo tosco, mas surpreende pela expressividade das personagens.

6) "Szigetvar Ostromi", de Sarlos Endre, que escreveu o argumento, e fez o desenho. Trata-se de novela gráfica de grande extensao,(79 pranchas) num estilo irregular mas atingindo grande dinamica em algumas das imagens.

7) Em desenho muito simples mas desenvolto, Koresmáros Pál assina duas obras:
"Egri Csillagok" - capa a cores, miolo a preto e branco;

"Beszterce Ostroma", capa a cores e conteúdo numa ligeira tonalidade esverdeada.
Ambas de evidente fundo histórico, tema que, tal como acontece em Portugal, continua a ser inesgotável fonte de inspiracao.

Em traducao - desculpem esta grafia, mas já contei no início a estranha história do teclado húngaro -, vi:
"Batman, Ano Um", no tradicional formato de "comic book".
Há também traducoes da Disney:

"Donald Kacsa"

"W.I.T.C.H.", esta a mostrar a implantacao das cinco amigas de poderes excepcionais como grande sucesso internacional.


Mas também:

"Tarzan"
"XIII"
"Sin City"
"Charlie Brown" e "Snoopy", em volumes separados.
"Adam Teremtese", do frances Jean Effel, e a correspondente "Eva Teremtese".

Em versoes originais, adquiri:
a) de origem americana, a "Mad", bem fresca, com carimbo do corrente mes, com as séries habituais;

b) de origem francesa, a "Pif Gadget", nova série da já bem antiga revista, que tem para nós, bedéfilos portugueses veteranos, um interesse especial: Eduardo Teixeira Coelho colaborou nela durante anos, e nela voltara a colaborar recentemente.

A "Pif Gadget" chega aqui com atraso, mas chega, o que nao acontece em Portugal. Primeiro, vi o número 11, datado de Junho. Por pouco falhei a sorte de encontrar o nr. 1o, referente a Maio, onde foi publicada a derradeira banda desenhada de E.T.Coelho, falecido no último dia desse mes.

Na mesma livraria "Press", comprei o nr. 12, que trazia a seguinte nota, dirigida aos presumiveis jovens leitores, que passo a traduzir:

"Homenagem a Eduardo Coelho
Há alguns meses Eduardo Coelho tinha-te oferecido a sua última história, a de um lobo ferido sobrevivendo no Grande Norte canadiano.
Este extraordinário desenhador realista, nascido em 1919 em Portugal, faleceu no fim de Maio em Itália. Ele regalou os teus pais dando vida, na "Pif Gadget", a Robin des Bois, Le Furet, Ragnar le Viking, Erik le Rouge, Ayak...
Tu terás sem dúvida ocasiao de descobrir no teu magazine ou nos seus suplementos algumas das suas mais belas bandas desenhadas."

Ora isto quer dizer, obviamente, que a "Pif Gadget" se prepara para reeditar alguns episódios de séries desenhadas pelo nosso compatriota. Uma boa novidade, obtida por acaso aqui na Hungria.

Edicoes em idiomas estrangeiros:
Mangás em edicoes inglesas, em álbuns de boa apresentacao, de vários autores, nomeadamente de Gosho Aoyame, Takahashi Miyuki, Tajima.

Ainda em edicao inglesa, "Asterix", em álbuns similares aos editados em Portugal;

Em alemao, edicoes no formato tradicional, de "Micky Maus".

sexta-feira, setembro 16, 2005

Jovens Criadores fazem BD

Recebi uma sms da Andreia Rechena a perguntar-me se eu tencionava ir a Amarante ver a expo dos Jovens Criadores 2oo5. Gostaria de ir, recebi convite do CPAI mas por acaso estou em Budapeste.

A Rechena nao me disse, foi modesta, mas entretanto soube, via Net, que ela estará representada na BD, juntamente com Cátia Salgueiro, Daniela Reis, Rosa Baptista (3 mulheres 3) e Pedro Burin.

Desconheco o que tem de especial... Bom, antes de mais desculpe o eventual leitor deste "poste", mas o teclado do computador que estou a usar aqui na Hungria nao tem o c com cedilha, nem os sinais ortográficos til e acento circunflexo...

Como dizia, desconheco...
Dizendo doutra maneira afim de evitar o c sem cedilha: nao sei o que tem de especial hoje em dia o Clube Portugues Artes e Ideias para captar mais participacoes de desenhadoras-autoras de BD do que tinha há alguns anos, quando eu fiz parte do júri nos primeiros concursos. Ainda bem que assim está a acontecer, sinal de que as potenciais banda-desenhistas sao actualmente em maior quantidade, e estao mais desinibidas.

Esperemos que o CPAI repita na capital as exposicoes de BD, Ciber Arte, Ilustracao, Literatura, e também as outras. Lisboa merece.

sexta-feira, setembro 09, 2005

CNBDI - 5 anos em exposição

Isto das siglas às vezes tem o seu lado perverso. Só quem conhece bem o Festival de Banda Desenhada da Amadora, e entre eles têm obrigação de estar os bedéfilos lisboetas e amadorenses, sabe que CNBDI significa Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, porque é uma sigla repetida com frequência em várias componentes do dito festival.

Pois é esse equipamento cultural da Câmara Municipal da Amadora, já com bem visível actividade no âmbito da BD, que se apresta para comemorar o seu 5º Aniversário, inaugurando os festejos no dia 14 deste mês de Setembro, às 19h00, exactamente no local onde funciona o CNBDI (Amadora, Av. do Brasil, 52A), que possui uma área exposicional de boas dimensões.

Será nesse espaço que irão estar visitáveis várias exposições, divididas em dois núcleos.
Num deles estará o acervo composto por pranchas originais adquiridas pelo CNBDI, outras doadas, da autoria de diversos autores.

Entre os portugueses, há obras de Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês, José Ruy, Augusto Trigo, Artur Correia, José Carlos Fernandes, Miguel Rocha, João Fazenda.

No núcleo dos autores estrangeiros estarão patentes pranchas de autores que trabalharam argumentos de Alan Moore, bem como imagens realizadas por Lourenço Mutarelli, Luke Ross, Rick Veitch, Seth Fisher, e outros.

No outro núcleo haverá um panorama relativo às exposições que se foram realizando ao longo dos cinco anos que agora se comemoram.

Ao todo, no conjunto dos dois núcleos, os bedéfilos terão possibilidade de visionar uma suculenta retrospectiva composta por cerca de 50 originais, nos estilos mais diversificados.

A "rentrée" bedéfila apresenta-se prometedora.

Para quem ainda não conhece o espaço do CNBDI, que também funciona como Bedeteca e Fanzineteca, é um bom momento para ir até lá.

sábado, setembro 03, 2005

Tertúlia BD de Lisboa

No próximo dia 6 deste mês de Setembro, primeira 3ª feira, realiza-se o 249º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.
Como artista alvo da homenagem estará presente Maria Keil, autora de grande prestígio na Ilustração - actualmente considerada a decana da especialidade -, mas que também teve breve incursão na Banda Desenhada, consubstanciada em dois álbuns editados sob os títulos Os Presentes e As Três Maçãs.
É mais um momento alto desta tertúlia, por onde já passaram os nomes mais importantes da Banda Desenhada Portuguesa:
António Barata, Fernando Bento, Vítor Péon, José Garcês, José Ruy, Eugénio Silva, Fernando Relvas, José Pires, José Manuel Soares, Baptista Mendes, Bixa, Manuela Torres, Júlio Gil, Marcelo de Morais, Pedro Massano, Victor Mesquita, Duarte, Isabel Lobinho, Zé Paulo, Carlos Barradas, José Morim, entre outros - e igualmente vários artistas de nível superlativo noutras áreas, mas com obra na BD, designadamente Júlio Resende (consagrado pintor), Rui Mendes (sim, o actor), José Viana (também actor) e outros.
Convidado Especial é uma categoria criada para gente mais nova, tendo o momento que decorre na tertúlia, e o diploma que lhes é oferecido, a função de incentivo. Por lá passaram, em fase inicial das carreiras, vários autores que entretanto ganharam prestígio na BD:
Nuno Saraiva, Diniz Conefrey, Luís Louro, Pedro Morais, Filipe Abranches, Miguel Rocha, João Fazenda, Rui "Lacas", Pedro Cavalheiro, Pedro Brito, Pedro Burgos, Pedro Leitão, Pedro Nora, Pedro Zamith, Isabel Carvalho, Esgar Acelerado, António José Lopes, Mota, Pedro Nogueira, Horácio, Pepedelrey, e outros.
Nessa categoria de Convidado Especial irá estar agora "Manel" Cruz, conhecido vocalista dos ex-Ornatos Violeta, e da actual banda "Os Pluto". Mas, claro, vai estar na Tertúlia BD de Lisboa na qualidade de ilustrador (retratou, para o jornal "Público", os implicados no caso do bar "Meia Culpa", dentro do tribunal, enquanto decorria o respectivo julgamento), e de autor de BD no fanzine Édito, e nas revistas "365" e "Op".
Ambos os autores, mantendo a tradição, vão oferecer, cada um deles, um desenho original, para ser sorteado entre os bedéfilos presentes.
Maria Keil, apesar da respeitável idade (91 anos), fez um desenho propositadamente para esse efeito. A sério.
Nota: Algum bedéfilo desconhecido, muito interessado em participar neste momento excepcional e irrepetível que vai acontecer na Tertúlia BD de Lisboa, pode enviar uma SMS para o 919137027, até Domingo às 22h00.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (IV) Tertúlia BDzine - Os temas propostos aos autores

O (fanzine) Tertúlia BDzine é um magazine muito simples, de apenas quatro páginas em formato A4, distribuído gratuitamente aos participantes na Tertúlia BD de Lisboa.

Inicialmente muito irregular, passou a ser quase mensal nestes anos mais recentes. 

Os temas que tem abrangido são bastante diversificados:
1 - 3001 Odisseia no Futuro
2 - Super-Heróis no Ano 3000
3 - Super-Heroínas no Ano 3000
4 - Super-Vilões no Ano 3000
5 - Super-Vilãs no Ano 3000
6 - Espada e Feitiçaria
7 - Homem versus Robô
8 -Coisas que você queria saber sobre sexo na vida dos super-heróis (e nunca lhe tinham mostrado)
9 - Eu não creio em bruxas mas que as há, há... na BD
10-As Guerras do Nosso Descontentamento
11-Humor e/ou Sátira Social
12-Cenário: Lisboa
13-É Natal, ninguém leva a mal :-)
14-"Pastiches" à Portuguesa
15. Sonhos & Pesadelos
16. Poesia em banda desenhada
17. Admirável Mundo Novo?

A abrangência dos temas (imaginados por este mesmo bloguista que daqui vos fala), e a qualidade dos autores/artistas colaboradores, entre consagrados e novos, tem tido bons resultados, quer no acolhimento obtido junto dos "tertulianos" leitores (vários estão a coleccioná-lo), mas também em termos de distinções obtidas exteriormente.

Efectivamente, o TertúliaBDzine foi premiado com o título de "Melhor Fanzine", nos anos 2003 e 2004, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Festivais,salões BD e afins - 1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada


Foi bem sucedida a experiência, realizada no primeiro domingo de Agosto, dedicada aos fanzines de banda desenhada, através de exposição e feira. 
Teve apreciável número de visitantes, que demonstraram bastante curiosidade em relação àquele tipo de magazines ilustrados. Daí que se insista na iniciativa, mudando o esquema mas mantendo a BD como "leit-motiv".
Portanto, desta vez vai realizar-se a 1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada.

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Para uma Mostra de Banda Desenhada não há dimensões obrigatórias, depende do contexto em que se insere.
No respeitante a esta "1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada", que engloba extractos de obras de autores consagrados e novos, em face dos limites de espaço - uma simples sala do Cine-Teatro "O s Aliados" - e de tempo, apenas um dia -, seria mais apropriado baptizá-la de "Um Breve Olhar sobre a BD Portuguesa".

Com efeito, o que se patenteia aos visitantes insere-se nesse conceito, e é o seguinte:

1. Imagens digitalizadas, a cores, de pranchas de seis autores portugueses consagrados:
Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, José Garcês, José Ruy, Vítor Péon e Eugénio Silva.

2. Pranchas originais de três novos valores:
Álvaro, J. Mascarenhas e Gastão Travado.

Se os organizadores conseguirem mostrar, mensalmente, sínteses visuais semelhantes, isso fará com que os visitantes mais persistentes acabem por visionar um panorama razoavelmente representativo da Banda Desenhada em Portugal.


Esta Mostra insere-se na Feira Ecológica de Sintra. Ambos os eventos decorrem no Domingo, dia 4 de Setembro, entre as 10h00 e as 19h00.

A organização é da responsabilidade do trio:
Feira Ecológica de Sintra
Tertúlia BD de Lisboa
Grupo Extractus

Autor do cartaz da Mostra: Gastão Travado

Local: Cine-Teatro "Os Aliados" - São Pedro de Sintra

1000 VISITAS! HÁ FESTA NO BLOGUE!

Neste momento de festejos, antes de mais, muito obrigado aos visitantes, e um agradecimento muito especial aos que, de alguma forma, participaram no blogue:

Ao Fernando Relvas, que foi quem “decidiu”, lá na Croácia onde se encontra, que eu tinha de ter um blogue, e ele próprio o criou; (*)

Ao Pedro Lino, meu filho, que decidiu alterar a cor rósea com que o blogue tinha sido colorido pela mulher do Relvas, a Nina Govedarica, dando-lhe uma cor mais discreta, e de que eu também gosto mais; e também por ter criado, no dia 22 de Julho, um contador de visitas.

À Guida, empregada do Cybercafé da Avenida do Brasil, que me tem ajudado em pequenas dificuldades;

Ao Gastão Travado, que nestes últimos posts tem tomado a seu cargo a inclusão de imagens.

(*) Para seu castigo, o Relvas recebe na Croácia, sem eu nada fazer para tal, todos os posts do blogue (ainda por cima truncados, com caracteres e sinais ortográficos esquisitos pelo meio). Presumo, talvez erroneamente, que isso estará a acontecer pelo facto de o blogue ter sido criado por ele num computador croata -:)

terça-feira, agosto 30, 2005

Revistas BD (II) - Estrangeiras: BoDoï - a BD em revista francesa (2ª parte)

Ao continuar a análise do nº 88 da BoDoï, é indispensável falar-se da divertidíssima rubrica "Le Pinailleur" (traduzível por "O Cocabichinhos"), que vive da colaboração dos leitores e das suas sagazes observações, algumas constituindo autênticos achados.

Exemplo de um deles: o leitor Vincent de Houilles faz o reparo (pertinente) acerca da mudança de posição, em vinhetas diferentes, da espada de Abraracourcix (eu sei, a editora portuguesa ASA mudou-lhe o nome e a outros dos intérpretes da série, em álbum recente, mas isso dará para uma conversa específica noutro poste).
Vincent enviou duas vinhetas do episódio Astérix entre os Belgas (Astérix chez les Belges), onde, numa delas, o chefe dos gauleses tem a espada do lado direito do corpo (prancha 9A - pág. 13, 1ª vinheta), como lhe é habitual, e na página seguinte (prancha 10A - 1ª vinheta) a espada já aparece do lado esquerdo.

Entretanto, lendo e visionando, uma vez mais, tantos anos passados, a antiga edição do álbum, também eu reparei que o mesmo volta a acontecer na página 27 (prancha 23B), onde, em duas vinhetas contíguas, exactamente as últimas da página, a espada muda de um lado para o outro do corpo de Abraracourcix, de uma vinheta para a seguinte.

Em ambos os casos, é óbvia a distracção de Uderzo. Mas, se no exemplo descoberto pelo leitor francês, poderá ter havido erro de "raccord", por se verificar em pranchas diferentes, naquela que eu próprio detectei a falha é algo indesculpável, pois acontece no momento em que o desenhador termina a prancha 23B, com as duas imagens do chefe gaulês e mais a sua espada "dançante", em vinhetas desenhadas ao lado uma da outra!

Estes gauleses são loucos... e distraídos.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (VI) "9ª Arte" - Rubrica de BD em jornal de Loulé

Imagine-se alguém apreciador de banda desenhada que, numa qualquer cidade de província, ao comprar o periódico local, se depara com uma página inteira a falar de BD e a mostrar bandas desenhadas, publicadas em continuação ao ritmo de uma prancha semanal... É fácil prever que esse bedéfilo se sentirá entusiasmado com a iniciativa, lerá com eventual curiosidade os artigos e ficará ansiosamente à espera do número seguinte.

Terá sido assim o que aconteceu a numerosos bedéfilos de Loulé, leitores do semanário O Louletano, no dia 30 de março de 2004, dia em que se iniciou a rubrica 9ª Arte, uma página inteira, com muito boa apresentação.



Sob este título em caixa alta, 9ª ARTE - classificação algo discutível que bedéfilos franceses de prestígio deram à BD, na década de sessenta do século passado - mais os subtítulos "Memórias da Banda Desenhada - Pesquisa e coordenação de Jobat" e "Nostalgia", seguindo-se a identificação do autor do texto, José Batista (afinal, Jobat)), assim se apresenta este inesperado suplemento de, e sobre, Banda Desenhada.

Para início, 9ª Arte apresentou o primeiro de três artigos intitulados "ETCoelho, eu e O Mosquito", que ocupou o espaço de três páginas (no mesmo número de semanas), copiosamente ilustradas com desenhos de mestre Eduardo Teixeira Coelho, falecido recentemente.

Na mesma linha de divulgação de biografias de autores de nomeada, José Batista já escreveu acerca de Vítor Péon (oito capítulos, bem ilustrados), de José Garcês e as suas primeiras H.Q. (Jobat parece preferir Histórias aos Quadradinhos, em detrimento de Banda Desenhada), logo após escreveu sobre "Sua Majestade El-Rei O Mosquito", descreveu em seguida, com profundo conhecimento de causa, "O Império editorial da Agência Portuguesa de Revistas" (treze capítulos!).

Outros articulistas têm contribuído para o espaço literário da página, casos de Jorge Magalhães, que analisou a fundo Raul Correia, como co-editor de "O Mosquito" e como novelista, bem como Carlos Alberto, banda-desenhista e pintor (personalidade que mereceu também de José Batista vários artigos complementares. De Magalhães é igualmente o texto "Uma revista 100% Portuguesa", referindo-se à publicação intitulada "Camarada", editada pela extinta organização "Mocidade Portuguesa". Entretanto, o autor José Pires autobiografou-se, e José Batista dissertou sobre Roussado Pinto, enquanto editor de revistas de BD, argumentista (Edgar Caygill) e novelista (Ross Pynn).

No capítulo da BD propriamente dita, têm sido publicads váriasm ao ritmo de uma página por semana, no sistema de "continua no próximo número". Foram contemplados, até agora, o próprio Jobat, através da sua bd Ulisses, seguido por José Garcês, representado por A Maldição Branca, depois Carlos Alberto com A Filha do rei de Nápoles, e José Pires, sob argumento de Benoît Despas com O Perro Negro.

No que se refere à rubrica 9ª Arte - cujo título é recuperado do "Jornal do Cuto", com o mesmo grafismo, suponho que da autoria do próprio Jobat, que foi colaborador daquela revista - e ao excelente trabalho de José Batista, dá-se aqui o devido relevo.
Mas convém acrescentar que o jornal Louletano tinha iniciado a divulgação de BD em 11 de Junho de 2003, pela republicação de A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões, desenhos de José Batista, ilustre louletano.

Como se vê, em Loulé há um jornal e um bedéfilo - bom, há dois, José Batista e José Carlos Fernandes! - que merecem destaque. Divulgando BD fá-lo, justificadamente.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Revistas BD (I) - Estrangeiras: BoDoï, a BD em revista francesa (1ª parte)

Após o desaparecimento da sempre lembrada A SUIVRE, parecia que dificilmente poderia ser substituída no apreço dos numerosos bedéfilos portugueses que a coleccionavam.

Mas como que a "reencarnando" - embora com evidentes diferenças - surgiu há 88 números a BoDoï (os franceses lêem bodói e não boduá, como já ouvi).

Este dito octagésimo oitavo número, chegado há pouco às bancas (a sério, não se vende apenas nas "boas livrarias"), refere-se ao período bimestral de Agosto-Setembro.

Mantendo a linha editorial que a tem caracterizado, a BoDoï tem várias bandas desenhadas de continuação, e numerosas páginas de texto. É a esta parte que hoje me refiro. Nelas se incluem:

-uma entrevista a Albert Uderzo, dando já a notícia do seu 33º Astérix, a ser lançado a 14 de Outubro próximo;
-também é entrevistado o inovador Joan Sfar
-inclui igualmente uma entrevista ao muito prestigiado Jacques Tardi.

Ainda nos textos, há a útil coluna INFOS, onde se podem encontrar informações preciosas, como seja a que regista a edição "hors série" do jornal Libération, que consagra seis páginas ilustradas por Loustal a contar a História do Jazz nestes últimos trinta anos.

Muito - mas, oh, muito mesmo! - surpreendente é a novidade que divulgam, em relação ao CNBDI- Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image (só a sigla é que é igual à da Amadora), novidade essa que consiste na realização do
1º Fórum da Imagem Desenhada Francesa, em Pekin (sim, na China, exactamente aí!), entre 6 e 9 de Outubro. A minha alma está parva, como dizia a minha mãe.

Voltarei a referir-me ao nº 88 da BoDoï. O merecido é devido.

domingo, agosto 21, 2005

Homem-Aranha em Portugal, ao mesmo tempo em dois locais

Não, não se trata de o Spider-Man ter agora também o dom da ubiquidade, pelo facto de aparecer em simultâneo em dois locais diferentes, cá por estas bandas lusitanas.

Acontece, simplesmente, o seguinte: na continuação dos artigos dedicados ao tema "Heróis-Jornalistas da Banda Desenhada", que o jornal Público tem estado a apresentar, aos domingos, em textos assinados pelo jornalista, "doublé" de crítico de BD, Carlos Pessoa, a personagem apresentada neste Domingo, 21 de Agosto, foi o Homem-Aranha, herói que deu azo ao artigo "Spiderman (sic) - Repórter fotográfico em part-time".

O BI divulgado dá os elementos essenciais. Informa os nomes dos criadores, Steve Ditko, desenhador, e Stan Lee, argumentista. Data de nascimento do herói: 1962. Local: Revista Amazing Fantasy (USA). Profissão: Repórter fotográfico, enquanto Peter Parker. E no que se refere a este pormenor que os leitores sabem desde sempre, é triste dizê-lo mas o jovem Parker só se aguenta no emprego por ser o único repórter a conseguir fotos do Homem-Aranha, por razões óbvias.
Após o bem elaborado, embora necessariamente sintético, artigo desta semana, teremos no próximo Domingo a continuação da série, com a apresentação de Ernie Pike.

Também em continuação, mas neste caso de uma colecção, intitulada "Série Ouro", em edição portuguesa pelas Edições Devir, num lançamento dominical junto com o matutino Correio da Manhã, surgiu neste mesmo dia 21 de Agosto (um Domingo em cheio para os bedéfilos), o bem apresentado volume (nº 9 da colecção) com o título "Homem-Aranha, Regresso às Origens".

Trata-se de um conjunto de volumes, muito bem apresentados, em bom formato (18x26cm, um pouco menos do que A4), capa e miolo a cores, cujos anteriores oito álbuns foram dedicados a:
Capitão América- nº1; Batman- nº2; Quarteto Fantástico-nº3; Mónica (*)-nº4; Elektra-nº5; Star Wars-nº6; Wolverine-nº7; Tex-nº8.

(*) O nome da personagem aparece na capa com a grafia do português do Brasil, "Mônica". Mas se os brasileiros abrasileiram os nomes, nós temos o direito de os aportuguesar. Nenhum bedéfilo português alguma vez terá pronunciado aquele nome com o "o" fechado (ô) mas com ele bem aberto, (ó).

sábado, agosto 20, 2005

Hugo Pratt e Corto Maltese - o fim há dez anos







HUGO PRATT e CORTO MALTESE


Será possível já se terem passado dez anos após a morte de Hugo Pratt? Pois será, um cancro o levou a 20 de Agosto de 1995. Tinha nascido em Rimini, perto de Veneza - ele dizia-se veneziano, era o que sentia, em Veneza tinha passado uma fase importante da juventude -, estava-se em 1927, a 15 de Junho.

Passados quarenta anos e um mês, em Julho de 1967, Pratt vê iniciar-se a publicação de "A Balada do Mar Salgado", sua obra de referência - uma das mais importantes na História Mundial da Banda Desenhada -, na relativamente modesta revista italiana "Sgt. Kirk". Seria ali, portanto, o berço de papel e tinta do herói Corto Maltese.

Pratt traçou-lhe uma imagem elegante, deu-lhe perfil aristocrático, pôs-lhe um brinco na orelha. E aqui cabe perguntar: que outro herói europeu da BD, nascido em fins dos anos 1960, se atreveria a usar tal adereço? A única justificação que terá tido Hugo Pratt, perante a curiosidade dos bedéfilos mais conservadores, é que a mãe de Corto era uma charmosa cigana andaluza.
Outra característica da personagem, do foro psicológico, tem a ver com o seu gosto pelas viagens, mas essa foi herdada do pai, marinheiro inglês. Ou até do próprio Pratt...

Com efeito, Hugo Pratt sempre foi um cidadão do mundo. Nascido em Itália, ainda jovem viajou para a Etiópia, mais tarde foi trabalhar em BD para a Argentina, e de caminho vagueou pela América do Sul. Assim não espanta que a personagem Corto Maltese, seu "alter ego", tenha deambulado também por muitas paragens, China, Sibéria, Pérsia e, claro, Buenos Aires (veja-se Tango), tal como o seu criador.

Ambos chegaram ao fim, estamos agora a falar deles por se ter passado uma conta redonda, dez anos após o desaparecimento de autor e personagem.
Mas se Hugo Pratt não mais voltará, Corto Maltese ainda está ao alcance de um autor/artista da BD que consiga os direitos de o recriar. Sei de um português que atingiria a felicidade se o deixassem ser ele o continuador (não é verdade, Arlindo Fagundes?).
Mas valerá a pena?


sexta-feira, agosto 19, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (III) Tertúlia Lisboa dos Fanzines - O quê, como, onde?

O universo da banda desenhada caracteriza-se bastante pelo individualismo dos seus cultores. É bem conhecida a psicologia dos autores de BD, de se isolarem para facilitarem a própria criatividade, conscientes de terem um labor solitário - se calhar como acontece a um pintor, a um poeta, a um escritor...

Também com os editores de fanzines (os faneditores) acontece algo semelhante. Como apaixonado fanzinista que sou - enquanto coleccionador e editor -, resolvi tentar alterar um pouco a situação, propor, a quem tem a ver com os fanzines, uma reunião mensal, onde mostrássemos uns aos outros os nossos zines, onde pudessemos tentar fazer algo em conjunto, exposições dos ditos, ou das pranchas neles publicadas, isto tudo com muita conversa à mistura e umas "bejecas" para molhar as goelas. 

Assim aconteceu no dia 19 de Outubro de 1999, data do início da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, apenas dedicada aos fanzines de banda desenhada.

Embora mantendo o dia do encontro - terceira 3ª feira (não é difícil fixar!) do mês -, a tertúlia já mudou várias vezes de horário, a fim de facilitar a participação da maioria dos interessados, e passou por diversos locais. Começou em Entrecampos, no primeiro andar duma pizzaria, a "Don Pasolini", passou depois para o Bairro Alto, para o bar "Meia Nota" (que os muito batidos no B.A. conhecem por "António", nome do patrão), voltou a mudar, dessa vez para a Livraria Ler Devagar. 
Na mais recente mudança escolhi o bar "Estádio", na Rua S. Pedro de Alcântara. Não há lisboeta que saia à noite de vez em quando (já para não falar dos noctívagos encartados), que não conheça este simples e simpático bar, aberto até às duas, porta de entrada para o B.A.).

Convém ainda dizer que, neste caso, se trata de uma pequena tertúlia, com não mais do que seis ou sete participantes mensais. Mas ao longo destes quase seis anos de existência, já por lá passaram cerca de três dezenas de fanzinistas, neles se incluindo autores.

Nomes dos editores (não menciono aqui autores isolados, mas vários faneditores são também autores) e títulos dos respectivos fanzines:

Álvaro ("Bunker" e outros), Bruno Silva ("Funzip"), Gamito ("Vertigens"), Gastão Travado ("Cyber Extractus"), Ilda Castro ("Não fazer nada é que é bom"), J. Mascarenhas ("Cyber Extractus" e outros), Joana Figueiredo ("O osso da pilinha" e outros), João de Ovar ("9 Gunas"), Jorge Coelho ("Vertigens"), José Lopes ("Colecção Doczine"), Marcos Farrajota ("Mesinha de Cabeceira" e outros), Nuno Catarino ("Netcomixzine"), Paulo Marques ("O Mundo do Estranho"), Pedro Alves ("ZineJal" e outros), Pepedelrey ("Ovelhas Anarkis" e outros), Pitchu! ("Sub"), Pedro Zamith ("Nova Gina"), Rafael Gouveia ("Carneiro Mal Morto"). E eu próprio, obviamente ("Tertúlia BDzine" e outros).

Poucos de cada vez, mas, mesmo assim, muita gente já lá esteve. A maioria, moradores de Lisboa (nem todos lisboetas como eu...), outros de cidades vizinhas. Uma prova de que os fanzines representam actividade editorial alternativa com raízes culturais e artísticas eminentemente urbanas.

quinta-feira, agosto 18, 2005

BDjornal - Jornal de banda desenhada e não só

Jorge Machado-Dias e Pedranocharco há anos que se fundem, de tal maneira que não se sabe bem onde acaba o homem e começa a editora. Em "íntima" colaboração já editaram álbuns, elaboraram fanzines, estão agora envolvidos num projecto inédito, sem par entre nós, com raros congéneres no mundo da BD.

Estamos a falar de um mensário (bem, desta vez é bimestral, abrange os meses de Julho e Agosto, esperemos que seja excepção) cujo título, BDjornal, está a ter uma projecção insuspeitada, graças a uma distribuição de bom nível.



Falo assim com conhecimento de causa. Em Lisboa, a minha habitual jornaleira - o termo correcto é ardina, mas tento evitar palavras que possam ser consideradas quase arcaicas... - tem lá tido o BDjornal, com grande satisfação minha. E neste momento que me encontro no Algarve, encontrei hoje à venda, aqui em Faro - num quiosque de nome "Tim Tim", 'tou a falar a sério! - o flamante nº4 do BDjornal, acabadinho de distribuir.

Não haverá bedéfilo, que se preze de o ser, que não se disponha a dar os €2.00 por um exemplar desta "avis rara" do universo editorial da BD, para mais deparando-se-lhe uma capa apelativa constituída por variadas imagens, a saber:

- Vinheta de "A Trilogia de Nikopol", de Enki Bilal, referente a artigo do próprio editor, que tem a ver com o filme "Immortel" ("O Imortal", título português), realizado por ele mesmo, Bilal;

- O rosto de Maria Keil, decana das ilustradoras portuguesas, entrevistada por Pedro Leitão, ele próprio ilustrador e banda-desenhista, com intervenções de Clara Botelho Uma observação: sob o título "Maria Keil conversa com Pedro Leitão" aparece o nome de Clara Botelho. Deveria estar Pedro Leitão e Clara Botelho, não é verdade, senhor editor?
Aproveito a oportunidade para informar que Maria Keil irá ser homenageada, como autora de BD, que também fez, a 6 de Setembro, primeira 3ª feira do próximo mês, na Tertúlia BD de Lisboa.
(Para quem visitar este blogue pela primeira vez, pode saber mais acerca da citada tertúlia num "post" anterior, é só ver no índice aqui ao lado);

- Reprodução de capas das revistas Tex, Dylan Dog e Conan, sob título que remete para entrevista com os responsáveis da brasileira Mythos, uma editora actualmente com presença visível nos escaparates das livrarias especializadas e nas bancas;

- Selos e BD, imagens que são apenas uma pequena amostra do que se pode ver na página 29, a ilustrar artigo de Pedro Cleto, especialista da BD em geral e deste tema em particular, para o qual já tem organizado exposições em eventos bedéfilos;

-A figura de Batman, que se irá mostrar de novo na página 5, onde consta um levantamento de títulos de filmes baseados em adaptações de obras de Banda Desenhada ao Cinema, com o respectivo ano de realização, nomes dos seus realizadores e actores, trabalho efectuado por J. Machado-Dias com a colaboração de Clara Botelho;

- Imagem referente a "Seaguy, o gajo marítimo", como escreve David Soares, autor de BD, também ensaísta e crítico da especialidade;

- Reprodução da primeira prancha da bd "Adélia", de Maria João Careto, editada em encarte de 16 páginas, com duas bedês daquela jovem bejense: "Adélia" e "Allegra". Vale a pena ler/ver.

No miolo do jornal há muito mais para ler e ver, embora sem referência na primeira página (ou capa, para quem assim preferir). Exemplos de textos a merecer leitura:

- "Ghost World" (Mundo Fantasma), uma análise crítica desta obra de Daniel Clowes, escrita por Nuno Franco;

- Parte 2 e conclusão do artigo biográfico "Eduardo Teixeira Coelho", escrito por Leonardo De Sá e António Dias de Deus;

- Fanzineteca - Notícias acerca de fanzines editados recentemente;

- Prémios Eisner 2005, lista e fotos da autoria de João Lameiras, o sortudo colaborador da Editora Devir, que teve direito a estar presente no dia 15 de Julho, na 17ª edição anual dos "Will Eisner Comic Industry Awards", em San Diego, Califórnia;

- Notícia sobre a 23ª edição do Salão BD de Barcelona, levado a efeito entre 9 e 12 de Junho.
Estive lá no primeiro ano, e alguns anos depois. Agora é a vez dos mais novos, e o João Lameiras, com presença em San Diego e Barcelona, começa a parecer-se comigo nas minha primeiras idas a Lucca, Angoulême, Barcelona, num glorioso ano em que fiz uma tripla...

- Notícias sobre os Encontros de BD de Santo Tirso, já na 3ª edição (força, malta jovem, suponho que os líderes do projecto são aqueles que conheci o ano passado no Festival da Amadora, junto a uma modesta banca, a divulgarem os "Encontros", tb no título foram modestos, se calhar realistas) , os quais tiveram lugar entre 17 e 19 de Junho. Fala-se igualmente do novel Festival Internacional de Pinhal Novo (Palmela), realizado de 1 a 3 de Julho;

- Aviso oportuno sobre a exposição patente na Biblioteca Nacional, em Lisboa, visitável desde 30 de Junho até 24 de Setembro, dedicada ao tema "Ilustradores de D. Quixote", onde se podem admirar extraordinárias ilustrações, designadamente de Salvador Dalí, Alfredo de Morais e Eduardo Teixeira Coelho;

- Uma notícia relativa aos 20 anos da Tertúlia BD de Lisboa, com texto parcialmente extraído deste blogue, mas complementado com sugestivas fotografias do próprio J. Machado-Dias.
Em tempo: por incrível distracção minha, escrevi aqui no blogue (mas já emendei) que a tertúlia se realiza na terceira 3ª feira, quando na realidade é na primeira 3ª feira. A confusão deve-se ao facto de eu ser também o organizador da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, que se tem realizado sempre na tal terceira 3ª feira, mas que já este mês passará para a última 3ª feira, para evitar confusões;

- Regulamento do Concurso de BD & "Cartoon" - Moura 2005, com a síntese extraída aqui do "Divulgando BD";

- A caricatura de um cota qualquer que me é vagamente familiar. O autor da caricatura chama-se Nelson Santos, diz o editor que é jovem, e classifica-o como promissor talento.
Não pondo em dúvida o talento para um género tão difícil, eu acho que o rapaz começa mal, podia ter escolhido como modelo um gajo menos pencudo;

- Um cartune desopilante, intitulado "fanático da BD", assinado por Pedro Alves, um cartunista que costumava encher-me o email com cartunes diários ('Tão, Pedro, ainda 'tás com o tal problema?).

Por tudo o que ficou dito, o conteúdo deste número está excelente (com excepção da tal caricatura, blaarrrgh :-), e é de esperar que se esgotem os 5000 exemplares, muito bem impressos e com muito sumo.

terça-feira, agosto 16, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (V) A Gazeta Cru, bom espaço BD no jornal Blitz

Já aqui falei do suplemento BD (sobre BD pelos textos crítico/divulgatórios de Esgar Acelerado; e com BD, ou seja a bd a cores"Superfuzz", sob argumento de Esgar Acelerado e desenho de Rui Ricardo).

Este suplemento BD, com o título "A Gazeta Cru", já se publica a partir de Julho de 2001, e desde essa data que a banda desenhada Superfuzz (entretanto parcialmente editada em álbum) era realizada pela equipa Rui Ricardo no desenho e Esgar Acelerado no argumento.

De repente, na terça-feira da semana passada, não apareceu o habitual episódio, divertido e autoconclusivo, substituído por um engraçado jogo. Telefonei para o Porto, para o Esgar Acelerado, para saber o motivo da alteração: apenas férias do Rui Ricardo, presumia eu, mas quis saber. 
Fiquei com a novidade digamos que em primeira mão: o Rui Ricardo, por impedimentos pessoais, tinha de deixar de desenhar o Superfuzz e, por conseguinte, o Esgar Acelerado tinha de arranjar substituto, visto que não queria suspender a série.

E aí está um novo desenhador, chamado João Maio Pinto, a concretizar visualmente as peripécias protagonizadas, em especial, pela impagável dupla "patrão Paiva" e "Ricky".

Parabéns à nova equipa, que já criou um prometedor (se for para continuar, espero que sim) super-herói, de nome Mr. Substandard sob argumento de um tal Arnald Peter e desenho de um patusco Johnny M. Chicken.




Sublinho a graciosa ideia do "Esgar Acelerado" (eu sei como ele se chama na realidade, e acho que não haverá muitos bedéfilos também a saber, aceito palpites :) de eleger Rui Ricardo para a rubrica Cromos da BD (*) , com simpáticas palavras de agradecimento.

(*) Cromos da BD - Uma colecção semanal de quadradinhos, muito bem esgalhada, com imagens de personagens da BD, também criada pelo imaginativo, incansável, talentoso, bom argumentista, bom ilustrador, um "topa-a-tudo-e-bem) "Esgar Acelerado" (quem é ele, quem é, este nortenho impagável?), colecção essa inserida na "Gazeta Cru", e que bem merecia ser recolhida numa qulquer publicação, um fanzine, por exemplo, que é o tipo de publicação suficientemente descontraída para dar cobertura aos delírios (positivos) do dito cujo Esgar Acelerado, aliás Emerenciano Osga, "and so on".

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (IV) Jornalistas/repórteres, heróis da BD

Publicou-se anteontem, no jornal "Público", mais um artigo, o segundo da série, a dissertar sobre aqueles "Heróis da BD" que se apresentam sob a capa de jornalistas. Esta série de artigos, já aqui o disse num anterior "post", teve o seu começo naquele matutino na edição de Domingo, há duas semanas (é preciso dizer "duas semanas atrás", como está na moda, tipo inglês, "two weeks ago"?) sob a assinatura do jornalista Carlos Pessoa. No dia 7, como referenciei, o "Herói da BD - alter-ego de jornalista" foi a dupla "Superman-Clark Kent". Neste domingo, 14 de Agosto, foi a vez de Tintin, que ñ tem alter-ego.

Como terá entendido quem tiver lido esse meu "post", não foi por acaso que falei dele (anunciava-se artigo sobre o herói de origem belga para a semana seguinte), e tb não foi por acaso que mencionei o erro que habitualmente se cometia, quando se dizia que o rapaz da poupa nunca tinha escrito uma linha. Obviamente que Carlos Pessoa aproveita a ocasião para, com efeitos retroactivos, desfazer o equívoco.

Já opinei anteriormente no "Divulgando BD". Mas como calculo que poucos serão os que terão pachorra para ir ver "posts" anteriores, repito (ou, fazendo-me eco da asneira que se ouve com frequência, "volto a repetir", poupem-me, por favor :( ,trata-se de uma interessante série de artigos, que valerá a pena acompanhar dominicalmente.

Todavia, quem ñ puder ou ñ o quiser fazer, por ñ gostar do jornal, ou por ñ estar interessado em comprá-lo apenas por causa de um artigo (atenção, só pelo cartoon-bd (*) do Bartoon, de Luís Afonso, e pela tira de BD do Calvin e Hobbes, de Bill Watterson, vale a pena ler o "Público", desculpem lá a publicidade :), posso confidenciar-lhe, aqui q ninguém nos ouve, da minha convicção de que isto vai dar livro. Se já aconteceu com Corto Maltese e com Tintin, por que há-de ser diferente desta vez? Eu podia perguntar directamente ao Carlos Pessoa. Mas calculo que ele respondesse, com aquela precaução tipicamente jornalística: "Ó pá, não te posso dizer nada de concreto. Já se falou nisso, mas sabes como são estas coisas". Assim sendo, aguardemos pacientemente, para ver se este meu "feeling" faz ou não sentido...

(*) Cartoon-bd - Até alguém encontrar melhor definição, classifico assim, desta forma mista, aquele tipo de comentário-crítico, em género "one shot", quer social, quer político, dado através de imagens sequenciais. Ou seja: pelo espírito, momentâneo, efémero, datado (se calhar para o ano já ninguém o entende, é "cartoon", mas pela forma como aparece concretizado graficamente, em imagens sequenciais, é banda desenhada. Como acontece com a excelente série "Bartoon".

Será que vou ter um "comment" do Luís Afonso, a barafustar comigo? Vou esperar pela pancada :)

quinta-feira, agosto 11, 2005

Concurso de BD - Ficha de inscrição

Concurso BD - Festival BD Amadora 2005

Já vários bedéfilos me tinham perguntado se eu sabia alguma coisa em relação ao concurso de banda desenhada organizado anualmente pelo Festival de BD da Amadora (sob a égide da autarquia local). Pois acabo de receber um exemplar do regulamento (aliás recebi três, um endereçado a Geraldes Lino, outro ao fanzine "Tertúlia BDzine", e ainda outro ao fanzine "Folha Volante", ambos editados por mim, claro :).
Ora então vou extrair do regulamento os elementos que considero mais importantes para quem queira participar neste concurso inserido no 16º Festival Internacional de Banda Desenhada / Amadora 2005 (FIBD'A). Eis os pontos a ter em consideração:


16º Concurso de Banda Desenhada - Amadora 2005
Condições de Participação: Pode concorrer quem tenha entre 12 e 30 anos. Os concorrentes serão divididos em dois escalões etários: A - dos 17 aos 30; B - dos 12 aos 16 anos.

Prémios: Antes de mais, um prémio excelente será a publicação. A entidade organizadora não garante que isso aconteça, mas envidará todos os esforços nesse sentido.
Quanto aos prémios pecuniários, serão os seguintes:
Escalão A - 1º prémio: €1000 // 2º prémio: €750 // 3º prémio: €600
Escalão B - 1º prémio: €750 // 2º prémio: €600 // 3º prémio:€500

Tema do concurso
"SONHOS NUMA NOITE DE VERÃO"

Especificações técnicas: Cada banda desenhada (bd) tem de ser constituída por 4 pranchas, originais e inéditas, a preto e branco ou a cores. // O formato das pranchas deve ser A4 ou A3, e têm de estar numeradas. // Na 1ª prancha deve constar o título do episódio. // Os concorrentes têm de ter em consideração a hipótese de as bedês vencedoras poderem vir a ser publicadas em formato A4, portanto as legendas, textos de balões e restante letragem terão de ser legíveis em caso de redução de A3 para A4. Logo, os próprios autores deverão fazer as reduções para testar essa legibilidade, antes de enviar as pranchas para a organização. // Os autores devem fazer duas fotocópias de cada prancha, ficando uma em seu poder e enviando a outra juntamente com o original // As pranchas não podem estar assinadas. Deve ser deixado um espaço em branco a fim de poderem colocar a assinatura posteriormente para efeito de publicação ou outro qualquer. // Todas as pranchas, logo tb as respectivas cópias, devem estar numeradas legivelmente e identificadas com o pseudónimo e escalão no verso. // O pseudónimo deve ser totalmente original, não podendo ter sido utilizado anteriormente.

Calendário: A data limite para entrega das bedês na CMA - CNBDI é a de 16 Setembro (2005, claro). As que não forem premiadas serão devolvidas por correio.
Inscrição: a) Com a inscrição é entregue por cada concorrente o valor de €2.50 para devolução das pranchas, o que deverá ser feito em cheque à ordem do Tesoureiro da Câmara Municipal da Amadora. b) Para efeito de participação, os concorrentes devem recortar ou fotocopiar o cupão publicado na norma distribuida em papel pelo CNBDI
(julgo eu que a imagem que reproduzo do cupão, no "post seguinte" pode ser mandada imprimir, e servirá para o efeito)
preenchê-la e enviá-la juntamente com uma fotocópia do B.I., mais a tal importância de €2.50 em cheque, num envelope devidamente fechado, juntamente com a banda desenhada, tendo inscrito no exterior o pseudónimo e escalão respectivo.
As bedês devem ser enviadas ou entregues directamente, até 16 de Setembro, para

16º Concurso de BD - Amadora
Festival Internacional de Banda Desenhada
CMA/CNBDI - Av. do Brasil, 52 A
2700-134 Amadora

segunda-feira, agosto 08, 2005

Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa (III) Heróis-Jornalistas na Banda Desenhada

Um tema interessante este, iniciado ontem, domingo, no jornal Público, que irá debruçar-se sobre "seis retratos de personagens de banda desenhada", na edição dominical, em seis semanas consecutivas. A série apresenta-se sob o título "Heróis–Jornalistas na Banda Desenhada".

Para começar, são publicados dois artigos. Um, assinado por Hugo Real, intitula-se BD e JornalismoUma história de fascínio, traça um panorama generalista, recorrendo inclusivamente a opiniões de Leonardo De Sá, estudioso e crítico, e a José Rodrigues dos Santos (sim, o apresentador da RTP, professor universitário e autor de um estudo sobre a importância da BD na História da Comunicação). O outro, intitulado Superman O super-repórter do Daily Planet, tem autoria do jornalista Carlos Pessoa, também crítico e estudioso da especialidade.

No que se refere a Hugo Real, ele nomeia diversos heróis da Banda Desenhada que se apresentam no papel de jornalistas, especialmente repórteres. Vê-se que não estão nada mal representados ao longo da História da BD, havendo alguns bastante famosos, como acontece com o Super-Homem (visível na profissão através do seu "alter-ego" Clark Kent) e com o Tintim.

Com Tintin aconteceu uma coisa curiosa, que observei atónito durante uns anos: muitos críticos portugueses, recorrentemente, acusavam-no de nunca ter escrito uma linha, ignorância devida ao facto, bem visível, de nunca terem lido o primeiro episódio.
Com efeito, esse episódio inaugural da série, com o título original "Les Aventures de Tintin, reporter du "Petit Vingtième" au Pays des Soviets", só em 1999 foi editado em Portugal pela Editorial Verbo.

Acontece que eu tinha adquirido, uns anos antes, em Angoulême, a edição "fac-simile" desse episódio "maldito" (Hergé nunca o redesenhou, como fez com os outros, nem autorizou a sua modificação, quer na redução do número de páginas, quer na impressão a cor). E nele se via Tintim a escrever – pela primeira e única vez, é um facto – ou, pelo menos, a tentar escrever (à mão, claro), um artigo. Ou, como ele próprio diz, em monólogo na edição portuguesa: "Toca a fazer um belo artigo". E vêem-se acumuladas numerosas folhas, já escritas, continuando o nosso herói a monologar: "Pergunto-me se já terei escrito o suficiente?".

Assim se verificou, muitos anos mais tarde, que o repórter Tintin tinha andado a ser acusado, injustamente, pelos críticos e bedéfilos portugueses, de nunca ter escrito qualquer artigo que lhes justificasse a sua, durante muito tempo, apenas presumível profissão. Que, aliás. ele faz questão de publicitar quando, em "A Ilha Negra", se identifica com a frase "Aqui, o repórter Tintin". Talvez não tenha sido muito prolífico a escrever, pelo menos que o seu criador, Hergé, no-lo mostrasse. Mas, e isso é que não sofre contestação, pelo menos uma vez ele escreveu. E bastante.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (II) Exposição & Feira de Fanzines BD de Sintra

Os fanzines são magazines amadores, que tanto podem ter a forma de uma qualquer publicação, seja em que tamanho for - podem ser em formato grande, A3, mas também surgem pequeníssimos, em A6, por exemplo - como igualmente por vezes se apresentam sob o aspecto de objecto, ou antes aproveitam qualquer objecto para nele se encaixarem, dependendo da imaginação do faneditor.

Os fanzines abarcam grande variedade de temas. Todavia, a Banda Desenhada é um dos motivos mais frequentes, daí que agora surjam a justificar a realização da
1ª Exposição & Feira de Fanzines de Banda Desenhada de Sintra, integrada num evento já com raízes, a Feira Ecológica de Sintra, a atingir a sua 12ª edição.

Ambas - embora geminadas, cada uma tem as suas características próprias - vão ser levadas a efeito a 7 de Agosto, 1º Domingo do mês. O local em que decorrerão será o Cine-Teatro "Os Aliados", em São Pedro de Sintra.

A organização da Exposição & Feira de Fanzines recai sobre duas entidades, a Feira Ecológica de Sintra, cujo responsável se chama Fernando Winkermantel, e a Tertúlia Lisboa dos Fanzines, iniciada e puxada pelo bloguista deste mesmíssimo "webblog", que pode ser contactado, por algum faneditor que lá queira pôr fanzines à venda, pelo tlm 91 9137027.

Autor do cartaz da Exposição: Ricardo Cabral

Informação útil: o horário é das 10h às 19h.
Portanto, dia 7 de Agosto, Domingo, todos os fanzinistas e apreciadores de banda desenhada estão convidados a aparecer. A entrada é LIVRE!

Concurso BD de Moura - Importante

Data limite para os concorrentes entregarem pessoalmente/enviarem por correio as suas bedês e cartunes: 30 de Setembro (de 2005 :). Estou a falar ainda em relação ao Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon" integrado no Salão BD de Moura/2005.
Acontece que no meu "post" datado de 24 de Julho, por tê-lo feito de improviso, dizendo por palavras minhas o que ia lendo no regulamento que o Carlos Rico (principal responsáve do evento)l me enviou por email, falhei esta informação. Um leitor do blogue e potencial concorrente chamou-me a atenção para o lapso. Aqui fica o aditamento.
Felizmente que há tempo suficiente. Mas ñ convém adiar muito o início da bd ou do cartune...