quarta-feira, outubro 19, 2005

Festivais, Salões BD e afins - 16º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora -2005



16º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA - 2005
Datas: 21 de Outubro a 6 de Novembro.
Local: Estação de metro da Falagueira (Amadora Este)
Horário de funcionamento: Todos os dias entre as10h00 e as 22h00.

O tema-base do festival intitula-se "O Sonho na Banda Desenhada"

Trata-se, inquestionavelmente, do maior evento bedéfilo português. Para algum cidadão de qualquer país de língua portuguesa que leia este blogue, aqui fica um lamiré de coordenadas: a cidade da Amadora fica mesmo ao lado de Lisboa, vai-se até lá por metropolitano.

Aliás, aproveita-se já a embalagem para se dar uma dica fundamental para quem venha de fora de Lisboa: o bedéfilo interessado em deslocar-se ao festival, pode tomar Lisboa como ponto de referência, visto que daqui da capital, em qualquer ponto, pode apanhar o metro com destino à Estação do Metropolitano da Falagueira (Amadora-Este).

O local onde se encontra o espaço mais importante do evento é exactamente dentro dessa estação. A sério. Enquanto o Centro Comercial, que para lá está previsto, não for construído, o Festival ali vai sendo organizado visto que, por agora, não há outro local disponível com aquelas dimensões (não falemos da Fábrica da Cultura, parece que não há verbas suficientes para as obras de fundo, que seria necessário realizar, para a recuperação do decrépito mas bonito edifício onde houve tantas inesquecíveis edições do festival).
Devo dizer que, num país bem mais rico como é a Espanha, o Festival BD de Barcelona é realizado numa estação de caminhos de ferro. A única diferença é a de o festival barcelonês não ser subterrâneo...

Mas vamos lá espreitar o programa deste 16º Festival Internacional de BD - Amadora 2005, que é isso que interessa agora aos internautas que vierem até este blogue.

Para começar, olhe-se para o cartaz: a imagem, baseada na figura do Little Nemo, tem a assinatura de Ferrand (Ricardo Ferrand), aliás como todo o restante grafismo do Festival deste ano.

Há várias exposições, distribuídas por diversos locais.
O principal, onde podem ser visitadas várias, situa-se no já citado local dentro da estação do metro.
Outro dos pontos exposicionais mais importantes é o da Galeria Municipal Artur Bual, que se localiza no próprio edifício da Câmara da Amadora.

Miguel Rocha - Um autor já com grande prestígio, tem agora um momento de notoriedade, visto que o espaço atrás citado, ode está a exposição que lhe foi dedicada, é de visível dignidade e óptimas condições exposicionais.
Nascido em 1968, tem a seu crédito várias obras de excelente qualidade, tais como "Borda d'Água", "Dédalo", "As Pombinhas do Senhor Leitão", "Março", "Eduarda", "Beterraba" e outras.
Muito naturalmente, estarão expostas várias pranchas originais destas obras, o que representa sempre um prazer estético especial o seu visionamento.


A merecer destaque: a exposição dedicada à obra LITTLE NEMO IN SLUMBERLAND que serve de leit motif a todo o festival. Está localizada no núcleo principal do certame, ou seja, no espaço da estação de metro da Falagueira (Amadora Este).

Infelizmente,no que se refere à obra-chave do festival, a exposição inclui apenas três pranchas, mas há que sublinhar o facto notável de se tratar de pranchas originais, da obra-tema do festival (pertencentes ao coleccionador francês Bernard Mahé).

Depois, um tanto a despropósito, o mesmo espaço inclui cinco cópias (impressões) de outra importante série de McCay (em que ele assina com o pseudónimo "Silas"), Dream of the Rarebit Fiend, mas que não se compreende lá muito bem, visto que não se está propriamente a homenagear Winsor McCay (embora isso aconteça implicitamente, claro) mas sim a obra Little Nemo in Slumberland.Ainda mais despropositado é o facto de haver, no mesmo local, duas pranchas tipo "pastiche", desenhadas por um autor chamado Frank Pe, engraçadas mas a usarem abusivamente um espaço nobre (até porque há um outro dedicado às homenagens/paródias ao Little Nemo).

Claro que só as três pranchas originais, a preto e branco (com riscos e esboços das legendas a azul, tal como o autor as deixou!) valem uma ida à Amadora.
Os especialistas babam-se de gozo especados em frente das pranchas (eu sei do que estou a falar :-).

Mas, tendo em conta que um festival é um momento propício para a divulgação aos não especialistas de obras de qualidade, e também uma boa ocasião para captar novos públicos, apetece perguntar se não teria valido a pena fazer ter seleccionado uma dúzia ou mais de páginas de alguns dos seis álbuns editados originalmente pela Fantagraphics, e expor boas cópias fotográficas, de forma a permitir uma ideia um pouco mais alargada da obra a essa faixa de público que, na sua maioria, a desconhece.

(Convém recordar que, em Portugal, apenas foram editados dois volumes do "Little Nemo in Slumberland", título traduzido/adaptado para "O Pequeno Nemo no Reino dos Sonhos", na década de oitenta do século passado, e que estão totalmente esgotados.
Se a editora "Livros Horizonte" tivesse sido contactada atempadamente, talvez lhe tivesse valido a pena a reedição desses dois tomos, já que não é possível a edição dos restantes, pelo facto de a editora americana ter falido, também lá pelos "States" estas coisas acontecem).

O Sonho na BD portuguesa. Mostra de imagens de bandas desenhadas publicadas no período que medeia entre 1990 e 2005, ou seja, os quinze anos de idade do festival amadorense.
As bedês (ou excertos) foram seleccionadas tendo em vista a relação dos seus protagonistas com o sonho, e tiveram por autores António Jorge Gonçalves, David Soares, Diniz Conefrey, Filipe Abranches, João Fazenda, José Carlos Fernandes, José Ruy, Luís Louro, Miguel Rocha, Rui Lacas e Rui Pimentel.

O Sonho na BD também inclui imagens de bedês de autores estrangeiros, como não poderia deixar de ser. Alguns exemplos: Sandman (obra criada ficcionalmente por Neil Gaiman, mas visível pelo traço de vários desenhadores), Olivier Rameau (desenhado por Dany, escrito por Greg), O Sonho Prolongado do Sr. T (do espanhol Max, que não deve saber que temos cá o Carlos Tê :-), Alice in Sunderland (de Brian Talbot), As Cidades Obscuras (de Schuiten, desenho, e Peeters, argumento), e outros.

Sonhos de Nemo no Século XXI é outro núcleo, idealizado exactamente pelo mesmo "blogger" que escreve estas linhas, e que se compõe de 18 pranchas com episódios autoconclusivos, parodiando e homenageando o Little Nemo, realizados por autores portugueses, novos e consagrados:
Álvaro, C. Moreno, Ferrand, J. Coelho, J. Mascarenhas, J. Morim, José Carlos Fernandes, Manuel João Ramos, M. Souto, Paulo Monteiro, Pedro Nogueira, Pepedelrey, Ricardo Cabrita, Rui Lacas, Susa M., Zé Manel.

As imagens expostas serão o miolo de um novo fanzine meu, o "Efeméride", que será lançado em pleno festival, no dia 30 (Domingo) pelas 19h00, com direito a música ao vivo, e a presença da maioria dos colaboradores.

Está também visível uma exposição inteiramente dedicada à personagem O Menino Triste, da autoria de J. Mascarenhas, co-responsável, com Gastão Travado, pela planificação da respectiva mostra de pranchas originais.

Outro núcleo exposicional de grande prestígio na cidade-berço do festival situa-se na Casa Roque Gameiro, onde estará patente a obra de Carlos Alberto (Santos), um Clássico da BD Portuguesa.
O comissário da exposição é Leonardo De Sá, garantia de trabalho exaustivo e rigoroso.

A citada exposição tem a ver com o facto de este ano ser Carlos Alberto o homenageado principal, pelo que lhe irá ser entregue o Troféu de Honra.

Autores Premiados e vencedores do Concurso de Banda Desenhada

Cerimónia de entrega dos troféus
Data e hora: 29 de Outubro (sábado)- 18h30
Local: Recreios da Amadora - Auditório

Troféu de Honra:
Em edições anteriores foram distinguidos com este troféu, o mais importante do evento, Augusto Trigo, Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês, José Ruy, Vasco Granja, Jorge Magalhães, Maria Antónia Roque Gameiro Martins Barata (Bixa), Maria Alice Andrade Santos, e outros.

No que se refere às sessões de autógrafos (na prática, desenhos autografados), sempre tão apreciadas pelos bedéfilos (também disto sei muito bem do que estou a falar :-), estarão lá presentes, em "carne e osso", prontos a oferecerem desenhos autografados, alguns autores de nomeada. Veja-se o "cardápio":

Giardino (uma boa notícia para mim), Max, Rick Veitch, Jo-El Azara (atenção, bedéfilos mais crescidos, antigos leitores da revista "Tintin", edição portuguesa publicada entre 1968 e 1982, Taka Takata diz-lhes com certeza qualquer coisa), Thierry Smolderen e Claude Moliterni (ambos argumentistas e estudiosos), Al Davison, Bruno Marchand, Bryan Talbot, e vários portugueses, a saber: José Ruy, José Carlos Fernandes, Ferrand, José Abrantes, Pepedelrey, J. Coelho, Derradé, Rui Lacas, Paulo Monteiro, Susa, C. Moreno, M. Souto, Ricardo Cabrita, Pedro Nogueira, e outros.

Auditório - Programa:

Haverá conferências sob a competente moderação (e serviço de intérprete) de Pedro Mota, onde será possível fazer perguntas aos participantes. Essas conferências irão decorrer no:

Auditório

Nos dias e horas:

22 de Outubro
17h00 - Dreamcomics I - Rick Veitch, Zograf e Al Davison
18h00 - Novos valores da BD Americana: Cameron Stewart

23 de Outubro
17h00 - Vittorio Giardino
18h00 - Claude Moliterni

29 de Outubro
16h00 - 40 Anos de Taka Takata - Jo-El Azara

30 de Outubro
15h00 - Apresentação da revista Sketchbook, editada pela AJCOI (uma Associação Juvenil de Pinhal Novo)
16h00 - Dreamcomics II: Jim Woodring
17h00 - McCay: Smolderen e Bramanti
18h00 - O Sonho Prolongado do Sr. T. Max

1 de Novembro
15h00 - Apresentação do livro Humberto Delgado, O General Sem Medo, de José Ruy
16h00 - Lançamento do livro O Menino Triste - Os Livros, de J. Mascarenhas
17h00 - O Autor por ele próprio, com Ricardo Ferrand
18h00 - "Quiz" pela livraria Kingpin of Comics (teste aos conhecimentos sobre BD)

5 de Novembro
15h00 - Lançamento do livro As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho, de Pedro Leitão
17h00 - Gibrat
18hoo - Stassen
19h00 - Banda Desenhada na Universidade de Lisboa, Uma Nova Geração de Autores,
com Álvaro Áspera, Pedro Barros, Ricardo Cabral, Jorge Nesbitt e Ricardo Machado.
Lançamento de Blazt nº 01, revista internacional de Banda Desenhada

6 de Novembro
16h00 - O Sonho britânico: Gary Spencer Millidge e Liam Sharp
17h00 - O Sonho americano I: Carlos Pacheco
18h00 - O Sonho Americano II: Ed Brubaker e Sean Phillips

Praça Central - Programa

Esta praça central engloba uma esplanada, onde se pode beber um copo (pode ser só um café) e um palco, onde se apresentam bandas a dar música aos bedéfilos.

Também lá haverá alguns eventos. Para que conste, referem-se aqui apenas os que têm a ver com a BD (ficam de fora os que só constam de actuações de conjuntos musicais):

dia 30 Out. (Domingo)
19h00 - Lançamento do fanzine Efeméride, edição deste "blogger", com actuação do Trio Pedro Moreno.

dia 2 Nov.
19h00 - Apresentação do fanzine Jazzbanda, editado pelo mesmo acima citado. Para dar ambiente a condizer, haverá um concerto do trio de jazz "Tricotismo".

dia 5 Nov.
15h00 - Cosplay - BD Tornada Realidade
16h00 - Concurso Cosplay

Oficina de Arte com Cameron Stuart
dias 22,23,29 e 30 Outubro
Às 15h00

Oficina de Arte com Sean Philips
Dias 5 e 6 de Novembro
Às 15h00

Portanto, em algum destes sítios nos iremos encontrar. Até lá.

terça-feira, outubro 18, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (VI) Tertúlia Lisboa dos Fanzines - 6º Aniversário

Hoje, terceira 3ª feira de Outubro, dia 18, terá lugar mais um encontro de fanzinistas na Tertúlia Lisboa dos Fanzines.
Local: Bar Estádio, Rua S. Pedro de Alcântara
Hora: 22h00
---------------------------------------------------
O início desta tertúlia foi em 19 de Outubro de 1999, uma 3ª feira, a terceira daquele mês.
Já se passaram seis anos e, teimosamente, continuam a reunir-se alguns (umas vezes mais, outras nem tantos :-) alguns, repito, fanzinistas, quer faneditores (os que só editam), quer editautores (os autores que se auto-editam), quer autores colaboradores em fanzines editados por outros, os tais faneditores (completa-se assim o ciclo...).

A história, ainda curta, da Tertúlia Lisboa dos Fanzines foi contada no dia 19 de Agosto deste ano de 2005, num "post" que já só é visível indo ao Arquivo do blogue. Nele se registam as várias mudanças dos locais de encontro, e as suas características essenciais.

Aos visitantes de blogues, àqueles com mais pachorra, aconselhá-los-ia a procurarem esse "post", porque está lá descrita, com alguma minúcia, o percurso da tertúlia, quem lá esteve (os faneditores e respectivos títulos dos seus fanzines), as finalidades que se imaginaram, e por aí fora.

Se por acaso houver alguém que um dia tenha editado um fanzine, ou esteja agora a editar algum, e não me conheça, e queira contactar-me para saber pormenores da tertúlia e, eventualmente, decidir-se a aparecer por lá, tome nota do nº do meu telemóvel: 919137027

sábado, outubro 15, 2005

Winsor McCay, o criador da obra-prima "Little Nemo in Slumberland"

WINSOR McCAY

Biobibliografia

Entre os numerosos escoceses chegados ao Canadá, na primeira metade do século XIX, estava o casal Donald McKay e Christiana McKay (sim, com K, por estranho que pareça; qual a explicação para a intrigante mudança para McCay, lá chegaremos).
Instalados em Ontario, é aí que nascem os seus seis filhos, o terceiro dos quais, Roberto McKay, nascido em 1840, desposará a vizinha Janet, e com ela irá instalar-se nos Estados Unidos.

Meses mais tarde, Janet regressa a Ontario, e aí dá à luz o seu primeiro filho, a 26 de Setembro de 1867. Em homenagem ao patrão de Donald, o industrial Zenas G. Winsor, o bebé recebe o nome de Zenas Winsor McKay.

No decurso da sua vida artística, o jovem porá de parte o invulgar nome próprio Zenas, que só por curiosidade - e para não deturpar a verdade biográfica - aqui é citado, e transformará McKay em McKay, justificando a mudança por iniciativa de seu pai que, na iminência de uma disputa entre o clã dos McKay, escocês, e o dos Magee, irlandês, se excusou a participar, com a matreira justificação de ele ser do clã McCay, e por isso nada ter a ver com o apelido McKay. "E foi assim - contava Winsor - que recebi o meu nome e o meu sentido de humor".

Em 1886, com dezanove anos, vamos encontrá-lo no Cleary’s Business College d’Ypsilanti, para fazer estudos comerciais. Assunto que não lhe merece qualquer interesse, visto que o desejo de ser desenhador era bem mais intenso. E é na cidade de Detroit que o jovem Winsor começa a fazer retratos para ganhar a vida.

A partir daí, ele sente que já tem o rumo traçado, mas procura local mais próprio, nada menos do que Chicago, onde chega em 1889.

Windsor Z. McCay é o nome (deturpado, claro) com que é recenseado na categoria de impressor, mas no ano seguinte já aparece como artista.

Dois anos mais tarde Winsor vai para Cincinati, onde pinta cartazes que lhe atraem alguma celebridade. Conhece Maude Leonor Dufour, que tem apenas catorze anos, com quem casa.

Em 1896, a 21 de Junho, nasce o seu filho Robert Winsor, que lhe serviria de modelo para o Nemo, em 1905, tinha Robert nove anos. Daí que Nemo, nos sonhos, tanto pareça umas vezes ter quatro, cinco anos, como oito ou nove, dependendo do episódio.

O passo seguinte será dado em New York, onde começa a trabalhar para dois jornais de James Gordon Bennet Jr., fazendo ilustração de reportagens e de ficções, entre as quais o Barão Munchäusen. Mas o seu sonho era fazer uma “comic strip” que fosse distribuída por uma boa agência (a que os americanos chamam “syndicate”, embora por cá haja muito boa gente responsável a traduzir erroneamente por “sindicato”, ignorando que a isso os americanos chamam “unions”).

Em 1903, ainda em Cincinati, ele tinha realizado a sua primeira banda desenhada, Tales of the Jungle Imps of Félix Fiddle.
Já em Nova Iorque, ele cria outras séries, entre as quais Little Sammy Sneeze, para o jornal “New York Herald”, para onde irá criar a obra-prima Little Nemo in Slumberland, a cores na totalidade, com a primeira prancha impressa na edição de 15 de Outubro de 1905.

Após o contrato expirado com o New York Herald, McCay continua a obra noutro jornal, o New York American, alterando o título para In the Land of Wonderful Dreams.

Em 1924, de regresso ao Herald Tribune (o novo nome do New York Herald), ele torna a desenhar o Little Nemo, sob o antigo título, mas já sem qualquer êxito, passando a fazer ilustrações a partir de 1927, para subsistir, até ao fim da sua vida, o que aconteceu em 26 de Julho de 1934.

(VER TEXTO ACERCA DE LITTLE NEMO NO "POST" ANTERIOR)

Little Nemo in Slumberland - Uma Obra-Prima da BD com 100 Anos



Little Nemo in Slumberland

Tal como acontece noutras formas de arte, há obras-primas na Banda Desenhada. Little Nemo in Slumberland é uma delas.

Apesar da sua extrema sofisticação estética, esta obra cumpriu a sua existência num suporte caracterizadamente popular: foi publicada em jornais, ao ritmo de uma página semanal, a cores, em suplementos dominicais.

Com início em 15 de Outubro de 1905 - cumprem-se hoje, precisamente, cem anos! -, não é difícil imaginar o deslumbramento causado aos leitores do jornal pelo virtuosismo gráfico de cada página, no enorme formato "broadsheet" (equivalente ao do semanário "Expresso") que valorizava as magníficas imagens criadas pelo autor/artista Winsor McCay.

A obra teve hiatos na publicação, mudou de jornal, dividindo-se por isso em três ciclos. O primeiro, de qualidade superlativa, publicou-se entre Outubro de 1905 e Julho de 1911; o segundo, com o título modificado para In the Land of Wonderful Dreams, foi divulgado de Setembro de 1911 a Julho de 1914; o terceiro, e último, entre Agosto de 1924 e Dezembro de 1926.

Se o título inicial da obra, e o mais famoso, Little Nemo in Slumberland, fosse traduzido literalmente, teríamos O Pequeno Ninguém na Terra da Sonolência. É curioso reparar-se que Nemo em latim significa “ninguém”. Isto talvez queira dizer que teve escassa existência física – o autor quase que apenas o põe a agir, fisicamente, raras vezes no início do episódio, quando se está a deitar, e sempre na última vinheta de cada episódio, no momento em que acorda do sonho – com frequência, pesadelo –, ou por cair da cama, ou ao ser acordado, umas vezes pelo pai, outras pela mãe.

Outro aspecto que chama a atenção aos leitores mais observadores: a idade de Nemo é dificilmente definível. Na única imagem real que dele se pode observar – a da sua recorrente queda da cama – ele não aparenta mais do que quatro anos. Mas há por vezes evidente desfasamento em relação a alguns sonhos, demonstrativos de outra idade, talvez seis anos, e mesmo assim precoces em algumas circunstâncias.

É o caso da cena em que Nemo aperta a rainha Cristalete nos braços, e beija na boca aquela personagem bem mais crescida do que ele, e a intensidade com que a beija faz com que ela se estilhace de imediato. Será que ele repete algo que também lhe fizeram? Será imagem para ser analisada por um pedopsiquiatra...

Há muitas, mas mesmo muitas outras cenas que valeria a pena escalpelisar, por serem bastante curiosas, por exemplo aquela publicada originalmente em 31 de Dezembro de 1905.
Nela, Winsor McCay desenha Nemo fazendo com que aparente várias idades ao longo da prancha, começando com seis anos e passando para nove, em seguida para quinze, depois para vinte e cinco, e acaba a mostrá-lo com noventa e nove anos – faltou apenas um para ter os cem que agora, em 2005, se festejam em termos cronológicos.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (V) Juvebedê, fanzine com BD para a Juventude

F Capa assinada por Maia

Localiza-se em Lisboa a Associação Juvemedia, uma entidade sem intuitos lucrativos, cuja finalidade é, basicamente, a de organizar eventos e actividades para a juventude.

Uma dessas actividades, de contornos culturais, é a edição de uma publicação com o título "Juvebedê".

Classifico-a como fanzine por corresponder a vários dos requisitos desse tipo de publicações amadoras, sendo que dois deles são fundamentais:
1) Não é editada por nenhuma editora profissional (a Juvemédia é uma associação de finalidades não lucrativas, sobrevivendo à base de apoios diversos);
2) A publicação Juvebedê não é editada com finalidades lucrativas, visto ser distribuída gratuitamente.

Para alegria deste bloguista, por acaso é totalmente dedicada à banda desenhada, quer em textos críticos e/ou divulgatórios, quer em BD (embora escassa). Neste momento, a mais recente edição apresenta-se datada de Outubro 2005, e tem o nº 33.

Juvebedê
Formato A4, capa a cores, miolo a p/b, agrafada.
Director e Coordenador Editorial - Carlos Fernando Cunha.

Redacção: Alexandra Sousa, Carlos Fernando Cunha e Miguel Coelho (este está em Braga). Como colaboradores há ainda Pedro Cleto e Daniel Maia.
Lisboa 
-----------------------------------------------------
A propósito de Daniel Maia (eu ainda o conheci quando assinava Daniel Silva,depois passou para Dan e/ou Daniel Maia, agora na capa que se reproduz neste "post" assina apenas como Maia...), é ele o autor do argumento (pois, ele desenha bem, mas também faz o papel de argumentista quando lhe dá na bolha) da bd "Deus dos Tubos" - 1ª Parte, com Arte de Dinis Vale.
Não conhecem? Também eu não. O que posso dizer é que, pelo estilo, parece ter forte admiração pelo próprio Dan, perdão, pelo Daniel Maia, perdão, pelo Maia, o que não lhe fica mal.

A planificação da bd está boa, os contrastes claro-escuros equilibram-se em harmonia. Quanto à história, ainda é cedo para dizer algo de concreto. Publicam-se, para começar, seis pranchas nas páginas centrais. Continua (e conclui) no próximo número (onde é que eu já li isto?).

Quem estiver interessado em ver estas imagens iniciais, e quiser ver o desfecho da história, tem duas hipóteses: ou liga para o argumentista, Daniel Maia, ou pede ao Senhor Director (Olá Carlos Cunha), via email cunha@iol.pt, que o considere assinante, ele esclarecerá as condições que, para meu desespero, não consegui detectar na ficha técnica. Sei que, a sua tiragem de 400 exemplares, além de se destinar aos assinantes, é distribuida pelas Delegações Regionais do I.P.J. (Instituto Português da Juventude) e na Livraria Ler Devagar, onde costuma estar à disposição, gratuitamente, dos clientes. Esta livraria mudou da Rua de S. Boaventura (Bairro Alto), para o palácio que se situa no Alto de Santa Catarina, já na periferia do B.A.

Há muita informação disseminada pelo corpo do Juvebedê (na ficha técnica diz: "O Juvebedê é uma publicação (...)".
O pormenor de escreverem"o Juvebedê" deve vir do tempo em que admitiam a publicação como magazine amador, logo, um fanzine.

É habitual os editores de fanzines chamarem-lhes revistas, oque, em última análise, está certo: o magazine, publicação que deu origem ao neologismo fanzine. é sinónimo de revista.
Como escreveram os editores do Argon, pioneiro português, editado em Janeiro de 1972:
"Este fanzine é uma revista".

Mas, voltando à informação.
Aparece a rubrica "Os Álbuns Portugueses em Destaque" nos versos das capa e contracapa.
São referenciados criticamente: "Baby Blues 17 - Secos e Molhados", "Giuseppe Bergman" 9, "A Trilogia Nikopol", "Lucky Luke" 37, (Quer dizer: Os Álbuns de Autores Estrangeiros Editados em Portugal), "Cravo e Ferradura" (Ah, agora sim, Zé Bandeira, um português, viva!), "Red & Rover" 2, "Viagem Com Quino e Mafalda", "A última obra-prima de Aaron Slobodj" (mais um português, isto vai), "Sin City-A Cidade do Pecado" 1 - 2ª edição (O que é bom vende bem, ah grande Frank Miller, que eu conheci ainda jovem, no mais antigo evento bedéfilo que se realizava na italiana e linda Lucca, estava-se na gloriosa década de oitenta do século passado, ai, ai, o tempo passa), "Mutts" III, "Humberto Delgado, o General Sem Medo (de José Ruy, pois de quem houvera de ser, está em todas as frentes, o incansável), W.E.S.T. (Weird Enforcement Special Team), obra assinada por Rossi, Nury e Dorison, diz a ficha, além de dar um lamiré do que se passa na trama, localizada nos Estados Unidos, em Agosto de 1901.
Uma rubrica orientadora para a escolha entre o que se vai editando... e é muito, apesar de se estar sempre a dizer que a BD está em crise.

Há também espaço informativo em "JuveBreves".
Fala-se dos troféus Central Comics 2005, fiz parte do júri, puxei pelo Eduardo Teixeira Coelho para o Troféu Especial do Júri, mal sabia eu que, em 31 de Maio, o grande autor/artista português nos deixaria), fala-se de BDJazz no Diário de Notícias, regista-se o 3º Encontro de BD de Santo Tirso, Junho 17,18 e 19, haja Zeus que voltou a haver quem trabalhe para a BD no Norte, oh carago, está-se atento à publicação das pranchas diárias de José Carlos Fernandes que apareceram no matutino "Diário de Notícias", ao longo de dois meses a partir de 1 de Julho, faz-se saber que houve uma Tertúlia (este vocábulo não me é estranho) sobre BD em Braga, no dia 15 de Julho, organizado por "A Velha-a-Branca - Estaleiro Cultural" (que nome giro), com a presença de Arlindo Fagundes, Carlos Dias Tavares, Paulo Patrício, Pedro Costa (olá Arlindo Fagundes, olá Paulo Patrício, um abraço para vocês), e acontece que houve um ateliê de BD, entre Abril e Maio, e os alunos apresentaram os seus trabalhos sob a forma de um fanzine. Alto e pára o baile, isto tem a ver comigo, mais um fanzine, ora aí está uma boa notícia, obrigado Juvebedê!

Um pormenor relativo a este Juvebedê nº 33: faz parte dele uma separata, impressa apenas de um lado, com a indicação "Última Hora", com breves referências críticas a várias recentes edições, designadamente "1602" (volumes I e II), "Wolverine: Snikt", "Quarteto Fantástico - Imaginautas", "Cloudburst - Dilúvio Mortal", "Batman - Cidade Destroçada", "Hellblazer - Nas Ruas de Londres". Só que esta separata parece ter sido feita em menor quantidade, pelo que, na caixa cheia de exemplares que o Carlos Fernando Cunha (e sua mulher, Alexandra) levaram à Tertúlia BD de Lisboa, no dia 4 de Outubro, não havia nenhum exemplar que tivesse esta separata, só eu tive direito a uma, que me foi amavelmente oferecida pelo casal, com a indicação de que já não havia mais!

Enfim, além desta separata, há muito mais para ver e ler no fanzine Juvebedê.
A sério: há ali povo atento (Carlos Cunha, Miguel Coelho) ao contexto editorial, e a tudo quanto mexe na BD. Só lhes fica bem.

quinta-feira, outubro 13, 2005

3000 visitas! Festa no blogue pela terceira vez


É verdade, já houve três mil visitas, nada mau para um blogue dedicado apenas a um tema, a BD!

Se calhar, até terá acontecido que alguns visitantes, já conhecedores do blogue, tenham ficado decepcionados por não encontrarem "posts" recentes (quanto a diários, nem pensar...), e cá o bloguista (ou bloguer,ou "blogger" se preferirem) é o primeiro a lamentar.

Mas a aproximação do Festival BD da Amadora, que inaugura no próximo dia 21 (daqui a uns dias haverá aqui notícias sobre o evento), no qual estou a colaborar, além de um novo fanzine que editarei por estes dias, tem-me impedido de uma mais constante presença.

Saudações bedéfilas a todos os conhecidos e desconhecidos visitantes.

Um sentido agradecimento ao amigo Gastão Travado, apoio técnico imprescindível para a inserção de imagens nos "posts", o que, indiscutivelmente, valoriza esteticamente o blogue.

À saúde! À amizade! À Banda Desenhada! À Blogosfera! Até ao próximo glorioso milhar de visitas!

O bloguista Geraldes Lino.

BD portuguesa em jornais e revistas não especializadas - Mundo Universitário - Uma b.d. de Francisco Sousa Lobo

Está já em distribuição gratuita, na maioria das universidades, o nº 23 do jornal quinzenal Mundo Universitário, datado de 10 de Outubro (Uma dica amiga: procure-se, por exemplo, no átrio de entrada da Faculdade de Letras, logo à direita, um distribuidor metálico de cor azul. Há ainda lá muitos jornais :-).

A página de BD apresenta uma história simbólica idealizada por Francisco Sousa Lobo (*) sob o título "Relato de um sonho que me visitou em 2 de Abril de 2005".



Excerto (vinheta) da banda desenhada Relato de um sonho que me visitou em 2 de Abril de 2005, da autoria de Francisco Sousa Lobo

Assiste-se, através de uma narrativa gráfica em registo estético vanguardista, àquilo que o autor descreve como actual corrente da arte performativa do mundo ocidental. Características que a identificam neste episódio: a forma como os artistas se vestem, em modelos futuristas, e as suas tendências para se auto-filmarem enquanto se despenham aos pares de arranha-céus situados numa qualquer metrópole hodierna.
O público assiste pela televisão, abúlico. Aquela estranha "performance", que mais parece um suicídio colectivo, apenas suscita uma atitude psicológica indiferente, até talvez vagamente sado-masoquista. À vertiginosa queda nenhum artista sobrevive. Sobreviverá a Arte a esta auto-destruição colectiva?
Uma banda desenhada enigmática e depressiva, transmitida em jeito de parábola.

------------------------------------------------------------
FRANCISCO SOUSA LOBO

(*) Síntese biográfica do autor: Francisco Sousa Lobo nasceu em 1973 na cidade moçambicana que, nesse ano, ainda se chamava Lourenço Marques, posteriormente baptizada como Maputo.
É licenciado em Arquitectura, e tem exercido a respectiva função. Apesar disso trabalha também como ilustrador - área em que já obteve um prémio atribuído pela Society for News Design.
Na Banda Desenhada a sua actividade é ainda curta. Merece referência a sua novela gráfica Câmara Escura - Uma Única História em Seis Retratos, editada pela Bedeteca de Lisboa na colecção "Lx Comics", no nº 16, datado de Abril 2003.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Tertúlia BD de Lisboa - 250º Encontro


No próximo dia 4 de Outubro, primeira 3ª feira do mês, realiza-se o 250º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.

Homenageado (no caso presente, homenageada): Manuela Bacelar, conhecida fundamentalmente como ilustradora. Todavia, e isso será um aspecto menos conhecido do seu "curriculum", ela fez bandas desenhadas para a revista "Fungagá da Bicharada".
Convidado Especial: João Maio Pinto, um novo da BD, com bandas desenhadas publicadas no fanzine "Mesinha de Cabeceira" (com o subtítulo "Crica ilustrada") e no "Blitz". Neste semanário está actualmente a fazer parceria com o argumentista Esgar Acelerado, realizando em todos os números uma prancha, a cores, para a série "Superfuzz".

A Tertúlia BD de Lisboa reúne um numeroso grupo, uma média mensal de quarenta e tal irredutíveis bedéfilos, que resistem ainda e sempre ao invasor... e às suas constantes ameaças de fechar para obras o Parque Mayer, onde a Tertúlia se realiza.

Se houver algum bedéfilo interessado em participar na Tertúlia, pode telefonar para o organizador, que por acaso é este mesmo bloguista, para o telemóvel 919137027.

Banda Desenhada portuguesa em jornais - Mundo Universitário, um quinzenário gratuito com BD


Com óptima apresentação, num formato tablóide, propício a um bom trabalho gráfico, com todas as páginas profusamente ilustradas e coloridas, este quinzenário de distribuição gratuita atingiu agora o nº 22, datado de 26 de Setembro.

Após um interregno para as férias grandes - até mesmo um jornal, se é universitário, tem direito a férias :) - reapareceu e, como habitualmente, já terá sido distribuido por todas as universidades, de Norte a Sul do país.

Numa das 16 páginas tem algo que justificará o interesse de todos os leitores, mas em especial daqueles que se assumem como bedéfilos. Estamos a falar de uma página (coordenada por este mesmo bloguista/escriba) onde se pode ver/ler uma banda desenhada a cores, num episódio autoconclusivo.



"Há alguém lá em cima que gosta de mim", é o título, bem sugestivo, desta bd da autoria (argumento e desenho) de José Lopes, um jovem de origem africana - nasceu em Nampula, em 1977 - a viver em Portugal desde os quatro anos, tendo adoptado a nacionalidade portuguesa.

Realizado com um grafismo moderno, o episódio tem por base as acções de pessoas envolvidas nos acontecimentos dramáticos de 11 de Setembro de 2001. José Lopes parece, ele próprio, ter vivido, psicologicamente, a situação angustiante.

Esta página existe há meses, e todas as quinzenas tem sido dado espaço a um autor diferente. Anteriormente foram publicadas bandas desenhadas com as seguintes autorias:

Álvaro, Pedro Alves, J. Mascarenhas, Zé Manel, Mota, Ricardo Cabral, Alexandre Algarvio, Carlos Marques, Jorge Coelho, Pepedelrey, Kalika e Carlos Rocha.

E porque o desfile de novos autores da BD portuguesa - e, eventualmente, até por algum consagrado - vai continuar a acontecer numa das páginas do Mundo Universitário, sugere-se aos estudantes, professores, e não só, que procurem na Universidade mais próxima um expositor de cor azul. Está lá disponível e gratuito o Mundo Universitário, sempre com uma bd de tema e estilo gráfico diferente, consoante o autor que realiza a banda desenhada.

Livros sobre BD - Os meus livros (I) - Roteiro Breve da BD em Portugal, por Carlos Pessoa


Os meus livros sobre BD (I)

Inicio aqui uma rubrica onde, a pouco e pouco - alternando com diversos outros assuntos - irei falando da vasta bibliografia que possuo, dando prioridade àqueles mais recentes que vou adquirindo (ou que me vão sendo oferecidos, como é o caso do referenciado neste "post").

Para começar, tem total cabimento registar o aparecimento nos escaparates dos CTT Correios de Portugal do livro Roteiro Breve da Banda Desenhada em Portugal. Portanto, em primeiro lugar nesta rubrica, aparece a mais recente peça da minha vasta colecção.

O "Roteiro..." é obra assinada pelo jornalista Carlos Pessoa, nome conhecido dos leitores do jornal "Público", em geral, e dos bedéfilos em particular, visto que a maioria dos artigos que aparecem sobre BD naquele diário têm a sua asinatura.

O livro, de muito boa apresentação e invulgar formato - quadrado, 24,5x24,5 cm -, apresenta-se com capa cartonada de cor amarela, ilustrada com a ampliação de imagem parcial da personagem Manecas, criação de Stuart Carvalhais.

Numa análise necessariamente breve, ocorre relevar a interessante paginação, a profusa e bem seleccionada ilustração dos temas. Cujo iniciante é, como não poderia deixar de ser, a homenagem ao acto fundador de Raphael Bordallo Pinheiro, arquitecto do primeiro importante edifício da BD portuguesa, ao realizar a obra editada em álbum em 1872 (o primeiro português, só ultrapassado, em precocidade, a nível mundial, pelos álbuns editados pelo professor e pintor suiço Rodolphe Töpffer), sob o histórico título Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa.

Em vertiginosa viagem visual pelo universo da nossa figuração narrativa, Pessoa lança olhares rápidos, mas sempre com textos claros e imagens representativas, sobre as carismáticas revistas e suplementos jornalísticos, desde o início até ao fim do século passado, citando e mostrando imagens de ABC-Zinho, Pim-Pam-Pum (suplemento do jornal O Século), Tic-Tac, O Senhor Doutor, Joaninha (suplemento da revista Modas e Bordados), O Papagaio (cujos derradeiros números foram publicados como suplemento da revista Flama), Diabrete, O Mosquito, Cavaleiro Andante, O Falcão, O Mundo de Aventuras, Titã, Camarada, Lusitas", "Fagulha", "Foguetão", "Zorro", "Jornal do Cuto", "Jacto", "Flecha 2000", "Jacaré", "Spirou", "Nau Catrineta" (suplemento do jornal Diário de Notícias), Quadradinhos (suplemento do jornal A Capital), Tintin, Visão, Lobo Mau, O Mosquito (5ª série), O Fungagá da Bicharada, Selecções BD. Nesta última fase, acho que também merecia aparecer o Jornal da BD (mas sou suspeito, porque coordenei nele o Suplemento BD).

Como se impunha, e seria imperdoável não o fazer, Carlos Pessoa alude aos anos 80, que considera "a travessia do deserto". Por lá passou o camelo que escreve estas linhas, coordenando no jornal Diário Popular o suplemento Tablóide (gostei de ver a reprodução de uma das suas páginas neste livro) com grafismo do título de Jorge Colombo, e a piada de ter sido lá que "nasceu" a personagem Jim del Monaco, criada pela dupla Louro & Simões.

Também os fanzines ocupam merecido espaço, desde o Argon (de 1972) passando por Aleph, Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, O Estripador, Nemo, Banda, Nemo, Dossier Top Secret e Graphic, todos estes com direito a reprodução da capa, havendo uns tantos distinguidos com breves referências escritas, designadamente Estripador, O Ovo, Vinheta, Hic, O Estirador, Ruptura, Códradinhos, Ritmo, Protótipo, Eros (este é meu, obrigado pelo destaque), Facada Mortal (o primeiro fanzine editado por uma faneditora, Alice Geirinhas), BD & Roll, Hips e, como diz o autor, com carradas de razão, muitos outros. Por exemplo, o Shock (iniciado por Luiz Beira, continuado por Estrompa), um dos que merecia ter sido lembrado.

Tal como também o autor do livro diz, consciente das limitações da obra, essencialmente divulgatória,
"(...) ficam imediatamente à vista os limites deste livro, que não aspira a mais do que ser uma modesta obra de divulgação de alguns dos marcos deste meio de expressão (...)".

Mas, indubitavelmente, considerando como público alvo a grande maioria que desconhece os vectores fundamentais da História da Figuração Narrativa (popularmente designada, nos anos quarenta e cinquenta, mais precisamente até meados dos anos sessenta, por Histórias aos Quadradinhos), este bloguista, sempre aqui de plantão, considera que o jornalista Carlos Pessoa - doublé de especialista daquilo que modernamente se classifica, incluindo verbetes de dicionários, de Banda Desenhada - passou a ser uma personagem de referência na bibliografia especializada na matéria em causa, com mais este livro.

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (VII) "Cincinato", suplemento jornalístico sobre BD


Começou por ser um fanzine, editado em Viseu pelo então faneditor João Magalhães. Passou mais tarde a integrar, como suplemento, a revista "BI – Banca de Ideias", passou depois, em idêntica forma, para o jornal "Via Rápida".

Actualmente, mantendo-se como suplemento jornalístico, integra o jornal "Notícias de Viseu". Este jornal engloba ainda, semanalmente, o jornal "Diário da Guarda", sendo assim distribuído nas cidades de Viseu e Guarda, com uma tiragem de 14.000 exemplares.
Isto significa que o "Cincinato" com quatro páginas de notícias, críticas e imagens bedéfilas, representa uma forma de divulgação invulgar e abrangente da Banda Desenhada.

Neste 29º número, o "Cincinato" dá grande destaque, na primeira página, a três motivos:
1) Ao BDjornal, reproduzindo-lhe a capa;
2) À obra “Humberto Delgado O General Sem Medo” transposta para a BD pelo incansável e prolífico banda-desenhista José Ruy;
3) E ainda sobrou espaço para uma elogiosa referência ao fanzine “Jazzbanda”, do faneditor que é também o bloguista aqui de plantão.

Vários outros assuntos aparecem inseridos nas restantes três páginas:

Recensões críticas aos mais recentes lançamentos das Edições ASA, onde se inclui uma obra excepcional que se chama “Os Olhos de Chumbo”, de Breccia (desenho) e Oesterheld (argumento).

Comentário acerca da exposição do 5º Aniversário do CNBDI – Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (Amadora).

Síntese do regulamento do concurso de BD & “Cartoon” lançado pelo Moura BD 2005 – 15º Salão de Banda Desenhada.

Um bom trabalho de divulgação, levado a cabo eficiente e persistentemente por João Magalhães.

Festivais, Salões BD e afins - 2ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada

Em São Pedro de Sintra a BD tem tido visibilidade mensal, no primeiro Domingo de cada mês.
Esta ideia é invulgar, e o bloguista do "Divulgando BD" também tem a ver com o assunto. Aliás, já aqui se falou dos dois eventos anteriores, o primeiro dedicado aos fanzines BD, e o segundo totalmente preenchido com imagens de BD, de autores clássicos e novos valores, ambos realizados com as colaborações, alternadas, da Tertúlia Lisboa dos Fanzines, o Grupo Extractus e a Tertúlia BD de Lisboa, sempre em conjunção com a Feira Ecológica de Sintra.

Será já no próximo dia 2 de Outubro que se realizará a que será a 2ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada, entre as 10h00 e as 19h00, no espaço muito bonito e invulgar do Cine-Teatro "Os Aliados", em São Pedro de Sintra.

Esta efémera Mostra – dura apenas um dia! – será totalmente composta pela exposição de 30 pranchas pertencentes a uma banda desenhada da autoria (argumento e desenho) de José Ruy, cujo título, "A Ilha do Futuro", dá de imediato a ideia de tratar de um tema de Ficção Científica.
É o estado dos Oceanos, no futuro, o problema subjacente à trama da obra.
A exposição apelará visualmente para o problema, e talvez suscite a curiosidade de ler/ver aquela bd no seu suporte verdadeiro, o álbum. De qualquer forma, a mostra servirá, no mínimo, para chamar a atenção dos visitantes da feira para o facto de a BD ser uma arte que permite debater problemas sérios, e não serve apenas para entretenimento, como ainda há quem erroneamente assim pense.
O cartaz da 2ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada é da autoria do próprio José Ruy.

quarta-feira, setembro 28, 2005

2000 VISITAS! O BLOGUE VOLTA A ESTAR EM FESTA!


Pela segunda vez o blogue "Divulgando BD" faz uma pequena festa, para a qual são convidados todos os bedéfilos que o têm visitado, e a que, desde já, este bloguista/escriba agradece, muito sensibilizado.

Para a festa comemorativa das 2000 visitas ao blogue correr bem, nada melhor do que servir um bom vinho tinto, marca "Bloguetuga", colheita de 2005. Brindemos, pois:

Viva a tribo dos bedéfilos lusitanos!
Viva a tribo dos bloguistas!
Viva a blogosfera!

quinta-feira, setembro 22, 2005

Festivais, Salões BD e afins (III) - Viseu - XIV Salão de Banda Desenhada

Cartaz da autoria de Augusto Trigo

Apesar de algumas intermitências no já longo percurso, este evento viseense conseguiu criar raízes na cidade, mas também afectivas nalguns responsáveis do GICAV–Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu.

Assim, ultrapassando as razões pontuais que têm provocado hiatos na sequência cronológica, esse reduzido grupo de entusiastas aparece uma vez mais à cabeça da tarefa organizativa do "Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu", ou "Viseu-BD/05.

Esta 14ª edição será inaugurada na Biblioteca Municipal. no dia 1 de Outubro, às 15 horas, e decorrerá até ao dia 15.

Seguindo as pisadas dos congéneres internacionais na planificação, os organizadores decidiram criar três núcleos, cada um deles em local diferente.

O primeiro ficará situado na Biblioteca Municipal da cidade. Dele constarão duas exposições:

a) "Tex – cowboy e pistoleiro – coleccionar a BD", dedicada àquele herói de papel, emblemático na BD italiana de aventuras, onde se poderá apreciar um panorama impressionante, tanto de edições raras como de peças de "merchandising", que fazem parte duma colecção, provavelmente única no mundo, pertencente ao coleccionador José Carlos Francisco, de Anadia.
b) "Mara", um conjunto de pranchas originais da autoria de Mara Mendes, uma das raras banda-desenhistas portuguesas actuais.

O 2º núcleo situar-se-á no Solar do Vinho do Dão, no Fontelo. Compõe-se de:

a) Obras do Homenageado Estrangeiro, o espanhol Juan Espallardo,
e do Homenageado Português, Augusto Trigo.

b) "Os Mistérios da Serra da Estrela", mostra baseada em dez álbuns de autores portugueses que têm por temática a História daquela região, bem como lendas, tradições e personagens serranas.

c) "Inês de Castro – O mito e a História", pranchas da autoria de um autor de prestígio, Eugénio Silva.

d) "O vinho e a vinha na BD". Imagens recolhidas na BD nacional e estrangeira.


O 3º núcleo será no IPJ – Instituto Português da Juventude, Delegação de Viseu, e terá as seguintes exposições:

a) "Retratos da BD", conjunto de telas que retratam heróis e estilos da Banda Desenhada;

b) "Álbuns em destaque", conjunto de obras sobre os direitos humanos. "Auschwitz", de Pascal Croci; "Maus", de Art Spiegelman; Crianças, de Stassen; e "Sarajevo", de Hermann, são as seleccionadas, e que atrairão aquele público mais sensível aos problemas sociais.

c) "Histórias da Vida Real", síntese composta por histórias publicadas na nossa imprensa;

d) "Will Eisner, homenagem póstuma". O GICAV decidiu homenagear o falecido mestre, consagrado autor de novelas gráficas exemplares.

e) "Tertúlia BDzine", um fanzine editado em Lisboa, premiado no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora em 2003 e 2004, graças à inclusão de obras de alguns autores/artistas de grande originalidade. A exposição constará das pranchas de várias histórias completas.

f) Exposição das obras participantes ao concurso de bd do GICAV 2005.

Haverá ainda outros motivos de interesse incluídos no evento. É o caso da realização de uma Tertúlia BD, no próprio dia da inauguração, na Livraria da Praça. E no Solar do Dão estará montada uma Feira do livro de banda desenhada.

Uma série de razões para os bedéfilos de todo o país fazerem uma visita a Viseu. A cidade e o Salão BD justificam a viagem.

Nota: Texto em colaboração com o jornal Mundo Universitário

Hungria, Budapeste - BD em imagens

Pode parecer estranho o título deste "poste", mas tem uma razão de ser. Qual?

A de chamar a atenção para o "poste" que inseri aquando da minha estada em Budapeste, mais propriamente no sábado, 17 de Setembro, em que falava da BD que por lá tinha encontrado, mas sem acompanhamento de qualquer imagem.

Só agora, em Lisboa, com a ajuda do meu amigo Gastão Travado, é que o texto ficou minimamente ilustrado.

Por conseguinte, os bloguistas bedéfilos que tenham lido o "poste" daquele dia, e tenham estranhado a falta de complemento visual, façam o favor de voltar lá. Agora sim, poderão complementar a leitura com o visionamento das respectivas imagens.

sábado, setembro 17, 2005

Hungria - Banda Desenhada húngara (e não só) vista em Budapeste (I)

Estou a passar uma semana em Budapeste e, claro, nao poderia deixar de dar, embora sucintamente, uma ideia do que se pode encontrar de banda desenhada aqui pela Hungria.

Nota: Este texto foi escrito num teclado húngaro, que nao possui os acentos til e circunflexo, nem o c cedilhado

De origem húngara, encontrei:
1) uma revista em formato A5 intitulada "Kis Malac" com várias bd's pornográficas a cores;

2) outra, de formato tipo 'comic-book', a "Mozaik", com apenas uma extensa bd em 36 páginas a cores, inconclusiva apesar da extensao, bem desenhada no registo infantil.
Ambas as revistas, aparentemente, sao totalmente feitas por autóctones. Ainda outra, com histórias da "Mad" e várias de autores húngaros, numa curiosa edicao mista, mas que mostra na capa o Alfred E. Newman na pele de um tal "Betmen", a parodiar o original.

3) Da editora Mozaic (nome igual ao da revista), foi editado um álbum da série "Detektiv Palantak", com desenho (rajzol) de Thorsten Kiecker, e argumento (szoveg) de Hubertus Rufeldt.


4) Da mesma equipa, Kiecker e Rufeldt, há uma versao cómica de Robin Hood, sob o titulo "Robin", editada em álbum cartonado.


5) "Macbeth", uma "Képrégeny" (Banda Desenhada em húngaro) desenhada por Germán Fatime - num álbum brochado de 34 páginas, a cores. O estilo de Germán Fatime mostra-se algo tosco, mas surpreende pela expressividade das personagens.

6) "Szigetvar Ostromi", de Sarlos Endre, que escreveu o argumento, e fez o desenho. Trata-se de novela gráfica de grande extensao,(79 pranchas) num estilo irregular mas atingindo grande dinamica em algumas das imagens.

7) Em desenho muito simples mas desenvolto, Koresmáros Pál assina duas obras:
"Egri Csillagok" - capa a cores, miolo a preto e branco;

"Beszterce Ostroma", capa a cores e conteúdo numa ligeira tonalidade esverdeada.
Ambas de evidente fundo histórico, tema que, tal como acontece em Portugal, continua a ser inesgotável fonte de inspiracao.

Em traducao - desculpem esta grafia, mas já contei no início a estranha história do teclado húngaro -, vi:
"Batman, Ano Um", no tradicional formato de "comic book".
Há também traducoes da Disney:

"Donald Kacsa"

"W.I.T.C.H.", esta a mostrar a implantacao das cinco amigas de poderes excepcionais como grande sucesso internacional.


Mas também:

"Tarzan"
"XIII"
"Sin City"
"Charlie Brown" e "Snoopy", em volumes separados.
"Adam Teremtese", do frances Jean Effel, e a correspondente "Eva Teremtese".

Em versoes originais, adquiri:
a) de origem americana, a "Mad", bem fresca, com carimbo do corrente mes, com as séries habituais;

b) de origem francesa, a "Pif Gadget", nova série da já bem antiga revista, que tem para nós, bedéfilos portugueses veteranos, um interesse especial: Eduardo Teixeira Coelho colaborou nela durante anos, e nela voltara a colaborar recentemente.

A "Pif Gadget" chega aqui com atraso, mas chega, o que nao acontece em Portugal. Primeiro, vi o número 11, datado de Junho. Por pouco falhei a sorte de encontrar o nr. 1o, referente a Maio, onde foi publicada a derradeira banda desenhada de E.T.Coelho, falecido no último dia desse mes.

Na mesma livraria "Press", comprei o nr. 12, que trazia a seguinte nota, dirigida aos presumiveis jovens leitores, que passo a traduzir:

"Homenagem a Eduardo Coelho
Há alguns meses Eduardo Coelho tinha-te oferecido a sua última história, a de um lobo ferido sobrevivendo no Grande Norte canadiano.
Este extraordinário desenhador realista, nascido em 1919 em Portugal, faleceu no fim de Maio em Itália. Ele regalou os teus pais dando vida, na "Pif Gadget", a Robin des Bois, Le Furet, Ragnar le Viking, Erik le Rouge, Ayak...
Tu terás sem dúvida ocasiao de descobrir no teu magazine ou nos seus suplementos algumas das suas mais belas bandas desenhadas."

Ora isto quer dizer, obviamente, que a "Pif Gadget" se prepara para reeditar alguns episódios de séries desenhadas pelo nosso compatriota. Uma boa novidade, obtida por acaso aqui na Hungria.

Edicoes em idiomas estrangeiros:
Mangás em edicoes inglesas, em álbuns de boa apresentacao, de vários autores, nomeadamente de Gosho Aoyame, Takahashi Miyuki, Tajima.

Ainda em edicao inglesa, "Asterix", em álbuns similares aos editados em Portugal;

Em alemao, edicoes no formato tradicional, de "Micky Maus".

sexta-feira, setembro 16, 2005

Jovens Criadores fazem BD

Recebi uma sms da Andreia Rechena a perguntar-me se eu tencionava ir a Amarante ver a expo dos Jovens Criadores 2oo5. Gostaria de ir, recebi convite do CPAI mas por acaso estou em Budapeste.

A Rechena nao me disse, foi modesta, mas entretanto soube, via Net, que ela estará representada na BD, juntamente com Cátia Salgueiro, Daniela Reis, Rosa Baptista (3 mulheres 3) e Pedro Burin.

Desconheco o que tem de especial... Bom, antes de mais desculpe o eventual leitor deste "poste", mas o teclado do computador que estou a usar aqui na Hungria nao tem o c com cedilha, nem os sinais ortográficos til e acento circunflexo...

Como dizia, desconheco...
Dizendo doutra maneira afim de evitar o c sem cedilha: nao sei o que tem de especial hoje em dia o Clube Portugues Artes e Ideias para captar mais participacoes de desenhadoras-autoras de BD do que tinha há alguns anos, quando eu fiz parte do júri nos primeiros concursos. Ainda bem que assim está a acontecer, sinal de que as potenciais banda-desenhistas sao actualmente em maior quantidade, e estao mais desinibidas.

Esperemos que o CPAI repita na capital as exposicoes de BD, Ciber Arte, Ilustracao, Literatura, e também as outras. Lisboa merece.

sexta-feira, setembro 09, 2005

CNBDI - 5 anos em exposição

Isto das siglas às vezes tem o seu lado perverso. Só quem conhece bem o Festival de Banda Desenhada da Amadora, e entre eles têm obrigação de estar os bedéfilos lisboetas e amadorenses, sabe que CNBDI significa Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, porque é uma sigla repetida com frequência em várias componentes do dito festival.

Pois é esse equipamento cultural da Câmara Municipal da Amadora, já com bem visível actividade no âmbito da BD, que se apresta para comemorar o seu 5º Aniversário, inaugurando os festejos no dia 14 deste mês de Setembro, às 19h00, exactamente no local onde funciona o CNBDI (Amadora, Av. do Brasil, 52A), que possui uma área exposicional de boas dimensões.

Será nesse espaço que irão estar visitáveis várias exposições, divididas em dois núcleos.
Num deles estará o acervo composto por pranchas originais adquiridas pelo CNBDI, outras doadas, da autoria de diversos autores.

Entre os portugueses, há obras de Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês, José Ruy, Augusto Trigo, Artur Correia, José Carlos Fernandes, Miguel Rocha, João Fazenda.

No núcleo dos autores estrangeiros estarão patentes pranchas de autores que trabalharam argumentos de Alan Moore, bem como imagens realizadas por Lourenço Mutarelli, Luke Ross, Rick Veitch, Seth Fisher, e outros.

No outro núcleo haverá um panorama relativo às exposições que se foram realizando ao longo dos cinco anos que agora se comemoram.

Ao todo, no conjunto dos dois núcleos, os bedéfilos terão possibilidade de visionar uma suculenta retrospectiva composta por cerca de 50 originais, nos estilos mais diversificados.

A "rentrée" bedéfila apresenta-se prometedora.

Para quem ainda não conhece o espaço do CNBDI, que também funciona como Bedeteca e Fanzineteca, é um bom momento para ir até lá.

sábado, setembro 03, 2005

Tertúlia BD de Lisboa

No próximo dia 6 deste mês de Setembro, primeira 3ª feira, realiza-se o 249º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.
Como artista alvo da homenagem estará presente Maria Keil, autora de grande prestígio na Ilustração - actualmente considerada a decana da especialidade -, mas que também teve breve incursão na Banda Desenhada, consubstanciada em dois álbuns editados sob os títulos Os Presentes e As Três Maçãs.
É mais um momento alto desta tertúlia, por onde já passaram os nomes mais importantes da Banda Desenhada Portuguesa:
António Barata, Fernando Bento, Vítor Péon, José Garcês, José Ruy, Eugénio Silva, Fernando Relvas, José Pires, José Manuel Soares, Baptista Mendes, Bixa, Manuela Torres, Júlio Gil, Marcelo de Morais, Pedro Massano, Victor Mesquita, Duarte, Isabel Lobinho, Zé Paulo, Carlos Barradas, José Morim, entre outros - e igualmente vários artistas de nível superlativo noutras áreas, mas com obra na BD, designadamente Júlio Resende (consagrado pintor), Rui Mendes (sim, o actor), José Viana (também actor) e outros.
Convidado Especial é uma categoria criada para gente mais nova, tendo o momento que decorre na tertúlia, e o diploma que lhes é oferecido, a função de incentivo. Por lá passaram, em fase inicial das carreiras, vários autores que entretanto ganharam prestígio na BD:
Nuno Saraiva, Diniz Conefrey, Luís Louro, Pedro Morais, Filipe Abranches, Miguel Rocha, João Fazenda, Rui "Lacas", Pedro Cavalheiro, Pedro Brito, Pedro Burgos, Pedro Leitão, Pedro Nora, Pedro Zamith, Isabel Carvalho, Esgar Acelerado, António José Lopes, Mota, Pedro Nogueira, Horácio, Pepedelrey, e outros.
Nessa categoria de Convidado Especial irá estar agora "Manel" Cruz, conhecido vocalista dos ex-Ornatos Violeta, e da actual banda "Os Pluto". Mas, claro, vai estar na Tertúlia BD de Lisboa na qualidade de ilustrador (retratou, para o jornal "Público", os implicados no caso do bar "Meia Culpa", dentro do tribunal, enquanto decorria o respectivo julgamento), e de autor de BD no fanzine Édito, e nas revistas "365" e "Op".
Ambos os autores, mantendo a tradição, vão oferecer, cada um deles, um desenho original, para ser sorteado entre os bedéfilos presentes.
Maria Keil, apesar da respeitável idade (91 anos), fez um desenho propositadamente para esse efeito. A sério.
Nota: Algum bedéfilo desconhecido, muito interessado em participar neste momento excepcional e irrepetível que vai acontecer na Tertúlia BD de Lisboa, pode enviar uma SMS para o 919137027, até Domingo às 22h00.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Fanzines, esses desconhecidos (IV) Tertúlia BDzine - Os temas propostos aos autores

O (fanzine) Tertúlia BDzine é um magazine muito simples, de apenas quatro páginas em formato A4, distribuído gratuitamente aos participantes na Tertúlia BD de Lisboa.

Inicialmente muito irregular, passou a ser quase mensal nestes anos mais recentes. 

Os temas que tem abrangido são bastante diversificados:
1 - 3001 Odisseia no Futuro
2 - Super-Heróis no Ano 3000
3 - Super-Heroínas no Ano 3000
4 - Super-Vilões no Ano 3000
5 - Super-Vilãs no Ano 3000
6 - Espada e Feitiçaria
7 - Homem versus Robô
8 -Coisas que você queria saber sobre sexo na vida dos super-heróis (e nunca lhe tinham mostrado)
9 - Eu não creio em bruxas mas que as há, há... na BD
10-As Guerras do Nosso Descontentamento
11-Humor e/ou Sátira Social
12-Cenário: Lisboa
13-É Natal, ninguém leva a mal :-)
14-"Pastiches" à Portuguesa
15. Sonhos & Pesadelos
16. Poesia em banda desenhada
17. Admirável Mundo Novo?

A abrangência dos temas (imaginados por este mesmo bloguista que daqui vos fala), e a qualidade dos autores/artistas colaboradores, entre consagrados e novos, tem tido bons resultados, quer no acolhimento obtido junto dos "tertulianos" leitores (vários estão a coleccioná-lo), mas também em termos de distinções obtidas exteriormente.

Efectivamente, o TertúliaBDzine foi premiado com o título de "Melhor Fanzine", nos anos 2003 e 2004, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Festivais,salões BD e afins - 1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada


Foi bem sucedida a experiência, realizada no primeiro domingo de Agosto, dedicada aos fanzines de banda desenhada, através de exposição e feira. 
Teve apreciável número de visitantes, que demonstraram bastante curiosidade em relação àquele tipo de magazines ilustrados. Daí que se insista na iniciativa, mudando o esquema mas mantendo a BD como "leit-motiv".
Portanto, desta vez vai realizar-se a 1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada.

-------------------------------------------------------------

Para uma Mostra de Banda Desenhada não há dimensões obrigatórias, depende do contexto em que se insere.
No respeitante a esta "1ª Mostra de Sintra de Banda Desenhada", que engloba extractos de obras de autores consagrados e novos, em face dos limites de espaço - uma simples sala do Cine-Teatro "O s Aliados" - e de tempo, apenas um dia -, seria mais apropriado baptizá-la de "Um Breve Olhar sobre a BD Portuguesa".

Com efeito, o que se patenteia aos visitantes insere-se nesse conceito, e é o seguinte:

1. Imagens digitalizadas, a cores, de pranchas de seis autores portugueses consagrados:
Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, José Garcês, José Ruy, Vítor Péon e Eugénio Silva.

2. Pranchas originais de três novos valores:
Álvaro, J. Mascarenhas e Gastão Travado.

Se os organizadores conseguirem mostrar, mensalmente, sínteses visuais semelhantes, isso fará com que os visitantes mais persistentes acabem por visionar um panorama razoavelmente representativo da Banda Desenhada em Portugal.


Esta Mostra insere-se na Feira Ecológica de Sintra. Ambos os eventos decorrem no Domingo, dia 4 de Setembro, entre as 10h00 e as 19h00.

A organização é da responsabilidade do trio:
Feira Ecológica de Sintra
Tertúlia BD de Lisboa
Grupo Extractus

Autor do cartaz da Mostra: Gastão Travado

Local: Cine-Teatro "Os Aliados" - São Pedro de Sintra

1000 VISITAS! HÁ FESTA NO BLOGUE!

Neste momento de festejos, antes de mais, muito obrigado aos visitantes, e um agradecimento muito especial aos que, de alguma forma, participaram no blogue:

Ao Fernando Relvas, que foi quem “decidiu”, lá na Croácia onde se encontra, que eu tinha de ter um blogue, e ele próprio o criou; (*)

Ao Pedro Lino, meu filho, que decidiu alterar a cor rósea com que o blogue tinha sido colorido pela mulher do Relvas, a Nina Govedarica, dando-lhe uma cor mais discreta, e de que eu também gosto mais; e também por ter criado, no dia 22 de Julho, um contador de visitas.

À Guida, empregada do Cybercafé da Avenida do Brasil, que me tem ajudado em pequenas dificuldades;

Ao Gastão Travado, que nestes últimos posts tem tomado a seu cargo a inclusão de imagens.

(*) Para seu castigo, o Relvas recebe na Croácia, sem eu nada fazer para tal, todos os posts do blogue (ainda por cima truncados, com caracteres e sinais ortográficos esquisitos pelo meio). Presumo, talvez erroneamente, que isso estará a acontecer pelo facto de o blogue ter sido criado por ele num computador croata -:)