quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet (VII) - "Univos"?


"Univos", não; Uni-vos, sim.

Com a devida vénia ao autor e ao jornal Público, de cujo suplemento "O Inimigo Público" nº 126, de 17 de Fevereiro, se reproduz o cartune visível acima.

Que, antes de mais, fique claro: tenho grande consideração ao nível artístico (bem como pessoal) pelo banda-desenhista e cartunista Nuno Saraiva.

Isto não impede que chame a atenção para o erro constante da frase "Ricos e Pensionistas Univos!".

Pode parecer apenas gralha, mas eu conheço o rapaz Saraiva há muitos anos, e sei como ele esgota a concentração no desenho, e se balda por vezes no texto.

Se eu fizesse pontaria para toda a legendagem de "Filosofia de Ponta", obra bem escrita, literariamente falando, pelo saudoso Júlio Pinto...
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"Post" remissivo
 
Deste mesmo tema há 6 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:


2005 - Out. 27 - "vê-mo-nos"; Nov.12 - "pareçe"; "esqueçendo"; Nov. 28 - "gingeira";
Dez.11 - "Benvindos"; 2006, Jan.7 - "Inflacção"; Jan. 16 - "Uma" fanzine;

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Fanzines, esses desconhecidos (IX) -Tertúlia Lisboa dos Fanzines - Encontro de 21 Fevereiro

Fanzines, esses F(8 Capa do livro The World of Fanzines, de Fredric Wertham

Amanhã, terceira 3ª feira do mês, é dia de encontro de fanzinistas - editores de fanzines, antigos ou actuais, e autores/colaboradores deste tipo de magazines.

Como tema de conversa levarei o livro The World of Fanzines: A Special Form of Communication - uma raridade, que tive a sorte de conseguir comprar à "Amazon" (sob as instruções técnicas do amigo J.J.Monsanto, que me ajudou a preencher os requisitos exigidos), em Março de 1999, pelo preço-pechincha de US$35.99, mais 5.95 de transporte de Seattle para Lisboa. Um momento inesquecível quando recebi o livro!

Acerca do livro e do seu famoso autor, Fredric Wertham - com triste fama no mundo da Banda Desenhada -, direi mais alguma coisa no meu outro blogue fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com

sábado, fevereiro 18, 2006

Revistas com Banda Desenhada (I) - Periférica

Os três primeiros passos, de um total de dez, para escrever um romance à maneira de António Lobo Antunes

Não há, neste momento, aquilo a que se possa chamar com propriedade, uma revista de banda desenhada - com periodicidade, distribuição a nível nacional, colaboradores remunerados, trabalhos gráficos sem ar de improvisos desgarrados -, pese embora a existência de algumas publicações que se autoproclamam dentro desse âmbito.

Mas há várias revistas que, não sendo da especialidade, inserem alguma BD entremeada com textos ficcionais e outros, de índole diferente.

É o que acontece na revista Periférica - Ano IV - Nº 14 - Inverno de 2006, na rubrica "Manual de Instruções para Crimes Banais", nas páginas 48 e 49, onde aparece o tema "Escreva o seu próprio romance Lobo Antunes em apenas dez passos", sendo de Hugo Pena o desenho, e de Jorge Pedro Ferreira o argumento.

A forma como foi planificada a apresentação da peça, com vinhetas sobre textos didascálicos, seguindo as imagens uma sequência visível - mesmo que algo espaçada -, permite classificá-la como banda desenhada ao limite.

Dela se reproduzem, remontadas, três vinhetas de um total de dez. Apenas um acepipe para quem quiser ver a peça inteira...
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À laia de posfácio...

Na pequena aldeia de Vilarelho, Concelho de Vila Pouca de Aguiar, na parte Sul da Serra de Padrela, planalto de Jales, escondida neste Portugalito, editou-se uma revista denominada "Periférica". E, considerando que os focos culturais mais intensos do dito cujo pequenino país, são Lisboa e Porto, o local donde ela emergiu pertence à periferia da cultura, teoricamente falando.

Contrariando tal hipótese, ali nasceu a Periférica, que teve quatro anos de vida, período de tempo que tanto se pode considerar longo, como curto - tem tudo a ver com o habitual período de vida das revistas culturais. Até mesmo entre as que se editam nas urbes mais importantes do país, poucas são as que sobrevivem muito tempo (e se sobrevivem, é porque estão amparadas a entidades sólidas, tipo "Vértice" e Editorial Caminho).

Assisti, em Lisboa, em pleno Bairro Alto, na saudosa livraria "Ler Devagar", à apresentação da revista. Não me recordo do nome das pessoas que lá estiveram a falar acerca da novel publicação, dos seus propósitos e esperanças.

Claro que não perdi a ocasião de lhes perguntar se a banda desenhada também seria contemplada nas páginas da Periférica. Responderam que sim, embora com parcimónia. E assim aconteceu.

Neste derradeiro número publicado, além das tiras que reproduzi (parcialmente) aqui no blogue, na entrada que fiz ontem, e da bd que mencionei, feita em oito pranchas por Pascal Thivillon, houve ainda espaço para uma bd em duas pranchas (num total de dez vinhetas), dedicadas, em tom satírico, ao processo literário de António Lobo Antunes, de que reproduzo um curtíssimo excerto de três imagens.

Para se perceber que não se trata de uma especial animosidade contra aquele escritor, antes uma caricatura abrangente, anunciava-se - para um próximo número que já não será publicado - "receita para a escrita do seu romance Saramago em apenas nove passos".

Quanto eu gostaria de ver mais essa lição do bem imaginado "Manual de Instruções para Crimes Banais".

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Blogues aos quadradinhos


Com a devida vénia a quem de direito, reproduzem-se neste "post" excertos de duas tiras (verticais), não assinadas, mas cujo estilo é exactamente o mesmo da bd "Lado a Lado" (oito pranchas a preto e branco), onde é indicado Pascal Thivillon como autor.

As duas tiras (que, completas, são compostas por quatro vinhetas cada), tal como a bd "lado a Lado", são reproduzidas na revista "Periférica" (www.periferica.org) nº 14 - Inverno de 2006, sua derradeira aparição.

"E pronto". A frase é explícita, e completa a excelente composição da capa do derradeiro número da revista Periférica, dando exactamente esse ar de algo que acaba nesse preciso momento. Ou que, por agora, nada mais há a fazer.

"Periférica", por insólito que pareça, foi propriedade do Grupo Desportivo e Cultural de Vilarelho, caso único em Portugal de uma revista de muito bom nível, tanto gráfico como de conteúdo, editada numa quase improvável localidade, praticamente posta no mapa pessoal de cada um dos seus leitores pela existência da periférica publicação.

Tendo em atenção as suas intenções literárias, culturais e artísticas, sem nada a ver com a Banda Desenhada, pode dizer-se que esta teve nas suas páginas um espaço, embora exíguo,inquestionavelmente digno.

Aliás, a "Periférica" ainda voltará a este blogue, exactamente devido a outra colaboração verbo/icónica (do verbo encarregou-se Jorge Pedro Ferreira, a componente icónica teve a autoria de Hugo Pena) que, não sendo linearmente banda desenhada, dela está muito próxima.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Jornais com Banda Desenhada (IV) - Mundo Universitário - 13 Fev. - Autora: Andreia Rechena

Uma banda desenhada de estética próxima da corrente alternativa

Número 30, o mais recente do quinzenário gratuito "Mundo Universitário", inclui uma banda desenhada cujo tema, basicamente, é o amor. Ou não datasse esta edição do jornal de 13 de Fevereiro, véspera do "dia dos namorados".

Claro que no mundo imaginário da autora/artista Andreia Rechena (primeira mulher a colaborar nesta página do M.U. dedicada à BD) abundam as figuras misteriosas, e a personagem feminina da banda desenhada O Amor é cego, a obsessão um bocadinho vesga oscila entre um ser demoníaco - com a cabeça de serpente a sair-lhe das costas -, e o robô, isto por causa dos fios metálicos e respectivas fichas que se lhe ligam ao corpo. Qual das componentes será mais forte? Ou estaremos perante um misto de ambas as coisas? Só a criadora deste ser atraente mas misterioso poderá esclarecer o intrigante dualismo.

A única certeza que podemos ter é a de que o jovem, que tantos anos sonhou com aquela "rapariga", não faz ideia do que está iminente acontecer-lhe.
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Andreia Sofia Dionísio Rechena, cujo nome artístico ainda oscila entre A Rechena (assim mesmo, sem ponto a seguir à letra inicial) e aquele com que, desta vez, assinou a presente bd, nasceu em Monsanto, Idanha-a-Nova, em Maio de 1979.
Já participou em concursos:
Amadora, duas vezes, uma delas tendo obtido uma menção honrosa, e no organizado pelos Jovens Criadores, onde foi incluída na selecção final e na correspondente exposição.
Em exposições, teve pranchas na intitulada "Urbe Fiction", organizada em Almada, no local expositivo do "Ponto de Encontro", pertencente ao Centro Cultural; no CEM - Centro em Movimento, em duas mostras individuais, uma de BD, outra de Ilustração; numa outra organizada pelo CITEN, do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian; nas exposições terminais dos concursos do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, bem como da colectiva concernente ao Concurso dos Jovens Criadores, realizada em Amarante.
Tem bandas desenhadas reproduzidas nas seguintes publicações:
BD Jornal, fanzines Tertúlia BDzine e Cyber Extractus. Acrescente-se agora: uma bd no jornal Mundo Universitário. Tem igualmente bedês publicadas nos blogues "Zarzanga" e "Caixa de Fósforos".
Na área da Ilustração, colaborou nos fanzines Funzip e Windigo. Ilustrou também o Mapa de Actividades Infantis do CEM, fez uma colecção de postais para o Festival de Banda Desenhada de Pinhal Novo e, desde 2004, faz ilustrações para a "Agenda Lunar" editada na Lousã por Susana Martins.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Banda Desenhada estrangeira nos jornais (I) Calvin & Hobbes no Dia dos Namorados




ALGO DE ESTRANHO ACONTECEU AQUI. O "POST" ORIGINAL TINHA UM TEXTO ACERCA DE CALVIN & HOBBES, COM AS RESPECTIVAS IMAGENS,
HOJE, 2 SET.2013  PASSEI POR AQUI  E VI QUE ESSE "POST" TINHA SIDO SUBSTITUÍDO (POR QUEM? PORQUÊ? COMO? 



As Aventuras de Rock Rivers é o título da banda desenhada que vai começar a ser publicada, já no próximo sábado, dia 14 de Abril, no jornal Diário de Notícias
É uma iniciativa ligada ao festival "Rock in Rio", como se depreende pelo título.

O argumentista da bd é Carles Santamaria (jornalista, director do Salão Internacional de Banda Desenhada de Barcelona, desde 2005), e faz equipa com o desenhador Pere Pérez, ambos a desenvolverem uma trama em que, além do herói Rock Rivers, também entra um tal Hellvansinger ("cantor do diabo"?), o mau da fita, ou melhor, da bd, para fazer a vida negra ao nosso herói.
E o que tem bastante originalidade é o facto de os leitores do jornal serem convidados a participar no desenvolvimento da trama.
Pronto, lá terei de, no próximo sábado, comprar o DN em vez do Público...

Aqui fica a novidade, a iniciar nova rubrica neste blogue. Entretanto, quem quiser saber mais novidades, pode consegui-lo no endereço
http://rockinriolisboa.sapo.pt/noticias/as-aventuras-de-rock-rivers-banda-desenhada-com-acao-intriga-e-conspiracao  

Até dá direito a visionar um animado vídeo, com entrevista aos autores, em que entra também a charmosa Roberta Medina. Vale a pena ir até lá. 

sábado, fevereiro 11, 2006

Autógrafos desenhados (III) - Autor: Quino

Desenho original realizado por Quino de improviso - Outubro de 1980, no bar do Hotel Napoleon, Lucca, Itália

Estávamos (eu e os meus amigos Vasco Granja e António Alfaiate) em Itália, na pequena cidade fortificada de Lucca, não muito longe de Pisa e Florença, na Toscana.

Lucca tinha sido a iniciante, em 1966, dos eventos dedicados à Banda Desenhada. Em 1980, realizava-se o décimo-quarto Salone Internazionale dei Comics (o termo tradicional é fumetto, fumetti no plural, mas para baptizarem o Salão de forma mais internacional, usaram "comics"), e como não era apenas a BD em causa, acrescentaram ao título del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione. Todavia, de forma bem mais sintética, escreviam nesse ano Lucca 14.

Com deslumbramento, em especial pela minha parte (o António Alfaiate já era quase "veterano" nestas andanças), eu ia ouvindo os nomes dos autores presentes, em conversas de acaso, ou nos debates, colóquios e mesas redondas.

O contacto casual com Quino, a simpatia personificada, foi um momento inesquecível. Também havia uma coisa que facilitava a comunicação entre ambos: já por essa altura eu dominava razoavelmente o idioma espanhol (castelhano, na realidade), língua materna dele.
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QUINO


Síntese biográfica

Joaquin Salvador Lavado, conhecido pelo nome artístico de Quino, nasceu em Mendoza, Argentina, em Julho de 1932, tendo passado a viver em Buenos Aires, aos vinte e dois anos de idade.
Os seus inícios foram como ilustrador humorístico, até que, em 1964, se inicia na banda desenhada com a criação de Mafalda.
Por estranho que pareça aos incomensuráveis admiradores da personagem e da série, Quino decidiu abandoná-las em 1973. E até hoje, manteve-se inamovível da decisão.
Portanto, Mafalda "viveu" apenas nove anos, os suficientes para que, ainda hoje, os seus livros se continuem a vender.

Quino já esteve em Portugal, na Amadora e em Lisboa, e não houve quase ninguém que não lhe perguntasse pela Mafalda, a menina precoce e contestatária que mantinha com os pais e amigos da sua idade diálogos que, no fundo, tinham a ver com o tipo de problemática característica dos adultos que se preocupam com o que se passa à sua volta.
Claro que a série, sempre conhecida pelo nome da personagem principal, está protagonizada por várias crianças que, tal como Mafalda, fazem observações ou perguntas perturbantes aos adultos, como acontece na série Peanuts ou, mais tarde, com Calvin & Hobbes.
É esse o sortilégio de tais séries, que ganham uma dimensão crítica de que só se apercebe quem as conhece bem, e quem as lê atentamente.
Um exemplo disso é o seguinte diálogo entre o pequeno Joaquin e o avô:

-"Abuelo... tu casa es tuya, no? - pergunta Joaquin.
-Por supuesto, la compré quando iba a nacer tu papá.
-Es decir que antes te podias comprar un caserón y ahora papá sólo puede alquiar este departamentito de mala muerte.
-Era otra economia antes, nene.
-Abuelo, te puedo hacer otra pergunta?
-Para eso estoy, Joaquincito, a ver...
-Po qué los otros países mejoraran y éste empeoró? Por qué dejaste que nos hicieran esto?"

Será que aquela personagem criada por Quino estava a falar da Argentina ou de Portugal?

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Castelos na Banda Desenhada (VII) - Os fictícios - Autor: F.de Felipe


Esta imagem pertence a El Hombre que Rie, obra em Banda Desenhada da autoria de F. de Felipe, baseada no romance "O Homem Que Ri", de Victor Hugo.
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FERNANDO DE FELIPE

Síntese biobibliográfica

Fernando de Felipe Allué, Saragoça, 1965.
Autor de BD residente em Barcelona, onde lecciona cinematografia.
Participou no Bustrófedon, grupo renovador da banda desenhada aragonesa, nos anos oitenta.
F. de Felipe, nome artístico que usa para assinar as suas bandas desenhadas, é um autor essencialmente interessado em temas de ficção científica, o que não o tem impedido de entrar noutros géneros.
A obra escrita por Victor Hugo El Hombre Que Rie, com guião/adaptação literária de sua lavra, foi inicialmente publicada na revista Zona 84, entretanto deixada de publicar por Toutain Editor, o mesmo que lançou o álbum donde foi extraída a vinheta acima reproduzida, cuja vem aumentar a respectiva série temática constante deste blogue.
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"Post" remissivo

Neste tema "Castelos na Banda Desenhada" podem ser vistas imagens de castelos reais e fictícios dos seguintes autores:

(I) Fictício - António Vaz Pereira
(II) Faro - José Garcês
(III) Trancoso - Santos Costa
(IV) Fictício - Harold Foster
(V) Fictício - José Morim
(VI) Fictício - Moebius

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

1º Concurso de banda desenhada infanto-juvenil de Colares - Regulamento (e não só)

Cartaz da autoria de Paulo Marques
É a primeira vez (que eu saiba) que, em Colares, se realiza um concurso de banda desenhada, com a especial característica de ser direccionada a uma faixa etária específica, a que engloba apenas as crianças e os adolescentes.

O que significa que o concurso estará acessível a duas faixas etárias, sendo o das crianças (1º escalão) destinado a quem tenha entre 8 e 11 anos, e o dos adolescentes (2º escalão) aos candidatos com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos.
Este concurso vai ser efectuado de uma forma bastante original, creio até que será o primeiro em Portugal com este "modus faciendi": os concorrentes ficarão reunidos no dia 4 de Março nas instalações do Sport União Colarense (Largo de Colares, junto à Igreja Matriz), entre as 9 horas da manhã e as 13h30, hora a que serão recolhidas as bandas desenhadas nesse período de tempo.
Uma informação importante: o tema é livre.
Claro que os concorrentes já podem levar as ideias bem arrumadas na cabeça, a tarefa a realizar na prática será a de as transformarem em imagens sequenciais.
O tempo que cada concorrente terá para a concretização da banda desenhada é, portanto, apenas quatro horas e meia, mas a organização apenas indica como sendo quatro o número máximo de pranchas (formato A4) e não indica o mínimo, o que significa que pode ser apenas uma prancha, a cores ou a preto e branco.
Haverá prémios para as três melhores bandas desenhadas, seleccionadas por um júri composto por Paulo Marques, novel autor/artista de BD, Filipa Vaz, estudante do 4º ano de Belas Artes, Fernando Wintermantel, organizador da Feira Ecológica de Sintra e o editor do blogue que está agora a visitar.
O prémio mais valioso será o que consiste na publicação das bedês no "site" Entropia, um sítio de divulgação artística. Claro que dos resultados do concurso, incluindo o nome dos vencedores, se dará aqui notícia.
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Mas o evento tem mais que se lhe diga.
Após a finalização das bandas desenhadas, às 13h30, haverá intervalo para almoço.
Depois, às 15h00, os concorrentes e acompanhantes poderão assistir, gratuitamente, ao espectáculo "Que Sensação", um musical baseado na peça "Wicked", da Broadway, interpretado por Fátima Mota e Márcio Inácio, membros da Associação Primo Canto.
Claro que esta versão será muito simples e bem mais curta - durará apenas 20 minutos! - e é essencialmente dirigido às crianças, mas de igual modo agradará aos adolescentes e aos adultos.
Pelas 16h00 será o momento de anunciar os nomes dos vencedores, e ser-lhes-ão entregues os respectivos prémios.
Esta iniciativa artística e cultural teve a inestimável colaboração da Alagamares, Associação Cultural com sede exactamente em Galamares.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Jornais com Banda Desenhada (III) - Mundo Universitário - 30 Jan. - Uma b.d. de Derradé

Bubas, personagem caricatural da autoria de Derradé, numa cena inserida no contexto universitário

Quarenta mil exemplares é a tiragem do jornal Mundo Universitário. Como aqui já foi mencionado, trata-se de um quinzenário com distribuição gratuita nas universidades de todo o país.

A 30 de Janeiro saíu mais um número, o 29, onde aparece reproduzida uma bd de índole caricatural, localizada no universo estudantil universitário. "Derradé", o autor, teve pois a preocupação de ambientar o episódio no ambiente onde o jornal é lido.

Tendo em conta a vasta massa de leitores do Mundo Universitário, esta página dedicada à BD tem, inquestionavelmente, um grande interesse para a divulgação da arte da Figuração Narrativa.
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"Derradé" é um pseudónimo extraído das iniciais D.R.D., correspondentes a Dário Rui Duarte, nome quase completo deste autor. Para se completar, falta escrever André antes de Duarte, o que significa estarmos perante alguém que se identifica por quatro nomes próprios, quatro!

Dário Rui André Duarte, lisboeta desde Outubro de 1971, é autor que privilegia o humor, tanto no desenho, caricatural, como nos temas satíricos que prefere.

"Derradé", autor completo da personagem Bubas (escreve os argumentos e traça os desenhos), nem sempre fez cartunes ou bandas desenhadas sozinho. De facto, ele trabalhou bastante em parceria com o argumentista "Geral" (ou melhor: Mário Cavaco), mas também no mesmo registo humorístico.

Não por acaso, ambos foram editores do "The Badsummerboy's Fanzine", e fundaram as "Produções de Marda" (nada de confusões: "Mar" de Mário Cavaco, "Da" de Dário:-), das quais saíu o "slimzine" "www", sendo ele a solo o editor de outro "slimzine", o "Stress".

Durante muito tempo colaborou, sob argumentos de "Geral", no jornal regional Notícias de Alverca, de onde extraíu as tiras de bd para o fanzine "In Prensa".

"Derradé" tem uma licenciatura em Matemáticas Aplicadas o que, obviamente, nada tem a ver com o seu jeito inato para o desenho, nem tão-pouco para o senso de humor que destilam as suas bedês.

sábado, fevereiro 04, 2006

Tertúlia BD de Lisboa - XX Ano - 255º Encontro - 7 Fevereiro 2006

Capa do álbum que contém 45 episódios a cores de O Patinho e os seus amigos - Autor: Rui Cardoso

Com a presença especial de Rui Cardoso (*), autor com obra publicada inicialmente em revista, depois em álbum, sob o título O Patinho e os seus amigos, e projectada na televisão (quem não conhece a série televisiva Os Patinhos, de cariz infantil?), estaremos, em boa confraternização bedéfila, no Parque Mayer, a fim de prestarmos destaque público, informal, a um autor de banda desenhada infantil, um quadrante da arte da Figuração Narrativa nem sempre devidamente valorizado.

Lá estaremos, no espaço possível, um restaurante, para uns tantos - costumam ser cerca de quarenta pessoas - nos reunirmos. Quando digo "espaço possível", tenho de esclarecer o que quero dizer.

E o que quero dizer é o seguinte: a minha ideia inicial - quase utópica, por implicar investimento económico mensal praticamente impossível de obter - era a de organizar uma reunião mensal num espaço onde houvesse uma mesa e uma cadeira em cima de um estrado, para o autor que fosse o homenageado ficar bem visível para todos os presentes, que se sentariam numa espécie de plateia a ouvi-lo e, no fim, a dialogar com ele. Digamos, um colóquio mensal, que duraria para aí cerca de duas horas.

Para isso seria necessário alugar um espaço, primeira dificuldade. Depois, teria de ser num período de tempo antes ou depois do jantar, num dia útil (fim de semana não, porque, em especial no verão, há sempre saídas de Lisboa).

Se fosse antes de jantar, a começar aí por volta das sete da tarde, a maior parte dos participantes começaria a debandar quando se aproximassem as oito, hora de ir para casa, para a refeição em família, ou outra coisa qualquer.

Se o encontro fosse marcado para as nove, nove e meia da noite, em dias de invernia só lá estaria meia dúzia de pessoas, o que seria quase uma ironia para um encontro cuja finalidade principal é a de homenagear um autor ou, no caso dos mais novos, lhes dar um incentivo.

Portanto, a fim de conseguir quorum, digamos assim, para a finalidade pretendida, decidi que teria de arranjar um estratagema. E, para juntar cerca de quarenta portugas, e mantê-los no local entre as 20h00 e as 23h00, teria de se começar por um jantar, a parte necessária mas não suficiente, nem importante, da tertúlia. Tanto assim que há quem lá apareça mais tarde, só para conviver e participar nas 2ª e 3ª partes, ou seja, o "Sorteio BD" - sempre com boas surpresas e bastante divertida -, e na parte final, que é a verdadeira tertúlia, a conversa com o homenageado e/ou convidado especial.

E quando se esteve em presença de um Rui Zink, ou um Nuno Markl, por exemplo dois dos muitos autores que por lá já passaram, a conversa animada esteve garantida. Vamos a ver como será com Rui Cardoso.
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(*) Rui Cardoso, de nome completo Rui Manuel Zeferina Cardoso, nasceu na Azambuja em Setembro de 1968, frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa - ESBAL, até ao 3º ano de Design de Comunicação. Começou a ser conhecido na BD, em termos de divulgação pública, sob o pseudónimo "Ruca", num concurso organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada-CPBD, na década de 1980, e a sua iniciante obra demonstrou qualidade suficiente para os responsáveis da, então significativamente activa, colectividade, a publicarem no seu fanzine "Boletim do CPBD".

Anos mais tarde, surge na televisão uma série - que regressou ao chamado "pequeno ecrã" - denominada Os Patinhos, que teve publicação na revista "TV Guia" a partir de 4 de Setembro de 1999, e de que tenho recortes até 8 de Setembro de 2000, não posso afirmar que tenha acabado a publicação nessa data.

As pranchas com episódios foram publicados posteriormente - Novembro de 2000 - nas páginas de um álbum brochado, em formato 33,5x40cm, ligeiramente superior a A4, intitulado O Patinho e os seus amigos, tendo em rodapé o subtítulo Aventuras em banda desenhada, álbum esse com a chancela TV Guia Editora, de que desconheço outras incursões na BD.

Rui Cardoso, noutra área, a cinematográfica, tem já significativa filmografia. Quem quiser saber mais qualquer coisa sobre isso, basta ir ao google e escrever animanostra rui cardoso. Porque aqui, neste blogue, fala-se é de BD :-)

terça-feira, janeiro 31, 2006

Angoulême - 33º Festival (III) - Lewis Trondheim, Grande Prémio

Lewis Trondheim no momento em que, após ter sido anunciado como Grande Prémio de Angoulême, agradece algo sarcasticamente, os aplausos do público

Lewis Trondheim (aliás, Laurent Chabosy, o seu verdadeiro nome) nasceu em Fontainebleau, França, em Dezembro de 1964.
Lapinot, a personagem de referência de Trondheim
É inquestionável tratar-se de autor talentoso e prolífico: o seu nome aparece a assinar, em apenas uma quinzena de anos de actividade artística, perto de uma centena de obras editadas em álbuns, especialmente dedicadas às séries Donjon e Lapinot, sendo esta última a de maior sucesso comercial, e que ele acaba de "matar" na sua última aventura.

"Ele faz parte desta geração de autores de banda desenhada que se tornaram autores literários", disse dele Nikita Mandryka, um nome importante do núcleo de autores já consagrados.

Com efeito, Trondheim não é propriamente um virtuoso do desenho, mas desenvolveu uma técnica narrativa bastante original, tendo a vantagem de ser um excelente argumentista, o que faz com que as suas obras sejam do tipo a que se dá prioridade à história em detrimento do gozo estético proporcionado habitualmente pelas imagens.

Lewis Trondheim foi co-fundador da emblemática editora L'Association. Portanto já terá alguma prática directiva e organizativa, o que lhe será útil para bem desempenhar o seu futuro papel de Presidente do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em Janeiro de 2007.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Angoulême - 33° Festival (II) - "Palmarès" oficial

"O voo do corvo - 2º vol. -, da autoria de Gibrat, obra a que foi atribuído o Prémio do desenho, e já editada em Portugal

Claro que quem tem internet viu a lista de prémios sem necessitar de vir ao meu blogue. Mas como dei a lista dos nomeados, ela ficaria amputada sem esta outra que completa o assunto. De resto pode ser uma interessante tarefa, a de cotejar ambas as listas.


Prémio do melhor álbum:
"Notes pour une histoire de guerre", de Gipi

Prémio do desenho:
"Le vol du corbeau" - 2° vol., de Gibrat (Jean-Pierre)

Prémio do argumento
"Les mauvaises gens", de Etienne Davodeau

Prémio do primeiro álbum
"Aya de Yopougon", de 1° vol., de Clément Oubrerie (desenho), Margueritte Arouet (argumento)

Prémio do Património
"Locas" - série "Love and Rockets", de Jaime Hernandez

Prémio da série
"Blacksad" - 3° vol., "Âme rouge", de Juan Guarnido (desenho) e Juan Diaz Canales (argumento)

Prémio da banda desenhada alternativa
Mycose (Liège, Bélgica)

Mistério! Esta publicação não constava da selecção oficial que foi fornecida no opúsculo de onde tirei as listas que divulguei no "post" de ontem, opúsculo esse com editorial assinado por Jean-Marc Thévenet, director do festival.

Um prémio que considero digno de ser copiado em Portugal, é o do público, que, por acaso, coincidiu com o do júri, coincidência que mereceria ser analisada, visto que as escolhas dos júris costumam ser contestadas.

E o prémio foi para:
"Les mauvaises gens", de Etienne Davodeau

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 33° Festival (I) - Os prémios


Para se apurarem as obras escolhidas para serem premiadas, o processo é o seguinte: todos os anos, ao longo dos meses, o "comité" de selecção do festival recebe vàrias (*) centenas de àlbuns (*) apresentados pelos editores.

Desse numeroso lote inicial é estabelecida a selecçao (*) oficial, composta por seis categorias de prémios. Em cada categoria ficam propostos sete albuns para a competiçao final.

Vejamos entao os sete propostos, nesta fase, para cada um dos prémios:

Prémio do melhor àlbum:
Ripple, de Dave Cooper; Hanté, de Philippe Dupuy; Olivia Sturgess 1914-2004, de Floc'h e François Riviére; Notes pour une Histoire de Guerre, de Gipi; Les Damnées de Nanterre, de Chantal Montellier; Le Petit Bleu de la Côte Ouest, de Jacques Tardi; Fritz Haber - tome 1 - L'Esprit du Temps, de David Vandermeulen.

Prémio do desenho:
Chocottes au sous-sol, de Stéphan Blanquet; Mitchum, de Blutch; Le vol du corbeau, de Jean-Pierre Gibrat; Gogo monster, de Tayou Matsumoto; Prestige de l'uniforme, de Hugues Micol e Loo Hui Phang; Cinema Panopticum, de Thomas Ott; Quimby the mouse, de Chris Ware.

Prémio do argumento:
The autobiography of me too two, de Guillaume Bouzard; Les mauvaises gens, de Etienne Davodeau; Dans la prison, de Kazuichi Hanawa; Hemingway, de Jason; Le roi des mouches - 1 Hallorave, de Mezzo & Pirus; Les Passe-Murailles (1° vol.), de Jean-Luc Cornette e Stéphane Oiry; A History of Violence, de John Wagner & Vince Locke.

Prémio do primeiro àlbum
"Le blog de Frantico", de Frantico; "Essence", de Gawronkiewicz e Janusz; "Cornigule", de Takashi Kurihara; "Kinki et Cosy", de Nix; Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet;" A la lettre près", de Cyrille Pommès; "The Goon", de Eric Powell.

Prémio do Patrimonio (*)
No festival anterior, quando foi iniciado este prémio, Eduardo Teixeira Coelho esteve nomeado, mas o seu nome desapareceu este ano.
Significa isso que este ano vai acontecer o mesmo, isto é, depois de ser escolhido um, todos os outros nomeados desaparecem para nunca mais, deixam de ter categoria para o préemio? Parece-me absurdo o critério, fico à espera de 2007 para ver o que acontece.

Este ano foram nomeados os seguintes autores de grande prestigio (incidindo sobre as obras indicadas a seguir):
Jean-Claude Forest e "Comment décoder l'etircopyh; Jaime Hernandez e "Locas"; Charles M. Schulz e "Snoopy et les Peanuts"; E.C.Seagar e "Popeye"; Cliff Sterrett e "Polly and Her Pals"; Osamu Tezuka e "Prince Norman"; Kazuo Umezu e "L'Ecole emportée".

Prémio da série
"Bouncer", de Boucq e Jodorowsky; "Black Hole", de Charles Burns; "Théodore Poussin" - 12° vol.- "Les Jalousies", de Frank Le Gall; "Lupus", de Frederik Peeters; "Pascin, la java bleue", de Joan Sfar; "Blacksad" - 3° vol. - "Âme Rouge", de Juan Garnido e Juan Diaz Canales; "Bone" - 11° vol. - "La Couronne d'Aiguilles", de Jeff Smith.

E ainda aparece outra lista de sete obras propostas para o Grand Prix RTL de la Bande Dessinée, que me excuso de indicar, por o considerar menos importante.

Do lote de quarenta e dois titulos (*) acaba por ser seleccionado um de cada tema pelo Grande Jùri (*) do Festival.

Mais interessante me parece o

Prémio da banda desenhada alternativa

Como aparece descrito, para se ver que nao sou eu a separar os géneros:
"Les revues et fanzines sélectionnées sont"

Portanto, aparecem agora "revistas alternativas" e "fanzines". E as nomeadas, e os nomeados, sao:

Abécédaire, Ailes du Corbeau (Les), Amiante (3 de França), Canicola (Italia), C'est bon anthology (Suécia), Claffouti, Cochon Dingue, Cosmic Tubes ( mais 3 de França), Dark Warrior (Ucrania), Dossier Kamb, Inedit (L'), (2 da Bélgica), Institut Pacome, Megalith, Moi Je, Morocco, My Way, Oculaires (Les), On a marché sur la bulle, Patate douce, Phylloxera (9 de França), Reddition (Alemanha), Sesame, Skermu (2 de França).

Pena que Portugal nao esteja representado, e contra mim falo.

(*) Problemas literarios e ortograficos: tive necessidade de arranjar textos onde evitasse algumas palavras, embora nem sempre o conseguisse, isto porque nestes teclados franceses é inexistente o acento agudo nas letras a, i, o, u e o acento til (nao existe). Por isso escrevi àlbum (é menos "grave" pôr acento grave do que nao pôr nenhum, e em vez de escrever "sao propostos" escrevi ficam propostos, e muitos outros rodeios do género.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Concurso de Banda Desenhada - Jovens talentos 2006

Cartaz da autoria de Daniel Henriques e Daniela Matos

Aparece bem cedo no ano ano que há pouco começou, este concurso destinado aos jovens entre os 15 e os 30 anos.

Há um tema obrigatório, que é "A Noite". Com a imaginação ficcional que caracteriza os autores de BD, além do talento para o desenho, a noite é algo suficientemente impressivo e fornecedor de histórias.

Vamos a isso, juventude. Toca a começar a trabalhar já, porque 1 de Março é a data limite para entrega das vossas obras.

Podem criar as vossas bedês individualmente ou em grupo, tanto faz que usem papel formato A4 ou A3, se preferem a estética do preto e branco, vão em frente, se acham que quando usam cores - seja à mão usando ecolines ou guaches, seja com o computador - conseguem melhores resultados, não hesitem, todas as técnicas são permitidas, o que conta é o resultado final.

Com uma condição: não podem ultrapassar quatro pranchas (o regulamento é omisso no número mínimo, por conseguinte depreende-se que podem fazer apenas uma prancha. Mas eu não acredito que façam as vossas narrativas gráficas em menos de duas. Dá mais hipótese de fazer uma ficção de jeito.

Ah, já me esquecia: cuidado com os erros ortográficos, têm influência no espírito do júri ("este bacano só sabe desenhar, não aprendeu a escrever?). Portanto, quando tiverem dúvidas, consultem o dicionário ou, pelo menos, um livrinho chamado prontuário. Se ainda não conhecem esse objecto, é boa altura para fazerem uma compra útil em qualquer livraria.

Quando tiverem a obra acabadinha, enviem-na, juntamente com um papel em que constem os vossos dados pessoais, seja de um apenas, seja de dois ou mais elementos (nome ou nomes completo(s), idade(s), e data(s) de nascimento, juntamente com cópia do(s) B.I.(s), e os contactos pessoais (morada, e-mail, nº de telefone e/ou telemóvel).

As bedês devem ser enviadas (repito: até ao dia 1 de Março) para:
Concurso de BD - Jovens Talentos 2006", Associação Juvenil - COI -
Rua 7 de Fevereiro, Bloco B - A11/12
2955-124 Pinhal Novo

E agora falemos de coisas muito sérias: o primeiro classificado terá direito a um prémio monetário de 200 euros.

A bd do vencedor e dos dois concorrentes classificados a seguir serão convidados a fazer, cada um uma banda desenhada em dez pranchas, para serem publicadas na revista "Sketchbook".

Como incentivo a continuarem a participar nos futuros concursos organizados pela Associação Juvenil - COI, no âmbito de futuras edições do evento "Março a partir", todos os participantes receberão prémios de participação constantes de obras de BD, ofertas de várias boas editoras.

Vá, comecem a pensar no tema que vão desenvolver, ou então juntem-se a um bacano daqueles que têm jeito para imaginar histórias incríveis. Ou, no mínimo, baseiem-se em factos que já viveram na noite (de Lisboa, ou na vossa rua, onde quer que morem).

Pela minha parte, espero ver alguma bd que me faça dizer: oi, pessoal da AJCOI, aqui está um potencial talento, apoiem-no.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) - 4ª feira, lá estarei

Desenho de Solé, reproduzido no "Dossier de Presse" relativo ao 25e Festival International de la Bande Dessinée - Angoulême 98

O Festival Internacional de BD de Angoulême, na sua 33ª edição, realiza-se entre 26 e 29 de Janeiro.

Na próxima 4ª feira, aí vou eu. Primeiro, de avião até Paris, a seguir de comboio. Vamos a ver se não me acontece o mesmo que no ano passado. Os ferroviários estavam em greve (em protesto por uma colega deles ter sido assassinada no posto de trabalho), e por isso só havia o serviço mínimo, um comboio que iria servir muitos mais destinos do que os habituais, daí que fosse completamente à cunha.

Pela minha parte, fiz a viagem de três horas sempre em pé, íamos todos sem podermos sair do mesmo sítio. Uma experiência como ainda nunca tinha tido...

Também é verdade que não paguei nada, as bilheteiras estavam encerradas (greve é greve...).

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Exposição de banda desenhada infantil portuguesa no CNBDI - Amadora

Capa do bem apresentado catálogo
"Em traços miúdos" é o título bem achado da exposição inaugurada ontem, 16 de Janeiro, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem - CNBDI (Amadora), onde estará visitável até 19 de Maio.

Dividida essencialmente em duas áreas, uma sob o título "No Tempo dos Avós" - em que se podem apreciar "Os Marcos Fundadores", Cottinelli e Stuart, e "Revistas, Heróis e Aventuras", onde se encontram imagens criadas por Eduardo Teixeira Coelho, Artur Correia, Augusto Trigo e Catherine Labey; a outra, incide no tema "Três Nomes para Novos Leitores", e nela se podem visionar pranchas de José Abrantes, Pedro Leitão e Ricardo Ferrand.

Em ambas as partes há lacunas evidentes, mas também tem de se olhar para as dimensões limitadas do espaço, e, no conjunto, está-se perante uma significativa amostragem da banda desenhada dedicada às crianças e até, em alguns casos, aos adolescentes.


O Quim, O Manecas e o Xuan de Bigo - Página original de O Século Cómico, de 4 de Novembro de 1915, da autoria de Stuart. Pertence à colecção do estudioso A. J. Ferreira, que a cedeu para o evento

Na componente de retrospectiva, subtitulada "Os Marcos Fundadores", podem apreciar-se peças de grande raridade e qualidade, designadamente a prancha desenhada por Stuart Carvalhais, que acima se reproduz, extraída do catálogo editado.

Já ficou dito no parágrafo anterior, mas não posso deixar de relevar a existência dessa peça que complementa exemplarmente a mostra, um catálogo, bem apresentado graficamente, e com um conteúdo literário, opinativo e informativo de muita qualidade.

Inquestionável, o interesse dos quatro artigos (bilingues, o segundo idioma é o inglês) publicados no catálogo.
São assinados por Sara Figueiredo Costa - "Um Percurso em Quatro Andamentos" -, José António Gomes - "A banda desenhada: algumas notas sobre o seu carácter formativo";
Paulo Lages - "Teatro aos Quadradinhos"; Manuel João Ramos - "...E pró papá também".

Gostei tanto da inteligente citação de uma frase de C. S. Lewis, feita por Sara Figueiredo Costa, que lha copio, com o intuito de sugerir tema possível para eventual futura discussão: "uma história para crianças que apenas agrade a crianças é uma má história para crianças". Lapidar.

DEZ MIL visitas a um blogue que divulga apenas Banda Desenhada? Nada mau, eu acho.

Estou contente, já se percebeu pelo título do "post".

10.000 visitas em seis meses - tempo de existência do respectivo contador, desde 22 de Julho até hoje, 20 de Janeiro - significa cerca de 50 passagens pelo blogue, algumas talvez fugazes, de leitores/visionadores por dia.

Admito que seja pouco, relativamente a "sites" ou blogues com afluência diária de visitantes às centenas, que digo eu, aos milhares. Mas para mim, é suficientemente gratificante estas escassas dezenas.

Para solucionar as minhas dificuldades técnicas - atenuadas paulatinamente -, contei com o apoio, uma vez hoje, outra vez ontem, (uma maneira de dizer, claro),de "experts" informáticos. Foram eles:

Gastão Travado, Guida Reis, Nuno Lima e, "last but not the least", o meu filhão que, à distância, radicado em Faro, lisboeta "renegado", já por duas vezes me solucionou imbróglios técnicos :-)

Um imenso agradecimento para eles.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Jornais com Banda Desenhada (II) - Mundo Universitário - 16 Jan. 06 - Uma bd de Pedro Alves

Eleições através dos tempos
Banda desenhada autoconclusiva da autoria de Pedro Alves
in Mundo Universitário, quinzenário gratuito com 40.000 exemplares de tiragem distribuído por todas as universidades do país

Com um sentido de humor muito pessoal, sarcástico e contundente, além de atento ao que se passa à sua volta, este jovem banda-desenhista e cartunista parodia nesta bd as eleições, usando vários cenários, percorrendo diversos períodos da Humanidade, mostrando as similitudes (acentuando as negativas, característica essencial dos humoristas) nesse acto político chamado "eleições".
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Pedro Alves é o nome com que Pedro José Bento Alves assina bedês e cartunes de sua autoria.

Natural de Lisboa, onde nasceu em Junho de 1975, passou a viver em Almada aos três dias de vida, onde desde então sempre residiu.

Fez o 12º ano de Química, mas voltou ao 10º para ingressar na Escola Secundária António Arroio, antiga Escola de Artes Decorativas, que continua a privilegiar a área artística, o que o seduziu.

Iniciou-se a fazer banda desenhada no DN Jovem, suplemento do jornal Diário de Notícias.

Foi editautor, isto é, editor e único autor de vários fanzines: "São Francisco da S.I.S.", cujo número inicial saíu em 1996, "ZineJal" a seguir (vê-se que aprecia a zona do Ginjal...), depois "Le Neurone", este entre 1999 e 2000.

Colaborou no fanzine "Tertúlia BDzine", no fanálbum "Novas fitas de Juca & Zeca", e, recentemente, no BDjornal, desde o primeiro número.

Coordena e preenche o sítio "Toonman.com.pt", onde publica um cartune diário. Tem também o blogue "cartoondodia.blogspot.com", sendo que, como cartunista, obteve o 1º Prémio no Festival da Amadora, em 2004.

No quinzenário Mundo Universitário, após ter colaborado no nº11, de 31 de Janeiro de 2005, com a bd "Sócrates 150.000 Em exibição", volta agora a ser editado com mais a "charge" que pode ser vista (e ampliada) no cocuruto deste "post".

Texto realizado gratuitamente para o jornal gratuito "Mundo Universitário"

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Castelos na Banda Desenhada (VI) - Fictício - Autor: Moebius


Imagem extraída de Cidadela Cega - Tornsoc, Cavaleiro, banda desenhada em seis pranchas, estranhamente assinada por Jean Giraud (embora no estilo que o celebrizou sob o pseudónimo Moebius).

Este episódio foi reproduzido na revista O Mosquito (V Série) nº 11, Dez. 1985.

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"Post" remissivo
Neste tema "Castelos na Banda Desenhada" podem ser vistos imagens de castelos fictícios e reais da autoria dos seguintes desenhadores:

(I) Fictício - António Vaz Pereira
(II) Faro - José Garcês
(III) Trancoso - Santos Costa
(IV) Fictício - Harold Foster
(V) Fictício - José Morim

terça-feira, janeiro 17, 2006

Fanzines, esses desconhecidos (VIII) Tertúlia Lisboa dos Fanzines


Como é habitual, na terceira 3ª feira de cada mês, realiza-se esta tertúlia dedicada apenas aos editores de fanzines (faneditores) e autores com colaboração publicada nesse tipo de magazines, neste caso apenas os que têm a ver com banda desenhada.

Hoje, como tema-base para conversa na tertúlia, levarei um exemplar do único livro editado em Portugal dedicado a esse tipo de publicações.

É o "Dédalo dos Fanzines", cuja edição foi bastante reduzida (por motivos que não vêm agora ao caso) e que, por isso mesmo, está esgotado. Mas encontra-se acessível na Biblioteca Nacional de Portugal (aqui em Lisboa, como é sabido).

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na Banda Desenhada, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet (VI)-"Uma"(??) fanzine

Neste texto, inserido no "Aquinocanto", deveria estar escrito "e um novo fanzine vai aparecer"

Já tem sido escrito, com frequência, por estudiosos dos fanzines - nos quais me incluo, permito-me dizer - que o neologismo "fanzine", nascido nos Estados Unidos (o conhecido Frederic Wertham, no seu livro "The World of Fanzines", indica o ano de 1930 para o "Comet", iniciador do movimento) e absorvido na Europa nos anos mil novecentos e sessenta, sob o género masculino pelo facto de, na génese do vocábulo, estar o objecto literário, com imagens, o magazine, também popularizado em Portugal nessa época.

Fanzine, neologismo já com verbete em dicionário (pela primeira vez, na 8ª edição da Porto Editora), é formado pela contracção da palavra fan (fã, em português) e a última sílaba de magazine.

Logo, um fanzine é um magazine (equivalente a revista) feito, editado, por fãs de quaisquer temas, sendo a Banda Desenhada um dos mais frequentes.


Capa do fanzine "Aquinocanto", da autoria de João Rubim. O fanzine apresenta duas capas diferentes, sendo a outra desenhada por Manuel Brito
É o que acontece com os faneditores Manuel Brito e João Rubim, que editaram três números do fanzine "Aqui no Canto", e mais este agora, especial.
Note-se que em Espanha se diz "el fanzine" (em castelhano) e "o fanzine" (em galego)
Capa de "O Fanzine das Xornadas", editado aquando da realização das "VIII Xornadas de Banda Deseñada de Ourense" (na Galiza). Este fanzine espanhol é coordenado por Henrique Torreiro, "co patrocínio da Casa da Xuventude de Ourense, Concelleria da Cultura do Concello de Ourense e Dirección Xeral de Política Lingüística da Xunta de Galicia"

tal como acontece em França, visível no excerto de uma crítica extraída da revista "Vécu"

ou no Brasil, como se pode ver na imagem seguinte
Livro da autoria do fanzinista e estudioso brasileiro Henrique Magalhães
Custa-me dizer isto - sou português... - mas nós, que somos o país europeu com maior índice de analfabetismo, e com elevada percentagem de iliteracia, tínhamos de ser nós a criar esse absurdo linguístico que é mudar o género a um substantivo.

E o que é pior: quando pergunto a algum desses fanzinistas recentes, que dizem "a minha fanzine", por que motivo não dizem "o meu fanzine", respondem-me que é por ser uma revista, e como revista é uma palavra feminina...

E eu costumo objectar: então, como um pinheiro é uma árvore, temos de passar a dizer "uma pinheiro"?!
Uma engraçada tira de banda desenhada do brasileiro Laerte (in Diário de Notícias, 5 Jan. 2006)

Um universitário da Escola Superior de Design-ESAD, nas Caldas da Rainha - cidade onde há um buliçoso movimento fanzinístico -, reagindo à minha habitual discordância no uso do feminino para o fanzine dele, ripostou, com aquilo que começa a ser um chavão - já não é a primeira vez que oiço justificar asneiras com aquela frase -, "a língua portuguesa está sempre a modificar-se".
Eu sei disso, sou, também eu, entusiástico estudioso da matéria. Mas tenho a noção de que a componente mais visível dessa modificação é a constante absorção de vocábulos estrangeiros, aportuguesando-os por vezes, criando-se assim neologismos - bloguer ou bloguista, blogosfera, internauta, por exemplo.

Mas não há memória de, na língua portuguesa, ter havido mudança de género em algum substantivo. Estou a referir-me a mudanças correctas.

Porque, por iliteracia ou pura ignorância, há quem mude o género masculino da palavra grama (peso) para feminino.

O ano passado, uma funcionária dos correios, aqui em Lisboa, disse-me que a minha carta - com um fanzine dentro - pesava "vinte e duas gramas". Eu perguntei-lhe
se ela também diria, para uma encomenda pesada, "vinte e duas quilogramas"...

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"Post" remissivo

Deste mesmo tema há 3 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:

2005 - Out. 27 - "vê-mo-nos"; Nov.12 - "pareçe"; "esqueçendo"; Nov. 28 - "gingeira";

Dez.11 - "Benvindos"; 2006, Jan.7 - "Inflacção"

sábado, janeiro 14, 2006

"O Mosquito" (1936-1953) revista de BD, 70 anos depois

Capa do nº1 d'"O Mosquito", no habitualmente chamado formato grande (início da 1ª série, 1ª fase)

Estava-se a 14 de Janeiro de 1936.
Nascia, nessa data, O Mosquito, uma revista de banda desenhada (ou de histórias aos quadradinhos, como então era habitual dizer-se.

O Mosquito vinha concorrer com as revistas congéneres já existentes, cujos títulos eram igualmente sugestivos: Tic-Tac, O Senhor Doutor, Mickey e O Papagaio. Estava-se numa época em que esse tipo de publicações constituía uma das mais populares formas de entretenimento da juventude.

Um sucesso de vendas

Julgo não haver qualquer sombra de exagero nesta afirmação: O Mosquito foi, em grande parte da sua existência, um espantoso sucesso de vendas. Conforme José Ruy - seu cronista mais fidedigno -, a tiragem chegou a atingir 40.000 exemplares por cada tiragem, duas vezes por semana quando passou a bissemanal. O que significa que chegaram a "voar" 80.000 "mosquitos" por semana!

Era tal o entusiasmo que suscitava na juventude, que os seus editores se viram na necessidade de lhe encurtar a periodicidade: de semanal que fora entre o nº1 e o 360 (com saída inicialmente às 3ªs., mais tarde às 5ªs. feiras), passou a bissemanal (com saída às 4ªs. feiras e sábados) a partir do nº 361, de 9 de Dezembro de 1942.

Razões para o sucesso

É verdade que o seu preço era mais acessível do que os das revistas congéneres em publicação à data do seu aparecimento, nesse ano já remoto de 1936: enquanto que o Mickey custava, de início, 1$50 (um escudo e cinquenta centavos era equivalente, na moeda actual, a menos de um cêntimo), tal como O Senhor Doutor, e o preço do Tic-Tac e de O Papagaio era de 1$00, O Mosquito descia a fasquia para os cinquenta centavos (ou cinco tostões, como aparecia escrito na capa, ao lado ou por cima do título da revista).

Autêntica coreografia, com elevado domínio da expressão corporal, é o que se pode admirar nesta capa desenhada por Eduardo Teixeira Coelho

Para além desse aspecto, O Mosquito também ganhou leitores graças ao género das bandas desenhadas que publicava, e até talvez à sua apresentação menos infantil.
Grandes autores estrangeiros passaram pelas suas páginas: Colin Merritt, Reg Perrott, Roy Wilson, Percy Cocking, Walter Booth (ingleses); Angel Puigmiquel, Arnal, Arturo Moreno, Emilio Freixas, Jesús Blasco mais os seus irmãos Adriano, Alejandro e a irmã, Pili Blasco (espanhóis); Darrel McClure, Harold Foster, John Lehti (americanos); Gigi, Marijac, Paul Gillon (franceses). E tantos outros.

A excepcional dinâmica das ilustrações de E.T.Coelho reflecte-se aqui nas imagens de cavalos e cavaleiros

Quanto aos autores portugueses, foi Eduardo Teixeira Coelho (ou E.T.Coelho, ou ETC, como também assinava) quem ficou indelevelmente ligado à memória d'O Mosquito. O seu estilo marcou a revista, tanto com os vários cabeçalhos como com as ilustrações para as capas e novelas, e com as suas bandas desenhadas, com destaque para O Caminho do Oriente.

Mas outros autores adquiriram igualmente prestígio nas suas páginas, como foi o caso de Jayme Cortez (que emigraria para o Brasil), Vítor Péon, José Garcês e José Ruy (este, como autor, só atingiria brilho especial na 2ª série).

O Mosquito foi uma revista que exerceu incomensurável fascínio sobre os seus leitores. Só assim se explica que, oitenta anos após a data do seu aparecimento, continue a ser recordada tão intensamente, como o provam as reuniões comemorativas que anualmente se realizam, inicialmente à volta da imprescindível refeição - inicialmente ao jantar, os três  primeiros organizados por este bloguista, e após interregno de alguns anos, passando para almoço, ao gosto dos novos organizadores  - sempre com a presença de vinte e tantos bedéfilos, autores e leitores, todos "mosquiteiros" indefectíveis.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Pintura e Pintores na Banda Desenhada (I) - "Banda Pintada":e Paula Rego

PAULA REGO
Possessão I -VII, 2004. Pastel sobre papel montado em alumínio (políptico, 7 elementos) 150 x 100cm (cada)


Claro que Possessão I - VII não é banda desenhada, no sentido tradicional da expressão.
Mas do que não restam dúvidas - digo eu -, ao visionar este conjunto de quadros da esquerda para a direita (melhor seria, ainda, se aqui estivessem reproduzidas as sete telas, quais vinhetas-gigantes, numa única fila horizontal), é de que estamos em presença de imagens sequenciais, que plasmam um corpo de mulher numa sucessão contínua de posições, criando um ritmo visual evidente.

E quando falamos de imagens sequenciais, do que é que estamos a falar, se não de banda desenhada? Digamos que, neste caso, tecnicamente, será mais pertinente a expressão "banda pintada".

De resto, é do conhecimento comum que há mais pintores, portugueses e estrangeiros, que se têm deixado seduzir pelo fascínio plástico do movimento sugerido.

Entre os portugueses, Eduardo Batarda é talvez o mais representativo, de que me ocorreu agora mostrar (num futuro "post") uma peça dele, que possuo, e que é uma assumida banda desenhada.

Dos estrangeiros, Goya e Picasso têm telas que têm a ver com o espírito e a linguagem da Figuração Narrativa, não esquecendo Andy Warhol e Roy Lichtenstein, ambos aproveitadores dos grafismos dos "comics".

Todas estas ideias me ocorreram ontem, na inauguração da mostra O Poder da Arte - Serralves na Assembleia da República.

Entre muitas outras obras, lá estavam estas impressionantes pinturas de Paula Rego, num conjunto de sete quadros, todos seguidos, numa linha horizontal. A possibilidade de os mostrar, aqui no blogue, deve-se ao facto de, também ontem, 12 de janeiro, ter sido editado, pelo jornal Público, um encarte dedicado ao evento, encarte esse que foi igualmente distribuído na inauguração a todos os convidados.
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PAULA REGO

Paula Rego, Lisboa, 1935. 
Estudou em Londres. Tem vivido entre Portugal e Inglaterra. Em 1976 acabou por fixar residência em Londres.
A sua primeira exposição teve lugar na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, em 1965.
A qualidade excepcional da sua obra foi reconhecida no Reino Unido onde foi realizada uma retrospectiva, em 1988, na Serpentine Gallery.
Infelizmente, emPortugal ainda há quem se sinta chocado/a com a liberdade artística desta pintora que, compreende-se cada vez melhor as razões, optou por se fixar em Londres para continuar a pintar.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Autógrafos desenhados (II) - Autor: Milo Manara


Desenho original realizado de improviso por Milo Manara - Outubro de 1980, no bar do Hotel Napoleon, Lucca, Itália

Em 1980, o Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione, que se realizava na cidade italiana de Lucca, atingia a sua 14ª edição.

Numa daquelas noites de convívio - ou seja, de copos e conversa - no Hotel Napoleon, local quase obrigatório para finalizar o dia como deve ser, e onde se concentrava a maioria dos autores presentes no evento, tive a oportunidade de, pela primeira vez, contactar com Milo Manara. Claro que, após alguma conversa, pedi-lhe para que ele fizesse um desenho num bloco de folhas destacáveis com que, estrategicamente, andava sempre munido.

Manara aceitou o pedido mas, para desenhar, afastou-se para um canto menos visível. Mal terminara, recomendou-me para não o mostrar a ninguém, a fim de evitar ser assediado por outros.

Com a pressa, preocupado em colaborar para que a cena passasse despercebida, nem me ocorreu pedir-lhe para acrescentar a habitual dedicatória. Mas, como é óbvio, o mais importante para mim, no momento, tinha sido obter o desenho que ilustra este "post".

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MANARA

Síntese biográfica


Maurilio Manara - Milo é o diminutivo do nome próprio - nasceu em Luson (Bolzano, Itália), em Setembro de 1945.

Iniciou a sua carreira na Banda Desenhada em 1969 com a obra Genius, em vinte e dois episódios.
Entre 1971 e 1973, sob apoio literário do argumentista Francesco Rubino, realizou quarenta e oito aventuras, com a personagem Iolanda no papel de mulher-pirata.

Após muitas outras obras em que demonstra indiscutível talento - Decameron, Lo Scimmioto, Giuseppe Bergman - começa a dedicar-se aos temas eróticos, sendo Clic o título mais importante, a que se seguiria O Perfume do Invisível, obra de referência na sua bibliografia, mas por cujo êxito comercial se deixou condicionar.

Manara tem consciência de estar a cultivar um tema que o escraviza. Por vezes ainda tenta esbracejar, como aconteceu com a obra singular O Verão Índio. Embora seja de referir que, para a qualidade atingida, muito contribuíu o superior argumento escrito por Hugo Pratt, com quem ele já não mais poderá contar.

sábado, janeiro 07, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no Cartune e na Internet (V) - "Inflacção" (??)


Inflacção (??), não! Inflação, sim

Erro, e não gralha, confusão plausível com uma palavra que, aparentemente, deveria ter duas consoantes, sendo uma delas muda, mas escreve-se apenas com uma consoante! E, como alguém disse, "a língua portuguesa é muito traiçoeira" em especial nesta história das consoantes mudas....

Erro, pois, cometido no cartune intitulado "Ano Novo", da série diária Simão, o Cidadão - in Jornal de Notícias, 1 de Jan. de 2006.

Em conformidade com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, inflação é substantivo derivado do latim inflatione, que significa "inchamento do estômago". O sentido financeiro aparece talvez apenas no século XX, bem como os derivados inflacionismo, inflacionista.

Não será nada fácil fazer um cartune diariamente, com a obrigatoriedade de ter sempre graça.
Daí que, para começar, faça uma vénia a Zeferino (Coelho), autor do "cartoon", antes de o censurar pelo erro ortográfico. É o que se chama começar mal o ano novo, mas só em termos de uso correcto da língua portuguesa.
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Post remissivo

Deste mesmo tema há 3 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:
2005 - Out. 27 - "vê-mo-nos"; 

Nov.12 - "pareçe"; "esqueçendo"; 
Nov. 28 - "gingeira"

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Castelos na Banda Desenhada (V) - Fictício - Autor: José Morim

Vinheta inicial da primeira prancha da obra em banda desenhada Portugal 8 Séculos

Surpreendente, é como se pode classificar, a ideia de editar um livro de finalidades didácticas realizado, na totalidade, através da BD.

Em desenhos da autoria de José Morim, sob argumento de Maria da Conceição Fernandes, assiste-se ao desenrolar histórico que teve lugar na Península Ibérica, começando pela invasão dos árabes.

É exactamente desse momento que Morim recriou o castelo que se vê na imagem, e que só existe na imaginação do artista.

Com efeito, perguntei-lhe se aquele castelo tinha existência real, ou se tinha sido ele próprio a "construí-lo", tendo ele confirmado esta última hipótese.

Como se trata de um arquitecto, não se estranha a capacidade demonstrada, tanto mais que só precisou de papel, pincel, tinta-da-china, "ecolines" e... talento.
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"Post" remissivo
Neste tema Castelos na Banda Desenhada podem ser vistas imagens dos seguintes autores:

(I) Fictício - Autor: António Vaz Pereira
(II) Faro - Autor: José Garcês
(III) Trancoso - Autor: Santos Costa
(IV) Fictício - Autor: Harold Foster