sábado, março 25, 2006

Autógrafos desenhados (IV) - Moebius

 
Desenho original realizado por Moebius, de improviso (e rapidamente...) no Salone dei Comics, em Lucca (Itália) - Outubro de 1980

Este desenho, autografado por Moebius, é uma das peças pertencentes à excelente "colheita 1980" que fiz em Lucca (Itália), no respectivo Salão Internacional de Banda Desenhada - em rigor, no Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione - no curto período entre 26 de Outubro e 2 de Novembro do citado ano.

Para além do momento em que me fez o desenho que ilustra o presente "post", voltei a encontrar Moebius várias vezes durante o fim de semana, pois todos nós, estrangeiros, quer simples bedéfilos, ou jornalistas, ou autores, acabávamos por cirandar pelos mesmos sítios, numa área relativamente pequena.

E numa dessas vezes perguntei-lhe, em tom de brincadeira:
- Olá, Moebius. Viu por aí o Jean Giraud? Gostaria que ele me desenhasse o Blueberry...

Claro que a respectiva resposta foi um sorriso.

Voltámos a encontrar-nos, em 1982, no 1º Festival de Banda Desenhada de Lisboa, organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada (do qual eu pertencia à direcção), com o apoio da Livraria Bertrand/Vasco Granja e pela Embaixada de França.

Tanto dessa vez, como anos depois no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, como em edições posteriores do Festival International de Bande Dessinée em Angoulême, Jean (Moebius) Giraud teve sempre para mim uma amável saudação.

(Nota "a posteriori" - Deixámos de nos encontrar, definitivamente, em 2012)
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MOEBIUS


Síntese biográfica

Moebius, ou Gir, ou Jean Giraud (Jean Henri Gaston Giraud) - um só autor/artista repartido por três personalidades - nasceu em Nogent-sur-Marne (França), a 8 de Maio de 1938, faleceu em Paris a 10 de Março de 2012 (aditamento a posteriori).

Nos anos de 1956 e 57 ele publica as suas primeiras bandas desenhadas em várias revistas, entre as quais Âmes Vaillantes e Coeurs Vaillants. Em 1961 torna-se assistente de Jijé (Joseph Gillain), e participa no desenho da bd La Route de Coronado, um episódio da série Jerry Spring, publicada na revista Spirou.

A partir de 1968, sob argumento de Jean-Michel Charlier, Giraud desenha Fort Navajo, primeiro episódio da série Blueberry - onde ainda se nota claramente a influência do seu mestre
Jijé.

Exactamente por essa altura, durante um ano, Giraud executa bedês curtas para outra revista, de cariz alternativo, a Hara-Kiri, sob o pseudónimo de Moebius.

Em 1973, com a obra La Déviation, assinada por Gir (o outro dos seus "alter-ego") -, ele volta a desenhar num estilo menos convencional, em contraponto ao que caracteriza a série Blueberry, ao jeito de "western" tradicional.

Em 1974 realiza Cauchemar Blanc para a revista L'Echo des Savanes, e L'Homme est-il bon?, para a mítica Pilote.

Logo a seguir, em 1975, fazendo equipa com Jean-Pierre Dionnet, Philippe Druillet e Bernard Farkas, funda a editora Humanoïdes Associés, donde sairá a excelente revista Métal Hurlant. Além disso, Moebius, enquanto autor, será um dos pilares da novel publicação, para a qual cria Arzach, Le Garage Hermétique e The Long Tomorrow, todas estas obras nos finais da década de 1970.

Anos mais tarde (1988-89) assistir-se-á a nova proeza artística sua: sob argumento de Stan Lee, demonstra que pode fazer deslizar, ao estilo dos super-heróis de origem americana, um dos seus ícones conhecido por Silver Surfer.

Noutras obras, de elevado nível gráfico, designadamente Les Yeux du Chat e John Difool, teve como suporte literário um grande argumentista, Alejandro Jodorowsky.

Quanto à criação mais popular, que nunca abandonou no seu labor como Jean Giraud, a série Blueberry, ele tem-na mantido, embora recorrendo a outros desenhadores - Colin Wilson e William Vance -, agora com argumentos de sua autoria, em substituição do falecido Jean-Michel Charlier, o criador literário do herói Lieutenant Blueberry.
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Autógrafos desenhados anteriores:

(I) - Aragonés - 2005, Dez.26
(II) - Manara - 2006, Jan.12
(III) - Quino - Fev. 11

terça-feira, março 21, 2006

Camões na Banda Desenhada (I) - Os Lusíadas e o Canto IX


Prancha do Canto IX de "Os Lusíadas", na interpretação banda-desenhística de José Ruy

Confesso, pronto, confesso. Estou a iniciar esta rubrica porque hoje é o Dia Mundial da Poesia.

Eu sei, poesia lê-se quando se quer.

Mas um dia dedicado seja ao que for, não faz mal nenhum, desperta, pode despertar, insuspeitados, adormecidos, nunca antes pressentidos fluxos de interesse. Eu acho.

Um exemplo: Rui Faustino, pessoa que eu ainda ontem não sabia quem fosse, resolveu fazer, junto à estátua de Camões, uma instalação poética, composta por quatro poemas dele próprio em telas gigantes.

Isto como "protesto poético" pelo facto de, como ele disse, "Portugal não lê os poetas que tem, e as editoras publicam pouca poesia".

Bem, neste caso, eu acrescento que sempre considerei os poetas grandes fazedores de fanzines, na área dos "poezines", ou seja, são frequentemente editautores de pequenos fascículos com a sua própria poesia, a que chamam "edição de autor" (e os fanzines são issomesmo, em muitos casos).

Agora falando de Camões, Luís Vaz de Camões, ou melhor, de Os Lusíadas, ou mais propriamente, do Canto IX.

Este Canto, o nono, no tempo da "Outra Senhora", estava no Index das autoridades responsáveis pela educação dos jovens. Por esse motivo, o estudo desta obra maior da Literatura Portuguesa era truncada, poupando à imaginação da juventude da época descrições classificadas como obscenas e frases consideradas licenciosas, que poderiam perverter-lhe a moral, tipo "Oh que famintos beijos" (...) "Que Vénus com prazeres inflamava", e outras do género, como se pode ver ao ampliar-se a imagem da prancha extraída do 3º volume, e último, da edição de 1984 (ainda da Editorial Notícias), que engloba os Cantos VIII, IX e X de Os Lusíadas, na adaptação em banda desenhada, por José Ruy, que respeitou na íntegra o texto original. 


Capa do 3º álbum da obra Os Lusíadas - Adaptação em banda desenhada, por José Ruy

Voltando ao motivo que me induziu a iniciar esta nova rubrica Camões na Banda Desenhada. Criei-a, porque é um tema que "dá pano para mangas" na BD. Aliás, nesta entrada de hoje, não vou mostrar a figura de Camões como personagem de Banda Desenhada. Mas, claro, aproveito uma capa desenhada por José Ruy para Os Lusíadas, a fim de ilustrar o "post".

E agora vou largar o meu querido blogue, vou dar por findo este "post" dedicado a Camões, aos Lusíadas, e implicitamente, à Poesia neste caso na Banda Desenhada, e vou a correr até ao bar do Teatro A Barraca, porque hoje é terça-feira, dia (sempre às terças-feiras) em que Changuito diz (muito bem) poesia. E atenção: isso de às terças-feiras haver quem diga poesia - já aconteceu ser a Maria do Céu Guerra - e eu ir lá ouvir, acontece muitas vezes, não tem nada a ver com comemorações de quaisquer dias de poesia.

(Mas acabo como comecei: não faz mal a ninguém que haja esse dia).

segunda-feira, março 20, 2006

Jornais com Banda Desenhada - Mundo Universitário (VI) - 20 Mar. 06 - Uma bd de Joana Figueiredo

Um novo anti-super-herói criado em território lusitano por Joana Figueiredo, novel autora portuguesa

O semanário gratuito Mundo Universitário é, actualmente, a publicação periódica mais importante para a Banda Desenhada, ao nível de reprodução, paga, de bandas desenhadas originais de numerosos autores portugueses.

Não sei se a afirmação irá chocar alguém, mas faço-a consciente do ambiente actual: apenas o BD Jornal e a revista Kulto concorrem neste segmento, publicando obras pagas e com periodicidade. Não incluo algumas das revistas que têm sido referenciadas neste blogue porque, nesses casos (e mais algumas ainda não citadas) apenas incluem, cada uma delas, uma BD de colaborador fixo.

Agora que passou a semanal, maior será a lista de autores/artistas meus convidados a colaborarem. Mas se, entretanto, algum estudante universitário, leitor deste jornal, estiver interessado em mostrar-me produção própria, pode escrever-me para Apartado 50273 - 1707-001 Lisboa.

Esta semana, no nº 32 do Mundo Universitário, apresenta-se à leitura/visionamento uma bd de "Jucifer", aliás, Joana Figueiredo (a segunda autora a colaborar), traçada num grafismo irreverente, englobável na chamada corrente alternativa, cujo espírito se apreende de imediato no título "Super Barnacle Adventures", um anti-super-herói à medida do espírito irreverente e gozão da sua jovem e, aparentemente, plácida autora.
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Joana Lucas Figueiredo nasceu em Lisboa, a 24 de Fevereiro de 1982.
Tem bandas desenhadas publicadas em vários fanzines - alguns deles sendo ela editautora - de que ressaltam os títulos Amo-te,Osso da Pilinha, Na Verdade Tenho 60 Anos, Stereoscomics Special SPX (França), Cindy, Milk & Wodka (Suiça), Menina Jesusa, Chicken's Bloody Rice e Last Hurrah.
Participou na antologia internacional Mutate & Survive e nos três números da CanibalCriCA Ilustrada.
Tem ligações ao colectivo de artes plásticas Crime Creme e faz o blogue http://www.crime-creme.blogspot.com. Lamento que o citado seja apenas de Ilustração, que respeito muito, mas neste blogue, "Divulgando Banda Desenhada", dá-se prioridade a esta dama, porque é de BD que estamos a falar. Como o "crime-creme" foi iniciado este ano, espero que venha a abarcar também a BD, afinal de contas a área onde a Joana mais tem trabalhado até agora.
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P.S. não é isso,é "post scriptum :-) - Reparei, ao observar a banda desenhada da Jucifer (Joana Figueiredo) que, por lapso não sei de quem lá do jornal, aparece o nome, erroneamente, de Andreia Rechena na margem inferior direita. Coisas (menos boas) que às vezes acontecem.
Aqui fica o esclarecimento "a posteriori".

domingo, março 19, 2006

Jorge Colombo vem dos States de visita ao Portugalito. Ora Viva!

Página inicial do suplemento "Tablóide", editado entre 21 de Setembro de 1985 e 20 de Setembro de 1986 no jornal "Diário Popular"

Em 1985 estava eu em contacto com pessoas do jornal Diário Popular, e tinha-lhes posto a hipótese de um projecto relacionado com Banda Desenhada, que, de facto, viria a ser concretizado.

E que se baseava no seguinte: no formato tablóide daquele (entretanto extinto) jornal, eu iria coordenar um suplemento sabadal, que se intitularia Tablóide (por associação óbvia), onde entrevistaria, semanalmente, um autor da nova camada que surgia na altura: Jorge Colombo, Pedro Morais, Luís Louro, Luís Diferr, Renato Abreu, José Abrantes, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Pedro Nogueira, "Pitágoras" (Nuno Beirão, depois arquitecto, perdi-o de vista),Miguel Alves (actualmente cnhecido por Pedro Burgos na BD, e Pedro Cabrito, enquanto arquitecto), uma rapariga - a única - chamada Alexandra, aliás Maria Alexandra Soveral Rodrigues Dias (mais tarde professora na Universidade de Évora, esquecida da BD), e mais alguns que ficaram pelo caminho.

Voltando ao projecto: nessa mesma semana, no verso da página, iniciar-se-ia uma bd do autor entrevistado, bd essa que terminaria no sábado seguinte, com mais duas pranchas (modelo que não foi sempre seguido, tendo algumas bedês mais páginas do que as inicialmente previstas...).

Ora o primeiro autor que contactei foi Jorge Colombo, porque o considerava especialista em grafismos (e não só), para que fosse ele a desenhar o cabeçalho do suplemento, que se iria chamar "Tablóide", com uma única exigência da minha parte: que as letras "b" e "d" da palavra ficassem com destaque. O Jorge, por seu turno,impôs também uma condição: ser ele o autor da banda desenhada inicial. Claro que aceitei com muito gosto (mas mesmo muito gosto!) a imposição do jovem.

Devido à redução, não será fácil ler o texto da imagem reproduzida no início do presente "post", onde consta a entrevista que fiz ao Jorge Colombo, quiçá uma das primeiras que ele terá concedido para jornais, publicada a 21 de Setembro de 1985, acompanhada, no verso da folha, pela sua bd curta intitulada "O Relvado". Será que esta pequena colaboração consta do já extenso e valioso currículo do ilustre artista?

Reprodução de uma ilustração de Jorge Colombo, reproduzida na revista-suplemento "Pública" (com a devida vénia ao autor e à revista)

Claro que este "post" foi provocado pela leitura, na edição dominical do jornal "Público", na revista-suplemento "Pública", de um artigo em muito boa prosa, assinado por Alexandra Prado Coelho, acerca de Jorge Colombo. E como seria de esperar, o texto vinha complementado com uma ilustração bem ao seu estilo, aquela que se reproduz acima.

Fazendo o necessário flashback, devo dizer que conheço os irmãos Colombo, Jorge e Vasco, desde meados da década de 1980. O Jorge, que tem uns anitos a mais do que o Vasco, começara a tornar-se notado a fazer bandas desenhadas e a escrever sobre elas (fez crítica sobre BD na revista Tintin).

Com alguma influência, inteligentemente assimilada, de Loustal - o caderno com que sempre andava, cheio de desenhos tipo linha clara, com legendagem muito bonita e certinha, era disso exemplo -, e uma grande admiração pelo seu vizinho (na época) Victor Mesquita, Jorge Colombo tornou-se uma referência de qualidade e originalidade.

Aconteceu que uma vez foi aos EUA ter com a americana namorada, e por lá ficou. Só o voltei a ver, há alguns anos, na inauguração de uma exposição com desenhos seus na Bedeteca de Lisboa, intitulada Fullerton.

Hoje soube que o JC está (ou esteve) por cá. Espero que ele veja este blogue, como eu já tenho visto o "site" dele www.jorgecolombo.com, e muito tenho apreciado as numerosas ilustrações, muitas fotografias, e algumas bandas desenhadas (para as ver, clicar em "drawings" e seguidamente em "comix").

Dessas poucas bedês, destaco: "Below 14th Street", que teve tradução para português por João Paulo Cotrim (por que motivo terá sido necessário o JPC traduzir o texto original, em vez de ser o próprio JC a fazer a versão portuguesa?) e publicação no Diário Económico, além de duas outras publicadas no Pulse Magazine, One From the Heart e Peter Mintun.

Da entrevista que lhe fiz para o "Tablóide" respigo uma frase "não faço filmes, porque não há dinheiro, nem BD porque não vejo sítios onde a publicar", e a seguinte pergunta e respectiva resposta:

"G.L. - Um panorama sem dúvida pobre o da BD portuguesa. Haverá alguma coisa nela, hoje, que valha a pena destacar?"

"J.C. - As pastas onde o Pedro Morais ou o Pedro Cavalheiro guardam os seus originais são dos meus locais de leitura favoritos. Se eu tivesse uma data de contos para perder, editava-os."

Assim pensava em 1985 o Jorge Colombo, nascido em Lisboa em 1963, conforme consta do texto da entrevista com que se iniciava a primeira página do suplemento "Tablóide".

sexta-feira, março 17, 2006

Linguagem e Convenções Gráficas na BD - Picado e Contrapicado (I) - Autores: Phill Jimenez e Andy Lanning


O virtuosismo dos autores/artistas da Banda Desenhada manifesta-se nos vários pormenores estilísticos, nos enquadramentos, nas perspectivas, na expressividade dos rostos, na expressão corporal, na naturalidade da gesticulação.

No que se refere aos enquadramentos mais representativos do talento do artista incluem-se o picado (ou, na terminologia inicialmente utilizada, por influência do idioma francês, "plongée"), que, como se sabe, é o termo técnico usado para designar uma tomada de vistas de cima para baixo, e contrapicado (ou "contre-plongée"), que se aplica à cena observada de baixo para cima.

Sendo esses enquadramentos bastante frequentes, explorados esteticamente desde a BD Clássica, ocorreu-me mostrar, a pouco e pouco, algumas imagens representativas, desenhadas pelos mais diversos autores.

Ao rever um "comic-book" da DC (nº 181, Jul. 2002), dedicado à Wonder Woman, na série "Battle for the Lost World", deparou-se-me uma bem representativa vinheta (neste caso, vinheta-prancha, visto ocupar uma página inteira).

São seus autores Phil Jimenez (desenho a lápis), Andy Lanning (passagem a tinta/Arte Final).

quarta-feira, março 15, 2006

Jornais com Banda Desenhada (V) - Mundo Universitário - 13 Março 06 - Autor: Pedro Nogueira

Devido a problema informático não detectado atempadamente, esta banda desenhada ficou truncada, faltando-lhe as três vinhetas da tira vertical direita. Oportunamente voltará a ser reproduzida. (*)

O jornal Mundo Universitário - 40.000 exemplares distribuidos gratuitamente pelas Universidades e/ou Faculdades de todo o país - esteve um mês sem aparecer, a fim de ser reestruturado. E porquê?

Porque os seus editores resolveram mudar-lhe a periodicidade: em vez de quinzenal, passou agora a semanal a partir de 13 de Março, 2ª feira.

E passará a ser nesse dia da semana, à 2ª feira, que o Mundo Universitário estará disponível, nos já conhecidos expositores metálicos de cor azul escura, em locais acessíveis a todos os estudantes, mas igualmente a todos os bedéfilos interessados que se dêem ao trabalho de revisitar a sua antiga Faculdade.

No presente número 31, em espaço coordenado por este mesmo bloguista, surge (truncada), a banda desenhada O Princípio, o Meio e o Fim, da autoria de Pedro Nogueira.
Como já está indicado em legenda sob a prancha de BD, ela será de novo reproduzida em data posterior.

(*) Foi reproduzida correctamente na edição do jornal Mundo Universitário nº 38, de 22 de Maio de 2006.
Ver post de 2006, Maio 24

segunda-feira, março 13, 2006

Revistas com Banda Desenhada (IV) - "Kulto" - Autores: Ana Freitas e Nuno Duarte

Prancha nº 23 da mangá realizada por Ana Freitas (desenho) e Nuno Duarte (argumento) para a revista semanal "Kulto"

O jornal diário "Público", aos Domingos, distribui, juntamente com a revista "Pública", como encarte, uma outra mais pequena intitulada "Kulto" que, desde o início, tem publicado Banda Desenhada (Aleluia!).

Enquanto autores dessa componente banda-desenhística constam os nomes de Ana Freitas (no desenho), e Nuno Duarte (no argumento).

Desde Junho do ano passado que esta excelente dupla se tem mantido em permanente actividade: a bd inicial intitulou-se Undercover 2: Merc Wars, estando actualmente em publicação uma mangá (bd japonesa, como já quase toda a gente sabe), a cores, ao ritmo de uma prancha semanal no conceito de "continua no próximo número", sob o inusitado título Meia Noite e Três.

A extensa e bem conseguida mangá atingiu o 23º episódio no nº 41 da "Kulto", editada no passado Domingo, 12 de Março.

Parabéns aos autores, Ana Freitas e Nuno Duarte.
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Ana Freitas, de seu nome completo Ana Isabel Mota de Freitas, nasceu em Lisboa em Fevereiro de 1971.
Não estudou Desenho, mas sim Sociologia, embora não tenha completado o curso.
Começou por fazer banda desenhada num fanzine, o "BDzona".
Actualmente tem estado a fazer bandas desenhadas, a cores, desde Junho de 2005, sempre sob argumentos de Nuno Duarte, para a revista "Kulto" (encarte da revista-suplemento "Pública", editada dominicalmente com o jornal "Público"). A bd mais recente, intitulada Meia Noite e Três insere-se no estilo "mangá", que a artista realiza com notável mestria.
Ana Freitas foi "Convidada Especial" da [associação informal] Tertúlia BD de Lisboa, em Março de 1997.
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Nuno Duarte é o nome literário de Nuno Miguel Nunes Duarte.
Nascido em Lisboa (Janeiro de 1975), é um dos raros casos de dedicação ao argumentismo.
Começou por participar, com textos e argumentos para vários desenhadores (Nuno Matos, Bruno, Potier, entre outros) nos fanzines "Shock", "Luso Comix", "Vega" e, mais tarde, colaborou com "Killer Season Fanzaine".
O seu nome tem aparecido também em publicações profissionais nessa faceta de argumentista: "Selecções BD" (Abril 2000) com a história Génese; e na "Hallucination Studios Anthology Collection", revista canadiana, para a qual escreveu o texto de Jazz, em Julho 2000.
Colaborou no jornal "Correio da Manhã", na secção "Os Patinhos", publicada aos Domingos.
Foi argumentista da série As Aventuras do Pantufa.
Para o livro "Mutate and Survive" escreveu o argumento de Mande-me um fax.
Fez argumentos também para os "Fantasia Estúdios" e "Grupo Aparte".
Escreveu textos de crítica e divulgação na revista "Selecções BD", e na edição "online" da secção de Banda Desenhada do jornal "Público".
Foi o organizador da Exposição "60 Anos da BD norte-americana" para a Biblioteca Municipal de Almeirim.
Tem artigos de opinião publicados na revista britânica "Comics International".
É o autor, desde 2005, de argumentos para Ana Freitas, cujos resultados em BD tiveram os títulos Undercover 2: Merc Wars e Meia Noite e Três.
Nuno Duarte teve já um destaque público na Tertúlia BD de Lisboa, onde foi o "Convidado Especial" em Maio de 2002.

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Deste mesmo tema há textos em datas anteriores: 18 Fev., 25 Fev., 3 Março

sexta-feira, março 10, 2006

Língua portuguesa em mau estado (VIII) - Príncipe Valente - "se não poderem" (?)

"Se não poderem" (?)

Erro gramatical na terceira linha da 3ª vinheta da prancha 357 (Volume referente aos anos 1943-44).
 

Devia estar "se não puderem", em vez de "se não poderem"

Aqui fica uma frase - exemplo da diferença entre poderem e puderem:

O Manuel Caldas e o José Vilela vão editar o "Príncipe Valente" até poderem aguentar o investimento. 
Se puderem ir até ao último fascículo sem terem prejuízo, será caso para festejarmos. 
Oxalá o consigam!

Reprodução da prancha 357 do volume da obra Príncipe Valente - Nos Tempos do Rei Arthur, onde se inclui, na primeira tira, a vinheta sob análise

Do excelente trabalho editorial e técnico realizado por Manuel Caldas, só há razões para elogios.

Mas, claro, não é por admirar a coragem e persistência, além da perfeição técnica no trabalho que ele está a levar a cabo, que evitarei chamar a atenção para erros ortográficos que considere relevantes.

Isto por considerar que o elevado nível visual apresentado nesta edição implica igualmente uma atenta e competente revisão ortográfica.

Aliás, apenas neste mês, um ano após a saída, em Março de 2005, do álbum sob análise, relativo ao período 1943-44, primeiro a ser impresso - embora, cronologicamente, não represente o início da saga Fosteriana - me decidi a esta, ingrata e nem sempre recebida pacificamente, tarefa de chamar a atenção para alguns dos erros ortográficos, e até falhas menos importantes, que, nem uns nem outras, deveriam ter ficado a manchar o brilho global da obra.

Amigo Manuel Caldas, "sans rancune".

Para além daquele mais grave com que inicio o "post", faço o registo de outros dois erros.

Na ficha técnica, logo no início do volume, está escrito:
"contra-capa", quando o correcto é contracapa

Também me merece um reparo, mas por diferente motivo, o facto de o editor escrever, na rubrica "anotações, comentários,observações e registos vários" (que aparece na última folha do volume), referindo-se à 346ª prancha, o seguinte: "Recorrendo a caracteres góticos, Foster inaugura o novo cabeçalho, o definitivo, aquele que vem de imediato à mente dos seus leitores/visionadores quando se pronuncia o nome da série (...)"

Dito isto assim, depreende-se que ele próprio o prefere, esteticamente falando.
Então por que razão não adoptou esse grafismo para a capa?

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"Post" remissivo
 
Deste mesmo tema há 7 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:

2005 - Out. 27 - "vê-mo-nos"; Nov.12 - "pareçe"; "esqueçendo"; Nov. 28 - "gingeira";Dez.11 - "Benvindos"; 2006, Jan.7 - "Inflacção"; Jan. 16 - "Uma" fanzine; Fev. 22 - "Univos"

quarta-feira, março 08, 2006

Críticas e Notíias sobre BD na Imprensa (XI) - "Banda Desenhada" no Jornal de Notícias


Atenção: para ampliar devidamente este recorte e permitir a leitura, são necessárias duas acções: 1ª - Clicar em cima, como é habitual; 2ª - Mantendo o cursor em cima desta primeira ampliação, esperar que apareça, no canto inferior direito, um ícone (quadrado, de cor alaranjada, com quatro setas azuis, uma em cada ângulo do quadrado) e clicar-lhe em cima.

Uma coluna de crítica sempre actualizada, que tanto se debruça sobre edições nacionais como brasileiras, espanholas e francesas. Vale a pena acompanhá-la, semanalmente, aos Domingos.

Tem por título "Aos Quadradinhos", a rubrica coordenada e escrita por Pedro Cleto (*) publica-se no Jornal de Notícias desde 11 de Fevereiro de 1998. A única coisa a lamentar é o exíguo espaço que aquele jornal nortenho lhe disponibiliza actualmente, apenas 1300 caracteres, quando no início eram mais generosos admitindo textos com 2400 caracteres.

O dia de saída também tem variado: foi à 3ª feira desde o início até 25 de Fevereiro de 2003, com algumas saídas à 4ª feira; depois passou para o sábado, até que estabilizou na publicação dominical.

Um excelente trabalho de crítica e, simultaneamente, de divulgação bedística, a que vem realizando aquele especialista no dito jornal há já oito anos.

Uma curiosidade: já sairam 336 colunas com a rubrica "Aos Quadradinhos"! Além de que, ocasionalmente - portanto de forma esporádica - quando há alguma efeméride ou evento especialmente importante, o JN disponibiliza espaço maior, num qualquer dia da semana, para que o crítico de BD possa fazer a respectiva divulgação.

(*) Pedro Filipe Cleto e Pina da Silva nasceu no Porto a 23 de Julho de 1964, e tem um bacharelato em Engenharia Química.

No seu currículo, entre muitas outras actividades em prol da BD, consta a co-organização do (extinto) Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, tendo também sido membro do Projecto Comicarte, e colaborador do JN para a área da BD desde 31 de Janeiro de 1987.

No
Jornal de Notícias costumava assinar "Aos Quadradinhos" pelo seu nome literário, Pedro Cleto. Desde há uns tempos que passou a identificar-se por F. Cleto e Pina.
Tal esclarecimento destina-se a quem, motivado por este texto, compre, num qualquer domingo, o
JN, e não veja o nome de Pedro Cleto a assinar a rubrica.

sábado, março 04, 2006

Concurso de Banda Desenhada Infanto-juvenil de Colares - Premiados

1ª prancha de um total de três, de uma bedê (sem título) ao estilo mangá
1º Prémio dos concorrentes do 1º Escalão - dos 13 aos 16 anos
Lara Santos - 16 anos
1ª prancha de um total de três da bedê "Alex, o lutador"
1º Prémio dos concorrentes do 2º Escalão - dos 8 aos 12 anos
André Mota - 9 anos, autor da banda desenhada "Alex, o lutador"

sexta-feira, março 03, 2006

Revistas com Banda Desenhada (III) -"Gente Jovem" - Autor: Algarvio

A série em banda desenhada intitulada Que Cena, Rita!..., é da total autoria de Algarvio (desenho e argumento).

O episódio acima reproduzido aparece no nº30 da revista mensal "Gente Jovem", datada de Março 06.

Visto tratar-se de uma revista orientada basicamente para o público feminino, as bandas desenhadas de Alex Algarvio, caracterizam-se por temas que têm a ver com situações em que as mulheres, sobretudo jovens, participam como personagens principais.

A história deste episódio autoconclusivo passa-se no dia 8 de Março, "Dia da Mulher", e tem um certo sentido didáctico, dando pistas acerca do aparecimento desta celebração. E acaba por fazer uma petição: a de que todos os dias sejam também assim considerados.
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Algarvio, que, por vezes, também assina Alex Algarvio (Alex de Alexandre, claro) nasceu a 10 de Junho de 1966.
Licenciou-se em Design de Comunicação pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa -ESBAL.
Tem participações várias em concursos de BD (duas menções honrosas em Amora, 1982, um 1º Prémio atribuído pela G.S.A.L., entre outras distinções).
Esteve representado em várias exposições.
Fez a bd "Megatoons" para a revista BIT, que continuou noutra revista, a "Megascore"; é também autor completo da bd "Um Pixel a mais", para a revista "Fotodigital".
Passou a fazer, em 2003, o webcartoon "Cartoon do Algarvio";
Em 2003 iniciou a bedê "Não me sujem o sofá com pipocas", na revista Videodigital.
Tem copioso trabalho na Ilustração.
Foi o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa em Novembro de 2004.
O site dele tem o endereço: www.alexalgarvio.com

quinta-feira, março 02, 2006

Tertúlia BD de Lisboa - Ano XX - 256º Encontro

Capa do álbum "O Povoado Pré-histórico de Leceia", desenho de José Santos, argumento de Alexandre Gonçalves

Homenageado
José Santos (José Manuel Caeiro Santos)
Nascido em Lisboa a 22 de Junho de 1946.
Pintor, Publicitário, Autor de Banda Desenhada e Cartune.

Na área da BD tem a seu crédito, entre trabalhos menos importantes - por exemplo, um mini-álbum em formato quadrado (21x21cm), de carácter didáctico, intitulado:
"O meu primeiro livro sobre o Euro"
E também as obras editadas em álbuns brochados, em formato normalizado:

"Foi Você Que Votou Neles?" (editado em 1995)
"O Povoado Pré-histórico de Leceia" (editado em 2001)

A Tertúlia BD de Lisboa terá o seu 256º Encontro na próxima 3ª feira (primeira do mês, como sempre), dia 7 de Março, num restaurante do Parque Mayer, a partir das 20h00, e prolongar-se-á até às 23h00.

Quem estiver interessado em participar - condição "sine qua non": ser apreciador de banda desenhada, autor, leitor ou faneditor - deixe aqui um comentário, indicando o nº do telefone ou e-mail.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Autor de BD em contacto pessoal com o seu herói (I) - Chester Gould e Dick Tracy

Chester Gould, o criador da personagem Dick Tracy, desenhou-se a ser observado pelo seu próprio herói (desenho extraído do livro "Comics and their Creators")

Autocaricatura realizada pelo autor/artista Chester Gould em 1942, com a curiosidade de ter desenhado o seu próprio herói, Dick Tracy, a interpelá-lo com ar crítico, dizendo-lhe:

"Ouve, tem de haver mais acção - histórias melhores, legendagem mais curta (balões mais curtos) - e raparigas (personagens femininas) mais bonitas".

Nota do bloguista-editor: Já existe aqui no blogue a rubrica "O Autor dentro da BD" (com entradas em Nov.16 e Out.25 de 2005).
Como facilmente se depreende, na rubrica agora iniciada, a situação é diferente; a única semelhança com a anterior é o facto de o autor se apresentar em autocaricatura. Porque, neste novo enfoque, autor e personagem estão situados fora da banda desenhada.

sábado, fevereiro 25, 2006

BD portuguesa em revistas não especializadas em BD - "Vega" - Autor: Richard Câmara

Reprodução parcial (uma prancha de um total de duas) do primeiro episódio da série "As Inusitadas Aventuras do Capitão Vega"

Continua-se nesta rubrica a manter o propósito de incluir aquelas revistas que, projectadas, cada uma delas, para a publicação dos mais díspares temas, dedicam algum espaço - normalmente uma página apenas - à BD.

Trata-se, neste caso, de uma publicação que se debruça sobre actividades marítimas. E, no meio do seu bem apresentado miolo, surge uma bd de duas pranchas, a cores.

Escrita e desenhada por Richard Câmara, a banda desenhada reproduzida nas páginas 74 e 75 deste número intitula-se "As Inusitadas Aventuras do Capitão Vega", com este primeiro episódio subtitulado "Camarões aos Milhões!"

Logicamente, e como os título e subtítulo deixam prever, o tema insere-se no ambiente marítimo.
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RICHARD CÂMARA

Síntese biobibliográfica

Richard Câmara nasceu na Bélgica, concretamente em Bruxelas, corria o ano de 1973. Tendo vindo para Portugal, licenciou-se em Arquitectura na Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa (1997).
Actualmente está a residir em Madrid, embora com frequentes regressos a Lisboa.

Foi bolseiro do Programa de Bolsas de Criação Literária do IPLB/MC - Instituto Português do Livro e das Bibliotecas do Ministério da Cultura, para um projecto de adaptação de contos tradicionais marroquinos em Banda Desenhada (2002/2003).
Possui Cursos de Cinema de Animação, Ilustração Infantil e Banda Desenhada do CITEN -Centro de Imagem e Técnicas Narrativas, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (1998 - 2001).

Foi Monitor de "workshops" de Banda Desenhada para crianças e adultos com o CITEN e o Sector educativo do CAM - Centro de Arte Moderna, ambos pertencentes à Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2002 - 2004).

Participou em concursos desde 1995, onde obteve várias distinções,designadamente:
Prémio BD "Melhor Argumento" e selecção para exposição no "Fumetto Internationale Comix - Festival de Luzern, Suiça (2004);
3º Prémio de Banda Desenhada no concurso "Cena d'Arte 2001", Lisboa (2001);
1º e 2º Prémios de Ilustração, no concurso "Ambiente", da Faculdade de Economia do I.S.C.T.E. (1997);
2º Prémio de BD no 1º Concurso Internacional "Cidades Geminadas", em Póvoa de Varzim (1996);
1º Prémio de Cartoon no 6º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (1995).

Tem as seguintes bandas desenhadas publicadas em álbum:
"A Caixa Vermelha", sob argumento de Miguel Valverde, no álbum "Memórias 10" - Edição do CITEN, em 2005;
"BZZzzZT",na colecção Lx Comics, da Bedeteca de Lisboa, e "O Capuchinho Vermelho - na versão que as crianças mais gostam" (Edições Polvo), ambas em 2003;

Outros tipos de trabalho, essencialmente na área da Ilustração, estão dispersos por diversas publicações, entre as quais:
Diário de Notícias (DN Jovem), Expresso (Suplementos "Economia", "Vidas" e "Única"), Independente, Público (Edição Público Ilustrado) e Combate.
Colaboração, desde 2003, no fanzine de BD e Ilustração Milk & Wodka (Zurique);
Participação, em 2001, na Antologia Internacional de BD e Ilustração "Mutate & Survive".

Algumas das exposições para as quais teve obras seleccionadas:
Colectiva "As minhas primeiras 80 mil palavras: Dicionário Ilustrado", no 6º salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada (2005);
Individual referente à obra "O Capuchinho Vermelho", no Salão Lisboa (2003);
Colectiva do livro "BZZzzZT" na Bedeteca de Lisboa (2003);
BD e Ilustração "Mutate & Survive", da Associação Chili Com Carne (2001);
"40" International Knokke-Heist Cartoon Festival, Bélgica (2001)

Tem elementos biográficos publicados no "Catálogo de Autores de Banda Desenhada Portuguesa"), uma edição do CNBDI - Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, Amadora.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet (VII) - "Univos"?


"Univos", não; Uni-vos, sim.

Com a devida vénia ao autor e ao jornal Público, de cujo suplemento "O Inimigo Público" nº 126, de 17 de Fevereiro, se reproduz o cartune visível acima.

Que, antes de mais, fique claro: tenho grande consideração ao nível artístico (bem como pessoal) pelo banda-desenhista e cartunista Nuno Saraiva.

Isto não impede que chame a atenção para o erro constante da frase "Ricos e Pensionistas Univos!".

Pode parecer apenas gralha, mas eu conheço o rapaz Saraiva há muitos anos, e sei como ele esgota a concentração no desenho, e se balda por vezes no texto.

Se eu fizesse pontaria para toda a legendagem de "Filosofia de Ponta", obra bem escrita, literariamente falando, pelo saudoso Júlio Pinto...
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"Post" remissivo
 
Deste mesmo tema há 6 "posts" afixados anteriormente, nas seguintes datas:


2005 - Out. 27 - "vê-mo-nos"; Nov.12 - "pareçe"; "esqueçendo"; Nov. 28 - "gingeira";
Dez.11 - "Benvindos"; 2006, Jan.7 - "Inflacção"; Jan. 16 - "Uma" fanzine;

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Fanzines, esses desconhecidos (IX) -Tertúlia Lisboa dos Fanzines - Encontro de 21 Fevereiro

Fanzines, esses F(8 Capa do livro The World of Fanzines, de Fredric Wertham

Amanhã, terceira 3ª feira do mês, é dia de encontro de fanzinistas - editores de fanzines, antigos ou actuais, e autores/colaboradores deste tipo de magazines.

Como tema de conversa levarei o livro The World of Fanzines: A Special Form of Communication - uma raridade, que tive a sorte de conseguir comprar à "Amazon" (sob as instruções técnicas do amigo J.J.Monsanto, que me ajudou a preencher os requisitos exigidos), em Março de 1999, pelo preço-pechincha de US$35.99, mais 5.95 de transporte de Seattle para Lisboa. Um momento inesquecível quando recebi o livro!

Acerca do livro e do seu famoso autor, Fredric Wertham - com triste fama no mundo da Banda Desenhada -, direi mais alguma coisa no meu outro blogue fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com

sábado, fevereiro 18, 2006

Revistas com Banda Desenhada (I) - Periférica

Os três primeiros passos, de um total de dez, para escrever um romance à maneira de António Lobo Antunes

Não há, neste momento, aquilo a que se possa chamar com propriedade, uma revista de banda desenhada - com periodicidade, distribuição a nível nacional, colaboradores remunerados, trabalhos gráficos sem ar de improvisos desgarrados -, pese embora a existência de algumas publicações que se autoproclamam dentro desse âmbito.

Mas há várias revistas que, não sendo da especialidade, inserem alguma BD entremeada com textos ficcionais e outros, de índole diferente.

É o que acontece na revista Periférica - Ano IV - Nº 14 - Inverno de 2006, na rubrica "Manual de Instruções para Crimes Banais", nas páginas 48 e 49, onde aparece o tema "Escreva o seu próprio romance Lobo Antunes em apenas dez passos", sendo de Hugo Pena o desenho, e de Jorge Pedro Ferreira o argumento.

A forma como foi planificada a apresentação da peça, com vinhetas sobre textos didascálicos, seguindo as imagens uma sequência visível - mesmo que algo espaçada -, permite classificá-la como banda desenhada ao limite.

Dela se reproduzem, remontadas, três vinhetas de um total de dez. Apenas um acepipe para quem quiser ver a peça inteira...
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À laia de posfácio...

Na pequena aldeia de Vilarelho, Concelho de Vila Pouca de Aguiar, na parte Sul da Serra de Padrela, planalto de Jales, escondida neste Portugalito, editou-se uma revista denominada "Periférica". E, considerando que os focos culturais mais intensos do dito cujo pequenino país, são Lisboa e Porto, o local donde ela emergiu pertence à periferia da cultura, teoricamente falando.

Contrariando tal hipótese, ali nasceu a Periférica, que teve quatro anos de vida, período de tempo que tanto se pode considerar longo, como curto - tem tudo a ver com o habitual período de vida das revistas culturais. Até mesmo entre as que se editam nas urbes mais importantes do país, poucas são as que sobrevivem muito tempo (e se sobrevivem, é porque estão amparadas a entidades sólidas, tipo "Vértice" e Editorial Caminho).

Assisti, em Lisboa, em pleno Bairro Alto, na saudosa livraria "Ler Devagar", à apresentação da revista. Não me recordo do nome das pessoas que lá estiveram a falar acerca da novel publicação, dos seus propósitos e esperanças.

Claro que não perdi a ocasião de lhes perguntar se a banda desenhada também seria contemplada nas páginas da Periférica. Responderam que sim, embora com parcimónia. E assim aconteceu.

Neste derradeiro número publicado, além das tiras que reproduzi (parcialmente) aqui no blogue, na entrada que fiz ontem, e da bd que mencionei, feita em oito pranchas por Pascal Thivillon, houve ainda espaço para uma bd em duas pranchas (num total de dez vinhetas), dedicadas, em tom satírico, ao processo literário de António Lobo Antunes, de que reproduzo um curtíssimo excerto de três imagens.

Para se perceber que não se trata de uma especial animosidade contra aquele escritor, antes uma caricatura abrangente, anunciava-se - para um próximo número que já não será publicado - "receita para a escrita do seu romance Saramago em apenas nove passos".

Quanto eu gostaria de ver mais essa lição do bem imaginado "Manual de Instruções para Crimes Banais".

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Blogues aos quadradinhos


Com a devida vénia a quem de direito, reproduzem-se neste "post" excertos de duas tiras (verticais), não assinadas, mas cujo estilo é exactamente o mesmo da bd "Lado a Lado" (oito pranchas a preto e branco), onde é indicado Pascal Thivillon como autor.

As duas tiras (que, completas, são compostas por quatro vinhetas cada), tal como a bd "lado a Lado", são reproduzidas na revista "Periférica" (www.periferica.org) nº 14 - Inverno de 2006, sua derradeira aparição.

"E pronto". A frase é explícita, e completa a excelente composição da capa do derradeiro número da revista Periférica, dando exactamente esse ar de algo que acaba nesse preciso momento. Ou que, por agora, nada mais há a fazer.

"Periférica", por insólito que pareça, foi propriedade do Grupo Desportivo e Cultural de Vilarelho, caso único em Portugal de uma revista de muito bom nível, tanto gráfico como de conteúdo, editada numa quase improvável localidade, praticamente posta no mapa pessoal de cada um dos seus leitores pela existência da periférica publicação.

Tendo em atenção as suas intenções literárias, culturais e artísticas, sem nada a ver com a Banda Desenhada, pode dizer-se que esta teve nas suas páginas um espaço, embora exíguo,inquestionavelmente digno.

Aliás, a "Periférica" ainda voltará a este blogue, exactamente devido a outra colaboração verbo/icónica (do verbo encarregou-se Jorge Pedro Ferreira, a componente icónica teve a autoria de Hugo Pena) que, não sendo linearmente banda desenhada, dela está muito próxima.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Jornais com Banda Desenhada (IV) - Mundo Universitário - 13 Fev. - Autora: Andreia Rechena

Uma banda desenhada de estética próxima da corrente alternativa

Número 30, o mais recente do quinzenário gratuito "Mundo Universitário", inclui uma banda desenhada cujo tema, basicamente, é o amor. Ou não datasse esta edição do jornal de 13 de Fevereiro, véspera do "dia dos namorados".

Claro que no mundo imaginário da autora/artista Andreia Rechena (primeira mulher a colaborar nesta página do M.U. dedicada à BD) abundam as figuras misteriosas, e a personagem feminina da banda desenhada O Amor é cego, a obsessão um bocadinho vesga oscila entre um ser demoníaco - com a cabeça de serpente a sair-lhe das costas -, e o robô, isto por causa dos fios metálicos e respectivas fichas que se lhe ligam ao corpo. Qual das componentes será mais forte? Ou estaremos perante um misto de ambas as coisas? Só a criadora deste ser atraente mas misterioso poderá esclarecer o intrigante dualismo.

A única certeza que podemos ter é a de que o jovem, que tantos anos sonhou com aquela "rapariga", não faz ideia do que está iminente acontecer-lhe.
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Andreia Sofia Dionísio Rechena, cujo nome artístico ainda oscila entre A Rechena (assim mesmo, sem ponto a seguir à letra inicial) e aquele com que, desta vez, assinou a presente bd, nasceu em Monsanto, Idanha-a-Nova, em Maio de 1979.
Já participou em concursos:
Amadora, duas vezes, uma delas tendo obtido uma menção honrosa, e no organizado pelos Jovens Criadores, onde foi incluída na selecção final e na correspondente exposição.
Em exposições, teve pranchas na intitulada "Urbe Fiction", organizada em Almada, no local expositivo do "Ponto de Encontro", pertencente ao Centro Cultural; no CEM - Centro em Movimento, em duas mostras individuais, uma de BD, outra de Ilustração; numa outra organizada pelo CITEN, do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian; nas exposições terminais dos concursos do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, bem como da colectiva concernente ao Concurso dos Jovens Criadores, realizada em Amarante.
Tem bandas desenhadas reproduzidas nas seguintes publicações:
BD Jornal, fanzines Tertúlia BDzine e Cyber Extractus. Acrescente-se agora: uma bd no jornal Mundo Universitário. Tem igualmente bedês publicadas nos blogues "Zarzanga" e "Caixa de Fósforos".
Na área da Ilustração, colaborou nos fanzines Funzip e Windigo. Ilustrou também o Mapa de Actividades Infantis do CEM, fez uma colecção de postais para o Festival de Banda Desenhada de Pinhal Novo e, desde 2004, faz ilustrações para a "Agenda Lunar" editada na Lousã por Susana Martins.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Banda Desenhada estrangeira nos jornais (I) Calvin & Hobbes no Dia dos Namorados




ALGO DE ESTRANHO ACONTECEU AQUI. O "POST" ORIGINAL TINHA UM TEXTO ACERCA DE CALVIN & HOBBES, COM AS RESPECTIVAS IMAGENS,
HOJE, 2 SET.2013  PASSEI POR AQUI  E VI QUE ESSE "POST" TINHA SIDO SUBSTITUÍDO (POR QUEM? PORQUÊ? COMO? 



As Aventuras de Rock Rivers é o título da banda desenhada que vai começar a ser publicada, já no próximo sábado, dia 14 de Abril, no jornal Diário de Notícias
É uma iniciativa ligada ao festival "Rock in Rio", como se depreende pelo título.

O argumentista da bd é Carles Santamaria (jornalista, director do Salão Internacional de Banda Desenhada de Barcelona, desde 2005), e faz equipa com o desenhador Pere Pérez, ambos a desenvolverem uma trama em que, além do herói Rock Rivers, também entra um tal Hellvansinger ("cantor do diabo"?), o mau da fita, ou melhor, da bd, para fazer a vida negra ao nosso herói.
E o que tem bastante originalidade é o facto de os leitores do jornal serem convidados a participar no desenvolvimento da trama.
Pronto, lá terei de, no próximo sábado, comprar o DN em vez do Público...

Aqui fica a novidade, a iniciar nova rubrica neste blogue. Entretanto, quem quiser saber mais novidades, pode consegui-lo no endereço
http://rockinriolisboa.sapo.pt/noticias/as-aventuras-de-rock-rivers-banda-desenhada-com-acao-intriga-e-conspiracao  

Até dá direito a visionar um animado vídeo, com entrevista aos autores, em que entra também a charmosa Roberta Medina. Vale a pena ir até lá. 

sábado, fevereiro 11, 2006

Autógrafos desenhados (III) - Autor: Quino

Desenho original realizado por Quino de improviso - Outubro de 1980, no bar do Hotel Napoleon, Lucca, Itália

Estávamos (eu e os meus amigos Vasco Granja e António Alfaiate) em Itália, na pequena cidade fortificada de Lucca, não muito longe de Pisa e Florença, na Toscana.

Lucca tinha sido a iniciante, em 1966, dos eventos dedicados à Banda Desenhada. Em 1980, realizava-se o décimo-quarto Salone Internazionale dei Comics (o termo tradicional é fumetto, fumetti no plural, mas para baptizarem o Salão de forma mais internacional, usaram "comics"), e como não era apenas a BD em causa, acrescentaram ao título del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione. Todavia, de forma bem mais sintética, escreviam nesse ano Lucca 14.

Com deslumbramento, em especial pela minha parte (o António Alfaiate já era quase "veterano" nestas andanças), eu ia ouvindo os nomes dos autores presentes, em conversas de acaso, ou nos debates, colóquios e mesas redondas.

O contacto casual com Quino, a simpatia personificada, foi um momento inesquecível. Também havia uma coisa que facilitava a comunicação entre ambos: já por essa altura eu dominava razoavelmente o idioma espanhol (castelhano, na realidade), língua materna dele.
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QUINO


Síntese biográfica

Joaquin Salvador Lavado, conhecido pelo nome artístico de Quino, nasceu em Mendoza, Argentina, em Julho de 1932, tendo passado a viver em Buenos Aires, aos vinte e dois anos de idade.
Os seus inícios foram como ilustrador humorístico, até que, em 1964, se inicia na banda desenhada com a criação de Mafalda.
Por estranho que pareça aos incomensuráveis admiradores da personagem e da série, Quino decidiu abandoná-las em 1973. E até hoje, manteve-se inamovível da decisão.
Portanto, Mafalda "viveu" apenas nove anos, os suficientes para que, ainda hoje, os seus livros se continuem a vender.

Quino já esteve em Portugal, na Amadora e em Lisboa, e não houve quase ninguém que não lhe perguntasse pela Mafalda, a menina precoce e contestatária que mantinha com os pais e amigos da sua idade diálogos que, no fundo, tinham a ver com o tipo de problemática característica dos adultos que se preocupam com o que se passa à sua volta.
Claro que a série, sempre conhecida pelo nome da personagem principal, está protagonizada por várias crianças que, tal como Mafalda, fazem observações ou perguntas perturbantes aos adultos, como acontece na série Peanuts ou, mais tarde, com Calvin & Hobbes.
É esse o sortilégio de tais séries, que ganham uma dimensão crítica de que só se apercebe quem as conhece bem, e quem as lê atentamente.
Um exemplo disso é o seguinte diálogo entre o pequeno Joaquin e o avô:

-"Abuelo... tu casa es tuya, no? - pergunta Joaquin.
-Por supuesto, la compré quando iba a nacer tu papá.
-Es decir que antes te podias comprar un caserón y ahora papá sólo puede alquiar este departamentito de mala muerte.
-Era otra economia antes, nene.
-Abuelo, te puedo hacer otra pergunta?
-Para eso estoy, Joaquincito, a ver...
-Po qué los otros países mejoraran y éste empeoró? Por qué dejaste que nos hicieran esto?"

Será que aquela personagem criada por Quino estava a falar da Argentina ou de Portugal?

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Castelos na Banda Desenhada (VII) - Os fictícios - Autor: F.de Felipe


Esta imagem pertence a El Hombre que Rie, obra em Banda Desenhada da autoria de F. de Felipe, baseada no romance "O Homem Que Ri", de Victor Hugo.
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FERNANDO DE FELIPE

Síntese biobibliográfica

Fernando de Felipe Allué, Saragoça, 1965.
Autor de BD residente em Barcelona, onde lecciona cinematografia.
Participou no Bustrófedon, grupo renovador da banda desenhada aragonesa, nos anos oitenta.
F. de Felipe, nome artístico que usa para assinar as suas bandas desenhadas, é um autor essencialmente interessado em temas de ficção científica, o que não o tem impedido de entrar noutros géneros.
A obra escrita por Victor Hugo El Hombre Que Rie, com guião/adaptação literária de sua lavra, foi inicialmente publicada na revista Zona 84, entretanto deixada de publicar por Toutain Editor, o mesmo que lançou o álbum donde foi extraída a vinheta acima reproduzida, cuja vem aumentar a respectiva série temática constante deste blogue.
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"Post" remissivo

Neste tema "Castelos na Banda Desenhada" podem ser vistas imagens de castelos reais e fictícios dos seguintes autores:

(I) Fictício - António Vaz Pereira
(II) Faro - José Garcês
(III) Trancoso - Santos Costa
(IV) Fictício - Harold Foster
(V) Fictício - José Morim
(VI) Fictício - Moebius

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

1º Concurso de banda desenhada infanto-juvenil de Colares - Regulamento (e não só)

Cartaz da autoria de Paulo Marques
É a primeira vez (que eu saiba) que, em Colares, se realiza um concurso de banda desenhada, com a especial característica de ser direccionada a uma faixa etária específica, a que engloba apenas as crianças e os adolescentes.

O que significa que o concurso estará acessível a duas faixas etárias, sendo o das crianças (1º escalão) destinado a quem tenha entre 8 e 11 anos, e o dos adolescentes (2º escalão) aos candidatos com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos.
Este concurso vai ser efectuado de uma forma bastante original, creio até que será o primeiro em Portugal com este "modus faciendi": os concorrentes ficarão reunidos no dia 4 de Março nas instalações do Sport União Colarense (Largo de Colares, junto à Igreja Matriz), entre as 9 horas da manhã e as 13h30, hora a que serão recolhidas as bandas desenhadas nesse período de tempo.
Uma informação importante: o tema é livre.
Claro que os concorrentes já podem levar as ideias bem arrumadas na cabeça, a tarefa a realizar na prática será a de as transformarem em imagens sequenciais.
O tempo que cada concorrente terá para a concretização da banda desenhada é, portanto, apenas quatro horas e meia, mas a organização apenas indica como sendo quatro o número máximo de pranchas (formato A4) e não indica o mínimo, o que significa que pode ser apenas uma prancha, a cores ou a preto e branco.
Haverá prémios para as três melhores bandas desenhadas, seleccionadas por um júri composto por Paulo Marques, novel autor/artista de BD, Filipa Vaz, estudante do 4º ano de Belas Artes, Fernando Wintermantel, organizador da Feira Ecológica de Sintra e o editor do blogue que está agora a visitar.
O prémio mais valioso será o que consiste na publicação das bedês no "site" Entropia, um sítio de divulgação artística. Claro que dos resultados do concurso, incluindo o nome dos vencedores, se dará aqui notícia.
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Mas o evento tem mais que se lhe diga.
Após a finalização das bandas desenhadas, às 13h30, haverá intervalo para almoço.
Depois, às 15h00, os concorrentes e acompanhantes poderão assistir, gratuitamente, ao espectáculo "Que Sensação", um musical baseado na peça "Wicked", da Broadway, interpretado por Fátima Mota e Márcio Inácio, membros da Associação Primo Canto.
Claro que esta versão será muito simples e bem mais curta - durará apenas 20 minutos! - e é essencialmente dirigido às crianças, mas de igual modo agradará aos adolescentes e aos adultos.
Pelas 16h00 será o momento de anunciar os nomes dos vencedores, e ser-lhes-ão entregues os respectivos prémios.
Esta iniciativa artística e cultural teve a inestimável colaboração da Alagamares, Associação Cultural com sede exactamente em Galamares.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Jornais com Banda Desenhada (III) - Mundo Universitário - 30 Jan. - Uma b.d. de Derradé

Bubas, personagem caricatural da autoria de Derradé, numa cena inserida no contexto universitário

Quarenta mil exemplares é a tiragem do jornal Mundo Universitário. Como aqui já foi mencionado, trata-se de um quinzenário com distribuição gratuita nas universidades de todo o país.

A 30 de Janeiro saíu mais um número, o 29, onde aparece reproduzida uma bd de índole caricatural, localizada no universo estudantil universitário. "Derradé", o autor, teve pois a preocupação de ambientar o episódio no ambiente onde o jornal é lido.

Tendo em conta a vasta massa de leitores do Mundo Universitário, esta página dedicada à BD tem, inquestionavelmente, um grande interesse para a divulgação da arte da Figuração Narrativa.
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"Derradé" é um pseudónimo extraído das iniciais D.R.D., correspondentes a Dário Rui Duarte, nome quase completo deste autor. Para se completar, falta escrever André antes de Duarte, o que significa estarmos perante alguém que se identifica por quatro nomes próprios, quatro!

Dário Rui André Duarte, lisboeta desde Outubro de 1971, é autor que privilegia o humor, tanto no desenho, caricatural, como nos temas satíricos que prefere.

"Derradé", autor completo da personagem Bubas (escreve os argumentos e traça os desenhos), nem sempre fez cartunes ou bandas desenhadas sozinho. De facto, ele trabalhou bastante em parceria com o argumentista "Geral" (ou melhor: Mário Cavaco), mas também no mesmo registo humorístico.

Não por acaso, ambos foram editores do "The Badsummerboy's Fanzine", e fundaram as "Produções de Marda" (nada de confusões: "Mar" de Mário Cavaco, "Da" de Dário:-), das quais saíu o "slimzine" "www", sendo ele a solo o editor de outro "slimzine", o "Stress".

Durante muito tempo colaborou, sob argumentos de "Geral", no jornal regional Notícias de Alverca, de onde extraíu as tiras de bd para o fanzine "In Prensa".

"Derradé" tem uma licenciatura em Matemáticas Aplicadas o que, obviamente, nada tem a ver com o seu jeito inato para o desenho, nem tão-pouco para o senso de humor que destilam as suas bedês.

sábado, fevereiro 04, 2006

Tertúlia BD de Lisboa - XX Ano - 255º Encontro - 7 Fevereiro 2006

Capa do álbum que contém 45 episódios a cores de O Patinho e os seus amigos - Autor: Rui Cardoso

Com a presença especial de Rui Cardoso (*), autor com obra publicada inicialmente em revista, depois em álbum, sob o título O Patinho e os seus amigos, e projectada na televisão (quem não conhece a série televisiva Os Patinhos, de cariz infantil?), estaremos, em boa confraternização bedéfila, no Parque Mayer, a fim de prestarmos destaque público, informal, a um autor de banda desenhada infantil, um quadrante da arte da Figuração Narrativa nem sempre devidamente valorizado.

Lá estaremos, no espaço possível, um restaurante, para uns tantos - costumam ser cerca de quarenta pessoas - nos reunirmos. Quando digo "espaço possível", tenho de esclarecer o que quero dizer.

E o que quero dizer é o seguinte: a minha ideia inicial - quase utópica, por implicar investimento económico mensal praticamente impossível de obter - era a de organizar uma reunião mensal num espaço onde houvesse uma mesa e uma cadeira em cima de um estrado, para o autor que fosse o homenageado ficar bem visível para todos os presentes, que se sentariam numa espécie de plateia a ouvi-lo e, no fim, a dialogar com ele. Digamos, um colóquio mensal, que duraria para aí cerca de duas horas.

Para isso seria necessário alugar um espaço, primeira dificuldade. Depois, teria de ser num período de tempo antes ou depois do jantar, num dia útil (fim de semana não, porque, em especial no verão, há sempre saídas de Lisboa).

Se fosse antes de jantar, a começar aí por volta das sete da tarde, a maior parte dos participantes começaria a debandar quando se aproximassem as oito, hora de ir para casa, para a refeição em família, ou outra coisa qualquer.

Se o encontro fosse marcado para as nove, nove e meia da noite, em dias de invernia só lá estaria meia dúzia de pessoas, o que seria quase uma ironia para um encontro cuja finalidade principal é a de homenagear um autor ou, no caso dos mais novos, lhes dar um incentivo.

Portanto, a fim de conseguir quorum, digamos assim, para a finalidade pretendida, decidi que teria de arranjar um estratagema. E, para juntar cerca de quarenta portugas, e mantê-los no local entre as 20h00 e as 23h00, teria de se começar por um jantar, a parte necessária mas não suficiente, nem importante, da tertúlia. Tanto assim que há quem lá apareça mais tarde, só para conviver e participar nas 2ª e 3ª partes, ou seja, o "Sorteio BD" - sempre com boas surpresas e bastante divertida -, e na parte final, que é a verdadeira tertúlia, a conversa com o homenageado e/ou convidado especial.

E quando se esteve em presença de um Rui Zink, ou um Nuno Markl, por exemplo dois dos muitos autores que por lá já passaram, a conversa animada esteve garantida. Vamos a ver como será com Rui Cardoso.
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(*) Rui Cardoso, de nome completo Rui Manuel Zeferina Cardoso, nasceu na Azambuja em Setembro de 1968, frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa - ESBAL, até ao 3º ano de Design de Comunicação. Começou a ser conhecido na BD, em termos de divulgação pública, sob o pseudónimo "Ruca", num concurso organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada-CPBD, na década de 1980, e a sua iniciante obra demonstrou qualidade suficiente para os responsáveis da, então significativamente activa, colectividade, a publicarem no seu fanzine "Boletim do CPBD".

Anos mais tarde, surge na televisão uma série - que regressou ao chamado "pequeno ecrã" - denominada Os Patinhos, que teve publicação na revista "TV Guia" a partir de 4 de Setembro de 1999, e de que tenho recortes até 8 de Setembro de 2000, não posso afirmar que tenha acabado a publicação nessa data.

As pranchas com episódios foram publicados posteriormente - Novembro de 2000 - nas páginas de um álbum brochado, em formato 33,5x40cm, ligeiramente superior a A4, intitulado O Patinho e os seus amigos, tendo em rodapé o subtítulo Aventuras em banda desenhada, álbum esse com a chancela TV Guia Editora, de que desconheço outras incursões na BD.

Rui Cardoso, noutra área, a cinematográfica, tem já significativa filmografia. Quem quiser saber mais qualquer coisa sobre isso, basta ir ao google e escrever animanostra rui cardoso. Porque aqui, neste blogue, fala-se é de BD :-)