29 de Julho de 2007, Domingo, às 13 horas e 30 minutos, data e hora históricas para a lusitana banda desenhada. Será exactamente (se o horário for cumprido...) nesse momento que, finalmente, a nossa BD vai ter direito a programa de fundo na televisão, através de um conjunto de cinco episódios na Rádio-Televisão Portuguesa (RTP2), sob o título VERBD.Pedro Vieira de Moura, bloguista brilhante do espaço de escrita crítica LERBD -http://www.lerbd.blogspot.com/, que aqui destaquei recentemente (ver "post" de Julho, 25) está na génese desta quase inacreditável iniciativa - digo inacreditável atendendo à empedernida estagnação nesta área, provocada pela relutância dos média (TV e Rádio) nacionais no que concerne a darem espaço à BD.
O programa, que será transmitido pela RTP2, logo a seguir a The Simpsons, tornou-se possível graças ao trabalho de equipa realizado pelo duo Pedro Vieira Moura, entrevistador, e Paulo Seabra, realizador.
No episódio inicial, a transmitir em 29 de Julho (seguir-se-ão mais quatro nos domingos de Agosto), será feita breve apresentação de onze autores: Filipe Abranches, Isabel Carvalho, Diniz Conefrey, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Luís Henriques, André Lemos, Susa Monteiro, Pedro Nora, Miguel Rocha e David Soares. Além disso, será traçada uma perspectiva da história da Banda Desenhada em Portugal, desde meados do século XIX (com o pioneiro português das histórias aos quadradinhos, Raphael Bordallo Pinheiro, através do seu álbum A Pitoresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa), até à Tintin, revista que, na versão portuguesa, foi marcante no panorama das publicações da especialidade.
Em suma: uma pedrada no charco (perdoe-se-me o chavão, mas não resisto a repeti-lo, com grande entusiasmo) é o que significará este quintíptico televisivo dedicado à banda desenhada.
Saravá Moura & Seabra!
Informação "a posteriori" - O programa foi repetido às 2h00 na madrugada de domingo para segunda-feira. Depreende-se que o mesmo sucederá após os próximos quatro programas nos domingos de Agosto.










Prancha com o episódio autoconclusivo As Tágides de Almourol, pertencente à obra Príncipe Valente no Século XXI






Imagem global da página extraída da primeira edição portuguesa em álbum.
Capa do álbum cartonado (ou capa dura) sob chancela de Difusão Verbo, edição datada de 1988, que foi a primeira vez que se pôde ler, editadas em álbum, as aventuras de Tintin em português de Portugal. Antes disso, em álbum, apenas havia as edições da editora Record (e da pioneira, nessa área, Flamboyant), ambas importadas do Brasil, por conseguinte com legendagem em português na variante brasileira.
Vinheta original, a preto e branco (equivalente à colorida do topo deste "post"), extraída da edição fac-simile da Casterman, datada de 1987
A página 88 do álbum da Casterman, equivalente, no álbum da DifusãoVerbo, à página 45. Com efeito, enquanto no álbum da editora belga, o episódio a preto e branco de L'Île Noire ocupa 124 páginas, o episódio A Ilha Negra, a cores, da editora portuguesa, já se apresenta na edição normalizada de 62 páginas.
A capa da edição sob chancela da belga Casterman, datada de 1987


Página onde se inicia a obra "pastiche" que usa vinhetas de episódio verdadeiro, mas a que acrescenta uma vinheta desenhada propositadamente, de resto fazendo engraçado "raccord": na 7ª vinheta o Capitão Haddock imita a amiga, a cantora Bianca Castafiore, a que se segue a imagem, em picado, de um teatro de Ópera onde se "ouve" a continuação da célebre ária do Fausto, de Gounod, cantada agora pela "diva".
Curiosa prancha reproduzida na página 37 do álbum, em que introduz um texto descritivo substituto de imagens, que se subentende como forma estratégica de reduzir a extensão da banda desenhada.
Aos gatófilos, não necessariamente bedéfilos, recomendo que visitem o blogue das minhas amigas Inês Ramos e Alexandra Gil, no endereço

A página inicial da mais recente edição portuguesa (Nov 2003, parceria jornal Público com a editora Difusão Verbo) correspondente às duas primeiras tiras acima reproduzidas.
