terça-feira, março 06, 2007

Tertúlia BD de Lisboa - 269º Encontro

Autocaricatura de Luís Pinto-Coelho, que ilustrou a sua autobiografia quando, em 1995, foi o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa

Hoje, que Luís Pinto-Coelho vai ser o Homenageado da tertúlia acima citada, obviamente que, na sua autobiografia actualizada, a autocaricatura está algo diferente - já se passaram doze anos... 

 

LUÍS PINTO COELHO

Síntese biográfica

Luís de Almeida e Vasconcellos Pinto-Coelho (Lisboa, 1959), iniciou-se publicamente na BD em 1990, no Moto-Jornal. 
Dois anos mais tarde, no nº 14 da revista Motociclismo, debutou a série Odisseias de um Motard - Aventuras e Desventuras de um Motociclista Português, que sempre tem mantido à cadência de uma prancha mensal, em episódios autoconclusivos, a cores, com o seu herói Tom Vitoín (nome originado na expressão técnica "V-Twin").
Aquelas "odisseias" estão recolhidas em álbuns (com idêntico título ao usado na revista), editados nos anos 1996, 1999, 2003 (o primeiro, na sua edição inicial, não aparecia numerado, e os outros têm os nºs 2 e 3). 
O nº 4 foi lançado publicamente no dia 4 de Março, apesar de já estar editado desde Janeiro.
Além destes, fez também em 2003, sob argumento de Elisabete Jacinto, "Os Portugas no Dakar", única obra até hoje em que não é autor completo (nas restantes quatro são dele o argumento, o desenho, a legendagem e o colorido).

Em 1995 foi Convidado Especial desta Associação Informal. Doze anos, cento e oitenta e duas pranchas publicadas na já citada revista, e cinco álbuns depois, tem direito a "upgrading", passando ao nível mais elevado através da atribuição do Diploma de Honra, que o classifica como Homenageado da Tertúlia BD de Lisboa.

Nota: A 182ª prancha/episódio autoconclusivo da série, pode ser vista no "post" seguinte, colocado por cima deste.

domingo, março 04, 2007

2º Concurso de BD Infanto-Juvenil de Colares - 2007

Cartaz da autoria de Paulo Marques

Em segunda edição, voltou a acontecer este concurso de BD, numa concepção singular: os participantes têm de fazer uma banda desenhada partindo do papel em branco, ao longo de uma manhã. Após a realização inicial, em 2006, deste desafio dedicado a crianças e jovens, repetiu-se ontem, 3 de Março, sob a égide colectiva das entidades: Associação Cultural Alagamares, Grupo Entropia - Apoio às Artes, Associação Cultural "Primo Canto" e Sport União Colarense, esta a fornecer apoio logístico.
A invulgar iniciativa, levada a cabo em Colares, abrange apenas participantes cujas idades não ultrapassem os dezasseis anos. Desta vez houve 16 concorrentes.
Tal como o ano passado, o início dos trabalhos teve início às 9h00, desenrolando-se até cerca das 14h00. Cada uma das crianças e adolescentes podia fazer a sua bd num máximo de quatro pranchas, em formato A4, a preto e branco ou a cores.
O 1º escalão (dos 13 aos 16 anos), com três concorrentes, teve como vencedor Igor Seabra, de 13 anos.
Nota: Não reproduzo a prancha vencedora, devido à sua escassa qualidade. Se eu tivesse podido ter participado no júri, como aconteceu o ano passado, teria pugnado para que o prémio não fosse atribuído. O concorrente está naquela fase indecisa em que, por via da idade, passou ao escalão seguinte, mas ainda continua a desenhar como se tivesse entre 8 e 12 anos, com a agravante de ter desenhado de forma demasiado desprendida, sem demonstrar brio que lhe valesse o prémio. Menção Honrosa teria sido a minha opinião, apenas para lhe manter o interesse pela BD.
No 2º escalão (dos 8 aos 12 anos), o qual agrupou onze participantes, houve duas vencedoras, ex-aequo:


Tatiana Araújo, de 10 anos, que fez uma bd numa só prancha, a cores, sem título (acima reproduzida).
e Margarida Matos, de 11 anos, autora de uma bd a preto e branco, em duas pranchas, sob o título "Jackson".
O júri foi composto por Paulo Marques (do grupo Entropia), Fernando Wintermantel (da Feira Ecológica de Sintra), Paulo Escoto (da Associação Alagamares) e Edgar Raposo ( da Associação Chili com Carne - CCC).

quinta-feira, março 01, 2007

BD portuguesa nos jornais (LIII) - Mundo Universitário - Autores: Ricardo Correia (des.), André Oliveira (arg.), Ana Maria Baptista (cor)

Reprodução da banda desenhada autoconclusiva Styrofoamworld, da autoria de Ricardo Correia (desenhador e arte-finalista), André Oliveira (argumentista), Ana Maria Baptista (colorista)

in semanário Mundo Universitário, nº 58 - 26 Fev 07
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"Post" remissivo
Outros autores publicados neste jornal podem ser vistos em postagens anteriores, nas datas abaixo indicadas:
Fev.12 - Pedro Zamith (M.U. nº 57, 12 Fev.)
Fev. 7 - Nazaré Álvares (MU nº 56, 5 Fev.)
Fev. 7 - Marco Mendes (MU nº 55, 29 Jan.)
Jan. 23 - Ângela Gouveia (MU nº 54, 22 Jan.)
Jan. 16 - Filipe Goulão (MU nº 53, 15 Jan.)
2007 - (lista acima)
Dez.6-A.Rechena
Nov.28-José Lopes
Nov.21-Pedro Alves
Nov.14-Nuno Saraiva
Nov.8-Pedro Morais
Out.31-Ricardo Ferrand
Out.24-Algarvio
Out.17-Ricardo Cabral
Out.11-Álvaro
Out.5-Pedro Massano
Set.27-Derradé
Set.24-Nuno Saraiva
Ainda em 2006, mas após as "férias grandes" (entre 8Jun. e 24Set, lapso de tempo em que o MU não foi editado), a lista de colaboradores vê-se daqui para cima
Jun.8-Estrompa
Maio 31-António Valjean
Maio 24-Pedro Nogueira
Maio 20-Zé Manel
Maio 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral
Maio 12-Pepedelrey
Maio 4-J.Mascarenhas
Abril 5-Cheila
Março-29 -Pedro Morais
Março-20-Joana Figueiredo
Março-15-Pedro Nogueira
Fev.14-A.Rechena
Fev.8-Derradé
Jan.19-Pedro Alves
2006 (lista acima)
Dez.12-Álvaro
Nov.24-Luís Valente
Nov.15-Paulo Marques e Bruno Silva
Out.28-Fritz
Out.13-Francisco Sousa Lobo
2005 (Lista acima. Neste ano houve mais autores publicados no MU, mas cujas pranchas não foram reproduzidas aqui no blogue).

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Autor de BD como personagem da sua banda desenhada (IX) - C.Zngr (Carlos "Zíngaro")



 
C. Zngr (ou Corujo Zíngaro, como assinava há uns anos), desenhando-se a si próprio, como personagem de BD, na série "Carne Viva"

 in revista Jazz.pt, nº 10, de Jan./Fev. 07



Um detalhe da primeira vinheta, com caricatura do próprio autor da banda desenhada "Carne Viva", que aqui assina simplesmente como C. Zngr

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Deste mesmo tema, abrangido pela rubrica "Autor de BD como personagem da sua banda desenhada", podem ser vistos mais exemplos nos "posts" a seguir mencionados (datas e autores):

(VIII)-Set. 11 - Art Spiegelman
(VII) - Ag. 29 - Nuno Markl
(VI) - Ag. 20 - Pedro Morais (desenhador), Luís Almeida Martins (argumentista)
(V) - Jul. 7 - Augusto Trigo
(IV) - Jun. 26 - Nuno Saraiva
(III) - Maio, 5 - Robert Crumb
2006 (daqui para cima)
(II) - Nov. 16 - João Maio Pinto (desenhador), Esgar Acelerado (argumentista)
(I) - Out. 25 - Uderzo (desenhador), Goscinny (argumentista)
2005 (daqui para cima)

BD portuguesa em revistas não especializadas (LIII) - Jazz.pt - Autor: C. Zingr

A preto e branco, a banda desenhada autoconclusiva componente da série "Carne Viva", cuja segunda prancha, assinada por C. Zngr, aparece reproduzida na revista bimestral Jazz.pt #10, de Jan./Fev. 07

Claro que a quem lhe conhece o estilo, tanto faz que assine C. Zngr, como também tanto faz que no topo da página tenha desaparecido o C., porque detectamos de imediato o autor-artista da banda desenhada, Carlos Corujo "Zíngaro", obviamente.
Os editores chamam-lhe "cartoon", dá mais sainete esta palavra estrangeira, digo eu, do que banda desenhada. Mas claro que, tendo as imagens sequencialidade, estamos em presença de BD, e estamos em presença do regresso de Corujo Zíngaro, visto que a sua colaboração nesta área já se tinha iniciado no número anterior da citada revista.Primeira prancha da série criada por C.Zngr sob o título "Carne Viva", publicada na revista Jazz.pt #9, de Nov./Dez.06

Para quem conhecer Carlos "Zíngaro" apenas enquanto músico, e ficar com interesse em o conhecer nas suas outras facetas de ilustrador (banda-desenhista e cartunista), tem neste blogue uma entrevista, num "post" publicado em 15 de Junho de 2006. Essa entrevista englobou-se numa série que realizei, durante o ano de 2006, a nove autores (*) que se notabilizaram na revista Visão (doze números apenas, dedicada à moderna BD portuguesa, publicada entre Abril de 1975 e Maio de 1976.

(*) Victor Mesquita (Maio, 30), Pedro Massano (Maio, 31), Isabel Lobinho (Junho, 13), Corujo Zíngaro (Junho, 15), Zé Paulo (Junho, 30), Carlos Barradas (Julho, 9), J.L.Duarte (Set. 12), Nuno Amorim (Nov. 26) e Zepe (Dez. 31).

Também falei da própria revista em dois 2 "posts", datados de 10 e 11 Dez. 06

domingo, fevereiro 25, 2007

Estética e Convenções Gráficas da BD - Picado e Contrapicado (IX) - Autor: Kája Saudek

Prancha da banda desenhada, com data de 1969, intitulada Muriel a andelé (Muriel e os anjos), da autoria de Kája Saudek.

A prancha acima reproduzida está visível na exposição "Ceský Komiks", e inclui-se no catálogo bilingue (idiomas checo e inglês) que foi distribuido na Bedeteca de Lisboa (e de que restam lá ainda exemplares).
O motivo de ter separado esta imagem do "post" relativo àquela exposição tem a ver com o facto de ser bom exemplo da estética do "picado". Ainda um pormenor curioso: o artista-autor coloca-se, como observador, no mesmo plano das personagens, Muriel e o anjo. Cujo, aparentemente, demonstra um carinho bastante terreno por Muriel...
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"Post" remissivo
Textos anteriores dedicados ao tema Picado e Contrapicado (datas e autores), visíveis no "Arquivo":

(VII) Jun.11 - Autor: Joe Sacco
(VI) Maio 13 - Autor: Victor Mesquita
(V) Maio 9 - Autor: Moebius
(IV) Maio 7 - Autor: Rui Lacas
(III) Abr.11 - Autor: Gibrat
(II) Abr.11 - Autor: Gibrat
(I) Março 17 - Autores: Phil Gimenez e Andy Lanning
2006 (daqui para cima)

sábado, fevereiro 24, 2007

Ceský Komiks, banda desenhada checa na Bedeteca de Lisboa

Capa do catálogo bilingue (em checo e inglês), com exemplos da BD Checa, distribuído na Bedeteca de Lisboa (ainda lá há alguns exemplares)

Inaugurou-se hoje, 24 de Fevereiro, pelas 16h, uma exposição que nos traz uma amostra, bastante representativa, da Banda Desenhada Checa. Estará patente ao público na Bedeteca de Lisboa (Bairro dos Olivais), com entrada gratuita, até 15 de Abril. Horário daquele equipamento cultural da Câmara Municipal de Lisboa: de segunda a sexta, das 10h00 às 19h00.
Uma das pranchas em exposição

O comissário da exposição, Petr Stepán, que veio expressamente de Praga - com o apoio da Embaixada da República Checa - fez uma conferência sobre Banda Desenhada Checa, tendo-a complementado com projecção de imagens em powerpoint.
A imagem que aqui fica, escolhi-a, não por interesse especial meu, mas apenas por querer mostrar alguma das que estão expostas. Isso foi possível graças ao catálogo que Petr Stepán me ofereceu, apenas escrito em checo (diferente do outro, mais pequeno, bilingue checo e inglês, que foi distribuído aos visitantes da inauguração da expo).
Mas há outra prancha, também patente na exposição - além de reproduzida no tal pequeno catálogo bilingue, que vou mostrar no "post" seguinte, por se incluir na rubrica "Estética e Convenções Gráficas da BD - Picado e Contrapicado", que tenho desenvolvido aqui no blogue.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Concurso de BD para todas as idades - Moura 2007

Cartaz-anúncio, em adaptação gráfica de Carlos Rico, para o 14º Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon", organizado em complementaridade com o 16º Salão BD de Moura
Os desenhadores/autores de BD que ultrapassam a idade considerada juventude, são geralmente discriminados nos concursos de banda desenhada: pura e simplesmente, é-lhes vedada a participação.
Mas, para todas as regras - mesmo as inexplicavelmente injustas, logo, estúpidas - há excepções. E são os organizadores do Salão de BD de Moura que, honrosamente, criam essa excepção: para o Concurso de Banda Desenhada de Moura (já na sua 14ª edição), todos os que fazem BD (ou Cartune) podem concorrer, sem limites de idade.
Parabéns à inteligência e realismo dos alentejanos de Moura!
Vejamos, em resumo, algumas das alíneas do Regulamento deste mourense 14º Concurso de Banda Desenhada e "Cartoon" (*)
(*) Para quando a coragem ortográfica de aportuguesar a palavra "Cartoon" para "Cartune"? Alguém escreve ainda "Foot-Ball", termo original de Futebol?
Exigência especial do concurso : Há tema obrigatório, que é "O Gato"
1º ponto importante: os concorrentes têm de enviar pranchas originais, com obras (bedês ou cartunes) inéditas, identificadas no verso com nome, morada, e-mail e contacto telefónico.
2º aspecto a ter em conta: Bedês ou Cartunes tanto podem ser feitos a cores, como a preto e branco, no formato máximo de 50x50cm (um quadrado? que disparate!), mas os organizadores aconselham , logicamente, para facilitar posterior publicação, os formatos A3 (29,7x42cm de altura) ou A4 (21x29,7cm de altura).
Mínimo e máximo de pranchas ou tiras: entre duas e seis.
3ª chamada de atenção: Tudo o que for executado através de computador terá de ser enviado em CD ou DVD, no programa onde o trabalho foi concebido (photoshop, por exemplo), e em formato TIFF ou JPEG (numa resolução mínima de 300 dpi), acompanhados por impressão digital (a organização prefere escrever "print") de boa qualidade, em papel fotográfico.
4ª exigência, quase desnecessária: Os textos têm de ser apresentados em português. E (chamada de atenção pertinente) fica estipulado que os erros ortográficos (naturalmente, aqueles que se percebe serem devidos a ignorância, e não a mera distracção) serão considerados com peso negativo na apreciação global do júri.
5ª exigência, a cumprir com rigor - Prazo limite de entrega: 20 de Abril (quando as pranchas forem enviadas por correio, faz fé a data do carimbo).
Idades dos concorrentes - No que concerne a este assunto, haverá dois escalões:
A - Para quem tenha 13 e 25 anos (inclusive) à data limite de entrega;
B - Dos 26 anos em diante, sem limite (uma abertura democrática, sim senhor!).
6º aspecto, exactamente um que muito interessa aos concorrentes (ninguém gosta de trabalhar para aquecer), os prémios:
- Melhor Banda Desenhada: €750.00 (+ Colecção de BD + Diploma)
-Melhor Tira: €350.00 (mais o resto já indicado)
-Melhor Cartune: €350.00 (mais idem,idem)
- Melhor obra de autor do Concelho de Moura: €200.00 (mais tal e coisa)
- Prémio Juventude (para distinguir o vencedor entre os que, à data de entrega, tenham entre 13 e 17anos, inclusive):€200 (e mais a colecção de BD, e mais o Diploma; um diploma, para um jovem, é bom incentivo, sim senhor).
Nota animadora: Poderá haver Menções Honrosas (€150.00 + o resto), caso o júri assim o entenda.
Exposição: Ainda a cargo do júri (já lá estive, deu trabalho...) ficará a selecção das obras para serem expostas num dos espaços dedicados à 16ª edição do Salão de Banda Desenhada, de Moura, que terá lugar entre 26 de Maio e 3 de Junho.
Para onde enviar? Todas as obras participantes (BD em pranchas ou tiras, e Cartunes) têm de ser acompanhadas por curto currículo, fotocópia do BI, nº de contribuinte, e enviadas para:
Câmara Municipal de Moura
Gabinete de Informação, Imagem e relações Públicas
14º Concurso de BD e "Cartoon" - Moura 2007
Praça Sacadura cabral
7860-207 Moura
Quaisquer dúvidas podem ser esclarecidas pelos telef. 285 250 493 ou 285 250 400 (ext.5606), ou para o e-mail: mourabd@iol.pt
Para terminar: Há, entre os que gostam de fazer BD, quem já tenha concorrido ao concurso anual do Festival da Amadora, e não entenda os critérios daqueles júris (de que também fiz parte nos primeiros cinco, seis anos). Para esses, aqui fica uma ideia: para júris diferentes, critérios diferentes. Por que não tentar a experiência de mudar da Amadora para Moura?

sábado, fevereiro 17, 2007

Fernando Pessoa em exposição de BD na Faculdade de Belas Artes de Lisboa

 
Uma das pranchas da BD Anunciação, dedicada a Fernando Pessoa. Esta, a segunda, é da autoria de Ricardo Reis (desenho), Cristiano Baptista (cor), e André Oliveira (argumento). 

Continuação (3ª prancha) da obra em BD Anunciação, com fulcro no poeta Fernando Pessoa, desta vez com desenho e cor de Miguel Gabriel, sob argumento genérico de André Oliveira.
Imaginarte é o Núcleo de Ilustração, BD e Argumento da FBAUL-Faculdade de Belas Artes de Lisboa que, com início no ano lectivo do ano passado, tem estado a dinamizar, cultural e artisticamente, aquele estabelecimento de ensino superior.

A actual exposição organizada pelo Imaginarte, instalada no 2º andar do edifício, tem por título a que é considerada a última frase escrita pelo poeta antes da sua morte: Dá-me vinho que a vida é bela, e, como subtítulo, Um Olhar sobre Fernando Pessoa.
A banda desenhada em exposição é composta por cinco pranchas, cada uma delas criada graficamente por um autor diferente: Nuno Frias, Ricardo Reis, Miguel Gabriel, João Leal e de novo Nuno Frias, todos a trabalhar sob texto ficcional de um só argumentista, de seu nome André Oliveira. Era praticamente inexistente, na BD portuguesa, casos destes, de um único argumentista trabalhar com vários autores para uma determinada obra. Mas, de repente, as coisas mudaram: em 2006 surgiu a obra Virgin's Trip, em que colaboraram vários desenhadores (Pepedelrey, JCoelho, Rui Gamito e Rui Lacas) sob argumento de Pepedelrey e guião de Nuno Duarte. Já este ano esquema semelhante voltou a acontecer na banda desenhada colectiva Dias Eléctricos, em que houve um só argumentista, Luís Rainha, para alguns desenhadores.
Claro que este esquema também faz lembrar algo parecido - salvaguardando as devidas distâncias... -, realizado na BD francesa, mas de bem maior dimensão (como se costuma dizer: "à grande e à francesa"): a obra Decálogo, que, como é sabido, são dez tomos desenhados por artistas vários com um único argumentista, o categorizado Giroud).

Após estas considerações, voltemos à mostra da Imaginarte, que inclui igualmente pranchas de Ilustração de vários artistas. Um deles, Paulo Tomaz, desenhou sobre madeira queimada; os restantes, que usam como suporte o tradicional papel, chamam-se Ana Mota Ferreira, Sofia Helena Mota, Ricardo Correia, Sónia Carmo, Luís Duarte, Ana Maria Baptista, Roberto Miquelino, Marina Gonçalves e João Monteiro.

 
Um ângulo da exposição de Banda Desenhada e Ilustração (foto de André Oliveira), no bonito espaço exposicional que a Imaginarte tem estado a dinamizar, desde 2006.
A exposição estará disponível para os visitantes, quer alunos, quer para o público em geral (não há quaisquer problemas na entrada naquela Faculdade, o máximo que poderá acontecer é o visitante não aluno ter de informar o serviço de segurança da finalidade da visita), de 16 de Fevereiro a 2 de Março (entre as 10h e as 18h, de 2ª a 6ª feira)
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Nota: O texto deste "post" foi completado após dois pertinentes comentários do visitante "Enanenes", que podem ser lidos na rubrica "comments". Os meus agradecimentos ao dito cujo visitante (ele também bloguista), pelos seguintes motivos: ser visita assídua do meu blogue, leitor atento e activo, visto que se deu ao trabalho, por duas vezes, de me chamar a atenção para lacunas informativas.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Príncipe Valente - 13 Fev. 1937/13 Fev. 2007 - Setenta anos de uma BD clássica

Vinheta-prancha da obra Príncipe Valente, de grande beleza, tanto pela perfeição do desenho das figuras, como pela sua dinâmica. Obra-prima da Banda Desenhada, da autoria de Harold Rudolf Foster, iniciada em 13 de Fevereiro de 1937, e ainda em publicação, embora já por diferente autor-artista.
"Não encontrei uma única conquista pela força que fosse duradoura. O que é que se mantém ainda das conquistas de Alexandre ou de César? Com as conquistas só se conseguem tristes inimizades. Só utilizarei a minha espada em defesa da liberdade e da justiça!".
Estas as belas palavras do Príncipe Valente, herói de gloriosas e fascinantes aventuras. Salpicadas também por episódios pitorescos, elas contribuiram para introduzir na Banda Desenhada o clima lendário dos grandes feitos da cavalaria medieval, e dos elevados princípios dos seus cavaleiros andantes.

Aguar, rei de uma antiga cidade nórdica de existência incerta, chamada Thule, vê-se obrigado a lutar contra os seus implacáveis inimigos, à frente dos quais está o usurpador Slígon. Mais fortes na circunstância, estes empurram-no para o mar. Como única saída, o rei, a rainha e um principezinho chamado Valente, embarcaram num veleiro, com um pequeno séquito de amigos fiéis, procurando refúgio seguro ao longo das falésias da Bretanha.

Assim começava o episódio inicial da saga do Príncipe Valente, em 13 de Fevereiro de 1937. Para as primeiras impressões, esta cena não era muito favorável, mas em breve elas seriam melhoradas, ao ver-se o pequeno grupo, depois dessa viagem marítima bastante acidentada, combater e vencer os semi-selvagens bretões que os haviam atacado.

Após uma tantas peripécias relativamente breves, o pequeno príncipe de Thule cresce no espaço de apenas alguns episódios. Quando se despede do pai, deixando para trás o país pantanoso, Val é já um desenvolvido adolescente.

Esta transformação, que ocupou um curto período da série, verificou-se entre 13/2/1937 e 24/4/1937, no tempo real. Observando-se a última vinheta da décima-primeira prancha, vê-se que Val já adquiriu o aspecto que o iria tornar famoso ao longo dos anos. Sente-se uma certa pressa na transformação, como se o seu criador tivesse acedido, quase a contra-gosto, em debruçar-se sobre essas fases da infância e adolescência do herói.

Apesar de impaciente, Harold Foster, o criador - autor único de ambas as componentes, argumento e desenho -, não deixa de enriquecer as primeiras páginas com imaginosos episódios. O encontro do protagonista principal com Horrit, a feiticeira, mãe do monstruosos Thorg, é um deles:
"Não há para o homem maior infelicidade do que conhecer o seu futuro", diz-lhe ela. Mas a curiosidade de Val desobedece à lúcida advertência, e ouve o que Horrit lhe diz: "Aguarda-te já um grande desgosto. Irás ter muitas aventuras, travarás muitas lutas, e jamais encontrarás a felicidade".
Tais profecias não estão totalmente longe da realidade: quanto às grandes lutas, serão elas o leit motiv da saga do Príncipe Valente. Por outro lado, a sua vida tem tido realmente muitas coisas más, de que a mais marcante terá sido a precoce morte da mãe, que sucumbiu ao clima hostil do país onde se haviam refugiado. O seu exílio, que durou doze anos, e também a morte de Ilene (Helena em versão portuguesa), o seu primeiro amor, foram outros tantos espinhos envenenados de tristeza e revolta.
Mas a vida do príncipe teve, entretanto, momentos de felicidade, de que um dos mais importantes terá sido a participação numa pequena cerimónia que jamais esqueceu: o Rei Artur, tocando-lhe no ombro com a sua famosa espada, armou-o Cavaleiro da Távola Redonda, como reconhecimento da sua bravura e lealdade.

No que se refere às coisas do coração, que são sempre, se não agradáveis, pelo menos emocionantes, Sir Valente também já teve a sua conta. Não é que tenha qualquer semelhança com Sir Gawain, o insaciável conquistador. Mas entre desgostos, desenganos e amores exaltados, de tudo conheceu o coração do príncipe.

É sabido que Ilene, bela jovem de cabelos cor de mel, foi o saboroso primeiro amor de Valente. Todavia, ainda não tinha sido focado o facto de ela ter sido, simultaneamente, o grande amor de Arn. Mas Ilene morreu, como também já se sabe, e os dois príncipes, que apesar de rivais se haviam tornado amigos, construiram um monumento de pedra em sua memória.

Convém ainda referir a sua fugaz atracção amorosa pelas irmãs Sombelene e Melody. Mas Melody apaixonar-se-ia por Hector, e Sombelene por Angor Wrack, ex-captor de valente. Por acaso será com este casal que Valente celebrará os seus dezoito anos.

Na realidade, porém, no seu coração havia persistido sempre uma visão, quase irreal, de uma loura jovem que lhe dera água quando, morto de sede e exausto, fora ter a uma misteriosa ilha. A única prova de que não se tratara de uma visão fora o papel que ficara no barco, assinado por Aleta. O encontro seguinte seria bem real, completamente estragado por um mal-entendido. E, finalmente, após raptá-la da sua corte, levado por negras intenções, Valente acabaria por ceder à inteligência, meiguice e infinita paciência de Aleta que, durante a longa viagem imposta pelo príncipe, lhe suportou as injustas afrontas. Casaram por fim, como era de esperar, e desta feliz e inquebrável união nasceram quatro filhos, entre os quais duas gémeas.

Ao fim de todos estes anos, o Príncipe Valente vai tranquilamente envelhecendo. Os seus filhos crescem; e Arn, o mais velho, é já o seu sucessor nas deambulações pelo mundo. As aventuras de Arn são o contraponto aos vários flashbacks provocados pelas recordações de Valente. Aventuras nunca vistas antes na juventude do príncipe, que vão assim permitindo mantê-lo no centro do interesse da série, tornando a sua vida num longo mas nunca fastidioso percurso.
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Este "post" insere-se num conjunto focando diferentes quadrantes relacionados com a obra Príncipe Valente ("Prince Valiant In the Days of King Arthur"), considerando a efeméride de 70 anos, número redondo, após o seu início, em Fevereiro de 1937
Ver, por exemplo, referência ao fanzine Nemo que dedicava aos 50 anos do Príncipe Valente no seu nº 4, datado de Fevereiro de 1987. isto no blogue Fanzines de Banda Desenhada, endereço:

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

BD portuguesa nos jornais (LII) - Mundo Universitário - Autor: Pedro Zamith

Prancha assinada por Pedro Zamith com o título A Ronda da Noite

in Mundo Universitário, nº 57 - 12 Fev. 07

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PEDRO ZAMITH

Síntese biográfica

Pedro Zamith nasceu em Lisboa, a 31 de Dezembro de 1971, e licenciou-se em pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Conheci-o à conta do seu fanzine Nova Gina. Um título que, lido rapidamente, soa cacofónico, cuja cacofonia brejeira correspondia ao estilo e conteúdo. O fanzine ficou para trás, ultrapassado pelas alterações de vida, profissionais e familiares: o Zamith passou a dar aulas, casou, já tem descendente, e, entretanto, dedica-se à pintura.
Mas o "vírus" da BD nunca o abandonou: em Setembro de 2000 foi-lhe publicada uma bd em álbum, no nº 7 da colecção "Lx Comics" editado pela Bedeteca de Lisboa, sob o extenso e desconcertante título "A Misteriosa Ligação de Três Habitantes de Brooklin: o Taxista, o Talhante e o Farmacêutico". Quase sete anos depois, correspondendo ao meu convite, Zamith aceitou colaborar, com a banda desenhada autoconclusiva A Ronda da Noite, na montra do Mundo Universitário.
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"Post" remissivo
Há mais imagens de bedês publicadas no jornal MU. Ver "posts" nas datas indicadas:

Fev. 7 - Nazaré Álvares (MU nº 56, 5 Fev.)
Fev. 7 - Marco Mendes (MU nº 55, 29 Jan.)
Jan. 23 - Ângela Gouveia (MU nº 54, 22 Jan.)
Jan. 16 - Filipe Goulão (MU nº 53, 15 Jan.)
2007 - daqui para cima

Dez.6-A.Rechena; Nov.28-José Lopes; Nov.21-Pedro Alves; Nov.14-Nuno Saraiva; Nov.8-Pedro Morais; Out.31-Ricardo Ferrand; Out.24-Algarvio; Out.17-Ricardo Cabral; Out.11-Álvaro; Out.5-Pedro Massano; Set.27-Derradé; Set.24-Nuno Saraiva
Ainda em 2006, mas após as "férias grandes" (entre 8Jun. e 24Set, lapso de tempo em que o MU não foi editado), a lista de colaboradores vê-se daqui para cima
Jun.8-Estrompa; Maio 31-António Valjean; Maio 24-Pedro Nogueira; Maio 20-Zé Manel; Maio 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral; Maio 12-Pepedelrey; Maio 4-J.Mascarenhas; Abril 5-Cheila; Março-29 -Pedro Morais; Março-20-Joana Figueiredo; Março-15-Pedro Nogueira; Fev.14-A.Rechena; Fev.8-Derradé; Jan.19-Pedro Alves
2006 (lista daqui para cima)

Dez.12-Álvaro; Nov.24-Luís Valente; Nov.15-Paulo Marques e Bruno Silva Out.28-Fritz; Out.13-Francisco Sousa Lobo
2005 (Neste ano houve mais autores publicados no MU, mas cujas pranchas não foram reproduzidas aqui no blogue).

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Álbuns de BD imprevisíveis e difíceis de obter - (III) - Evereste - Autor: Ricardo Cabral

Imagem duma das pranchas (a 17ª) da obra Evereste, com desenho e argumento de Ricardo Cabral, dedicada ao alpinista João Garcia

Evereste, álbum de banda desenhada dedicado à ascensão de João Garcia, em 1999, ao chamado "tecto do mundo", vai ser hoje apresentado em Lisboa, pelas 21h, no Centro Comercial Vasco da Gama (na sala de cinema nº 5).

Esta apresentação integra-se no evento Um Mundo de Aventuras, dedicado a proezas similares.

Capa do álbum Evereste, que, tal como, as imagens do conteúdo, são da autoria de Miguel Cabral

Editado sob chancela da Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais, com apoio do Pelouro do Desporto da Câmara Municipal de Lisboa, o álbum Evereste tem uma tiragem limitada a dois mil exemplares, mil e quinhentos dos quais serão oferecidos à população escolar daquela freguesia. Restarão quinhentos para outras ofertas. Uma delas será efectuada hoje na apresentação, que terá lugar numa sala de cinema do Centro Comercial Vasco da Gama, onde se estreará um documentário que foca outra proeza de João Garcia: a ascensão realizada o ano passado ao Kangchenjunga, terceira montanha mais alta do Mundo (8586 metros de altitude).

Uma curiosidade: tanto o alpinista João Garcia, como o artista-autor de BD Ricardo Cabral, são ambos moradores da populosa freguesia dos Olivais (aliás, Santa Maria dos Olivais).


Lisboa na Banda Desenhada (IV) - Bairro dos Olivais com espaços verdes à vista - Autor: Ricardo Cabral

L
Panorâmica dum recanto do populoso bairro lisboeta dos Olivais, visto por um dos seus habitantes chamado Ricardo Cabral.

Excerto da obra Evereste - que narra a escalada de João Garcia -, mas que, nesta imagem inicial, mostra um pormenor do bairro dos Olivais (Freguesia de Santa Maria dos Olivais), ambiente onde ele cresceu.
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"Post" remissivo
Deste mesmo tema podem ser vistas entradas nas datas seguintes:

Julho, 18 (III) - Autor: António Jorge Gonçalves
Junho, 19 (II) - Autor: Zé Paulo
Maio, 21 (I) - Autor: Victor Mesquita
2006 - Daqui para cima

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

BD portuguesa em jornais (LI) - Mundo Universitário - Autor(a): Nazaré Alvares

"Despedida", episódio concebido ficcionalmente e realizado por Nazaré Alvares

in semanário Mundo Universitário - nº56, 5 Fev 07

Conheci esta artista, natural de Montalegre (Set. 65), mas estudante e residente no Porto, há cerca de vinte anos, em Lisboa.
Aconteceu o encontro no momento da entrega do prémio, relativo a um dos vários concursos de BD organizados pelo, na época, bem activo CPBD - Clube Português de Banda Desenhada, de que eu tinha feito parte do júri.
Foi primeira classificada, no escalão principal, a então jovem desconhecida Nazaré Alvares, estudante de Pintura nas Belas Artes da cidade onde rsidia.
Voltou à capital, anos mais tarde, para ser a Convidada Especial da Tertúlia BD de Lisboa.
Sempre tendo na memória o seu talento, e sabendo que, além de professora, é também pintora, resolvi desafiá-la para voltar - nem que seja esporadicamente - à BD, tendo ela aceite o desafio.
O resultado aí está, feito com sensibilidade e elegância.

BD portuguesa em jornais (L) - Mundo Universitário - Autor: Marco Mendes


"Diário Rasgado" é o título desta banda desenhada, da autoria de Marco Mendes

in semanário Mundo Universitário, nº 55, 29 Jan. 07

Marco Mendes é um jovem portuense que conheci numa das Feiras Laicas que têm sido organizadas pelo José Feitor. Activo editor de fanzines, bem como orientador de "workshops" nessa especialidade - já dirigiu várias, direccionadas para crianças na Fundação de Serralves, cujos resultados (fanzines, claro) referenciei no meu blogue http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com.
O seu talneto, versátil, tanto lhe permite desenhar em registo realista, como optar por um desenho sujo e alternativo, a sua opção para a bd que aceitei para a rubrica BD do Mundo Universitário, um jornal de características totalmente inéditas no campo dos gratuitos.

domingo, janeiro 28, 2007

Festivais, Salões BD e afins (Angoulême) - 34° Festival Internacional

Infelizmente, devido a problemas de tecnologia - compra da "Blogger" pela "Google" - apenas hoje, domingo, estou a ter possibilidade de escrever algo no blogue acerca do Festival de BD de Angoulême.
Antes de mais, quero dizer que estou muito desiludido com as alterações radicais sofridas - sofridas, eis o termo exacto! - pelo festival. Tenho-o visitado, grande parte das vezes para sobre ele escrever para revistas - Jornal da BD, Selecções BD (1ª e 2ª séries) - e jornais - Diário Popular, semanário O País - para onde escrevi diversas crónicas e reportagens.
Especialmente no que se refere à localização: em vez de estarem, como estiveram ao longo de vinte e cinco anos que venho a Angoulême, as duas grandes "bulles" (enormes tendas assim baptizadas por aquele termo que significa "balões da BD") que sempre existiram no centro histórico, na "Place New York" e "Champ de Mars", foram deslocadas para um local periférico chamado "Montauzier", bem mais distante do que o CNBDI-Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image, (sim, a Amadora repetiu o nome) que era, até agora, o polo mais afastado do centro.
Embora esse pormenor possa parecer despiciendo, à primeira vista - e, que fique claro, o serviço de "navette", ou seja, um autocarro especial sempre em constantes viagens abarcando os diversos polos, esteve impecável -, para mim, do meu ponto de vista, significou a perda de factores extremamente importantes: uns, de ordem subjectiva, obviamente, têm a ver com o espírito e a atmosfera de festa que se sentiam fortemente, pormenores que, embora possam parecer pouco importantes, caracterizavam flagrantemente o evento; outros, de ordem objectiva, relacionam-se com a proximidade do público em geral que sempre observava com curiosidade os locais mais visíveis, e acabava por, de certa forma, aderir e respeitar a BD; e também com a constante movimentação dos "festivaliers", entre uma "bulle" e outra, o que d
ava àquela zona da cidade bulício e alegria, que se comunicava a toda a gente.
Neste momento, estou com a convicção de que me despeço de Angoulême, em definitivo, com alguma nostalgia.
(*)
Acabado o amargo intróito, resta-me incluir a lista de prémios e premiados.

Grande Prémio da Cidade de Angoulême - José Muñoz


Este prémio é outorgado em votação realizada pelo conjunto dos anteriores galardoados. O argentino José Muñoz, que já esteve em Portugal mais do que uma vez, é o criador, em conjunto com o seu argumentista habitual, Carlos Sampayo (*), da personagem Alack Sinner, divulgado inicialmente entre nós no jornal de BD Lobo Mau.

(*) Comentário a propósito:
Há algum tempo, num "post" em que falei sobre o fanzine "Mesinha de Cabeceira", ao mencionar as bandas desenhadas publicadas, por escrever de improviso - como praticamente, quase sempre faço - cometi a omissão (imperdoável, reconheço) de não indicar o nome de dois argumentistas. Penitenciei-me, invocando a meu favor o facto de eu próprio ser argumentista (muito pequeno, até agora, publicados, tenho apenas três argumentos e meio, neste último caso um que fiz a meias com o próprio desenhador) e, por conseguinte, seria de esperar o meu cuidado em respeitar os argumentistas, não repetindo a secundarização a que eles geralmente estão sujeitos.
Mas, mais uma vez, nesta distinção que acaba de se registar em relação a José Muñoz, se nota o papel subalterno que tradicionalmente lhes cabe: Carlos Sampayo, o autor dos argumentos das obras desenhadas por Muñoz (quando se fala de Alack Sinner, por exemplo, diz-se sempre "da autoria de Muñoz & Sampayo"), Sampayo, dizia, nem sequer foi mencionado no momento da entronização de Muñoz...

Prémio do Melhor Álbum:
Non Non Bâ, de Shigeru Mizuki
Pela primeira vez, uma mangá aparece como obra vencedora.
Shigeru Mizuki, veterano autor de oitenta e quatro anos, é considerado um mestre no Japão, embora o seu nome fosse praticamente desconhecido na Europa.

Prémios "Os Essenciais":
Black Hole, de Charles Burns
Lucille, de Ludovic Debeurme
Lupus, de Frederik Peeters
Le photographe, de Emmanuel Guibert e Didier Lefèvre
Pourquoi j'ai tué Pierre, de Olivier Ka e Alfred

Prémio Revelação:
Panier de Singe, de Jérôme Mulot e Florent Ruppert

Prémio do Património:
Sergent Laterreur, de Touïs e Frydman

Note-se que esta obra derrotou uma lista de nomeadas onde havia mais as seguintes cinco:
- Golgo 13, de Takao Saito (uma mangá)
- Little Nemo, de Winsor McCay (numa edição da Delcourt, feita na enorme dimensão "broasheet", exactamente igual à dos jornais americanos onde inicialmente a obra foi publicada)
- Hato, de Osamu Tezuka (outro autor japonês, este já bem nosso conhecido, logo, outra mangá)
- Service des cas fous, de Gébé
- Les vents de la colère, de Tatsuhiko Yamagami (mais uma mangá!)
Para quem ainda não se convenceu da importância que a BD japonesa está a alcançar, estas três mangás nomeadas para tão importante prémio deve ser suficientemente esclarecedora.

Prémio do público:
Pourquoi j'ai tué Pierre, de Olivier Ka e Alfred (premiado outra vez)

Prémio: Fanzines e Banda Desenhada alternativa:
Canicola, fanzine italiano de Bolonha

Prémios dos "partenaires" (editoras, entidades oficiais e privadas,) do Festival:

Grande Prémio RTL
Henry Désiré Landru, de Christophe Chabouté

Prémio René Goscinny:
Lucille, de Ludovic Debeurme

Prémio da Escola da Imagem (École de l'Iimage):
Ben Katchor

Num quadrante bem diferente, registo a homenagem prestada a Goscinny através da inauguração da Rue Goscinny (onde tive o gosto de estar presente) , atitude semelhante à que havia sido tomada em relação à existência da Rue Hergé, ambas localizadas em pontos centrais da cidade.

Nota importante:
As ilustrações das capas dos álbuns premiados podem ser vistos no site do Festival, no endereço:
http://www.bdangouleme.com/
(*) Comentário a posteriori:
Tive conhecimento, no ano seguinte, que devido à forte pressão do comércio local (que sentira a falta dos forasteiros durante aqueles quatro dias) e até de uma parte considerável dos "angoumoisins" (habituados à animação que transformava o pacato centro histórico de Angoulême num ambiente fervilhante), os poderes locais fizeram marcha atrás, e o núcleo do festival, que tinha sido deslocalizado para um longínquo descampado, voltou a ocupar os dois espaços nobres que sempre tinham sido seus.
Então porque não voltei? Aquele hiato arrefeceu-me, e no fundo eu já lá ia por inércia adquirida em vinte e cinco anos de particpação, em especial porque as revistas para onde tinha feito reportagens ou crónicas - o Jornal da BD e a [revista] Selecções BD (lª e 2ª séries) já tinham desaparecido, além de que, agora na internet, uma boa parte dos entusiastas da BD tinha acesso a todas as informações.
Por tudo isso, a partir de 2008, inclusive (estou a escrever isto em Janeiro de 2010), deixei de lá ir. Mas não garanto que num próximo ano não volte, nem que seja apenas para matar saudades..

terça-feira, janeiro 23, 2007

BD nos jornais (XLIX) - Mundo Universitário - Autora: Ângela Gouveia

Prancha da bd Bate_Bate Coraç@o, da autoria de Ângela Gouveia

in Mundo Universitário nº 54, de 22 Jan.07
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Post remissivo
Nesta rubrica "BD portuguesa nos jornais" têm sido reproduzidas bandas desenhadas extraídas de diferentes periódicos. Todavia, é do semanário Mundo Universitário (MU) que tem saído a contribuição mais volumosa.
Isto porque os autores variam de número para número, logo faz todo o sentido mostrá-los a todos (o que não acontece, por exemplo, com a bd do semanário Sol, sempre da autoria (competente e talentosa de Nuno Saraiva, que também já colaborou no MU). Portanto, a seguir ver-se-á uma lista, quase completa, dos nomes dos autores publicados no MU, e respectivas datas dos posts:

Jan. 16 - Filipe Goulão
2007 - daqui para cima

Dez.6-A.Rechena
Nov.28-José Lopes; Nov.21-Pedro Alves; Nov.14-Nuno Saraiva; Nov.8-Pedro Morais;
Out.31-Ricardo Ferrand; Out.24-Algarvio; Out.17-Ricardo Cabral; Out.11-Álvaro; Out.5-Pedro Massano;
Set.27-Derradé; Set.24-Nuno Saraiva
Após as "férias grandes", lapso de tempo em que o MU não é editado, a lista de colaboradores vê-se daqui para cima:

Jun.8-Estrompa;
Maio31-António Valjean; Maio 24-Pedro Nogueira; Maio 20-Zé Manel; Maio 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral; Maio 12-Pepedelrey; Maio 4 - J.Mascarenhas;
Abril 5-Cheila;
Março 29 -Pedro Morais; Março 20-Joana Figueiredo; Março 15-Pedro Nogueira;
Fev.14-A.Rechena; Fev.8-Derradé;
Jan.19-Pedro Alves
2006 (lista daqui para cima)

Dez.12-Álvaro;
Nov.24-Luís Valente; Nov.15-Paulo Marques e Bruno Silva
Out.28-Fritz; Out.13-Francisco Sousa Lobo
2005 (Neste ano houve mais autores publicados no MU, mas cujas pranchas não foram reproduzidas aqui no blogue).

BD nos jornais (XLVIII) - Os Fazedores de Letras - Autoras: Mariana Perry e Patrícia Espinha

Prancha inicial (1 de 5) da bd As Cerejas, com desenho de Mariana Perry e argumento-poema de Patrícia Espinha.

in Fazedores de Letras #66, Ano XIV, Janeiro e Fevereiro, Bimensal (*)

Fazedores de Letras tem o subtítulo "Jornal da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa".
A dita publicação tem mais aspecto de revista: formato um pouco menos que A4, capa e contracapa em papel de maior gramagem, as medidas e aspecto com que se apresenta são mais de revista do que de jornal, além de que, nos anteriores 65 números, "se bem me lembro", assim era chamada pela anterior equipa editora.
Mas, claro, visto que os actuais responsáveis preferem que seja jornal, assim (contrariado) lhe chamarei. Posto isto, sigamos para outra área, a da BD.
A que é publicada neste número, sob o título As Cerejas, da autoria de Mariana Perry, merece ficar como pequena obra de referência em Fazedores de Letras. Com um desenho de linhas fluidas e elegantes, corresponde esteticamente ao tema erótico transmitido de igual modo pelo poema-argumento, escrito por Patrícia Espinha (já minha conhecida desde há alguns anos, por trabalho anterior de semelhante qualidade, no mesmo suporte).
Para minha satisfação, e, claro, de todos os universitários apreciadores de BD, a banda desenhada continua a merecer a consideração dos novos elementos, onde, para além do Director, Eduardo Oliveira, e do trio da Direcção, se inclui (algo não muito vulgar) um "Grupo de Organização" (seis pessoas) e também um "Grupo de Revisão" composto por três elementos. Trata-se, pelos vistos, de um trabalho colectivo apoiado em numerosos colaboradores, pormenor pouco habitual entre nós.
Daqui endereço o meu voto de manterem a louvável iniciativa da publicação do [jornal] Fazedores de Letras, com uma invulgarmente longa existência de catorze anos.

(*) Já agora, daqui chamo a atenção para os editores, e em especial para o trio responsável pela revisão, do erro crasso que é o de o vosso jornal mostrar, na capa, a classificação de bimensal. O ritmo de publicação, de dois em dois meses, chama-se bimestral.

BD nas revistas não especializadas - Visão Júnior - Autores: Pedro Morais e Luís Almeida Martins

Prancha da série Júnior, Joana e Gão, no episódio "Número errado", da autoria de Pedro Morais (desenho) e Luís Almeida Martins (argumento)

Uma raridade, em Portugal, a Banda Desenhada dedicada à infância. Pedro Morais, a desenhar, e Luís Almeida Martins, a escrever os argumentos, abriram uma clareira nessa terra do nada, onde metem, mensalmente, um simples mas imaginativo episódio com as três personagens que criaram, Júnior, ele, Joana, a amiga, e Gão, um simpático bicharoco que reúne características mistas de gato e cão (não é por acaso que ele se chama Gão).

Esperemos que venham a ter guarida num álbum, para se darem a conhecer a quem nunca comprou esta interessante revistinha, que todos os pais (quem diz pais, quer dizer também mães, obviamente), deveriam comprar.

A imagem da bd curta, autoconclusiva, que acima se reproduz, foi publicada na revista Visão Júnior (nº 32, de Janeiro 2007)

sábado, janeiro 20, 2007

Festivais, Salões BD e afins - (Coimbra) @Comics - Evento de BD em Coimbra

Cartaz do evento @Comics, da autoria de João Carlos Ferreira Gonçalves
Desdobrável do evento @Comics, fazendo divulgação pública de um evento inédito em Coimbra

Já há Festivais e Salões de Banda Desenhada em vários pontos do país: Amadora, Lisboa, Moura, Beja, Almada (mais propriamente, Sobreda) e Viseu. Estranhamente, Coimbra, uma cidade universitária, parecia alheia à BD, ao nível de eventos. Até agora.
A partir de Fevereiro, dias 2 e 3, há que juntar a chamada Lusa-Atenas ao percurso obrigatório dos bedéfilos.
Parecendo apostar os seus organizadores, neste início, na componente cultural, o forte da programação - a decorrer ao longo dos dois dias mencionados -, incide em palestras, debates e workshops, o que cria, desde logo, uma inédita atmosfera cultural.
Essa programação apresenta-se com aliciantes fortes, tanto na variedade de temas, como na categoria dos participantes.
Observe-se, por exemplo, a lista de temas das palestras e debates, que decorrerão ao longo dos dois dias, respectivos oradores e moderadores (estes últimos ainda não completamente definidos, no momento em que estou a afixar este "post"):

Tema do 1º dia, 2 de Fevereiro: "Banda Desenhada Norte-Americana e Oriental"
Palestra "A BD e o Cinema", por João Miguel Lameiras;
Debate "Banda Desenhada como propaganda política", por Nuno Saraiva.
Moderador: Ernesto Costa;
Debate: "BD como fonte de valores éticos e morais", por Pedro Massano

Tema do 2º dia, 3 de Fevereiro: "Banda Desenhada de Autor/BD Sátira"
Palestra "Evolução da BD franco-belga e italiana no Século XX", por Pedro Moura
Debate: "BD portuguesa: que futuro?, por Leonardo De Sá, Marco Mendes e Miguel Carneiro
Palestra "BD sátira: impacto no mundo", por Osvaldo de Sousa (das 16h às 17h30); mais tarde, das 18h às 19h o mesmo orador orientará um debate dedicado ao mesmo tema.

Neste último dia, sábado, realizar-se-á a cerimónia de entrega de prémios do Concurso de "Cartoons", que terá a presença dos três jurados, Carlos Pessoa, Leonardo De Sá e Osvaldo Macedo de Sousa.

Entremeando os momentos de debate e/ou palestras acima descritos, a realizar em espaços que presumo adjacentes, haverá dois workshops, sendo um deles intitulado "Iniciação à Banda Desenhada", o outro "Mangá*: traços e coloração", para os quais ainda não estão indicados formadores no e-mail que recebi, nem no site da entidade organizadora, um grupo de gente nova, activa e culta, responsável pela Secção "Actividade @ Comics - PGI Departamento de Engenharia Informática" (Pinhal de Marrocos, 3030-290 Coimbra).

(*) O acento na palavra "Mangá" é de minha responsabilidade, visto que, se é assim que se deve pronunciar, é assim que se deve escrever.

Local do evento:
IPJ - Instituto Português da Juventude - Coimbra
Rua Pedro Monteiro, 73
3000 - 329 Coimbra

Para mais informações, incluindo o regulamento de um concurso de "cartoon", convém consultar o "site" da organização, no endereço:
http://comics.no.sapo.pt

terça-feira, janeiro 16, 2007

BD portuguesa nos jornais (XLVII) - Jornal Mundo Universitário - Autor: Filipe Goulão

Prancha com a bd " A Tela Branca", da autoria (desenho e argumento) de Filipe Goulão

Após interregno na sua edição, mais ou menos coincidente com as férias escolares, o jornal semanário (gratuito) Mundo Universitário voltou a estar presente em muitas Universidades, do Norte ao Sul do país.
Apresenta-se sob diferente grafismo, bastante bonito e apelativo.
Filipe Goulão, o autor que convidei desta vez para colaborar, é ainda jovem, mas meu conhecido já de há anos (foi um dos autores que editei no fanzine Ad Hoc). Inquestionavelmente, realizou uma bd de acerada crítica e muito nível gráfico.
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"Post" remissivo
Nesta rubrica "BD portuguesa nos jornais" têm sido reproduzidas bandas desenhadas extraídas de diferentes periódicos.
Todavia, é do semanário Mundo Universitário que tem saído a contribuição mais volumosa. Isto porque os autores variam de número para número, logo faz todo o sentido mostrá-los a todos (o que não acontece, por exemplo, com a bd do semanário Sol, sempre da autoria (competente e talentosa de Nuno Saraiva).
Portanto, a seguir ver-se-á uma lista, quase completa, dos nomes dos autores publicados no MU, e respectivas datas:

Dez.6-A.Rechena
Nov.28-José Lopes; Nov.21-Pedro Alves; Nov.14-Nuno Saraiva; Nov.8-Pedro Morais;
Out.31-Ricardo Ferrand; Out.24-Algarvio; Out.17-Ricardo Cabral; Out.11-Álvaro; Out.5-Pedro Massano;
Set.27-Derradé; Set.24-Nuno Saraiva
Após as "férias grandes", daqui para cima:

Jun.8-Estrompa;
Maio31-António Valjean; Maio 24-Pedro Nogueira; Maio 20-Zé Manel; Maio 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral; Maio 12-Pepedelrey; Maio 4 - J.Mascarenhas;
Abril 5-Cheila;
Março 29 -Pedro Morais; Março 20-Joana Figueiredo; Março 15-Pedro Nogueira;
Fev.14-A.Rechena; Fev.8-Derradé;
Jan.19-Pedro Alves
2005 (lista daqui para cima)
Dez.12-Álvaro;
Nov.24-Luís Valente; Nov.15-Paulo Marques e Bruno Silva
Out.28-Fritz; Out.13-Francisco Sousa Lobo

sábado, janeiro 13, 2007

Críticas e notícias sobre BD na Imprensa (XVI) - Diário Desportivo - Artigo sobre Roussado Pinto e Enciclopédia O Mosquito

Reprodução da página XIV do suplemento "Fim-de-Semana", do Diário Desportivo - nº 5, 12 Jan. 07

No leque de publicações de distribuição gratuita surgiu há alguns dias um de índole desportiva, com o título de Diário Desportivo. Não teria aqui cabimento qualquer "post" sobre o novel jornal, não fosse o facto de, na edição de ontem (6ª feira, 12 de Janeiro) dele constar um suplemento com uma página totalmente dedicada a Roussado Pinto e à Enciclopédia O Mosquito, uma das numerosas revistas a que esteve ligado este nome de referência na Banda Desenhada portuguesa.

Por curiosidade minha recorrente, eu tinha espreitado a ficha técnica do nº 1, e lá tinha visto o nome de Zaida Roussado Pinto. Agora que vi esta página, e li as palavras elogiosas, de carácter biográfico (não assinadas), de imediato pensei serem escritos por ela, admiradora principal e colaboradora durante anos de seu pai José Augusto Roussado Pinto.

Uma das coisas que se fica a saber é que o D.D. inicia, neste número, "(...) a publicação de inesquecíveis histórias dos mais relevantes personagens de BD (...)".

Infelizmente, fiquei sem saber se hoje, sábado, o jornal iniciou a publicação de alguma banda desenhada, porque não consegui encontrar nenhum exemplar do jornal (acordei tarde, hélas...).
Peço aos bedéfilos mais madrugadores, que se ponham em campo para me conseguir algum. Pago bem :-)

Este artigo estava inserido numa rubrica intitulada "Artigos genéricos sobre BD na Imprensa". Decidi passá-la para a rubrica mais abrangente "Críticas e Notícias sobre BD na Imprensa". Agora, em Março de 2016, estou a mudar todas estas notícias para a rubrica "Imprensa - Críticas e notícias sobre BD"

BD portuguesa nos jornais (XLVI) - Semanário A Voz da Póvoa - Autor: Agonia Sampaio

Tira publicada na rubrica "Banda Desenhada", da autoria de Agonia Sampaio

in semanário A Voz da Póvoa - 21 Dez. 06

sexta-feira, janeiro 12, 2007

BD portuguesa nos jornais (XLV) - Semanário Sol - Autor: Nuno Saraiva

Prancha da série "Na Terra como no Céu", da autoria de Nuno Saraiva. Título deste episódio: "O Método Champenoise"

in suplemento-revista Tabu, pertencente ao semanário Sol - 30 Dez. 2006
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"Post" remissivo
Neste tema podem ser vistos os autores indicados, nos "posts" e meses registados na lista abaixo:
(XLIV) Jan.12-Luís Afonso; (XLIII) Jan.12-Luca; (XLII) Jan.12-Joba e ML; (XLI) Jan.12-Carlos Rico; (XL)Jan.12-Paula Cabral e Manuel Moniz; (XXXIX)Jan.12-Artur Correia e António Gomes de Almeida; (XXXVIII)Jan.12-Agonia Sampaio;
2007 (ver a lista acima)

(XXXVII) Dez.6-A.Rechena; (XXXVI)Nov.28-José Lopes;(XXXV)Nov.21-Pedro Alves; (XXXIV)Nov.14-Nuno Saraiva; (XXXIII)Nov.8-Pedro Morais;(XXXII)Out.31-Ricardo Ferrand; (XXXI)Out.24-Algarvio; (XXX)Out.17-Ricardo Cabral; (XXIX)Out.11-Álvaro; (XXVIII)Out.5-Pedro Massano; (XXVII)Set.27-Derradé; (XXVI)Set.24-Nuno Saraiva;(XXV)Jun.8-Estrompa; (XXIV)Maio31-António Valjean; (XXIII) Maio 24-Pedro Nogueira; (XXII) Maio 16-Ricardo Cabral e Jorge Cabral; (XXI) Maio 12-Pepedelrey; (XX)Maio 20-Zé Manel

BD portuguesa nos jornais (XLIV) - Semanário Sol - Autor: Luís Afonso

Tira de banda desenhada da série "Sol aos Quadradinhos", da autoria de Luís Afonso

in suplemento-revista "Tabu", pertencente ao semanário Sol - 30 Dez. 2006

Nota do bloguista: Apesar de não aparecer escrita, sob a tira, a tradicional frase "continua no próximo número", a série "Sol aos Quadradinhos" é mesmo uma narração contínua, onde se assiste (lê-se e visiona-se) a uma comédia, contada e desenhada pelo humorista Luís Afonso, em que um recluso propõe ao director do presídio, onde se encontra, que patrocine as despesas da construção de um túnel. O "nonsense" da situação está a ser dominado com perícia e imaginação pelo autor.

Tira da série "Sol aos Quadradinhos", reproduzida no suplemento-revista Tabu do semanário Sol -1 Dez. 06

Voltámos aos tempos das histórias aos quadradinhos, com continuação de número para número, envolvidos no respectivo "suspense", esperando, entre incrédulos e divertidos, o desenrolar da ficção bem humorada.
O que irá o preso propor a seguir ao director? Qual a justificação (plausível q.b.) que dará? O preso, já tornado personagem mediática, demonstra agora ser melómano, propondo que a fuga se faça ao som da música de Wagner... Onde chegará a imaginação do seu criador?

BD portuguesa nos jornais (XLIII) - Diário do Alentejo - Autor: Luca

Tira de banda desenhada da série "RIbanho", da autoria de Luca (*)

in semanário Diário do Alentejo - 12 Jan. 2007

(*) Foi publicado recentemente um álbum constituído por compilação de várias tiras desta série. Quem adquiriu o álbum ficou a saber que Luca é o pseudónimo adoptado pela dupla Luís Afonso (Lu), neste caso no papel de argumentista, e Carlos Rico (Ca), autor dos desenhos

BD portuguesa em jornais (XLII) - Semanário Sol - Autores: Joba e ML

Prancha da série "As Tias", da autoria de Joba (desenho) e ML (argumento)

in semanário Sol - 30 Dez. 06

BD portuguesa nos jornais (XLI) - Jornal Sporting - Autor: Carlos Rico

Tira publicada sob o título "Cartoon", da autoria de Carlos Rico

in Sporting - Órgão Oficial do Sporting Clube de Portugal, de 9 Jan 2007

BD portuguesa em jornais (XL) - Diário dos Açores - Autores: Paula Cabral e Manuel Moniz

Tira de banda desenhada da autoria de Paula Cabral (desenho) e Manuel Moniz (argumento)

in Diário dos Açores (publicado em Ponta Delgada, Ilha de S. Miguel), 28 Dez. 2006

BD portuguesa nos jornais - (XXXIX) - Diário do Sul - Autores: Artur Correia e António Gomes de Almeida

Reprodução de prancha da banda desenhada da autoria de Artur Correia (desenho) e António Gomes de Almeida (argumento), que faz parte do livro "Nabos na Cozinha - Culinária para Principiantes".

in jornal Diário do Sul (Évora), de 30 Dez. 2006

BD portuguesa em jornais (XXXVIII) - Diário do Minho - Autor: Agonia Sampaio

Prancha inicial da bd O Nascimento de Jesus, da autoria de Agonia Sampaio

in Diário do Minho - 10 Dez. 06

sábado, janeiro 06, 2007

BD portuguesa nos fanzines (VII) - Autores: João Maio, Joana Figueiredo, Zamith, Abranches, Lemos, Coelho, Pepe, Chambel, Feitor & S.G.



 Prancha (a 5ª de 7) da autoria de João Maio Pinto, excerto da bd (sem palavras) Pennies from Heaven

 O Mesinha de Cabeceira, neste passo tornado "Popular", é um fanzine - aliás, mais prozine, afinal o editor é, em certa medida, um profissional da BD, visto que trabalha numa Bedeteca... - apresenta edição de alto nível estético, com colaboração artística de valor no panorama portuga.
A capa e uma prancha estão visíveis há algum tempo já, no meu outro blogue, o Fanzines de Banda Desenhada (http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com) .
Agora aqui, apenas como "teaser" para a aquisição da peça, ficam visionáveis pranchas (uma de cada, e é um pau) de todos os participantes. 
Excepção feita para o André Lemos, autor da prancha da bd Ícones Populares, em exposição virtual no blogue acima citado.

 Gang - Raped by Dolphins, estranho episódio em cinco pranchas (reproduz-se a segunda), criado pela imaginação, e complementado pelo traço, de Joana Figueiredo.  Pedro Zamith: um estilo inconfundível, uma imaginação delirante. Às imagens das três pranchas apenas falta a força das suas cores, marcantes num universo pictórico singular. 

De talento ecléctico e estilo que se adequa, a cada momento, ao tema em que agarra, Filipe Abranches é um dos autores-artistas que desde há muitos anos deslumbra os mais exigentes.
 Jorge Coelho - de quem conheço a trajectória desde muito jovem - está em progressão artística acelerada: cada bd que faz constitui sempre um salto qualitativo, nos planos estético e estilístico. No que se refere ao quadrante ficcional, desta vez baseou-se num argumento elaborado por "Marte" (ele próprio desenhador quando lhe apetece...). 
  Uma prancha (de oito), plasmada por Pepedelrey sob argumento de Nuno Duarte

Truculento, desconcertante, gozão, são alguns dos adjectivos que caracterizam o Pepedelrey (pseudónimo que nós, os que o conhecemos há muitos anos, simplificamos para Pepe), é o autor de uma das mais extensas bedês (oito, pranchas, oito!) que enchem esta mesinha de cabeceira de papel (zine também já chamado, em maré de alternância, por "meseira de cabecinha"). O Pepe é assim: sempre assoberbado de trabalho, constantemente a queixar-se da falta de tempo, mas quando lhe dá uma veneta, sai obra de visionamento recorrente obrigatório. Só lhe faltou, neste caso, ser o autor do argumento, parte realizada por Nuno Duarte, alguém de créditos já firmados nessa área.

 
Se há títulos compridos, este então é compridíssimo, tipo fusão entre grafismo, título e legenda. E o desafio "ao bruto que suava" (só entenderá quem vir/ler a peça) apenas termina no fim da segunda prancha. Onde se prova que também as palavras podem ser eróticas. 

Sim, João Chambel, editor de antigo e invulgar fanzine, salvo erro o Uivo da Selva (cito de cor, e a minha memória é uma caca), já andou em tempos pelos trilhos da BD. Todavia, sem favor, a prancha reproduzida acima, é de excelente nível, embora, claro, tenha mais a ver com Ilustração. Mas está lá a componente sequencial logo que se visiona a prancha seguinte e, hélas, última. Volta, Chambel (caro amigo e vizinho), a BD não te esquece. 


 
Sucessos Pop ilustrados #5 - Quem és tuuuuuuuuuu? Uma balada de David Dryfountain, com desenho de José Feitor, e texto de S.G.

Há muitos anos houve um semanário intitulado Sete que tocava vários sectores da arte e da cultura, onde cabia, obviamente, a banda desenhada. O Fernando Relvas, agora na Croácia onde passou a viver, se fizer aqui uma visitinha, vai lembrar-se das obras excepcionais que por lá andou a espalhar; bem assim os manos Colombo, o Vasco (sempre cá, ainda bem) e o Jorge agora lá nos States. 
E, em especial - para o caso que quero focar - o António Jorge Gonçalves, que fez muitas bedês do género para o título genérico Disco na Prancheta.

Aliás, foi deste último, e da ideia que na altura desenvolveu, que me lembrei ao ler/ver esta balada dum tal David Dryfountain (David Fonteseca, traduzindo literal e humoristicamente...), desenhada - e bem, com muito humor, em traço descontraído - por José Feitor que, a descansar do seu [fanzine] Zundap (não confundir com a [mota] Zundapp) vai fazendo umas incursões pela figuração narrativa, sempre dizendo que a especialidade dele é mais, tipo, ilustração. Yessssss.

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"Post" remissivo

Acerca do tema "BD portuguesa nos fanzines", podem ser vistos neste blogue mais "posts" indo à coluna "Archives", visitáveis nas datas indicadas abaixo:

(VI) Dez. 20 - Nuno Sarabando
(V) Nov. 24 - Paulo Monteiro
(IV) Nov. 12 - Autor: José Lopes
(III) Nov. 9 - Autores: Aires Melo (desenho), Daniel Maia (argumento)
(II) Nov. 1 - Autores: Rui Lacas, Pepedelrey, J. Coelho, Pedro Nogueira, Renato Abreu
I) Out.14 - Autores: Pedro Figue (desenho), Daniel Maia (arg.) 

Nota: Aos interessados em fanzines, alerta-se para o facto de haver, em relação a este chamado Barsowia (espanhol/galego), um "post" no blogue Fanzines de Banda Desenhada, no mês de Novembro (dia 24).