quarta-feira, julho 30, 2008

Postais com Banda Desenhada - A minha colecção (III) - Autor: Jacques Toni

Postal com a bd "Julie Belnana" em "Cuidado com os coleccionadores".
Medidas do postal: 10,6x15cm


Julie, perseguida por um coleccionador que "colecciona" "bonecas vivas", só não consegue os seus intentos porque um extraterrestre, que surge num O.V.N.I., colecciona coleccionadores, e o predador humano vai ser levado (depreende-se da legenda inserida no balão) para um zoo intergaláctico de que o extraterrestre é proprietário.

Sim, bastante simples o argumento desta banda desenhada curta, numa só prancha ("one shot"), da autoria de um tal Jacques Toni.

Aqui entre nós (espero que o tal extraterrestre não se aperceba que eu também sou coleccionador) eu colecciono postais com bandas desenhadas, que tanto podem ser episódios completos, como pranchas de BD (não me interessam os postais que apenas incluem personagens de BD, que há aos milhares). Não conheço ninguém que tenha este mesmo tipo de colecção, mas se houver alguém com idêntico interesse, diga.

Nota: Este postal faz parte de uma série de 34 (como se pode ler no verso do postal), postais esses que reproduzem imagens do álbum "Les Cartomaniaques". Cada postal teve uma tiragem de 1.000 exemplares, o que, em França, não será muito. Por mero acaso encontrei este exemplar num alfarrabista com banca no festival BD de Angoulême, há já uma meia dúzia de anos.
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Nas postagens anteriores podem ser vistos postais com partes de bandas desenhadas, nas datas seguintes:
Junho 14 - Autor: Hergé
Junho 11 - Autor: Peter Kuper
2007 - daqui para cima

domingo, julho 27, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (VII) - Autor: Derradé


Liberdade é, também, poder dizer como Fernando Pessoa: "Ai que prazer/ não cumprir um dever./ Ter um livro para ler e não o fazer!/
Liberdade é, outrossim, poder fazer como Dário Rui Duarte, aliás, Derradé, uma prancha de banda desenhada do poema com esse título. 
E o mesmo com um outro, "Mar Português - O Infante", onde o primeiro verso tantas vezes tem servido de lema ou justificação: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.", compondo ambas, não por esta ordem, mas sim pela inversa, a bd intitulada "FP vs BSB" (BSB é a sigla para a série "Badsummerboys Band", criada pela dupla Derradé, desenhador, e Geral, argumentista).
Pela segunda vez, num curto período de tempo, acontece-me a agradável surpresa de editar uma banda desenhada inédita (esta composta por duas pranchas). 
As circunstâncias são semelhantes ao que aconteceu com a bedê do "post" nº VI do tema "Fernando Pessoa na Banda Desenhada", afixado no dia 20 deste mês: agora tratou-se de uma bd que estava para ser publicada no nº 3 da revista HL (Herpes Labial), prevista a edição para finais de Outubro de 2006. 
Por razões que têm a ver com o exíguo mercado da BD em Portugal, especialmente no que concerne às revistas, a HL ficou suspensa no segundo número, e o editautor, o amigo Derradé, ficou com ela nas mãos. Após o que, com grande prazer meu, veio parar às minhas, e, obviamente, a este blogue.
Para quem não conheça o cromo que aparece a recitar um poema de Fernando Pessoa, com grande espanto do poeta, apresento-o: chama-se Bubas (ele já "actuou" algumas vezes neste blogue, via rubrica "Banda Desenhada portuguesa nos jornais"), é o intérprete principal da série BSB, e é também o anti-herói de estimação do Derradé.
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".
(VI) Julho 20 - Nuno Frias, Ricardo Reis, João Vasco Leal, Cristiano Baptista, André Oliveira
(V) Julho 12 - Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Laerte
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008 - Daqui para cima

sexta-feira, julho 25, 2008

Álbuns de BD imprevisíveis e difíceis de obter (X) - Luís Figo e a Taça Mundial contra a tuberculose (Provas pré-impressão)


Um álbum de banda desenhada que tem na capa a indicação "provas pré-impressão", e que teve apenas 250 exemplares de tiragem, é algo imprevisível e impensável. Mas aconteceu com esta peça intitulada Luís Figo e a Taça Mundial contra a tuberculose, apresentada ontem em Lisboa, no Centro Cultural de Belém - CCB, breve apresentação inserida no âmbito do Fórum para as Questões de Saúde da Sociedade Civil da CPLP.
Só por isso, o exemplar que consegui obter tem esse aspecto da imprevisibilidade, e a qualidade invejável, para qualquer bedéfilo, coleccionador ou não, de peça "difícil de obter". Neste caso, com a característica de ser uma prova pré-impressão, impossível de conseguir posteriormente, visto que a ínfima tiragem ficou esgotada ontem mesmo.
Claro que irá haver uma edição normal, com distribuição mundial em oito idiomas - árabe, chinês, inglês, francês, hindu, português, russo e espanhol - a iniciar em Setembro. (*)
A banda desenhada que preenche o álbum tem 17 pranchas, a cores, e é o resultado de um concurso mundial. As características da curta obra são eminentemente didácticas, determinadas pelo argumento fornecido pela entidade Stop TB Partnership, para um concurso (de que não fui avisado), mas que teve divulgação no "site" da Bedeteca de Lisboa, conforme ontem me disse a directora daquele equipamento, ela também participante no júri que, entre 22 concorrentes, deu o prémio (€3.150.00) ao filipino Rod Espinosa.
É óbvio que o facto de a obra ter obrigatoriamente finalidades didácticas provoca situações que nada têm a ver com arte. Como, por exemplo a cena visível numa das imagens que ilustra o topo deste "post", mas cujo diálogo descrevo a seguir.
No decurso de uma jogada, um jovem jogador, que corre ao lado de Luís Figo, diz-lhe:
"Luís, eles têm razão. A tuberculose afecta principalmente países asiáticos, africanos e latino-americanos, mas a doença é também um problema grave na Europa de Leste e em todo o Mundo". E acrescenta num segundo balão: "No fim de contas, é uma ameaça para todo o mundo. Não é verdade que afinal vivemos numa aldeia mundial?".
Também em movimento de corrida, Figo (que não ficou lá muito bem no "retrato") responde: "Sim, estamos todos unidos nesta luta. Vamos jogar e derrotar a tuberculose!"
Compreende-se a intenção, mas torna-se ridícula a forma de a concretizar.
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Título: Luís Figo e a Taça Mundial contra a tuberculose
Nota sob o título: Provas pré-impressão
Mini-álbum formato A5
Capa, a cores, em papel de elevada gramagem
Miolo, a cores, com 18 páginas a cores, em papel de gramagem igual à da
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(*) A produção e distribuição do livro, na sua edição definitiva, está a ser apoiada por numerosas entidades, descritas em inglês, tal como o título Luís Figo and the World Tuberculosis Cup, na "Press release" da seguinte forma:
. Bedeteca de Lisboa, Lisbon, Portugal (http://www.bedeteca.com/)
. The Belgiam Centre of Comic Strip Art - Brussels, Belgium (http://www.comicscenter.net/)
. Cartoon Art Museum, San Francisco, USA (http://www.cartoonart.org/)
. The Cartoon Museum - London, UK (http://www.cartoonmuseum.org/)
. Cité Internationale de la Bande Dessinée et de l'Image - Angoulême, France (http://www.cnbdi.fr/)
. Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora - Amadora, Portugal (http://www.amadorabd.com/)
. Festival International de la Bande Dessinée - Angoulême, France (http://bdangouleme.com/)
. International Festival of Cartoon Stories KomMissia - Moscow, Russian Federation (http://www.kommissia.ru/)
. Kyoto International Manga Museum - Kyoto, Japan (http://www.kyotomm.com/english/index.html)
. South Asian Research Centre for Advertisements, Journalism & Cartoons - Haryana-India (http://www.sarcajc.com/Home_Page.html
... e mais umas tantas entidades que nada têm a ver com a BD, inclusive a Foundation Luís Figo, Lisbon, Portugal.
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"Posts" anteriores da rubrica "Álbuns de BD imprevisíveis e difíceis de obter"
(IX) Agosto 27 - Postais de Viagem - Autora: Teresa Câmara Pestana
(VIII) Agosto 23 - Babinsky - Autores: Luís Henriques e José Feitor
(VII) Agosto 20 - Os Problemas Fiscais de Porfírio Zap - Autor: José Carlos Fernandes
(VI) Junho 30 - A Aventura de Cabral ou A Invenção do Brasil - Autor: António Martins
(V) Jun. 17 - A la recherche du trésor de Rackham le Rouge - Autor: Hergé
(IV) Abril, 1 - Aquaventura em Almada - Autores: Carlos Laranjeira (desenho), Paulo Rebelo e Isabel Laranjeira (argumento)
(III) Fev. 9 - Everest - Autor: Ricardo Cabral
2007 (Daqui para cima)
(II) Setembro 1 - As Bodas de D. Dinis e Isabel de Aragão em Trancoso - Autor: Santos Costa
(I) Ag. 8 - O Passeio de Inês - Autores: Carlos Rocha (desenho), José Carmo (arg.)
2006 (Daqui para cima)

quarta-feira, julho 23, 2008

Blogues, Sítios e Portais portugueses com banda desenhada - Balanço e Apelo aos internautas bedéfilos

Contém já 154 espaços internéticos com BD ou sobre BD, todos comentados, a listagem que tenho estado a elaborar desde 23 de Março 08, sob o título Blogues, sítios e portais portugueses com banda desenhada - De A a Z.

domingo, julho 20, 2008

Fernando Pessoa na BD... e não só (VI) - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Leal (desenhos), Cristiano Baptista (cor), André Oliveira (arg.)












Em A Anunciação, Fernando Pessoa é o protagonista de um sonho, imaginado pelo jovem argumentista André Oliveira, e transformado numa banda desenhada.

Inédita até agora, esta estupenda obra de figuração narrativa tem estreia absoluta neste blogue, que assim, excepcionalmente, debuta em diferente faceta: a de publicar BD original e nunca antes reproduzida.

A Anunciação é composta por cinco episódios (cada um a ocupar uma prancha), da autoria de vários desenhadores e coloristas, que nomeio pela ordem sequencial das cinco pranchas:

Prancha 1 - Nuno Frias (desenho), Cristiano Baptista (cor);
Prancha 2 - Ricardo Reis (desenho), Cristiano Baptista (cor);
Prancha 3 - Miguel Gabriel (desenho e cor);
Prancha 4 - João Vasco Leal (desenho a preto e branco com tramas);
Prancha 5 - Nuno Frias (desenho), Cristiano Baptista (cor).

Projecto concebido e escrito por André Oliveira, as cinco pranchas mostram fases bem distintas, sendo que as primeira e última representam a realidade, enquanto que as três intermédias têm a ver com o sonho do poeta. 

Exactamente por tal motivo, o argumentista decidiu que cada parte da BD seria realizada por um desenhador-artista diferente, o que sofreu ligeiro desvio na concretização porquanto as primeira e última pranchas têm as mesmas assinaturas.

A presente banda desenhada esteve em exposição, em Fevereiro 2007, na Galeria da Associação dos Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, numa iniciativa do Imaginarte - Núcleo de Banda Desenhada, Ilustração e Argumento da FBAUL, e voltou a estar patente ao público na própria Casa Fernando Pessoa, em Julho 2007.

Para além de ter estado visível nestas duas exposições, o seu destino era, como acontece com qualquer BD que se preza, ser publicada em papel, no BDJornal, para cumprir integralmente a condição de banda desenhada. 

Por tal não ter sido possível até agora, nem isso estar previsto para breve, os respectivos autores e o editor Machado-Dias acederam à sua publicação virtual neste blogue. O que não sendo caso virgem na Internet, é-o completamente aqui no Divulgando Banda Desenhada, que, repito, pela primeira vez, apresenta uma banda desenhada inédita.
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto colorida de castanho, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".

(V) Julho 12 - Ana Filomena Pacheco
(IV) Julho 6 - Laerte (brasileiro)
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) Junho 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) Junho 13 - Autor: José Abrantes
2008 (daqui para cima)

quarta-feira, julho 16, 2008

Banda Desenhada portuguesa nas revistas não especializadas em BD (XXX) - Autores: JCoelho e DJ Goldenshower


 
Um som estridente, inesperado, estala-lhe os tímpanos, ainda lhe vibravam na cabeça as emoções de um corte de relação amorosa, e a jovem condutora, fã de Psicho, perde o controlo do carro.

Psycho Whip - Mito Número Três foi desenhado, com elevado nível, por JCoelho, sob argumento de DJ Goldenshower. Trata-se de episódio em duas pranchas, a cores, por edição da Elegy Ibérica - Revista de Música, Arte & Culturas Alternativas & Underground.
"O que é que ele vê naquela putéfia!? Só pode ser o tamanho das mamas!!!" "Mas não pode ser só isso... As minhas também não são de deitar fora...".
"Qué es lo que ve en aquella putilla!?" "Sólo puede ser el tamano de las tetas!!!" "Péro no pueder ser solo eso... Las mías tampoco son despreciables..."
Mas que vem a ser isto, o bloguista passou-se ou anda a treinar-se para uma ida a Espanha? Nã, nada disso, apenas mostrar, com palavras extraídas da banda desenhada, que ela aparece em duas versões, em português e em espanhol, as duas pranchas repetidas, duas delas em português, duas em castelhano! Um luxo, ou a revista não se chamasse Elegy Ibérica (em castelhano preferiram o termo "magazine", na ficha técnica está escrito Elegy Ibérica Magazine).
Mas importante mesmo é a boa oportunidade que aqueles dois talentos (o Jorge e o "Goldenshower") estão a aproveitar com muito estilo.
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Para ver mais BD portuguesa em revistas que nada têm a ver com o assunto, basta ir à coluna da esquerda, às "Categorias", e clicar no item "Banda Desenhada portuguesa nas revistas não especializadas em BD"

sábado, julho 12, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (V) - Autora: Ana Filomena Pacheco


"O que é um anarquista? É um revoltado contra a injustiça de nascermos desiguais socialmente - no fundo é só isto. (...) Tão mau é o dinheiro como o Estado, a constituição de família como as religiões"(...).
Assim fala um banqueiro que se assume anarquista. Ou, em última análise, terá sido Fernando Pessoa, a expor a sua opinião própria, no conto escrito em Janeiro de 1922, e publicado no nº 1 da revista Contemporânea, em Maio desse mesmo ano.
E ao aproveitar partes do diálogo entre esse banqueiro e um seu amigo, relutante em aceitar tão inverosímil dicotomia na mesma pessoa, diálogo imaginado pelo ilustre escritor - poeta e ficcionista -, Ana Filomena Pacheco criou, em duas pranchas matizadas a sépia, uma singular obra de banda desenhada.

in revista Cais - nº 131, Junho 2008
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".
(IV) Julho 6 - Laerte
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008

quinta-feira, julho 10, 2008

Banda Desenhada portuguesa nas revistas não especializadas em BD (XXIX) - Autor: Ricardo Machado


São apenas quatro vinhetas, suficientes todavia para se poder apreciar um tipo de desenho moderno e cativante, para o que contribuem as condizentes cores, numa pequena peça de banda desenhada da autoria de Ricardo Machado, ilustrador e autor de BD. 
O tema, "guia copofónico", dado em registo de humor, como não podia deixar de ser, indica os gramas por litro admissíveis para cada momento de um festival (neste caso já passado).

in revista "Time Out" nº 35 - semana de 28 Maio a 3 Junho 08

domingo, julho 06, 2008

Fernando Pessoa na banda desenhada... e não só (IV) - Autor: Laerte





















Também desta vez foi a arte poética de Álvaro de Campos que serviu de mote inicial a uma banda desenhada, da autoria do brasileiro Laerte, que ele intitulou "Piratas do Tietê - O Poeta - Com a participação de Fernando (em) Pessoa" (sendo que "Piratas do Tietê" é uma série criada por aquele quadrinhista, como se diz no Brasil).

É bem conhecida a intensa admiração dos brasileiros pela poesia de Fernando Pessoa (e, obviamente, pela dos seus heterónimos, extensões poéticas pessoanas). Todavia, que um autor-artista de "Histórias em Quadrinhos" (expressão em português do Brasil quase igual à nossa, tradicional, "Histórias aos Quadradinhos"), mais conhecido pela sua tendência humorística, tenha dedicado uma peça de figuração narrativa ao nosso poeta, isso é que talvez seja algo surpreendente, mesmo que ele tenha desenhado uma peça de humor delirante, autêntica lição de como utilizar inteligentemente o "nonsense".

Quem estiver interessado em ver/ler em papel (ah, o prazer de mexer no papel, de folhear uma revista...) pode procurar, com poucas possibilidades, aviso desde já, o nº1 da revista Chiclete com Banana - Humor, comportamento e subcultura dos anos 80 (Outubro 2000, edição da Devir), de onde foi pirateada ("pirataria é cultura"*, como Laerte escreveu a finalizar) esta divertidíssima homenagem a Fernando Pessoa, em imagens sequenciais, sob excertos de poesias de heterónimos seus.
Por exemplo, na 1ª vinheta da 1ª prancha:
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"(...) Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada" - Álvaro de Campos - "Tabacaria";
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3ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Eu nem sequer sou poeta: vejo./ Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:/ O valor está ali nos meus versos (...)" Alberto Caeiro - "A espantosa realidade das coisas";
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7ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Sinto uma alegria enorme/ Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma (...)" - Alberto Caeiro - "Quando vier a Primavera";
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8ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade./Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, (...)" - (Álvaro de Campos - "Tabacaria");
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4ª vinheta, 2ª prancha: "Com um lenço branco digo adeus/Aos meus versos que partem para a humanidade (...)/- Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa"
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5ª vinheta, 2ª prancha: "Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre/a que foi sua/Passo e fico, como o Universo (..)" - Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa";
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6ª vinheta, 2ª prancha: "(...) Ah, quem sabe, quem sabe/ Se não parti outrora, antes de mim/ Dum cais; Se não deixei, navio ao sol / Oblíquo de madrugada,/ Uma outra espécie de porto? - Álvaro de Campos - "Ode Marítima"
.
Eis um bom exercício para todos os admiradores do poeta: localizarem os poemas e respectivos heterónimos, na análise de cada legenda de cada balão, ao longo das vinhetas que compõem as 12 pranchas desta invulgar peça de BD baseada em excertos (extraordinários) de poemas.
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*"Todas as falas do personagem Fernando Pessoa - e também esta do 'coro' - são frases tiradas de poemas de Fernando Pessoa. (Pirataria é Cultura). - pode ler-se no rodapé da última prancha, em letras minúsculas, no sentido literal.
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post". 

(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes

sexta-feira, julho 04, 2008

Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, nos fanzines, no Cartune e na Internet (XVI) - Triologia??? Nunca! O correcto é: Trilogia



TRIOLOGIA? Claro que o correcto é TRILOGIA!

"Del Toro quer fazer triologia de Hellboy", é como está lá escrito.
É um erro que já tenho visto escrito várias vezes (um conhecido bedéfilo, autor e crítico, há uns anos escrevia sempre assim...), provavelmente por influência da palavra trio... 

Mas "triologia" é palavra que NEM SEQUER EXISTE no vocabulário português!

Apesar disso, trata-se de erro ortográfico recorrente, e por isso mesmo é que chamo a atenção para ele.

Veja-se outro (mau) exemplo, no blogue "O Observador", onde o respectivo bloguista escreveu: 

"Fui ontem ver o último filme da Triologia do Senhor dos Anéis" (...). Isto sem desprimor para muitos outros textos seus, interessantes e bem escritos, o que ainda torna mais estranho ter caído num erro crasso.

No caso que mencionei no início, localizei o erro num texto da Internet que tem a ver com Banda Desenhada (e Cinema). O realizador Del Toro não tem culpa nenhuma disto, muito menos o Hellboy...
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Há várias postagens acerca deste tema que envolve o meu apreço pela língua portuguesa, incidindo nos erros ortográficos e gramaticais cometidos na banda desenhada, no cartoon, nos fanzines e na internet.
Para visitar todos os "posts" e assim poder analisar as correcções, basta ir à coluna da esquerda e clicar na categoria "Língua portuguesa em mau estado".

quarta-feira, julho 02, 2008

Concurso de Banda Desenhada - Sem limite de idade para os concorrentes!




Para quem se sente com talento para a Banda Desenhada, mas que já entrou nos "entas" (donde já não se pode sair, hélas), depara-se-lhe com frequência essa odiosa limitação dos 30 ou, excepcionalmente, 35 anos de idade, contra o que, ainda há apenas dois "posts" antes, se insurgiam alguns visitantes deste blogue.
Ora aí está uma possibilidade, tão desejada, da inexistência de quaisquer barreiras desse género. Assim,
O CONCURSO DE BANDA DESENHADA MACA/DR. KARTOON ESTÁ ABERTO A TODAS AS PESSOAS, SEM ESPECIFICAÇÃO DE NACIONALIDADE OU LIMITE DE IDADE.
Outro aspecto penalizante é o de a maioria dos concursos ter tema obrigatório, em relação ao qual também houve muitas queixas nos comentários do meu anterior "post" relacionado com este assunto. Então, alegrem-se outra vez:
O TEMA DO CONCURSO É LIVRE!

(O único requisito obrigatório é o de fazer referência gráfica à cidade de COIMBRA).
Mãos à obra, então, ficam desafiados todos os interessados em tentar as suas possibilidades, o que poderão fazer até à
DATA LIMITE PARA ENTREGA DAS SUAS OBRAS: 8 DE AGOSTO DE 2008.
Mais pormenores:
- Cada concorrente pode enviar um máximo de 1 (uma) história original, inédita, até 4 pranchas (cada uma delas devidamente numerada e identificada no verso, com o nome, morada, e-mail e contacto telefónico).
- As bandas desenhadas podem ser apresentadas a cores ou a preto e branco, em qualquer técnica ou suporte, num formato A4 (210x297mm) ou A3 (297x420mm).

Nota: Os organizadores sugerem que as pranchas de BD sejam enviadas devidamente protegidas (com cartão rígido) e em correio registado, de modo a garantir a sua entrega à organização.
- As bandas desenhadas realizadas a computador devem ser enviadas em CD ou DVD no programa onde foram concebidos (Photoshop, por exemplo) e em formato mTIFF ou JPEG (numa resolução mínima de 300dpi).
- As obras concorrentes devem ser enviadas, conjuntamente com um pequeno currículo, uma fotocópia do B.I. e o número de Contribuinte do concorrente, até 8 de Agosto de 2008 (data do carimbo dos CTT), para o

MACA - MAGAZINE DE ARTES DE COIMBRA & AFINS
na seguinte morada:
Quinta do Rossaio, 8
3040-667 Coimbra
Portugal

E prémios?

Um deles consistirá na reprodução da banda desenhada vencedora no Nº3 do novel magazine MACA (edição de Setembro de 2008), uma publicação de elevada qualidade, o que configura prémio de prestígio público.

Mas ainda haverá um prémio pecuniário:
Um cheque-livro no valor de 50€

Dúvidas e sugestões podem ser enviadas por escrito para:
Concurso de Banda Desenhada MACA 1/2008 (na morada acima indicada)
ou através do endereço electrónico:
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Os visitantes deste blogue, autores-artistas de BD, de nome
André Reis
Luís Peres
Andreia Rechena
Bongop
que deixaram queixumes, no "post" relacionado com o concurso "Jovens Criativos"anunciado anteriormente, por causa da falta de tempo ou contra a impossibilidade criada pela limitação da idade para os concorrentes, têm agora nova possibilidade, sem qualquer dessas ditas cujas limitações.
Espero que aproveitem a oportunidade.

domingo, junho 29, 2008

Tertúlia BD de Lisboa - 287º Encontro - 1 Jul. 08 - Homenageada - Monique De Rom (Roque)


A mais importante finalidade desta associação informal é exactamente a de travar conhecimento pessoal com autores de BD, desenhadores ou argumentistas. Será isso o que mais uma vez vai acontecer na Tertúlia BD de Lisboa, no seu 287º Encontro (XXIII Ano) com a presença de uma argumentista, que será a personalidade Homenageada, na qualidade de argumentista de banda desenhada.
Monique De Rom (Santos Roque, por casamento) é cidadã belga, nascida em Bruxelas, onde conheceu e casou, em 1960, com o ilsutrador-autor de BD português Carlos Roque, quando este era colaborador da revista Tintin.
Monique trabalhou como argumentista com o seu marido, tendo ambos criado duas populares personagens, Angélique e Wladimyr (a primeira em fins da década de 60, a segunda na de 70), sendo que o pato Wladimyr se tornou conhecido em Portugal, visto ter sido publicado pela revista Selecções BD (2ª série).
Monique de Rom completou, no seu país, o Curso de Ciências Comerciais e Consulares, no Instituto Superior de Comércio, após o que trabalhou no Euratom - Organismo da Comunidade Europeia. No período da sua vida passado em Portugal, Monique deu lições de francês no Banco de Portugal e no INA - Instituto Nacional de Administração.
Em Bruxelas, Monique e Carlos Roque foram galardoados com o Prémio Internacional St. Michel, em 1976, na especialidade BD de Fantaisie.
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Nota: As homenagens prestadas pela Tertúlia BD de Lisboa, desde Agosto de 1985, através de atribuição de DIPLOMA DE HONRA aos homenageados, têm contemplado:
I - Autores de Banda Desenhada, desenhadores e argumentistas, portugueses e estrangeiros, tanto consagrados como outros com obra de menor dimensão, sejam desenhadores ou argumentistas, distinguidos, sempre que possível, por ordem cronológica (eventualmente a título póstumo).
II - Personalidades diversas, além de autores, que se englobaram em ciclos específicos, até agora os seguintes:
- Estudiosos, investigadores, críticos e divulgadores de BD (a continuar)
- Colaboradores/as literárias de revistas de banda desenhada
- Editores e directores de revistas de banda desenhada, directores artísticos, responsáveis gráficos, chefes de redacção e coordenadores (a continuar)
- A Mulher Portuguesa e a Banda Desenhada
- Revista de BD "Visão"
- Editores de fanzines. Ano 1972
- Ilustradores
- Cartunistas (só os que também já fizeram BD, mesmo que escassa)

terça-feira, junho 24, 2008

1º Concurso Nacional de Jovens Criativos - Inclui BD e admite concorrentes até 35 anos!

Sublinhei, em pleno título do "post", o facto de este concurso admitir concorrentes até aos 35 anos, como resposta à reclamação de muitos autores de banda desenhada que se queixam de serem considerados "velhos" depois dos 30 anos.
A reforçar o ineditismo e a boa vontade dos organizadores, repito o texto de apresentação que recebi:
"Em parceria com o Gabinete da Juventude, o GDAC encontra-se a promover o 1º Concurso Nacional 'Jovens Criativos'. Este concurso tem o intuito de descobrir novos talentos a nível nacional em três diferentes categorias, Fotografia, Pintura, Banda Desenhada e Cartoon. Assim os jovens entre os 16 e 35 anos podem concorrer nas seguintes modalidades respeitando os seguintes temas:

Banda Desenhada e Cartoon - Cidadania
Fotografia - Diálogo Intercultural
Pintura - Juventude

Cada categoria terá três premiados sendo o valor:

1º prémio 1000 euros
2º prémio 750 euros
3º prémio 600 euros"

Fim de citação. Veja-se a frase, inusitada, "os jovens entre os 16 e 35 anos", uma espécie de elixir da juventude para quem se queixa do tal ostracismo após os trinta anos... E ninguém mais responsável para assumir a afirmação do que a dupla GJ-Gabinete da Juventude e GDAC-Gabinete de Desenvolvimento Associativo e Cidadania.

Muito importante:
As obras a concurso devem ser enviados por correio, considerando a data de 30 de Junho no carimbo dos correios, ou entregues directamente em

Câmara Municipal do Montijo
GJ e GDAC
Avenida dos Pescadores, porta 33-1º andar
2870-144 Montijo

Muito importante também:
Têm de ser cidadãos residentes em Portugal, mas, depreende-se, podem ser de nacionalidade estrangeira.

No que se refere à Banda Desenhada (não menciono outras formas de arte, visto que há blogues e "sites" nelas especializados, que farão, ou já fizeram, a respectiva divulgação), os concorrentes deverão ter em atenção o seguinte:

a) Cada banda desenhada é constituída por 4 pranchas originais, não editadas ainda, podendo ser a preto e branco ou a cores;
b) O formato das pranchas a concurso deve ser A4 ou A3
c) As pranchas devem ser numeradas no verso.
d) Em caso de publicação, as legendas, textos de balões e restante letragem terão de ser legíveis em formato A4, podendo os trabalhos em A3 ser reduzidos para metade (ora aí está uma pertinente chamada de atenção, porque às vezes os desenhadores não têm em devida conta este aspecto)

Os autores que visitarem este blogue, terão tendência para "stressarem" com a proximidade da data limite para concorrerem (repito: 30 de Junho). Mas, claro, eu conheço muito boa gente que tem na gaveta material pronto a publicar. Ora aí está uma boa ocasião para aproveitarem o trabalho já feito!

FICHA DE INSCRIÇÃO
Jovens Criativos
Modalidades Fotografia Pintura BD/Cartoon
Diálogo Intercultural Juventide Cidadania
Pseudónimo
Nome
Morada
Código Postal/ Idade/ Data de Nascimento
Telem./Telefone
Título da Obra
E-mail
O não preenchimento destes dados exclui a sua participação
A entrega desta ficha de inscrição implica a aceitação plena de todas as normas de participação deste concurso.

As fichas de inscrição podem ser solicitadas no GJ e GDAC, na morada indicada nuns parágrafos mais acima, mas também em
http://www.mun-montijo.pt/
na página da Juventude, newsletter do GDAC, ou pelos telefones 21 232 7867 e 21 232 7878, respectivamente.
Essa ficha de inscrição deve ser preenchida e enviada juntamente com fotocópias do BI, do cartão de identificação fiscal (nº de Contribuinte) em envelope devidamente fechado, acompanhando a obra a concurso e claramente identificado no exterior.

Mais informações:
Gabinete de Apoio ao Movimento Associativo
Telefone 21 231 6797


Vamos lá, pessoal da BD! Às vezes, um arranque em cima da hora acaba por ser frutuoso.

domingo, junho 22, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada... e não só (III) - Autor: João Chambel














Fernando Pessoa é um dos escritores incluídos nas diversas adaptações à banda desenhada que compõem o livro Heróis da Literatura Portuguesa.

As transposições biográficas foram efectuadas por dois ilustradores/autores de BD, João Chambel (que se encarregou de ilustrar o episódio protagonizado por Fernando Pessoa, mal sabia o poeta que viria a ser personagem de BD...) e Daniel Lopes.

A presente postagem integra a homenagem a Fernando Pessoa (e seus heterónimos) que está a ser concretizada neste blogue de BD, dedicado às suas "participações" na banda desenhada. 
Isto por ocasião da efeméride relativa aos cento e vinte anos passados após o seu nascimento, a 13 de Junho de 1888.

(BD em 19 pranchas, a preto e branco, extraída da obra Heróis da Literatura Portuguesa, tema "Livros de Oz", sob chancela de Íman Edições - Almada - 2002)
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando na palavra "etiquetas" indicada sob cada "post".
(II)Junho 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes

sexta-feira, junho 20, 2008

Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD (XXVIII) - Jazz.pt - Autor: C.Zngr

"Little Nemo in Slumberland" é, indiscutivelmente, uma obra prima da BD, da autoria de Winsor McCay. 

O artista-músico-violinista Carlos Zíngaro, alter-ego de C.Zngr (ou será o contrário?), autor de banda desenhada, cita graficamente (e brilhantemente) aquela obra, imaginando uma cena em que ele próprio convoca uma extensa lista de boas intenções para o ano que não há muito se iniciara (esta banda desenhada foi impressa na revista Jazz.pt  #17, de Março/Abril 2008 e, provavelmente, o seu autor tinha-a feito logo no princípio do ano), acabando o episódio com a tradicional cena da personagem a cair da cama, acordando abruptamente.

Admire-se a delícia da figura do músico, calvo, a fazer de Little Nemo! (e eu que não convidei Zíngaro, por falta de lembrança, para colaborar na obra colectiva "Sonhos de Nemo no Século XXI", onde uns tantos autores portugueses parodiaram a figura do Pequeno Nemo nos fascinantes episódios oníricos)

Parabéns, Corujo Zíngaro (nome pelo qual eu o conheci, e com que assinava as suas bandas desenhadas na revista Visão, em 1976).

Quem não conhecer esta faceta de Zíngaro, pode ler entrevista que lhe fiz para este blogue, clicando na rubrica "Categorias", na alínea "Visão - Revista portuguesa de banda desenhada 1975-76".
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Os interessados neste tema podem ver os nomes dos autores e revistas respectivas anteriormente integrados na presente rubrica.
Para verem integralmente as postagens, basta irem à coluna da esquerda e clicar na rubrica "Banda Desenhada portuguesa em revistas não especializadas em BD"

quinta-feira, junho 19, 2008

Língua portuguesa em mau estado na banda desenhada, no "cartoon", nos fanzines e na "internet" (XV) - Tijela com j???



Como uma vez disse um conhecido humorista, e eu concordo, a língua portuguesa é traiçoeira. 

TIGELA é um vocábulo que pode suscitar dúvidas, mas a verdade é que se escreve com G e não com J, e o semanário SOL (e todos os jornais) têm de ter quem se preocupe não só com os erros dos artigos, mas também com os erros dos artistas da imagem, para evitar estas situações.

TIGELA ~Etimologia: Tegula, Gabata, Scutelle, Scutula - sinónimos em latim.

TIGELA - s.f. - Vaso côncavo de barro, metal, louça, etc., geralmente desprovido de asas, no qual se servem sopas, caldos, etc.
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Já aqui mostrei um erro, muito frequente, que tem a ver com esta troca do G pelo J, e vice-versa. 
É o caso do vocábulo GINJINHA, que com frequência vejo escrito "Ginginha", em especial nas casas que servem aquele licor tradicional. 
Pelo menos em Lisboa, isso acontece...