sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Lançamento de livro de BD no Museu Bordalo Pinheiro


Penim Loureiro, após ter estado intensamente ligado à BD entre 1979 e 1984, dela esteve em seguida longos anos afastado, absorvido pela sua actividade de arquitecto e de professor universitário.

Regressado em 2014, com a obra Cidade Suspensa, de que foi autor completo, e em 2015, numa curta participação na BD colectiva Portugal 2055, Penim surge agora, dois anos depois, a assinar os desenhos de Reportagem Especial- Adaptação às Alterações Climáticas em Portugal, desta vez em equipa, de que fazem parte Bruno Pinto, argumentista/guionista, e Quico Nogueira, colorista.

A obra vai ser apresentada hoje, sexta-feira, 17 de Fevereiro, às 18h00, no Museu Bordalo Pinheiro, com a presença dos três autores.

Museu Bordalo Pinheiro
Campo Grande, 382
Lisboa

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PENIM LOUREIRO

Síntese biobibliográfica


Carlos Manuel Moura Penim Loureiro, 1963, Lisboa.
Assinando apenas por Penim, desenhou intensamente de 1979 (ano onde já era participante habitual nos concursos e exposições de BD em Portugal) a 1984, com bandas desenhadas publicadas em jornais como o Sete, Diário e Diário Popular, nas revistas Tintin e Jornal da BD, e nos fanzines Ruptura, Ritmo, Amargem, Boletim do CPBD e na revista espanhola Un Fanzine Llamado Camello
A partir desse ano interrompeu a banda desenhada para se dedicar à arquitectura, e mais tarde à arqueologia.

Regressado à BD, criou a solo a obra “A Cidade Suspensa”, com um fundo autobiográfico, que teve lançamento em 2014.

Em 2015 participou em "Portugal 2055", obra colectiva de BD com dez episódios, realizados por outros tantos desenhadores, sob argumento do biólogo Bruno Pinto, em que Penim foi autor da curta de BD "Jantar de Amigos".  
Em Fevereiro de 2017 é lançada a obra "Reportagem Especial - Adaptação às Alterações Climáticas em Portugal", de que Penim é autor dos desenhos, Bruno Pinto do argumento/guião, e de Quico Nogueira a colorização.   
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BRUNO PINTO

Síntese autobiobibliográfica


Biólogo com experiência profissional no estudo da ecologia e conservação de mamíferos, tendo feito um mestrado em Inglaterra nesta área e o doutoramento em história ambiental portuguesa. Desde 2009 que centra a sua actividade na comunicação de ciência, estando actualmente a fazer um pós-doutoramento nessa área no MARE- Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa).


Anteriormente, foi pós-doutorando no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Universidade de Lisboa) durante seis anos, tendo realizado diversos projetos: por exemplo, fez parte da Comissão Organizadora do programa “Bioeventos 2010” (Ano Internacional da Biodiversidade) e foi comissário da exposição "Linces, Lobos e Águias-Reais". Foi, também, autor de duas peças de teatro sobre ciência, co-autor do livro “Guia de Campo do Dia B” (2010) e de duas Bandas Desenhadas sobre ambiente. Para além disso, foi co-coordenador da Noite dos Investigadores entre 2012 e 2014 nesse museu, e também colaborou com o CCViva de Sintra (por exemplo na exposição “Resistir” sobre resistência bacteriana a antibióticos- 2015) e com o projeto “ClimAdapt. Local” (livro de banda desenhada sobre adaptação às alterações climáticas em Portugal- 2016).

Entre 2011 e 2015, publicou regularmente crónicas online sobre ambiente (sites da Visão Verde e Wilder) e pertenceu ao grupo "Cientistas de Pé” (Stand-Up Comedy sobre Ciência), sendo co-autor do livro "Toda a ciência (menos as partes chatas)" (Gradiva, 2013). Também tem experiência anterior na investigação na área da comunicação e educação da ciência. 

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QUICO NOGUEIRA

Síntese autobiobibliográfica

QUICO - Relatos confirmam que desde sempre foi observado à volta de lápis, canetas,  papel, e bastantes livros. Após alguns anos de trabalho na sua área de formação, Engenharia Civil, optou por ir à aventura e dar vazão à sua paixão pela banda desenhada, ilustração e animação.
Após a publicação uma tira de Banda Desenhada no BDJornal em 2006, começou em 2009 a sua experiência profissional no campo da Ilustração.
Dados mais relevantes desta sua curta carreira:
Desenvolvimento gráfico das personagens da série Capitão Falcão para a produtora Indivídeos (2010); Trabalho de traçagem para o filme de animação “M” de Joana Bartolomeu, vencedor do prémio do público, no galardão Vasco Granja, na Monstra de 2013 (2011); Terceiro lugar no concurso de Banda Desenhada Avenida Marginal com “O Homem mais Inteligente do Planeta”; Primeiro lugar no concurso de Banda Desenhada de Odemira com “Titanic – A verdadeira história”; Vencedor do prémio de Ilustração Fantástica Speccall da Specweek com “Um conto de Março”. Primeiro lugar no concurso de Banda Desenhada do Salão de Moura com “O Talhante e o Ilusionista” (2013).”Ratchemaster” a publicar pela Editora Arcana Comics em 2015 (2014).
Locais onde encontrar o seu trabalho:

- No Facebook : Quico’s Illustration And Comics
-No Behance : www.behance.net/quiconogueira
- No seu blog: www.producoesquico.blogspot.com
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Os interessados em ver as postagens anteriores relativos a este mesmo tema poderão fazê-lo clicando no item Lançamentos inscrito no rodapé  

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Lançamento de Livro de BD e exposição




António Jorge Gonçalves teve já vários períodos de actividade intensa na BD, a primeira na década de 1980, quando colaborou em diversos fanzines. Uma década depois foi o tempo de realizar novelas gráficas, editadas em livro: As Aventuras de Filipe Seems, Ana, e A História do Tesouro Perdido, sob argumento de Nuno Artur Silva.
Ainda nos anos noventa (1997), em co-autoria com o argumentista/guionista Rui Zink, concretizou mais uma novela gráfica, A Arte Suprema.
Nesse mesmo ano, em trabalho a solo, cria a personagem "O Sr. Abílio".
Três anos depois,no início de 2000, de novo com Nuno Artur Silva, desenhou o terceiro tomo das aventuras detectivescas de Filipe Seems. 
Entre várias outras obras - registadas quase exaustivamente na biobibliografia apresentada sob este texto - e após interregno a seguir a 2011, António Jorge Gonçalves apresenta agora, Fevereiro de 2017, A Minha Casa Não Tem Dentro, outra obra de sua autoria total - argumento/guião, desenhos, legendagem e colorização. 

A obra terá lançamento amanhã, dia 16 de Fevereiro, pelas 19h00, e será complementada com uma exposição de imagens da banda desenhada, na Abysmo Galeria - Rua da Horta Seca, 40 r/c, Lisboa.      

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ANTÓNIO JORGE GONÇALVES

Biobibliografia

 

 

António Jorge de Almeida Gonçalves, 19 de Outubro de 1964, Lisboa.
 

Licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e Mestre em Design para Teatro pela SLADE - School of Fine Arts, em Inglaterra.

Iniciou-se a fazer BD em publicações amadoras, a primeira das quais foi o fanzine Graphic, de que foi editautor dos treze números publicados entre 1978 e 1979. 

Colaborou em vários outros fanzines, entre 1978 e 1985, designadamente no Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, Jornal da BD (num zine assim intitulado, não na revista homónima editada entre 1982 e 1987), Aqui Banda, Ponta &Mola, Stylus, Dossier BD, Cábula, Crocão, Ritmo, Eros, Videograma, Azul BD Três.

Publicou bedês curtas em vários jornais, em especial no semanário Sete, onde criou a rubrica "Disco na Prancheta", também colaborou nos jornais A Capital e Correio da Manhã, e no suplemento "Tablóide" do Diário Popular.

Em 1987 participou na Bienal de Jovens Criadores da Europa Mediterrânica, realizada dessa vez em Barcelona.


Em 1989, para a editora italiana Mondatori, realizou a bd de oito páginas "Lisboa de Táxi" num projecto internacional da Comuna de Milão intitulado "Eurovisioni - Viaggio a Fumetti Tra le Cittá d'Europa", obra colectiva que teve igualmente a participação de Buzzelli, Mattotti, Crepax e Manara, entre outros.

Sob argumentos de Nuno Artur Silva, A.J.Gonçalves fez a bd de grande fôlego "As Aventuras de Filipe Seems, Detective Particular", cujo início se verificou no semanário Sete em 1992, e que acabou englobada em dois álbuns, "Ana" (1993) e "A História do Tesouro Perdido" (1994).


Naquele mesmo ano de 1994 foi-lhe publicada, sob a égide de "Lisboa 94 Capital Europeia da Cultura", a obra "À Procura do F.I.M.". 

Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa - Departamento de Plano Estratégico de Lisboa" realiza a bd "Plano Estratégico de Lisboa", editada em 1995 num álbum de grandes dimensões, com 24 páginas e uma separata desdobrável em quatro partes, com um mapa de Lisboa também desenhado por ele.


Em 1997, a fazer equipa com o argumentista Rui Zink, concretiza a novela gráfica "A Arte Suprema".

É numa revista da Portugal Telecom que cria, "a solo", ainda em 1997, a série "O Sr. Abílio", que viria a ser editada em livro, em 1999.


Entretanto participou, englobado num conjunto de 17 autores portugueses, na exposição "Perdidos no Oceano", montada no Festival International de la Bande Dessinée d'Angoulême/1998.

"A Tribo dos Sonhos Cruzados - Uma Investigação de Filipe Seems", álbum editado em 2003, constitui o terceiro tomo do percurso do detective criado graficamente por A.J.Gonçalves, sob ficção da autoria de Nuno Artur Silva.


Em 2007, de novo sob argumento/guião de Rui Zink, Gonçalves produz a novela gráfica "Rei", obra com que foi distinguido com o prémio Melhor Desenhador Português no Festival Internacional de Banda Desenhada/Amadora 2008

Em Dezembro de 2010, numa edição do Instituto dos Museus e da Conservação/MNAC - Museu do Chiado, surge a obra "O Grupo do Leão", sob sua criação gráfica e texto do escritor/argumentista/guionista Rui Zink, num estupendo álbum de grandes dimensões (25x34cm) luxuosamente encadernado, com o miolo em papel couché de elevada gramagem.

Em 2011 teve nova aparição na BD, numa composição de cariz político reproduzida em seis páginas do jornal Público, nos dias 21 e 28 de Maio, e 3 de Junho de 2011 (sempre aos Sábados), ao ritmo de duas páginas em cada número. 
Essa banda desenhada foi também reproduzida neste blogue. Ver em http://divulgandobd.blogspot.pt/2011/06/politica-e-bd-ii.html     

Agora, Fevereiro de 2017, volta a ser editada obra sua de BD em livro, intitulada A Minha Casa Não Tem Dentro, complementada com exposição.

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Os visitantes interessados em ver notícias anteriores sobre Exposições BD Avulsas podem fazê-lo clicando no respectivo item inserido em rodapé   

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

80º aniversário do Príncipe Valente







Hoje, 13 de Fevereiro de 2017, regista-se o octogésimo aniversário da saga conhecida em Portugal simplesmente por Príncipe Valente.    

Com efeito, 13 de Fevereiro de 1937 foi quando começou a publicar-se Prince Valiant in the Days of King Arthur, obra maior da BD, criada por Harold Foster e por ele desenhada até 1971, data em que o herói passou para as mãos de John Cullen Murphy, em seguida para as de Gary Gianni, e por fim, até ver, para as de Thomas Yeates, todos a continuarem a trabalhar para a publicação em jornais, inicialmente para os americanos.

Mas, imprevisivelmente, entre Dezembro de 1994 e Março de 1995, houve uma edição inesperada, sob a chancela Marvel (Marvel Comic no primeiro fascículo, Marvel Select nos seguintes), uma mini-série de quatro comic books, cada um com quarenta e oito páginas, ou seja, um total de cento e noventa e duas, significando assim que o conjunto constitui uma novela gráfica, cuja trama é cheia de peripécias e acontecimentos surpreendentes - um deles, por exemplo, é a morte, sob tortura, do grande amigo de Valente, Sir Gawain. 

Esta obra, independente da sequência normal, teve por autores Charles Vess, escritor do argumento, Elaine Lee, autora do guião, e John Ridgway, desenhador

As capas dos comic books são da autoria de Mike Kaluta, isto sabe-se porque três delas (#1, #3 e #4) estão assinadas, mas nos créditos registados nos versos das contracapas o nome dele não é mencionado (!), pormenor estranho e injusto, tanto mais que os nomes dos autores das ilustrações da contracapa têm o devido registo: Charles Vess do #1, Jeff Smith do #2, Paul Chadwick do #3, Will Simpson do #4.

A obra Príncipe Valente foi divulgada em Portugal através de várias publicações: jornal diário O Primeiro de Janeiro, revistas O Mosquito (1ª e 5ª séries), Mundo de Aventuras, Mundo de Aventuras Especial, Condor, Condor Popular, Condor ("Amarelo"), Audácia, Tigre (1ª série), Ciclone, Jornal do Cuto, Comix, TV Júnior, e nos álbuns da Agência Portuguesa de Revistas, da Editorial Futura, da ASA, da Livros de Papel, da Bonecos Rebeldes, e no suplemento Notícias Infantil (no jornal Notícias, em Lourenço Marques, anos 1960 e 1970).  

A ilustrar o presente post vêem-se as seguintes imagens (de cima para baixo):
1. Capa do comic-book 1, relativo a Dezembro de 1994
2. Comic-book 1, páginas 2 e 3, uma prancha panorâmica
3. Comic-book 1, páginas 41, 42 e 43, protagonizadas pelo Príncipe Valente e por Merlin, este, além de muito idoso, completamente cego.
4. Capa do comic-book 2, datado de Janeiro 1995
5. Capa do comic-book 3, datado de Fevereiro 1995
6. Capa do comic-book 4, datado de Março 1995      

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PRÍNCIPE VALENTE
 

Alguns elementos biográficos acerca do herói

"Não encontrei uma única conquista pela força que fosse duradoura. O que é que se mantém ainda das conquistas de Alexandre ou de César?
Com as conquistas só se conseguem tristes inimizades. Só utilizarei a minha espada em defesa da liberdade e da justiça!"

Estas as belas palavras do Príncipe Valente, herói de gloriosas e fascinantes aventuras. Salpicadas também por episódios pitorescos, elas contribuíram para introduzir na banda desenhada o clima lendário dos grandes feitos da cavalaria medieval, e dos elevados princípios dos seus cavaleiros andantes.

Aguar, rei de uma antiga cidade nórdica de existência incerta, chamada Thule, vê-se obrigado a lutar contra os seus implacáveis inimigos, à frente dos quais está o usurpador Sligon. Mais fortes na circunstância, estes empurram-no para o mar. Como única saída, o rei, a rainha e um principezinho chamado Valente embarcaram num veleiro, com um pequeno séquito de amigos fiéis, procurando refúgio seguro ao longo das falésias da Bretanha.  

Assim começava o primeiro episódio da saga do Príncipe Valente, em 13 de Fevereiro de 1937. Para as impressões iniciais, esta cena não era muito favorável, mas em breve elas seriam melhoradas, ao ver-se o pequeno grupo, depois dessa viagem marítima bastante acidentada, combater e vencer os semi-selvagens bretões que os haviam atacado.

Após umas tantas peripécias relativamente breves, o pequeno príncipe de Thule cresce no curto espaço de alguns episódios. Quando se despede do pai, deixando para trás o país pantanoso, Val é já um desenvolvido adolescente.

Esta transformação, que ocupou um pequeno período da série, verificou-se entre 13/2/1937 e 23/4/1937, no tempo real.
Observando-se a última vinheta da décima primeira prancha, vê-se que Val já adquiriu o aspecto que o iria tornar famoso ao longo dos anos. Sente-se uma certa pressa na transformação, como se o seu criador tivesse acedido, quase a contra-gosto, em debruçar-se sobre essas fases da infância e adolescência do herói. 

Apesar de impaciente, Foster não deixa de enriquecer essas primeiras páginas com imaginosos epidios. O encontro com Horrit, a feiticeira, mãe do monstruoso Thorg, é um deles.
"Não há para o homem maior infelicidade do que conhecer o seu futuro", diz-lhe ela.
Mas a curiosidade de Val resiste à lúcida advertência, e ouve o que Horrit lhe diz:
"Aguarda-te já um grande desgosto. Irás ter muitas aventuras, travarás muitas lutas, e jamais encontrarás a felicidade".

Essas profecias não estão totalmente longe da realidade: quanto ao às grandes lutas, esse será o leit motiv da saga do Príncipe Valente; por outro lado, a sua vida tem tido realmente muitas coisas más, de que a mais marcante terá sido a morte da mãe, que sucumbiu ao clima hostil do país onde se haviam refugiado. 
O seu exílio, que durou doze anos, e a morte de Ilene (Helena na versão portuguesa), o seu primeiro amor, foram outros tantos episódios envenenados de tristeza e revolta. Mas a vida do príncipe teve já momentos de felicidade, de que um dos mais importantes terá sido a participação numa pequena cerimónia que jamais esqueceu: o Rei Artur, tocando-lhe no ombro com a sua famosa espada, armou-o Cavaleiro da Távola Redonda, como reconhecimento da sua bravura e lealdade.

Outro desses momentos foi o primeiro encontro de Valente com Aleta, e, após muitas peripécias, o casamento. Também o nascimento dos seus filhos contribuíram para que, feito o cômputo geral, o prato da balança penda claramente para o lado da felicidade.

No que se refere a coisas do coração, que são sempre, se não sempre agradáveis, pelo menos emocionantes, Sir Valente também já teve a sua conta. Não é que tenha qualquer semelhança com Sir Gawain, o incansável conquistador, claro. Mas, entre desgostos, desenganos, amores exaltados, de tudo conheceu o coração do príncipe.

No princípio, foi Ilene, a bela jovem de cabelos cor de mel, o saboroso primeiro amor de Valente, e também, simultaneamente, o grande amor de Arn. Mas Ilene morreu, e os dois príncipes, que apesar de rivais se haviam tornado amigos, construíram um monumento de pedra em sua memória.

É ainda de referir a sua fugaz atracção amorosa pelas irmãs Sombelene e Melody. Mas Melody apaixonar-se-ia por Hector e Sombelene por Angor Wrack, ex-captor de Valente. Por acaso será com este casal que Valente celebrará os seus dezoito anos.

Na realidade, porém, no seu coração havia persistido sempre uma visão, quase irreal, de uma loura jovem que lhe dera água quando, morto de sede e exausto, fora ter a uma misteriosa ilha.
A única prova de que não se tratara de uma visão, fora o papel que ficara no barco, assinado por Aleta.
O encontro seguinte seria bem real, completamente estragado por um mal-entendido. E finalmente, após raptá-la da sua corte, levado por negras intenções, Valente acabaria por ceder à inteligência, meiguice e infinita paciência de Aleta que, durante a longa viagem imposta pelo príncipe,lhe suportou as injustas afrontas. 

Casaram por fim, como era de esperar, e desta feliz e inquebrável união nasceram quatro filhos, entre os quais duas gémeas.

Ao fim de todos estes anos, o Príncipe Valente vai tranquilamente envelhecendo. Os seus filhos cresceram e Arn, o mais velho, é já o seu sucessor nas deambulações pelo mundo, um dos aspectos mais originais deste romance gráfico.
As aventuras de Arn são o contraponto aos vários flashbacks provocados pelas recordações de Valente. Aventuras nunca vistas na juventude do príncipe, vão assim permitindo mantê-lo no centro do interesse da série, tornando a sua vida num longo mas nunca fastidioso percurso.

A história do Príncipe Valente nunca sofreu qualquer interrupção. John Cullen Murphy, que ganhara nome com a personagem Big Ben Bolt (Luís Euripo em Portugal), fora substituindo gradualmente Harold Foster, tendo-lhe sido entregue definitivamente a série em 1971.

Murphy, que inicialmente seguia com razoável fidelidade o estilo do Mestre, começou a pouco e pouco a derivar para o seu próprio, bem menos académico e perfeccionista.
Quanto a isso, Foster foi bastante benevolente quando disse, há uns anos: "Pelas cartas que recebo, sei que os leitores estão satisfeitos e tudo está a correr muito bem. Estou até a sentir uma pontinha de ciúme."

 
Seria interessante saber se manteve esta opinião até ao fim da vida. Pela nossa parte, pensamos que haveria muitos desenhadores bem mais adaptáveis ao estilo de Foster do que John Cullen Murphy, que acabou por perder o seu próprio estilo e não conseguiu fazer esquecer o criador original.
Geraldes Lino

Nota: Este artigo foi originalmente publicado na rubrica "Banda Desenhada" do extinto semanário O País, datado de 30 de Setembro de 1982 (agora com uma pequena alteração).   
 

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