sábado, junho 16, 2018

Enciclopédia de Banda Desenhada (Post 2 de 5) - Capítulo 2: «Comics» ingleses



     Volto hoje a analisar a enciclopédia inglesa traduzida e publicada em Portugal, «Comics - Uma História Ilustrada da B.D.». Após o texto de introdução à obra (*) segue-se o capítulo dedicado à banda desenhada inglesa. Na página dupla onde se inicia (cuja composição ilustra o topo do post) lá estão reproduzidas capas das revistas Eagle, Beano, 2000AD, Lion, Beezer, Tiger, Topper, Film Fun, The Kinema Comic... 
     Muito justamente, o primeiro autor a ser citado é William Hogarth (1697-1764) de que são referidas obras suas consideradas famosas, The Rake´s Progress, The Harlot's Progress e Marriage à la Mode. Basicamente, tratava-se de sermões ilustrados por desenhos em sequência que contavam uma história usando legendas dentro de filacteras (balões de fala se chamariam mais tarde) que podem considerar-se antepassadas da arte sequencial.
     Dois dos seus sucessores, em termos gráficos, foram James Gilray (1757-1815) e Thomas Rowlandson (1756-1827), embora divergissem dele pelos temas tratados, em especial Gillray, que optou por temas políticos e sociais. Quanto a Rowlandson, o seu mérito principal foi o de ter criado a primeira personagem a aparecer com frequência e sob a forma de desenhos sequenciais em The Tours of Dr. Syntax (1796). "As viagens do doutor Syntax" que correspondem de certa maneira ao actual conceito de herói fixo foram publicadas em livro em 1812, 1820 e 1822. 
     Gillray teve um fim de vida complicado, foi perdendo a lucidez, o que lhe dificultou terminar algumas obras já iniciadas, tendo sido ajudado por dois irmãos, George e Robert Cruikshank, um apelido também importante na área da ilustração, especialmente George que em "A New Way to Enforce an Argument" usa de forma expressiva a filactera.
     A 18 de Julho de 1841 começou a editar-se em Londres a revista Punch. O mais famoso dos seus colaboradores iniciais foi John Leech, que desenhou uma série de aventuras de Mr. Briggs - uma autêntica comic strip.  
     Our Young Folks Weekly Budget, um título arrevesado para um semanário, iniciou-se a 2 de Janeiro de 1871. Um motivo pelo qual se tornou numa publicação muito procurada foi o facto de ter publicado uma versão ilustrada da obra clássica "A Ilha do Tesouro".
     Uma data importante é o ano de 1873, quando os editores da revista Judy fizeram a reimpressão de um conjunto de episódios da série Ally Sloper editados inicialmente a partir de 1867, num só volume sob o título «Ally Sloper, a Moral Lesson», que pode considerar-se o primeiro álbum de BD do mundo. 


O seu editor, Henderson, lançou também a 12 de Dezembro de 1874, Funny Folks, que tem sido considerada como a primeira revista de comics inglesa.
     A 3 de Maio de 1884 surgiu uma nova publicação, Ally Sloper's Half Holiday, baseada na famosa personagem e que se tornou numa das mais populares revistas dos finais da era vitoriana. Com periodicidade semanal, teve 1570 números publicados até 30 de Maio de 1914.


     Comic Cuts era completamente uma revista de banda desenhada, considerada como a primeira inglesa do género. Foi lançada a 17 de Maio de 1890, pelo módico preço de "meio dinheiro", e duraria sessenta e três anos, uma longevidade notável, em que sobressaiu o autor de BD Percy Cocking.
     Outro autor que ganhou notoriedade foi Tom Browne (1870-1910), com as personagens Weary Willie and Tired Tim (em Portugal tornar-se-iam populares com os divertidos nomes Serafim e Malacueco) que viveram as suas aventuras, no país de origem, sempre na primeira página da revista Chips (Illustrated Chips) durante 57 anos!

     
     James Henderson foi um persistente editor de revistas, de que sobressaiu a Pictorial Comic Life (14 de Maio de 1898),  mais tarde com o título simplificado para Comic-Life. Esta revista teve a colaboração de um excepcional criativo de BD, Harry O'Neill, que muito variou os formatos das vinhetas dando maior dinâmica às suas pranchas.

  
     A impressão a cores só tinha chegado aos comics ingleses em 1896. A primeira revista que se manteve em publicação usando a policromia foi a Puck, lançada a 30 de Julho de 1904, e assim se manteve até a guerra interromper o fornecimento de papel, em 1940 (a capa acima reproduzida, de 9 de Junho de 1906, mostra uma estupenda sequência desenhada por Harry O'Neill). 
     Em 1901 foi fundada a editora Amalgamated Press, que editou vários títulos de sucesso (The Rainbow, Tiger Tim's Weekly, Jungle Jinks). Inicialmente em todas estas revistas, e nas que as tinham precedido, os adultos eram o público-alvo. Até que, com a criação de uma secção infantil na Puck, chamada Puck Junior, essa inovação espalhar-se-ia, começando a editar-se revistas dedicadas em exclusivo às crianças. 
     E Tiger Tim, que era um animal antropomorfizado, criado por Julius Baker, deu o nome à revista homónima, também dirigida ao público infantil e juvenil. Com Herbert Foxwell, Tiger Tim transformou-se numa estrela da BD, apresentado em seis publicações diferentes.
     A famosa Puck teve o mérito de publicar a primeira série dramática da banda desenhada inglesa, da autoria de Walter Booth (1892-1971), Rob the Rover, que em Portugal ficou com o título "Pelo Mundo Fora".
     A 17 de Janeiro de 1920, a Amalgamated Press começou a desenvolver uma ideia já antiga, a de apresentar estrelas de cinema (inicialmente do mudo, depois do sonoro) em bandas desenhadas curtas, de uma a duas pranchas. Charlie Chaplin foi uma dessas estrelas passadas para a BD, logo na primeira página de The Funny Wonder, em 1915.  
 




 



EM CONSTRUÇÃO   




(*) http://divulgandobd.blogspot.com/2018/05/enciclopedia-de-banda-desenhada-post-1.html