
(Foto cedida por sua filha, a designer Sílvia Silva)

Esta foi a derradeira obra de figuração narrativa realizada por Manuela Torres, autora de BD, pintora e professora, falecida às 6h da madugada de ontem, dia 5 de Junho, no Hospital I.P.O. de Lisboa.
Maria Manuela Esteves Costa Torres Pereira da Silva (Pereira da Silva é apelido marital), nasceu em Lisboa a 7 de Julho de 1934.
Iniciou-se, entre os dezasseis e dezassete anos, a fazer bandas desenhadas em Moçambique, na cidade de Lourenço Marques (actual Maputo) onde então vivia, para o jornal local Notícias da Tarde.
Alguns dos títulos dessas primeiras histórias, todas a preto e branco, de que era autora completa: "A Pequena Sereia", "A História da Princesa Varinnka" e "O Diabo Verde", publicadas em sistema de continuação, ao ritmo de uma prancha em cada número do jornal.
Regressou a Lisboa para cursar Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa - ESBAL (actual Faculdade de Belas Artes de Lisboa, FBAUL), onde se licenciou.
Colaborou no suplemento Joaninha da revista Modas & Bordados, com a história "Os Cisnes Selvagens". Executou bandas desenhadas a cores e a preto e branco, nas revistas Fagulha e Girassol, para as quais também fez ilustrações para contos e realizou as capas.


Na Fagulha ressalta "A Estreia de Gabriela" (1963) extensa bd a cores, sob argumento de Maria Isabel Mendonça Soares. Menos importantes embora, vale a pena citar "Bigodi, o Gatinho Sábio", "Teseu e o Labirinto" (aqui simplificando a assinatura, identificando-se apenas por Manuela) com legendas didascálicas, e "História Muda para Pensar", episódio sem palavras.
Mas é na revista Girassol onde se encontra a sua mais importante produção na BD. Entre 1960 e 1982 deparam-se-nos numerosas bandas desenhadas de sua autoria - argumento ou adaptação literária, e desenho. Eis uma lista, não total, onde alguns dos títulos dão clara ideia do tema.
Nos anos 1960: "A Caçada dos Gambuzines", "O Fantasma da Torre", "O Conde de Ourém", "A Estrela Polar", "A Peste", "O Rapto", "O Tesouro da Ilha", "LF-34-77 - Carro Roubado", "Trancinhas e Zé Carapinha".
No decurso da década de setenta: "Os Quatro Piratas", "O Príncipe da Sabedoria", "A Ânfora Romana", "A Grande Aventura", "José do Egipto".
Entre 1980 e 1982, já na 2ª série da revista, entre o nº 20 - Out. 1980 e o nº 38 - Jun. 82, é publicada a sua obra mais extensa, "O Eterno Retorno", que abrange quarenta e quatro pranchas (a cores), quantidade suficiente para ser editada em álbum, o que nunca aconteceu na sua longa carreira, embora a autora-artista tenha conservado sempre consigo todos os orginais.
Publicou no Almada BD Fanzine três episódios inéditos: "Avó Maria", "Sobreviver" e "Os Anos de África".
Ainda na BD, teve duas realizações recentes: a primeira destinou- se a um fanálbum editado em Dezembro de 2002, de homenagem a uma dupla da BD portuguesa que tinha sido publicada entre 1920 e 1922, intitulada na reaparição por "Novas 'fitas' de Juca e Zeca", com o episódio "Cavando...", em duas engraçadas tiras a preto e branco; a segunda foi no fanzine Efeméride, com o episódio "Ciência ou Magia?", na obra colectiva "Príncipe Valente no Século XXI", em que a talentosa artista se despediu da Banda Desenhada.
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Nota: Apenas , hoje, dia 5, tive conhecimento, pelo viúvo Afonso Henriques Pereira da Silva, do falecimento de Manuela Torres, talentosa artista e excelente pessoa, sempre disponível para colaborar nas minhas iniciativas editoriais.
O corpo ficará na igreja da Boa-Hora.
Amanhã, 5ª feira, pelas 15h, será realizada missa naquela mesma igreja, indo em seguida para o cemitério do Alto de S.João (Lisboa).
6ª fª, pelas 8h, será efectuada a cremação.
2 comentários:
li muitas fagulhas e n era só pela BD eram a colagens e recortes, uma espécie de revista interactiva :D
desconhecia a autora q aqui se enaltece, li e reli muitas fagulhas e nunca me preocupei com autor/es, algo q hoje soa chocante mas no "meu tempo" queriamos lá saber dos autores, queriamos era ler as histórias
Tenho muitas "Lusitas" e como ando a fazer um trabalho sobre a continuadora desta revista - Fagulha, encontrei o nome desta Grande Senhora.
Bem haja pela criatividade, esperança, pelos sonhos, pela beleza que sempre imprimiu às suas BD.
Lá para o céu, obrigada.
Maria Migui
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