domingo, fevereiro 27, 2011

Palestras sobre BD - Tema: Eternus 9










Victor Mesquita, nome de referência da moderna banda desenhada portuguesa, estará dia 1 de Março na Tertúlia BD de Lisboa a fazer uma palestra sobre a sua obra "Eternus 9", englobando o conjunto dos dois andamentos: "O Filho do Cosmos" e "A Cidade dos Espelhos".
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De sua autoria, reproduz-se aqui um texto acerca dessas duas partes que compõem aquela importante BD, escrito propositadamente para o blogue Divulgando Banda Desenhada.
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"Eternus 9, Um Filho do Cosmos: este título nasceu da necessidade de criar uma personagem que transcendesse as limitações da capacidade humana, a de nascer sempre sujeita às leis da gravidade terrestre.


Eternus nasceu num ponto do Universo onde essas leis não se fazem sentir. O coraçao de um nascituro ao nascer em tal ponto do espaço, necessariamente não sofre o esforço de bombagem do sangue, da compressão que se dá ao nascer sob atracção da lei da gravidade. Igualmente o cérebro não está submetido a tal violência. As circunstâncias em que Eternus nasceu, seguramente provê-lo-iam de faculdades extraordinárias.


Tal experiência há-de dar-se um dia, não de todo longínquo, e então ficaremos a saber quais serão os resultados - se ainda cá estivermos.


.O título A Cidade dos Espelhos, além de simbolizar a Feira de Vaidades da sociedade de hoje, reflecte nas histórias a intenção mágico/metafórica de criar um portal de passagem entre o autor e o seu alter-ego, se quisermos. Um pretexto para tornar o autor avatar da sua própria criação, um desdobramento distanciado do espelho que a criação reflecte de si mesmo e assim se libertar para um distanciamento que lhe permite ver-se de fora do acto de criar. De ser leitor e criador que se recria integrando-se na aventura deste desdobramento.


Foi o modo que encontrei para justificar trinta e cinco anos de ausência entre mim e a personagem, entre o autor e a recriação de si mesmo. Circunstanciando a realidade do autor (há elementos da minha própria vida no interior da narrativa), o ser intemporal que Eternus representa. Como símbolo da eterna renovação da vida, é não mais que o acto de me transcender a mim próprio, reatando a sequela de Eternus aos 72 anos de idade do autor, metade do meu tempo de vida, note-se. Assim, neste instante reinicio o ciclo da minha própria renovação."


Victor Mesquita

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Em complemento destes textos, e para saber mais acerca de Victor Mesquita, bastará ir à home page, à coluna da esquerda intitulada "Categorias", que está organizada por ordem alfabética, clicar no item "Visão" e depois ir até à postagem datada de 2006, Maio 30, onde está uma entrevista com ele.

Tertúlia BD de Lisboa - 320º Encontro






Victor Mesquita, nome de referência da BD portuguesa, estará dia 1 de Março na Tertúlia BD de Lisboa a fazer uma palestra sobre os dois andamentos -"O Filho do Cosmos" e "A Cidade dos Espelhos" - da sua obra maior, Eternus 9.

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Nomes de quem esteve presente neste 320º encontro da TBDL
(Informação aqui inserida "a posteriori")

.1.. Adelina Menaia
2.. Ana Saúde
3..Ana Vidazinha
4.. André Cardia
5.. André Conceição
6.. António Amaral
7.. Bruno Martins
8.. Falcato
9.. Frederico Carvalho
10.Gastão Travado
11.Geraldes Lino
12.Helder Jotta
13.Hugo Teixeira
14.Isabel Viçoso
15.J.Mascarenhas
16.João Figueiredo
17.José Abrantes
18.José Barbosa
19.Luís Valente
20.Machado-Dias
21.Manuel Valente
22.Maurício Barbosa
23.Miguel Ferreira
24.Miguel Sousa Ferreira
25.Milhano
26.Moreno
27.Nuno Duarte "Outro Nuno"
28.Nuno Neves
29.Paulo Marques
30.Pedro Alves
31.Pedro Bouça
32.Pedro Mota
33.Raul Gomes
34.Ricardo Santo
35.Rui Batalha
36.Rui Domingues
37.Rui Rolo
38.Sá-Chaves
39.Sandra Rosa
40.Simões dos Santos
41.Teresa Cardia
42.Victor Mesquita

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Revistas BD (VIII) - Estrangeiras















"Vive la provoc!" lê-se na capa de L'Echo des Savanes, que, não por acaso, se auto-intitula "mensário satírico". De facto, este magazine francês sempre publicou bandas desenhadas loucas, desestabilizadoras, bizarras, provocatórias.
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Número 300 "e ainda temos os dentes todos", diz Claude Maggiore, director artístico dum magazine de BD que já conta trinta e oito anos de existência!
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"Um magazine desrespeitoso, irreverente (...) que escolheu definitivamente o riso, a insolência (...), são ainda palavras do citado Maggiore. E basta observar a capa de Manara, mais as páginas seguintes de Vuillemin, para se lhe dar toda a razão.

A Vuillemin, um colaborador de há muitos anos, segue-se Tronchet, com menos tendência para o escatológico, mas capaz de criar tramas envolvendo cenas bem divertidas, como sucede com a última prancha publicada neste número, em que o ingénuo Maurice pede autógrafo a um futebolista que ele pensa ser o Drogba, não reparando que todos eles usam camisolas com o nome do famoso jogador estampado nas costas.

Claro que atingido um número bem redondo como é o 300, nada como fazer um flashback até ao seu início, de que se vêem os números 1, 2 e 3 da primeira série (1972, 1973), onde pontuam Gotlib, Bretécher e Mandryka, e o nº1 da nova série (Novembro 1982), em que surge a personagem "Ranxerox", de Liberatore, mais o nome de um autor de culto, Reiser.

Wolinski - com direito a foto - conta-nos como, após o fim do Harakiri, teve a ideia de fazer algo que se asemelhasse com L'Assiette au beurre, velho jornal satírico.
Após ter-se encontrado com Claude Maggiore, que tinha acabado de modificar o grafismo do jornal Libération, ambos se propuseram fazer um jornal de BD com humor e sacanagem. Mas, como escreve Wolinski, não contava com a personalidade de Maggiori, que acabou por fazer sozinho o jornal (de louvar o "fair play" de Maggiori, redactor-chefe e director artístico, em relação a este artigo que o atinge).

"Le Déclic", de Milo Manara, teve a sua estreia nas páginas de L'Echo. E, apesar de toda a abertura ao erotismo que há décadas existe em França, este magazine era o mais apropriado para se poderem apreciar "les plus belles fesses de toute l'histoire de la BD".

E ainda hoje, em França, L'Echo des Savanes continua a ser a publicação mais propícia às imagens, belas e truculentas, assinadas por Manara, sob argumento de Jodorowsky, nas recentes páginas da obra "Borgia. Tout est vanité".

"Ranx", robô humanizado mas ultra-violento, que nutre um estranho amor pela adolescente Lubna, é personagem criada por Liberatore, no desenho, e Tamburini, no argumento.
"Ranx" teve lugar de relevo neste magazine, nele surgindo de novo, agora remasterizado pelo próprio Tanino Liberatore no seu primeiro episódio, de 42 pranchas, republicadas totalmente no presente número histórico.
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Todas as postagens anteriores deste tema podem ser visionadas com um simples clique no item "Etiquetas: Revistas BD", que se pode ver aqui por baixo no rodapé

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Palestras sobre BD - Tema: Fernando Bento






Fernando Bento é um dos nomes marcantes da banda desenhada portuguesa. E João Paulo de Paiva Boléo um dos mais importantes especialistas portugueses na área da BD.


Vai ser com Boléo a falar de Bento que se dá arranque, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem - CNBDI (Amadora), à iniciativa "Às Quintas Falamos de BD", encontros mensais que terão lugar na última 5ª feira dos meses de Fevereiro a Maio, sempre às 21h00, naquele equipamento cultural da Câmara Municipal da Amadora.


(Esclarecendo algum visitante deste blogue menos embrenhado nos bastidores da BD: o CNBDI é o responsável pela organização anual do Festival Internacional de Banda Desenhada daquela cidade).


Para terminar a notícia: a fim de dar início a esta actividade cultural, na próxima 5ª feira, dia 24 de Fevereiro, terá lugar a apresentação do livro E Tudo Fernando Bento Sonhou, da autoria de João Paulo de Paiva Boléo, que usará da palavra para apresentação da sua obra e, por extensão, do autor nela homenageado.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Concurso BD de Moura


Os concursos de banda desenhada representam aliciantes desafios aos potenciais autores.
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Mais uma vez isso vai acontecer, em iniciativa de novo associada ao regressado Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura, que terá lugar lá mais para a frente. (*)
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E não escrevo ainda a data para que não haja confusões entre as do Salão e as do Concurso, sendo que (pormenor muito importante, no caso deste último),

A DATA LIMITE PARA ENTREGA DAS BANDAS DESENHADAS É:
25 DE MARÇO
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Outros itens que merecem a máxima atenção:
O ESCALÃO B é destinado aos autores que, à data limite de entrega das bedês, TENHAM 26 OU MAIS ANOS.
(Portanto, Moura mantém a abertura para aqueles que, já passados vinte e seis anos de vida, gostariam de participar pela primeira vez, ou de continuar a participar)
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O ESCALÃO A é para os mais novos, para quem tenha entre 13 e 25 anos (inclusive).

Muito importante para os concorrentes é saber que:

O TEMA É LIVRE!
... um pormenor que facilita muito a vida aos concorrentes...

Outro item que tornará mais abrangente a iniciativa:
O CONCURSO ESTÁ ABERTO A ESTRANGEIROS!
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PRÉMIOS
Para cada escalão serão instituídos os seguintes:

Melhor Banda Desenhada
€750.00 + Colecção de BD + Diploma

Melhor Tira
€350.00 + Colecção de BD + Diploma

Haverá também prémios para:
Melhor Autor do Concelho de Moura
€200.00 + Colecção de BD + Diploma

Prémio Juventude
Para os autores que à data limite de entrega das obras tenham 13 a 17 anos inclusive:
€200.00 + Colecção BD + Diploma
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Um pormenor muito simpático da organização:
As Menções Honrosas que o júri decida atribuir, para além destes prémios principais,
TERÃO DIREITO AO SEGUINTE:
€150.00+ Colecção de BD + Diploma
Garanto que é uma iniciativa absolutamente inédita nestes concursos BD... que considero justa e aliciante!
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Pormenores técnicos importantes:

1. Cada concorrente pode enviar um máximo de 5 originais inéditos(*), devendo ser identificadas todas as pranchas no verso com o nome, morada, e-mail e contacto telefónico.
(*) Não são aceites fotocópias

2. As bandas desenhadas podem ter entre duas (mínimo) e seis (máximo) pranchas.
(As pranchas devem ser numeradas no verso)

Tira BD
Serão admitidas nesta categoria as tiras apresentadas numa disposição horizontal ou vertical.

As histórias apresentadas num sistema de quatro desenhos agrupados em duas filas de vinhetas serão remetidas para a modalidade de cartune.

As obras podem ser apresentadas a preto e branco ou a cores, em qualquer técnica ou suporte.

Formatos preferenciais:
A4 (210x297mm)

ou

A3 (297x420mm)

mas serão aceites pranchas num formato máximo de 50x50cm

As bandas desenhadas participantes têm de ser enviadas conjuntamente com um pequeno currículo, uma fotocópia do BI e o número de contribuinte do concorrente, até 25 de Março (se for enviada, conta a data do carimbo dos correios) para o seguinte endereço:

Câmara Municipal de Moura
Gabinete de Informação, Imagem e Relações Públicas
15º Concurso de BD e Cartune
Moura 2011
Praça Sacadura Cabral
7860-207 Moura

As pranchas devem ser enviadas protegidas (por exemplo, por cartolina rígida), e em correio registado, a fim de garantir a sua recepção, e em boas condições.
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(*) Ok, aqui ficam as datas de abertura e fecho do 17ºSalão BD: 22Abril e 8Maio
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Quem tiver curiosidade em ver concursos anteriores, e até um artigo meu intitulado "Concursos de BD: Subsídios para um estudo", pode consegui-lo, clicando no item "Concursos de Banda Desenhada" que se vê no rodapé

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Revistas BD (VII) - Estrangeiras: dBD Monographies






Panorama actual das revistas francesas de BD (II)
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Les dossiers de la bande dessinée é o significado da sigla dBD que identifica um magazine francês de banda desenhada já bem conhecido dos mais exigentes apreciadores portugueses da banda desenhada e... suficientemente conhecedores do idioma.
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Baseada na sólida implantação do dossiê de banda desenhada, a sua editora parisiense decidiu lançar um novo mensário complementar daquele, numa versão dedicada à publicação de vários assuntos interessantes, entre os quais monografias de autores de BD.
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Tal como aconteceu com o magazine de que falei anteriormente, o L'Immanquable, também este dBD Monographies HS#05 - ou seja, o nº5 do Hors-Série, uma colecção absolutamente fora de série - estava à venda na loja de jornais e revistas da estação de comboios de Angoulême, primeiro local que obrigatoriamente se depara a quem chega.

Depois de o HS#01 ter sido dedicado em exclusivo à mangá, os nºs 2 e 4 terem tratado do balanço (bilan) editorial francês de 2008 e 2009, respectivamente, e o #3 traçar exaustiva biobibliografia de Van Hamme (haja Zeus, um argumentista a merecer um número especial, só mesmo em França), saíu em Dezembro 2010 o dBD HS#5 consagrado a Hermann (1938, Bélgica), "Le stakhanoviste du dessin", como lhe chamam os editores bem visivelmente na capa.
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Hermann - que ainda o ano passado esteve em Portugal no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja - está indissoluvelmente ligado aos amantes de BD mais persistentes, que têm bem presentes as imagens vibrantes de várias séries, designadamente Bernard Prince (1966), Comanche (1969) - ambas sob argumento de Greg -, Jeremiah (o seu primeiro solo), Bois-Maury (inicialmente "Les Tours de Bois-Maury"), Nic (1980) - este sob argumento de Morphée, pseudónimo do seu cunhado Philippe Vandooren, Liens de Sang, Manhattan Beach, Zhong Guo, The Girl from Ipanema, Sur les traces de Dracula (várias destas obras já editadas em Portugal pela Vitamina BD).
De novo em obras de sua completa autoria surgem Sarajevo-Tango, Afrika e On a tué Wild Bill. Voltando a trabalhar com um argumentista, desta vez com Jean Van Hamme, desenhou Lune de Guerre (2000), obra editada entre nós pela editora BaleiAzul.
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Um trajecto profícuo, com muito talento espalhado por décadas de produção, tudo isso ressalta da longa entrevista nesta publicação cuja existência só é possível num tão vasto mercado como o francófono, onde decerto haverá suficientes leitores interessados neste tipo tão específico de projecto editorial, dedicado a temas especializados (Mangá, Balanços de produções anuais e Monografias), assuntos competentemente tratados, a que só falta, no caso das monografias, a respectiva biobibliografia do autor, organizada cronologicamente.
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Os visitantes deste blogue interessados em ver postagens anteriores relacionadas com este tema terão possibilidade de o fazer, bastando-lhes clicar no item "Etiquetas: Revistas BD", visível no rodapé

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Concurso de BD em França sem limite máximo de idade




Tenho feito aqui divulgação de concursos de banda desenhada, mas, quase na totalidade, realizados em Portugal.
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Desta vez, porém, trata-se de um concurso de BD organizado na cidade francesa de Perpignan, pelo Movimento contra o Racismo e para a Amizade entre os Povos - MRAP66, uma entidade altruísta, que resolveu utilizar a banda desenhada em prol das suas meritórias finalidades (tal como em Lisboa fez, há uns anos, a Associação S.O.S. Racismo, na qual participei como membro do júri).
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Tomei conhecimento da iniciativa por email recebido de elemento do MRAP66, que não conheço pessoalmente, de nome Lorène Charpentier, que me escreve em português, visto ter estado em Portugal como assistente de francês numa Escola Secundária do Porto.
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Este 1º Concurso de Banda Desenhada do MRAP66 apresenta-se bastante apelativo, por vários motivos.
Eis uma síntese do regulamento:
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1. TEMA "ESTEREÓTIPOS E PRECONCEITOS" ("Stéréotypes et Préjugés")
--- Estamos a falar de estereótipos e preconceitos que se formam acerca de determinadas raças, que se podem classificar de racismo e/ou xenofobia
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2. IDADE DOS CONCORRENTES:
---Mínima: 12 anos
---Máxima: sem limites (aí está, mais uma vez, uma hipótese para aqueles que, já menos jovens, continuam a desejar participar num desafio deste género).
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3. CONDIÇÕES PARA AS BANDAS DESENHADAS
---- a) número máximo de pranchas: 2
---- b) único formato admitido: A4 (29,7x21cm)
---- c) podem ser a preto e branco ou a cores
----d) Os concorrentes estrangeiros podem escrever as legendas em francês ou na sua própria língua. Os organizadores responsabilizar-se-ão pela tradução.
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4. BOLETIM DE INSCRIÇÃO
Cada concorrente (ou grupo de concorrentes) terá de preencher um boletim de inscrição, o qual pode ser preenchido no site do MRAP66, no seguinte endereço:
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5. PRÉMIOS:
Os mais importantes, na minha opinião, têm a ver com as seguintes alíneas:
a) O colectivo MRAP66 editará um álbum com todas as obras que receber;
b) Organizará uma exposição com as bandas desenhadas que forem classificadas até ao 12º lugar (Esta expo será itinerante, visto que irá circular nos liceus e bibliotecas da região Languedoc Roussillon).
Há ainda:
c) 1 Palette Graphique (Paleta Gráfica? aceito traduções técnicas) "Mesa digitalizadora" (informação de Ana Maria Baptista, a quem agradeço a atenção)
d) Logiciel de retouche ("Software de retoque de imagens" - tradução da Lorène Charpentier)
e) Assinatura de um magazine francês de BD (talvez à escolha do premiado, digo eu).
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A entrega dos prémios será efectuada pelo autor de BD argelino Slim, que apresentará o álbum e fará uma palestra sobre banda desenhada
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6. DIREITOS DE UTILIZAÇÃO E REPRODUÇÃO
A participação no concurso supõe a aceitação da reprodução, impressão e difusão, total ou parcial, da(s) banda(s) desenhada(s) participante(s) e/ou do dossier curricular pelo MRAP66, assim como a sua utilização nas actividades da campanha divulgadora.
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7. DATA LIMITE PARA ENTREGA DAS BANDAS DESENHADAS
--- 7 Março 2011
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8. CONTACTOS PARA ESCLARECER DÚVIDAS
Quaisquer dúvidas poderão ser esclarecidas no sítio
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ou através dos endereços
samia.mrap66@gmail.com
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Quem tiver curiosidade em ver as características e pormenores dos concursos aqui divulgados anteriormente poderá fazê-lo clicando no item "Concursos de Banda Desenhada" visível no rodapé

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Revistas BD (VI) - Estrangeiras: L'Immanquable






Panorama actual das revistas francesas de banda desenhada (I) - L'Immanquable, la BD en avant-première.
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Apesar de, em França, haver em publicação vários magazines dedicados à BD, tal não impede que, no amplo mercado daquele país haja lugar para mais um, o L'Immanquable (que se poderá traduzir, livremente, por "o infalível"), de que acaba de sair o nº1.
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Este magazine tem a finalidade - bem sinalizada no subtítulo - de ser uma espécie de mostruário de ante-estreias de obras de BD, o que dá a possibilidade de os seus leitores poderem avaliar antecipadamente o que está previsto para ser editado em álbum.

Curiosamente, a ideia-base é muito semelhante à que foi desenvolvida na revista portuguesa Selecções BD, tanto na 1ª série (Maio de 88 a Dez. 91) como na 2ª (1999). E, sei-o bem - uma das colaborações que tive nessa revista foi responder às cartas dos leitores, sob o pseudónimo "Bedéfilo" -, a reacção de muitos deles (seria uma minoria, ou seria um grupo representativo da opinião da maioria?) era negativa relativamente ao projecto. A opinião mais repetida era a de que a revista se tornaria desnecessária, visto a sua própria editora (Meribérica) ir seguidamente lançar essas mesmas histórias em álbuns.
Qual será agora a reacção dos leitores franceses a idêntico projecto? Na realidade, apesar de o mercado francês ser vasto, há um razoável leque de publicações de BD. E, como a experiência nos diz, ao entusiasmo inicial por uma novidade, segue-se, mais tarde ou mais cedo, o desinteresse - ainda não foi há muito que em França se deu o desaparecimento de três revistas, uma após outra: Vécu (totalmente dedicada a bandas desenhadas de cariz histórico), A Suivre (a mais importante e de mais longa existência), e BoDoï (a sua descendente).
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L' Immanquable
Periodicidade: Nº1 em 1 Jan.11; Nº 2 a sair em 20 Fevereiro (portanto, parece irregular)
Formato: 22x28,7cm
146 páginas (a p/b e cores)

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Vejamos, em breves sínteses, o conteúdo deste número inicial (as imagens das pranchas, no topo do poste, estão também pela mesma ordem):

1. Philippe et Francis - tome 2 - Le Piège machiavélique
Mesmo quem ainda não tenha travado conhecimento com o volume inicial apercebe-se de imediato - as figuras da dupla, apesar de caricaturadas, são identificáveis à primeira vista - de que se trata de paródia às personagens Blake et Mortimer, aliás, Philipe Mortimer e Francis Blake (ver 2ª imagem no topo), chamando-se os autores "parodiantes" Barral (desenhador) e Veys (argumentista), ambos claramente conhecedores da obra de Edgar Pierre Jacobs e do seu estilo.
A comicidade das figuras criadas por Barral terá sido motivo opcional para a sua utilização na capa do magazine, neste seu número de arranque.
Álbum com 46 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 14
Editora Dargaud, saída do álbum prevista para Abril 2011

2. Pavillon Noir (tomo 1 de 3)
Autores: Bingono (desenho), Corbeyran (argumento).
O retorno de um tema que já teve momentos brilhantes na BD, e de que ressalta a obra seminal Hernan el corsario, criada por José Luís Salinas, que mais tarde desenharia Cisco Kid, ícone da banda desenhada tipo western.
Álbum com 46 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 16
Editora Soleil. Saída do álbum: Março 2011

3. Les Boucliers de Mars - tomo 1: Casus belli.
Autores: Christian Gine (desenho), Gilles Chaillet (argumento), Antoine Quaresma (colorista).
Sim, para quem se lembrar do nome Gilles Chaillet, decerto terá a noção de o ter conhecido na qualidade de desenhador... E tem razão. De facto, apesar de habitualmente ser o autor dos desenhos, teve repentinamente a ideia para este argumento, e para a desenhar lembrou-se do amigo Gine, que antes fizera Capitaine Sabre.
Álbum com 56 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 16
Editora Glénat. Saída prevista para 9 Março 2011

4.Magasin Sexuel
Autor: Turf (desenhador, argumentista, colorista, talvez também legendador)
O arranque da peça promete: numa pacata aldeia, alguém rouba a letra i do letreiro de uma loja, o que irrita sobremaneira o sr. Nobel, dono do "Le Bar du Coin", transformado em bar do "con", palavrão pouco abonatório das virtudes da esposa. O estilo do desenho encaixa-se bem no tipo de argumento.
Álbum com 64 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 16
Editora Delcourt - saída prevista para 2 Março 2011

5.Un Sac de Billes
Autores: Kris e Vincent Bailly
Um episódio passado na 2ª Guerra Mundial, com cenas de "bullying"na escola, baseadas no anti-semitismo a crescer entre os adolescentes, em imagens de muita sensibilidade, talvez desenhadas pelo duo, visto que não indicam quais as especialidades de cada.
Álbum com 62 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 17
Editora Futuropolis - saída prevista para 7 abril 2011
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6.La Légende d'Horacio d'Alba
Autores: Nicolas Siner (desenho e colorização), Jérôme le Gris (argumento)
A Renascença italiana serve de pano de fundo ao combate intenso que se trava entre duas Academias de duelistas.
Jérôme le Gris é oriundo do meio cinematográfico. Na entrevista que lhe é feita, ele afirma que, através desta experiência na banda desenhada, descobriu um meio de expressão riquíssimo, na fronteira entre a literatura e o cinema.
Álbum com 54 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 17
Editora não indicada - saída prevista para 31 Março 2011

7.Les Innocentes Coupables - tomo 1: La Fuite
Autores: Anlor (desenho), Laurent Galandon (argumento)
O enredo tem por protagonistas quatro jovens delinquentes, o seu início dá-se sob um ambiente tenso e violento criado pelos encarregados da instituição (reformatório?), que se revelam depravados e tendencialmente abusadores dos jovens.
Álbum com 48 páginas
Total de páginas publicadas neste nº: 21.
Editora: Bamboo/Grand Angle - saída prevista para Março 2011
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Nota: Todos os episódios terão seguimento no nº 2 do magazine L'Immanquable
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Imagens a ilustrar o poste (de cima para baixo):
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1. Capa
2. Prancha 1 de "Philippe et Francis"
3. Prancha 1 de "Pavillon Noir"
4. Prancha 15 de "Les Boucliers de Mars"
5. prancha 6 de "Magasin Sexuel"
6. Prancha 1 de "Un sac de billes"
7. Prancha 10 de "La Legende D'Horacio d'Alba"
8. Prancha 9 de "Les Innocents Coupables"
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Para ver as postagens anteriores deste tema basta clicar no item "Revistas BD" que se vê no rodapé

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Tertúlia BD de Lisboa - 319º Encontro

O único local de encontro mensal para os amantes da banda desenhada é a Tertúlia BD de Lisboa. E mais uma vez se realizará, no local de sempre, que é o Parque Mayer.
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Mas...
Hoje não haverá Convidado Especial!
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Ora o motivo principal da existência da Associação Informal Tertúlia BD de Lisboa é, exactamente, o momento de tertúlia que decorre da auto-apresentação de um autor de banda desenhada, e a eventual participação dos "tertulianos" a colocarem-lhe questões enquanto autor de BD.
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Esta situação, que raras vezes tem acontecido, deve-se ao facto de, imprevistamente, ter decidido ir ao Festival de Angoulême, como se pode verificar pelas dois postes antecedentes.
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E como não tinha a certeza absoluta de estar cá hoje a tempo de participar na tertúlia, não solicitei a nenhum autor de BD para ser o Convidado Especial, pois não faria sentido convidar alguém e depois eu não estar presente.
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À cautela, pedi aos meus colaboradores habituais - Carlos Moreno, autor de BD, e Simões dos Santos, coleccionador - para serem eles a realizarem o sorteio interactivo de banda desenhada.
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Vai ser desta vez que jantarei lá, como fazem todos e eu nunca posso fazer (quem já alguma vez participou na TBDL sabe bem porquê).
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Pelo motivo de não haver C.E., também não haverá "Comic Jam", visto que esse improviso gráfico, composto por seis vinhetas (logo, feitas por seis autores) começa sempre pelo Convidado Especial da tertúlia, daí que o título seja "O dia em que [---] foi..." (como poderão ver, ou rever, conforme os casos, os visitantes que clicarem na categoria, ou etiqueta, "Comic Jam", incluída na coluna "Categorias" no lado esquerdo da "home page").
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Lista de participantes (informação "a posteriori")
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1. Adelina Menaia; 2. Álvaro; 3. Ana Saúde; 4. Geraldes Lino; 5. Helder Jotta; 6. Isabel Viçoso; 7. João Figueiredo;
8. João Paulo Sá-Chaves; 9. José Abrantes;
10. José Tiago de Oliveira; 11. Machado-Dias;
12. Manuel Valente; 13. Miguel Ferreira; 14. Milhano;
15. Moreno; 16. Paulo Marques; 17. Pedro Bouça;
18. Rui Domingues; 19. Simões dos Santos;
20. Teresa Cardia; 21. Vasco Câmara Pestana
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Os interessados em verem notícias dos encontros anteriores desta tertúlia, quem lá tem estado anteriormente como Convidado Especial e/ou Homenageado, e imagens das respectivas bandas desenhadas, podem fazê-lo clicando no item "Etiqueta - Tertúlia BD de Lisboa" que se vê em rodapé

domingo, janeiro 30, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 38º Festival/2011- Premiados

Foi hoje que se soube quais os autores de banda desenhada galardoados e obras premiadas neste festival de Angouleme.
(Foto de Art Spiegelman a ilustrar o poste)
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GRANDE PRÉMIO DA CIDADE D'ANGOULÊME 2011
............. ART SPIEGELMAN
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FAUVE D'OR - PRÉMIO DO MELHOR ÁLBUM
............. Cinq mille quilometres par seconde, de Manuele Fior Editions Atrabile
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.FAUVE FNAC SNCF - PRÉMIO DO PÚBLICO
............ Le Bien est une couleur chaude, de Julie Maroh
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
............ Asterios Polyp, de David Mazuchelli
Editions Casterman
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA SÉRIE
........ Il était une fois en France - tomo 4, Aux armes citoyens!, de Fabien Nury e Sylvain Vallee
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO REVELAÇÂO
Nota: Este prémio foi atribuído ex-aequo a duas obras:
.......... La parenthèse, de Elodie Durand
Editions Delcourt
......... Trop n'est pas assez, de Ulli Lust (*)
Editions Çà et là
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO OLHARES SOBRE O MUNDO
........ Gaza 1956, en marge de l'histoire, de Joe Sacco
Editions Futuropolis
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA AUDÁCIA
.......... Les noceurs, de Brecht Evens
Editions Actes Sud BD
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO INTERGERAÇÕES
....... Pluto, de Naoki Urasawa, segundo Osamu Tezuka
Editions Kana
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DO PATRIMÓNIO
........... Bab-el-Mandeb, de Attilio Micheluzzi
Editions Mosquito
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO JUVENTUDE
............ Chronokids - tomo 3, de Zep, Stan e Vice
Editions Glenat
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FAUVE D'ANGOULÊME - PRÉMIO DA BANDA DESENHADA ALTERNATIVA
............ L'arbitraire, volume 9 (periódico editado em Lyon)
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PRÉMIO JOVENS TALENTOS
Primeiro premiado - Adrien Herda
Segundo premiado - Noemie Weber
Terceiro premiado - Antoine Maillard
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PRÉMIO JOVENS TALENTOS DA REGIÃO POITOU-CHARENTES
.......... Lei Fang , por La boutique de Wang
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CONCURSO "ANIME TON FAUVE"
Premiado: Julien Farto
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PRÉMIO BD DOS COLEGIAIS DE POITOU-CHARENTES
........... Kheti, fils du Nil, tomo 4 - Le Jugement d'Osiris, de Mazan e Dethan
Editions Delcourt
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PRÉMIO DAS ESCOLAS DE ANGOULÊME
............. L'ours Barnabe - Integral I, de Jean-Luc Coudray (La Boite a Bulles)
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CONCOURS REVELATION BLOG
Premiado: Le blog d'Aspirine
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(*) Trata-se de uma autora já publicada em Portugal, no fanzine Gambuzine, de Teresa Camara Pestana, conforme a própria confirmou em comentário a esta postagem.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Festivais, Salões BD e afins - (Angoulême) 38º Festival/ 2011


Já na sua 38ª edição, o Festival International de la BD d'Angoulême é, inquestionavelmente, o maior evento europeu de banda desenhada.
Desde sempre que são apenas quatro dias, de quinta-feira a domingo - e as datas não variam muito de ano para ano, desta vez de 27 a 30 de Janeiro.

Um curto período de tempo, mas intenso, que obriga os visitantes a constantes movimentações, na tentativa de verem as exposições que mais lhes interessam, contactar com os autores da sua predilecção e deles obterem autógrafos e desenhos...
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Apenas em esboço, veja-se a amplitude e a variedade de solicitações nos diversos locais por onde se estende o evento:
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CHAMP-DE-MARS
Le monde des bulles
Onde estão as grandes editoras de BD europeias, americanas (comics), asiáticas (de mangá e manhwa).
E ainda dentro desta última especificidade, nota-se uma novidade: "MangAsie", que inclui conferências, "performances" gráficas, projecções
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PLACE NEW-YORK
Le nouveau monde
Espaço reservado aos editores independentes e aos fanzines, havendo também fóruns dedicados a esses temas.
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PLACE DES HALLES
Collectionneurs
Imagine-se uma portuguesíssima "feira da ladra", mas dentro de uma tenda extens]issima (dantes era numa casa antiga de dois andares), onde se agrupam dezenas de alfarrabistas ("bouquinistes") que apresentam revistas francesas e belgas antigas, álbuns dos anos sessenta e setenta, pranchas originais de desenhadores europeus e americanos, em qualquer dos casos material capaz de fazer perder a cabeça a todos os bedéfilos franceses, e mesmo a alguns portugueses apesar do seu menor poder de compra... É um local sempre a abarrotar!
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Agora há dois museus, tendo cada um deles o seu programa (obviamente). Assim:
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MUSEU DE ANGOULÊME
Planches et hiéroglyphes
Exposição de pranchas de obras dedicadas ao antigo Egipto, dos autores Isabelle Dethan, Mazan e Julien Maffre
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MUSÉE DE LA BD (este inclui-se no conjunto de edifícios que compõem a "Cité de la BD", e tem várias exposições. Falo aqui apenas de três)
1) Parodies: la BD au second degrée
Obras paródicas dedicadas a personagens e obras da banda desenhada, quer europeia quer americana (neste caso, aos super-heróis)
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2) Cent pour Cent - saison 2
Depois de ter havido, na edição de 2010, a exposição "Cent pour Cent", onde colaboraram os autores portugueses António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches e Luís Henriques, que teve direito a um excepcional catálogo (mostrei as pranchas daquele trio lusitano e respectivas "pranchas musas" na postagem de Dez.28, 2010), volta à baila o tema, desta vez por homenagens realizadas exclusivamente por autores espanhóis e turcos aos autores de BD que lhes serviram de inspiração. Ainda poucas, todavia de qualidade a prometer uma interessante sequela.
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3) Nos guerres
David Benito, Laurent Boriaud e Patrice Cablat têm a autoria de dez episódios em que atacam o absurdo de todas as guerras

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Comentário "off the record"
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Houve tempos em que era minguada a presença de portugueses no evento, malgrado a sua projecção internacional.
De há alguns anos para cá tem havido um aumento notório de participantes (maioritariamente de Lisboa, também isto será por causa do tão atacado centralismo?) e o facto de ter havido casos de sucesso - nomeadamente Rui Lacas e Nelson Martins, ambos publicados por editoras francesas - terá incentivado a esperança a mais talentos lusitanos de conseguirem idêntico sucesso.
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Desta vez, o conjunto de portugueses englobava autores, editores, divulgadores e acompanhantes. Aqui fica uma lista feita a posteriori:
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1. Falcato (autor)
2. Hugo Teixeira (autor "mangaka"
3 e 4. João Amaral (autor e bloguista) e Cristina Amaral (acompanhante)
5. Jorge Ribeiro (bedéfilo e realizador de Cinema de Animação)
6. Lígia Macedo (Relações Internacionais do Festival BD Amadora)
7 e 8. Marcos Farrajota (autor, editor e bloguista) e Joana Pires (acompanhante)
9. Maria José Magalhães Pereira (Responsável editorial de BD da ASA/Leya)
10. Nelson Dona (Director do Festival BD da Amadora)
11 e 12. Nelson Martins (autor) e Catarina Gusmão (acompanhante)
13. Nuno Amado (bloguista) e Aida Teixeira
14. Nuno Duarte (autor e bloguista)
15 e 16. Pepedelrey (autor e editor) e Sandra Oliveira (acompanhante)
17. e o presente bloguista, também faneditor e escasso argumentista
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Total: 17 pessoas, um número significativo para o exíguo panorama português



domingo, janeiro 23, 2011

Comic Jam (27ª prancha)


Improvisar uma banda desenhada, por seis autores que se encontram a confraternizar na Tertúlia BD de Lisboa, é a iniciativa que se repete mensalmente, e que dá resultados assaz imprevisíveis. Aqui fica mais uma peça do género.

Realizada no 318º encontro da TBDL, a 4 Janeiro 2011, teve a participação dos seguintes autores:

1ª vinheta (ao alto, à esquerda) - Vasco Martins (o Convidado Especial)
2ª ......"..............(ao alto, à direita) - Álvaro
3ª ......" ............................................. - Falcato
4ª ......" ............................................. - Nuno Duarte "Outro Nuno"
5ª ......" ............................................. - Osvaldo Medina
6ª ......".............................................. - Pepedelrey

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Quem tiver curiosidade em ver os improvisos anteriores, bastar-lhe-á clicar sobre a etiqueta "Comic Jam", inscrita no rodapé.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Exposições BD Avulsas (V) - Catálogos BD (I) - Catálogo da Exposição "Tinta nos Nervos"





































Se de uma exposição de banda desenhada não for editado catálogo, dela quase não restará memória para a posteridade.

O comissário da exposição de BD "Tinta nos Nervos", Pedro Vieira de Moura tem, com absoluta certeza, essa noção, e por isso o catálogo fez-se.

Fez-se, e reconheçamo-lo: com uma qualidade singular, como objecto gráfico e bem assim na sua função de preservar o registo do evento e respectivos participantes, reproduzindo algumas das pranchas de cada um dos autores/artistas expostos.

É de Filipe Abranches a composição que ilustra a página inicial (tal como aqui no presente poste), prancha pertencente à obra História de Lisboa, vol.2, que teve texto de suporte do professor A.H.Oliveira Marques.

Seguem-se reproduções de pranchas de BD ou pormenores das assinadas pelos restantes quarenta seleccionados, numa sequência que não segue o alinhamento da exposição, apenas respeitando a ordem alfabética dos apelidos dos autores, ou, de alguns deles, apenas o pseudónimo.

Vejamos, pois, como vão surgindo as amostras gráficas dos autores, à medida que se folheiam as páginas do catálogo:

Filipe Abranches, Isabel Baraona, Eduardo Batarda,
Bruno Borges, Carlos Botelho, Pedro "Burgos", Richard Câmara, Miguel Carneiro, Isabel Carvalho, Mauro Cerqueira,
Diniz Conefrey, Ana Cortesão, Marcos Farrajota, João Fazenda, José Carlos Fernandes, Alice Geirinhas,
António Jorge Gonçalves, Luís Henriques, "Janus",
"Jucifer" (Joana Figueiredo), André Lemos, Daniel Lima,
Isabel Lobinho, Tiago Manuel (através dos seus heterónimos "Max Tilmann", "Murai Toyonobu", "Terry Morgan" - em que as iniciais T e M do nome verdadeiro do autor estão sempre presentes...),
Marco Mendes, Victor (é assim o nome dele, e não Vítor como está no catálogo) Mesquita, Paulo Monteiro, Susa Monteiro,
Pedro Nora, "Pepedelrey", Teresa Câmara Pestana,
Carlos Pinheiro, Rafael Bordalo Pinheiro, João Maio Pinto, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Cátia Serrão, Nuno Sousa,
Maria João Worm, Pedro Zamith, Carlos Zíngaro.

Entremeando as imagens, como se fossem intervalos, surgem três ensaios sobre BD (*) escritos por Sara Figueiredo Costa, Domingos Isabelinho e Pedro Vieira de Moura.

A finalizar a bem planificada obra surgem biografias de todos os autores participantes, além das dos três ensaístas/críticos responsáveis pelos excelentes estudos que valorizam e completam o volume.

Uma curiosidade: como prefácio, na badana do livro, pode ler-se um texto assinado por José Berardo, Presidente Honorário - Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo.

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Autoria das imagens visíveis no topo da postagem:

1. Barbara Says... (capa)
2. Filipe Abranches
3. Eduardo Batarda
4. Isabel Carvalho
5. Diniz Conefrey
6. Ana Cortesão
7. Marcos Farrajota
8. João Fazenda
9. José Carlos Fernandes
10. Alice Geirinhas
11. Janus
12. André Lemos
13. Marco Mendes
14. Victor Mesquita
15. Paulo Monteiro
16. Susa Monteiro
17. Pedro Nora
18. Pepedelrey
19. Teresa Câmara Pestana
20. Carlos Pinheiro
21. Rafael Bordalo Pinheiro
22. João Maio Pinto
23. Miguel Rocha
24. Maria João Worm
25. Pedro Zamith
26. Carlos Zíngaro
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(*) Não seria justo que na presente postagem apenas fossem mostradas imagens de algumas das bandas desenhadas reproduzidas no catálogo, também é pertinente que sejam divulgados excertos - dos textos, pelo menos, porque óptimo seria reproduzi-los totalmente - da autoria dos três ensaístas antes nomeados, em que se inclui o próprio comissário da exposição.

Diz Sara Figueiredo Costa:
"(...) Durante a década de 1990, a percepção da banda desenhada como uma linguagem destinada às leituras juvenis ou nostálgicas (quando não como um género, facto tão decorrente do desconhecimento como da limitação de registos editados) altera-se, ainda que ligeiramente, se atentarmos na herança que tal alteração deixou no que à percepção social diz respeito. O crescimento do mercado editorial , com o consequente aumento dos canais de distribuição e venda de livros, beneficiou a banda desenhada, permitindo que livros com registos mais experimentais encontrassem o seu espaço nas livrarias, agora atentas a outros modos de trabalhar a linguagem da banda desenhada. Por outro lado, os espaços de divulgação e exposição beneficiaram de uma evolução no que toca à diversidade, mantendo-se festivais como o da Amadora, onde a presença da banda desenhada de vocação receptiva mais massiva sempre marcou presença, acompanhada de exibições pontuais de trabalhos e autores exteriores ao mainstream franco-belga e norte-americano, mas surgindo outros, como o Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto e o Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada, fundamentais para a criação de um público que não se limitava aos fãs de banda desenhada, mas que se compunha igualmente por interessados pelas áreas da literatura, das artes visuais, do cinema de autor...
(...) No início deste século uma outra conjuntura se formou, alterando o panorama que se criara nos anos de 1990 e definindo um outro, bem diferente, marcado pela contenção económica e pela redução do volume de edição. O entusiasmo da década de 1990 em torno da edição criou uma ilusão que não correspondia, apesar de todas as melhorias apontadas, à realidade de um mercado pequeno, com livrarias pouco preparadas para definirem secções de banda desenhada que ultrapassassem a etiqueta do "infanto-juvenil" e com um espaço limitado na imprensa para a divulgação e a crítica de livros em geral. Por outro lado, talvez a ausência de uma preparação sólida para lidar com a gestão editorial e os condicionalismos do mercado do livro por parte de muitos editores (nem sempre com a experiência que um mercado como este exige num país cujo nível geral de leitura nunca foi muito elevado) tenha sido responsável por um entusiasmo que se saldou no estrangulamento do mercado, com o exíguo espaço disponível para a banda desenhada sufocado por centenas de títulos a sair ao mesmo tempo.
Perspectivas de futuro: a edição debanda desenhada no cenário da aldeia global
(...) As peculiaridades do mercado editorial e o acesso cada vez mais democrático às tecnologias da informação e da comunicação têm levado os autores portugueses a procurarem caminhos alternativos ao processo tradicional da edição. Em alguns casos, os mercados estrangeiros têm constituído um terreno fértil, tanto no plano comercial como no plano do intercâmbio artístico e da definição de espaços de publicação e divulgação. Os exemplos de autores que conseguiram encontrar o seu espaço na indústria dos comics americanos, muitas vezes integrando equipas amplas e com vários trabalhos a decorrerem em simultâneo, são significativas, e aí encontramos autores como João Lemos, Eliseu Gouveia ou Ana Freitas. Por outro lado, a facilidade em estabelecer contactos, trocas e parcerias com autores e projectos editoriais e artísticos de qualquer ponto do mundo tem aberto vias interessantes de colaboração, levando autores como André Lemos a publicar na Rússia (Mediaeval Spectres Soaked in Syrup, Pipe and Horse, 2010) ou em França (Some Dishonourable Creatures Attacked Us, Boom Books, 2010), ou Filipe Abranches a integrar uma antologia publicada em Espanha (Lanza en el Astillero, edição da Comunidade de Castilla La Mancha, 2006) (...) passando pela edição de Merci Patron, de Rui Lacas, em França (Paquet 2008), antes mesmo da edição portuguesa, ou pelo trabalho de Isabel Carvalho incluído no volume colectivo ...de ellas, publicado pelas Ediciones de Ponent (2006).
Também o acesso facilitado às tecnologias associadas à edição, sobretudo com o desenvolvimento da impressão digital e com a vulgarização de empresas que oferecem serviços que começam na pré-impressão e culminam na entrega do número de exemplares combinado à porta de casa do autor, autores sem espaço no mercado tradicional (e sem intenção de adaptarem a sua criação ao registo considerado "vendável" pelas editoras) têm editado o seu próprio trabalho, individualmente ou em plataformas colectivas. É esse o caso de artistas como André Lemos, Jucifer, Marco Mendes ou Miguel Carneiro, e de projectos como a Opuntia Books, A Mula ou a Chili Com Carne, bem como de editoras de pequena dimensão mas com um trabalho cuidadosamente gerido, como a Kingpin Books. (...)"
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Diz Domingos Isabelinho
"(...) Até há pouco tempo não existiam verdadeiramente historiadores de arte a trabalhar na área [da BD] (excepção feita a David Kunzle, que não chegou ao século XX na sua obra monumental) e muito poucos são os que existem hoje. A esmagadora maioria dos que realmente pretendiam fazer história vinham directamente do fandom e isso nota-se nos seus tiques de coleccionador (aquilo a que Renaud Chavanne chamou: "o complexo polaco"). É significativo, por exemplo, que estes autênticos historiadores-fãs nunca denunciem,quando referem o slapstick, a farsa e a sátira da primeira metade do século XX (ou mesmo mais recente), os laivos racistas e xenófobos (contra negros, asiáticos e irlandeses, principalmente) que se podem detectar facilmente neste tipo de banda desenhada. Idem para a aventura infantil maniqueísta, em que a forma é narratologicamente "formulaica" e linear, graficamente naturalista (sem abandonar as dominantes coloridas primárias e o desenho a tinta-da-china), a qual decorre, as mais das vezes, em locais exóticos em que os naturais (e os sidekicks dos heróis) são apresentados como subalternos (quando não de inteligência inferior).
Estas verdadeiras apologias da violência e do colonialismo são, para além disso, e como se não bastasse, extremamente misóginas pois as jovens e eternas namoradas dos heróis são apresentadas como seres passivos constantemente a necessitar de resgate (quando não brilham pela sua quase total ausência, como no caso da banda desenhada franco-belga da primeira metade do século XX).
(...) Mesmo que encaremos a banda desenhada de forma restrita, há mudanças de rumo, inflexões, revoluções, evoluções. Os primeiros sinais de mudança surgiram nos anos de 1960 com o chamado movimento underground. A contracultura desses anos trouxe uma ruptura com a indústria da banda desenhada. O movimento underground norte-americano introduziu temas "adultos" (o consumo de droga, o sexo), mas continuou a obedecer a estéticas industriais. O nome do underground mais importante a reter é, sem dúvida, o de Robert Crumb (o qual é tão fiel à sua condição de fã dos bonecos dos jornais e da Disney que, junto com a sua iconoclastia, herda o racismo e a misoginia referidos acima, embora se possa também argumentar que o olhar de Crumb é pós-moderno e irónico). Pessoalmente, no entanto, creio que a obra autobiográfica de Justin Green, Binky Brown Meets the Holy Virgin Mary (um ensaio sobre o complexo de culpa provocado por uma educação católica estrita), é a mais interessante e influente a surgir neste período. Outro autor underground importante, mas com uma personalidade que já reflecte o denominado período alternativo posterior (a saber: o abandono do slapstick e da sátira em favor de uma abordagem séria à sua própria vida quotidiana) é o argumentista Harvey Pekar.
Na Europa é importante o espírito que levou ao Maio de 68 e os ventos de libertação que este movimento político trouxe. Surgem algumas obras em que a mulher é protagonista, mas em que o olhar privilegiado (eroticizado) é o do criador (homem). É uma falsa libertação da mulher porque implica um olhar masculino sobre as heroínas (em aventuras que não diferem muito das fantasias infanto-juvenis de épocas passadas (refiro-me concretamente a Barbarella de Jean-Claude Forest ou Pravda La Survireuse com desenho de Guy Pellaert e guião de Pascal Thomas). (O verdadeiro feminismo pode encontrar-se nos Estados Unidos no comic book Wimmen's Comix e em França na revista Ah! Nana.) O mais interessante destas obras (e das de Moebius e Druillet, já agora) está no psicadelismo gráfico, expressão também privilegiada na efémera revista portuguesa Visão (doze números publicados entre 1975 e 1976 pela Edibanda, de Lisboa), obviamente ligada ao movimento hippie e ao consumo de estupefacientes.
Se Harvey Pekar teve ligações ao underground (Robert Crumb colaborou com ele), o também argumentista argentino Héctor Germán Oesterheld e o italiano Guido Buzzelli fazem figura de alienígenas porque produziram obras adultas (embora dirigidas, em princípio, aos adolescentes, no caso do primeiro, o qual sabia perfeitamente que os pais dos petizes também liam as suas histórias humanistas) e ideologicamente complexas que contrastam com o simplismo da banda desenhada infantilizada do seu tempo. Oesterheld criou uma ética de sacrifício que é o oposto do heroísmo machista das revistas para adolescentes. (Refiro-me sobretudoà série Ernie Pike). A obra e a vida de Oesterheld cruzam-se bizarramente porque ele, as suas quatro filhas e dois genros foram vítimas da ditadura militar argentina dos anos de 1970; com Oesterheld trabalharam os desenhadores Carlos Roume, Solano López, Hugo Pratt e Alberto Breccia, todos excelentes. Quanto a Buzzelli, questionou as utopias e o maniqueísmo, nas suas histórias Zil Zelub ou L'Agnone - uma mistura de ovelha e leão - onde o bem é tão ou mais letal do que o mal. Foi um dos primeiros artistas de banda desenhada a auto-representar-se como personagem em sequências oníricas onde recorda a sua própria infância. Foi também pioneiro do que mais tarde se chamou "graphic novel" (romance gráfico), expressão utilizada para substituir a desacreditada designação "comics" (banda desenhada). Tal sucedeu sob os auspícios do BISAC (Book Industry Standards and Communications) o qual autorizou a utilização da etiqueta "graphic novels" nas estantes das livrarias normais retirando, assim, a banda desenhada mais culta do gueto das livrarias especializadas. Em 1967 a revista japonesa Garo começa a publicar o enorme Yoshiharu Tsuge, autor de culto com uma voz onírica e poética muito próprias, autor da "banda desenhada do eu". Em França, Fred (Othon Aristides) produziu uma obra extremamente pessoal. Escusado será dizer que é com eles que começa verdadeiramente a arte da banda desenhada no campo restrito. Os artistas de banda desenhada libertavam-se finalmente da canga comercial para se expressarem livremente de forma adulta e responsável tal como a sociedade permite fazer aos outros meninos que brincam no pátio das artes. Para que tal fosse possível, um certo quebrar de barreiras rígidas entre a baixa e a alta cultura foi muito importante. Para que a noção de liberdade criativa proliferasse, sobretudo a partir do início dos anos 1990, a já citada ideia de romance gráfico foi também fundamental. Apesar disso, a verdadeira arte da banda desenhada continua num certo limbo comercial, sem conseguir completar a sua legitimação cultural.
(...) Não é fácil, neste breve resumo, dar uma ideia sequer aproximada da complexidade dos problemas que estão em jogo, das questões mais discutíveis e discutidas, da real diversidade desta arte. Basta olhar para os quiosques das nossas cidades para perceber como a banda desenhada já não mora ali. Da rua popular a banda desenhada passou para a livraria burguesa, mas, mesmo aí, a sobrevivência não se encontra assegurada. Talvez seja necessário que os livros de banda desenhada deixem as prateleiras envergonhadas do fundo e venham para espaços mais nobres dialogar com os representantes da literatura e da arte. Argumentos, penso que ficou demonstrado, já não parecem faltar-lhes.
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Diz Pedro Vieira de Moura
"(...) O propósito da exposição Tinta nos Nervos é dar a ver parte da produção da banda desenhada portuguesa, através de um foco de análise estética e de rigor artístico. Isto significa que existe um rol de outros pontos de partida que foram colocados de lado. O sucesso comercial, o seu papel como forma de entretenimento infantil, de massas ou outro, a sua relação com outros meios de expressão ou com os modos de distribuição, não são parte do instrumentário da escolha presente. Apesar da presença de dois autores históricos - Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Carlos Botelho (1899-1982) - também não se pretende dar a ver qualquer tipo de "evolução" ou linha histórica; e a incidência em autores vivos tenta abordar várias gerações, diversos modos de trabalho, e muitas presenças nos imaginários desta área, ainda que haja uma incidência maior para as transformações e as liberdades cada vez maiores que a contemporaneidade permitiu a esta linguagem. Dar a ver, portanto, uma escolha que, por um lado, emprega critérios híbridos que procuram respeitar a natureza já de si híbrida da própria banda desenhada, e por outro lado, se pode ser reduzida a uma fórmula, será a de "banda desenhada de autor".
(...) A vida da banda desenhada em espaços expositivos ou museológicos tem uma história tão simples quanto conturbada relativamente a outras disciplinas artísticas. Simples no sentido em que não conta com uma história longa e dispersa em casos que impeçam uma simples contagem; conturbada por cada um desses gestos se ter revestido de significados e métodos bem diversos entre si. Boa parte dessas exposições reveste-se de um encontro entre a high brow art, menos cotejando-se entre si do que do que descobrindo os aspectos mais superficiais de contacto (como a figuração , por exemplo), e podemos definir 1967 como uma possível data inaugural para esse diálogo, ano em que se apresentou a exposição Bande Dessinée et Figuration Narrative, em Paris, no Musée des Arts Décoratifs - Palais du Louvre.
Inversamente, isto é, exposições em espaços institucionais museológicos a albergar a banda desenhada por ela mesma, podemos apontar como exemplo a exposição que o Hammer Museum e o Museum of Contemporary Art, ambos em Los Angeles, co-organizaram em em 2005, intitulada Masters of American Comics, exclusivamente composta por trabalhos de banda desenhada de quinze dos seus "grandes nomes", e a exposição de Hergé, comissariada por Nick Rodwell e Laurent Le Non, no Centre Georges Pompidou, em Paris, em 2007. Uma outra exposição marcante, que levantou grandes e profundas questões sobre a forma como se poderá expor a "arte original" da banda desenhada, foi Les Musées Imaginaires de la Bande Dessinée, na Cité internationale de la bande dessinée et de l'image, em Angoulême, em 2002, na qual se mostravam trabalhos desta arte segundo os modelos expositivos de museus tais como os de história natural, de ciências e técnicas, belas-artes, ou mesmo os de uma galeria de arte contemporânea.
Em Portugal, poderão apontar-se as pequenas exposições monográficas que vão pautando os calendários de várias acções camarárias e/ou institucionais, as participações de artistas individuais - enquanto autores de banda desenhada - em pequenas ou médias mostras ou acções ditas "alternativas", e as exposições inerentes aos festivais ou instituições associadas à banda desenhada, um pouco por todo o país, as mais das vezes associadas a um lançamento editorial, a um capítulo histórico alvo de uma redescoberta ou reapresentação, uma data comemorativa, um concurso, uma antologia temática e/ou nacional, ou simplesmente a algo já empacotado de fora. Contar-se-ão pelos dedos aqueles que se pautam por critérios mais acertadamente intrínsecos ou estéticos da própria banda desenhada. Uma palavra de destaque deve ir para a exposição apresentada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, intitulada Banda Desenhada Portuguesa, comissariada por João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, em 2000. No entanto, essa exposição, que trouxe à luz um conjunto memorável de arte original de muitos dos autores que compõem a história da banda desenhada publicada em Portugal era isso mesmo: elementos históricos, sendo esse o critério que dirigia essa acção. Outra menção deve ir para o Zalão de Danda Besenhada, cujo foco circunscrito era feito sobre alguns autores independentes, apresentado na galeria Zé dos Bois, em 2000 (dos autores presentes em Tinta nos Nervos participaram Isabel Carvalho, Pedro Zamith, Marcos Farrajota e Janus), e que daria origem à editora MMMNNNRRRG. Presentemente, talvez possamos apontar como espaços expositivos regularmente abertos à banda desenhada as galerias Plumba, Dama Aflita, e a galeria da livraria especializada Mundo Fantasma, coincidentemente todas elas no Porto, mas todas elas com estratégias e focos diversificados entre si. (...)
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Título: Tinta nos Nervos Banda Desenhada Portuguesa
Título da capa impresso a cores sobre autocolante
Catálogo impresso em offset sobre papel Inaset e Popset cinza. Encadernação em bifólios fresados e colados à capa
198 páginas
Dimensões: 21x27cm
Preço:25€
Data da edição: Janeiro 2011
Editores: Museu Colecção Berardo e Centro Cultural de Belém
Praça do Império
1449-003 Lisboa
Livro-catálogo à venda na livraria do CCB
Distribuição: Chili Com Carne, pedidos encomendas para ccc@chilicomcarne.com
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Esta postagem é a "Parte 3 de 3", completando as imediatamente anteriores de 9 e 14 Jan., relacionadas com a exposição BD "Tinta nos Nervos" .