sábado, fevereiro 01, 2014

Festivais, Salões BD e afins




O 41º Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, edição de 2014, iniciou-se a 30 de Janeiro e termina hoje, 2 de Fevereiro, um Domingo, como sempre.
Nota: O cartaz do festival que se vê no topo do presente "post" é da autoria de Willem (Bernard Willem Holtrop), o Presidente eleito na edição de 2013.


41º Grande Prémio 2014 da Cidade de Angoulême
Os candidatos que se perfilavam com mais hipóteses, em conformidade com as previsões dos analistas, eram Bill Watterson, Alan Moore e Katsuhiro Otomo. Qualquer deles mereceria a distinção, mas foi Bill Watterson o vencedor - convém lembrar as personagens que lhe deram fama e direito a este prémio, Calvin e Hobbes -, e acontece pela terceira vez, depois de 2007, que um autor não francófono foi eleito para esta distinção máxima, após o argentino José Muñoz (2007), e o norte-americano Art Spiegelman (2011).



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OUTROS PRÉMIOS

MELHOR ÁLBUM 
 "Come Prima" - Obra da autoria de Alfred (argumento e desenho), em álbum de 220 páginas, edição da Delcourt.





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PRÉMIO DO PÚBLICO

"Mauvais Genre" - Obra de Chloé Cruchaudet (argumento e desenho).
Editora: Delcourt





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PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI

"La Proprieté" - Obra de Rutu Modan (argumento e desenho de um autor israelita).
Editora: Actes Sud



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PRÉMIO DO PATRIMÓNIO

"Cowboy Henk" - Obra da dupla Kama & Seele (Kamagurka e Herr Seele)



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PRÉMIO DA BD ALTERNATIVA

Onde há uma obra de origem portuguesa, em que estão seleccionadas as seguintes publicações:

AAH MA COPINE EST UN EXTRATERRESTRE (Le moule à gaufres - France) 
AKTION MIX COMICS COMMANDO (Belgique) 
ALIMENTATION GENERALE 5 (Éditions Vide Cocagne - France) 
ART MONSTRE (Café Creed - France) 

 

BDLP 3 (BDLP - Portugal) Fanzine luso-angolano, editado em Portugal por João Mascarenhas, é dedicado à banda desenhada lusófona, nomeado nesta lista de publicações independentes.
 
BISCOTO (Biscoto Éditions - France) 
CATAPULTE 8 (Catapulte - France) 
CHEVAL DE QUATRE (France) 
CIRCE 1 (Belgique) 
DELEBILE - Mother (Delebile - Italie) 
DERIVE URBAINE 5 (Une autre image - France) 
DIG 1 (Digression imaginaire généralisée - France) 
FANZINE CARRE (Hecatombe - Suisse) 
FATRAS (France) 
FLUTISTE (Flutiste - France) 
FORNO 8 (Forno - Israël) 
FREAK SHOW COMIX (Atelier Turut - France) 
GAZETTE DU ROCK 6 (Maison du rock - Belgique) 
GLOBAL (Global - France) 
GORGONZOLA 19 (L'égouttoir- France) 
HEARTS OF PALM (Israël) 
I KNOW IT'S PRETTY IMPRESSIVE (Suède) 
JOURNAL DE COEUR GRIS (Israël) 
KOMIKAZE 12 (Komikaze - Croatie) 
LIVRE D'IMAGES ECLECTIQUES (Les Mains Sales - France) 
LOK 03 (Lok Magazine - Italie) 
MARIA MAGAZINE 4 (Maria Magazine - Brésil) 
NOSDEBLEED SWEDISH MANGA ANTHOLOGY (Nosebleed Studio - Suède) 
NYCTALOPE 6 (Magnani - France) 
ORANG 10 (Reprodukt - Allemagne) 
PATATE DOUCE (Le Potager Moderne - France) 
PÂTÉ LORRAIN ! (Altata Comics - France) 
POLYCHROMIE (Polystyrene Editions - France) 
PURE FRUIT 6 (Pure Fruit - Allemagne) 
REVISTA CAFE ESPACIAL 12 (Brésil) 
SPEEDBALL 7 (Taga & Valice Prod - France) 
SPRING 10 (Allemagne) 
SUPERSTRUCTURE (Belgique) 
SWEDISH COMIC SIN 4 (suède) 
TAIWAN COMIX 6 (Taïwan Comics - Taïwan) 
TOK TOK 9 (Egypte) 
ULTRAMUNDO (Ultramondo - Argentine) 
VIGNETTE 5 (Vignette - France) 
ZEBRA 7 (France) 
ZELIUM 13 (Elium - France)


Como se vê, em Angoulême, os fanzines fazem parte da BD alternativa. 


Reproduzo em seguida, com a devida vénia, parte de um texto da entidade organizadora: 
On entend par bande dessinée alternative, l’édition aussi bien de petits magazines, plus communément appelés fanzines, que de revues de bandes dessinées ou de collectifs édités par et pour des fanatiques de bande dessinée. En janvier 2014, ce sera la 33e fois qu'il sera décerné !

Créé en 1982, ce Prix, décerné par un jury spécialement sélectionné à cette occasion, composé de spécialistes du domaine, a déjà récompensé les meilleurs publications du moment venant de l'Europe entière. Ce Prix prestigieux leur permet de mieux se faire connaître du public. 
 


O palmarés entre 1982 e 2012 :
...
1982 PLG (France) (*)
1983 Dommage (France)
1984 Lard-Frit (France)
1985 Pizza (France)
1986 Sapristi ! (France)
1987 Champagne ! (Suisse)
1988 Sortez la Chienne (France)
1989 Café Noir (France)
1990 Lézard (France)
1991 Réciproquement (France)
1992 Hop ! (France)
1993 Jade (France)
1994 Le Goinfre (France)
1995 Rêve-En-Bulles (Belgique)
1996 La Monstrueuse (France)
1997 Tao (France)
1998 Drozophile (Suisse)
1999 Panel (Allemagne)
2000 Faille Temporelle (France)
2001 Stripburger (Slovénie)
2002 Le Phacochère (France)
2003 Rhinocéros contre Eléphant (France)
2004 Sturgeon white moss (Grande Bretagne)
2005 Glömp et Laikku (Finlande)
2006 Mycose (Belgique)
2007 Canicola (Italie)
2008 Turkey Comics (France)
2009 DMPP (France)
2010 Special Comics (Chine)
2011 Arbitraire (France)
                                                                2012 Kus! (Lettonie)

(*) Na realidade, o título inicial deste categorizado fanzine era: "Plein la Gueule Pour Pas Un Rond" - PLGPPUR, (eu sei, estava lá nesse ano, e comprei-o). O título acabou mais tarde por ser reduzido a PLG.

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Este ano foi premiado o FANZINE CARRÉ (Uma realização do colectivo HECATOMBE - Suiça, Geneva).


Trata-se de um fanzine-objecto (tenho alguns na minha colecção, e estiveram expostos na Galeria Artur Bual, incluídos no Festival Internacional AMADORABD/2014).

Este FANZINE CARRÉ tem o formato de um cubo de 9cm de aresta. No interior há um bloco de 900 páginas de bandas desenhadas, subdivididas em porções de 9 páginas cada, que compõem 90 histórias, num confronto narrativo entre dois grupos de autores.

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Para finalizar, reproduzo a lista completa de obras vencedoras e respectivos autores:


Come Prima” do autor Alfred (Delcourt) - Prémio Melhor Álbum (Fauve d’Or)

La Propriété” de Rutu Modan (Actes Sud BD) - Prémio Especial do Júri


“Fuzz & Pluck" - Tomo 2,  de Ted Stearn (Cornélius) - Prémio da Série


“Le Livre De Léviathan”, de Peter Blegvad (L’Apocalypse) e “Mon Ami Dahmer” de Derf Backderf (Ça et Là), Prémio Revelação (ex-aequo)


“Cowboy Henk” de Herr Seele et Kamagurka (Fremok), Prémio do Património

 
“Mauvais Genre” de Chloé Cruchaudet (Delcourt), Prémio do Público

 
“Ma Révérence” de Rodguen et Wilfrid Lupano (Delcourt), Fauve polar


“Les Carnets de Cerise - Tomo 2 – Le Livre d’Hector” de Joris Chamblain e Aurélie Neyret (Soleil) -  Prémio Juventude

 
“Un Fanzine Carré” (fanzine editado por Hécatombe – Genève), Prémio da Banda Desenhada  Alternativa


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Para ver as postagens anteriores referentes a eventos de banda desenhada, ou que a incluam, bastará clicar no item: Festivais, Salões BD e afins, visível no rodapé      

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Coleccionadores e Colecções de BD (XII) - Fernando Burguete


Capa do livro Archives Hergé, editado em 1973, de grande interesse para coleccionadores, onde é reproduzida a banda desenhada "Tintin Au Pays des Soviets", a primeira protagonizada por aquele herói de papel criado por Hergé em 1929.


"Dê-me aí dez tostões para eu comprar o 'Tic-Tac' ", uma frase do entrevistado Fernando Burguete.



Título da entrevista que é reproduzida neste "post". 
Foi publicada originalmente na revista mensal "Coleccionando", em Setembro de 1987. 

 Ver abaixo imagens de capas de algumas das revistas mencionadas pelo coleccionador (várias outras que ele menciona já foram reproduzidas em entrevistas anteriores), e que escolhi ao acaso nas minhas próprias colecções:


1) Tic-Tac (Ano I, nº 3 - 12 de Março de 1931) - Capa de Tiotónio. Sob a capa, uma página de BD de Walter Booth

 Neste número, o preço ainda era de 5 "tostões", ou seja, 50 centavos

"Pelo Mundo Fora", obra de BD do autor inglês Walter Booth (página publicada no exemplar da revista Tic-Tac cuja capa se vê por cima), era a bd preferida pelo entrevistado (falecido em 2003), a primeira que leu e que o entusiasmou pelas "histórias aos quadradinhos".


2) O Mosquito (Nº 688 - 28 de Janeiro de 1946) - Capa de Eduardo Teixeira Coelho
  

3) O Gafanhoto (Nº 10 - 12 de Fevereiro de 1949) - Capa de Jesús Blasco


4) Colecção Modernos da Banda Desenhada (Nº 7 - Março 1974)


5) O Grilo (Ano I - Nº 1 - 25 Nov. 75) - Capa de Burne Hogarth



6) Jornal do Cuto (Nº 147 - 15 Agosto 1976) - Capa de Carlos Alberto (?)


7) Zakarella - Revista [mensal] de Mistério, Terror, Fantasia e Crime (Nº 27 - Dez. 1977) - Capa de Carlos Alberto



8) Colecção Galo (Nº 3 -1977)- Capa de Carlos Alberto (?)


9) Spirou (2ª série - Nº 1 - 10 Abril 1979) - Capa de André


10) Tintin (14º Ano - Nº 43 - 6 Março 1982) - Capa de Augusto Trigo


11) Selecções Tintin (Nº 2 - Trimestral - Março 1984) - Capa baseada em Hergé




12) Jornal da B.D. (Nº  165 - 21º Volume, 5º fascículo - 1 Out. 1985)- Capa de José Ruy


Entrevista feita em 1987


Fernando Mário Teixeira de Burguete nasceu em Coimbra (freguesia da Sé Nova), a trinta de Outubro de 1922. 
Mas logo aos dois meses já respirava os ares tropicais do Rio de Janeiro, para onde o pai o levara; aos sete anos voltaria a Portugal, agora com rumo a Lisboa. 
Tais andanças deveram-se ao facto de o pai, médico, se ter formado em Coimbra, de a mãe ser brasileira e, naturalmente, por interesses profissionais, o pai ter decidido regressar ao seu país, agora com destino à capital, para aqui exercer clínica.
Fernando Burguete não mais deixaria Lisboa. Aqui fez o Curso Geral dos Liceus, aqui viria a ser funcionário da Mabor, durante trinta e seis anos, exercendo vários cargos.
A sua carreira profissional, terminada no princípio deste ano de 1987, culminaria no cargo de administrador - durante dez anos - de uma empresa onde a Mabor tinha capital maioritário.
Apresentado que está o coleccionador nosso entrevistado, façamos-lhe a primeira pergunta:

- Quando começou a coleccionar revistas de Banda Desenhada?

- A primeira revista que comecei a coleccionar em Lisboa foi o "Tic-Tac", mas já tinha tido contacto com a revista "Tico-Tico".

- Das revistas que coleccionava nessa fase, qual a que tem maior significado sentimental para si?

- O "Tic-Tac", por ser a primeira, talvez. A seguir, "O Mosquito". É a tal coisa: o factor sentimental é muito importante. Pode até acontecer que a revista de que gostamos mais não seja a melhor, mas é por ter sido a primeira... Uma das coisas que mais me prendia no "Tic-Tac" eram as aventuras de Rob e Dan.

- Mas não era esse o título da série...

- O título era "Pelo Mundo Fora".

- E bem popular na época. Como posteriormente "O Mosquito" também viria a publicar essa série, suponho que o começou a coleccionar por tal motivo.

- Bem, com o "Tic-Tac" eu passei a gostar muito de banda desenhada. É natural, portanto, que, devagarinho, eu tenha começado a coleccionar outras revistas: "O Mosquito", a "Colecção Aventuras" (que também era de "O Mosquito"), e o "Diabrete". 

- Quais as colecções portuguesas que tem completas?

- Tintin, Spirou (1ª e 2ª séries), Jacaré, Jornal do Cuto, Herói (1ª e 2ª séries), Grilo, Super-Grilo, Êxitos da TV, Mundo de Aventuras Especial, (a do "Mundo de Aventuras" normal está incompleta), Mosquito (5ª série), Almanaque Mosquito, Dick Tracy, Visão, Colecção Lince, Modernos da Banda Desenhada, Desporto e Aventura, Colecção Jaguar, Gafanhoto (o do Roussado Pinto, dos anos setenta), Enciclopédia Mosquito, Zakarela, Vampirela, Pantera Negra, Selecções, Jornal do Cuto, Spirit, Videorama, Colecção Galo, Comix, Flecha 2000 (1ª série), Grandes Aventuras de Flash Gordon, Riquiqui, Titã, Jesus, Selecções Tintin, Jornal da BD, etc.
Também colecciono suplementos de jornais: além do "Quadradinhos" (destacável do jornal "A Capital", 1ª e 2ª séries),  que era praticamente uma revista, costumo recortar e encadernar as páginas já publicadas (ou ainda a publicar) em diversos jornais: "Correio da Manhã", "O País", "O Dia", "A Capital" eo "Diário Popular".

- E estrangeiras?

- Brasileiras: "Historieta" (8 volumes), "Tim e Tok" (3 vols.), "Os Biónios" (6 vols.); Espanholas: "Camello", "Chito" e "Chito Extraordinário".

- Entre as colecções e peças isoladas que possui, o que é que considera mais valioso?

- Das colecções, é a dos álbuns do Tintin, edição em francês. 
Isto é uma opinião pessoal, mas acho que esses álbuns a cores, já antigos, são muito valiosos.
Eu comprava-os à medida que iam saindo na Bertrand do Chiado (que era a única que havia). Lá guardavam-mos sempre.
Também dou muito valor a um pequeno álbum publicitário francês, editado em 1964, "Mission BX 415", e a alguns dos muitos fanzines que possuo.

- O Burguete seria, na altura, um dos raros portugueses a acompanhar a tal colecção dos álbuns do Tintin...

- Sim, naquela altura vinham poucos exemplares. Mais tarde é que a coisa começou a aquecer.

- Qual é a revista mais antiga que possui?

- Actualmente é o nº1 do Tintin, que começou em 1968.

- Diz actualmente porquê?

- Porque eu tinha outras colecções mais antigas, que me desapareceram.

- Está neste momento a coleccionar alguma revista portuguesa de BD?

- O "Jornal da BD". Neste momento não há mais nada. Ou pelo menos, que eu considere revista a sério.

- O "Mundo de Aventuras" acabou a 15 de Janeiro deste ano...

- Estava a comprá-lo também. Por acaso é a minha única colecção incompleta.

- Tem recordações agradáveis ligadas a qualquer das revistas que possui?

- Lembro-me perfeitamente do entusiasmo com que ia procurar o "Tic-Tac" à tabacaria próxima da casa onde morava. Isso era devido, principalmente, ao meu profundo interesse em acompanhar as peripécias da série "Pelo Mundo Fora".

- Nessa altura só conhecia o "Tic-Tac"?

- Na realidade só comprava essa revista. Mas lia "O Senhor Doutor", em casa de uns primos, e "O Papagaio" em casa de uns amigos de infância. Esses primos e esses amigos liam o "Tic-Tac" - e mais tarde "O Mosquito" - em minha casa.
Coisas de miúdos.

- Miúdos bastante entusiastas por aquilo que na época tinha o singelo nome de histórias aos quadradinhos, e que ocupava, em certa medida, o lugar que hoje ocupa a televisão e os jogos de vídeo.
Os vossos familiares apoiavam esse entusiasmo?

- Pois apoiavam. Muitas vezes eu ia ter com a minha mãe e pedia-lhe: 
Dê-me aí dez tostões para eu comprar o "Tic-Tac". 
Era o preço dele, era um escudo. 
E isso porque eu tinha cinco paus de semanada. Ora o eléctrico dos Restauradores a minha casa era cinco tostões, um escudo ida-e-volta; mais vinte e cinco tostões para o cinema, mais qualquer outra despesa, e esgotava o resto.
Por isso lá tinha de ir pedir um reforço, de vez em quando, para comprar o "Tic-Tac".

- Qual o preço mais elevado que pagou por qualquer peça da sua colecção?

- Até hoje, o máximo que paguei foi pelos "Archives Hergé". 
São quatro volumes, a uma média de 2.500$00 cada. Isto entre 1976 e 1981.


  
- Colecciona álbuns?

- Colecciono.

- Qual o critério que segue?

- O da qualidade, sem preocupação de sequência, e colecções completas dos heróis que me agradam.

- Quais heróis?

- Tintin, Astérix, Lucky Luke, Natacha, Comanche, Valérian, Blueberry, Yoko Tsuno, Jonathan, Cavaleiro Ardent, Norbert e Kari, Jonathan Cartland, Buddy Longway, Alix, Luc Orient, Clifton, Inspector Dan, Rocco Vargas, Adèle Blanc-Sec, Corto Maltese e, recentemente, John Difool.
Isto no que se refere a séries com heróis. Mas há outras séries que também me interessam, especialmente "Os Náufragos do Tempo", "Os Passageiros do Vento", etc.

- Colecciona mais alguma coisa?

- Miniaturas automóveis à escala 1/43, onde procuro fazer a história do automóvel por marcas.

- Quantos automóveis é que tem?

- A última vez que os contei eram 2010, mas depois disso já arranjei mais alguns.
  
- Tem alguma lembrança especial relacionada com o seu interesse pela Banda Desenhada?

- O meu início como leitor de Banda Desenhada nasceu por intermédio de uma velha tia minha que um dia me ofereceu os dez primeiros números do "Tic-Tac". Como nos visitava semanalmente, continuou a levar-me a revista durante alguns meses. Mas por ter adoecido, deixou de nos visitar. Então passei eu a comprar a revista, pois queria continuar a seguir as aventuras do Rob e do Dan,  na série "Pelo Mundo Fora".
Numa altura em que os adultos tinham uma certa má vontade contra o hábito da leitura da Banda Desenhada pelas crianças, é curioso que essa minha tia já pensasse de forma mais evoluída, e os outros meus familiares também se não opusessem.

- E tem alguma recordação triste relacionada com as suas colecções?

- Tenho esta: eu vivia com os meus pais numa moradia na Avenida da República. Essa moradia tinha uma cave onde estavam guardadas as minhas revistas de banda desenhada, devidamente acondicionadas por anos e títulos, tudo num armário.
O chão dessa cave era em cimento - escreva, que é importante, já vai ver porquê.
Num Verão em que fomos passar um mês à Ericeira, verificámos que a casa tinha sido assaltada. E provou-se que o assaltante se manteve vários dias na cave da moradia, fazendo fogueiras com as revistas de banda desenhada, para confeccionar a sua alimentação.
Por causa disso parei de coleccionar banda desenhada, com o desgosto que tive. Só mais tarde recomecei a comprar os álbuns do Tintin, a revista Tintin, e as outras que já mencionei.
Ainda hoje recordo o choque que tive nessa altura.

- Imagino. Qual o destino (melhor!) que prevê para as suas novas colecções?

- Ficarão para o meu afilhado, para quem a casa também irá ficar. Caso não as continue, pelo menos manterá as colecções que eu lhe lego.

- No seu caso tem o problema resolvido. Mas qual a solução que acharia ideal para preservar as valiosas colecções que muitos de nós possuímos?

- A entrega a museus. Aliás, já combinei com o meu afilhado: se ele algum dia tiver necessidade de se desfazer das colecções, deverá entregá-las a qualquer museu que as preserve.

- Que museu é que pensa que aceitaria essas colecções?

- Dou-lhe um exemplo do que se passa em França: visitei lá um clube de banda desenhada que estava a organizar um pequeno museu onde já existia um valioso espólio de revistas da especialidade. Esse embrião de museu ainda era primitivo, mas destinava-se a ser de acesso público no futuro.

- Onde é que viu isso?

- Numa cidade pequena, de que não me lembro o nome, próximo de Clermont-Ferrand.

- Por acaso eu também já tenho pensado que se o Estado (ou qualquer entidade privada, género Gulbenkian) desse um bom apoio económico e de instalações ao CPBD, poderia ser o nosso clube a organizar e a manter actualizado um Museu de Banda Desenhada. Sonhos meus, é claro...
Para terminar: qual a influência, para a BD, resultante da existência de coleccionadores?

- Os coleccionadores são os elementos-chave para guardarem as raridades doutros tempos, e fazerem a propaganda, junto da juventude, desses tesouros.     


É tendo em atenção os vinte e seis anos que entretanto se passaram, que esta entrevista deve ser lida. Repare-se que os preços mencionados pelo coleccionador ainda são em escudos, além de falar em tostões, até em "paus", formas de linguagem populares na época para referir centavos ou escudos, respectivamente.


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Os visitantes interessados em ver os onze artigos anteriores poderão fazê-lo, clicando no item Coleccionadores e Colecções de BD visível no rodapé     

sábado, janeiro 25, 2014

Exposições BD Avulsas (XLI)


Novas Aventuras de Tintim no Século XXI Criadas por Autores Portugueses é o título da exposição de BD que a partir de hoje, 25 de Janeiro, até 25 de Março, estará patente no Espaço Tintin - Av. de Roma, 39A - Lisboa. 

A inauguração está marcada para as 18h00, e estará presente o organizador da exposição - este mesmo blóguer - e alguns dos autores das bandas desenhadas curtas, numa só prancha, dedicadas à célebre personagem criada por Hergé.
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A prancha que ilustra o presente "post" é uma das bandas desenhadas expostas. O seu (talentoso) autor assina simplesmente Santo (chama-se Ricardo Santo).

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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes quarenta "posts" sobre exposições, poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé.       

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Palestras sobre BD (XIX)



"A Escrita na BD" assim se intitula a palestra que vai ser feita por André Oliveira, ele que é um dos mais prolíficos argumentistas/guionistas de banda desenhada da actual geração. 
O que o torna um tanto diferente dos seus pares, antigos e actuais - entre nós não são muitos, mas que os há, há - é que ele, para além de criar argumentos, gosta de fazer cursos para candidatos a argumentistas/guionistas, bem como tem capacidade e conhecimentos testados na prática para poder explanar teorias e conceitos acerca da criação de argumentos/guiões para a BD.

Eis o que certamente irá fazer hoje, 24 de Janeiro, 6ª feira, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana, situada na Rua das Travessas, Bairro do Moinho, Massapés - Tires, S. Domingos de Rana.

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Quem estiver interessado em ver notícias sobre palestras tratadas anteriormente, basta clicar no item Palestras visível no rodapé

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Autores portugueses editados no estrangeiro (VI) - Paulo Monteiro



Paulo Monteiro junta-se ao restrito grupo de autores portugueses de BD composto por Eduardo Teixeira Coelho, José Ruy e José Carlos Fernandes que têm obra publicada em considerável número de países.

No que concerne a Paulo Monteiro, tão alargada difusão cinge-se, por enquanto, a uma única obra, "O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias"(*). A sua qualidade estética e literária, tendo por base um profundo conteúdo humanístico, é de tal forma elevada que, em França, onde foi editada sob chancela de "6 Pieds Sous Terre", acaba de lhe ser atribuído neste mês de Janeiro de 2014 o prémio Sheriff D'Or, pela livraria Esprit BD, existente desde 1997, situada em Clermond-Ferrand.

Aliás, esta distinção vem juntar-se a duas anteriores, referentes aos prémios:

MELHOR ÁLBUM PORTUGUÊS AMADORA BD 2011, Portugal
MELHOR PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE CENTRAL COMICS 2011, Portugal

e está ainda nomeado para mais dois prémios, também em França:

PRIX LYCÉEN DE LA BD MIDI-PYRÉNÉES 2014
PRIX BULLES DE CRISTAL 2014

Tais distinções vêm comprovar a razão pela qual a obra se tem imposto como peça de edição prioritária a editoras dos seguintes países: 

Portugal
- O Amor Infinito que te tenho e outras histórias (edição portuguesa), Polvo, Novembro 2010 (1ª edição), e Janeiro 2012 (2ª edição)

Polónia
- Nieskończona miłość którą czuję do ciebie i inne historie (edição polaca), Timof i Cisi Wspólnicy, Março 2013.

França
- L’Amour Infini que j’ai pour toi  (edição francesa), 6 Pieds Sous Terre, Junho 2013.

Espanha
- El Amor Infinito que te tengo e otras historias (edição espanhola), Edicions de Ponent, Julho 2013.  

No Brasil, no Reino Unido e na Sérvia (no prelo)
- The Infinite Love I have for you and other stories (edição inglesa), Blank Slate Books.
- O Amor Infinito que te tenho e outras histórias (edição brasileira), Balão Editorial.
- (…) (edição sérvia, Komiko

Neste momento o livro está à venda em 8 países -
Bélgica, Canadá, Espanha, França, Luxemburgo, Polónia, Portugal e Suíça.

Quando sair a edição no Brasil, no Reino Unido e na Sérvia estará à venda em 15 países J :
Bélgica, Brasil, Canadá, Escócia, Espanha, França, Inglaterra, Irlanda, Irlanda do Norte, Luxemburgo, País de Gales, Polónia, Portugal, Sérvia e Suíça.

Paulo Monteiro, conforme me informou hoje mesmo, está a trabalhar no segundo livro, que se chamará “Estrela”. Em princípio estará acabado em 2016. Ficamos na expectativa de aí vir nova obra de nível superior. 


(*) A bd "Porque é Este o Meu Ofício", uma das dez que constituem "O Amor Infinito Que Te Tenho", está reproduzida na íntegra, aqui no blogue, na etiqueta "Curtas de BD (Autores Portugueses), no "post" de Maio 21, 2011 

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Os interessados em visitar anteriores "posts" desta etiqueta, relacionados com os autores:
António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Luís Henriques, Jorge Coelho, Eduardo Teixeira Coelho, Vasco Colombo, Nelson Martins
poderão fazê-lo facilmente, bastando para isso um simples clic no item Autores portugueses editados no estrangeiro, visível no rodapé

terça-feira, janeiro 21, 2014

Terror Magazine "Calafrios!" Nº2



Há quatro autores de BD (ou Comics) representados na segunda edição do magazine virtual Calafrios!, responsáveis pelas três bandas desenhadas de terror/horror que compõem o seu miolo.
São eles, por ordem de aparição nas páginas deste magnífico trabalho: Bob Powell, Howard Nostrand, Jack Cole e Jack Katz.

As bandas desenhadas realizadas pelo quarteto mencionado têm os seguintes títulos: "O Poço dos Condenados" ("The Pit of the Damned"), "O Terror da Forca" ("Hangman's Horror") e "O Homem Mais Feio do Mundo" ("The Ugliest Man in the World").

Eis as peças que podem ser vistas, com o bizarro apelo de um colorido que nos transporta para décadas recuadas. Não será de espantar, dado que elas foram publicadas originalmente no comic book "Horrific" nº3, datado de Janeiro de 1953, ainda livre do censório "The Comics Code Authority", que entraria em vigor a 26 de Outubro de 1954.

Este segundo número - que abre com uma sugestiva capa de Don Heck - tem a valorizá-lo um excelente texto de apresentação escrito por André Azevedo (do blogue "BD no Sótão", uma correcta tradução de Patrícia Azeredo, um conto intitulado "A Harpa", talvez da colaboradora Mafalda Santos, aka "Doc" Thor T. Ure, claramente um pseudónimo conotado com tortura, a condizer com o teor da sua "short story". E, "last but not the least", o bem arquitectado trabalho editorial da responsabilidade de Filipe Azeredo (do blogue "A Filactera". 

Ficha Técnica
Calafrios! - Vol. 1, nº 2 - Nov./Dez. 2013
Publicado pelo blogue "A Filactera" - Vila Nova de Gaia, Portugal
Director: Filipe Azeredo
Tradutora: Patrícia Azeredo
Colaboradores: Mafalda Santos, André Azevedo
Contacto: afilactera@gmail.com

Para poderem ver todo o webmagazine e folheá-lo lenta e gostosamente ao ritmo da leitura, aqui fica o endereço: 
 issuu.com/filacterabandadesenhada/docs/calafrios002_novdez2013

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Os interessados em ver o "post" anterior, relacionado com o nº1 de "Calafrios!" poderão fazê-lo clicando no item Terror Magazine visível no rodapé

domingo, janeiro 19, 2014

Guerra (I)




O acaso ("Hasard" é o título da banda desenhada) tem papel preponderante nesta curta de bd em oito pranchas, situada em plena guerra, mais concretamente na Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida por Grande Guerra (1914-1918). 

A peça de narrativa gráfica situa-se no Norte de França, onde um destacamento de soldados avança para as trincheiras, e é lá que os vamos encontrar em Dezembro de 1916.

Acompanhamos um soldado que, por acasos sucessivos, se vai safando de morrer em explosões várias. 
De certa maneira, há alguma dose de ironia na ficção do escritor Erich Maria Remarque, ao criar uma forte expectativa nas andanças do soldado que se vai safando da morte por se afastar casualmente - nem que seja apenas para ir buscar tabaco a um outro abrigo que tem um pacote de "Gitanes" (passe a publicidade) -  no momento exacto das explosões.

Uma interpretação ligeira de uma curta passagem do romance "À L'Ouest Rien de Nouveau" (" A Oeste Nada de Novo"), aproveitada por Arnü West, que surpreende pela simplicidade, em paralelo com a expressividade, no  desenho das personagens. 
Uma pequena peça de elevada qualidade, que a cor dada por Albertine Ralenti (mais uma boa colorista) valoriza - de que extraí um excerto, com a devida vénia aos editores da revista L'Immanquable (nº36 - Jan.2014).

Ilustram o presente "post" (de cima para baixo):

1) Prancha inicial da bd "Hasard" (página 30 da revista)
2) 4ª prancha, na página 33 
3) 7ª prancha, na página 36
4) 8ª prancha (última) na página 37
5) Capa da revista "L'Immanquable La BD en Avant Première"