Em Viseu há um núcleo de apaixonados da BD, pequeno mas muito activo, integrado num colectivo institucional, o GICAV - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, onde se destaca o professor Carlos Alberto Almeida, membro do GICAV e coordenador do Salão Internacional de Banda Desenhada que se realiza naquela cidade, já com dezoito edições (embora sem periodicidade regular, mas tendencialmente bienal).
Para além dessa tarefa, o GICAV, em especial pela acção contínua daquele professor, pintor, e animador cultural, organiza também, ainda na área da BD, exposições dedicadas a autores e personagens de banda desenhada, quando coincidentes com efemérides.
É o caso da que tem por fulcro Batman, que está patente ao público até ao próximo dia 30 do corrente mês de Novembro (*), no IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude - Direcção Regional de Viseu, na Rua Doutor Aristides de Sousa Mendes.
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(*) A inauguração deste evento, no dia 3 de Novembro, foi bem divulgado na blogosfera.
A opção do presente bloguista foi diferente, ou seja, preferiu aguardar pela proximidade do fim da exposição para chamar a atenção do público visitante deste blogue para o facto de ainda ter alguns dias para a visitar.
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BATMAN
Síntese biográfica de um herói de BD

De facto, em Maio de 1939, no nº 27 da revista Detective Comics, surgia uma personagem, um ser humano normal, chamado Bruce Wayne. Sem super-poderes, portanto, mas dotado de inteligência invulgar e físico poderoso, que irá por ao serviço da sua missão primeira: vingar a morte de seus pais, de que foi testemunha quando era criança.
Assim, a noite da megalópole Gotham City passou a ser o tempo e o local em que o jovem milionário, usando uma capa semelhante a asas de morcego e com o rosto tapado por uma máscara, persegue criminosos com o fito de erradicar a criminalidade.
Embora inicialmente actuasse sozinho, em breve passou a ter um pupilo de nome Dick Grayson, também órfão, que passou a ser conhecido por Robin.
Para uma série com tal duração - 75 anos! -, é compreensível que a lista de autores que nela têm colaborado já seja bem extensa. Não será curial nomeá-los todos, mas seria injusto não citar, entre os argumentistas, Bill Finger (o criador ficcional), Gardner Fox, Jack Schiff, Bill Woolfolk, Otto Binder, e... Frank Miller.
Quanto aos desenhadores, após o criador Bob Kane, segue-se-lhe, cronologicamente e não só, o seu assistente Jerry Robinson (*) que deu grande dimensão ao vilão Joker (Jolly Joker) - um dos vários carismáticos vilões criados ao longo das enumeráveis aventuras, casos de Penguin, Clayface, Riddler, Scarecrow, o par inconfundível de Tweedledee e Tweedledun, e a atraente Catwoman, que viria a apaixonar-se por Batman.
Em 1964, o editor Julius Schwartz, e os autores/ilustradores Carmine Infantino e Murphy Anderson resolveram modificar o visual do Homem-Morcego, além de, com eles, as aventuras terem enveredado por um cariz mais decididamente policial.
Pelos anos 1970, alguns autores - designadamente Ross Andru, Frank Robbins, Neal Adams, Jim Aparo, Irv Novick, Walt Simonson - criaram novas facetas estéticas e mesmo ficcionais.
Atraídos pela personagem, outros argumentistas/escritores e autores/desenhadores foram participando na sua concepção, criando diferentes tipos de enredos e variando o conceito cromático e estilístico. Entre os primeiros destacam-se Jim Starlin e Alan Moore, sobressaindo nos segundos os nomes de John Byrne, Gene Colan, Berni Wrightson e Frank Miller.
Principalmente este último, na dupla função de argumentista e desenhador, consegue um êxito imenso com a série "The Dark Knight Returns". Em 1988, Miller assume-se apenas como argumentista, entregando a David Mazuchelli a componente gráfica na obra "Batman - Year One".
Nesse mesmo ano, o extraordinário criativo Brian Bolland desenha "The Killing Joke" sob argumento de Alan Moore, enquanto que Berni Wrightson (desenho) e Jim Starlin (argumento) criam a obra "The Cult".
É óbvio que, a partir de Frank Miller, Batman passa a ser concebido tendo como alvo principal um público com elevado nível mental e intelectual. Continua a ser, fundamentalmente, um justiceiro, mas cada vez mais envolvido em violência, numa faceta até algo ambígua, abrangendo ostensivamente uma problemática direccionada para apreciadores social e culturalmente diferenciados, que já nada tem a ver com o público juvenil para o qual o herói de "comic books" tinha sido concebido no início.
Também a recorrente utilização de Batman no universo cinematográfico tem contribuído para a consolidação da personagem como uma das mais marcantes na área dos super-heróis, bem como na história da BD em geral.
Fontes consultadas:
- The World Encyclopedia of Comics, edited by Maurice Horn (Chelsea House Publishers, Philadelphia, USA)
- Dictionnaire Mondial de la Bande Dessinée, de Patrick Gaumer e Claude Moliterni (Larousse-Bordas, France)
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