quarta-feira, março 07, 2012

Festivais, Salões BD e afins - (Porto) MAB Invicta - 1º fim-de-semana - 10/11 Março



Um novo evento dedicado à BD nasce no Porto, em 10 de Março de 2012, sob o título de Festival Internacional de Multimédia, Artes e Banda Desenhada - MAB Invicta.

Mais concretamente, no que concerne a datas, o festival portuense realizar-se-á em dois fins-de-semana consecutivos - dias 10 e 11, Sábado e Domingo, e 17 e 18, também Sábado e Domingo -, o que é, convém justamente reconhecer, uma forma bastante original, além de constituir uma estratégia pragmática de ultrapassar as dificuldades económicas actuais. 

Merece igualmente que se sublinhe a ideia invulgar e inédita em Portugal de se utilizarem instalações universitárias para a realização deste festival. Com efeito, o espaço central do MAB Invicta é a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (imagem acima).

Há ainda mais um espaço complementar para diferentes itens do programa do MAB Invicta: a Casa Viva.


Outro dos aspectos que justifica realce é o abandono dos dias de semana para o decurso das actividades,  que costumam ser "tempos mortos", digamos assim, nos restantes eventos bedéfilos portugueses, optando por privilegiar apenas os fins-de-semana, especialmente acessíveis à grande maioria da população.

Este novel festival vai incidir não só sobre banda desenhada, mas também inclui cinema - dos filmes "normais" aos de animação -, ilustração e literatura, tal como dá a entender o titulo ambicioso com que se apresenta.

Tem como entidade organizadora a Livraria Indie Arts, essencialmente dedicada à BD. O seu proprietário, Manuel Espírito Santo, afirma com orgulho que o festival Mab Invicta é totalmente privado, sem qualquer apoio do Estado, nomeadamente da Câmara Municipal do Porto.

Convém, antes de mais, esclarecer o seguinte: enquanto que, nas instalações da FBAUP estarão presentes os autores, nacionais e estrangeiros, nas habituais sessões de autógrafos, a CasaViva-Espaço Temporário Multicultural acolherá as exposições e a programação paralela, sendo lá apresentadas as novidades editoriais, bem como a realização de concertos. 

Vejamos agora, nas suas linhas gerais, o programa:
10 de Março (Sábado)

Abertura 10h30 - Orquestra de Canidelo com temas de Banda Desenhada e Cinema: Simpsons, Tom & Jerry, Exterminador Implacável, Blade Runner, entre outros

Autores presentes a partir das 14:30 
para a sessão de autógrafos:

Estrangeiros:
- Melinda Gebbie
- David Hine
- Lars Henkel
- Ulf K.
- Anke Feuchtenberger
- Kai Pfeiffer
- Dominique Goblet
- Oliver Deprez
- Denis Deprez

Portugueses:
- Regina Pessoa
- Ricardo Cabral
- Hugo Teixeira
- João Mascarenhas
- Geral e Derradé
- Colectivo – A Zona
- Rui Dias Sena
- Marcos Farrajota e Joana Pinto

Programação paralela à sessão de autógrafos:
- 12h00: Apresentação de Jorge Ferreira sobre a extensão e o projecto Casa Viva do MAB
- 14h30: Apresentação do filme “Zepe” (por Diogo Stuart e Manuel Espírito Santo)
- 15h00: Entrevista áudio a Stuart de Carvalhais (através de vinil) e conversa com familiares
- 15h30 : Entrevista à autora Melinda Gebbie para o MAB e para o blogue “Leituras de BD”
- 16h30: Exibição das animações de Regina Pessoa com a presença da autora “História Trágica com Final Feliz” e “A Noite”
- 17h00: Primeira apresentação mundial do livro ilustrado por Melinda Gebbie acerca das suas memórias desde os anos 70
- Primeira apresentação mundial do livro ilustrado por Melinda Gebbie para a adaptação de Alan Moore de um poema do poeta William Blake
- 18h00: Exibição do filme “Vinzent” do realizador alemão Ayassi, vencedor do prémio do jurí da crítica do Festival Internacional de Cinema Fantasporto em 2005 com introdução de Lars Henkel e Manuel Espírito Santo

Programa para
11 de Março - Domingo

Autores presentes a partir das 14:30
para a sessão de autógrafos:

Estrangeiros
- Melinda Gebbie
- David Hine
- Lars Henkel
- Ulf K.
- Anke Feuchtenberger
- Kai Pfeiffer
- Dominique Goblet
- Oliver Deprez
- Denis Deprez


Portugueses
- Regina Pessoa
- Ricardo Cabral
- Hugo Teixeira
- João Mascarenhas
- Geral e Derradé
- Colectivo – A Zona
- Rui Dias Sena
- Marcos Farrajota e Joana Pinto


Programação paralela à sessão de autógrafos
- 14h30: Animações do projecto “Dialectus”: “No Mundo da Lua” e “Zeca e Zuzzie (1º episódio)
- 16h00: Exibição de animações de Lars Henkel com apresentação de Manuel Espírito Santo
-  Melinda Gebbie com o exclusivo MAB de projecção futura de dois livros:
1) livro de memórias de Melinda Gebbie
2) livro ilustrado por Melinda Gebbie com adaptação de Alan Moore de um poema de William Blake
- Apresentação de curtas-metragens internacionais por Marcos Farrajota:
- Dunga don't Cry de Vladimir Palibrk (Sérvia);
- A little song about my diseases: 1) Psoriasis 2) Candida Albicans 3) Cannibalistic bulimia de mina anguelova (Portugal);
- Punk Machine de Grrr (Suiça);
- Promotion canopée de Toffeur (França);
- Pedro Zamith : o Walt Disney underground de João Tocha (Portugal);
- Deep in space de Laur Balaur (Roménia);
- It's moving de André Ruivo (Portugal);
- Infinite girlfriend (vídeo-clip de Mincemeat or Tenspeed) de Javier Fabregas (Espanha);
- Dilúvio de Manuel Pereira (Portugal);
- Devir ii (vídeo-clip de Ghuna x) de André Gil Mata, Dinis Santos e Miguel Marinheiro (Portugal).

- 17h00: On the quest for beograd underground, Espanha/Sérvia, 65' de Muriel Buzarra, Natsa Sarkic e Carlos Lopez: Documentário sobre as movimentações alternativas de Belgrado que passam pela banda desenhada, música, artes plásticas ou áudio-visual.
A Sérvia vive um momento eufórico de produção artística após vários anos de guerra, sanções económicas e regimes ditatoriais.
Curiosamente são entrevistados muitos autores e activistas da bd como o conhecido Aleksandar Zograf, e ainda Wostok, Septic, Vladimir Palibrk ou Johanna Marcadé.

Outros factos de interesse relativamente aos autores presentes:
- Lars Henkel: Lançamento mundial do novo livro ilustrado de Pete Seeger
- Kai Pfeiffer: Primeira exposição mundial com originais do livro que está a elaborar com Dominique Goblet “Si Entente”
- Dominique Goblet: Primeira exposição mundial com originais do livro que está a elaborar com Kai Pfeiffer “Si Entente”
- Anke Feuchtenberger: Livros exclusivos da autora para o festival MAB

- Venda de livros exclusivos dos autores assim como serigrafias, originais e prints

Exposições:
- Sama: Exposição inédita de originais, prints e serigrafias deste novo e grande artista brasileiro.

- Exposição póstuma a Sergio Bonelli com fotografias deste autor/editor nas viagens que fez.
Com texto de José Carlos Francisco, dinamizador da personagem Tex em Portugal, esta exposição apresentará diversas pranchas inéditas para mais um Tex Gigante, realizadas por Fabio Civitelli que estará presente no festival, no fim de semana de 17/18 Março.

- Exposição Zakarella cedida por Nuno Amado (prints de Carlos Alberto e originais de outros autores sobre esta personagem mítica)

- Exposições na extensão do MAB na Casa Viva do Colectivo Zona
Rudolfo da Lodaçal Comix, da Chili com Carne e de novos talentos.
E também concertos de bandas nacionais e internacionais a partir das 18h00 até às 22h30.
(Ver programa em separado, mais abaixo)

- Exposição dedicada aos 75 anos da personagem Príncipe Valente
Coordenação do estudioso e editor Manuel Caldas
Estação de metro de São Bento

- Exposição dedicada a Stuart de Carvalhais
no Museu Nacional da Imprensa
Título da exposição: “Stuart BD & Azulejos”
Patente de 10 de Março a 31 de Maio (em parceria com o MAB)
Horário: Todos os dias das 15h às 20h

- Exposição dedicada a Stuart de Carvalhais
no Palacete dos Viscondes de Balsemão
(em parceria com o MAB).
Praça de Carlos Alberto, nº 71
. Horário: 2ª a 6ª das 9h às 20h. Entrada grátis

Editoras e livrarias presentes nas bancas:

- Invicta Indie Arts
- Fnac
- Necomi com o apoio da Pressplay
- Dr. Kartoon
- Chili com Carne
- Bancas com todos os livros dos autores nacionais e internacionais

Concertos na CasaViva
Entrada grátis
sábado, dia 10
20h Protest and Serve (Porto)
21h Dead October (Porto)

domingo, dia 11
19h Paulette Wright (França)
20h Dirty Coal Train (Viseu)
21h Trashbaile (Porto)

sábado, dia 17
18h Old Trees (Coimbra)
19h Dead by Pregnacy (Porto)
20h Conto do Vigário (Lisboa)
21h No No (Viseu)

domingo, dia 18
18h Tiger Picnic (Viseu)

Vai haver um
Porto de Honra oferecido pela Niepoort ao MAB e a todos os seus visitantes

Locais onde se realiza o evento

1) Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
Avenida de Rodrigues de Freitas, 265 - Porto

2) CasaViva - Espaço Temporário, Multicultural
Praça Marquês de Pombal, nº167 - Porto 

Preços para o Festival:
3.50€ por dia
6.00€ Sábado e Domingo
10€00 os dois fins de semana

contacto: festivalmab@gmail.com

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Comentários e alterações "a posteriori" deste bloguista, escritos agora, aqui (no Porto, na "Casa Viva") , uma das várias extensões do núcleo central do MAB (no edifício da Faculdade de Belas Artes).

Autores que constavam do programa, mas que não compareceram):

Estrangeiros:
Ulf K
Anke Feuchtenberger
Denis Deprez

Portugueses:
Hugo Teixeira
Geral e Derradé
Filipe Abranches

Músicos que constavam dos Concertos na Casa Viva mas que não compareceram:

Protest and Serve (do Porto)
(Foram substituídos por Trashbaile (também do Porto)

Nota pessoal:
Estou aqui na "Casa Viva" a utilizar um velho computador Hewlett Packard para escrever estas notas adicionais. 
Já visitei as exposições de Ilustração e BD nos três andares deste prédio antigo na Praça Marquês de Pombal (sim, há algumas coincidências toponímicas entre Lisboa e Porto), e aproveito a oportunidade para escrever estas notas, a fazer tempo para assistir ao concerto da francesa Paulette Wright 
Mais uma vivência que estou a fruir inesperadamente, com imenso prazer.
Domingo, 11 de Março  
    
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Para ver postagens anteriores acerca de Festivais BD, bastará clicar no item Etiquetas: Festivais de Banda Desenhada e Prémios respectivos, visível no rodapé

domingo, março 04, 2012

Tertúlia BD de Lisboa - 332º Encontro - Fevereiro 2012

Luís Rainha é, entre outras coisas, autor de BD. Isto numa área menos notória: escreve argumentos, ou seja, é argumentista de banda desenhada. Vai ser o Homenageado da Tertúlia BD de Lisboa, no seu 332º encontro mensal.

Falando dessa "ave rara" que é um argumentista: Qualquer apreciador de BD é inicialmente atraído para a compra de um álbum/livro pelo fascínio das imagens, ponto de partida para o interesse pela obra. Mais tarde, após a leitura, surge a opinião final: os desenhos são muito bons,o argumento é uma merda. E, muito provavelmente, o apreciador de BD não comprará mais nenhum volume daquela série. Donde a ilação: sendo o desenho o primeiro factor de interesse por uma peça de banda desenhada, vai ser o nível ficcional do argumento/guião o elemento que influenciará, em última análise, a decisão final do leitor/visionador. Daí que, muito embora os nomes dos argumentistas raramente atinjam nomeada (com pouco mais de uma dúzia de excepções bem conhecidas dos iniciados na BD). 

Luís Rainha, até mesmo em Portugal, é pouco conhecido como argumentista. No entanto, tem a seu crédito argumentos/guiões para várias bandas desenhadas de índole diversa, publicadas em álbum.
O seu parceiro habitual na área do desenho tem sido Jorge Mateus, sendo que ambos surgem a assinar "Os Putos de Hoje Não Sabem Nada do 25 de Abril" (2001), "Apocalípticos e Internados" (2007), "O Futuro Tem Cem Anos" (2008).

Já em 2012 escreveu o livro "18 Palavras Difíceis" que, caso não totalmente inédito mas muito invulgar, inclui uma banda desenhada de treze páginas, com desenhos de João Fazenda, sob argumento de Luís Rainha.
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A ilustrar o "post" está a capa do álbum "O Futuro Tem Cem Anos" e três páginas da banda desenhada, assim como a capa do álbum "Apocalípticos e Internados" e duas das suas bedês. 
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LUÍS RAINHA

Biobibliografia

Luís Rainha é publicitário, sendo hoje director criativo da agência Laranja Mecânica.

Estudou primeiro engenharia civil e depois licenciou-se em sociologia. Em 1997 e 1998, foi co-autor do programa da SIC “Filhos da Nação”. Ao longo dos anos, colaborou com diversos blogues: “5 Dias”, “Aspirina B”, “Vias de Facto”,  “Blogue de Esquerda”.

O seu trabalho no universo da BD e da animação fez-se, enquanto autor e editor,
sobretudo em parceria com o desenhador Jorge Mateus.
Primeiro na revista “Super Jovem”, da Disney, com as aventuras do Raffa, com o seu “Diário de um Radical”.

Depois, surgiu a colaboração com o jornal “Já!”, com uma tira de sátira política, os “Manicomics”. Após o fecho deste semanário, a tira ressuscitaria, até assistir ao fecho de mais um jornal. Muito deste trabalho a acabou coligido no livro “Apocalípticos e Internados”, da editora Má Criação.

Esta editora, de que Luis Rainha foi gerente, editou ainda as colectâneas “Sempre!”, reunindo histórias publicadas pelo “Público” para comemorar o 25.º aniversário da Revolução dos Cravos, e “Dias Eléctricos” – dois títulos que congregaram autores como Nuno Saraiva, João Fazenda, Jorge Mateus, Daniel Lima, André Carrilho, Susana Carvalhinhos, entre outros. Este último livro contou exclusivamente com argumentos de Luis Rainha.

Já em 2001 tinha organizado, sempre com Jorge Mateus, a edição do livro “Os Putos de Agora Não sabem Nada do 25 de Abril”, da Associação de Municípios do Distrito de Setúbal. Escreveu o guião do filme de animação "Dez Contos", produzido com apoio do ICAM e realizado por Jorge Mateus. Coordenou editorialmente e escreveu as ficções do livro ilustrado “Noites de Lisboa”, em 2001. Lançou, sob pseudónimos, as obras de ficção “Últimas Palavras” (contos, com ilustrações de J. M.) e “O Último Segredo de Fátima” (romance).

Em 2008, surgiu o álbum de BD “O Futuro tem 100 Anos”, inserido nas comemorações do centésimo aniversário da implantação da CUF no Barreiro. Os desenhos, inevitavelmente, ficaram a cargo de Jorge Mateus.

Já em 2012, lançou o livro de contos “18 Palavras Difíceis”, editado pela Tinta da China; este título, menção honrosa no último Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, inclui uma história de BD, desenhada por João Fazenda. Algo que, pelo menos em Portugal, configura uma coabitação inédita...

Luís Miguel de Castro Rainha Moura, 19 de Julho de 1962, Figueira da Foz.
                                                                                                          Geraldes Lino
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"Tertulianos" presentes neste 332º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.
Listagem elaborada "a posteriori".

1. Adelina Menaia
2. Alexandra Fernandes
3. Álvaro
4. Ana Marques
5. Ana Saúde
6. Ana Velez
7. André Fidalgo
8. André Oliveira
9. Carlos Páscoa
10. Catarina Costa
11. Cristina Amaral
12. Diana Valente
13. Falcato
14. Geraldes Lino
15. Helder Jotta
16. Inês Ramos
17. Joana Andrade
18. João Amaral
19. João Baptista
20. João Figueiredo
21. J. Mascarenhas
22. João Sequeira - JAS
23. José Lopes
24. Luís Rainha - Homenageado
25. Machado-Dias
26. Manuel Valente
27. Miguel Peres
28. Nuno Amado "Bongop"
29. Nuno Duarte "Outro Nuno"
30. Nuno Marques
31. Nuno "Nico" Leitão
32. Pedro Bouça "Hunter"
33. Rechena "Zarzanga"
34. Rui Domingues
35. Sílvia Ribeiro
36. Simões dos Santos
37. Sónia Rodrigues
38. Spínola Rodrigues
39. Tiago Albuquerque
40. Vanessa Machado
41. Vasco Câmara Pestana
42. Viçoso, Isabel
43. Vítor Hugo Nascimento
44. Victor de Jesus

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Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens poderão fazê-lo clicando no item Tertúlia BD de Lisboa, incluído em rodapé
      

quinta-feira, março 01, 2012

BD portuguesa em jornais (CXXXIII)


"No Japão, quando um empresário ou alto funcionário descobre que a sua má gestão leva ao desastre da sua empresa e à consequente ameaça de postos de trabalho, em vez de culpar os seus trabalhadores, comete seppuku. Neste mundo, a perda de dignidade na sociedade conduz ao suicídio."

Legenda do cartucho inserido na segunda das duas vinhetas geminadas - assim baptizo eu este formato -, uma solução gráfica usada sistematicamente por Nuno Saraiva em todas as 268 bandas desenhadas (a duas pranchas cada) com que preencheu a rubrica "Na Terra Como no Céu" entre 16 Set. 2006 e 27 Jan.2012.

A colaboração de Nuno Saraiva com o semanário Sol, através das bedês reproduzidas na revista/suplemento Tabu, terminou abruptamente, com a banda desenhada "Seppuku", cujas pranchas ilustram o topo do presente "post" onde, a certa altura da sequência (1ª vinheta da 2ª página), se lê o que diz o autor/comentador: "No nosso mundo o patrão não tem culpas e não sente que falhou. Cria um sistema de gestão baseado no stress e na ameaça".

No que concerne ao despedimento do empregado "free lancer" Nuno Saraiva: razões orçamentais foi o motivo com que o justificou o patrão do Sol (seja quem for que lhe transmitiu a ordem, ele representava o [invisível?] patrão).

Assim se eclipsou a única banda desenhada com consistência e nível gráfico em publicação semanal num jornal nacional de grande tiragem.
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Os visitantes habituais da blogosfera sabem como fazer para os textos das bandas desenhadas ficarem bem legíveis. Mas para quem tem pouca prática, aqui fica uma ajuda: um clique inicial sobre a imagem faz a primeira ampliação; a seguir o cursor toma o aspecto de uma lente, e volta-se a clicar. O texto fica então suficientemente legível.
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("Post" 7 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos cinco anos e meses de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!
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Vale a pena visitar o blogue do Nuno Saraiva onde ele tem excertos das 536 bandas desenhadas que compõem a série "Na Terra Como no Céu" (depois de lá chegarem, cliquem na rubrica "Mosaico", na barra das etiquetas situada no topo). Um autêntico esplendor!
http://naterracomonoceu.blogspot.com

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quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXXXII)

"A Grande Farsa da Maçonaria de LéoTaxil" é o título de uma entre tantas bandas desenhadas (268!) que Nuno Saraiva realizou semanalmente para a rubrica Na Terra Como no Céu, publicada na revista/suplemento Tabu do hebdomadário Sol.

Logo na segunda vinheta, aparece a seguinte legenda: "Parece que já não é segredo falar da Maçonaria. Falemos então de Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès, mais conhecido por Léo Taxil".

Ora este Léo Taxil, nome literário do Marie Joseph (apesar do nome feminino, tratava-se de um indivíduo de sexo masculino), chegou a ingressar na maçonaria em 1881, mas por ter sido expulso passou a ser um escritor anti-maçónico, posição bem evidente se tivermos em conta os seguintes títulos dos seus livros: "L'Antéchrist ou l'Origine de la franc-maçonnerie", "Les Assassinats maçonniques" (elementos que extraí da Wikipedia, com a devida vénia).

Figura controversa, apoiada numa certa fase pela igreja católica (chegou a ser recebido em audiência pelo Papa Leão XIII - de novo o meu agradecimento à Wikipédia), foi a personagem principal da banda desenhada que se atreveu a mexer no tema actualmente muito em foco, a maçonaria, que até há poucos anos era um misterioso tabu.

Nuno Saraiva, o seu autor, tomou partido claramente quando, na legenda da última vinheta da bd publicada na Tabu de 13 Janeiro 2012, escreveu:
"Hoje podemos tirar deste episódio verídico uma ilação: se até um papa caiu nas palhaçadas da maçonaria, por que não três líderes parlamentares?"

Duas semanas depois, na edição da Tabu de 27 Janeiro, saía a última bd da série, visto que seria dispensada a colaboração do Nuno, com a habitual desculpa nos tempos de crise que correm: problemas orçamentais...

"Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay" - deu-me agora vontade de citar aquela desconcertante frase popular espanhola.
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("Post" 6 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos cinco anos e meses de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!

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Vale a pena visitar o blogue do Nuno Saraiva onde ele tem excertos das 536 bandas desenhadas que compõem a série "Na Terra Como no Céu" (depois de lá chegarem, cliquem na rubrica "Mosaico", na barra das etiquetas situada no topo). Um autêntico esplendor!
http://naterracomonoceu.blogspot.com
e também a das suas ilustrações
http://nunosaraivaillustration.blogspot.com
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terça-feira, fevereiro 28, 2012

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXXXI)




"Também Roma conheceu tempos de crise", escreveu Nuno Saraiva a iniciar o episódio "Cleópatra e Marco António", mais uma banda desenhada a cores publicada pelo jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu (edição: 1 Abril 2011).

Fazer duas pranchas de BD por semana não é tarefa ao alcance de qualquer banda-desenhista, não apenas pela componente de desenho, mas especialmente pela elaboração do argumento/guião.
Cada autor completo de BD tem de ter dois tipos de talento: o de ficcionista e o de desenhador. Após imaginar o enredo (ou seja, o argumento), o autor tem de o sintetizar num guião (onde descreve os locais da acção e os diálogos), e em seguida transformar tudo em imagens.

Nuno Saraiva fez tudo isso, a "solo", na série Na Terra Como no Céu, entre 2006 e 2012. Teve necessidade de arquitectar, todas as semanas, uma breve trama ficcional, indo buscar inspiração à realidade.
Daí a frase inicial, que se entende perfeitamente como ironia à situação crítica dos tempos actuais em Itália, aliás como em toda a Europa.
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("Post" 5 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos cinco anos e meses de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!

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segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXXX)



Conan, perdão, Coinan (assim o baptizou Nuno Saraiva na bd paródica "Rei Obama"), repito, Coinan o Bárbaro, demonstra ser um leitor atento de banda desenhada. De facto, vemos o herói cimério a ler/ver um comic-book cujo título é "O Fabuloso Homem Arranha" (sic), em que, diz o narrador/autor N.S., se vê Barack Obama a ser salvo de um atentado pelo alter-ego de Peter Parker, o que causa nítidos ciúmes ao musculado herói da BD leitor de BD, que diz: "Eu, Coinan o Bárbaro, é quem vai salvar o grande rei Obama!!".

E em breve está às portas da Casa Branca (na BD as coisas são fáceis, por isso os autores ultrapassam as fronteiras da verosimilhança com total descaramento...) e é o próprio presidente Obama que o interpela: "Arnold? Arnold Schwarzenegger?", o que muito desgosta o Coinan...

Vale a pena ver em pormenor esta bd curta, arquitectada por um dos autores mais talentosos da actual BD portuguesa. 
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Os visitantes habituais da blogosfera sabem como fazer para os textos das bandas desenhadas ficarem bem legíveis. Mas para quem tem pouca prática, aqui fica uma ajuda: um clique inicial sobre a imagem faz a primeira ampliação; a seguir o cursor toma o aspecto de uma lente, e volta-se a clicar. O texto fica então suficientemente legível.
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("Post" 4 de 7)
Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos cinco anos e meses de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!

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Lisboa na Banda Desenhada (XIX)


(Estas duas pranchas que compõem o episódio "Praça da Caridade" foram publicadas no semanário Sol, na sua revista/suplemento Tabu, no nº 250 de 17 Junho 2011
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Com estupendas imagens em perspectiva de picado sobre a Praça da Figueira, embelezada pela estátua equestre de D. João I, assim se apresentam as duas vinhetas iniciais da banda desenhada "Praça da Caridade".

Assinada por N.S., como simplesmente sempre se identificou Nuno Saraiva na série "Na Terra Como no Céu", seu autor completo - desenho, argumento, legendagem e colorização -, esta bd tem nitidamente um fundo de crítica sócio-política, bem conotada com a situação actual deste país.

A prancha seguinte, com o episódio"Baratas Tontas" (in jornal Sol, revista/suplemento Tabu, de 21 Abril 2011), mostra, numa bem conseguida perspectiva, uma parte das arcadas do Terreiro do Paço/Praça do Comércio. e através delas a estátua de D. José.
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("Post" 3 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos anos de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.


Maldita crise! Lastimável critério (?)  editorial!
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sábado, fevereiro 25, 2012

Política e BD (III)


Há personalidades políticas que suscitam veementemente a criatividade de autores de banda desenhada e cartunistas, e que os fazem felizes, visto que lhes fornecem motivação frequente.

Nuno Saraiva, autor da bd em duas pranchas que ilustra o presente "post", nela explorou satiricamente uma cena divulgada pela TV, protagonizada pelo então primeiro-ministro José Sócrates. Não foi o único político que caiu sob a ironia e o sentido da oportunidade do ilustrador, o mesmo aconteceu a outros portugueses e também estrangeiros.

Foi  por causa desta estupenda série de BD, intitulada "Na Terra Como no Céu", que durante uns anos comprei o semanário Sol, e sei de mais alguns apreciadores de banda desenhada que igualmente o faziam.

Todavia, por alegadas razões orçamentais, os responsáveis do jornal terão decidido cortar despesas. E foi exactamente esta componente de BD a sacrificada. O que muito lamento.
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("Post" 2 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos anos de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!
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sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Acordo Ortográfico na BD e afins (XII)




Em Na Terra Como no Céu, série de BD da autoria de Nuno Saraiva, foi publicada no jornal Sol em 21 de Abril de 2011 o episódio "Baratas Tontas".

Chamou-me a atenção a última vinheta da 2ª prancha (vinheta essa reproduzida outra vez, agora em primeiro lugar, no topo), com a palavra INSETICIDA escrita assim, sem a consoante muda, como manda o AO90, que obriga a escrever seguindo a fonética.


Mas o estranho do caso é que, durante toda a publicação da série, Nuno Saraiva sempre usou o antigo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45).


Distracção do autor?


Ou quer isto dizer que o AO90 é bom para acolher e legalizar as distracções?

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("Post" 1 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas sucessivamente a partir de hoje, com o intuito de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos anos de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!
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sábado, fevereiro 18, 2012

Fernando Pessoa na BD... e não só (XVI)









Ónima - Heterónimos Pessoanos é o título da edição em livro - no formato invulgar de 34x14cm - de um projecto levado a efeito por alunos da turma do 2º ano de Comunicação da Escola Profissional Profitecla do Porto, sob orientação do Arquitecto Pedro Castro.

Nesta obra colectiva - realizada em contexto de trabalho pedagógico da Profitecla -, surge um artigo dedicado à BD intitulado Fernando Pessoa na Banda Desenhada, da autoria deste bloguista, convidado por Pedro Castro que, além de arquitecto e professor naquela escola, também tem feito banda desenhada esporadicamente.

Esse artigo, que ocupa três páginas da invulgar edição, está reproduzido no topo do "post". E, embora com lacunas respeitantes a obras surgidas posteriormente, uma brasileira e outra espanhola, faz um levantamento de bandas desenhadas surgidas em álbuns, revistas, fanzines e também na blogosfera, debruçadas sobre o poeta Fernando Pessoa. 

Os visitantes habituais da blogosfera sabem como fazer para os textos ficarem bem legíveis. Mas para quem tem pouca prática, aqui fica uma ajuda: um clique inicial sobre o texto faz a primeira ampliação; a seguir o cursor toma o aspecto de uma lente, e volta-se a clicar. O texto fica bem legível.

Mas, para facilitar a leitura, reescrevo o texto mais abaixo.

Ónyma - Heterónimos Pessoanos (*)
Autores: Alunos de Comunicação/Grupo de FCT
Orientação gráfica: Pedro Castro
Livro brochado, 80 páginas em papel couché de elevada gramagem, com impressão de imagens em quadricromia
Edição: Edições Profitecla (2007/2008)
Porto

(*) Heterónimo provém do grego, na junção das palavras Heteros, que significa diferente, e Ónymo, cujo significado é nome

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Embora este livro tenha sido editado em 2008, só agora decidi divulgá-lo aqui no blogue, considerando o facto de estar patente ao público uma excepcional exposição intitulada Fernando Pessoa: Plural como o Universo, que foi organizada pelo Museu de Língua Portuguesa em São Paulo, Brasil, tendo vindo para Portugal para ser exposta na Fundação Calouste Gulbenkian, a partir do dia 9 de Fevereiro, e onde se manterá até 30 de Abril.
Note-se que a exposição brasileira foi valorizada com peças do espólio do poeta que estavam dentro duma muito falada "arca de Pessoa".  
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Pedro Castro, responsável pelo projecto e pela edição, acrescentou ao nome deste bloguista a indicação "Presidente do Clube Português de Banda Desenhada".
Acontece que Pedro Castro conheceu-me nos anos 1980, quando eu era membro da Direcção daquela colectividade, de que fui vice-presidente várias vezes, alternando com Carlos Gonçalves. Por mútuo consenso, ambos decidimos nunca concorrer ao lugar de presidente, deixando esse cargo para desenhadores, como foi o caso de Eugénio Roque, José Garcês e Pedro Massano.
Obviamente, Pedro Castro desconhecia esses pormenores, e "elegeu-me" como presidente do CPBD para me identificar.

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Os anteriores artigos dedicados a este tema podem ser vistos clicando no item Fernando Pessoa na Banda Desenhada, visível no rodapé.
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Fernando Pessoa na Banda Desenhada

Biografar figuras históricas, transformar em figuração narrativa factos da História de Portugal, ou adaptar romances dos nossos maiores romancista, tem sido recorrente na Banda Desenhada Portuguesa.

Outro tanto não acontece no que concerne a poetas ou à própria Poesia, excepção feita a Luís de Camões e também aos Lusíadas, autor e obra bastante divulgados em publicações várias - álbuns e revistas - tanto em Portugal como no Brasil.

Fernando Pessoa, depreende-se da premissa, fica em plano secundário na comparação, pese embora o seu enorme prestígio em ambos os países. Apesar disso, tendo em conta a efeméride dos cento e vinte anos após a data do nascimento do poeta em Lisboa, a 13 de Junho de 1888, faz todo o sentido tentar historiar quantas e quais as obras desta forma de arte em que ele, ou os seus heterónimos, e respectivas poesias, tenham servido de tema.

Em primeiro lugar, surge uma curtíssima referência em duas vinhetas apenas, no episódio caricatural "Manifesto Anti-Mantas", desenhado a preto e branco por Jorge Mateus, sob argumento de Carlos Martins, na revista Selecções BD - I Série - nº3 - Julho 1988, cem anos (e um mês) após o nascimento de Pessoa.
Apesar do centenário ser seu, o principal protagonista desta bd é, afinal, o seu amigo Almada Negreiros (e como figurante, um tal Ritinha, o comum amigo Santa-Rita Pintor) aparecendo o poeta como figura secundária e de forma insólita. Tal acontece quando, a certa altura, surge a imagem de um locutor negro da RTP (na BD, tudo é possível, e no que se refere a anacronismos humorísticos, são frequentes) a dizer, entre outras coisas, "já vejo ali os famosos Pessoas". E, de facto, sentados à mesa do café, com um exemplar do nº2 da revista Orpheu (em que Pessoa colaborou e de cuja geração fez parte) em cima do tampo, vêem-se dois esqueletos, ambos com os infalíveis pormenores identificativos da figura do poeta, chapéu, óculos, bigode e lacinho, que pedem ao locutor "Posso recitar um poema, posso?".

Admitindo a possibilidade de erro, estabelece-se esta aparição da figura de Fernando Pessoa como sendo a primeira na BD portuguesa. Com bem maior espessura ficcional surge uma outra, três anos depois, onde ele se apresenta como personagem principal, "Tião e Maria: Pessoa em Apuros", publicada igualmente na primeira série da revista Selecções BD - nº40, Agosto de 1991. Criada totalmente por José Abrantes, a trama, de claro sentido crítico, desenvolve-se em quatro pranchas, a preto e branco, num "gag" onde Fernando Pessoa tenta fugir por todos os meios a uma praga de pessoanos que querem saber tudo a seu respeito, para sobre ele escreverem, e à conta dele ganharem fama e dinheiro, e por isso o perseguem obsessivamente para onde quer que vá. De referir que a capa, a cores, desse número da revista, serve de apresentação ao episódio, com a figura do poeta em destaque.

Desopilante em absoluto é a obra que se segue cronologicamente, publicada em Outubro de 2000 no nº1 da revista brasileira Chiclete com Banana, mas em versão editada em Portugal. Da autoria de Laerte, o episódio tem por antetítulo "Piratas do Tietê", o mesmo da série, seguido de "O Poeta" como título, completado pelo subtítulo "Com a participação especial de Fernando (em) Pessoa".
São doze pranchas em que aparece alguém, de chapéu, óculos e bigode, a falar sozinho: "Eu não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada". Dominado pelo espírito do heterónimo Álvaro de Campos em fase de profunda depressão, resolve suicidar-se, lançando-se de uma ponte, mas caindo dentro de uma canoa que o leva até próximo de um barco de piratas (do Tietê, claro) que o ouvem declamar, "chamam por mim as águas, chamam por mim os mares" e sobre ele disparam, afundando-lhe a canoa. Insolitamente, o poeta emerge, dentro dum escafandro surgido sabe-se lá donde (da caneta do artista brasileiro, por hipótese...), e continuamente a dizer os versos de qualquer um dos seus heterónimos.
Volta a ser alvo de tentativas de destruição, às quais sempre sobrevive incólume, sem sequer se dar conta dos ataques, absorto na sua poesia, enquanto os piratas desesperam, com o barco quase a afundar-se, e o furibundo e frustrado capitão a berrar no fim "Malditos poetas!!".

Em 2002, sob chancela das Íman Edições, surge o livro Heróis da Literatura Portuguesa, afinal escritores, ficcionistas e poetas, todos biografados pela banda desenhada. Na apresentação da extensa peça de dezoito pranchas, a preto e branco, dedicada a Fernando Pessoa, lê-se: "No Equinócio do Outono de 1930 vamos entrevê-lo na Quinta da Regaleira, numa inconfessável descida aos túneis onde cresce a árvore dos Sefirotes, com saída para o mar, na Boca do Inferno. Por lá passam também o Mago Crowley (...)". É sobre este acontecimento que Pedro Pestana Soares tece o argumento do episódio eivado de esoterismo, desenhado com garra e imaginação por João Chambel.

Em Cádiz, Espanha, edita-se o fanzine Radio Ethiopia. No seu nº 14, com data de Outono-Inverno 2005, foi reproduzida a banda desenhada "Pessoa Revisited", sob a assinatura de Rafa Infantes, no desenho a preto e branco, e no texto que complementa o excerto dum poema de Álvaro de Campos, escrito em português. A apresentação aparece na vinheta inicial: "El joven Campos ya no siente ningún apego a este mundo. Él podria hablaros de las conquistas de la Ciencia moderna, del arte y la metafísica. Podria, si acaso os interesara una solo de sus palabras. Pero las palabras que sus labios pronuncian poco tienen que ver con vosotros".
"Não sou nada". Os versos do poema irão aparecendo nas vinhetas seguintes. "Nunca serei nada". "Não posso querer ser nada". "À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". E na última vinheta vê-se o poeta deitar fora o caderno onde estivera a escrever, sob a legenda: "Já disse que não quero nada".

Os novos tempos trouxeram diferentes tecnologias. Em vez de impressas em papel, há já muitas bandas desenhadas que começaram, de raiz, no espaço virtual da internet. E Fernando Pessoa, com o fascínio da sua poesia e da sua personalidade, não podia deixar de inspirar algum internauta autor de BD. Miguel Moreira tinha imaginado há muitos anos um projecto desse género, e em Abril de 2004 fez os primeiros esboços. Mas só em 29 de Outubro de 2007 surge no endereço http://lmigueldsm.blogspot.com o blogue "As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal" a mostrar as vinhetas iniciais da homónima banda desenhada. Colorida por Catarina Verdier, a figura bem reconhecível do poeta aparece em "post" de 13 de Junho de 2008, cento e vinte anos após o seu nascimento, num episódio em que, numa das vinhetas, ele está na cama, de tronco nu, mas de óculos e chapéu, ao lado de alguém - de que só se vê um braço - e que num balão de fala, emite a onomatopeia trocista "Blá blá blá". Assim se começa a transformar em banda desenhada o poema "Gostava de gostar de gostar", de Álvaro de Campos, uma entre numerosas meias pranchas que vão compondo sequências com intervalos de dias entre elas, que quase fazem subentender a tradicional frase das antigas histórias aos quadradinhos, "continua no próximo número".

Algo diferente na sua origem, mas com resultados finais semelhantes, é como se pode classificar a banda desenhada "A Anunciação". Concebida por André Oliveira, que após escrever o argumento (um sonho de Fernando Pessoa em que o poeta sente um chamamento divino), teve a ideia de pedir a vários colaboradores - Nuno Frias, Ricardo Reis, Miguel Cabral, João Vasco Leal, para desenharem, e Cristiano Baptista para colorir - que concretizassem o respectivo guião em cinco pranchas, com a finalidade de que a bedê fosse reproduzida no BDJornal. Porém, estando este com a publicação suspensa, isso possibilitou, após acordo com o seu editor e respectivos autores, que editasse no meu blogue "Divulgando Banda Desenhada", no endereço http://divulgandobd.blogspot.com aquela banda desenhada original e inédita a qual, assim, diferentemente, teve a sua estreia na blogosfera.

Continuando a navegar na internet, depara-se-nos o título "Descobrir Portugal em Língua Gestual Portuguesa (LGP), com o subtítulo "A História Animada/Desenhada Descobrir Portugal em Língua Gestual Portuguesa (LGP) para Crianças Surdas, criada, escrita, ilustrada, desenhada e realizada pelo Prof. Francisco Goulão (surdo/deaf) - Portugal".
Não há qualquer data que indique quando se deu o início deste site localizável no endereço http://profsurdogoulao9.no.sapo.pt todo feito à base de imagens desenhadas, apresentando alguma sequencialidade, com os diálogos transmitidos pela linguagem gestual. A intenção é a de falar de Portugal por aquela forma, dando claramente ênfase às cidades do Porto e de Lisboa, visitadas de forma quase exaustiva. No que concerne à capital, uma das imagens que a representam é exactamente a figura do lisboeta Fernando Pessoa, através do famoso retrato que dele fez o seu amigo Almada Negreiros.

Na revista Cais, nº 131 - Junho 2008, aparecem umas tantas bandas desenhadas feitas por alunos e alunas do AR.CO - Centro de Arte e Comunicação Visual. Uma dessas bedês, emduas pranchas matizadas a sépia, é assinada por Ana Filomena Pacheco, e tem o título de "O Banqueiro Anarquista". Trata-se do conto escrito por Fernando Pessoa em Janeiro de 1922, publicado no nº1 da revista Contemporânea em Maio desse ano, cujos invulgares diálogos entre o banqueiro, que assume uma atitude política nada consentânea com a função que exerce, e um seu amigo, a novel autora parcialmente aproveitou,para realizar singular obra de figuração sequencial.

Por fim, é sabido, disse-o Fernando Pessoa, "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce", verso pertencente ao poema "O Infante", do "Mar Português", tantas vezes usado como lema ou justificação, serviu de mote para a prancha inicial da bd "FP vs Bubas". Este antagonista do poeta, de nome tão estranho, é o anti-herói de estimação de Derradé (aliás, Dário Rui Duarte), que continua o episódio inicial e o conclui, numa segunda prancha, com o próprio Bubas a recitar "Ai que prazer/Ter um livro para ler e não o fazer", na presença do tal FP.
Inédita até agora, esta banda desenhada destinava-se ao nº 3 da revista de BD HL (Herpes Labial), cuja edição esteve prevista para Outubro de 2006. Com essa data protelada sine die, surgiu a hipótese de ser editada no meu blogue já anteriormente citado, o que acaba de acontecer, constituindo assim a mais recente homenagem a Fernando Pessoa pela banda desenhada,outra vez em suporte electrónico.
                                                                                                   Geraldes Lino
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terça-feira, fevereiro 14, 2012

Concursos de BD




O cartaz que ilustra o topo do presente "post" foi realizado pelo belga Ptiluc (Luc Lefevre), autor de banda desenhada, e embora à primeira vista possa não parecer linearmente, tem a ver com um concurso de BD organizado em França, na cidade de Perpignan, por uma entidade que se identifica como Movimento Contra o Racismo e para a Amizade Entre os Povos - MRAP66.

Aliás, há um ano - em 8 de Fevereiro de 2011 - divulguei aqui, pela primeira vez, idêntico concurso organizado pela citada entidade de finalidades altruístas.

Lorène Charpentier - que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente - é uma francesa que domina razoavelmente bem a língua portuguesa. E é ela que me informa pela segunda vez da realização deste concurso, enviando-me o regulamento (que inclui algumas notas que escrevi em relação ao primeiro concurso).

Autoria das imagens que ilustram o topo deste "post":
1ª - A ilustração é de Ptiluc
2º - A banda desenhada, de tipo naïve, é de Samia

REGULAMENTO DO 2º CONCURSO MEDITERRÂNICO DE BANDA DESENHADA DO MRAP66 - MEDinCOMIX

Este 2º Concurso Mediterrânico de Banda Desenhada do MRAP66: "MEDinCOMIX, contra as discriminações" apresenta-se bastante apelativo, por vários motivos.
Eis uma síntese do regulamento:
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1. TEMA "AS DISCRIMINAÇÕES NO QUOTIDIANO"
--- Trata-se de todas as formas de discriminação.
Existem 18 critérios: origem, sexo, situação de família, gravidez, aparência física, patronímico, estado de saúde, deficiência, características genéticas, modo de vida, sexualidade, idade, opinões políticas, actividades sindicais, pertença ou não pertença, verdadeira ou suposta, a uma etnia, uma nação, uma raça ou uma religião.
Em diferentes domínios : emprego, saúde, educação, serviços, alojamento…
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2. IDADE DOS CONCORRENTES
---Mínima: 10 anos
---Máxima: sem limites
(Aí está, mais uma vez, uma hipótese para aqueles que, já menos jovens, continuam a desejar participar num desafio deste género).
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3. CONDIÇÕES PARA AS BANDAS DESENHADAS
---- a) número máximo de pranchas: 2
---- b) único formato admitido: A4 (29,7x21cm)
---- c) podem ser a preto e branco ou a cores
----d) Os concorrentes estrangeiros podem escrever as legendas em francês ou na sua própria língua. Os organizadores responsabilizar-se-ão pela tradução.
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4. BOLETIM DE INSCRIÇÃO
Cada concorrente (ou grupo de concorrentes) terá de preencher um boletim de inscrição, o qual pode ser preenchido no site do MRAP66, no seguinte endereço:
http://www.olindapart.com/bulletin-participation.html

5. PRÉMIOS

a) O colectivo MRAP66 editará um álbum com todas as obras que receber...
b) ... e organizará uma exposição com as três bandas desenhadas que forem classificadas, acrescentadas às bandas desenhadas da exposição 2011
(Esta expo será itinerante, visto que irá circular nos liceus e bibliotecas da região Languedoc Roussillon).

Há ainda:
c) Uma mesa digitalizadora
d) Material de desenho
e) Assinatura de um magazine francês de BD
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A entrega dos prémios será efectuada pelo autor de BD belga « Ptiluc », no dia (chamada de atenção aos interessados: anteriormente estava indicado o dia 24 de Março de 2012, mas esta data foi alterada).
Na realidade, a entrega dos prémios vai ser num evento que se chama "A Primavera das Solidariedades", claro que na cidade de Perpignan, mas o dia da entrega ainda não está fixado. 
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6. DIREITOS DE UTILIZAÇÃO E REPRODUÇÃO
A participação no concurso supõe a aceitação da reprodução, impressão e difusão, total ou parcial, da(s) banda(s) desenhada(s) participante(s) e/ou do dossier curricular pelo MRAP66, assim como a sua utilização nas actividades da campanha divulgadora.
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7. DATA LIMITE PARA ENTREGA DAS BANDAS DESENHADAS
---  1 de Junho 2012 (substitui a data anteriormente indicada de 15 Março 2012)
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8. CONTACTOS PARA ESCLARECER DÚVIDAS
Quaisquer dúvidas poderão ser esclarecidas no sítio
http://www.mrap66.fr/
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ou através dos endereços
lorenemrap66@gmail.com
samia.mrap66@gmail.com

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Lorène LE CHARPENTIER
Coordinatrice MRAP 66
35, rue Petite La Real
66000 PERPIGNAN
04 30 44 36 40
06 98 64 25 14
mrap66.wordpress.com