Domingo, Julho 20, 2008

Fernando Pessoa na BD (VI) - Autores: Nuno Frias, Ricardo Reis, João Leal (desenhos), Cristiano Baptista (cor), André Oliveira (arg.)















Em A Anunciação, Fernando Pessoa é o protagonista de um sonho, imaginado pelo jovem argumentista André Oliveira, e transformado numa banda desenhada.
Inédita até agora, esta estupenda obra de Figuração Narrativa tem estreia absoluta neste blogue, que assim, excepcionalmente, debuta em diferente faceta: a de publicar BD original e nunca antes reproduzida.
A Anunciação é composta por cinco episódios (cada um a ocupar uma prancha), da autoria de vários desenhadores e coloristas, que nomeio pela ordem sequencial das cinco pranchas:
Prancha 1 - Nuno Farias (desenho), Cristiano Baptista (cor);
Prancha 2 - Ricardo Reis (desenho), Cristiano Baptista (cor);
Prancha 3 - Miguel Gabriel (desenho e cor);
Prancha 4 - João Vasco Leal (desenho a preto e branco com tramas);
Prancha 5 - Nuno Frias (desenho), Cristiano Baptista (cor).
Projecto concebido e escrito por André Oliveira, as cinco pranchas mostram fases bem distintas, sendo que as primeira e última representam a realidade, enquanto que as três intermédias têm a ver com o sonho do poeta. Exactamente por tal motivo, o argumentista decidiu que cada parte da BD seria realizada por um desenhador-artista diferente, o que sofreu ligeiro desvio na concretização porquanto as primeira e última pranchas têm as mesmas assinaturas.

A presente banda desenhada esteve em exposição, em Fevereiro 2007, na Galeria da Associação dos Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, numa iniciativa do Imaginarte - Núcleo de Banda Desenhada, Ilustração e Argumento da FBAUL, e voltou a estar patente ao público na própria Casa Fernando Pessoa, em Julho 2007.

Para além de ter estado visível nestas duas exposições, o seu destino era, como acontece com qualquer BD que se preza, ser publicada em papel, no BDJornal, para cumprir integralmente a condição de banda desenhada. Por tal não ter sido possível até agora, nem isso estar previsto para breve, os respectivos autores e o editor Machado-Dias acederam à sua publicação virtual neste blogue. O que não sendo inédito na Internet, é-o completamente aqui no Divulgando Banda Desenhada, que, repito, pela primeira vez, apresenta uma banda desenhada inédita.

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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".


(V) Julho 12 - Ana Filomena Pacheco

(IV) Julho 6 - Laerte (brasileiro)
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) Junho 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) Junho 13 - Autor: José Abrantes
2008 (daqui para cima)

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Banda Desenhada portuguesa nas revistas não especializadas em BD (XXX) - Autores: JCoelho e DJ Goldenshower


Um som estridente, inesperado, estala-lhe os tímpanos, ainda lhe vibravam na cabeça as emoções de um corte de relação amorosa, e a jovem condutora, fã de Psicho, perde o controlo do carro.
Psycho Whip - Mito Número Três foi desenhado, com elevado nível, por JCoelho, sob argumento de DJ Goldenshower. Trata-se de episódio em duas pranchas, a cores, por edição da Elegy Ibérica - Revista de Música, Arte & Culturas Alternativas & Underground.
"O que é que ele vê naquela putéfia!? Só pode ser o tamanho das mamas!!!" "Mas não pode ser só isso... As minhas também não são de deitar fora...".
"Qué es lo que ve en aquella putilla!?" "Sólo puede ser el tamano de las tetas!!!" "Péro no pueder ser solo eso... Las mías tampoco son despreciables..."
Mas que vem a ser isto, o bloguista passou-se ou anda a treinar-se para uma ida a Espanha? Nã, nada disso, apenas mostrar, com palavras extraídas da banda desenhada, que ela aparece em duas versões, em português e em espanhol, as duas pranchas repetidas, duas delas em português, duas em castelhano! Um luxo, ou a revista não se chamasse Elegy Ibérica (em castelhano preferiram o termo "magazine", na ficha técnica está escrito Elegy Ibérica Magazine).
Mas importante mesmo é a boa oportunidade que aqueles meus dois amigos (o Jorge e o ... "Goldenshower") estão a aproveitar com muito estilo.
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Para ver mais BD portuguesa em revistas que nada têm a ver com o assunto, basta ir à coluna da esquerda, às "Categorias", e clicar no item "Banda Desenhada portuguesa nas revistas não especializadas em BD"
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A fim de qualquer visitante poder tomar conhecimento de quais as revistas que, não sendo de BD, têm publicado BD (merecem esta divulgação!), e ver quem são os autores englobados no conjunto de postagens anteriores, mostro periodicamente a lista abaixo, devidamente actualizada.
(XXIX) Julho 10 - Time Out - Autor: Ricardo Machado
(XXVIII) Junho 20 - Jazz.pt - Autor: C.Zngr
(XXVII) " 18 - Elegy Ibérica - Autores: JCoelho e DJ Goldenshower
(XXVI) " 13 - P'Almada - Autor: Serrano
(XXV) Maio 14 - GQ - Autora: Joana Sobrinho
(XXIV) Jan. 10 - Jazz.pt - Autor: Zngr
(XXIII) Jan. 8 - Motociclismo - Autor: Luís Pinto-Coelho
2008 (daqui para cima)
(XXII) Julho 6 - Underworld - Autores: João Monteiro (desenho), André Oliveira (arg.)
(XXI) Junho 29 - Gente Jovem - Autor: Algarvio;
(XX) Junho 8 - Visão - Autores: Pedro Massano, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves;
(XIX) Março 14 - P'Almada - Autor: Serrano;
(XVIII) Março 10 - Underworld - Autores: Ricardo Reis (desenho), André Oliveira (argumento), Ana Maria Baptista (colorido);
(XVII) Março 6 - Motociclismo - Autor: Luís Pinto-Coelho;
(XVI) Fev. 27 - Jazz.pt - Autor: C. Zingr (Corujo Zíngaro);
(XV) Jan. 23 - Visão Júnior - Autores: Pedro Morais e Luís Almeida Martins
2007 - Daqui para cima
(XIV) Dez. 27 - Dominium - Autores: Sub Verso e Bad Kitty;
(XIII) Dez. 9 - Revista "C" - Autores: Miguel Rocha e José Carlos Fernandes;
(XII) Set. 29 - Textos e Pretextos - Ricardo Pires Machado;
(XI) Junho 17 - Ripa na Rapaqueca - Autor: João Ferreira;
(X) Maio 6 - Motociclismo - Autor: Luís Pinto-Coelho;
(IX) Abril 23 - Underworld - Autor: João Maio Pinto;
(VIII) Abril 23 - Revista da Armada - Autor: Antunes;
(VII) Abril 23 - Louletano - Autor: E.T.Coelho (reedição);
(VI) Abril 10 - Revista C - Autores: Miguel Rocha e José Carlos Fernandes;
(V) Abril 2 - Megajogos - Autor: Algarvio;
(IV) Março 13 - Kulto - Autores: Ana Freitas e Nuno Duarte;
(III) Março 3 - Gente Jovem - Autor: Algarvio;
(II) Fev.25 - Vega - Autor: Richard Câmara;
(I) Fev. 18 - Periférica - Autores: Hugo Pena e Jorge Pedro Ferreira
2006 - Daqui para cima

Sábado, Julho 12, 2008

Fernando Pessoa na Banda Desenhada (V) - Autora: Ana Filomena Pacheco


"O que é um anarquista? É um revoltado contra a injustiça de nascermos desiguais socialmente - no fundo é só isto. (...) Tão mau é o dinheiro como o Estado, a constituição de família como as religiões"(...).
Assim fala um banqueiro que se assume anarquista. Ou, em última análise, terá sido Fernando Pessoa, a expor a sua opinião própria, no conto escrito em Janeiro de 1922, e publicado no nº 1 da revista Contemporânea, em Maio desse mesmo ano.
E ao aproveitar partes do diálogo entre esse banqueiro e um seu amigo, relutante em aceitar tão inverosímil dicotomia na mesma pessoa, diálogo imaginado pelo ilustre escritor - poeta e ficcionista -, Ana Filomena Pacheco criou, em duas pranchas matizadas a sépia, uma singular obra de banda desenhada.

in revista Cais - nº 131, Junho 2008
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".
(IV) Julho 6 - Laerte
(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes
2008

Quinta-feira, Julho 10, 2008

Banda Desenhada portuguesa nas revistas não especializadas em BD (XXIX) - Autor: Ricardo Machado


São apenas quatro vinhetas, suficientes todavia para se poder apreciar um tipo de desenho moderno e cativante, para o que contribuem as condizentes cores, numa pequena peça de banda desenhada da autoria de Ricardo Machado, ilustrador e autor de BD. O tema, "guia copofónico", dado em registo de humor, como não podia deixar de ser, indica os gramas por litro admissíveis para cada momento de um festival (neste caso já passado).

in revista "Time Out" nº 35 - semana de 28 Maio a 3 Junho 08

Domingo, Julho 06, 2008

Fernando Pessoa na banda desenhada (IV) - Autor: Laerte




















Também desta vez foi a arte poética de Álvaro de Campos que serviu de mote inicial a uma banda desenhada, da autoria do brasileiro Laerte, que ele intitulou "Piratas do Tietê - O Poeta - Com a participação de Fernando (em) Pessoa" (sendo que "Piratas do Tietê" é uma série criada por aquele quadrinhista, como se diz no Brasil).
É bem conhecida a intensa admiração dos brasileiros pela poesia de Fernando Pessoa (e, obviamente, pela dos seus heterónimos, extensões poéticas Pessoanas). Todavia, que um autor-artista de "Histórias em Quadrinhos" (expressão em português do Brasil quase igual à nossa, tradicional, "Histórias aos Quadradinhos"), mais conhecido pela sua tendência humorística, tenha dedicado uma peça de figuração narrativa ao nosso poeta, isso é que talvez seja algo surpreendente, mesmo que ele tenha desenhado uma peça de humor delirante, autêntica lição de como utilizar inteligentemente o "nonsense".
Quem estiver interessado em ver/ler em papel (ah, o prazer de mexer no papel, de folhear uma revista...) pode procurar, com poucas possibilidades, aviso desde já, o nº1 da revista Chiclete com Banana - Humor, comportamento e subcultura dos anos 80 (Outubro 2000, edição da Devir), de onde foi pirateada ("pirataria é cultura"*, como Laerte escreveu a finalizar) esta divertidíssima homenagem a Fernando Pessoa, em imagens sequenciais, sob excertos de poesias de heterónimos seus.
Por exemplo, na 1ª vinheta da 1ª prancha:
"(...) Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada" - Álvaro de Campos - "Tabacaria";
3ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Eu nem sequer sou poeta: vejo./ Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:/ O valor está ali nos meus versos (...)" Alberto Caeiro - "A espantosa realidade das coisas";
7ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Sinto uma alegria enorme/ Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma (...)" - Alberto Caeiro - "Quando vier a Primavera";
8ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade./Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, (...)" - (Álvaro de Campos - "Tabacaria");
4ª vinheta, 2ª prancha: "Com um lenço branco digo adeus/Aos meus versos que partem para a humanidade (...)/- Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa"
5ª vinheta, 2ª prancha: "Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre/a que foi sua/Passo e fico, como o Universo (..)" - Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa";
6ª vinheta, 2ª prancha: "(...) Ah, quem sabe, quem sabe/ Se não parti outrora, antes de mim/ Dum cais; Se não deixei, navio ao sol / Oblíquo de madrugada,/ Uma outra espécie de porto? - Álvaro de Campos - "Ode Marítima"
Eis um bom exercício para todos os admiradores do poeta: localizarem os poemas e respectivos heterónimos, na análise de cada legenda de cada balão, ao longo das vinhetas que compõem as 12 pranchas desta invulgar peça de BD baseada em excertos (extraordinários) de poemas.
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*"Todas as falas do personagem Fernando Pessoa - e também esta do 'coro' - são frases tiradas de poemas de Fernando Pessoa. (Pirataria é Cultura). - pode ler-se no rodapé da última prancha, em letras minúsculas, no sentido literal.
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As postagens anteriores abaixo indicadas podem ser vistas de imediato, na totalidade, clicando no texto de cor castanha, seguinte à palavra "etiquetas" (Fernando Pessoa na Banda Desenhada) indicada sob cada "post".

(III) Junho 22 - João Chambel
(II) " 18 - Autor: Rafa Infantes (espanhol)
(I) " 13 - Autor: José Abrantes

Sexta-feira, Julho 04, 2008

Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, nos fanzines, no Cartoon e na Internet (XVI) - Triologia??? Correcto: Trilogia


TRIOLOGIA? Claro que o correcto é TRILOGIA!
"Del Toro quer fazer triologia de Hellboy", é como está lá escrito.
É um erro que já tenho visto escrito várias vezes (um conhecido bedéfilo, autor e crítico, há uns anos escrevia sempre assim...), provavelmente por influência da palavra trio... Mas "triologia" é palavra que NEM SEQUER EXISTE no vocabulário português!
Apesar disso, trata-se de erro ortográfico recorrente, e por isso mesmo é que chamo a atenção para ele.
Veja-se outro (mau) exemplo, no blogue "O Observador" (observador.weblog.com.pt), onde o respectivo bloguista escreveu: "Fui ontem ver o último filme da Triologia do Senhor dos Anéis" (...). Isto sem desprimor para muitos outros textos seus, interessantes e bem escritos, o que ainda torna mais estranho ter caído num erro crasso.
No caso que mencionei no início, localizei o erro num texto da Internet que tem a ver com Banda Desenhada (e Cinema). O realizador Del Toro não tem culpa nenhuma disto, muito menos o Hellboy...
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Há várias postagens acerca deste tema que envolve o meu apreço pela língua portuguesa, incidindo nos erros ortográficos e gramaticais cometidos na banda desenhada, no cartoon, nos fanzines e na internet.
Veja-se na lista abaixo os erros detectados.
Para visitar todos os "posts" e assim poder analisar as correcções, basta ir à coluna da esquerda e clicar na categoria "Língua portuguesa em mau estado".
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(XV) Junho 19 - Tijela???
(XIV) " 6 - Expanção???
2008
(XIII) Dezembro, 14 - Fanzine, sinónimo de "acto de simpatia"? Absurdo
(XII) Agosto, 6 - "Páro" (??)
(XI) Junho, 23-"Ter-mos"(??) in Korrigans, de Civiello e Mosdi
(X) Maio 29-A BD não "teve"(??) representada, no site da Marinha Mercante
(IX) Abril 15-"Alcançar-mos"(??), in fanzine "Venham + 5"
(VIII) Março 10-"se não poderem"(??), in Príncipe Valente, edição de Manuel Caldas
(VII) Fev.22-"Univos"(??), in "cartoon" de Nuno Saraiva no suplemento "Inimigo Público"
(VI) Jan.16-"»Uma«(??) fanzine", no fanzine "Aqui no canto"
(V) " 7-"Inflacção"(??), in "cartoon" de Zeferino
2006
(IV) Dez.11-"Benvindos"(??), in bd "Família Slacqç, de Zé Paulo
(III) Nov.28-"Gingeira"(??), in "cartoon" de "Avis Rara" no jornal "Alentejo Popular"
(II) Nov.12"pareçe"(??),"esqueçendo"(??), escrito por visitante do blogue "Kuentro"
(I)Out.27-"vê-mo-nos"(??), in legenda do 1º volume de "O Pequeno Nemo no Reino dos Sonhos", a versão portuguesa da obra-prima de Winsor MCCay
2005

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Concurso de Banda Desenhada - Sem limite de idade para os concorrentes!




Para quem se sente com talento para a Banda Desenhada, mas que já entrou nos "entas" (donde já não se pode sair, hélas), depara-se-lhe com frequência essa odiosa limitação dos 30 ou, excepcionalmente, 35 anos de idade, contra o que, ainda há apenas dois "posts" antes, se insurgiam alguns visitantes deste blogue.
Ora aí está uma possibilidade, tão desejada, da inexistência de quaisquer barreiras desse género. Assim,
O CONCURSO DE BANDA DESENHADA MACA/DR. KARTOON ESTÁ ABERTO A TODAS AS PESSOAS, SEM ESPECIFICAÇÃO DE NACIONALIDADE OU LIMITE DE IDADE.
Outro aspecto penalizante é o de a maioria dos concursos ter tema obrigatório, em relação ao qual também houve muitas queixas nos comentários do meu anterior "post" relacionado com este assunto. Então, alegrem-se outra vez:
O TEMA DO CONCURSO É LIVRE!

(O único requisito obrigatório é o de fazer referência gráfica à cidade de COIMBRA).
Mãos à obra, então, ficam desafiados todos os interessados em tentar as suas possibilidades, o que poderão fazer até à
DATA LIMITE PARA ENTREGA DAS SUAS OBRAS: 8 DE AGOSTO DE 2008.
Mais pormenores:
- Cada concorrente pode enviar um máximo de 1 (uma) história original, inédita, até 4 pranchas (cada uma delas devidamente numerada e identificada no verso, com o nome, morada, e-mail e contacto telefónico).
- As bandas desenhadas podem ser apresentadas a cores ou a preto e branco, em qualquer técnica ou suporte, num formato A4 (210x297mm) ou A3 (297x420mm).

Nota: Os organizadores sugerem que as pranchas de BD sejam enviadas devidamente protegidas (com cartão rígido) e em correio registado, de modo a garantir a sua entrega à organização.
- As bandas desenhadas realizadas a computador devem ser enviadas em CD ou DVD no programa onde foram concebidos (Photoshop, por exemplo) e em formato mTIFF ou JPEG (numa resolução mínima de 300dpi).
- As obras concorrentes devem ser enviadas, conjuntamente com um pequeno currículo, uma fotocópia do B.I. e o número de Contribuinte do concorrente, até 8 de Agosto de 2008 (data do carimbo dos CTT), para o

MACA - MAGAZINE DE ARTES DE COIMBRA & AFINS
na seguinte morada:
Quinta do Rossaio, 8
3040-667 Coimbra
Portugal

E prémios?

Um deles consistirá na reprodução da banda desenhada vencedora no Nº3 do novel magazine MACA (edição de Setembro de 2008), uma publicação de elevada qualidade, o que configura prémio de prestígio público.

Mas ainda haverá um prémio pecuniário:
Um cheque-livro no valor de 50€

Dúvidas e sugestões podem ser enviadas por escrito para:
Concurso de Banda Desenhada MACA 1/2008 (na morada acima indicada)
ou através do endereço electrónico:
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Os visitantes deste blogue, autores-artistas de BD, de nome
André Reis
Luís Peres
Andreia Rechena
Bongop
que deixaram queixumes, no "post" relacionado com o concurso "Jovens Criativos"anunciado anteriormente, por causa da falta de tempo ou contra a impossibilidade criada pela limitação da idade para os concorrentes, têm agora nova possibilidade, sem qualquer dessas ditas cujas limitações.
Espero que aproveitem a oportunidade.

Concursos de Banda Desenhada - Subsídios para um estudo

Prancha de banda desenhada vencedora de concurso, da autoria de Bandeira, mais conhecido como cartunista do que como autor de banda desenhada

Sujeitos a tema ou livres de qualquer imposição temática, os concursos de banda desenhada - recorrente forma de criar actividades culturais e artísticas para a juventude, bem como apoiar quem sente potencialidades nesta forma de arte - têm significativamente longa tradição em Portugal, visto que há registo da sua realização, pelo menos de um, em meados da já longínqua década de cinquenta do século passado.
Habitualmente, esse tipo de iniciativas é direccionada para ambos os sexos inseridos em escalões etários, cujos limites geralmente não ultrapassam os trinta anos de idade, embora haja um ou outro caso, raro, em que não é imposta limitação de idade aos concorrentes.
Na concretização dos concursos, ao longo do tempo, tem-se verificado o envolvimento das mais diversas entidades, públicas e privadas.
Nas públicas surgem estabelecimentos de ensino, mais propriamente as Associações de Estudantes de várias Faculdades (Arquitectura, Belas Artes, Letras, Instituto Superior Técnico) e escolas secundárias, mas igualmente instituições estatais, como foi em tempos o caso do extinto FAOJ - Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis, posteriormente substituído pelo IPJ - Instituto Português da Juventude (através das suas delegações de Faro, Viseu e outras), bem como Câmaras Municipais (Lisboa, Amadora, Moura, Loulé, Matosinhos), departamentos culturais como aconteceu com a Secretaria Regional da Educação e Cultura (Açores), e Juntas de Freguesia (Sobreda, Amora, Olhão).
Nas entidades privadas têm, ou já tiveram, lugar de destaque: CPBD-Clube Português de Banda Desenhada, GBS-Grupo Bedéfilo Sobredense, COMICARTE-Comissão de Jovens de Ramalde, GICAV-Grupo de Intervenção Cultural e Artístico de Viseu, Associação SOS Racismo (que, exemplo único até hoje, organizou um concurso de argumentos para BD), UNICER-União Cervejeira, CPAI-Clube Português de Artes e Ideias, CNC-Centro Nacional de Cultura, CNBDI-Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, e duas livrarias, Dr. Kartoon, de Coimbra, e Barata, de Lisboa.
Em diferente quadrante, têm sido levadas a efeito iniciativas do género, embora esporadicamente, por publicações de vária índole. A mais importante terá sido a realizada em meados dos anos cinquenta do século XX por uma popular revista de BD da época, titulada "Mundo de Aventuras", que, sob um título algo ambíguo, "Grandioso Concurso de Desenho", abrangeu diversas áreas: caricatura, anedota ilustrada (ou "cartoon") e, naturalmente, banda desenhada. Nos anos 90, a já citada livraria Dr. Kartoon teve também importante papel no assunto, ao organizar concursos e publicar as bedês vencedoras na sua newsletter "Phylactère". Já em 2008, um magazine, também coimbrão, intitulado "Maca" que, não sendo de BD, se candidata a ser mais um suporte deste género de iniciativas.
É de registar também o importante papel que têm desempenhado, na montagem de exposições e na capacidade de as tornar visionáveis publicamente, os diversos eventos da especialidade: o já extinto Festival de Banda Desenhada de Lisboa (organizado pelo CPBD entre 1982 e 1996), o Salão Internacional de BD de Sobreda (Almada), o Salão Internacional de BD do Porto (que já não existe, mas que foi inicialmente organizado pela Comicarte-Comissão de Jovens de Ramalde), a Semana de BD de Amora, o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, o Salão Int. de BD de Viseu, o Salão Int. de BD de Moura e, mais recentemente, o Salão Int. de BD de Beja.
Ocorre à evidência que, para terem impacte público, os concursos de BD têm de ser complementados pela respectiva exposição, se possível na totalidade das pranchas originais de todas as bandas desenhadas premiadas - tanto as dos prémios principais como as das menções honrosas - e ainda, se houver espaço, para as dos demais participantes.
A última parte da iniciativa cultural e artística, que encerra harmoniosamente o ciclo, é a publicação das obras distinguidas pelo júri, completando assim a justa divulgação pública, iniciada com a exposição, dos talentos emergentes.
Nestes mais de cinquenta anos de realização de concursos da especialidade - em que o autor destas linhas tem tido numerosas participações como membro de júri, desde 1979 -, vários são os nomes, entre os vencedores de alguns dos prémios, que obtiveram notoriedade, designadamente Álvaro, Pedro Nogueira, Agonia Sampaio, Ricardo Blanco, Marina Palácio, J. Mascarenhas, Serafim, Phermad, Francisco Vidal, relevando-se outros já como firmes referências na BD nacional, casos de António Jorge Gonçalves, José Carlos Fernandes, Nuno Saraiva, Jorge Mateus, Diniz Conefrey, Pepedelrey, Jorge Coelho, João Fazenda, Rui Lacas, Pedro Burgos, Ricardo Ferrand, Richard Câmara, Potier, Daniel Maia, Zeu e Miguel Montenegro - estes três últimos já com obra publicada no estrangeiro - ou Bandeira, que constitui caso especial por ter passado a dedicar-se apenas ao Cartunismo.
Entre os que se limitaram à obtenção de menções honrosas destaca-se Carlos Rocha, que se tem evidenciado pela publicação de numerosas bedês em fanzines e jornais regionais, assim como pela sua inclusão em exposições. Também com participação positiva em concursos, há vários outros que, após curta obra bedística, optaram por trabalhar em ilustração ou publicidade, situação em que se podem incluir Pedro Sousa Dias, Rui Abrantes, "Micky" (Jorge Macedo) e o seu argumentista Miguel Corte Real, ou que se fixaram no ensino, como fez Ângela Gouveia, licenciada em Engenharia Química, ou os que preferiram dar seguimento profissional aos respectivos cursos, casos dos arquitectos Rá (Rui Alves), Miguel Cabral, Ricardo Cabrita e José Morim, estes dois últimos ainda com esporádicas aparições como autores, um em obras institucionais ou fanzines (Cabrita), ou de banda desenhada histórica, num álbum e em livro escolar (Morim).
Obviamente que, na área da BD, como em outras artes, quem quiser singrar profissionalmente tem de conjugar talento com a indispensável formação técnica. Mas é indubitável que, como forma de primeira experiência e público incentivo para os iniciantes, a abrangente trilogia concurso/exposição/publicação - infelizmente nem sempre cumprida na totalidade - já deu suficientes provas dos seus méritos.
Geraldes Lino