segunda-feira, janeiro 26, 2015

Entrevistas Antigas a Autores de BD (IV) - António Ruivo



Continuando a reproduzir entrevistas que fiz em meados da década de oitenta, no jornal Diário Popular, mais propriamente num suplemento intitulado "Tablóide", cabe hoje a vez a um novo que me mostrara umas bandas desenhadas de sua autoria, e que me surpreenderam. António Ruivo, o seu nome, tanto quanto sei desapareceu da área da BD e, sinceramente, perdi-lhe o rasto.

Pode ser que alguém veja a reprodução desta entrevista, acompanhada da prancha inicial da sua bd "O Beco" (que aqui será mostrada na totalidade em "post" futuro), e ele me contacte. Gostaria de saber o que tem feito, se voltou a fazer alguma coisa de BD.

A entrevista que se segue foi publicada na edição de 9 de Novembro de 1985, do desaparecido vespertino Diário Popular, jornal de grande prestígio, de âmbito nacional, que se editava em Lisboa. 
E um dos aspectos que julgo com interesse é apercebermo-nos do que se pensava nessa década acerca da BD.
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Ser profissional de BD
é talvez um sonho
mas quero tentar

- diz, bem acordado, António Ruivo


Entre os jovens que gostam de fazer banda desenhada, poucos são aqueles que, actualmente, se interessam por temas de mistério e terror, ou de "western".
Não é esse o caso de António Ruivo. Ele sente uma especial atracção - artística, evidentemente - por esses ambientes, além de que possui notável - porventura perigosa - facilidade em assimilar o grafismo de alguns grandes mestres de ambos os géneros.

"O Beco", a banda desenhada que se inicia neste número de TABLÓIDE, é bem demonstrativa do talento polivalente deste jovem: ele é, simultaneamente, imaginoso argumentista e brilhante realizador gráfico. Neste último aspecto, para além de uma invulgar capacidade técnica, salienta-se o cuidado na recriação dos ambientes e a planificação de ritmo cinematográfico.

Nascido em Lisboa, a dezasseis de Novembro de 1964, José António Emídio Martins Ruivo completou o 12º Ano e está, neste momento, a cumprir o serviço militar obrigatório. A sua produtividade afrouxou por esse motivo, mas não a sua intensa atracção pela banda desenhada.

"Ler BD é o meu passatempo favorito, sem qualquer dúvida" - diz António Ruivo. "Por outro lado, quando a estou a fazer, dá uma trabalheira dos diabos. Mas dá o dobro do gozo..."

Eis o que seria ideal: cada um de nós trabalhar naquilo que verdadeiramente nos desse prazer... Mas, claro, há outras coisas a considerar: ganhar para a bucha, pagar a renda da sua própria casa, num futuro breve, enfim, organizar a sua vida. A banda desenhada dar-lhe-á essa possibilidade?

"Sobre o ponto de vista profissional não me estou a ver a fazer mais nada. Talvez seja uma ilusão, um sonho, mas estou disposto a tentar essa via... Depois logo se vê."

É natural que um jovem seja assim, entusiasta, sonhador...
Mas os pais desse jovem, como encararão eles este entusiasmo por uma coisa que, se calhar, menosprezam?

"A minha mãe diz: «Mas isso dá alguma coisa?» O meu pai reforça: «Só estás p'raí a cansar a vista!...»"

E o público apressado que passa pelas bancas dos ardinas, que vagamente olha para as capas coloridas daquelas revistas com nomes curiosos - «Mosquito» (1), «Mundo de Aventuras», «Jornal da BD», «Falcão» - o que pensará ele deste entusiasmo renascido à volta das velhas histórias aos quadradinhos? Começará esse público - jovem ou adulto, o gosto pela BD não sofre a barreira das idades... -, começará ele a sentir mais interesse pela banda desenhada?

"Acho que quem terá uma palavra a dizer sobre isso serão os editores e livreiros, pois certamente possuem números sobre vendas que reflectirão o menor ou maior interesse da parte do público relativamente à BD. 
No entanto, o número de editoras e publicações que passaram a incluir BD nos seus catálogos e páginas aumentou, assim como apareceram novas editoras e algumas novas revistas. Penso, por isso, que o interesse do público aumentou. Quanto mais não seja por todas estas editoras e publicações o estarem a despertar."

Portanto, na opinião de António Ruivo, o ambiente em Portugal, actualmente, é favorável à BD. Será isto?

"Estamos longe do ambiente ideal, claro! Mas tudo isto é relativo, sabe? temos de ver a situação económica actual do público, e como ela está, penso que apesar de tudo não será o pior possível. Continua-se a publicar bastante BD.
Mesmo assim, embora os autores portugueses comecem a aparecer mais, a grande percentagem é de BD estrangeira."

É um facto. Todavia, à frente de duas das principais revistas portuguesas, está um senhor da BD, Jorge Magalhães, que puxa pelos novos sempre que pode.

"É isso mesmo. Tanto assim que foi no «Mundo de Aventuras» (nº 558, de 1 de Setembro último) que apareceu um western intitulado "Shannon" que fiz em sete pranchas. É a minha única banda desenhada publicada até agora."

Shannon, uma personagem do Oeste americano, um herói criado por Ruivo. É para continuar?

"Tinha realmente a intenção de continuar, com o «Shannon», embora em moldes diferentes, tanto a nível gráfico como na psicologia das personagens. Para além disso, e apesar de ter alguns outros argumentos para mais histórias, nenhum deles é destinado a personagem fixa."

Piremo-nos do Oeste. Faz um calor dos demónios, zunem-nos as balas aos ouvidos. Voltemos p'ràs bandas lusitanas e falemos dos nossos desenhadores. Nomes a destacar?

"Victor Mesquita, E.T.Coelho, Augusto Trigo, Fernando Relvas."

Estrangeiros?

"Berni Wrightson, um desenhador incrível; também Frazetta, Hermann, Giraud, Harold Foster... enfim, tantos génios!"

Desses, há três que guiam, insensivelmente talvez, a mão de António Ruivo quando desenha. Mas, claro: não há ninguém que comece que não sofra influências...

"Bem, quanto às influências nas personagens que crio, tento que elas sejam o menos possível. Se a nível gráfico não consigo, por enquanto, evitar certas referências, pretendo que os intervenientes nas minhas histórias sejam diferentes de quaisquer outras.
É claro que em meia dúzia de páginas isto é difícil provar."

Os temas favoritos são evidentes quando se vêem as bandas desenhadas deste jovem que tenho à minha frente.
Deu-me agora para o observar melhor: tem um tipo pouco vulgar, este António Ruivo. Talvez isso se deva aos óculos redondos, à John Lennon, e ao cabelo sempre curto... É curioso: não o imaginaria, se o visse na rua, se não o conhecesse, a fazer bandas desenhadas de «cow-boys», monstros mutantes, coisas assim...

"Os meus temas favoritos são realmente o «western» e a ficção fantástica. Quer dizer: algo que engloba a ficção científica, o horror, o fantástico... Sei lá! Tudo o que a imaginação conseguir conceber."

E temas portugueses? Dá para experimentar um dia?

"Já tive a ideia de escrever e desenhar algo no contexto histórico da época dos Descobrimentos; no entanto, por questão de tempo que implicaria uma investigação, e a necessidade de documentação rigorosa, achei por bem dedicar-me a outras coisas. Mas no futuro, e talvez sobre outro aspecto, com um bom argumento... é muito possível."

E outra hipótese, talvez menos difícil: um herói português em ambientes estranhos?

"É uma ideia. Ideia que, aliás, já me tinha ocorrido. Falta pensar melhor sobre isso, e talvez crie qualquer coisa. Ideias tenho eu muitas, por enquanto falta-me é tempo. Não fosse isso e eu já tinha feito umas coisas meio esquisitas, pode crer!"

Heróis de papel, tantos os nomes que toda a gente conhece: Flash Gordon, Tarzan, Príncipe Valente, Rip Kirby, Steve Canyon, Cuto, Mandrake, Corto Maltese...
Excepcionais para o António Ruivo, quais são?

"Olhe: Bernard Prince e Comanche são duas séries cujo conjunto de personagens, clima psicológico e aventuresco considero excepcionais. Como os seus autores, aliás. 
Ah! E Thorgal. Tal como as outras, foi uma série que me cativou desde a primeira leitura."

Para terminar, vamos lá a uma curiosidadezinha doméstica: que pensa do "Tablóide"?

"Penso que é uma oportunidade para os jovens valores da BD portuguesa verem os seus trabalhos publicados. É uma iniciativa a elogiar e apoiar sobre todos os ângulos. Pela minha parte, só uma palavra: obrigado."

Ora, António Ruivo, você e todos os jovens - e até alguns, já bem menos jovens... - que em solidões prolongadas, enchem pranchas e pranchas de desenhos, num gosto e numa luta tão pouco valorizada, bem merecem, no mínimo, este TABLÓIDE.      

(1) Nesta altura estava em publicação a 5ª Série, editada pela Editorial Futura

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Os interessados em ler as entrevistas anteriores (a Jorge Colombo, Luís Louro, António Simões) poderão fazê-lo clicando no item Entrevistas antigas a autores de BD visível no rodapé

sábado, janeiro 24, 2015

Improvisos na Toalha de Mesa (XXVII)








No  passado encontro da Tertúlia BD de Lisboa, em 6 de Janeiro, no lugar do Convidado Especial houve uma convidada - Marta Patalão - autora de BD do género japonês, a chamada mangá.

Este facto ocasionou que várias amigas da Marta estivessem presentes, e algumas delas deixaram a sua marca gráfica nas toalhas de mesa, bem como a própria Marta.

Como de costume, rasguei bocados das toalhas de papel e assim aproveitei esses desenhos improvisados para os mostrar aqui no blogue. Estão patentes no topo do "post", e tiveram a autoria de:

1. Shuang Wú (uma jovem com ascendência japonesa)
2. Marta Patalão
3. Joana Morgado
4. Rita Marques
5. Filipe Duarte
6. Filipe Duarte
7. Sérgio Santos

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Para o caso de alguém querer ver outras ilustrações improvisadas reproduzidas nos 26 "posts" anteriores, poderá fazê-lo clicando sobre o item Improvisos na Toalha de Mesa visível no rodapé 

sexta-feira, janeiro 23, 2015

Mesas Redondas (XIII) - Rafael Bordalo Pinheiro



Rafael Bordalo Pinheiro é o autor da que tem sido considerada a primeira BD portuguesa, com o seu álbum "Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro Sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa" (sendo Rasilb o anagrama de Brasil).

A atribuição da paternidade de Rafael Bordalo Pinheiro da banda desenhada em Portugal deve-se ao ilustre estudioso António Dias de Deus na sua obra "Os Comics em Portugal. Uma História da Banda Desenhada", editada em 1997.

Acontece que hoje, dia 23 de Janeiro, passam 110 anos sobre a morte daquele notável ceramista, caricaturista e cartunista, nascido em Lisboa a 21 de Março de 1846, falecido na mesma cidade a 23 de Janeiro de 1905. 

Aproveitando a efeméride, mas também os recentes acontecimentos com o magazine satírico Charlie Hebdo, o Museu Bordalo Pinheiro organiza hoje uma mesa redonda dedicada ao tema "Cartoon e Liberdade de Imprensa", em que participarão os cartunistas António e Zé Bandeira, e o ilustrador e autor de BD Nuno Saraiva, sendo moderador o Dr. Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura.
 
A este propósito foi distribuído um press release, que tomo a liberdade de reproduzir: 


No dia 23 de Janeiro passam 110 anos sobre a morte de Rafael Bordalo Pinheiro,

Não é que gostemos muito de comemorar as mortes, mas este número redondo – 110 anos – e o momento tão complicado da vida nacional (e internacional, com o ataque ao Charlie Hebdo), faz-nos pensar que relembrar o olhar crítico de Bordalo é muito importante. 


Para isso O Museu Bordalo Pinheiro promove no dia 23 de janeiro, pelas 18h30 uma Mesa Redonda sobre a importância do cartoon nos jornais, para a qual convidámos os cartoonistas António, do Expresso, Bandeira, do Diário de Notícias e Nuno Saraiva, do Sol.

Como moderador o presidente do Centro Nacional de Cultura Guilherme d’Oliveira Martins, estudioso da nossa Identidade e admirador de Bordalo.


Lembramos que Rafael Bordalo Pinheiro reagiu às tentativas de encerramento dos seus jornais e atentados contra a sua vida com um enorme humor. Na tira deste convite, referente à tentativa de encerramento d' O António Maria em 1881, pode ler-se que mesmo debaixo do punhal dos sicários ou sob o cutelo dos algozes  “Nós afirmamos que o António Maria não cessará de aparecer. Continua-se a receber assinaturas para esta publicação imortal”.


Assim, o Museu Bordalo Pinheiro associa-se a este debate tão na ordem do dia mas já secular.


                                                                                          Entrada Gratuita

23 de janeiro, 18h30

Galeria do Museu Bordalo Pinheiro

Campo Grande, 382 – Lisboa

Tel: 21 817 06 71 |

Email: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt
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RAFAEL BORDALO PINHEIRO (1846-1905)

Síntese biobibliográfica

Raphael Bordallo Pinheiro - era assim que se grafava o seu nome na época -, nasceu em Lisboa a 21 de Março de 1846, filho de Manuel Maria Bordallo Pinheiro e Augusta Maria do Ó Carvalho Prostes.

Estreou-se como actor aos 14 anos, no Teatro Garrett, experiência que não teve seguimento, mas que muito o marcou.

Na sua juventude gozou, com excesso, a vida boémia de Lisboa, pelo que a sua carreira académica foi um fracasso, não por falta de se matricular em várias instituições de ensino, designadamente Academia de Belas Artes (desenho de arquitectura civil, desenho antigo e modelo vivo), Curso Superior de Letras, Escola de Arte Dramática, embora nunca tenha completado qualquer curso.
O seu primeiro emprego, conseguido por interferência de seu pai, foi num emprego público, a Câmara dos Pares, mantendo-se a seguir cursos de pintura a aguarela, e fazendo caricaturas, o que o levou a tentar ganhar a vida como artista plástico.
As suas primeiras obras intitulam-se "O Dente da Baronesa", de e "O Calcanhar de Achiles", ambas dedicadas à caricatura, e no que se classifica de figuração narrativa, em "A Berlinda - Reproducções d'um Álbum Humorístico ao Correr do Lápis", todas datadas de 1870.
Estava próxima a realização da sua obra mais importante, representativa do que se pode considerar como a génese da banda desenhada portuguesa, e que data de 1872. Trata-se de um álbum, em imagens sequenciais, com o título "Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro Sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa", uma sátira tendo por personagem central o Imperador Pedro II do Brasil.
Em 1875 publica a "Lanterna Mágica", onde irá surgir a sua personagem mais icónica, o Zé Povinho, com o seu popular "manguito".
Neste mesmo ano, a 19 de Agosto, partiu para o Brasil, onde colaborou em jornais e revistas, designadamente O Mosquito, Psit!!!, O Besouro.
Regressa a Portugal em Maio de 1879, onde trabalha na importante revista António Maria (1879), no "Álbum das Glórias" (1880), e no álbum de BD "No Lazareto de Lisboa" (1881).
Em 1882 e 1883 publicou-se o "Almanach do António Maria". Em 1884 experimenta trabalhar em barro nas oficinas de Gomes de Avelar e em seguida na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, onde se manteve durante vinte e um anos.
Em 1885 a revista "Pontos nos ii" substitui "O António Maria". Nesse ano homenageia os seus amigos do Grupo doLeão num painel que ficará no Café Leão de Ouro, em Lisboa, e participa com os seus irmãos Columbano e Maria Augusta na redecoração do interior do Palácio do Beau Séjour, também em Lisboa.
Em 1889 realiza a decoração do Pavilhão de Portugal na Exposição de Paris, desse ano, pelo que é agraciado com a Legião de Honra.
devido a uma lesão no coração, morre a 23 de Janeiro de 1905, no nº 28 da Rua da Abegoaria, actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro.

Obras consultadas:
Os Comics em Portugal. Uma História da Banda Desenhada, de António Dias de Deus
Uma Nova Forma de Estar no Humor, de Osvaldo Macedo de Sousa  
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Os interessados em ler textos anteriores das rubricas Mesas Redondas ou Charlie Hebdo, podem fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé.

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Concursos - Concurso de BD da BDteca 2015

              
               A informação que me foi enviada apenas se denomina, como se vê no título que encima o presente texto, BDteca 2015. 
Embora, na informação recebida, somente conste o regulamento do concurso, sem qualquer menção às restantes iniciativas que costumam fazer parte do evento, designadamente exposições e feira do livro de BD, por vezes um qualquer "workshop". 

Todavia recebi, por contacto que estabeleci por minha iniciativa (estou a escrever este texto "a posteriori") outros pormenores sobre o evento que divulgarei a seu tempo.

Passo a reproduzir o texto do concurso (sob o novo acordo ortográfico) que a organização me enviou. Cito:

Entre os meses de janeiro e março de 2015, decorrerá na Biblioteca Municipal José Saramago a 9ª edição da BDTECA - Mostra de Banda Desenhada de Odemira, numa iniciativa promovida pelo Município de Odemira e Sopa dos Artistas – Associação Local de Artistas Plásticos.

A iniciativa tem por objetivo divulgar este género artístico entre o público juvenil e adulto, estimular a criatividade e afirmar Odemira como um dos principais centros de desenvolvimento da Banda Desenhada na região e no país. A BDTECA inclui a promoção de um Concurso de Banda Desenhada, exposições, ateliês e mostras documentais.
  
O Concurso de Banda Desenhada marca o início das actividades da 9ª BDTECA. O prazo para entrega de trabalhos decorre até ao dia 20 de fevereiro, sendo dirigido a maiores de 16 anos. 


O concurso tem como prémios 500 euros para o 1º classificado, 250 euros para o 2º e 125 euros para o 3º lugar. O tema é livre e os trabalhos devem ser apresentados em folhas de formato A3, com o máximo de 4 pranchas originais inéditas e em língua portuguesa.


Cada concorrente pode participar com mais do que um trabalho, desde que enviados separadamente e com pseudónimos diferentes. A identificação e contactos do autor devem constar apenas no interior de envelope fechado, com o pseudónimo no exterior. Os concorrentes deverão entregar os seus trabalhos no Balcão Único do Município de Odemira ou enviar para o Município de Odemira, na morada Praça da República, 7630-139 Odemira. 
 
Para melhor esclarecer os interessados em participar no concurso de BD, reproduzo a totalidade do regulamento (que usa o AO90, de que não gosto, mas respeito a opção), que me foi enviado em anexo:

Preâmbulo

O Município de Odemira, em parceria com a Sopa dos Artistas - Associação Local de Artistas Plásticos, promove um concurso externo de Banda Desenhada, com o objetivo de promover a BD.


Art.º 1º
- Objectivos -
Os objetivos deste concurso são a promoção da Banda Desenhada junto da população juvenil e adulta, assim como a promoção da criatividade e da imaginação dos concorrentes.
 

Art.º 2º.
- Destinatários -
Podem candidatar-se todas as pessoas com idade superior ou igual a 16 anos.
 

Art.º3º.
- Duração -
A edição deste concurso desenvolver-se-á ao longo dos meses de janeiro e fevereiro de 2015 (de 12 de janeiro a 20 de fevereiro).
 

Art.º4º
- Trabalhos a concurso -
Os concorrentes deverão apresentar um trabalho com o máximo de 4 pranchas originais inéditas e em língua portuguesa.
Os trabalhos deverão ser obrigatoriamente apresentados em formato A3.
Cada concorrente poderá concorrer com mais do que um trabalho, desde que os envie separadamente e com pseudónimos diferentes.
Nas folhas dos trabalhos não pode constar qualquer indicação sobre o concorrente, sob pena de ser excluído.
Juntamente com os trabalhos deverá vir um envelope que deverá conter, no exterior, o pseudónimo e, no interior, de forma bem clara e legível, os seguintes elementos identificativos do autor: nome, morada, nº de telefone e endereço eletrónico.
As folhas devem ser numeradas e assinadas com o pseudónimo no canto inferior direito.
Deverão ser entregues 2 cópias dos trabalhos a concurso em formato A3.
 

Art.º 5º
- Prazo e modos de entrega dos trabalhos -
Os trabalhos deverão ser entregues directamente no Balcão Único (BU) ou por correio até ao dia 20 de fevereiro em carta fechada e para a seguinte morada:


Município de Odemira
Praça da República
7630 - 139 Odemira


A entrega por correio deverá ser feita através de registo com aviso de recepção.
A entrega em mão poderá fazer-se durante o horário de funcionamento do Balcão Único (BU) de 2ª a 6ª feira, das 9h às 16h.
O envelope deverá ser entregue fechado e com a indicação, no exterior, da designação do concurso e do pseudónimo.
Não serão aceites trabalhos cuja data, dos correios, seja posterior à data limite.
Todos os trabalhos recebidos serão registados, numerados e datados.
 

Artº 6º
- Júri -
Os trabalhos presentes a concurso serão analisados por um Júri constituído pela Vereadora do Pelouro da Cultura do Município de Odemira, por um membro da Associação Sopa dos Artistas e por um elemento convidado pelo Município.
O júri fará uma pré-selecção dos trabalhos os quais serão imediatamente excluídos caso não cumpram os requisitos definidos nos artigos 4º e 5º.
O júri terá como critério de apreciação a criatividade, a originalidade e a qualidade gráfica dos trabalho
 

Art.º 7º
- Prémios -
O concurso de Banda Desenhada concederá os seguintes prémios:
 

1º Prémio: 500€
2º Prémio: 250 €
3º Prémio: 125€
 

Os concorrentes serão informados oficialmente do resultado do concurso e da data de entrega dos prémios por carta registada com aviso de recepção.
Os trabalhos poderão eventualmente vir a ser publicados, dependendo da qualidade dos mesmos e das possibilidades da autarquia.
Todos os participantes receberão um diploma de participação.
 

Art.º 8º
- Direitos de autor / direitos de utilização -
Os autores premiados incluindo as Menções Honrosas, prescindem dos direitos de autor relativos à publicação das Bandas Desenhadas a favor do Município de Odemira.
Todos os trabalhos a concurso ficarão em poder da Biblioteca Municipal, reservando esta para si o direito de reprodução e difusão das obras sem a autorização expressa do autor.
 

Art.º 9º
- Casos Omissos -
Todas as situações que não estão previstas nestas normas serão resolvidas pelo Júri.
A participação neste concurso implica a plena aceitação de todos os artigos das presentes normas


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Para ver as postagens anteriores referentes a eventos de banda desenhada, ou que a incluam, bastará clicar no item: Festivais, Salões BD e afins, visível no rodapé      

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Exposições BD Avulsas - Relvas



Relvas, Fernando Relvas, é um dos autores de referência da BD portuguesa, nunca é de mais afirmá-lo. E também nunca é de mais haver oportunidades para poder apreciar, e comprar, pranchas originais de bandas desenhadas de sua autoria.

Ora é exactamente esse ensejo com que se depara quem visitar a exposição que se inaugura hoje, 4ª Feira, 21 de Janeiro, pelas 18h30, no Espaço Arte da Livraria Europa-América, onde estarão expostas 120 pranchas originais pertencentes a obras de BD já publicadas em jornais, revistas e álbuns.

Um pormenor inusitado: as pranchas, para além de poderem ser vistas, também podem ser compradas.
Para as visionar, apreciar e, eventualmente, comprar, haverá 20 expostas na parede, as restantes em expositores. 
Todas a 280€, excepto a mais pequena que custa 350€ 

Incluída na inauguração da exposição será projectado um filme de animação "Fado na Noite", na realização do qual Relvas teve contribuição fundamental. (*)

Espaço Arte 
Livraria Europa-América
Av. Marquês de Tomar, 1B
Lisboa
 
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(*) "Fado na Noite" (2012), de Fernando Relvas (11' 04'')


"Fado na Noite" (2012), de Fernando Relvas (11' 04'')

Argumento, Autoria Gráfica, Realização, Storyboard e Layouts: Fernando Relvas / Produção e Co-Realização: Humberto Santana / Animação: Osvaldo Medina / Traçagem de Máscaras: Élio Machado, Humberto Santana e Osvaldo Medina / Direcção técnica, scan, pintura, processamento de imagem e montagem: Luís Canau / Fados compostos com quadras e músicas populares / Direcção e gravações musicais: João Penedo / Fadistas: Mafalda Taborda – Tagana (Guitarra, minha guitarra, Eu pedi a Deus a Morte e Pelo canto das sereias), Ricardo Ribeiro – Belezas (Rapazes quando eu morrer), Marco Oliveira – Briol (Nasci nas praias do mar e Tenho dentro do meu peito) / Músicos: João Penedo – Baixo e Contrabaixo; Ricardo Rocha – Guitarra Portuguesa; Carlos Mil Homens – Percussão; Marco Oliveira – Viola / Vozes: Mafalda Taborda, Ricardo Ribeiro, Marco Oliveira, Humberto Santana, Osvaldo Medina, Luís Canau, Paulo Curado, Élio Machado, Rui Miguel Silva / Sonoplastia: Paulo Curado - Estúdios Animanostra / Edição: Mixturas / Administração: Manuela Costa / Contabilidade: Paula Cruz / CPI / Produção financiada por:ICA /MC e RTP / ANIMANOSTRA 2012


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FERNANDO RELVAS

Síntese biobibliográfica

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 
 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. Estreou-se em 1976 a colaborar num jornal, o Gazeta da Semana, com a personagem 'Chico'. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.


Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa. 

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: "Palmyra (2007), The Chinese Master Spy" (2008), "Li Moonface" (2011), "Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy?" (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura.

Em 2013 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de BD/2012 pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos". 


Esteve parte do corrente ano de 2014 a preparar, mais uma vez como autor completo - argumento, desenho, legendagem e colorização -, a obra "Nau Negra", quase terminada em fins de Setembro.

G.Lino
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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes cinquenta e nove "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas visível no rodapé.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Mesas Redondas (XII) - Tema: Charlie Hebdo



Uma mesa redonda dedicada a um tema candente, o ataque fanático ao magazine Charlie Hebdo, vai decorrer num monumento histórico, algo improvável para um evento deste género - o Museu Arqueológico do Carmo.

Derivado desse facto, outros assuntos serão focados, tais como o poder dos cartunes editoriais, liberdade de imprensa e expressão, os contextos históricos da imprensa ilustrada.

Participam nessa mesa redonda: Sara Figueiredo Costa, Nuno Saraiva, Osvaldo Macedo de Sousa e Eduardo Salavisa, com moderação de Pedro Moura

Reproduzo o texto que foi enviado para os média, incluindo a blogosfera (as separações dos parágrafos são de minha responsabilidade):

O crime perpetrado contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo colocou na ordem do dia junto ao grande público uma discussão que tem tido lugar em círculos especializados.

Qual o papel do cartoon editorial nas democracias modernas, cujas leis de liberdade de expressão permitem um qualquer grau de negociação entre o que se entenderá por "aceitável" e "pertinente", por um lado, e "exagerado" e "ofensivo", por outro.

Se se acreditar numa tal categorização, porém, há que compreender que ambas pertencem a uma longa tradição de trabalhos, e com particular presença na cultura francesa. A questão desta liberdade vai embater noutras questões, como os posicionamentos ideológicos, os ditos limites da imprensa, a censura prévia e as decisões judiciais, assim como a conjuntura actual a nível mundial cujas fricções são vistas por alguns como um "choque de civilizações". 

Não é difícil começar uma discussão sem tropeçar em controvérsias ou mesmo afirmações elas mesmas insustentadas, já que tudo isto implica emoções, limites ao nosso conhecimento, posicionamentos extremados, etc. 

A comunidade de artistas de banda desenhada, ilustração e cartoon editorial, assim como investigadores e críticos da área têm multiplicado a sua expressão de solidadriedade, assombro e até mesmo incompreensão nos mais variados canais de comunicação.

Alguns dos seus membros não sabem bem como começar a articular o que pensam e sentem, mas sentem também a urgência em fazer algo mais. 
Esta é uma oportunidade, entre outras, de dialogar.


Museu Arqueológico do Carmo
Largo do Carmo - Lisboa
Dia 20 de Janeiro, Terça-feira, 18h30
Entrada livre

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