quarta-feira, setembro 04, 2013

Comic Jam - (2ª fase - nº 3 - Total 56)



Ontem, 3ª feira, Gabriel Martins foi o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa. Apesar de ser argumentista de banda desenhada e não desenhador, não escapou à tradição de ser ele a iniciar o "comic jam" que mensalmente se realiza na tertúlia. 

Eis a lista dos autores do "cadáver esquisito":

1 - Gabriel Martins ------------------------- 2. Ana Saúde
3 - André Oliveira -------------------------- 4. Fil
5 - Hugo Teixeira  -------------------------- 6. Johny Tércio
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segunda-feira, setembro 02, 2013

Tertúlia BD de Lisboa - 351º Encontro - Setembro 2013




Nem só os desenhadores/autores de BD têm direito a ser Convidados Especiais da Tertúlia BD de Lisboa. Desta vez, no seu 351º Encontro, estará presente um argumentista/guionista de banda desenhada - por conseguinte, também é autor de BD -, de nome Gabriel Martins, que já escreveu argumentos para curtas de BD desenhadas por Hugo Teixeira, Rui Alex e Fil.

Episodicamente, colaborou num programa de rádio, o "Cartaz Daire", na Rádio Limite de Viseu, onde, a convite de Tadeu Almeida daquele posto emissor, falou de BD em data recente, comentando duas novidades editoriais: "Anos Dourados", de Marco Mendes, e "Polarity", de Jorge Coelho e Max Bemis. 

Ilustrações da postagem:  

1. Prancha da bd intitulada "Ano 3500", da autoria de Rui Alex, desenho, e Gabriel Martins, argumento;

2 e 3 - Autobiografia de Gabriel Martins, Convidado Especial da TBDL
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Lista de presenças, elaborada "a posteriori", neste 351º Encontro da TBDL


1. Álvaro
2. Ana Saúde
3. Ana Vidazinha
4. André Oliveira
5. António Isidro
6. Carlos Moreno
7. Cristina Costa Amaral
8. FIL
9. Gabriel Martins (Convidado Especial)
10. Hugo Teixeira
11. Inês Ramos
12. João Amaral
13. João Tércio
14. João Vidigal
15. Luís Graça
16. Miguel Falcato
17. Nuno Duarte ("Outro" Nuno Duarte)
18. Pedro Bouça
19. Pedro Vieira
20. Rui Domingues
21. Sá Chaves
22. Victor Jesus



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Como há ainda quem não se tenha apercebido da passagem de testemunho que se verificou em Junho deste ano de 2013, de mim para o quarteto Álvaro, Inês, Isidro e Moreno, no que concerne à realização mensal da Tertúlia BD de Lisboa, aqui fica mais uma vez essa informação. 
Ou seja: a partir de Junho, inclusive, deixei de ter qualquer actividade na organização da TBDL (aliás,para ser mais explícito, não voltei a estar presente nos encontros a partir de Junho, não por ter havido qualquer desentendimento, apenas porque decidi afastar-me, a fim de afrouxar a minha actividade na BD).
A parte da elaboração do programa, com o texto da autobiografia do Convidado Especial, é agora da responsabilidade do Álvaro; o "Comic Jam" do mês passado soube no Sábado  que quem fez os  convites aos autores participantes foi a Inês Ramos. Também, desde Agosto, está a ser da responsabilidade do Álvaro a escolha dos "Convidados Especiais". O Moreno é o responsável pela efectivação do "Sorteio Interactivo de BD", e o Isidro está ali para substituir algum ausente por férias ou outra qualquer impossibilidade.
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sábado, agosto 31, 2013

Sem Palavras (I)






"Mudas"? "Sem Palavras"? Hesitei, confesso, na escolha do título para esta nova rubrica que será preenchida com bandas desenhadas compostas unicamente por imagens, sem legendas nem balões de fala.

Optei pela segunda expressão para classificar o tipo de bedês onde se insere a que aqui fica hoje afixada, totalmente muda, que nem sequer tem título, da autoria de Nuno Amorim.

Já é antiga, foi publicada no nº 10 da revista Visão (de BD, capa aqui ao lado), editada em Fevereiro de 1976. 

Redescobri a bd ao folhear um exemplar que detectei solto e repetido (tenho a colecção completa encadernada). 

E decidi mostrá-la aqui no blogue, por tê-la considerado imaginativa, em que cabe um pormenor brejeiro e um final desconcertante.

Voltando à minha hesitação inicial para o título da rubrica (ou "etiqueta", vocábulo usado no blogue): de início inclinava-me para a classificar como "banda desenhada muda", mas acabei por considerar que o adjectivo não seria totalmente correcto.

Na verdade, uma bd deste género, apesar de não ter nenhum texto, acaba por "falar" connosco, à medida que vamos observando sequencialmente as imagens, e concluindo que elas, por si só, nos narram um episódio.
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NUNO AMORIM

Síntese biobibliográfica

Nuno José Fernandes Amorim, Lisboa, 9 de Abril de 1952.

Licenciado em Arquitectura pela ESBAL - Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (actual FBAUL-Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa). 

A meio das funções que começara a exercer em 1973, num ateliê de arquitectos, surgir-lhe-ia a possibilidade de fazer BD na revista Visão, quando ela atingia o seu número sete. Passava-se isto em Outubro de 1975.
 

Debutaria assim o jovem Nuno nessa invulgar e importante publicação, editada entre Abril de 1975 e Maio de 1976, e nela colaborou com várias bedês, entre as quais ressalta a intitulada "Jim Tónic".

 Ainda em 1976 foi editor e director do fanzine "Ovo", onde há ilustrações e bandas desenhadas suas, de Carlos "Zíngaro" e de Pedro Froias (Pedro Massano).

quarta-feira, agosto 28, 2013

Curtas de BD (Autores portugueses - IX) - José Smith Vargas



José Smith Vargas é um ilustrador e autor de BD com talento singular e estilo muito pessoal. A sua trajectória abarca já número significativo de obras, embora dispersas pelos mais variados suportes e imprevisíveis temas. 

Um flagrante exemplo é exactamente a presente banda desenhada - inédita, portanto em estreia neste blogue - onde, em curtas três pranchas, plasma uma síntese biográfica do pintor "naif" Niko Pirosmanashivili (Georgia, 1862/1918), artista que sempre viveu em extrema pobreza, situação social que José Vargas transmite de forma intensa, através de grafismo "sujo" e sombria colorização.

Uma curta mas notável peça de figuração narrativa, bem demonstrativa de estarmos em presença de um valor sólido da actual BD portuguesa.

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Biografia

José Smith Vargas 

Síntese biobibliográfica

 José Smith Vargas, Lisboa, 1981.

Formou-se na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. 
Ilustrador, muralista, designer, autor e leitor de banda desenhada. Publicou BD e ilustração em edições da Associação Chili com Carne, na Revista Buraco e em inúmeras outras publicações, jornais, fanzines, blogues, etc.. 

Fez cartazes, designadamente para o Concurso de BD da Associação Cultural Alagamares, de Sintra.

Naquela associação dirigiu uma oficina de BD em quatro sessões, destinada a principiantes (apresentada pelo cartaz afixado aqui ao lado).

Dos seus projectos de BD em curso destaca-se a adaptação de textos de Raul Brandão na série "O Fígado da República"; de crónicas sobre a requalificação do bairro da Mouraria; e "As Aventuras de Mário, o Trovador".
Tem tentado levar a influência da BD para outros territórios visuais como cartazes e capas de discos, ultrapassando a natureza sintética e aglomeradora da ilustração, antes explorando instantâneos de sequências, de narrativas inexistentes.
Das influências que recebeu, a principal em termos de autores é a BD franco-belga (clássica e contemporânea):

Edgar P. Jacobs, Jacques Martin, Franquin, François Bourgeon, Jacques Tardi, Christophe Blain, David B., Joann Sfar...

Depois há Pratt, Muñoz, Prado, Bilal, o português Relvas... 

Quanto a personagens, as preferidas vêm da escola autobiográfica americana: Harvey Pekar e Joe Sacco. Autores que se representam nas suas histórias.. No caso de Pekar, escrito por ele e desenhado por outros.

Em relação a Mário "o trovador", bd em preparação, baseia-se num cantautor e músico de rua, iniciando assim uma série onde traça pequenos retratos da vida e ilustra alguns temas das canções do seu amigo.

Os seus espaços na internet:
josesmithvargas.blogspot.pt
www.behance.net/josesmithvargas
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Os interessados em ver as oito postagens anteriores deste tema, poderão facilmente fazê-lo clicando no item Curtas de BD (Autores portugueses), visível no rodapé.
  
 

sábado, agosto 24, 2013

Webzines


É conhecida, pela comunidade bedéfila, a existência em Lisboa de um estúdio habitado por vários autores de banda desenhada, ilustradores, cartunistas, realizadores de cinema de animação e de documentários, mas também uma produtora de videojogos ("Nerds Monkeys").

Os residentes adoptaram o nome de The Lisbon Studio - TLS, e daquele espaço incomum - talvez caso único em Portugal - têm saído obras diversificadas. 
A mais recente foi o TLS Webmagazine #2, com 128 páginas, datado de Agosto/Setembro 2013.


Nestes dois números do webzine (tecnicamente folheável), publicados no suporte virtual da internet, encontram-se bandas desenhadas, ilustrações e cartazes de numerosos grafistas.
No # 2 - aqui apresentado em primeiro lugar, por ser o mais recente - podem ser visionados trabalhos dos seguintes colaboradores, residentes no estúdio lisboeta:

Ana Feitas, Ana Branco, André Oliveira (argumentista, a mostrar colaborações com desenhadores), Filipe Andrade, Joana Afonso, João Maio Pinto, Jorge Coelho, Nuno Duarte, Nuno Saraiva, Pedro Brito, Pedro Ribeiro Ferreira, Pepedelrey, Ricardo Cabral.

A capa é de Jorge Coelho, o design e a paginação de Pedro Brito, a coordenação cabe ao trio André Oliveira, Pedro Brito e Pepedelrey. 
No #1 do TLSMag editado com data de Junho/Julho 2013, as colaborações, ao longo de 134 páginas, foram praticamente as da equipa da edição seguinte, cujos nomes se apresentam no início da postagem (apenas por questões de dar lugar à edição mais recente, é dada prioridade ao #2). Essa manutenção quase completa da equipa é perfeitamente compreensível, considerando que o conjunto de autores que nele colaborou pouco difere daquele que elaborou o número seguinte, e porque continuam a residir lá quase todos. Vejamos então a composição da equipa pioneira:
  
Ana Freitas, Ana Branco, André Oliveira, Filipe Andrade, Filipe Pina, Joana Afonso, João Maio Pinto, Jorge Coelho, Nuno Duarte (argumentista), Nuno Duarte ("Outro Nuno") (desenhador), Nuno Saraiva, Pedro Brito, Pedro Ribeiro Ferreira, Pepedelrey, Ricardo Cabral.

A capa do magazine é da autoria de Pepedelrey, o design e paginação de Pedro Brito, e as fotografias de Ana Branco.

Para os visitantes poderem aceder aos webmags, com todas as suas potencialidades tecnológicas, incluindo a possibilidade de os folhear, eis o competente endereço:

www.thelisbonstudio.blogspot.pt

Quem quiser contactar por e-mail, aqui fica o endereço virtual:
thelisbonstudio.mail@gmail.com

e também o endereço físico:
Rua Diogo do Couto, 1 - 7E (a Santa Apolónia)
Lisboa

     

quinta-feira, agosto 22, 2013

Concursos de BD (67)


Lituânia, República da Lituânia (ver o brasão aqui por cima), é no Norte da Europa, e é de lá que nos chega a notícia de um concurso de banda desenhada, por acaso bem apelativo: são aceites concorrentes com idade até aos 38 anos, o vencedor terá direito a um prémio de 1300€, as bandas desenhadas participantes poderão ter um máximo de 6 pranchas (e não é indicado o limite mínimo...) e o prazo para entrega das obras participantes é o dia 7 de Setembro (de 2013, claro).

Mas nada melhor do que serem os potenciais interessados a lerem o regulamento e tomarem a melhor decisão (concorrerem, por exemplo)... 

IUGTE with the support of "ArtUniverse" Agency announced the Competition for Comics Artists, Cartoonists and Graphic Novelists on the theme "Impostor"

"Impostor" 
Competition for Comics Artists, Cartoonists and Graphic Novelists 

The competition is opening on August 15th!

COMPETITION SUBJECT

"Impostor" is the competition for the best unpublished comics based on the play by Friedrich Schiller "Demetrius". "Demetrius" is the incomplete drama by the German playwright F.Schiller based on the life of Demetrius. The central figure is the character of False Dmitry, the Tsar of Russia who was one of the three impostors (Russian: самозванец 'samozvanets', "impostor") and who claimed himself to be the youngest son of Ivan the Terrible, tsarevitch Dmitriy Ivanovich. The False Dmitriy is one of the notable characters in Russian history and his personality still attracts the attention of historians, writers and poets its ambiguity and mystery.

ENTRY DEADLINE

We strongly encourage all entrants to send in their comics as soon as possible. 
The sooner the comics are available online, the greater their level of public exposure and their chance of winning the award.

The entries are accepted before September 7th.
The results of the competition will be announced on September 10th.

ELIGIBILITY

The award is granted without regard to sex, race, national origin, language, creed, pregnancy, family status, political convictions, disability or citizenship. 

The competition is open to comic strip authors, cartoonists and graphic novelists from different countries and backgrounds working in various styles. 

The applicant's age limit is 38 years.



SELECTION AND EVALUATION CRITERIA

Members of the competition Jury will select the best comics based on the following criteria:
  • Authenticity (essential).
  • Originality and artistic value (33%).
  • Storytelling (33%).
  • Technical quality (33%).
AWARD AND EXHIBITION

The winner of the "Impostor" competition will be awarded the scholarship supported by "ArtUniverse" Agency for participation in four-week International Lab which will take place on November 4 - December 2, 2013 at the Russian Drama Repertory Theatre of Lithuania. 
The scholarship award is 1350 EUR. 

The Lab project is organized by the International University ”Global Theatre Experience” (IUGTE) in partnership with Russian Drama Theatre of Lithuania. The four-week intensive Lab offers a unique opportunity to become the part of the international multidisciplinary artistic team and to take part in the practical creative process together with Russian actors at the Russian repertory theatre. The Lab will create the fascinating encounter of different arts in multicultural and multilingual artistic environment. The Lab creative team will consist of representatives from various professional backgrounds with different areas of expertise in performing arts - actors, directors, dancers, choreographers, arts managers, film and video makers from different countries. As the result of the four-week Lab collaboration the international team will create and demonstrate the work-in-progress on the stage of the Russian Drama Theatre of Lithuania. 

The contributions of all "Impostor" competition finalists will be published on IUGTE and "ArtUniverse" Agency web resources
as well as presented to the public during the three international events: 
  • Press conference and exhibition dedicated to the opening of the the work-in-progress on the stage of the Russian Drama Theatre of Lithuania created by the creative team of directors, actors, dancers, choreographers, film and video makers from different countries as the result of the four-week long International Lab in November-December 2013 in Vilnius, Lithuania.
  • Project presentation and exhibition at IUGTE annual International Conference "Theatre Between Tradition and Contemporaneity" held on December 17-21, 2013 at Retzhof Castle in Austria.
  • Press conference and exhibition dedicated to the opening of the the final performance on the stage of the Russian Drama Theatre of Lithuania created by the creative team of directors, actors, dancers, choreographers, film and video makers from different countries as the result of the six-week long International Lab in January-March 2014 in Vilnius, Lithuania.
SUBMISSION GUIDELINES

The comic must be original and unpublished material created by the candidate.  
By entering the "Impostor" competition, candidates acknowledge that: 
  • The comic strip they are submitting is their own original work.
  • The submitted comic does not infringe on the copyright, trademark, moral rights, rights of privacy/publicity or intellectual property rights of any other person or entity; and that no other party has any right, claim, title, or interest in the comic. 
  • By submitting the comic, each candidate authorises IUGTE to reproduce, distribute or display the entry and create derivative works relating to the entry (along with author accreditation) in connection with the promotion of the award, or as part of any media or public events, without additional compensation.
  • By submitting the comic, each candidate authorises IUGTE to use the comic as part of the presentations and exhibitions to take place in 2013-2014, along with author accreditation. 


Technical requirements:

  • Each comic must consist of a maximum of 6 pages.
  • Each page of the comic must be of a maximum of 3MB. 
  • Comics submissions are accepted both electronically (JPG format) to artuniverseagency@gmail.com (send a copy to comicscompetition@iugte.com)with subject "Comics Competition" and via post (please contact us for more details).
  • Style, technique and genre can be at the candidate's choice.
  • Along with the comic, candidates should submit a cover letter of motivation and brief professional biography (written in Word/PDF format in English),
    latest head shot (JPG format) and the scanned copy of personal ID document confirming the age (JPG format).
Candidates will receive acknowledgement of receipt of their submission. 


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Qualquer visitante deste blogue que queira ver anteriores regulamentos de concursos de BD, poderá fazê-lo clicando no item Concursos de Banda Desenhada visível no rodapé



sexta-feira, agosto 16, 2013

Política e BD (V)









O assalto ao paquete Santa Maria, levado a efeito pelo Capitão Henrique Galvão, rebelde político e escritor, a 20 de Janeiro de 1961, como forma de insurreição contra a ditadura salazarista, é um facto digno de registo na História de Portugal.


Como se compreende, considerando o rigoroso controlo exercido na época sobre a imprensa e a rádio, o acontecimento foi abafado internamente tanto quanto possível, embora tenha tido relevo mediático no estrangeiro. De tal maneira o assunto teve impacte que vamos encontrar a sua descrição em forma de banda desenhada numa revista mexicana de BD, contemporânea do assalto, intitulada Aventuras de La Vida Real.

O facto teve, com efeito, fortes contornos políticos, negativos para o regime de Salazar, e não podia ter qualquer divulgação mediática, incluindo a figuração narrativa. Aliás, os autores de BD da época não se atreveriam a tratar de assunto tão melindroso, nem as revistas em publicação nessa data - Camarada, Fagulha (estas duas ligadas à Mocidade Portuguesa, organização dependente do regime), Cavaleiro Andante, Zorro, Mundo de Aventuras - teriam a ousadia de tentar publicar uma peça com tais características políticas, sob pena de serem proibidos de o fazer pelo serviço de censura.

Por conseguinte, esta banda desenhada de autor mexicano (não identificado) nunca poderia ter tido publicação em Portugal, embora a revista mexicana apresente na sua ficha técnica a indicação "Revista Aprobada por la Secretaria de Educación Pública". Creio que poucos portugueses dela terão tido conhecimento, eu incluído, que só agora a vi, em e-mail que me foi enviado pelo meu amigo coleccionador Fernando Cardoso.

Aventuras de La Vida Real
"El Buque Rebelde" - Galvao y la Persecución del "Santa Maria"!  
Ano VII - nº81 - 1º de Septiembre de 1962
Revista Mensual
Apartado Postal 6999 - México
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Publicação em formato A4
Edição em policromia
Capa, contracapa e miolo com 32 páginas

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Os visitantes interessados em ver as anteriores quatro postagens poderão fazê-lo clicando no item Política e BD, incluído em rodapé 

segunda-feira, agosto 12, 2013

Comic Jam - (2ª Fase - nº2 - Total 55)




Agora sob coordenação de Álvaro, o "Comic Jam" - ou "cómique jâme", como ele próprio costuma escrever - realizado na Tertúlia BD de Lisboa, continua a ser um produto gráfico que sempre suscita curiosidade. 
Trata-se, como é sobejamente sabido, de uma forma de banda desenhada feita de improviso, por vários desenhadores, obviamente de estilos díspares.
Na peça reproduzida no topo da postagem, colaboraram:

1 - Sónia Oliveira ------------------------- 2. J.Mascarenhas
3 - José Abrantes ------------------------ 4. MALS (Manuel Augusto Lopes da Silva)
5 - José Lopes ---------------------------- 6. Simões Santos
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Os visitantes interessados em verem os 55 "posts" anteriores deste tema, poderão fazê-lo com um simples clique no item Comic Jam visível no rodapé

quarta-feira, agosto 07, 2013

Festivais, Salões BD e afins - XVIII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu


O excelente cartaz da autoria de João Amaral é o ponto de partida para o Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, um evento que vai decorrer durante a Feira de S.Mateus e que terá, entre 9 de Agosto e 22 de Setembro, a sua XVIII edição. Como habitualmente acontece, será variado suficientemente de forma a motivar a ida a Viseu de grande número de aficionados de BD de vários pontos do país.
Essencialmente, o programa exposicional do evento baseia-se nos seguintes itens:

A Obra de Eça de Queiroz na BD (cooperação com o evento homólogo de Moura)
Homenagem à obra de Will Wandersteen
Humor no Jornal do Exército
Homenagem Póstuma a Sergio Bonelli (TEX)
Nos 50 anos do Spider Man
Grande Plano (sobre alguns álbuns estrangeiros)
Jovens Valores (Joana Afonso – “O Baile”; Pedro Emanuel- Viseu; Dani-Viseu)
Álvaro
Miguel Rebelo (Cartoons)
Rui Lacas – Asteroid Fighters
Corto Maltese no século XXI (Geraldes Lino)
Santos Costa (O Bandarra e outras histórias)
Comés - Homenagem póstuma
Andrea Venturi
  

Naturalmente, a programação deste evento BD tem várias outras componentes. Por exemplo, a presença de alguns autores de BD. 
O italiano Andrea Venturi é o estrangeiro que estará no Salão, no dia 10 de Agosto, para uma sessão de autógrafos. 
Também para o mesmo efeito estarão disponíveis os autores portugueses Santos Costa, Miguel Rebelo, João Amaral e Pedro Emanuel a partir das 17 horas.



Há uma iniciativa da entidade organizadora do Salão BD, o GICAV - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu , que se concretiza na atribuição de um troféu, o Animarte, a individualidades da BD (autores -desenhadores e argumentistas -, críticos e divulgadores). 
Muito justamente, no capítulo de autores de BD, o distinguido nesta XVIII edição do evento é João Amaral.  E a seu respeito, reproduzo as palavras do crítico Pedro Cleto:

"João Amaral, artista multifacetado ligado a Viseu desde longa data, é distinguido com outro Prémio Animarte BD pelo conjunto da sua obra artística. O Salão revela em exposição individual alguns dos seus trabalhos mais representativos (A Voz dos Deuses; A História de Manteigas; História de Fornos de Algodres; Vidas; O Fim da Linha; Cinzas da Revolta)."

Entrando a seguir numa componente do Salão que me diz directamente respeito, prefiro também reproduzir o texto do meu amigo Cleto, que extraí do seu excelente blogue "Leituras do Pedro": 

"Sem apresentar uma temática fechada, o XVIII Salão pretende destacar o “Universo dos Fanzines de BD” em Portugal, apresentando exposições e autores/editores representativos deste fenómeno editorial, tantas vezes sobrevivendo à margem dos circuitos comerciais livreiros. Geraldes Lino (crítico, editor, coleccionador) é o anfitrião deste Salão no que aos Fanzines diz respeito, distinguido com o Prémio Animarte BD pelo trabalho incessante na divulgação e promoção dos artistas, muito em particular dos jovens artistas. Apresenta em Viseu um estudo de opinião sobre o mundo dos fanzines em Portugal, uma exposição de fanzines da sua colecção particular e a exposição “Corto Maltese no século XXI”, a partir do Fanzine Efeméride, do qual é editor."
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Para ver as postagens anteriores referentes a eventos de banda desenhada, bastará clicar no item: Festivais, Salões BD e afins, visível no rodapé 

domingo, agosto 04, 2013

Tertúlia BD de Lisboa - 350º Encontro - Agosto 2013

Sónia Oliveira vai ser a ilustradora/autora de BD Convidada Especial da Tertúlia BD de Lisboa, no seu 350º Encontro.
Para fazer a apresentação da novel autora, será distribuído pelos participantes da TBDL, no próximo dia 6 de Agosto, o programa que aqui se reproduz, contendo uma síntese biográfica da Sónia, e mais um número do Tertúlia BDzine, o 178, com a banda desenhada "Vírus" (numa versão em língua inglesa), da autoria da Convidada Especial.

Como  já é do conhecimento público, esta associação informal que existe há vinte e oito anos, sempre com encontros mensais, está agora sob a organização do quarteto AIIM - Álvaro, Inês, Isidro, Moreno -, mantendo-se como local de encontro o restaurante "A Gina", no Parque Mayer. Continua a efectuar-se o sorteio interactivo, com peças oferecidas pelos próprios participantes, e até por este blóguer que, por razões físicas e psicológicas deixou de estar presente, mas que continua a participar nessa componente. 

A ilustrar a presente postagem está a primeira prancha da bd "Vírus", incluída no Tertúlia BDzine nº 178.

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Lista de presenças, elaborada "a posteriori", neste 350º Encontro da TBDL


1. Álvaro
2.
Ana Saúde
3.
António Isidro
4.
Bruno Martins
5.
Carlos Moreno
6.
Helder Jotta
7.
Hugo Moreira
8.
Inês Ramos
9.
Isabel Viçoso
10.
João Mascarenhas
11.
José Abrantes
12.
José Lopes
13.
Luís Graça
14.
Machado Dias
15.
MALS  
16.
Manuel Valente
17.
Miguel Falcato
18.
Miguel Ferreira
19.
Milhano
20.
Nuno Duarte
21.
Pedro Bouça
22.
Pedro Vieira
23.
Rui Domingues
24.
Sá Chaves
25.
Sandra Rosa
26.
Simões dos Santos
27.
Sónia Oliveira

 

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Os visitantes do blogue interessados em ver as anteriores postagens deste tema poderão fazê-lo clicando no item Tertúlia BD de Lisboa, incluído em rodapé 

terça-feira, julho 30, 2013

Astrologia e BD (I),Banda Desenhada publicada em revistas não especializadas em BD (LI)




Lá pelos idos dos anos 80 do século passado, Fernando Relvas, nome sonante da BD portuguesa, andava em grande actividade embora em colaborações dispersas, pelo que fazia bandas desenhadas na revista Tintin (edição portuguesa), no semanário Sete, e também - facto bem menos conhecido -, na revista Pão Comanteiga.


Para esta última publicação citada, Relvas decidiu debruçar-se sobre a Astrologia - aliás, ele até escreveu no ante-título "Os Planetas Mostram-lhe o Misterioso Mundo da Astrologia" - e de seguida aproveitar os populares signos bem como as respectivas definições que os caracterizam, para os transformar em sequências desenhadas, com um cariz declaradamente humorístico, em consonância com o traço caricatural que tão bem domina.
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Para os visitantes que quiserem ver postagens anteriores relacionadas com o segundo tema bastar-lhes-á clicar no respectivo item visível em rodapé

sábado, julho 27, 2013

Autógrafos Desenhados (XXIV) - Paolo Ongaro


Conheci Paolo Ongaro, autor italiano de banda desenhada, no Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione de Lucca, em Itália, na sua 14ªedição, entre 26 Outubro e 2 de Novembro de 1980. E, obviamente, pedi-lhe um desenho, que aqui mostro, passados mais de trinta anos.

Embora não se tratasse de um autor muito conhecido, ele era anunciado em Lucca como sendo, nessa época, um dos desenhadores do anti-herói Diabolik.

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PAOLO ONGARO

Síntese biobibliográfica

Nascido a 22 de Junho de 1946 em Mestre (Veneza), Itália, o início de Paolo Ongaro na BD deu-se com o trabalho de arte-finalização aos desenhos de Vladimiro Missaglia, a que se seguiu a realização a solo de bandas desenhadas no género de horror. 

Foi em 1970 que deu início à sua colaboração em "Diabolik", personagem criada, ao nível do argumento, pelas irmãs italianas Guissani, Angela e Luciana, e desenhado inicialmente por Luigi Marchesi.

Colaborou também com as revistas L'Intrepido, Il Giornalino (onde desenhou histórias de Larry Yuma), Il Corriere dei Ragazzi, entre outras. Em meados desses anos setenta, Ongaro encarregou-se de desenhar a personagem Tarzan. 
Fez igualmente histórias de guerra para a agência inglesa Fleetway, e para a revista Audax da editora italiana Mondadori, desenhou o Agente Speciale Magnum.

Para essa mesma editora teve a seu cargo o desenho de histórias de espionagem, entre 1976 e 1977, e colaborou na série "Uomini e Guerra", bem como na "Storia d'Italia a Fumetti", além de realizar a componente gráfica da "Storia delle Olimpiade", editada em 1996, numa outra iniciativa da editora Mondadori.

Fez a experiência de desenhar personagens da Disney editadas em Itália pela Mondadori, e a partir de 1990 começou a participar na conhecida série de origem italiana "Martin Mystère".
Também chegou a trabalhar em França, onde colaborou nas revistas L'Écho des Savanes e Pif.

(Ignoro se faz actualmente alguma coisa na BD. Espero que haja quem, entre os visitantes deste blogue, me possa dar qualquer novidade).

Fontes consultadas: 

1) The World Encyclopedia of Comics, edited by Maurice Horn - Chelsea House, 1999
2) Dictionnaire Mondial de la Banda Dessinée, de Patrick Gaumer, avec la collaboration de Claude Moliterni - Larousse, 1998
3) Lambiek Comiclopedia

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Os interessados em ver as 23 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch, entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

domingo, julho 21, 2013

Coleccionadores e Colecções de BD (X) - Bana e Costa









Nos meados da década de oitenta do século passado, entre os muitos coleccionadores de banda desenhada destacava-se Rui Bana e Costa, devido à sua enorme colecção de publicações de BD, incluindo revistas portuguesas e estrangeiras, álbuns de BD portuguesa e de álbuns com BD europeia editados em Portugal, neste último caso entre 500 a 600 unidades! 

Daí eu tê-lo entrevistado para a revista Coleccionando (nº 2 - 2ª Série - Novembro 86), entrevista essa que reproduzo hoje. Para muitos dos visitantes deste blogue, veteranos coleccionadores, os valores em escudos mencionados por Bana e Costa, são compreensíveis. Aos bedéfilos mais jovens apenas poderei ajudar, lembrando-lhes que 1€ é equivalente aos antigos 200$00 (duzentos escudos), e que o Jornal da BD, revista publicada nessa década, custava 70$00 (setenta escudos), e era considerado cara...

O meu amigo coleccionador nunca deixou de comprar BD, tendo até conseguido, em datas relativamente recentes, adquirir peças de grande raridade, designadamente os nºs 73 e 74 da revista  


Gafanhoto, e o nº 391 da revista Fagulha (datada de 15 de Abril de 1974), que já não chegou a ser posto à venda por causa do 25 de Abril desse ano, visto que era editada pela Organização Nacional Mocidade Portuguesa... 

Actualmente, este meu amigo coleccionador decidiu desfazer-se das revistas estrangeiras - Charlie, Tintin, Spirou, Metal Hurlant, e uns milhares de "comic-books". Para tal, criou uma loja na E-Bay (*)

  A fim de facilitar a leitura, passo em seguida a reescrever a entrevista.

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COLECCIONO TODAS AS REVISTAS PORTUGUESAS DE B.D.
AS QUE SAEM, AS QUE SAÍRAM... E AS QUE SAIRÃO!

- diz, muito a sério, Bana e Costa

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Bana e Costa é um "furioso" coleccionador e tem consciência disso, mas não tenciona abrandar. O seu único "receio" é que,perante estas suas confidências, lhe passem uma "guia de marcha" para o manicómio.
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Aquele homenzarrão volumoso, bem disposto e com ar pachola, quando entra no Clube [Português de Banda Desenhada], é apenas mais um apaixonado da Banda Desenhada que ali está ao nosso lado. Quer mostrando a raridade mais recente que conseguiu, quer trocando impressões sobre as novidades surgidas em França ou onde quer que seja, é com entusiasmo que o faz.
É curioso saber-se que a actividade do nosso amigo coleccionador é bastante complexa, e sem dúvida, bastante desumanizada. Será talvez por isso que Rui António Bana e Costa, profissional de absorvente especialidade tecnológica (ele é Director da Organização e informática da União de Bancos Portugueses), ocupa os seus tempos livres numa forma de escape que lhe dá grande prazer: o coleccionismo de banda desenhada.
Nesta actividade lúdica, ele é bem conhecido no meio: poucos serão os alfarrabistas de Lisboa e Porto onde não tenha feito valiosas aquisições; também os numerosos coleccionadores da especialidade temem o seu poder aquisitivo e referem, com admiração, a importância e volume das suas colecções, quer portuguesas, quer estrangeiras. Neste aspecto, refira-se o facto de que há livrarias /alfarrabistas em Paris, que guardam, propositadamente para ele, os exemplares mais raros que lá aparecem.
E, como é do conhecimento de quem o visita - caso do autor destas linhas - ele já não tem espaço em casa para guardar todas as suas colecções. Mas como possui um apartamento não habitado, utiliza-o, quase em exclusivo, com essa finalidade!
Aos quarenta anos (nasceu em 18/10/1945, em Alenquer), Bana e Costa é ainda suficientemente novo para, com a embalagem já adquirida, poder vir a ser - se não o é já - o português possuidor do maior número de colecções de BD. Claro que nestes últimos anos, o seu elevado poder económico tem-lhe permitido adquirir as colecções mais difíceis. Mas o seu entusiasmo pela Banda Desenhada não é recente. Daí a minha primeira pergunta:

- Que idade tinhas quando começaste a comprar revistas de BD?

- Olha: conscientemente houve duas fases, e em ambas encontrava-me fora de casa. A primeira - tinha os meus seis, sete anos, e estava nos Açores, onde passei três anos - foi a fase do "Cavaleiro Andante". A segunda - tinha então vinte e três ou vinte e quatro anos, e estava a cumprir o serviço militar em Angola - foi a fase do "Tintin".

- Quais as colecções portuguesas que tens completas ou, pelo menos, com significativo número de exemplares?

- Tenho aqui umas listas que fiz para responder às tuas perguntas. Toma nota: Valente, Pluto, Álbuns Flecha, Titã, Trovão, Leão, Jacaré, Tintin, Spirou, Foguetão, Mickey, Falcão (1ª Série e quase toda a seguinte), Cavaleiro Andante - seus suplementos (Pajem, Desportos) e também os Álbuns -, Mundo de Aventuras, Gafanhoto (1ª Série de 1903, e 2ª Série de 1910), o outro Gafanhoto (que, iniciado em 1948, nada tinha a ver com o anterior), Notícias Miudinho, Mosquito (e suplemento Formiga), Flecha, Pisca-Pisca.
Ainda não completas: Senhor Doutor (falta-me o nº 418), ABCzinho (faltam-me os nºs 78, 133 e 258 da 2ªSérie), Tic-Tac (faltam-me nove números), Papagaio (algumas falhas), Águia (faltam 22 números), Audácia (faltam alguns números do 5º volume), Trovão (faltam 4 números), Carlitos (faltam 12 números), Diabrete (faltam as páginas do romance referente a cinco números) e Faísca (faltam os nºs 1 e 54).

- E estrangeiras?

- Pilote, Charlie, L'Echo des Savanes, Metal Hurlant, Mormoil e Phenix são colecções que tenho desde o início. Também tenho Journal do Lucky Luke, o Journal de Achille Talon, Spirou (mais de 1800 números), Tintin belga (mais de 1100 números), Mickey (mais de 600 números).

- Entre as colecções portuguesas que possuis, quais as que consideras mais valiosas quanto à raridade?

- Das portuguesas, além do "Mosquito", penso que será o "Carlitos", pois julgo ser o único coleccionador a possuir a colecção completa. Nem mesmo a Biblioteca Nacional a possui!

- E entre as estrangeiras?

- Além do "Pilote" (completo, mais de 100 recolhas), possuo recolhas valiosas e raras do períodoem que a França foi ocupada, mormente "Coeurs Vaillants" e "Âmes Vaillantes".

- Qual é a revista mais antiga que possuis?

- O "Jornal da Infância", que é a 1ª revista infantil em que aparece banda desenhada (portuguesa e estrangeira), datando o 1º número de 1883, portanto com mais de 100 anos!
Quanto às estrangeiras, menciono o nº 1 de "O Gury" (brasileira) datada de 12 de Abril de 1910.

- E qual a colecção de BD que tens tido mais dificuldade em completar?

- O "Senhor Doutor", de que me falta o nº 418.

- Sei que coleccionas muitas revistas de BD. Podes dizer-me quais?

- Espero que a minha resposta a esta pergunta não me valha uma "guia de marcha" para um manicómio, mas lá vai: em relação às portuguesas colecciono todas as antigas, todas as que saem actualmente, mais as que sairão!
Em relação às estrangeiras, vou dividi-las por nacionalidades e por escolas:
Entre americanas e inglesas, colecciono mais de 100 títulos; das revistas francesas e belgas, antigas e actuais, colecciono 32 títulos; espanholas, são 35 ao todo; italianas, são menos. 
Posso dizer alguns títulos.
Das italianas: If, Orient Express, Wow, Corto Maltese, Linus, Eternauta, Alter Linus; Séries de Clássicos: da Comic Art, é o Brick Bradford, Steve Canyon (já uns 150 álbuns); da Pacific Comics (americana): Flash Gordon, Buck Rogers, Príncipe Valente. Revistas: Epic, Famous Features, Golden Age Comics, Heavy Metal, Nemo, Spirit, 1st Folio, Savage, etc.; da B.O. (espanhola): Príncipe Valente, Flash Gordon (Alex Raymond e Mac Raboy), Fantasma, Rip Kirby, Rei da Polícia Montada; da Amary, (também espanhola): Buck Rogers, Brick Bradford, Tarzan e Mandrake. Ainda espanholas (revistas): Guerrero Antifaz, Firmado por..., Cairo, Cimoc, Creepy, Delta, Heróis de Papel, Zona 84, Comix Internacional, Metal Hurlant, Makoki, Madrix, Nostalgia, Papel Vivo, Rambla, Sunday, Trigan, Thriller, El Víbora, Victor Nerviu; da Glénat (francesa): Jeff Hawke, Modesty Blaise, Mandrake, Rip Kirby; da Deligne (belga): Eric Le Vicking, Warren Tufts; da Slatkine (suiça): todas, (cerca de 10 álbuns); da Futuropolis (francesa): todas (mais de 60 álbuns).
Entre as francesas, belgas e suíças poderei nomear mais alguns títulos: Air Comprimé, Age d'Or, A Suivre, Baron Noir, Barbarie, Bedeadult, Chic, Circus, Cri Que Tue, Charlie (2ª Série), L'Echo des Savanes (2ª Série), Fluide Glacial, 1994, Integrale Mickey, Ice Crims, Le Petit Psichopat, Metal Hurlant, Metal Hurlant Aventure, Microbe, Mickey, Pilote, Rigolo, Sex Bulles, Spacial, Viper, Zoulou... Chega?

- Uff! Vamos mudar rapidamente de assunto: tens alguma recordação ligada a qualquer das revistas que possuis, ou algum facto digno de registo que tenhas observado?

- Agradava-me extraordinariamente ver o elevado número de pessoas que devorava o meu "Tintin", quando ele chegava ao quartel onde estive, em Angola.

- Mas isso já foi numa fase adulta. E de quando eras criança, tens alguma recordação agradável?

- Quando fui para os Açores - aos meus seis, sete anos, como já te disse - tinha acabado de sair o "Cavaleiro Andante". O meu avô passou a enviá-lo para S. Miguel, e os meus pais eram obrigados a ler as histórias enquanto eu acompanhava as imagens. Um dia - segundo conta a minha mãe - quando eles se preparavam para ler os balões/textos, comecei eu a ler, parece que o "Neco e o Patareco", no "Pajem".

- Qual o preço mais elevado que pagaste por uma peça de qualquer das tuas colecções?

- Penso que paguei 3.000$00 pelos dois últimos números que me faltavam do "Mosquito" (embora esteja já a caminho duma segunda colecção completa). Hoje, os preços mais elevados que estou a pagar são pelas recolhas do "Spirou" (belga): à medida que me aproximo das primeiras (colecciono dos números mais recentes, de 1952 para trás, até 1948), os preços atingem valores impossíveis. A "recueil" nº 1 custa 6000 FF, ou seja, cento e vinte e tal contos!

- E álbuns de BD, também coleccionas?

- Além dos que incluem autores clássicos (de que já mencionei os títulos anteriormente, misturando álbuns e revistas), acrescento ainda álbus com obras de Hugo Pratt, de Corben, Moebius/Gir, Franquin, Bilal, Morris, Uderzo, etc. 

- Depois da avalanche de álbus e revistas que mencionaste, no conjunto das respostas, será que ainda consegues coleccionar mais alguma coisa?

- Já coleccionei selos; agora só colecciono envelopes do 1º dia com a respectiva medalha.

- Só? Olha, lembras-te de algum episódio pitoresco, ligado à tua actividade de coleccionador de Banda Desenhada?

- Durante vários anos comprei material ao Daniel. A dada altura ele começou a insistir comigo para eu levar umas recolhas francesas. Um dia, para não o ouvir mais, comprei-as por 500$00; mais tarde, ao folhear a "Bíblia das cotações", descobri que valiam uns 8000 FF, ou seja, uns 170 contos!
Lembro-me ainda (embora me falhem os nomes dos intervenientes) de outro episódio curioso. Um dia, eu e mais dois ou três coleccionadores, encontrámo-nos perante um monte de "Titãs", que estava à venda. A cada um de nós faltavam uns tantos números. Fizemos a divisão do lote e, quando chegámos ao último exemplar - imagina a nossa satisfação... - tínhamos todos completado as nossas colecções!

- E recordações tristes? Tens alguma relacionada com as tuas colecções?

- A perda das minhas colecções originais, principalmente o "Cavaleiro Andante", o "Zorro" e o "Alvo", que comprava com as mesadas que me davam os meus pais, quando eu era miúdo.

- Mas como é que as perdeste?

- Bem, foram várias as causas: a mudança da casa dos meus avós para a dos meus pais, a ida à tropa, e até um certo desinteresse numa dada altura da minha vida. Já agora acrescento que o aparecimento do Clube Português de Banda Desenhada teve grande influência no reavivar do meu interesse pela BD; e foi o contacto com a malta do clube que me levou a tentar recuperar essas colecções perdidas.

- Na tua opinião, qual a influência para a BD, resultante da actividade dos coleccionadores?

- Divido a minha resposta em três partes.
1ª - A contribuição para o não desaparecimento de colecções que, se não fosse a sua "mania", há muito teriam sido esquecidas;
2ª - Os notáveis estudos sociológicos e/ou semânticos e de pesquisa de homens como o Dr. Dias de Deus e A.J.Ferreira, no presente, e de Vasco Granja, no passado:
3ª - O trabalho árduo de divulgação, por "carolas" como o Gonçalves e o Geraldes Lino.

- Pela parte que me toca, agradeço-te a referência. 

(*) - E-Bay 
Endereço do Bana e Costa, onde ele tem à venda entre 500 a 600 álbus, e 50.000 (!) "comic books": 
http://stores.ebay.fr/BDCOMICSPORTUGALRUIBANA

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Imagens que ilustram o presente "post"

1 - Pilote Le Magazine des Jeunes de L'An 2000 - Nº 176, 7 Mars 1963
2 - O Papagaio - Nº 277, 1 de Agosto de 1970
3 - Spirou - Nº1 - 1º Ano - 31-10-1971 (Edição portuguesa)  
4 - ABCzinho - Nº 329 - 3ª Série - 25 Abril 1932
5 - Faísca - Nº 1 - Ano 1 - 6 de Março de 1943
6 - Cavaleiro Andante - Nº 19 - 10 de Maio de 1952
7 - Foguetão - Nº 2 - 11 de Maio de 1961

8 - Texto (parcial) da entrevista na revista "Coleccionando"
9 - Foto de Bana e Costa
10 - Capa da revista [mensal] "Coleccionando" - Nº 2 - 2ª Série - Novembro/86
11 - Fagulha - Nº 391 de 15 de Abril de 1974


Nota do blóguer: As revistas de BD que usei para ilustração da postagem são exemplares soltos do meu acervo, excepto a da alínea 11, "Fagulha" (uma raridade que não tenho), cuja imagem da capa me foi enviada hoje por e-mail pelo Bana e Costa.           

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