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quarta-feira, junho 07, 2017

Lisboa na BD em Ficção Científica Satírica






Houve uma época em que, durante largos anos, vários jornais, em especial semanários, publicavam sistematicamente banda desenhada. Um deles foi o Independente onde, ocupando todo o espaço da página, foram reproduzidas pranchas a cores de bandas desenhadas em estilo de continuação, uma das quais era dedicada a um herói improvável chamado Alverquinha, criado na sua totalidade por Manuel João Ramos, que já antes colaborara com o argumentista Rui Zink na criação da personagem Major Alverca, obviamente um divertido sucedâneo do popular herói aviador luso-britânico quase homónimo.

No caso concreto das imagens que ilustram o presente post, está visível uma prancha do episódio "Alverquinha: À Descoberta de Novos Mundos", em que o ficcionista e  ilustrador, dando rédea solta à imaginação, mostra monumentos portugueses, de que se destaca a Torre de Belém, em vertiginoso movimento ascendente, propulsionados como se fossem simples foguetões, com partida do astroporto do Restelo, levando no seu bojo alguns portukeses (sic) para longe do CCB. Um delírio de ficção científica satírica!

No topo do post:
Prancha de BD publicada no suplemento Vida 3 do extinto semanário Independente (nº254, de 4 de Junho de 1993), mais a capa do citado suplemento. 
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MANUEL JOÃO RAMOS

Síntese autobiográfica na 3ª pessoa

 
Manuel João Ramos, nascido em 1960 em Lisboa, Portugal, é Professor Associado com agregação no Dept. de Antropologia e pesquisador sénior do Centro de Estudos Internacionais, no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. É actualmente director da Biblioteca Central de Estudos Africanos. 
Em 1982, completou a licenciatura em Antropologia (na FCSH-UNL), produzindo uma monografia sobre uma comunidade de pescadores no sul de Portugal. 
Em 1987, completou o mestrado em Estudos Literários Comparados (na FCSH-UNL), com uma dissertação sobre literatura de viagem. Em 1995, defendeu uma tese de doutoramento em Antropologia do simbólico (no ISCTE-IUL), sobre mitologia e visões do Oriente cristão.
Tem desenvolvido uma carreira paralela em artes gráficas e tem militado pela redução do risco rodoviário. 
É presidente da ACA-M, delegado da FEVR (Federação Europeia de Vítimas da Estrada) na Colaboração das Nações Unidas para a Segurança Rodoviária, e é membro da direcção da Aliança Global das ONGs para a Segurança Rodoviária. É ainda o representante da Sociedade Hakluyt em Portugal.

Aditamento, no que concerne à BD, escrito pelo presente blogger:

Na década de noventa, Manuel João Ramos colaborou no semanário Independente, fazendo dupla como desenhador com o argumentista Rui Zink na realização de bandas desenhadas dedicadas ao anti-herói Major Alverca (um conto gráfico, de 32 páginas, nunca publicado em livro intitulado "O V Império Contra-Ataca"), criando mais tarde, mas ainda nos anos noventa, a solo, a personagem Alverquinha.
Colaborou também no fanzine Efeméride (nº1- 15 de Outubro de 2005) dedicado ao tema "Sonhos de Nemo no Século XXI", com o episódio de prancha única, a cores, "Um Século Tão Estranho".
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segunda-feira, agosto 15, 2016

Lisboa é Very Very Typical - O ponto de vista de Nina Govedarica







Lisboa é Very Very Typical, título brincalhão com que se apresenta um livro coligindo bandas desenhadas da autoria de artistas estrangeiros - homens e mulheres - que estiveram, ou ainda permanecem em Portugal, e que escolheram Lisboa para simples passagem ou mesmo fixação.

É exactamente o caso da pintora Nina Govedarica, que veio da Croácia visitar Portugal em 1998, escolheu Lisboa, cidade de que gostou de imediato, aqui conheceu Fernando Relvas, casaram, e ficou a morar com ele na Amadora. 

Assim, quando o editor Marcos Farrajota da Chili Com Carne teve a ideia (bem interessante) de convidar artistas estrangeiros, de passagem ou a viver em Lisboa, a transformarem em banda desenhada as suas impressões sobre a Mui Nobre e Sempre Leal cidade, Nina aceitou o desafio, ela que nunca fizera BD, embora sempre estivesse em contacto com o meio através do Relvas.

Nina, além de provar ter invulgar capacidade ilustrativa, demonstrou um fino sentido crítico em relação aos lisboetas (extensível aos portugueses em geral), gozando, por exemplo, com o significado que é dado à palavra amanhã, sempre muito variável, tanto pode querer dizer para a semana, no próximo mês, para o ano, ou mesmo nunca.

Uma análise certeira e irónica, feita numa bd de apenas dez pranchas de excelentes desenhos ("Também Há Gaivotas no Adriático?" é o título). Igualmente ao nível do argumento/guião, Nina demonstra imaginação fértil, apresentando-se, enquanto narradora, na figura de uma gaivota, um pormenor original.
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NINA GOVEDARICA

Autobiografia

Anica (Nina) Govedarica, artista plástica croata, nasceu em 1971 em Zagreb. Licenciou-se em tecnologia de materiais de construção e estudou Belas-Artes na Escola de arte, criatividade e design Studio Tanay em Zagreb, Croácia (desenho, pintura clássica e moderna a óleo e aguarela) durante quatro anos.
Começou a expor individualmente em 1997 na Croácia. Em 2001 teve a primeira mostra do seu trabalho em Lisboa e por aí adiante. Desde aí participou em algumas dezenas de exposições colectivas e mais de uma dezena de individuais, tanto na Croácia como em Portugal. Em 2012 foi convidada para participar numa colectiva feminina em Oxford (o3gallery) para celebrar o 150º aniversário do princípio da história “Alice no país das maravilhas”.
Em 2014 foi incluída no livro “Artist to look out for” editado pela organização artística norte-americana, Starry Night Programs.
Fez algumas ilustrações de vários géneros e também em parceria com Fernando Relvas ilustrações infantis, por exemplo as publicadas no livro “Io&Hu Q, A medusa”, à venda no http://bit.ly/2aLWeIJ  
Foi graças à proximidade e, às vezes, ao contacto diário com as pessoas envolvidas no mundo da BD nesta última década, que foi criando o interesse e o gosto pela BD. Primeiro tornou-se leitora de BD e com esta iniciativa da Chilicomcarne decidiu aventurar-se neste meio também.
O seu trabalho pode ser visto em


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domingo, maio 08, 2016

Lisboa nos Contos Inéditos de Filipe Melo






São bem conhecidas facetas da intensa actividade artística de Filipe Melo: músico de jazz, professor dessa especialidade, esporádico realizador de cinema e, finalmente - com assinalável persistência - argumentista/guionista de BD, co-criador da obra de invulgar impacte popular, As Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy, com o quarteto mais famoso da moderna arte sequencial portuguesa, Dog Mendonça, Pizzaboy, Pazuul e Gárgula, criado pelo trio autoral Filipe Melo, o escritor da trama ficcional, Juan Cavia, o talentoso ilustrador, e Santiago Villa, o competente colorista. 

Após o êxito dos três volumes anteriores - a obra já tem versão no Brasil e uma edição pirata na Turquia - surge agora, 2016, a versão portuguesa da colectânea de episódios curtos sob o título Os Contos Inéditos de Dog Mendonça e Pizzaboy, publicados originalmente nos Estados Unidos da América pela revista Dark Horse Presents, posteriormente reunidos em livro pela Dark Horse Comics.

Há mais uma vez, nesta obra, um pormenor gratificante para os lisboetas, como é o caso do autor destas linhas: Lisboa surge com frequência nos cenários destas extraordinárias aventuras, que merecem ser lidas/vistas. E é também da Mui Nobre e Sempre Leal Cidade  que se registam aqui no blogue as imagens visionáveis no topo do post.

O volume aparece valorizado por ilustrações originais de Ricardo Cabral, Filipe Andrade, Jorge Coelho e Joana Afonso.

Edição portuguesa:
Edições Tinta-da-China, Lda. 
Lisboa  

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APRESENTAÇÃO DOS AUTORES E DA OBRA "AVENTURAS DE DOG MENDONÇA E PIZZABOY"

- Começaram por ser INCRÍVEIS - no título e na trama ficcional - as "Aventuras de "Dog Mendonça e Pizzaboy", que tiveram início em 2010;

- Passaram a EXTRAORDINÁRIAS em 2011, no título do 2º episódio, subintituladas APOCALIPSE;

- A extensa novela gráfica completou-se em 2013, adjectivada dessa vez como FANTÁSTICAS AVENTURAS, com as mesmas personagens no 3º episódio, e último, subintitulado REQUIEM, vocábulo que na raiz latina significa "DESCANSO".
É de facto o descanso do trio de autores luso-argentinos, criadores da trilogia, e que se chamam

. FILIPE MELO - argumentista/guionista
. JUAN CAVIA - desenhador
. SANTIAGO VILLA - colorista

Vejamos dois ou três elementos biográficos de cada um deles:


                                 Filipe Melo (à esquerda) e Juan Cavia (à direita)


- FILIPE MELO nasceu em Lisboa em 1977. Estudou Jazz no Hotclube de Portugal, em Lisboa, e no Berklee College of Music, em Boston.
No Cinema já tem valiosa participação: produziu e escreveu o argumento do filme "I'll See You In My Dreams", em 2003, vencedor no Fantasporto nesse mesmo ano, e distinguido com o troféu Méliès d'Or, também em 2003.
Para a televisão realizou em 2007 uma série de seis episódios, com interpretação de Manuel João Vieira, intitulada "Um Mundo Catita".
Na BD estreou-se em 2010 como argumentista com a obra As Incríveis [Extraordinárias, Fantásticas] Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy.

- JUAN CAVIA nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1984. Tem trabalhado como storyboarder e concept designer para produtoras de publicidade. É também cenógrafo de várias longas-metragens, entre as quais se destaca "El Secreto de Sus Ojos", vencedor do Óscar da Academia de Hollywood para o Melhor Filme Estrangeiro em 2010.
Na banda desenhada tem agora a seu crédito os desenhos da trilogia As Incríveis [Extraordinárias, Fantásticas] Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy, além de estar a trabalhar para a editora americana Dark Horse Comics.


- SANTIAGO VILLA é também argentino, nascido igualmente em Buenos Aires, no ano de 1986.
Estudou no Instituto Universitário Nacional de Las Artes (IUNA) em Buenos Aires, e no Instituto IMAGE (Cinema de Animação).
Trabalha desde 2006 nas áreas Áudio-Visual, Editorial e de Vídeo-jogos.
Passou a ter no seu currículo o notável trabalho de colorização das Incríveis/Extraordinárias/Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy, uma trilogia marcante na banda desenhada portuguesa e argentina.


- Ao trio formado por Melo, Cavia e Villa, será justo acrescentar Pedro Semedo, autor da excelente legendagem, e Bruno Ma (um português de ascendência chinesa) que colaborou no terceiro capítulo com um layout.

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