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quinta-feira, março 21, 2013
Curtas de BD - Autores Estrangeiros (III) - Manfred Sommer, Pedofilia e Prostituição Infantil na BD (II)
Prostituição infantil e pedofilia, dois temas com algumas dramáticas afinidades, de grande melindre social e humano, escassamente surgem na BD.
Nas minhas (des)arrumações, em desesperadas (e vãs) tentativas de arranjar espaço para as novas aquisições, sou forçado a remexer - e com que agrado - nas antigas colecções, e nesse afã acabo por folhear fascículos ao acaso, e a relembrar bandas desenhadas que especialmente me impressionaram.
E ao fazê-lo, deparou-se-me esta bd de apenas quatro pranchas, intitulada " A Cidade dos Três Mil Prazeres", na revista O Mosquito (Nº 7 - V Série - Maio de 1985), que considerei encaixar na enxurrada de impressionantes notícias deste teor que surgem com frequência nos nossos média jornalísticos.
Manfred Sommer, autor completo da bd (argumento e desenho), demonstrou, na presente curta, um agudo sentido crítico, apontando com clareza para o flagelo. No caso que Sommer descreve em imagens sequenciais, percebe-se que se tratar de um facto aceite socialmente - com múltiplas cumplicidades e apoio tácito - no eufemisticamente chamado "turismo sexual", praticado às claras em países do Oriente.
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Os visitantes interessados em ver postagens anteriores destes dois temas poderão fazê-lo clicando nos itens Curtas de BD (Autores Estrangeiros) e "Pedofilia e Prostituição Infantil", visíveis no rodapé.
sexta-feira, março 01, 2013
Banda Desenhada portuguesa nos jornais (CXXXIV), Pedofilia e Prostituição Infantil na BD (I) Casa Pia (I) - Ricardo Drumond
Pedofilia e Casa Pia, tara sexual e instituição, respectivamente, já estão indissoluvelmente ligadas para todo o sempre, mesmo que isso possa ser injusto para muitas das pessoas que por lá passaram, tanto ao nível de responsáveis administrativos e professores, como as de quem lá permaneceu na qualidade de aluno, da infância à adolescência.
Essa espécie de anátema foi ampliado pelos média - jornais, rádio e televisão. Se isso, por um lado, teve apenas a ver com a actual tendência sensacionalista da comunicação social, também é verdade que serviu para chamar a atenção dos portugueses para esse flagelo que vem de longe, que está infiltrado até em instituições poderosas - a Igreja católica, por exemplo - e que se pode resumir na pulsão sexual de abuso de menores.
Enquanto fracturante, esse tema nunca tinha sido tratado na BD portuguesa. Surpreendentemente, hoje, o matutino lisboeta Diário de Notícias abalançou-se a publicar uma banda desenhada de seis páginas, intitulada "10 Anos de Processo Casa Pia" (de que reproduzi inicialmente as primeira e última prancha, mas que, "a posteriori" - em 21/3 -, acrescentei as quatro intermédias), uma surpreendente obra, quer pelo elevado nível estilístico, quer pelo rigor dos retratos dos envolvidos no caso, tanto os presumíveis culpados, como os que participaram no complexo processo, da autoria de Ricardo Drumond (*), ilustrador-autor de BD que domina talentosamente um estilo figurativo fotográfico, além da notável qualidade em duas das outras componentes da BD, a colorização e a legendagem.
A banda desenhada não apresenta a palavra fim, na última vinheta, e com isso sugere, subtilmente, que a retorcida "história" ainda não acabou. A derradeira frase, inserida no último cartucho, é a seguinte: "A sentença fica adiada para 25 de Março". É, de certa forma, o equivalente à expressão, popularizada nas revistas portuguesas de BD, "continua no próximo número". Ou à das publicações anglófonas, "to be continued".
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(*) A anteceder a banda desenhada, há uma nota de apresentação (não assinada) acerca do autor da bd. Reproduzo-a parcialmente, com a devida vénia ao Diário de Notícias, respeitando até a nova ortografia do AO90 que o DN já usa.
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Ricardo Drumond,
Síntese biográfica
Ricardo Drumond, Porto, 13 de Agosto de 1984, mas vive actualmente em Lisboa.
Cedo se entusiasmou-se pela BD graças à colecção dos pais, que se baseava maioritariamente na banda desenhada franco-belga.
Mas por ele próprio, pela sua curiosidade, acabou por se deslumbrar com o bem diferente estilo gráfico dos comics americanos.Com uma tendência tão forte para as artes, acabou por se formar em Artes Visuais e Arquitectura.
Tem participado em exposições individuais e colectivas e, no que se refere a concursos de BD foi distinguido com prémios em 1999 e 2008, no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, trabalhando em parceria com o argumentista Pedro Felizes.
Apareceu uma banda desenhada sua, em estilo figurativo com base fotográfica, no jornal Diário de Notícias, em Março de 2013, intitulada "10 Anos de Processo Casa Pia", e em Maio de 2014 surge de novo obra sua no mesmo jornal de Lisboa, dessa vez dedicada ao Sport Lisboa e Benfica, no mesmo estilo gráfico.
O seu talento polifacetado empurra-o para diferentes artes, caso da música. Começou neste quadrante artístico a tocar guitarra acústica, mas depois de ouvir o álbum Fragile, do Yes, foi atraído para um instrumento de som diferente, o baixo. Obviamente que o seu sonho passou a ser comprar um, e cedo o conseguiu, tinha apenas 14 anos, o que lhe permitiu integrar a banda de um amigo. Na banda desenhada ainda não tem nenhum álbum editado mas, ao invés, já editou dois discos.
Quanto à actividade na BD e na Ilustração, decidiu-se a entranhar-se ao máximo no ambiente artístico lisboeta nessas duas áreas, daí que tenha passado a fazer parte do colectivo The Lisbon Studio.
--------------------------------------------------------------------Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens poderão fazê-lo clicando no item Banda Desenhada portuguesa nos jornais, incluído em rodapé
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