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segunda-feira, outubro 17, 2016
BD publicitária na revista ABC-zinho
Antes de mais, que não haja confusões: a sigla S.I.C., que aparece nas duas bandas desenhadas curtas que se reproduzem no topo do post e, logo abaixo, nas ilustrações publicitárias nas três capas da revista ABC-zinho (nº7 de 16 Janeiro, nº8 de 6 de Fevereiro, e nº10 de 6 de Março, as três do ano de 1922) têm a ver com uma marca de chocolates existente na década de vinte do século passado (S.I.C. significava Sociedade Industrial de Chocolates), por conseguinte nada tendo a ver (obviamente) com o canal de televisão dos nossos dias.
E é com o fito de publicitar esta marca de chocolates que Stuart Carvalhais (sob o pseudónimo de Albino) arquitectou as duas bedês curtas de cariz publicitário.
Reforçando a publicidade feita nas ditas bandas desenhadas aqui reproduzidas no blogue e nas três capas da autoria de Cottinelli Telmo (há mais na revista) pode ler-se na última página da ABC-zinho (nº13, de 17 de Abril de 1922), o slogan: "S.I.C. Chocolates e bonbons para as crianças e para todos", repetido em muitos números, a acompanhar ilustrações baseadas em cenas com personagens da História de Portugal.
Nas que ilustram as capas que se vêem neste post, na do nº7 é explicado aos leitores tratar-se de "D. Afonso IV, o Bravo, que na batalha do Salado deu que fazer à moirama, porque era uma pessoa de muito mau humor - serenava logo, mal via um bombonzinho da S.I.C.!".
Na do nº8 vêem-se as figuras de Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, munidos de facalhões, a prepararem-se para assassinar Inês de Castro, com a seguinte quadra sob a imagem (atenção que a ortografia é a da época, e a quadra será talvez da autoria do próprio ilustrador):
"Estavas linda Inês, posta em socêgo
Da S.I.C mastigando o bom bonbon
Quando os brutos, co'as facas de cosinha
Te mataram p'r'ali, sem tom nem som"
Na capa do nº10 os protagonistas são os mesmos Pêro, Álvaro e Diogo, a olharem gulosamente para uma caixa de chocolates (S.I.C., como se vê na tampa), dois deles a babarem-se copiosamente, com o seguinte texto sob a ilustração:
"O verdadeiro castigo dos assassinos de D. Inês, foi este! Amarrados diante de uma explêndida caixa de bombons da S.I.C., sem lhe poderem chegar, morreram afogados na água que lhes cresceu na boca! Coitadinhos!"
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Nota: Este é o 7º post dedicado ao tema "Publicidade em BD".
Permito-me realçar a banda desenhada da autoria de Carlos Alberto [Santos]. Para a ver bastará clicar no seguinte link:
http://divulgandobd.blogspot.pt/2016/04/pub-e-bd-carlos-alberto.html
Quanto à revista ABC-zinho, os interessados em ler mais alguns pormenores acerca dele, façam o favor de clicar no link:
http://divulgandobd.blogspot.pt/2016/10/abczinho-revista-de-bd-em-exposicao-no_11.html
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Vejam as postagens anteriores deste tema, clicando no item: Publicidade em BD, visível no rodapé
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segunda-feira, novembro 30, 2015
Conferência - Centenário de Quim e Manecas
Na banda desenhada portuguesa, falar-se da dupla de personagens infantis Quim e Manecas é o mesmo que nomear Stuart Carvalhais, seu criador. Estão indissoluvelmente ligados.
Será provavelmente o que irá sublinhar João Paiva Boléo, crítico e estudioso de BD na sua palestra de amanhã, 30 de Novembro, 2ª feira, pelas 18h30, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Com efeito, Quim e Manecas, personagens emblemáticas, têm uma característica singular que fazem deles (com mérito especial para o autor) um marco proeminente da BD nacional: a de terem usado pela primeira vez o balão de fala na banda desenhada portuguesa, e terem sido precursores desse código gráfico na Europa.
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STUART CARVALHAIS
Alguns dados biográficos
José Herculano Stuart de Almeida Carvalhais nasceu em Vila Real, Trás-os-Montes, a 7 de Março de 1887 (data não confirmada).A sua primeira banda desenhada data de 1907, foi publicada em O Século - Suplemento Humorístico, em 1907, e intitulou-se "Aventuras de Dois Meninos no Bosque".
Este início prenuncia a sua futura trajectória mais importante na BD, ou seja, a tendência para a utilização de personagens infantis, concretizada com êxito na criação da dupla Quim e Manecas, a 21 de Janeiro de 1915 em O Século Cómico. Logo nos episódios iniciais vêem-se balões de fala, sendo nesse pormenor precursor em Portugal e até na Europa, antecipando-se ao francês Alain Saint-Ogan.
Stuart mantém-se a criar episódios para esta dupla de heróis-crianças durante anos - já sem balões de fala, substituídos por legendas didascálicas, presume-se que tenha sido por imposição dos editores - em diferentes publicações, designadamente na Ilustração Portuguesa, em Os Sports, no Sempre Fixe, no Diário de Lisboa, até serem publicados finalmente numa revista juvenil de BD, o muito popular Cavaleiro Andante, no seu suplemento O Pajem, nos anos 1952 e 1953.
Stuart Carvalhais teve actividade prolífica e ecléctica: além de BD, trabalhou em cartunismo, caricatura, ilustração, publicidade, desenhou capas de partituras, cenários, foi aguarelista, entre outras facetas artísticas.
Faleceu a 2 de Março de 1961, no Hospital de Santa Maria, Lisboa.
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Os interessados em ver textos anteriores da rubrica "Conferências sobre BD", podem fazê-lo clicando no respectivo item visível em rodapé
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