domingo, maio 25, 2014

Exposições BD Avulsas (LI)


 

 

Inaugurou-se anteontem, dia 23 de Maio, às 18h00, uma exposição de BD intitulada O Amor Infinito Que Te Tenho, com imagens da homónima e aclamada obra, da autoria de Paulo Monteiro.

Lamento bastante não ter podido divulgar o evento em devido tempo, mas apenas hoje tive conhecimento dele. 
Infelizmente não recebi a habitual e atempada informação, o que me provocou duplo dano: não fiz a divulgação e não tive o prazer de dar um abraço ao meu amigo Paulo Monteiro, que veio de Beja para estar presente na inauguração, apesar de estar ocupadíssimo com a organização do Festival BD de Beja (de que divulgarei o programa amanhã).

Voltando à exposição, aqui fica agora a notícia: de 23 de Maio a 13 de Junho, a dita cuja estará patente ao público na El Pep Gallery - Loja 25, no Centro Comercial Imaviz (agora também conhecido pelo pessoal da BD como "Underground Imaviz", talvez por a parte da BD - Livrarias El Pep e Mongorhead Comics - estarem no piso inferior).

Endereço: Avenida Fontes Pereira de Melo, 35 - Lisboa
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Ilustram o presente "post":

1) Cartaz da exposição
2) Capa da edição portuguesa da obra "O Amor Infinito Que Te Tenho"
3) Capa da edição brasileira, adaptada para o português do Brasil: "O Amor Infinito Que Tenho Por Você" (*)

(*) Será que somos mais inteligentes, linguisticamente falando, do que os brasileiros? As obras literárias de autores brasileiros, editadas em Portugal, têm mantido sempre os títulos originais, e não consta que haja portugueses que não os consigam entender...

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PAULO MONTEIRO

Síntese biográfica actualizada

Paulo Ricardo Ferreira Monteiro, Vila Nova de Gaia, Novembro de 1967. 

A partir dos 13 anos começou a ilustrar fanzines de poesia, cartazes e murais. Em 1987 matriculou-se em Letras, na Universidade de Lisboa. Durante esse período estudou Pintura e Cenografia para Teatro. 
Licenciou-se em 1991 e pós-graduou-se em História da Arte em 1993, ano em que foi viver para Beja.

Teve (e tem) interesses e actividades muito diferentes: trabalhou nas vindimas, passou filmes de Buster Keaton e Charlie Chaplin de terra em terra, escreveu para a rádio e para os jornais como jovem jornalista, trabalhou no Cais Marítimo de Alcântara (Lisboa), compôs músicas, tocou guitarra em casas de repouso para idosos, foi professor de Geografia e Ciências da Natureza, fez cenários e figurinos para teatro, fez teatro de sombras chinesas e teatro de fantoches, participou em escavações arqueológicas, etc., etc. Também fez a curadoria de dezenas de exposições de escultura, ilustração, pintura antiga e contemporânea, etc.

Escreveu e publicou três fanzines de poesia: Poemas (1988), Poemas a andar de carro (2003) e Poemas Japoneses (2005).

Desde 2005 que faz a direcção da Bedeteca de Beja e do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, por onde têm passado alguns dos mais excitantes autores de banda desenhada da actualidade como Craig Thompson, Dave McKean, David B., Fábio Moon e Gabriel Bá, Lorenzo Mattotti, Lourenço Mutarelli, Miguelanxo Prado, entre muitos outros, e onde em 2014 estarão presentes vários autores entre os quais David LLoyd, Etienne Davodeau e Laerte, e o estudioso e autor de livros sobre BD, Paul Gravett.

Foi também a partir de 2005 que se começou a dedicar essencialmente à banda desenhada, como autor…

A partir dessa altura publicou várias histórias em publicações de Portugal (Venham + 5, Café e Cigarros, Efeméride, BDLP), do Brasil (Café Espacial), da Colômbia (Comic Road) e de Espanha (Barsowia).

Em 2010 publicou o seu primeiro livro, O Amor Infinito que te tenho (Edições Polvo), editado também no Brasil (Balão Editorial), Espanha (Edicions de Ponent), França (Six Pieds Sous Terre), Polónia (Timof Comics), e brevemente no Reino Unido (Blank Slate Books) e na Sérvia (Komiko). 


O livro ganhou o Prémio Melhor Álbum Português Amadora BD 2011, o Prémio Melhor Publicação Independente Central Comics 2011, e o Prémio Sheriff d’Or 2013, em França.

Tem realizado e participado em várias exposições ou mostras principalmente em Portugal, mas também no Brasil, Espanha, França, Itália, Polónia e Roménia.

Neste momento encontra-se a trabalhar no seu segundo livro, que deverá estar pronto no final de 2015.

Viaja regularmente pelo Sul de Portugal visitando escolas em pequenas vilas e cidades para falar de banda desenhada e orientar workshops.

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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes cinquenta "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé       

sexta-feira, maio 23, 2014

Mesas-Redondas (X)


André Oliveira, David Soares, Mário Freitas, Nuno Duarte, Osvaldo Medina e Pedro Serpa, além de outras actividades, também são autores de BD.

Uns são essencialmente argumentistas - Mário Freitas e Nuno Duarte -, outros, além de argumentistas, também já têm desenhado - André Oliveira e David Soares -, e os dois que falta mencionar, Osvaldo Medina e Pedro Serpa, são talentosos desenhadores que geralmente ilustram argumentos dos outros. 

O que faz com que se tenham decidido reunir-se em público numa mesa redonda? Presumo - não lhes perguntei - que seja a necessidade de resistir à crise, de agitar as águas, de falar sobre BD, em geral, e acerca das obras que têm realizado, em particular, numa livraria de antigas tradições culturais como é a Barata.

E bem merecem que, para além dos habituais aficionados da banda desenhada, por lá apareçam também muitos dos anónimos leitores de BD, sempre interessados em saber o que se passa no capítulo da produção de banda desenhada portuguesa. Que apesar da persistente crise que nos assola, têm continuado a realizar e a editar obras de elevado nível, como é o caso das que constam do cartaz que ilustra o presente post.

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Os interessados em ler textos anteriores da rubrica Mesas-Redondas, podem fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé.

quarta-feira, maio 21, 2014

Entrevistas antigas a autores de BD (III) - António Simões


António Simões - ou Tozé Simões, como também assinava - e Luís Louro são amigos de longa data, tiveram um período de grande actividade na BD iniciada em meados da década de 1980. Simões, dotado para a criação de argumentos, Louro, sequioso de desenhar e fazer BD, juntaram os respectivos talentos e fizeram nascer Jim del Monaco, personagem que enriqueceu a galeria de heróis de papel da banda desenhada portuguesa.

Por coincidência, Louro e Simões tinham acabado de criar o primeiro episódio para aquele herói, quando se iniciava a publicação do suplemento "Tablóide", criado e coordenado pelo autor destas linhas no jornal Diário Popular. Daí que a estreia de Jim del Monaco tenha tido lugar naquele suplemento.

Seguindo o critério anterior, para além da publicação da bd, constava também uma entrevista com o autor da bd, sendo que neste caso eram dois. O primeiro  ser entrevistado foi Luís Louro (entrevista já reproduzida anteriormente neste blogue), seguiu-se Tó Zé Simões, após a reprodução da banda desenhada.

Aqui no blogue o esquema está a ser diferente: após a entrevista com Luís Louro, reproduz-se já a entrevista com Tó Zé Simões, e só mais tarde, quando surgir a oportunidade, publicar-se-á a bd, o episódio inicial da série que se apresentava simplesmente sob o nome do herói.
 

(Reescrevo seguidamente  a entrevista a fim de facilitar a leitura.
Relembro que tudo aquilo que nela é dito terá de ser lido considerando que a edição do jornal data de 2 de Novembro de 1985).
 
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                    Ficção, humor e aventura
                      são as minhas paixões

- Confidencia Tó Zé Simões, argumentista de BD

São bem raros os jovens que, gostando de escrever, se dediquem a fazer argumentos para Banda Desenhada. Tó Zé Simões é um deles. Ele tem aparecido desde sempre como argumentista de Luís Louro. Como terá começado essa colaboração?

- Partiu de um convite do próprio Luís Louro. Foi assim.

- Julgo que vocês eram amigos e que ele conhecia a sua tendência para escrever.

- Sim, sim.

- O que é que você tinha escrito, antes de fazer o seu primeiro argumento para BD?

- Contos, poesias e divagações várias, sem objectivo definido.

- Dessas suas primeiras experiências literárias, foi alguma coisa publicada? 

- Não, por recusa minha. Eram - continuam a ser - coisas muito pessoais. O único poema que publiquei foi para ilustrar uma entrevista que me fizeram. Mas de resto recuso e continuarei a recusar.

- Qual o título do seu primeiro argumento para BD?

- "O Império". Tratava-se da invasão da Bretanha pelos romanos.

- Você tem trabalhado argumentos de tipo histórico e de ficção científica. São os seus preferidos?

- Digamos que tenho feito um pouco de tudo, mas o que mais me continua a apaixonar é a ficção, o humor e a aventura.

- Entre os argumentos que fez até hoje, qual considera de maior qualidade?

- Os da série "Estupiditia", pelos finais que, no meu entender, estavam bem conseguidos. E talvez um que ainda não foi passado a BD, com o título "Por Um Lugar ao Sol", que acho tocante pelo conteúdo da sua temática.

- Você, de parceria com Luís Louro, já criou alguns heróis. Fale-me deles.

- Os "Glopters", género infantil que já abandonámos; "Nelsinho", estilo caricatural, em prancha única, que também já abandonámos; "Connie and Blyde", estilo policial, que também já sofreu a mesma sorte.
Actualmente mantemos apenas "Styron", ficção científica, que está adormecido por assim dizer, e "Jim del Monaco", que se iniciou neste seu espaço. 
É a nossa mais recente criação, dentro do género de aventura humorística, e que traduz uma completa viragem em relação a tudo o que tínhamos feito até aqui. 
É um novo estilo, que esperamos desenvolver e manter no futuro, sem que isso signifique uma ruptura com o nosso género habitual.

- Pensa, no futuro, vir a criar bedês sobre temas portugueses ou, no mínimo, inventar um herói português, mesmo que inserido em ambientes estranhos?

- Se entendermos por temas portugueses, História de Portugal, não. 
Penso que há gente mais qualificada para o fazer. Se entendermos como temas actuais, sim.
Devo dizer que até tenho já escrito um argumento, o tal "Por Um Lugar ao Sol", que se refere a uma realidade bem presente na sociedade portuguesa, e outros que pretendo realizar a breve trecho.
Quanto a personagens de origem portuguesa, de momento não possuo nada de concreto, mas tenho uma vaga ideia para o fazer.

- Há algum herói da BD, portuguesa ou estrangeira, que tenha despertado interesse especial da sua parte?

- Um. "RanXerox", de Liberatore, um "Silêncio", de Comès, um "Roco Vargas", de Daniel Torres, um "Corto Maltese", de Hugo Pratt, são assim alguns dos que eu acho que têm maior personalidade própria.

- Nunca lhe passou pela ideia criar personagens principais femininas?

- Sim, é até uma ambição, mas confesso que ainda não estou suficientemente preparado para o fazer. 
As mulheres são muito complicadas, e preciso estudar melhor a sua psicologia.

- Tenciona manter a sua colaboração em exclusivo com o Luís Louro, ou está aberto à hipótese de criar argumentos para outros grafistas?

- Tenciono manter a exclusividade com o Luís Louro. Depois de seis anos de trabalho consecutivo em comum, teria agora alguma dificuldade em adaptar-me a outro desenhador. E depois não vejo necessidade disso.
O trabalho de Luís Louro realiza muito o meu. Se fizer alguma experiência com outro desenhador, num futuro próximo, será apenas por curiosidade.


É assim, de ideias bem definidas, o António José Simões Pinheiro, ou melhor, Tó Zé Simões, ou ainda, eventualmente, "Piñero".
Nascido em Lisboa, há vinte anos (completados a quinze do passado mês de Agosto), este jovem está agora na expectativa de entrar para a faculdade. 
Enquanto isso não se concretiza, vai continuando a arquitectar argumentos. Ele é uma das mais seguras promessas da banda desenhada portuguesa nesta área. 
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Os interessados em ler as entrevistas anteriores (de Jorge Colombo e de Luís Louro), poderão fazê-lo clicando no item Entrevistas antigas a autores de BD visível no rodapé

sábado, maio 17, 2014

Exposições BD Avulsas (L), Mesas-Redondas (IX)

  

Laura Perez Vernetti é uma autora espanhola de BD que demonstra ser grande grande admiradora de Fernando Pessoa. Realizou uma obra em banda desenhada editada em álbum em Espanha, e posteriormente em Portugal, sob o título (com grafia pouco feliz por ser algo dúbia, embora não intencionalmente) Pessoa & CIA.                                                                                                                                    


As pranchas dessa novela gráfica já foram expostas em Lisboa (Casa Fernando Pessoa) e Madrid, e vão estar de novo patentes ao público, desta vez no Porto, na Universidade Fernando Pessoa, entre 20 de Maio e 20 de Junho.                                                                                                                                     
Laura Perez Vernetti estará presente no Porto no dia 13 de Junho - bem conhecida data do nascimento do poeta em Lisboa - a fim de participar numa mesa redonda, cujo programa será o seguinte:


Mesa-Redonda com a presença de Laura Pérez Vernetti

Data: 13 de Junho 2014 | 16:00 horas


Local: Universidade Fernando Pessoa | Sala Fernando Pessoa

Entrada livre (no limite dos lugares disponíveis). Agradecemos confirmação de presença através do e-mail biblioteca@ufp.edu.pt



Moderação

Prof. Doutor Rui Estrada

Pessoa ilimitado: intertextualidade, metamorfose, apropriação

Prof. Doutor Rui Torres

Símbolo / Contra-símbolo / Emblema – a figuração possível

Prof.ª Doutora Maria do Carmo Castelo Branco

Imagens de um “drama em gente” – Algumas notas sobre o  imaginário de Pessoa na arte portuguesa do século XX

Prof. Doutor Eduardo Paz Barroso


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LAURA PÉREZ VERNETTI
Síntese biográfica

Laura Pérez Vernetti (Barcelona, 1958)

Após licenciar-se em Belas Artes, em Pintura, trabalhou durante dez anos (1981-1991) na revista El Vibora, designadamente nas bandas desenhadas "El Toro Blanco" (1989) com o argumentista Joseph Marie Lo Duca, e "La Trampa" (1990).

Entre as suas obras em BD destacam-se "Las Habitaciones Desmanteladas", (Ediciones De Ponent, 1999); "Macande" (Ikusager, 2000); "Nous Sommes Les Maures" (Éditions Amok, 1998), "11 M, Once Miradas" (2005) e "Sará Servito" (Edicions De Ponent), com Felipe Hernández Cava; "Amores Locos" (Edicions De Ponent, 2005) e "El Brillo Del Gato Negro" (Edicions De Ponent, 2008), com o argumentista Antonio Altarriba, e "Las Mil y Una Noches" (Edicions De Ponent, 2002), de novo com Joseph Marie LoDuca.

Mais recentemente, realizou a novela gráfica "Pessoa & CIA", editada inicialmente em Espanha pela editora Luces de Gálibo, em 2011, e com edição portuguesa pela ASA em 2012.

Exposições de BD: Parte das pranchas da novela gráfica "Pessoa & CIA" estiveram expostas na Casa Fernando Pessoa, em 2012, em Lisboa, e na Universidade Fernando Pessoa, em 2014,no Porto. 

Tradução livre e parcial de texto englobado no "site" da RTVE, em espaço da responsabilidade de Jesús Jimenez, jornalista da RTVE, especializado em Cultura e, sobretudo, em Banda Desenhada. 
Esse texto-base teve actualizações da responsabilidade do presente blóguer. 
(2ª versão da biografia já anteriormente publicada neste blogue) 

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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes quarenta e nove "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé       

terça-feira, maio 13, 2014

Exposições BD Avulsas (XLIX)



Relvas, nome de um dos autores de BD mais importantes da moderna banda desenhada portuguesa. começou a ter, finalmente, os destaques públicos que desde há anos merecia: depois de lhe ter sido atribuído, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, o Prémio Nacional de BD 2012, complementado, no mesmo certame, com a exposição "Relvas a Três Tempos", chega agora a vez de ser distinguido com a mostra "Fernando Relvas e a Revista Tintin", centrada na sua colaboração com aquela revista portuguesa de BD.

A organização do evento é da responsabilidade do CNBDI - Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, equipamento cultural da Câmara Municipal da Amadora.

Como se pode ver pelo cartaz que ilustra o presente post, a exposição inaugura-se a 16 de Maio (6ª feira), pelas 19h00, na sala de exposições temporárias do CNBDI
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RELVAS, Fernando

Síntese biográfica

Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas, 20 de Setembro de 1954, Lisboa. 

Relvas iniciou-se na BD em 1975, colaborando nos fanzines O Estripador e O Gorgulho. 
Estreou-se a colaborar em jornais em 1976, no Gazeta da Semana, com a personagem Chico. 

Voltaria mais tarde aos jornais, designadamente a: Pau de Canela, O Fiel Inimigo (depois apenas Inimigo), Sete, GrandAmadora, Diário de Notícias, Mundo Universitário. 
Entre todos destaca-se o semanário Sete, onde teve extensa produção bedística, de 1982 a 1987: Concerto Para Oito Infantes e Um Bastardo, Niuiork, Sabina, Ai Este Chavalo Seria Tão Baril Se..., Herbie de Best, Sangue Violeta, Karlos Starkiller Jornalista de Ponta, todas a preto e branco, e Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino, A Noite das Estrelas, O Diabo à Beira da Piscina, O Atraente Estranho, estas quatro a cores.

Há bandas desenhadas suas em várias revistas de BD: Mundo de Aventuras, ("0-3-0 O Controlador Louco"), Fungagá da Bicharada, Mosquito (5ª série), no respectivo suplemento "O Insecticida", Lx Comics e especialmente na Tintin, onde teve considerável produção (Espião Acácio, Viagem ao Centro da Terra, Rosa Delta Sem Saída, L123, Cevadilha Speed, Slow Motion, Kriz 3). 
Fez também BD em revistas de temas diferentes, nomeadamente Pão Comanteiga e Sábado ("O Rei dos Búzios").

Em 1990 obteve o 1º prémio do concurso "Navegadores Portugueses", organizado pelo CNC-Centro Nacional de Cultura, com a obra "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda".

Tem obras editadas em álbuns: colaboração no colectivo "Noites de Vidro", aavv (1991); "Em Desgraça - As Aventuras de Vaz Taborda" (1993), "As Aventuras de Piri-Lau O Nosso Primo em Bruxelas" (1995), "Karlos Starkiller Jornalista de Ponta" (1997) - recolha da série homónima publicada no semanário Sete; "Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD" (1999).

Enquanto profissional da BD e Ilustração, editou ele próprio os seus prozines (Ananaz Q Ri e Ménage à Trois), mas colaborou também nos fanzines Édito e Quadrado (2ª série).

Em Setembro de 1989, no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto participou numa exposição colectiva; em Março de 1997 foi-lhe dedicada uma exposição, pela Bedeteca de Lisboa,  intitulada "Relvas à Queima-Roupa", com edição de catálogo; em 1998 foi um dos vários autores portugueses incluídos na exposição "Perdidos no Oceano", organizada em França pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, na edição desse ano.

Publicadas em língua inglesa tem as seguintes obras: Palmyra (2007), The Chinese Master Spy (2008), Li Moonface (2011), Ask a Palmyra: How Can Transgenic Fish Make You Sex Crazy? (2013).

Em 2012 realizou o seu primeiro filme de animação, "Fado na Noite", ambientado em Lisboa, nos meados do século XIX. O filme foi financiado pela RTP e Ministério da Cultura.

Em Setembro de 2002 foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa.

Em 2013 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de BD/2012 pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, onde esteve representado na exposição "Relvas a Três Tempos".   

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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes quarenta e oito "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé  

domingo, maio 11, 2014

Comic Jam (2ª fase - Nº 11 - Total 64)


Os visitantes habituais deste blogue já conhecem bem estas pequenas bandas desenhadas feitas em apenas seis vinhetas, cada uma delas da autoria de um(a) autor(a) diferente.

Desta vez, no encontro da Tertúlia BD de Lisboa do passado dia 6 do corrente mês de Maio participaram:

1 - José Smith Vargas .................... 2 - João Sá-Chaves
3 - Filipe Duarte ...............................4 -  Hugo Teixeira
5 - Sónia Oliveira .............................6 - Andreia Rechena

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Os visitantes interessados em verem os "posts" anteriores que contêm todos os "comic jam" realizados na Tertúlia BD de Lisboa, mas também os muito diferentes feitos nos eventos AMADORABD e ANICOMICS, poderão fazê-lo com um simples clique no item Comic Jam visível aqui por baixo no rodapé.

quinta-feira, maio 08, 2014

Improvisos na Toalha de Mesa (XX)


O improviso na toalha de mesa feito por José Smith Vargas mostra a personagem ficcional Little Nemo, protagonista da obra-prima da banda desenhada, Little Nemo in Slumberland.

Apesar de se tratar de um mero desenho improvisado e executado rapidamente na mesa do restaurante(*), nota-se que o seu autor tem, além de talento, grande apreço por aquele pequeno herói, personagem central de numerosos episódios de carácter onírico, criado em 1905 pelo genial banda-desenhista (ou cartoonist, como os americanos chamam aos autores de banda desenhada e/ou cartoon) Winsor McCay.

(*) Durante o 359º encontro da Associação Informal Tertúlia BD de Lisboa, efectuado na Casa do Alentejo no dia 6 de Maio de 2014
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Para o caso de alguém querer ver outras ilustrações improvisadas reproduzidas nos 18 "posts" anteriores, poderá fazê-lo clicando sobre o item Improvisos na toalha de mesa, visível no rodapé    
 

domingo, maio 04, 2014

Tertúlia BD de Lisboa - 359º Encontro - Maio 2014





A Tertúlia BD de Lisboa mantém-se atenta aos valores emergentes da BD portuguesa, daí que,muitojustamente, José Smith Vargas seja o seu Convidado Especial no próximo encontro de 6 de Maio.

Como passou a acontecer desde o início do corrente ano de 2014, a TBDL realiza-se agora na Casa do Alentejo em Lisboa.


Foto do restaurante da Casa do Alentejo onde decorreu o encontro de 6 Maio 2014 No primeiro plano vêem-se Carlos Moreno (de pé), José Smith Vargas (o Convidado Especial) a desenhar, este blóguer (inclinado sobre a mesa, e a cabeça parcialmente cortada, vá-se lá saber porquê) e a Andreia Rechena ("Dona Zarzanga") também a desenhar.
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José Smith Vargas

Síntese biobibliográfica

José Smith Vargas, Lisboa, 1981


Formou-se na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha.
Ilustrador, muralista, designer, autor e leitor de banda desenhada. 

Publicou BD e ilustração em edições da Associação Chili com Carne, na Revista Buraco e em inúmeras outras publicações, jornais, fanzines, blogues, etc.. 

Fez cartazes, designadamente para o Concurso de BD da Associação Cultural Alagamares, de Sintra.
Naquela associação dirigiu uma oficina de BD em quatro sessões, destinada a principiantes (apresentada pelo cartaz afixado aqui ao lado).


Dos seus projectos de BD em curso destaca-se a adaptação de textos de Raul Brandão na série "O Fígado da República"; de crónicas sobre a requalificação do bairro da Mouraria; e "As Aventuras de Mário, o Trovador".

Tem tentado levar a influência da BD para outros territórios visuais como cartazes e capas de discos, ultrapassando a natureza sintética e aglomeradora da ilustração, antes explorando instantâneos de sequências, de narrativas inexistentes.

Nas influências, a sua referência principal em termos de autores é a BD franco-belga (clássica e contemporânea):

Edgar P. Jacobs, Jacques Martin, Franquin, François Bourgeon, Jacques Tardi, Christophe Blain, David B., Joann Sfar...

Depois há Pratt, Muñoz, Prado, Bilal, o português Relvas... 

Quanto a personagens, as preferidas vêm da escola autobiográfica americana: Harvey Pekar e Joe Sacco. Autores que se representam nas suas histórias.. No caso de Pekar, escrito por ele e desenhado por outros. 

Em relação a Mário "o trovador", bd em preparação, baseia-se num cantautor e músico de rua, iniciando assim uma série onde traça pequenos retratos da vida e ilustra alguns temas das canções do seu amigo.

(*) Os seus espaços na internet:
josesmithvargas.blogspot.pt
www.behance.net/josesmithvargas


Duas outras bandas desenhadas de José Smith Vargas podem ser visionadas em: 

http://divulgandobd.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20Smith%20Vargas

http://divulgandobd.blogspot.pt/search/label/Curtas%20de%20BD%20%28Autores%20portugueses%29 

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Tertulianos que marcaram presença em mais um encontro da TBDL
Lista de participantes fornecida por Inês Ramos, elemento do quarteto [fantástico] que desde Julho de 2013 dirige a TBDL, e aqui acrescentada "a posteriori"

1. Álvaro
2. Ana Saúde
3. Ana Vidazinha 
4. Andreia Rechena
5. António Isidro
6. Filipe Duarte
7. Gabriel Martins
8. Geraldes Lino
9. Helder Jotta
10. Hugo Moreira
11. Hugo Teixeira
12. Hugo Tiago
13. Inês Ramos
14. João Vidigal
15. José Abrantes
16. José Lopes
17. José Smith Vargas
18. Manuel Valente
19. Miguel Costa Ferreira
20. Miguel Matos
21. Moreno
22. Paulo Costa 
23. Policarpo
24. Rui Domingues
25. Sá-Chaves
26. Simões dos Santos
27. Sónia Oliveira
28. Victor Jesus
29. Vilela 
30.Vítor Nascimento 

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Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens deste tema poderão fazê-lo clicando no item Tertúlia BD de Lisboa incluído em rodapé 

sexta-feira, maio 02, 2014

Política e BD (VI)







Numa indispensável triagem ao amontoado de jornais que tenho coleccionado, ao longo de dezenas de anos, por terem bandas desenhadas ou simplesmente artigos sobre BD, encontrei um exemplar de O Repórter (nº10 - Março 97) mensário destinado à juventude editado pela Câmara Municipal de Loures.

É o único exemplar que possuo, terá chegado às minhas mãos por mero acaso - sou de Lisboa, e não frequento Loures. Claro que, quando o encontrei, tive a noção de o ter guardado por causa da bd de duas pranchas, impressas a cores, apresentada pelo título de "Última Página".

Contactei um dos seus autores, Diniz Conefrey, que fez os desenhos (não conheço o argumentista, Ricardo Machaqueiro), e fiquei a saber que "Última Página" era o título da rubrica, resultante do facto de, habitualmente, a bd ser reproduzida na última página do jornal, e devido a isso ter apenas uma prancha.

Essa bd - afinal sem título - que se volta a publicar, desta vez no espaço virtual de um blogue, é protagonizada por um jornalista do jornal regional (talvez fictício) Ecos do Trancão. No decurso do seu trabalho, ele entrevista um antigo membro do MUD Juvenil, que recorda os tempos da sua actividade política em Sacavém, tradicional baluarte anti-fascista, na sua opinião. Nessa conversa com o jornalista toma-se conhecimento com várias peripécias de carácter político, caso das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, do acompanhamento do funeral do escritor e militante comunista Soeiro Pereira Gomes, de que as autoridades haviam feito o possível para ocultar a hora, ou da pintura, com nitrato de prata, no Arco do Alviela, da frase "Abaixo o Campo de Concentração do Tarrafal", na véspera da passagem da Volta a Portugal em ciclismo por Santarém.

Trata-se de uma peça de figuração narrativa onde se prova, mais uma vez - contrariando preconceitos erróneos e simplistas - que a BD, além de aventuras de super-heróis e de patos e ratos antropomórficos, também abarca temas de carácter social e político.

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DINIZ CONEFREY

Síntese biográfica

Carlos Diniz Guedes Pacheco Conefrey, 10 de Junho de 1965, Lisboa.

Possui o Curso de Desenho da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

Tem colaboração em BD nos álbuns "Noites de Vidro" - aavv -, edição da Câmara Municipal de Lisboa (1991), "Vida de Preto" - aavv -, edição do Movimento Anti-Racismo, Lisboa (1995), Síndrome de Babel - aavv -, edição da Câmara Municipal da Amadora para o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (1996), "Arquipélagos" - adaptação à BD de obra poética de Herberto Helder, Editora Íman, Lisboa (2001), "O Livro dos Dias: Cochquixtia", Edições Devir, Lisboa (2003), "Os Labirintos da Água" - adaptação de três textos  de Herberto Helder, edição de Quarto de Jade (2013).

De referir o facto de "O Livro dos Dias: Cochquixtia" ter sido produzido com o apoio  de uma Bolsa de Criação Literária do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. 

Diniz Conefrey colaborou na revista Lx Comics (nº2 - Outono 1990) com a banda desenhada e fotografada de seis pranchas, "Avé-Marias - Lisboa a Medley of Colours and Noises", e também nos nºs 3 e 4 - Inverno e Verão de 1991, respectivamente, com episódios intitulados "Histórias de Família". 

Tem feito bandas desenhadas para vários jornais, designadamente "Notas de Um Bibliotecário Sobre a Leitura" (1990), "Saldos", sob argumento de João Barreiros (1991) e "Miragens" (1992), para o semanário Expresso; para o semanário Blitz criou "O Pacífico Bar" (1991), "Ruivo no Desemprego" (1991), "Ruivo - Rendez-Vous" (1992); em colaboração com o jornalista Ricardo Machaqueiro que lhe escrevia os argumentos de carácter político, desenhou alguns episódios de prancha única, por vezes de duas pranchas, para o mensário regional Repórter, editado pela C.M. de Loures em 1997.

Teve a sua fase de faneditor, ao editar os fanzines Ktulu, Aquatarkus e Gasp, nos quais também participou como autor, e colaborou em zines de outros faneditores, nomeadamente nos intitulados Hamburguer, Dossier Top Secret, Eros, Shock, Banda, BD & Roll e Azul BD Três.

Orientou o Curso de Banda Desenhada no Ateliê de Técnicas Narrativas da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, em 1995 e 1998. Colaborou na Ilustração Portuguesa, edição da Bedeteca de Lisboa, de 1998 a 2000 e 2002, e também na revista Biblioteca, nºs 3 e 4, Lisboa, 1999.

Em publicações estrangeiras colaborou no colectivo L'Encre du Polvo, aavv, Ed. Pélure Amère, França, 1994.

Participou na obra "Lissabon, Lisboa, Lisbonne, Lisbon", editada em Portugal mas em língua francesa.

Teve obra de BD sua incluída na exposição colectiva "Perdidos no Oceano", realizada em França pelo Festival International de Bande Dessinée de Angoulême, em 1998.
Colaborou com as revistas mexicanas Textofilia (nº14 - 2007) e Letra en Ruta (nº3 - 2008), publicando bandas desenhadas.

Foi galardoado com o troféu "Zé Pacóvio e Grilinho", atribuído pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, na categoria de Melhor Desenho de Álbum Nacional/2002, prémio recusado pelo autor.  

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Os visitantes interessados em ver as anteriores cinco postagens poderão fazê-lo clicando no item Política e BD, incluído em rodapé   

segunda-feira, abril 28, 2014

Entrevistas Antigas a Autores de BD (II) - Luís Louro




Luís Louro foi o segundo autor de BD - após Jorge Colombo - que entrevistei para o suplemento jornalístico Tablóide incluído no [extinto] vespertino Diário Popular, de grande tiragem, que se editava em Lisboa.

Como descrevi nessa primeira das entrevistas antigas a autores de BD, o dito suplemento era publicado ao Sábado, e compunha-se de duas páginas.
Na da frente era impressa a entrevista, e no reverso iniciava-se a banda desenhada, que continuava no Sábado seguinte. A reprodução da bd aqui no blogue ficará para uma próxima postagem.

(Reescrevo seguidamente  a entrevista a fim de facilitar a leitura.
Relembro que tudo aquilo que nela é dito terá de ser lido considerando que a edição do jornal data de 12 de Outubro de 1985).

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                    A BD é uma forma 
                      de me realizar

- diz Luís Louro, desenhador

Luís Louro é o desenhador que aparece hoje no Tablóide.
Apesar de ser muito jovem, as suas qualidades já foram reconhecidas publicamente: os sócios do Clube Português de Banda Desenhada votaram maioritariamente nele em 1985, para que lhe fosse atribuído um dos troféus «O Mosquito», aquele que é dedicado à Revelação da BD do ano anterior. 

Luís Alexandre Santos Louro é natural de Lisboa, onde nasceu a 14 de Junho de 1965. Já finalizou o 12º ano e, por agora, vai aguardando a chamada para o serviço militar «com bastante sofreguidão e entusiasmo, hugh!».

- Entretanto vai continuando a fazer BD, coisa que faz parte das suas necessidades vitais, desde que se conhece. Não é verdade isto, Luís Louro?

- Sim, posso dizer que desenho quase desde a barriga da minha mãe. Suponho que a deixei cheia de rabiscos...
Mas, mesmo a sério, foi há cerca de seis anos.

- O que é que a BD representa para si?

- Uma forma de expressão, de divertimento, também uma forma de me realizar. Não vou dizer que gostaria de fazer profissão da BD: além de ser habitual as pessoas dizerem isso, é utópico.

- Não sente que o ambiente à volta da BD, hoje, começa finalmente a ser favorável ao seu desenvolvimento?

- Não, pelo contrário, parece um ninho de víboras. Apesar de não parecer, nos bastidores existem muitas rivalidades, interesses, invejas.

- Mas em relação ao público - que está alheio a essas tricas -, não acha que há agora mais interesse pela BD em geral, e pela portuguesa em particular?

- Pela BD em geral, acho que sim, acho que há mais interesse, uma vez que a BD está a ser cada vez mais utilizada, até a nível didáctico.
Quanto à BD portuguesa, acho que não está suficientemente desenvolvida, por culpa dos editores, uma vez que as revistas portuguesas não são divulgadas no estrangeiro.

- Isso não será também devido ao facto de não ser fácil colocar as nossas revistas no estrangeiro? Você sabe que em Espanha, França, Bélgica ou Itália há imensas revistas e muito superiores às nossas...

- Lá há melhores, mas também há piores. Acho que seria uma maneira de fomentar a nossa BD e abrir os olhos aos editores estrangeiros, fazê-los ver que por cá também se fazem umas coisas.

- Mas também está um pouco nas vossas mãos tentarem ir pessoalmente apresentar as vossas experiências aos editores estrangeiros. Já tem havido antecedentes...

-  Eu concordo com isso plenamente, mas há um certo complexo nosso, criado pelos editores portugueses, que de certa forma se estão a baldar para as nossas experiências.
Portanto, se os próprios portugueses não ligam, imagine-se os estrangeiros, que já lá têm os seus próprios autores.

- Apesar desse seu cepticismo, você continua, com persistência, a desenhar. A que se deve esse facto?

- Essa é a grande prova de que eu desenho por gosto, não por necessidade ou materialismo - isto é, não desenho para vender.
Considero a BD como arte, e é nessa perspectiva que continuo a fazê-la.

- Como encara o facto de lhe ter sido aribuído, por votação entre os sócios do CPBD, «O Mosquito», considerando-o «Revelação da BD Portuguesa» em 1984?

- Espero que não me chamem convencido, o ponto de vista não é esse, mas considero que não foi nada que eu não merecesse. 
Não pretendo afirmar que sou bom ou qualquer coisa do género, mas, pelo menos, eu e o meu argumentista trabalhámos para isso. Acho que somos dos que mais trabalhámos em 1984 para nos aperfeiçoarmos.

- Quantas bandas desenhadas já fizeram vocês?

- Fizemos nove completas, sete delas incluídas numa série intitulada "Estupiditia", e ainda outras duas, mais extensas, para uma personagem.

- Quantas foram publicadas?

- Três no "Mundo de Aventuras", a mais recente das quais, no número 556 referente à 1ª quinzena de Agosto, era apresentada por uma capa feita por mim. Apareceu uma outra no fanzine "Protótipo". E estão previstas mais nessas mesmas publicações.

- Há algum desenhador português por quem tenha admiração especial?

- Não quero destacar nenhum, para não ser injusto e não ficar ninguém no esquecimento.

- Há algum tema que o atraia para vir a transformar em BD?

- De momento, o tema surge-nos e nós trabalhamos nele, seja qual for.

- Qual o desenhador estrangeiro que acha justo destacar?

- Enki Bilal e, uns graus mais abaixo, Liberatore. Gosto da "linha clara", principalmente de Daniel Torres.  

Entrevista e foto por
Geraldes Lino 
 
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Luís Louro

Síntese biobibliográfica 

Luís Alexandre Santos Louro, 14 de Junho de 1965, Lisboa.
Curso  de Técnico de Meios Audiovisuais da Escola de Artes Decorativas António Arroio (Lisboa).
Foi galardoado com os troféus: Mosquito (do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD) em 1985, como Revelação da BD Portuguesa de 1984; Zé Pacóvio e Grilinho, para Melhor Álbum Português de 1995, e o mesmo troféu, atribuído pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, dedicado ao Prémio Juventude 1995.

Jim del Monaco foi o primeiro herói desenhado por Luís Louro, sob argumento de António Simões (ou Tozé Simões), que protagonizou várias aventuras editadas em álbum com os seguintes títulos: Jim del Monaco (1986), Menatek Hara (1987), O Dragão Vermelho (1988), Em Busca das Minas de Salomão (1989), A Criatura da Lagoa Negra (1991), A Grande Ópera Sideral (1992), O Elixir do Amor (1992), Baja África (1994).
Roques e Folques foi outra série criada pela mesma dupla Louro e Simões, e que teve os seguintes álbuns: O Império das Almas (1989), e A Herança dos Templários, em dois tomos (I-1990 e II-1992, respectivamente).
Vieram a seguir as Estórias de Lisboa, em que se incluiram os episódios O Corvo (1994), Alice (1995) e Coração de Papel (1997), criados a solo por Luís Louro, autor dos argumentos e desenhos, assim como Cogito Ego Sum (2000).
Nesse mesmo ano de 2000, agora de novo com um argumentista, Rui Zink, surge O Halo Casto. Em 2002, a transformar em imagens sequenciais um argumento escrito por João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos, foi a vez de Eden 2.0.
De novo a solo, em 2003, retomou uma das suas personagens favoritas, em O Regresso do Corvo.
Tem colaborações dispersas em vários tipos de publicações, designadamente em revistas de BD - Mundo de Aventuras (1985), O Mosquito-5ª série (1985/86), Selecções BD (1989/90, 1999 e 2001), Lx Comics (1991) em revistas de temas diferentes (Valor, 91 a 94; Visão, 95 a 2000; Ego, 1998), e em fanzines: Protótipo (1985), Hyena (1986), um zine espanhol intitulado Un fanzine llamado Camello (1986), Max (1986), Banda (1989/90), e Shock (1989/91). 
Colaborou também num jornal, o Diário Popular, no suplemento semanal Tablóide, em Outubro de 1985.
Participou, com outros autores portugueses de BD, na exposição colectiva "Perdidos no Oceano", organizada pelo Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême, em 1998. 

G.L.
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Os interessados em ler a entrevista anterior a Jorge Colombo poderão fazê-lo clicando no item Entrevistas antigas a autores de BD visível no rodapé