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domingo, outubro 11, 2015

II Guerra Mundial - Registo de uma antiga exposição de BD



Em 2015 passaram-se setenta anos - uma conta redonda - sobre o fim  da II Guerra Mundial (1939-1945).

Pela parte de entidades oficiais ou privadas, não me apercebi que tenha havido em Portugal eventos dedicados a comemorar, através da BD, o fim desse flagelo bélico, ao contrário do que aconteceu em 1995, quando se comemoravam cinquenta anos após o fim desse conflito mundial, numa exposição de banda desenhada comissariada por mim - em representação do Clube Português de Banda Desenhada - na Biblioteca-Museu República e Resistência.

Ocorreu-me recuperar esse meu trabalho pelo facto de ter presenciado ontem, na Bedeteca da Amadora, uma exposição centrada na 
I Guerra Mundial, com bandas desenhadas da autoria de Jacques Tardi e de Stuart Carvalhais, autores de BD representando dois dos países que participaram na contenda, França e Portugal.

Sem pôr em causa a qualidade da exposição bi-partida de que falei aqui no blogue (duas postagens antes), questiono a pertinência da comemoração, sendo que o normal é tal acontecer em anos redondos passados sobre o princípio ou o fim do acontecimento.

Ora se a I Guerra Mundial teve lugar entre 1914 e 1918, e a seguinte aconteceu nos anos que decorreram de 1939 a 1945, justificar-se-ia que se desse preferência a este último acontecimento bélico para tema da citada exposição, visto no presente ano perfazer uma conta redonda o seu final.

Nota: As imagens que ilustram a postagem são algumas das que constaram no catálogo da exposição "A II Guerra Mundial na Banda Desenhada", editado em 1995.

Reprodução das respectivas legendas: 

1 - "Siegfried Negro em Terra Branca", por Diniz Conefrey
2 - "Führer", de Luís Louro (desenho) e António (Tozé) Simões (arg.)
3 - "Passagem por Lisboa", em desenhos de Paulo Silva, com base num argumento de Eduardo Geada, em texto final de Paulo Pereira
4,5,6 - 
- Conversas de guerra em "120, Rue de la Gare", de Tardi
- Charles Chaplin no filme "O Ditador", visto por José Ruy
- Hitler visto por Frank Bellamy
7 - Quando o Super-Homem entrou na guerra
8 - Nada melhor que o Capitão América para assustar Hitler
9,10 - 
- "Maus", tremenda visão de guerra, pelo artista de origem judaica Art Spiegelman. 
- Pormenor da obra biográfica "Jorge Dimitrov, herói internacionalista, da autoria de José Ruy
11 - Imagem realista da guerra, pelo talento gráfico de Russ Heath
12 - Contracapa com reprodução de pormenor da obra "La Bête est Morte! - La Guerre Mondiale Chez Les Animaux", por Calvo (Edmond-François Calvo), desenhos, e Dancette (Victor Dancette), argumento
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Reproduzo (parcialmente) o texto do catálogo:

"(...) Amiudadas vezes [a BD] procura e atinge finalidades culturais, retratando os ridículos humanos ou explorando a crítica social. E, graças à riqueza da expressividade que lhe é permitida pela associação do binómio texto/imagem, tem adaptado à sua linguagem importantes obras de teatro, de ópera (ou teatro lírico), de cinema, de literatura. 
Alguns dos seus autores, mais atentos e oportunos, têm aproveitado para tema factos da História da Humanidade, tanto nos seus aspectos de projecção individual, como nas suas maravilhosas sagas ou impressionantes tragédias. E nesses factos inserem-se os grandes conflitos bélicos.

Com efeito, as peripécias militares, terrestres, aéreas e marítimas, deram azo a inúmeras obras. Algumas delas atingiram superior qualidade estética e literária, quer em registo realista quer ficcional, destacando-se "Maus" (de Art Spiegelman) e "La Bête est Mort (de Calvo), duas extraordinárias alegorias em estilo animalista; "High Commands" (de Frank Bellamy), "Terry e os Piratas", (de Milton Caniff), "Os Escorpiões do Deserto" (de Hugo Pratt), "Ernie Pike" (também de Hugo Pratt, mas só no desenho, e Hector Oesterheld, autor do argumento), "Buz Sawyer" (de Roy Crane). Ou, em estilo mais popular, "Sgt. Fury" (de Jack Kirby, desenhador, e Stan Lee, argumentista), "Sgt. Rock"(de Ross Andru, Mike Esposito, Joe Kubert e outros), "Buck Danny" (de Victor Hubinon, desenhador, e Jean-Michel Charlier, argumentista), não sendo possível esquecer o "nosso" "Major Alvega" (na realidade, mera adaptação da série inglesa "Battle Britton", criada em 1956 por Geoff Campion, desenho, e Mike Butterworth, argumento). 

Um aspecto muito curioso é o que se prende com o facto de alguns autores de  séries famosas terem conseguido imiscuir os seus "heróis de papel" no conflito posterior, embora de forma simbólica, em subtil transposição para diferentes cenários. É o caso de Harold Foster, ao pôr o Príncipe Valente a combater contra os Hunos, invasores da Bretanha; de Hergé, com Tintin, em "O Ceptro de Ottokar"; de Edgar Pierre Jacobs, através de Blake e Mortimer, em "O Segredo do Espadão", ou de Jesús Blasco, com o seu herói Cuto em "Tragédia no Oriente".

Alguns autores "forçaram" os seus heróis a tomarem partido: Burne Hogarth foi um deles, ao criar o episódio "Tarzan e os Nazis". Outro foi Alex Raymond, ao fazer Flash Gordon regressar do Planeta Mongo, a fim de vir auxiliar na defesa contra o imperialismo. Também Phil Davis, desenhador, e Lee Falk, argumentista, criadores de Mandrake, puseram o célebre mágico a trabalhar para o "Intelligent Service", numa aventura datada de 1941, onde ajuda a desmantelar uma importante organização de espionagem nazi.

Nesta galeria de heróis, vários outros pegaram em armas. Alguns exemplos mais: o pugilista Joe Palooka (cujo nome em português passou a ser Joe Sopapo), Dick Tracy, Jungle Jim.

Ao fascínio do tema não resistiu o Super-Homem, famoso super-herói americano, que no auge do conflito trava contenda com nazis, de onde sai obviamente vitorioso. O que levou Goebbels a afirmar publicamente: "Este super-homem é judeu".
Outro super-herói, o Capitão América, foi criado em Março de 1041 - dez meses antes de os Estados Unidos defrontarem o eixo germano-nipónico - com o fito exclusivo de se tornar símbolo da intervenção americana. Para não haver quaisquer dúvidas, o seu vestuário reproduz, visivelmente, a bandeira americana.

Ainda no que se refere ao género de super-heróis "made in U.S.A", mais alguns foram criados propositadamente para fins patrióticos, prontos a entrarem na batalha. Até os nomes tinham conotações bem explícitas: Captain Battle, Captain Courageous, Captain Freedom, Major Victory, Major Liberty, U.S. Jones, Uncle Sam, American Eagle, e mais vários.

Outro aspecto curioso dentro desta corrente dos comics americanos tem a ver com o facto de também terem surgido estrategicamente super-heroínas patriotas. Os seus nomes eram, de certa maneira, o reverso da medalha de alguns dos seus confrades masculinos: Miss America, Yankee Girl, Liberty Belle.

Até mesmo pelo burlesco, alguns autores não deixaram de aproveitar o assunto. O italiano Bonvi tornou-se bem conhecido com a engraçada série "Sturmtruppen". Mas é nas numerosas revistas inglesas que se vão encontrar várias personagens desenhadas em estilo caricatural, de grande comicidade, actuando em regime de farsa. Destacam-se, entre elas, um impagável duo formado por Basil e Bert, detectives mobilizados pelos serviços secretos para a Dictatorland, onde defrontam um tal Ateful Adolf, cuja melena caída sobre a testa, mais o irritante bigodinho, o identificam iniludivelmente.

No pólo oposto estão alemães e italianos. No que se refere à Alemanha, é sintomático que a nação mais directamente implicada no conflito não tenha tido histórias de guerra em bandas desenhadas, por expressa vontade de Hitler.

Quanto à Itália teve nesse período em publicação várias revistas (Balilla, Corriere dei Piccoli, Il Vittorioso, Topolino), onde se manipulava a BD americana importada: Mandrake, graças a traições da tradução, aparece como enviado a Berlim para derrotar um grupo de espiões ingleses; Tarzan, num episódio assinado por um encapotado Ulterius, é apresentado como herói germânico; Brick Bradford passa a ser desenhado pelo italiano Carlo Cossio, sendo rebaptizado como Guido Ventura e, logo de seguida, como Giorgio Ventura, visto que Guido é nome hebraico; Kurt Caesar, outro autor comprometido com o regime de Mussolini, cria uma série de aventuras sob o título "Romano il Legionario".

Já em 1942, para além de pressões de vária ordem exercidas sobre os autores de BD, os censores atingem o máximo do ridículo:determinam a abolição dos "balões" por os considerarem invenção americana (o que não é verdade), e fazem-nos substituir pelas, segundo eles, "italianíssimas" didascálias.

Do que não restam dúvidas é que o regime fascista italiano considerou a banda desenhada como uma das mais populares e eficientes formas de propaganda, e utilizou-a como tal, não hesitando em aproveitar séries e "heróis" estrangeiros, depois de os adaptar aos seus pontos de vista políticos e belicistas.

No que concerne aos autores portugueses de BD, é notória a exiguidade de produção sobre o tema, quiçá por falta de motivação devido à neutralidade portuguesa. De facto, entre 1939 e 1945 publicaram-se, parcial ou totalmente, as revistas Senhor Doutor, Papagaio, Mosquito, Pirilau, Aventuras, Diabrete, Faísca e Lusitas. Nelas colaboraram vários prestigiosos autores, nomeadamente António Barata, Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, Jayme Cortez (que posteriormente adquiriria nacionalidade brasileira), José Garcês, José Ruy, Vítor Péon e Vítor Silva, e nenhum deles mostrou interessar-se pelo assunto nesse período.

Só depois de terminada a guerra apareceriam as primeiras histórias nela baseadas. Em 1947, Vítor Péon executa "Missão Perigosa", para o Diabrete. É ele também que que, passados uns anos, agora no Mundo de Aventuras - e já em parceria com o argumentista Edgar Caygill (Roussado Pinto) - volta aos cenários bélicos com "Don Clay"- 3 Vidas e um Segredo" (1951/52) e "Perigo no Ar" (1953).

Também José Ruy viria a tocar na matéria mais tarde, nas décadas de 70 e 80. E fê-lo por esta se inserir em alguns dos temas por ele tratados.
A primeira abordagem foi numa das seis pranchas que constituem o episódio "Da Guerra Nasceu Uma Flor - A Cruz Vermelha", surgido em Dezembro de 1978 no Mundo de Aventuras (Número Especial de Natal), com publicação repetida, no ano seguinte, nas revistas Tintin e Humanidade (órgão da Cruz Vermelha Portuguesa).

Referência à guerra - apenas três vinhetas dessa vez - fez de novo José Ruy na obra biográfica "A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin", impressa inicialmente no Spirou (1979 - 2ª série) mas voltada a publicar (em 1986) num álbum, e na revista Trujba da Associação de Amizade Portugal-Bulgária.

Editada em 1983 pelo Comité International de la Croix-Rouge, é igualmente dele "A História da Cruz Vermelha", pequeno opúsculo (ou mini-álbum) de quatro páginas, uma das quais no ambiente do conflito.

Com Jorge Dimitrov-Herói Internacionalista", obra pré-publicada num jornal lisboeta já extinto (O Diário), e em álbum no mesmo ano de 1986, volta a ser citada a contenda mundial, numa das páginas daquela biografia ilustrada.

Pela quinta e última vez, em 1989, José Ruy teve oportunidade de interpretar graficamente a II Guerra Mundial numa das páginas da sua História de Macau.

Chico Lança, no fanzine A Purga (Nº2 - Dez. 79) é o primeiro jovem a mexer no assunto, criando uma sequência em duas pranchas, onde faz um trágico paralelo entre as duas guerras mundiais.

Também muito jovem era Diniz Conefrey quando, em 1982, no seu fanzine Ktulu, escreve e desenha a história "Siegfried Negro em Terra Branca". Um ângulo de apreciação inesperado, visto que os protagonistas principais são alemães, defrontando dificuldades na retirada da Rússia, em pleno Inverno.

De Louro & Simões - autores então em início de carreira - é o episódio em oito pranchas intitulado "Führer", publicado em 1985 no Mundo de Aventuras.

José Garcês, a desenhar sob argumento de A. do Carmo Reis, focou quase imperceptivelmente o tema, no 4º tomo da "História de Portugal em BD" (1989). É uma única vinheta, onde se vêem tropas portuguesas a desfilar sob o Arco do Triunfo, a comemorar o fim da guerra.

Por último, e bem recentemente (em 1994), foi editada em álbum a obra "Passagem por Lisboa", baseada no filme homónimo de Eduardo Geada, estreado no mesmo ano. O guião de Paulo Pereira, e os desenhos de Paulo Silva, descrevem peripécias na capital portuguesa onde, em pleno conflito, se misturam espiões, uma actriz e um actor de cinema, ao lado de figuras da realeza britânica, em cenas paralelas à guerra, numa rápida, misteriosa e conturbada passagem por este território neutro.

Cenas suficientemente sugestivas - como tantas outras de obras anteriormente citadas -, para ficarem registadas nos quadradinhos sequenciais da Banda Desenhada, e constituírem fascinante registo gráfico, realista ou imaginário, da II Guerra Mundial.

Geraldes Lino
Clube Português de Banda Desenhada
1995               

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sexta-feira, outubro 09, 2015

Exposições BD - Quim & Manecas e Putain de Guerre



Duas exposições em simultâneo na Bedeteca da Amadora - que assim demonstra assinalável dinâmica - tendo a guerra por tema através da BD, embora por intermédio de bandas desenhadas realizadas em tempos e estilos gráficos muito diferentes: Quim & Manecas Vão à Guerra, por Stuart Carvalhais, e Putain de Guerre - A Guerra das Trincheiras, de Jacques Tardi.  

Essa evidente diferença entre as duas obras em exposição, uma de autor português, outra de um francês, será talvez razão para aguçar o interesse do público interessado pela BD, que terá tempo, a partir das 16h30 de 10 de Outubro até 8 de Novembro de 2015, de visionar as pranchas de Stuart e de Tardi.

Local das exposições
Bedeteca da Amadora
Avenida Conde Castro Guimarães, 6
Venteira
Amadora
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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas. Quem quiser ver postagens anteriores sobre o tema Guerra, o item respectivo está no rodapé.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Portugueses na Grande Guerra - BD portuguesa em revista não especializada e em álbum





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Apesar de se apresentar como Jornal do Exército, o seu formato e aparência gráfica remetem para uma revista, e na ficha técnica esclarece a sua finalidade: Órgão de Informação Cultura e Recreio do Exército Português.

Sendo irrelevantes tais pormenores para a finalidade deste "post", o que conta para o presente bloguista é o facto de a publicação ter apoiado a BD desde há longos anos.

Com efeito, sempre em curtas bandas desenhadas de duas pranchas, já nela colaboraram uns tantos consagrados da BD nacional, designadamente José Antunes, Augusto Trigo, José Pires e Baptista Mendes.

É precisamente Baptista Mendes o autor em foco nesta postagem, pelo facto de em Julho de 2014 ter sido editado o álbum Portugueses na Grande Guerra, de sua autoria, cujo conteúdo é constituído, quase na totalidade, por episódios publicados inicialmente no Jornal do Exército nos anos 1960 (68 e 69), 1970 (70, 71, 72, 73, 74 e 77) com dois inéditos realizados em 2014 de propósito para o álbum ("O Soldado Milhões" e "José Maria Hermano Baptista").

Sendo o álbum dedicado ao tema antes citado, o alinhamento da edição divide-se em sub-temas, a saber: "Em África" e "Na Europa".
É neste segundo tema que se inclui o episódio "Abnegação", o qual escolhi entre os publicados quarenta e cinco anos antes no citado Jornal do Exército (nº112 - Abril de 1969) para mera comparação. E, para possibilitá-la, ficam reproduzidas as duas pranchas do episódio, na revista e no álbum.

O que se nota de imediato é o facto de o episódio "Abnegação" ser colorido a verde na revista, enquanto que o álbum é todo impresso a preto e branco.

Em seguida ressalta a diferença na legendagem, com fontes diferentes, mas também ligeiras alterações no texto.
Veja-se, por exemplo, na revista, logo no início, o texto inserido no cartucho sob o título:

Em plena batalha de 9 de Abril, um Soldado do 6º Grupo de Baterias de Artilharia foi mandado da sua Bateria em combate, ao Comando do Grupo, levar uma comunicação, acompanhando um Alferes gaseado.

Leia-se agora, no mesmo local, o texto alterado constante do álbum:

9 de Abril. Em plena batalha, um Soldado do 6º Grupo de Baterias de Artilharia é enviado, acompanhando um Alferes gaseado, ao Comando do Grupo onde deve entregar uma comunicação.

Pequenas alterações, mas significativas do cuidado posto na recuperação e melhoramento do trabalho original.

Os episódios seleccionados para este álbum, tal como os restantes publicados na revista, desenhados por Baptista Mendes, caracterizam-se pelo prisma patriótico, são factos bélicos protagonizados por militares portugueses que se distinguem pela heroicidade e virtudes pessoais, coadunando-se obviamente com o espírito do órgão de informação editado pelo Ministério do Exército.

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BAPTISTA MENDES
Biobibliografia

Carlos Fernando da Silva Baptista Mendes, Luanda, Março de 1937.

Já usou diversos nomes artísticos: Baptista Mendes, Carlos Fernando, B.Mendes e Carlos Baptista Mendes.

A viver na cidade de Lisboa desde os onze anos, naturalmente foi nela onde fez a sua escolaridade, que abrangeu o antigo 5º Ano liceal, concluído no então chamado Liceu Gil Vicente, local onde teve os primeiros desenhos expostos publicamente, nos artesanais mas simpáticos "jornais de parede".

Em 1959 começam a ser publicadas bandas desenhadas suas na revista Camarada, essencialmente de cariz histórico assente em sínteses biográficas. 

Iniciou-se com "Matias de Albuquerque", essa primeira sob argumento de Rui de Abreu, mas as seguintes totalmente de sua autoria, texto e desenho. "Salvador Correia de Sá e Benevides e a Reconquista de Angola" (episódio publicado em 26 de Setembro de 1959, quando assinava por Carlos Fernando), "A Tomada de Abrantes", "Os Recrutas do Buçaco", "Honório Barreto", "Diogo Coutinho", "A Defesa de Almeida", "Geraldo Geraldes O Sem Pavor", "Amatus Lusitano", "Chaul", "Dom Francisco de Almeida", "Mem Ramires", "Silva Porto", são uma parte da sua copiosa produção nessa área, nas páginas do Camarada. Isto sem abdicar de, mesmo que escassamente, aflorar na citada revista o género humorístico, como por exemplo, no episódio autoconclusivo (numa só prancha, a cores) reproduzido na primeira página do exemplar datado de 7 de Novembro de 1959, sob o título "Coisas do Carlinhos", também sob assinatura de Carlos Fernando, que facilmente trocava por Baptista Mendes, como se pode ver em data seguinte bem próxima, 5 de Dezembro de 1959, no episódio "A Revolução de 1640.

Colaborou noutras revistas de BD, casos do Cavaleiro Andante, O Falcão, O Pardal, Pim-Pam-Pum (este, na realidade, um suplemento do jornal O Século), Mundo de Aventuras.

A sua actividade transbordou igualmente para suportes de temáticas diferentes, como se percebe pelos títulos: Revista da Armada e Jornal do Exército, tendo feito nestas publicações, mais uma vez, biografias em BD de personagens históricas, entre 1960 e 1983. Posteriormente, em 1994, no Notícias Magazine, suplemento do jornal Diário de Notícias, irá ser autor de episódio curto, autoconclusivo em duas pranchas, a cores, sob o título "Na Pista do Santinhos", dedicado, dessa vez, a uma personagem fictícia, "Maria Jornalista", abordada por diversos autores.

A primeira participação que teve em álbum foi na obra "Grandes Portugueses" (dois tomos cartonados), de igual modo no género biográfico sobre figuras da nossa História, com o aproveitamento de alguns episódios já antes publicados na citada revista Camarada - todos eles numa só prancha e a cores: "O Bravo", dedicado ao rei D. Afonso IV, num dos seguintes passa para "Diogo Cão", depois para "A Conquista de Goa", logo para "Fernão de Magalhães", e por aí fora ao longo desses dois volumes editados nos princípios dos anos 1960. Alguma dessa produção espalhada por tantas e tão diversas páginas irá ser utilizada no volume "Por Mares Nunca Dantes Navegados".

Com trabalho feito propositadamente para álbum é o intitulado "Navegadores - Infante D. Henrique", sob texto de Margarida Brandão. Em data mais próxima, Novembro de 2006, foi editada a obra "História de Trancoso - E Assim Se Fez Portugal". Este álbum indica como autor Carlos Baptista Mendes, sendo a identificação artística que usa de há uns anos a esta parte. Mas sob as vinhetas das bandas desenhadas continua a apresentar-se somente por Baptista Mendes, como fez na prancha colorida do episódio "Viagem a Lisboa", título da sua participação na obra colectiva "Príncipe Valente no Século XXI", publicada no fanzine Efeméride (Nº2 - 13 de Fevereirode 2007). Voltou a colaborar nesse mesmo fanzine (Nº 6 - Parte 1 de 4 - Outubro de 2013) dedicado ao tema "Heróis de BD no Século XXI" com o episódio numa só prancha, a cores, "Aventura em Portugal" dedicado ao herói "Capitão Mistério".

Em Julho de 2014 passa a ter mais um álbum editado, "Portugueses na Grande Guerra (1914-1918)", com recolha de episódios anteriormente publicados na revista Jornal do Exército, nas décadas de 1960 e 1970, com excepção de dois inéditos criados no mesmo ano da edição. 
Geraldes Lino 
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Para os visitantes que quiserem ver postagens anteriores relacionadas com o tema "BD Portuguesa em revistas não especializadas" bastar-lhes-á clicar no respectivo item visível em rodapé

quarta-feira, outubro 15, 2014

Exposições BD Avulsas (Beja) - Grande Guerra



Embora com atraso de cinco dias (*), não quero deixar de divulgar a exposição de BD que se inaugurou no passado dia 5 de Outubro, na Bedeteca de Beja, sob o título Notícias da Frente, dedicada à efeméride dos cem anos passados após o início da chamada Grande Guerra, que grassou por vários países entre 1914 e 1918. 

Como não poderia deixar de ser, tem havido autores - portugueses (Filipe Abranches, José Mota, Paulo Monteiro) e estrangeiros (David B., Gibrat, Gipi, Hugo Pratt, Joe Kubert, Tardi) - que nas suas bandas desenhadas plasmaram imagens brutais dessa Primeira Grande Guerra

Considerando o elevado interesse do texto divulgado pela Bedeteca de Beja, limitar-me-ei a reproduzi-lo parcialmente, com a devida vénia.



NOTÍCIAS DA FRENTE

Exposição de Banda Desenhada com imagens de David B., Filipe Abranches, Gipi, Hugo Pratt, Jacques Tardi, Jean Pierre-Gibrat, Joe Kubert, José Mota e Paulo Monteiro

"Mortos... mortos... antigos e recentes. Como? A Primeira Guerra Mundial, senhor! 35 países fizeram parte dela, gente de perto e de longe! Números? Um inventário histórico para o futuro? 10.000.000 de mortos! Quantos anos de vida enterrados para sempre no lodo? Quantos órfãos? Gente mutilada, viúvas? Só na França há 930 hectares de cemitérios, solo excelente para beterrabas. Agora apenas cruzes irrompem! Se todos os mortos franceses desfilassem no dia 14 de Junho, em filas de quatro, seriam, pelo menos, necessárias seis noites e cinco dias antes do último mostrar o seu rosto lívido..."

                                                          Jacques Tardi, Armagedom

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Autores das imagens do topo

1. Jacques Tardi
2. David B.
3. Filipe Abranches

(*) Esta exposição teve abertura a 10 de Outubro, e estará montada até 31 de Dezembro

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OUTRAS EXPOSIÇÕES

Em simultâneo com a exposição aqui focada em pormenor, foram também montadas na Bedeteca de Beja, no mesmo dia 10 do corrente mês de Outubro, mais as seguintes:

SELMA PIMENTEL - Ilustração (Até 12 de Novembro)
SQUAMATINIA - Banda Desenhada "Uma Aventura no Mar" (Até 14 de Novembro)
RENATA BUENO - Ilustração "Os Monstros Urbanos" (Até 31 de Dezembro)

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Os visitantes deste blogue que queiram ver os restantes 63 "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD,poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas visível no rodapé          

domingo, janeiro 19, 2014

Guerra (I)




O acaso ("Hasard" é o título da banda desenhada) tem papel preponderante nesta curta de bd em oito pranchas, situada em plena guerra, mais concretamente na Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida por Grande Guerra (1914-1918). 

A peça de narrativa gráfica situa-se no Norte de França, onde um destacamento de soldados avança para as trincheiras, e é lá que os vamos encontrar em Dezembro de 1916.

Acompanhamos um soldado que, por acasos sucessivos, se vai safando de morrer em explosões várias. 
De certa maneira, há alguma dose de ironia na ficção do escritor Erich Maria Remarque, ao criar uma forte expectativa nas andanças do soldado que se vai safando da morte por se afastar casualmente - nem que seja apenas para ir buscar tabaco a um outro abrigo que tem um pacote de "Gitanes" (passe a publicidade) -  no momento exacto das explosões.

Uma interpretação ligeira de uma curta passagem do romance "À L'Ouest Rien de Nouveau" (" A Oeste Nada de Novo"), aproveitada por Arnü West, que surpreende pela simplicidade, em paralelo com a expressividade, no  desenho das personagens. 
Uma pequena peça de elevada qualidade, que a cor dada por Albertine Ralenti (mais uma boa colorista) valoriza - de que extraí um excerto, com a devida vénia aos editores da revista L'Immanquable (nº36 - Jan.2014).

Ilustram o presente "post" (de cima para baixo):

1) Prancha inicial da bd "Hasard" (página 30 da revista)
2) 4ª prancha, na página 33 
3) 7ª prancha, na página 36
4) 8ª prancha (última) na página 37
5) Capa da revista "L'Immanquable La BD en Avant Première"