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quarta-feira, junho 24, 2015

Fanzines, esses desconhecidos



 Já tem sido escrito, com frequência, por estudiosos dos fanzines - nos quais me incluo, permito-me dizer - que o neologismo "fanzine", nascido nos Estados Unidos (o conhecido Fredric Wertham, no seu livro "The World of Fanzines", indica o ano de 1930 para o The Comet, de Ficção Científica, como iniciador do movimento fanzinístico, mas em fontes diferentes surge outro antes, em 1929, o Cosmic Stories, também de FC) e absorvido na Europa nos anos mil novecentos e sessenta, sob o género masculino pelo facto de, na génese do vocábulo, estar o objecto literário, com imagens, o magazine, também popularizado em Portugal nessa época.

Fanzine, neologismo, mas já com verbete em dicionário (pela primeira vez, na 8ª edição da Porto Editora,de 2008), é formado pela contracção da palavra fan (fã, em português) e as duas últimas sílaba de magazine.

Logo, um fanzine é um magazine, editado por um ou uma fã, ou por um grupo, ou até por uma entidade cultural sem fins lucrativos, dedicado a qualquer tema, sendo em Portugal a Banda Desenhada um dos mais frequentes.



 
Capa do fanzine "Aquinocanto", da autoria de João Rubim. 

Note-se que em Espanha se diz "el fanzine" (em castelhano) e "o fanzine" (em galego, igual ao português).

Capa de "O Fanzine das Xornadas", editado aquando da realização das "VIII Xornadas de Banda Deseñada de Ourense" (na Galiza). 

O género masculino é também usado em França, visível no excerto de uma crítica extraída da revista "Vécu"





... ou no Brasil, como se pode ver na imagem seguinte

Livro da autoria do estudioso brasileiro Henrique Magalhães
 

ou em Portugal, num livro escrito por dois estudiosos portugueses do fenómeno fanzinístico (capa aqui por baixo)


Custa-me dizer isto - sou português... - mas nós, que somos um dos países europeus com maior índice de analfabetismo, e com elevada percentagem de iliteracia, tínhamos de ser os criadores desse absurdo linguístico que é mudar o género a um substantivo.

E o que é pior: quando pergunto a algum desses fanzinistas recentes, que dizem "a minha fanzine", por que motivo não dizem "o meu fanzine", respondem-me que é por ser uma revista (*), e como revista é uma palavra feminina...


E eu costumo objectar: então, como um pinheiro é uma árvore, temos de passar a dizer "uma pinheiro"?!


 Uma engraçada tira de banda desenhada da autoria de Laerte (in Diário de Notícias, 5 Jan. 2006)

Um universitário da Escola Superior de Design-ESAD, nas Caldas da Rainha - cidade onde há um buliçoso movimento fanzinístico -, reagindo à minha habitual discordância no uso do feminino para o fanzine dele, ripostou, com aquilo que começa a ser um chavão - já não é a primeira vez que oiço justificar asneiras com aquela frase -, "a língua portuguesa está sempre em evolução".

Eu sei isso, sou um estudioso da matéria. A componente mais visível dessa modificação é a constante absorção de vocábulos estrangeiros, aportuguesando-os por vezes, criando-se assim neologismos - blóguer ("blogger") ou bloguista, blogosfera, por exemplo.

Mas não há memória de, na língua portuguesa, ter havido mudança de género em algum substantivo. Estou a referir-me a mudanças correctas.

Porque, por iliteracia ou pura ignorância, há quem mude o género da palavra grama (peso).


Uma vez, uma funcionária dos correios, aqui em Lisboa, disse-me que a minha carta - com um fanzine dentro - pesava "vinte e duas gramas". Eu perguntei-lhe se ela também diria, para uma encomenda pesada, "vinte e duas quilogramas"...

Outro erro do género: há quem diga "o síndrome", quando o correcto, respeitando a etimologia, é "a síndrome". 

(*) Diferença entre fanzine e revista

Vigora ainda entre nós o erróneo conceito de que o termo fanzine apenas se aplica a publicações de pouca qualidade gráfica, compostas por fotocópias ou, na melhor das hipóteses - mais actualizada - em cópias digitais, diferentemente do que se entende por revista, publicação impressa em offset, de qualidade superior. 

Ora sempre houve fanzines impressos em offset, de excelente aspecto gráfico, mesmo em Portugal - esta expressão "mesmo em Portugal" não pretende ser depreciativa em relação ao nosso país, apenas realça o facto de haver grande desconhecimento do que se fez entre nós, desde 1972, Ano I do fanzinato português, com o aparecimento em Janeiro desse ano do nosso primeiro fanzine, o Argon. e de alguns impressos em offset, entre os oito editados nesse ano.

Mas quem já esteve em Angoulême, no grande festival francês de BD, indubitavelmente o maior evento europeu do género, pôde ver, no pavilhão dos fanzines, dezenas deles impressos em offset e até vários com lombada quando mais volumosos, exibindo uma apresentação gráfica a rivalizar com quaisquer publicações profissionais.

Ora à conta do fanzine Efeméride - um dos quinze títulos que já editei - tenho ouvido com frequência o comentário: "isto é uma publicação luxuosa, é uma revista, já não é um fanzine!".

Mantém-se ainda hoje, portanto - julgo que só em Portugal - este preconceito em relação aos fanzines.


Insisto: uma qualquer publicação pode ter ISSN, depósito legal, até código de barras, e uma impressão gráfica de nível equivalente a qualquer revista comercial/profissional. Mas se não for publicada por uma editora legalizada, mesmo de pequena dimensão, se quem a edita não o fizer para beneficiar dos lucros das vendas, se o seu editor e respectivos colaboradores colaborarem pro bono, isto é, não lhes seja paga a colaboração, se não tiver periodicidade, se a sua tiragem for pequena, e por isso não poder ter distribuição a nível nacional, ou, como acontece em alguns outros casos, tenha uma concepção gráfica irregular - por exemplo, mudar repentinamente de formato -, então, por uma questão conceptual e de diferenciação de géneros, deverá ser-lhe aplicada a classificação de fanzine .

Não há nesta classificação qualquer intenção depreciativa, porque, afinal de contas, um fanzine é um campo de liberdade para a criatividade, é a permissividade total para que a imaginação se expanda sem limites, a todos os níveis: desde o conteúdo e a forma das obras publicadas, até à diferenciação dos títulos: enquanto que os das revistas são geralmente formais (Visão, Sábado, Nova Gente) para serem bem aceites, ao invés dos dos fanzines, que são provocatórios, brincam com a ortografia e com as cacofonias (KBD, Nuxcuro, Carneiro Mal Morto, Nova Gina, Kaganiço). 
 

E na forma, um fanzine tanto pode ser modesto como luxuoso, depende da disponibilidade do faneditor, ou até de uma qualquer associação sem fins lucrativos - que também as há a editar publicações que se inserem na categoria de fanzines -, visto que essas associações não vivem das vendas, mas sim de apoios de beneméritos ou de associados. 

Em suma: um fanzine (ou um zine) pode apresentar-se sob o modo gráfico de revista, mas por todas as circunstâncias antes descritas, um fanzine não é uma revista, um fanzine é um fanzine é um fanzine.       

quinta-feira, outubro 27, 2011

Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, no Cartune, na Internet e nos fanzines (XX) - Coa (?) breca, Cabeçeira (?), Proíbido (?), Escansão (?)












Agora que Tintin (ou Tintim) voltou a estar na berra, graças ao filme de Spielberg, ocorreu-me falar de alguns (entre muitos) erros ortográficos nas traduções para português das legendas das bandas desenhadas do famoso herói de papel criado por Hergé.

Seleccionei apenas quatro, mas tenho assinalados, em várias edições, cerca de duas dezenas de erros ortográficos (e note-se que não estou a referir-me às simples gralhas, isto é, troca de letras, ou falta delas, ocasionadas por mera distracção).

Ei-los:

Coa breca (?) (1ª imagem no topo do "post", vinheta do episódio As 7 Bolas de Cristal, na pág. 11 do álbum editado pela ASA.em Fev. 2011)
Este "coa" (que estaria correcto se se tratasse do verbo coar) é o erro mais irritante, e demasiado frequente, na recente edição da ASA, feita naqueles álbuns em formato mais pequeno. E é irritante, porque é fruto, claramente, da intencionalidade de simplificar a expressão, de uma forma incorrecta.

Co'a breca é a forma correcta para simplificar a expressão "com a breca"

Com a breca (2ª imagem no topo) que aparecia assim, por extenso, na edição da parceria entre o jornal Público e a editora Difusão Verbo.
Claro que se pode simplificar a expressão "com a breca", mas usando apóstrofo, como mostrei no exemplo anterior

Mesa-de-cabeçeira (?) (3ª imagem no topo)
Usar c de cedilha antes de e ou i constitui erro primário.

Localizei este erro crasso no álbum O Caso Girassol (pág. 62) na edição da parceria do jornal Público com a editora Difusão Verbo.

Proíbido(?) - (4ª e 5ª imagens do topo)
Claro que o correcto é proibido sem qualquer acento.
Este erro (que já tenho visto algumas vezes em cartazes afixados em tapumes) aparece na página 12 do álbum As 7 Bolas de Cristal, na edição da parceria Público/Difusão Verbo, datada de Fev. 2004.
Está assim escrito duas vezes, o que anula a hipótese de distracção, em legenda manuscrita (por acaso até com letras muito irregulares).

Escansão (?) - (6ª imagem do topo) in O Caso Girassol - pág. 49 - Edição Público/Verbo, Jan. 2004
Digamos que é um erro menos grave, visto tratar-se de palavra não muito vulgarizada.
Escanção é, como se sabe, a forma correcta de escrever, quando se fala de pessoa especializada em vinhos (ou até noutras bebidas) como é o caso em que Tintim pede para chamarem um escanção a fim de escolher um bom champanhe para o Capitão (Comandante) Haddock tratar do reumatismo...
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Os visitantes deste blogue que estiverem interessados em ver os 19 erros ortográficos crassos esmiuçados anteriormente, poderão fazê-lo com um simples clic no item Língua portuguesa em mau estado, visível no rodapé

quarta-feira, março 18, 2009

Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, nos fanzines, no Cartune e na Internet (XIX) - Lazer e laser, tanta confusão!





No diálogo reproduzido nesta vinheta, o legendador (presumo que o próprio autor-desenhador) escreveu:
"Um espectáculo com água e raios lazer"

Ora consultemos o Dicionário da Língua Portuguesa - 2009, Porto Editora:
lazer - n.m. - vagar, ócio, descanso, repouso (do latim licere, "ser permitido")

laser - n.m. - Física - Dispositivo gerador de um feixe de radiações visíveis ou de frequências vizinhas (do inglês laser, de light amplification by stimulated emission of radiation)
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Trata-se de confusão que tenho visto muito repetida, e que até acredito que haja quem pense que são duas palavras homónimas...
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Mais uma vez esclareço que, de uma maneira geral, só incluo nesta rubrica erros ortográficos que são cometidos com frequência, diria que quase sistematicamente.
Julgo já ter sido óbvio, ao longo dos vários "posts" sobre o assunto, que não foco os erros que se percebe claramente serem devidos a mera distracção, ou troca de letras, ou falta delas, aquilo que se classifica como"gralhas".
Apenas foco os que se percebe que derivam de desconhecimento ou confusão.


E também gostaria que a minha intenção ficasse bem clara: apenas pretendo chamar a atenção para erros sistemáticos, a fim de evitar que os seus autores os repitam (caso vejam esta rubrica).


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Aos interessados em ver os erros apontados nesta rubrica do blogue, bastar-lhes-á clicar no item Língua portuguesa em mau estado visível no rodapé

terça-feira, dezembro 23, 2008

Língua portuguesa em mau estado (XVIIII) - "Epá" é brasileirismo, "Eh pá" é a forma portuguesa

O uso na escrita das legendas da banda desenhada e do cartune, do brasileirismo Epá, é cada vez mais frequente. 

Já o tenho visto várias vezes, já o tinha detectado na excelente série "Bartoon", voltou a deparar-se-me a mesma incorrecção hoje, 23 Dezembro 08, naquele cartune diário.

Por conseguinte, o uso despropositado da expressão brasileira acontece aqui pela 2ª vez, significando isso que o categorizado cartunista seu autor costuma ver cartunes e quadrinhos brasileiros...

Não tenho nada contra ler-se/ver-se trabalhos originários do Brasil. O que não posso concordar (e por isso protesto, mesmo que o meu amigo cartunista não ligue), é que se usem - na banda desenhada ou no cartune - expressões da variante portuguesa do Brasil quando haja expressões ou formas ortográficas correspondentes no português de Portugal.


Por mero acaso, ainda ontem tinha estado a falar com o meu amigo argumentista que escreveu quatro episódios para quatro desenhadores diferentes, destinados ao meu fanzine Tertúlia BDzine, exactamente a chamar-lhe a atenção para a existência de idêntica opção de grafia, como se pode ver na imagem de baixo.
Na imagem de cima pode ver-se a mesma prancha, mas já com a correcção efectuada Eh pá  em vez de Epá, tal como aparecerá na página inicial do fanzine).



Prancha da bd autoconclusiva "A Culpa é do Instinto", cujo texto foi escrito por um novo e prolífico argumentista, e passada a imagens sequenciais por um, também, jovem desenhador.
Substituir "Epá", forma de escrever brasileira que se encontra com frequência nas revistas de "histórias em quadrinhos", como se diz no Brasil (e que, cada vez de forma mais recorrente, encontro na BD e nos cartunes), pela forma tradicional portuguesa "Eh pá", foi o meu pedido, aceite com desportivismo.
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Esta banda desenhada vai ser publicada no fanzine Tertúlia BDzine nº 136, de 6 Jan. 2009, que será distribuído na sessão da Tertúlia BD de Lisboa naquele mesmo dia.
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Nota: Mais uma vez esclareço que apenas corrijo os erros ou meras incorrecções (como é o caso presente) com repetição sistemática, que se percebe estarem a espalhar-se, tipo vírus...
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Há várias postagens anteriores acerca deste tema que envolve o meu apreço pela língua portuguesa, incidindo nos erros ortográficos e gramaticais que, repetitivamente, vão sendo cometidos na banda desenhada, no "cartoon", nos fanzines e na internet.

Para visitar todos os "posts" e assim poder analisar erros e respectivas correcções, basta ir à parte de baixo desta postagem e clicar na frase "Língua portuguesa em mau estado", ou neste mesmo item na coluna da esquerda onde se lê "Categorias".

(XVII) Nov. 16 - "Cartoonista"? E também pode ser "Footebolista"?
(XVI) Jul. 4 - Triologia???
(XV) Jun. 19 - Tijela???
(XIV) Jun. 6 - Expanção???
2008

(XIII) Dez. 14 - Fanzine, sinónimo de "acto de simpatia"? Absurdo
2007

(XII) Ag. 6 - "Páro" (??)
(XI) Jun. 23 -"Ter-mos"(??) in Korrigans, de Civiello e Mosdi
(X) Maio 29 - A BD não "teve"(??) representada (texto no site da Marinha Mercante
(IX) Abril 15 -"Alcançar-mos"(??), in fanzine Venham+ 5
(VIII) Março 10 -"se não poderem"(??), in Príncipe Valente, edição de Manuel Caldas
(VII) Fev. 22 -"Univos"(??), in "cartoon" no suplemento "Inimigo Público"
(VI) Jan. 16 -"»Uma«(??) fanzine", no fanzine "Aqui no canto"
(V) Jan. 7 -"Inflacção"(??), in "cartoon" no Jornal de Notícias
2006

(IV) Dez. 11-"Benvindos"(??), in bd "Família Slacqç, na revista Visão (de BD)
(III) Nov. 28 -"Gingeira"(??), in "cartoon" de "Avis Rara" no jornal Alentejo Popular
(II) Nov. 12 - "pareçe"(??),"esqueçendo"(??), escrito por visitante do blogue "Kuentro"
(I)Out. 27-"vê-mo-nos"(??), in legenda do 1º volume de "O Pequeno Nemo no Reino dos Sonhos", a versão portuguesa da obra-prima de Winsor MCCay
2005

domingo, novembro 16, 2008

Língua portuguesa em mau estado (XVII) - "Cartoonista"? Porquê? Então seria também "Footebolista"?!


 
Footebolista? Que horror! Então e Cartoonista, já não há nada a dizer? Há, sim senhor.

Vejamos: Football evoluiu, na língua portuguesa, para Futebol.

Como? Assim: foot passou a fute e ball passou a bol, em ambos os casos respeitando apenas o som original das palavras em inglês, ou seja, a fonética. Ganhámos desta forma, para a língua portuguesa, mais dois correctos neologismos: futebol e futebolista.
Qual será o motivo, então, para se continuar a escrever cartoonista, uma palavra absurdamente híbrida? 
Por pretensiosismo provinciano, digo eu, talvez porque "cartoonista" pareça dar um certo estatuto, por ser um vocábulo com matiz estrangeirado... e é sabido como nós, portugas, somos sensíveis a esse pormanor...
 
Claro que se foot deu fute, cartooncartune, logo, quem cria cartunes é cartunista.

Obviamente que a língua está em constante modificação, absorvendo estrangeirismos, enriquecendo-se com neologismos, originados especialmente nas novas tecnologias.
Vem isto a propósito do episódio Vudu, da interessante série "Na Terra Como no Céu", onde, logo na primeira vinheta da prancha inicial (ver no topo da postagem), se pode ler o seguinte:
"(...) por ter publicado as caricaturas do profeta Maomé, foram várias as vozes que se solidarizaram com os cartoonistas (o "negrito", ou bold, é de minha autoria)".
Não se deduza deste texto qualquer ataque a Nuno Saraiva, que, além de criar semanalmente duas, quase sempre, excelentes pranchas, é também o autor do argumento, logo, das legendas respectivas.

Ele limitou-se a seguir a forma de escrever mais usual, "cartoonista", embora haja igualmente vários críticos e divulgadores a aportuguesar o vocábulo híbrido para "cartunista". Eu sou um deles, já há alguns anos.
O que ainda torna mais digna de reparo a insistência nesta grafia incompreensível é que, logo no título do episódio, surge a palavra Vudu (bem como na penúltima vinheta da 2ª prancha) a aportuguesar, e muito bem, a palavra cuja grafia original é Voodoo.
Há aqui algo de incoerente. Ou terá a ver com o facto de o aportuguesamento para "Vudu" não afectar ninguém (digo eu...), enquanto que os cartunistas portugueses (alguns, claro) se sentiriam diminuídos no estatuto que acham que lhes confere a grafia com os dois ós (oo), tal como se está a voltar a ver muita gente a escrever com dois éles (o sr. Meirelles, o sr. Vasconcellos, os Mello...), coisa que tinha ficado esquecida - ou apenas guardada para melhor altura? - após o 25 de Abril...
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Nota de rodapé
As duas excelentes pranchas reproduzidas no topo da postagem pertencem ao episódio "Vudu", da série de BD "Na Terra Como no Céu", escrita e desenhada por Nuno Saraiva, que põe a contracenar Sarkozy e sua mulher Carla Bruni (que, como se sabe, é mais alta do que ele, pormenor que o meu amigo Nuno sublinha e exagera graficamente com imensa graça:-)
in revista-suplemento Tabu, do semanário Sol (nº 114, de 15 Nov. 08)
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Há várias postagens acerca deste tema que envolve o meu apreço pela língua portuguesa, incidindo nos erros ortográficos e gramaticais cometidos na banda desenhada, no "cartoon", nos fanzines e na internet.

Veja-se na lista abaixo os erros detectados.
Para visitar todos os "posts" e assim poder analisar as correcções, basta ir à coluna da esquerda e clicar na categoria "Língua portuguesa em mau estado". 

sexta-feira, julho 04, 2008

Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, nos fanzines, no Cartune e na Internet (XVI) - Triologia??? Nunca! O correcto é: Trilogia



TRIOLOGIA? Claro que o correcto é TRILOGIA!

"Del Toro quer fazer triologia de Hellboy", é como está lá escrito.
É um erro que já tenho visto escrito várias vezes (um conhecido bedéfilo, autor e crítico, há uns anos escrevia sempre assim...), provavelmente por influência da palavra trio... 

Mas "triologia" é palavra que NEM SEQUER EXISTE no vocabulário português!

Apesar disso, trata-se de erro ortográfico recorrente, e por isso mesmo é que chamo a atenção para ele.

Veja-se outro (mau) exemplo, no blogue "O Observador", onde o respectivo bloguista escreveu: 

"Fui ontem ver o último filme da Triologia do Senhor dos Anéis" (...). Isto sem desprimor para muitos outros textos seus, interessantes e bem escritos, o que ainda torna mais estranho ter caído num erro crasso.

No caso que mencionei no início, localizei o erro num texto da Internet que tem a ver com Banda Desenhada (e Cinema). O realizador Del Toro não tem culpa nenhuma disto, muito menos o Hellboy...
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Há várias postagens acerca deste tema que envolve o meu apreço pela língua portuguesa, incidindo nos erros ortográficos e gramaticais cometidos na banda desenhada, no cartoon, nos fanzines e na internet.
Para visitar todos os "posts" e assim poder analisar as correcções, basta ir à coluna da esquerda e clicar na categoria "Língua portuguesa em mau estado".

quinta-feira, junho 19, 2008

Língua portuguesa em mau estado na banda desenhada, no "cartoon", nos fanzines e na "internet" (XV) - Tijela com j???



Como uma vez disse um conhecido humorista, e eu concordo, a língua portuguesa é traiçoeira. 

TIGELA é um vocábulo que pode suscitar dúvidas, mas a verdade é que se escreve com G e não com J, e o semanário SOL (e todos os jornais) têm de ter quem se preocupe não só com os erros dos artigos, mas também com os erros dos artistas da imagem, para evitar estas situações.

TIGELA ~Etimologia: Tegula, Gabata, Scutelle, Scutula - sinónimos em latim.

TIGELA - s.f. - Vaso côncavo de barro, metal, louça, etc., geralmente desprovido de asas, no qual se servem sopas, caldos, etc.
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Já aqui mostrei um erro, muito frequente, que tem a ver com esta troca do G pelo J, e vice-versa. 
É o caso do vocábulo GINJINHA, que com frequência vejo escrito "Ginginha", em especial nas casas que servem aquele licor tradicional. 
Pelo menos em Lisboa, isso acontece...

sexta-feira, junho 06, 2008

Língua Portuguesa em mau estado na banda desenhada, no "cartoon", nos fanzines e na "internet" (XIV) - "Expanção" (??)

Escrever expanção em vez de expansão não é um erro ortográfico vulgar, nem foi culpa de quem arquitectou e trabalhou para a edição deste número 123 do Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, a mesma pessoa que escreveu correctamente "expansão"na primeira página do fanzine, página essa que se pode ver no blogue http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/.

Pelo que me contou esse responsável editorial, quando lhe apontei o erro em que ainda ninguém tinha reparado, o técnico da reprografia é que decidiu escrever assim, sem que ele se tivesse apercebido.

Mas a verdade irreparável e comprometedora é que a capa do Boletim CPBD (como preferi escrever das vezes em que fui eu a coordená-lo) aparece com este erro crasso, fruto de aprendizagem deficiente da língua portuguesa de que padece muita gente, uma falha que não é exclusivo dos tempos actuais, entenda-se. 
Conheço muitas pessoas de gerações anteriores, autores de banda desenhada e não só, que cometem erros sistemáticos (escrevem erradamente: á maneira de, em vez de à maneira de, á dois anos, em vez de há dois anos, haviam bandas desenhadas em vez de havia bandas desenhadas, estáva-mos em vez de estávamos, sistemàticamente em vez de sistematicamente, benvindo em vez de bem-vindo, eclético em vez de ecléctico, e tantos outros).

A extraordinária ilustração de Eduardo Teixeira Coelho, aproveitada para a capa, não merecia ser manchada desta maneira...

Os interessados em ver imagens de bandas desenhadas da autoria de António Vaz Pereira, José Garcês e Victor Mesquita, reproduzidas no fanzine sob análise, poderão fazê-lo no meu outro blogue, o Fanzines de Banda Desenhada, cujo endereço repito:
http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/
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Há várias postagens acerca deste tema que envolve o meu apreço pela língua portuguesa, incidindo nos erros ortográficos e gramaticais cometidos na banda desenhada, no cartoon, nos fanzines e na internet. Para visitar todos os "posts" basta ir à coluna da esquerda e clicar na categoria "Língua portuguesa em mau estado".

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Língua portuguesa em mau estado na Banda Desenhada, no "Cartoon", na Internet e nos Fanzines (XIII) - Um fanzine é um "acto de simpatia"??? Não!!!

Iliteracia tem a ver com o uso de palavras sem se conhecer correctamente o sentido delas. Acontece haver grande ignorância em relação ao neologismo "fanzine".

Por exemplo: um fanzine, além de ser um magazine feito por um fã, também pode ser um acto de simpatia da parte de um admirador?

Eu nem queria acreditar no que os meus olhos liam, hoje, no jornal gratuito Sexta Feira, numa frase dita pelo líder dos UHF, António Manuel Ribeiro.

Para além de lastimar, sinceramente, a desagradável situação em que ele se encontra, devida a sistemático assédio persecutório de uma apaixonadiça fã, também lamento o mau uso que dá à palavra fanzine, utilizando-a com o sentido de simpatia, admiração, da parte de uma fã em relação a ele.

O título da peça "Líder dos UHF apresentou queixa contra uma fã que o persegue" é sintomático da desagradável situação, que o cantor descreve em pormenor, dizendo a certa altura:
"Há muito tempo que isto não tem nada a ver com música ou com fanzine - é uma patologia."

Por conseguinte, parece óbvio que ele atribui o significado de "admiração da parte de uma, ou um, fã" à palavra fanzine.

Por estas e por outras quejandas é que eu atribuo aos músicos que foram editores de fanzines a criação da aberração que constitui a transformação do género masculino da palavra fanzine em feminino, de que me apercebi pela primeira vez há uma dúzia de anos nuns fanzines dedicados à música pop, aberração essa que, qual vírus informático, se espalhou por estas gerações mais recentes, onde caminha a par-e-passo com o crescente fenómeno da iliteracia.
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Ver mais comentários acerca deste assunto no meu blogue "Fanzines de Banda Desenhada", no endereço:http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/

domingo, agosto 06, 2006

Língua portuguesa: em mau estado na BD, no "Cartoon", nos Fanzines e na Internet (XII) - "Páro" (??) - in "Calvin & Hobbes"

 
"Páro" (??)
Páro, não (como incorrectamente está escrito na primeira vinheta), o correcto é paro.

E como haverá muito boa gente que ficará a olhar para a palavra, na dúvida se de facto ela não terá de ter acento agudo, relembremos o presente do indicativo do verbo parar:
Eu paro, tu paras, ele pára...
Só na terceira pessoa é que tem de se acentuar, para se distinguir da preposição"para".
Pode parecer uma coisa muito simples, mas há quem esbarre nestas simplicidades...

O Bill Watterson, criador desta obra de referência da Figuração Narrativa, está isento de culpas, claro: ele escreveu em inglês, variante americana.

Na parte portuguesa, a tradução é de Helena Gubernatis, mas nunca apareceu a paternidade da legendagem (será dela também?). Entre o tradutor e o legendador, o erro gramatical atacou.
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"Posts" anteriores
Acerca deste tema podem ser vistos todas as postagens indo à coluna da esquerda e clicar na rubrica "Categorias".

sexta-feira, junho 23, 2006

Língua portuguesa em mau estado: na BD,no "Cartoon", nos fanzines e na Internet (XI) - Ter-mos(??)

 
Ter-mos??

Meus caros amigos tradutores e legendadores,
é preciso termos
mais atenção à Língua Portuguesa, a nossa!

Ilustração acima reproduzida: vinheta (com o citado erro gramatical) pertencente à 7ª prancha da obra Korrigans, da autoria de Civiello (desenho), Mosdi (argumento)

Nesta vinheta, reproduzida na página nº 9 do álbum, encontra-se a frase:

"Não podemos fazer nada, eles são demasiado numerosos!
Já foi muita sorte ter-mos podido tirar-te das garras deles...

relativa ao primeiro episódio, intitulado Os Filhos da Noite, editado pela VitaminaBD

Totalidade da prancha da banda desenhada Korrigans, de onde foi extraída a vinheta acima reproduzida.

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"Posts" anteriores sobre este tema de erros ortográficos na Banda Desenhada, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet, podem ser vistos na rubrica "Archives", no ano e mês indicados.
2006 (X) Maio 29-A BD não "teve" representada; (IX)Abril 15-"Alcançar-mos";(VIII)Março 10-"se não poderem";(VII)Fev.22-"Univos";(VI)Jan.16-"Uma" fanzine;(V)Jan.07-"Inflacção";

2005 (IV) Dez.11-"Benvindos"; (III)Nov.28-"Gingeira"; (II)Nov.12"pareçe","esqueçendo";(I)Out.27-"vê-mo-nos"

segunda-feira, maio 29, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no "Cartoon", nos fanzines e na Internet (X) - "Não teve representada" (?)

Não teve (??) representada

No "site" da Marinha Portuguesa, em espaço cultural, consta o seguinte texto:

"(...) Exposição de Artes Plásticas
"O MAR E MOTIVOS MARÍTIMOS"
Organizada pela Academia de Marinha (A.M.), destina-se a conhecer e divulgar os trabalhos artísticos relacionados com o tema geral da exposição e iniciou-se, em 1991, com obras das áreas de pintura, escultura e banda desenhada. Em 1992, incluiu a tapeçaria e a cerâmica, mas a área de banda desenhada não teve representada. (...)"

Leia-se, com atenção, esta última frase:

"(...) Em 1992, incluiu a tapeçaria e a cerâmica, mas a área da banda desenhada não teve representada (...)"

Deduz-se que o autor do texto quis dizer que "a banda desenhada não esteve representada", mas escreveu como fala.

E é isto que quem preza a língua portuguesa, como acontece comigo, começa a temer. Cada vez mais se nota a seguinte maneira de falar:

"Nós ontem tivemos no B.A. e tivemos uma noite muito fixe."
(Claro que o primeiro "tivemos" quer dizer "estivemos").

Que se diga, vá lá, já se sabe que a oralidade tende a simplificar, não se preocupando com a correcção gramatical.

Mas que se escreva, é que não pode ser...

Há que respeitar a diferença entre os verbos estar e ter.

Para, pelo menos entre nós, portugueses, nos entendermos.
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"Post" remissivo
 
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(I) 2005, Out. 27 - "vê-mo-nos";

(II) Nov. 12 - "pareçe, esqueçendo"; 
(III) Nov.28 - "gingeira"; 
(IV) Dez. 11 - "Benvindo"; 
(V) 2006, Jan.7 - "Inflacção"; 
(VI) Jan.16 - "Uma" fanzine"; 
(VII) Fev.22 - "Univos"; 
(VIII) Março 10 - se não "poderem"; 
(IX) Abril, 15 - "Alcançar-mos"

sábado, abril 15, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na Banda Desenhada, no "Cartoon", na Internet e nos Fanzines (IX) - "Alcançar-mos" (??)

 
Alcançar-mos, na vinheta acima (a 2ª da 4ª prancha,) 
da banda desenhada Alcançar o Inimaginável está mal escrito
A forma correcta é alcançarmos.

Se, com esta chamada de atenção, eu e o meu blogue alcançarmos a finalidade desejada, a de evitar que outros autores de banda desenhada, ainda iniciantes, cometam o mesmo erro (bastante frequente), isso permitirá alcandorarmo-nos ao pico mais elevado da satisfação.

Prancha inicial da banda desenhada Alcançar o Inimaginável, que dá uma ideia das potencialidades do autor

Embora a qualidade gráfica da banda desenhada sob análise (publicada no fanzine Venham + 5, nº 2 - Abril 06), onde se regista o mencionado erro ortográfico, seja apreciável, eu e o meu blogue, ao apontarmos para ele, estamos a lutar pela melhoria da Língua Portuguesa na Banda Desenhada e nos respectivos fanzines.
Isto porque também os editores podem, e devem, verificar essas e outras (possíveis) anomalias, e devolver, antes de a imprimir, a prancha ao autor, para que seja ele a rectificá-las (como também, por exemplo, pôr um acento agudo na letra i da palavra 'construi' "(...) num rudimentar avião, que eu próprio construi(...)", neste caso, apenas presumível esquecimento, logo na 2ª vinheta da primeira prancha, aquela que aqui se reproduz no meio do texto.
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Mais pormenores acerca deste fanzine no blogue http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/

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sexta-feira, março 10, 2006

Língua portuguesa em mau estado (VIII) - Príncipe Valente - "se não poderem" (?)

"Se não poderem" (?)

Erro gramatical na terceira linha da 3ª vinheta da prancha 357 (Volume referente aos anos 1943-44).
 

Devia estar "se não puderem", em vez de "se não poderem"

Aqui fica uma frase - exemplo da diferença entre poderem e puderem:

O Manuel Caldas e o José Vilela vão editar o "Príncipe Valente" até poderem aguentar o investimento. 
Se puderem ir até ao último fascículo sem terem prejuízo, será caso para festejarmos. 
Oxalá o consigam!

Reprodução da prancha 357 do volume da obra Príncipe Valente - Nos Tempos do Rei Arthur, onde se inclui, na primeira tira, a vinheta sob análise

Do excelente trabalho editorial e técnico realizado por Manuel Caldas, só há razões para elogios.

Mas, claro, não é por admirar a coragem e persistência, além da perfeição técnica no trabalho que ele está a levar a cabo, que evitarei chamar a atenção para erros ortográficos que considere relevantes.

Isto por considerar que o elevado nível visual apresentado nesta edição implica igualmente uma atenta e competente revisão ortográfica.

Aliás, apenas neste mês, um ano após a saída, em Março de 2005, do álbum sob análise, relativo ao período 1943-44, primeiro a ser impresso - embora, cronologicamente, não represente o início da saga Fosteriana - me decidi a esta, ingrata e nem sempre recebida pacificamente, tarefa de chamar a atenção para alguns dos erros ortográficos, e até falhas menos importantes, que, nem uns nem outras, deveriam ter ficado a manchar o brilho global da obra.

Amigo Manuel Caldas, "sans rancune".

Para além daquele mais grave com que inicio o "post", faço o registo de outros dois erros.

Na ficha técnica, logo no início do volume, está escrito:
"contra-capa", quando o correcto é contracapa

Também me merece um reparo, mas por diferente motivo, o facto de o editor escrever, na rubrica "anotações, comentários,observações e registos vários" (que aparece na última folha do volume), referindo-se à 346ª prancha, o seguinte: "Recorrendo a caracteres góticos, Foster inaugura o novo cabeçalho, o definitivo, aquele que vem de imediato à mente dos seus leitores/visionadores quando se pronuncia o nome da série (...)"

Dito isto assim, depreende-se que ele próprio o prefere, esteticamente falando.
Então por que razão não adoptou esse grafismo para a capa?

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quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na BD, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet (VII) - "Univos"?


"Univos", não; Uni-vos, sim.

Com a devida vénia ao autor e ao jornal Público, de cujo suplemento "O Inimigo Público" nº 126, de 17 de Fevereiro, se reproduz o cartune visível acima.

Que, antes de mais, fique claro: tenho grande consideração ao nível artístico (bem como pessoal) pelo banda-desenhista e cartunista Nuno Saraiva.

Isto não impede que chame a atenção para o erro constante da frase "Ricos e Pensionistas Univos!".

Pode parecer apenas gralha, mas eu conheço o rapaz Saraiva há muitos anos, e sei como ele esgota a concentração no desenho, e se balda por vezes no texto.

Se eu fizesse pontaria para toda a legendagem de "Filosofia de Ponta", obra bem escrita, literariamente falando, pelo saudoso Júlio Pinto...
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segunda-feira, janeiro 16, 2006

Língua Portuguesa em mau estado: na Banda Desenhada, no Cartoon, nos Fanzines e na Internet (VI)-"Uma"(??) fanzine

Neste texto, inserido no "Aquinocanto", deveria estar escrito "e um novo fanzine vai aparecer"

Já tem sido escrito, com frequência, por estudiosos dos fanzines - nos quais me incluo, permito-me dizer - que o neologismo "fanzine", nascido nos Estados Unidos (o conhecido Frederic Wertham, no seu livro "The World of Fanzines", indica o ano de 1930 para o "Comet", iniciador do movimento) e absorvido na Europa nos anos mil novecentos e sessenta, sob o género masculino pelo facto de, na génese do vocábulo, estar o objecto literário, com imagens, o magazine, também popularizado em Portugal nessa época.

Fanzine, neologismo já com verbete em dicionário (pela primeira vez, na 8ª edição da Porto Editora), é formado pela contracção da palavra fan (fã, em português) e a última sílaba de magazine.

Logo, um fanzine é um magazine (equivalente a revista) feito, editado, por fãs de quaisquer temas, sendo a Banda Desenhada um dos mais frequentes.


Capa do fanzine "Aquinocanto", da autoria de João Rubim. O fanzine apresenta duas capas diferentes, sendo a outra desenhada por Manuel Brito
É o que acontece com os faneditores Manuel Brito e João Rubim, que editaram três números do fanzine "Aqui no Canto", e mais este agora, especial.
Note-se que em Espanha se diz "el fanzine" (em castelhano) e "o fanzine" (em galego)
Capa de "O Fanzine das Xornadas", editado aquando da realização das "VIII Xornadas de Banda Deseñada de Ourense" (na Galiza). Este fanzine espanhol é coordenado por Henrique Torreiro, "co patrocínio da Casa da Xuventude de Ourense, Concelleria da Cultura do Concello de Ourense e Dirección Xeral de Política Lingüística da Xunta de Galicia"

tal como acontece em França, visível no excerto de uma crítica extraída da revista "Vécu"

ou no Brasil, como se pode ver na imagem seguinte
Livro da autoria do fanzinista e estudioso brasileiro Henrique Magalhães
Custa-me dizer isto - sou português... - mas nós, que somos o país europeu com maior índice de analfabetismo, e com elevada percentagem de iliteracia, tínhamos de ser nós a criar esse absurdo linguístico que é mudar o género a um substantivo.

E o que é pior: quando pergunto a algum desses fanzinistas recentes, que dizem "a minha fanzine", por que motivo não dizem "o meu fanzine", respondem-me que é por ser uma revista, e como revista é uma palavra feminina...

E eu costumo objectar: então, como um pinheiro é uma árvore, temos de passar a dizer "uma pinheiro"?!
Uma engraçada tira de banda desenhada do brasileiro Laerte (in Diário de Notícias, 5 Jan. 2006)

Um universitário da Escola Superior de Design-ESAD, nas Caldas da Rainha - cidade onde há um buliçoso movimento fanzinístico -, reagindo à minha habitual discordância no uso do feminino para o fanzine dele, ripostou, com aquilo que começa a ser um chavão - já não é a primeira vez que oiço justificar asneiras com aquela frase -, "a língua portuguesa está sempre a modificar-se".
Eu sei disso, sou, também eu, entusiástico estudioso da matéria. Mas tenho a noção de que a componente mais visível dessa modificação é a constante absorção de vocábulos estrangeiros, aportuguesando-os por vezes, criando-se assim neologismos - bloguer ou bloguista, blogosfera, internauta, por exemplo.

Mas não há memória de, na língua portuguesa, ter havido mudança de género em algum substantivo. Estou a referir-me a mudanças correctas.

Porque, por iliteracia ou pura ignorância, há quem mude o género masculino da palavra grama (peso) para feminino.

O ano passado, uma funcionária dos correios, aqui em Lisboa, disse-me que a minha carta - com um fanzine dentro - pesava "vinte e duas gramas". Eu perguntei-lhe
se ela também diria, para uma encomenda pesada, "vinte e duas quilogramas"...

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