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quarta-feira, novembro 02, 2016

Carlos Alberto [Santos] - A despedida


CARLOS ALBERTO [SANTOS]

Lisboa, 18 de Julho de 1933, Lisboa, 1 de Novembro de 2016.


Como autor de BD sempre assinou apenas Carlos Alberto, mas nas ilustrações e na Pintura estende a assinatura até ao apelido Santos. Todavia, o nome completo é Carlos Alberto Ferreira dos Santos. 

Nascido em Lisboa a 18 de Julho de 1933, Carlos Alberto surgiu na banda desenhada em 1948 na revista Camarada, com "O Escudo do Sarraceno", dando continuidade à sua carreira de autor de BD na revista Mundo de Aventuras, em 1949, com a transformação em sequências de imagens da novela gráfica, escrita por Augusto Barbosa, "História Maravilhosa de João dos Mares."
  
 

A sua actividade como banda-desenhista não é muito intensa, mas mesmo assim colaborou em várias revistas, designadamente nas já referidas Camarada, e Mundo de Aventuras, (merecendo relevo a quadrinização da obra biográfica "Luís de Camões", em 1972), passando pelo Pisca-Pisca ("O Almirante das Naus da Índia" - 1969).

Tem escassa obra editada em álbum: "Luís de Camões" (Edições ASA, 1990), em reedição da banda desenhada inicialmente publicada na revista Mundo de Aventuras, e colaborou com a quadrinização de um dos contos constantes da obra colectiva "Contos das Ilhas", sob adaptação literária de narrativas tradicionais por Jorge Magalhães.



Foi o autor da capa em formato A3 do fanzine Efeméride (nº2, de 13 de Fevereiro de 2007), dedicado à obra colectiva "Príncipe Valente no Século XXI". Terá sido um dos seus últimos desenhos, considerando que naquela data já tinha fortes limitações visuais.

Notícia de falecimento
Carlos Alberto Santos faleceu ontem, 1 de Novembro. 
O corpo chega hoje entre as 16h30 e as 17h00 à Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa.
Na quinta feira, dia 3, haverá missa de corpo presente às 10h30, seguindo às 11h00 para o Alto de São João, onde será cremado. 

sábado, outubro 03, 2015

José Vilhena - O Fim










José Vilhena terminou na madrugada de hoje, dia 3 de Outubro, o seu longo percurso de vida que durou oitenta e oito anos, tornado penoso na fase final pelo implacável Alzheimer.

Homem de talento plurifacetado, de grande coragem e impressionantemente prolífico, Vilhena escreveu e ilustrou dezenas de livros e foi editor de diversas revistas, sendo ele igualmente quem escrevia os textos e os ilustrava, além de compor cartunes e bandas desenhadas, das quais a mais constante e popular tinha por personagem fixa uma atraente repórter chamada Dorita, sempre activa nas suas sondagens, explanadas em duas páginas plenas de sátira a costumes e situações sociais e políticas. 
Mas igualmente inesquecíveis foram os pastiches porno em que utilizava as personagens dos Peanuts, com destaque para Charlie Brown, Lucy e Snoopy, decerto à revelia de Schulz.

As revistas que editou foram bem populares, sendo a primeira, logo em Maio de 1974, intitulada Gaiola Aberta. Após ter publicado várias outras, a sua actividade editorial terminaria com uma 2ª série daquele primeiro título, já no decorrer do ano 2000.

Em todas elas fervilhava o seu espírito crítico, pleno de humor cáustico e sentido político acutilante.

Antes do 25 de Abril de 1974, Vilhena tinha sido perseguido pela censura, e o lápis azul daquela sinistra instituição fez desaparecer das livrarias uma parte substancial das tiragens das mais de cinco dezenas de livros de sua autoria, que editou às próprias custas.

Imagens que ilustram a postagem: 

1 - Vilhena - Auto-retrato em pintura

2 - Vilhena - Fotografia recente

3 - "Gaiola Aberta - Quinzenário de Mau Humor"- Capa do Nº2 - 1ªsérie - Maio 1975 

4 e 5 - Dorita e Suas Sondagens: Acha Que Este País Tem Futuro? 
           (Duas pranchas da banda desenhada protagonizada por Dorita, a    personagem que Vilhena mais frequentemente utilizou na área da BD)

6 - "Fala Barato - Jornal Satírico" - Capa do Nº34 - Dezembro 1990

7 - "O Cavaco - Pasquim Abjecto" - Capa do Nº5 - Fevereiro 1995 

8 - "O Moralista - Revista Cultural de Artes e Letras :-)" Capa do Nº64 - Set. 2002

9 - "Gaiola Aberta - Revista de humor fundada em 25 de Abril de 1974" - Director Vitalício: José Vilhena -Nº17 (2ªSérie) - Setembro 2004

10 - Capa do livro "Contos de Terror", uma antologia de dezassete contos de terror, de autores estrangeiros, em edição e tradução de J.Vilhena 
- circa 1962
Nota - Infelizmente, ao ser encadernado, o encadernador aparou ligeiramente a capa do livro, assim desaparecendo a assinatura.
Trata-se de uma raridade, pertencente à colecção do Dr. António Monteiro
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JOSÉ VILHENA
Síntese biográfica

José Alfredo de Vilhena Rodrigues nasceu a 7 de Julho de 1927, em Figueira de Castelo Rodrigo, e faleceu em Lisboa a 3 de Outubro de 2015.

Fez o curso liceal em Lisboa, e frequentou até ao quarto ano de arquitectura na ESBAP - Escola Superior de Belas Artes do Porto.

Após o serviço militar, em 1952, o seu nome aparece como cartunista e caricaturista no jornal Diário de Lisboa, e em 1955 começa a colaborar na revista Mundo Ri. onde esteve até  ao fim da publicação,em 1966.

Finda a colaboração no matutino lisboeta, em 1958, lança-se na escrita crítica e humorística de maior fôlego, e o resultado são dois livros, ambos editados em 1960, Manual de Etiqueta e História Universal da Pulhice Humana, que de imediato foram retirados das livrarias pela PIDE, outra sinistra instituição do Estado Novo que era a concretizadora das decisões da censura. 
Vilhena deu-lhes bastante trabalho, visto que a sua produção chegou a ser de um livro por mês, atingindo a impressionante fasquia de catorze títulos num único ano, com tiragens de quarenta a cinquenta mil exemplares de alguns dos seus livros.

A actividade polifacetada de Vilhena manifestou-se fulgurantemente nas revistas que editou. A primeira, intitulada Gaiola Aberta teve o seu lançamento em Maio de 1974.

Talvez para renovar o interesse do público, Vilhena foi desactivando os anteriores títulos e editando periodicamente outros: Fala Barato, O Cavaco, O Moralista, recuperando a Gaiola Aberta, numa 2ª série, sua derradeira aventura editorial, que durou até meados de 2006.

Escritor, pintor, cartunista, caricaturista, editor, até distribuidor, José Vilhena, personagem ecléctica foi também autor de banda desenhada, pelo que foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa em Janeiro de 2004. 

A imagem que ilustra esta síntese biográfica
é um auto-retrato em pintura de Vilhena

terça-feira, março 17, 2015

BD Portuguesa em Revistas Não Especializadas - Revista Cais - Autores: Ricardo Drumond e André Oliveira





Ricardo Drumond é mais um talento emergente da BD portuguesa, que demonstra nesta banda desenhada, "Hora do Lanche", as suas potencialidades, já espalhadas por jornais e revistas, tratando-se, em ambos os casos, de publicações não especializadas em BD, como acontece com a CAIS, onde esta bd foi publicada há um ano. (*)

Quase uma banda desenhada sem palavras - apenas um balão de fala, na 2ª prancha, quebra o silêncio -, a "Hora do Lanche" está muito bem congeminada - mérito do argumentista André Oliveira - e muitíssimo bem transformada numa figuração narrativa aparentemente dedicada a violenta luta entre dois poderosos antagonistas, mas que não passam de personagens criadas pela imaginação de duas crianças, em última análise pela do adulto André Oliveira.

(*) Cais # 193 - Março 2014
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RICARDO DRUMOND 

Síntese biográfica

Ricardo Drumond nasceu no Porto a 13 de Agosto de 1984.

 
Cedo se entusiasmou pela BD graças à colecção dos pais, que se baseava maioritariamente na banda desenhada franco-belga.

Todavia, por ele próprio, pela sua curiosidade, acabou por se deslumbrar com o bem diferente estilo gráfico dos comics americanos.

Com uma tendência tão forte para a vertente artística, acabou por se formar em Artes Visuais e Arquitectura.

Tem participado em exposições individuais e colectivas e, no que se refere a concursos de BD foi distinguido com prémios em 1999 e 2008, no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, trabalhando em parceria com o argumentista Pedro Felizes.

Apareceu uma banda desenhada sua, em estilo figurativo com base fotográfica, no jornal Diário de Notícias, em Março de 2013, intitulada "10 Anos de Processo Casa Pia", e em Maio de 2014 surge de novo obra sua no mesmo jornal de Lisboa, dessa vez dedicada ao Sport Lisboa e Benfica, no mesmo estilo gráfico.

O seu talento polifacetado empurra-o para diferentes artes, caso da música. Começou neste quadrante artístico a tocar guitarra acústica, mas depois de ouvir o álbum Fragile, do Yes, foi atraído para um instrumento de som diferente, o baixo. Obviamente que o seu sonho passou a ser comprar um, e cedo o conseguiu, tinha apenas 14 anos, o que lhe permitiu integrar a banda de um amigo. Na banda desenhada ainda não tem nenhum álbum editado mas, ao invés, já editou dois discos.

Quanto à actividade na BD e na Ilustração, decidiu-se a entranhar-se ao máximo no ambiente artístico lisboeta nessas duas áreas, daí que tenha passado a fazer parte do colectivo The Lisbon Studio.
  

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ANDRÉ OLIVEIRA

Autobiobibliografia na 3ª pessoa


André Oliveira nasceu em Lisboa, em 1982, e começou a brincar com Banda Desenhada pouco tempo depois. Davam-lhe pequenos blocos agrafados que ele preenchia com gatafunhos e ditava mais tarde as legendas ao avô, que as redigia cuidadosamente. 

Licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, é hoje copywriter na agência Fuel Design. 

Foi co-editor da antologia de banda desenhada portuguesa Zona (que publicou mais de 100 autores nacionais e estrangeiros), editor de BD da Revista Freestyle, organizador/fundador dos Prémios Profissionais de BD e comissário da Trienal Movimento Desenho 2012, tendo organizado o evento BD ao Forte. 

Escreveu os livros de BD "HAWK" (ilustrado por Osvaldo Medina e publicado pela Kingpin Books), "Tiras do Baralho!" (ilustrado por Pedro Carvalho e publicado pela El Pep) e os três primeiros números da série "Living Will" (ilustrados por Joana Afonso e editados pela Ave Rara, a sua própria chancela editorial). 

Actualmente, André Oliveira edita curtas de Banda Desenhada na revista CAIS, de que "Hora do Lanche" é exemplar na forma como o argumentista dá a ideia ao desenhador e não faz qualquer texto (Stan Lee é o paradigma deste conceito), faz parte do colectivo The Lisbon Studio e está a trabalhar em diversos projectos editoriais com vários ilustradores diferentes.  ---------------------------------------------------

Para os visitantes que quiserem ver postagens anteriores relacionadas com o tema BD Portuguesa em revistas não especializadas ou Curtas de BD bastar-lhes-á clicar nos respectivos itens visíveis em rodapé

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Tudo Isto é Fado



Iniciou-se a 28 de Novembro do corrente ano de 2014, no semanário Sol - mais propriamente na sua revista/suplemento Tabu -, a publicação de uma obra em BD intitulada "Tudo Isto é Fado".

Nuno Saraiva aka N.S., é o autor desta banda desenhada de razoável extensão (treze semanas de publicação a quatro pranchas de cada vez), com o talento que se lhe reconhece na concretização gráfica, além de ser ele também o autor do guião, baseando-se em textos - que consubstanciam, afinal, o argumento - de vários renomados estudiosos do assunto, designadamente Pinto de Carvalho ("Tinop"), textos que lhe foram facultados pelo Museu do Fado.

O episódio inicial tem por título "A Maior Casa de Fados do Mundo", onde é transformado em imagens sequenciais "O Namoro da Rita", fado composto em 1957 por Artur Ribeiro, autor da letra, e António Mestre, compositor da música.
Trata-se de uma das primeiras gravações de Amália Rodrigues para a etiqueta Alvorada, da portuense Rádio Triunfo, Lda., conforme se lê numa legenda lateral.

A finalizar esse capítulo surge Mariza - outra bem conhecida e apreciada cantadeira de fados, muito bem caricaturizada por N.S. - a cantar "Ó Gente da Minha Terra", um fado com música de Tiago Machado, a partir de um poema de - imagine-se - Amália.

No capítulo seguinte, publicado na edição do Sol de 5 de Dezembro - uma 6ª feira, dia da saída do citado semanário lisboeta - surgem mais quatro coloridas páginas, com seis vinhetas cada, como em todas as páginas anteriores, em que se volta a ver Mariza, desta feita dando nome ao capítulo, a cantar "Barco Negro" - um fado inicialmente cantado por Amália, no filme "Les Amants du Tage".
Como escreve Nuno Saraiva em legenda lateral, apoiado em textos fidedignos, "é um poema de David Mourão Ferreira inspirado na melodia original de 'Mãe Negra', dos brasileiros Piratini e Caco Velho, censurada no Portugal de 1954."

A obra aos quadradinhos dedicada ao fado - curiosamente, neste caso pode falar-se de quadradinhos literalmente, visto que Nuno Saraiva divide sempre as pranchas em seis vinhetas rigorosamente quadradas - continua a tratar de fadistas de renome, sendo o terceiro capítulo dedicado a Carlos do Carmo, o qual, a dada altura, estando a bordo de um avião da TAP, adormece, é acordado por Bernardo Sassetti, e espanta-se em seguida com o aparecimento de Ary dos Santos, um improvável comissário de bordo.  

O quarto capítulo é dedicado a Amália Rodrigues, e o autor da bd começa por localizar as primeiras vinhetas em Abril de 1945, com a imagem de Berlim bombardeada, cita em seguida o Plano Marshall, e apresenta Amália a cantar na Alemanha, num cinema chamado Titania Palast, na noite de 1 de Outubro de 1950 - terminara há cinco anos a Guerra Mundial. 
O fado tinha por título "Só à Noitinha (Saudades de Ti)", letra de Amadeu do Vale e Raul Ferrão, música de Frederico Valério.

Quem goste de fado - agora Património Imaterial da Humanidade - tem assim a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos sobre a matéria, através destas descrições pormenorizadas, excelentemente apresentadas por imagens sequenciais de elevada qualidade.
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NUNO SARAIVA  

Síntese biográfica

Nuno Jorge de Avelar Teixeira Saraiva, Lisboa, 27 de Agosto de 1969.
Adquiriu formação académica na FBAUL-Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e no IADE-Instituto de Artes Visuais Design e Marketing. 
É professor de Ilustração e BD no AR.CO - Centro de Arte e Comunicação Visual.
A sua vasta produção de banda desenhada está espalhada por fanzines (Banda, Comic Cala-Te, Hips!, Efeméride), revistas (Ego, Cosmopolitan) e jornais (O Fiel Inimigo, depois apenas Inimigo, neste sob o pseudónimo Ketch, Independente, Mundo Universitário).
Parte dessa produção está reunida em álbuns: Filosofia de Ponta, sob argumentos de Júlio Pinto, com três tomos editados; para o mesmo argumentista desenhou "Arnaldo o Pós-cataléptico" e "Guarda Abílio". A fazer duo com Paulo Patrício, este enquanto argumentista, desenhou a série "Escrita Fina", publicda no semanário Expresso entre 2004 e 2005.
A "solo" realizou "Os Dias de Bartolomeu", "Zé Inocêncio", "As Aventuras Extra Ordinárias de um Falo Barato".
Faz parte actualmente do colectivo TLS-The Lisbon Studio, onde tem colaborado no TLS Webmag.
É também importante a sua obra na ilustração, designadamente nos livros, de temáticas diversas, "A Crise Explicada às Crianças - Para Miúdos de Direita e Para Miúdos de Esquerda", sob texto de João Miguel Tavares, "Caríssimas 40 Canções - Sérgio Godinho", e "Isto É Um Assalto", com texto de Francisco Louçã e Mariana Mortágua.
Tem estado presente em diversas exposições de BD e Ilustração, individuais e colectivas.
Em 2006 criou imagens para dezasseis receitas de culinária, usando imagens de carácter erótico com os rostos de actores e actrizes do cinema internacional.
Em 2010 foi galardoado com o Prémio Stuart de Desenho de Imprensa, criado por El Corte Inglés e Casa da Imprensa, por uma ilustração sua para a capa do suplemento Ípsilon do jornal Público
Foi o representante de Portugal no 11º Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação - Luanda Cartoon, em Agosto de 2014.
Iniciou em Novembro do mesmo ano a obra em BD "Tudo Isto é Fado", em publicação no semanário Sol - revista/suplemento Tabu - ao ritmo de quatro pranchas por semana, a cores, sendo ele também o argumentista/guionista, sob elementos que lhe são fornecidos pelo Museu do Fado, responsável pela co-produção.