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quinta-feira, julho 19, 2018

BD em livro escolar
















Lições de História Pátria - 3ª classe é um livro escolar que até inclui algumas páginas de exercícios, concebido para a escola primária, como se classificavam na década de 1960 os primeiros anos de escolaridade.
Concebido por Pedro de Carvalho, talvez um professor, é totalmente preenchido por bandas desenhadas curtas, de duas pranchas/páginas cada, a cores (de que mostro apenas uma, a que inclui o título), dedicadas em grande parte a personalidades da História de Portugal, mas igualmente a monumentos (Castelo de Guimarães, Mosteiro dos Jerónimos, Mosteiro da Batalha), a acontecimentos especiais, tais como o 1º Dezembro de 1640 e Terramoto de 1755, bem como a temas que eram focados em termos patrióticos, Portugal em África ou A Unidade Portuguesa no Mundo de Hoje.
É óbvio que ao visionar algumas destas bandas desenhadas, e ler as respectivas legendas didascálias, há que ter em conta o facto de terem sido realizadas em 1965. Isso ressalta de forma bem evidente no título e no texto do capítulo A Unidade Portuguesa no Mundo de Hoje, onde se lê:
"Portugal compõe-se dos seguintes territórios: Portugal Continental, na Europa; arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, no Oceano Atlântico; Guiné, Angola e Moçambique, na África; Estado da Índia e Macau, na Ásia; Timor, na Oceânia (sic). Os Portugueses são de várias raças, mas formam uma só nação."
Ler este texto constitui um curioso exercício de analepse.          

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Eugénio Silva

Síntese biobibliográfica
 

Eugénio Rafael Pepe da Silva, 25 de Fevereiro de 1937, Barreiro. Curso de Desenhador-Gravador-Litógrafo obtido na Escola de Artes Decorativas António Arroio.

Publicou a sua primeira banda desenhada, "Amoni", em 1965, no suplemento Nau Catrineta, do jornal Diário de Notícias.

De 1967 é o invulgar livro escolar para a 3ª clase "Lições de História Pátria", todo à base de bandas desenhadas curtas, de duas páginas cada.

Em 1970 fez uma bd intitulada "A Gruta dos Três Irmãos", publicada nesse ano pela revista Pisca-Pisca, republicada pelo jornal Expresso (1987) e no fanzine Cadernos da Sobreda BD (1996).

"História Pequena do Vidro" é o título de um livro de divulgação, em banda desenhada, encomenda de uma fábrica vidreira em 1982. Como primeiro álbum de BD de cariz profissional foi "Matias Sandor", adaptado em bd a preto e branco da obra homónima de Julio Verne, em 1983.

"Eusébio, Pantera Negra", biografia em banda desenhada, a cores, do famoso futebolista português, foi o grande sucesso da BD nacional em 1990.

Teve em 1991 a sua primeira colaboração no estrangeiro, no álbum colectivo de carácter didáctico, "On a Retrouvé la Forêt Perdue", para o qual colaborou com um dos episódios.

Sob argumento de Jorge Magalhães, realizou o conto "O Coelho Branco", numa obra colectiva intitulada  "Contos das Ilhas", em que participaram também José Garcês, Catherine Labey e Carlos Alberto, em edição datada de 1993, sob chancela da ASA.

Eugénio Silva esteve contratado pela editora Meribérica-Liber, entre 1989 e 1991, período em que executou em BD a obra "Inês de Castro", mas que apenas foi editada em 1994.

"Família Ideal - O Sonho do Rapaz da Boina" é um álbum encomendado pelas Edições Paulinas em 1999.

É na área das monografias sobre terras portuguesas que este banda-desenhista (também pintor) tem tido actividade nestes últimos anos: "História de Seia" (1999) e "História do Concelho do Seixal" (2004), são os títulos.

Invulgar na sua bibliografia é a adaptação à BD da peça teatral de Henrique Lopes de Mendonça, "O Crime de Arronches", em 2009.

Em 2011 foi  escolhido, como autor de BD português, para inaugurar, com uma colectânea de bandas desenhadas suas, o "Museu de Banda Desenhada" em Bucareste, Roménia.

Mantém-se não publicado um projecto antigo, a adaptação em banda desenhada da personagem "José do Telhado", de que a data do desenho autografado que pode ser observado no "post" http://divulgandobd.blogspot.com/2012/12/autografos-desenhados.html

denuncia a longuíssima elaboração.    
 

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quinta-feira, junho 27, 2013

Escola e BD - Livros Escolares com BD (I) - A Odisseia, por Rodrigues Neves









A banda desenhada baseia-se em duas componentes, o texto literário ou argumento, complementado pela sua concretização em imagens sequenciais, formando assim a figuração narrativa, ou banda desenhada, que vale por si própria enquanto expressão literário-artística autónoma. 

Mas a verdade é que a BD tem sido usada, com alguma frequência, como forma subsidiária ou suporte de outras formas de expressão, designadamente a literatura, adaptando obras literárias consagradas à forma desenhada sequencialmente.

É nesta faceta que a BD, funcionando como suporte visual, tem sido aproveitada nos manuais escolares, desde longa data - digamos que desde os anos de 1950, a meio do século passado -, como é o caso do livro "Mar Alto - Volume I", dirigido por Virgílio Couto.

Neste livro de leituras várias - contos, poesias, histórias tradicionais - incluem-se várias obras literárias adaptadas à BD.

Para iniciar esta nova rubrica (ou etiqueta, como quer a nomenclatura bloguística), seleccionei a versão de A Odisseia feita por João de Barros, ilustrada sequencialmente por Rodrigues Neves, arquitecto e autor de BD já falecido.

Tomo a liberdade de reproduzir o texto com que é apresentada esta adaptação do poema épico de Homero a texto literário por João de Barros:

"Esta é a história gloriosa de Ulisses, o navegador das mil façanhas e ardis, o herói grego que - depois do cerco, tomada e incêndio de Tróia, cidade célebre da Ásia Menor - visitou as terras mais diversas, conheceu gentes estranhas, e enfeitiçou a alma de povos distantes. 
Num frágil navio, errou sobre as ondas incertas, cheio de angústia, transido de aflição, perseguido por monstros cruéis, abandonado de socorros.
Tudo venceu, afinal, mercê da inteligência, da audácia e, sobretudo, da sua clara e serena razão."