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quinta-feira, março 10, 2016

BD Infantil - Autor: Luís Filipe




Luís Filipe (1887-1949) foi essencialmente cartunista e caricaturista. Todavia, dotado de talento versátil, também fez banda desenhada dirigida à infância.

É o caso da que está reproduzida no topo do presente post - patente ao público na exposição organizada pelo Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa - onde Luís Filipe criou um curto episódio sem palavras (e até sem título), num estilo que posteriormente se viria a classificar de "linha clara".

Como sempre foi apanágio da BD infantil (ou para a infância), a principal personagem é traquinas - com frequência trata-se de uma dupla -, criando situações divertidas, embora recebendo, na última vinheta, o tradicional correctivo, fazendo lembrar os episódios (não os desenhos) da histórica série, criada por Rudolph Dirks, "The Katzenjammer Kids", ou "The Captain and the Kids"(*) , iniciada em 12 de Dezembro de 1897, invariavelmente terminados com o duo de diabretes a apanharem as habituais (na época) palmadas no rabo.

Nota: A imagem da banda desenhada, em prancha original, está patente na exposição (inaugurada em 19de Setembro de 2015) mas também consta do excelente catálogo ontem (9 de Março de 2016) ) lançado no Museu, o que permitiu amostragem aqui no blogue.

(*) Com o exemplo, em Portugal, da dupla "Quim e Manecas", de Stuart Carvalhais, iniciada em 1915 e, com grande interregno, terminada em 1953, pelo que se poderá considerar a série de BD portuguesa publicada durante mais tempo. 

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LUÍS FILIPE

Síntese biográfica

Luís Filipe Gonzaga Pinto Rodrigues nasceu em Melgaço a 21 de Março de 1887. Fez os estudos liceais em Braga, seguindo depois para Coimbra onde cursou Direito.

Desde cedo se sentiu atraído por várias formas de expressão gráfica: caricatura, cartunismo e, com menos intensidade, a BD.

Começou por se identificar por Gonzaga, mas finalmente passou a assinar as peças gráficas por Luís Filipe.

Em Coimbra integrou o chamado "Grupo de Coimbra", de que faziam parte vários jovens, entre os quais Cristiano Cruz, Correia Dias ("Tira Linhas") e Cerveira Pinto. Todos eles humoristas e artistas, exprimiram as suas preocupações sociais e políticas na revista A Farça (sic) a partir de 1909, já nos finais da monarquia, onde Luís Filipe dá azo às suas ideias republicanas e anti-clericais.

Ainda nesse ano inicia colaboração na importante revista Ilustração Portugueza.

Já no período republicano foi opositor ao regime de Sidónio Pais, tendo sido preso em 1918. Durante o tempo de prisão, Luís Filipe editou uma pequena publicação policopiada com o título A Velha, aquilo a que hoje chamaríamos um fanzine. 

A fase seguinte da sua vida foi como notário e advogado em Melgaço e Viana do Castelo, tendo abandonado quase por completo a vida artística. Embora, um ano antes de morrer, tenha realizado o cartaz das festas de Viana.

Faleceu a 10 de Agosto de 1949.   
 
(Elementos extraídos, com a devida vénia, do texto inserido no catálogo)

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Quem quiser ver as postagens anteriores deste tema, pode fazê-lo com facilidade, bastando para isso clicar na etiqueta Banda Desenhada infantil portuguesa que aparece no rodapé

quarta-feira, março 02, 2016

Exposição de BD em Miranda do Corvo




Júnior, Joana & Gão é o título de uma série de banda desenhada para a infância, com desenhos de Pedro Morais e argumento/guião de Luís de Almeida Martins, que foi publicada inicialmente em episódios na revista Visão Júnior entre 2004 e 2008 (*).  
Em 2015 esse conjunto de bandas desenhadas foi recolhido em dois álbuns pela editora Polvo, e teve direito a exposição no Festival Amadora BD, integrada no tema "A Criança e a BD".

A obra volta agora a estar patente em exposição, desta vez no seguinte local:

Biblioteca Municipal Miguel Torga
Ladeira do Calvário
Miranda do Corvo 

Data e hora: 
Início: A partir de 5 de Março, sábado, 15h00
Fim: 29 de Março de 2016


(*) Falei anteriormente dessa revista e desta banda desenhada nos posts

http://divulgandobd.blogspot.pt/2007/01/bd-nas-revistas-no-especializadas-viso_23.html

http://divulgandobd.blogspot.pt/2006/05/banda-desenhada-infantil-portuguesa-i.html

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PEDRO MORAIS

Biobibliografia (*)


Ilustrador, designer gráfico, publicitário e autor de banda desenhada, Pedro Manuel Paes Dâmaso de Morais nasceu a 11 de fevereiro de 1962, na Beira, em Moçambique, onde viveu até 1970, ano em que se mudou para Lisboa.
Desde a sua infância, passada em Moçambique, que Pedro Morais se lembra de desenhar. Em pequeno apreciou as aventuras de Tintim, de Hergé e, mais tarde, descobriu o trabalho de Jean Giraud, também conhecido por Mœbius, autor de banda desenhada que considera ser uma importante referência no seu trabalho.
A sua formação passou pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou o curso de design. Desde 1981 tem trabalhado com a ilustração e o design gráfico, sem esquecer a publicidade e a banda desenhada, com cartazes para festivais, ilustrações para diversos jornais (Blitz, entre 1985 e 1989 e O Independente, entre 1988 e 1994) e editoras, nomeadamente ao nível de livros infantis e juvenis. Foi também o responsável gráfico de diversas publicações do Gabinete em Portugal da Comissão Europeia, entre 1988 e 1994 e ao nível da publicidade e do Cinema, chegou a conceber alguns storyboards.
A colaboração mantida com o jornal Público (entre 1990 e 1992) permitiu-lhe apresentar ilustrações no final do caderno "Local" do Porto, na secção bares e cinemas, num total de cento e três, utilizando a técnica da colagem. Aliás, a experimentação de diferentes técnicas e materiais é bastante frequente na obra gráfica de Pedro Morais.
Na área da literatura infantil e juvenil tem executado inúmeras ilustrações para capas e interior de livros, nomeadamente: O Chapéu Mágico, de Carlos Correia (Sá da Costa Editora, 1982), A Canção das Otárias, de Inês O'Zarco (Edições Rolim, 1987), As Montanhas dos lírios em flor, de Vera e Bill Cleaver (Editorial Caminho, 1987), A paixão do mascarilha negra, de Carlos Correia (Edições ASA, 1987), dois títulos da Coleção "Os Super 4", de António Avelar de Pinho e Pedro de Freitas Branco, iniciada em 1995 (Bertrand Editora) e, sobretudo, com os sete livros da Coleção "Aventuras de Miguel e Ricardo", de Manuela Ribeiro, iniciada em 1998 (Ambar), série que tem conquistado assinalável êxito junto do público. A série vive em torno de dois miúdos, que formam uma dupla de detetives que deslindam intrincados casos, na escola e fora dela.
Bastante conhecido ficou o seu trabalho realizado para o Ministério da Ciência e Tecnologia ao nível da página do programa Internet na Escola, concebendo as ilustrações e o design, entre 1997-1998 (www.uarte.mct.pt). Data dessa época (dezembro de 1997 e fevereiro de 1998) a realização da exposição que lhe foi dedicada pela Bedeteca de Lisboa, que proporcionou a maior retrospetiva da sua obra de ilustrador e de autor de BD.
Em 2002, Pedro Morais participou com uma ilustração na coleção de seis postais de Natal feitos por cinco autores de BD (Luís Diferr, João Fazenda, Ricardo Ferrand, Luís Louro e Pedro Morais) e a ilustradora Cristina Sampaio, para a Fundação do Gil, cujas vendas reverteram para apoio a crianças desfavorecidas.
Ao nível da Banda Desenhada teve a sua primeira história publicada no jornal Juventude, "Zoom..." em 1981 e, entre esse mesmo ano e 1984, colaborou em diversos números do Boletim do CPBD (Clube Português de Banda Desenhada), um Fanzine (aglutinação de Fanatic Magazine, publicação caracterizada por pequenas tiragens em suporte acessível), género de publicação à qual se encontra particularmente ligado, pois colaborou também com Hamburguer (em 1981), Ritmo (entre 1983 e 1984), Shock, Barreira de Som (ambos em 1983), Édito (em 1990), O voo da águia (em 1996 e 1997), JuveBÊDÊ (em 1998), entre outros, sendo o editor do Fanzine Sine Die, que existe desde meados dos anos 80, de publicação irregular.
Particularmente importante nos seus primeiros contactos com a BD foi a colaboração que teve com a revista Tintin (portuguesa), com diversas (curtas) histórias, entre setembro de 1981 e agosto de 1982. Para além disso, participou em dois números da revista Cineasta, em 1983, nos jornais A Capital (em 1985) e O Primeiro de janeiro (em 1988), publicando em ambos tiras cómicas de O Chico Esperto, crónicas mundanas de um típico e bem divertido rufia. No diário portuense foi também o responsável gráfico pelo suplemento "Das Artes e Das Letras" e ilustrou uma coluna de Paulo Tunhas.
Em 1989 assegurou o cartaz e a restante linha gráfica do 5.º Salão Internacional de BD do Porto, onde surge um Tintim muito peculiar, um entre as dezenas de versões que realizou da célebre personagem criada por Hergé.
Pedro Morais foi um dos autores que participaram no suplemento especial "25 de abril aos quadradinhos", distribuído com o Diário de Notícias de 26 de abril de 1999, juntamente com Alain Corbel, Pedro Burgos e Miguel Gaspar (que escreveu os argumentos das três histórias aqui publicadas), numa iniciativa do jornal, do Ministério da Educação e da Bedeteca de Lisboa.
Embora tenha um longo e profíquo trabalho na área da BD, o seu único livro editado é O Bonsai Gigante, segundo título da Coleção "Quadradinho", um pequeno formato lançado pela ASIBDP (Associação Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto) em 1996, que constitui uma aventura de Phil Bonsaï, um rapazinho que descobre uma mala muito especial, numa história que é muda, não tem texto. Nesse mesmo ano participou com uma prancha no álbum coletivo Entroncamento de BD's, uma edição do jornal Notícias do Entroncamento, juntamente com cerca de 50 autores.
Alguns dos temas recorrentes nas suas BD são as referidas homenagens a Tintim, feitas num estilo muito próprio de "linha clara" (um traço bem definido, muito associado a Hergé e seus seguidores) e as paisagens de espaços de grandes dimensões e de ambientes com o seu quê de irreal, que mais que ficção científica o autor considera representarem mundos paralelos, tendo como dominante em muitos dos seus desenhos cores vivas aguareladas, porventura uma forte presença da sua origem africana no seu trabalho.
Por vezes assina como Pampam, Pepe e Pedro Paes.

(*) Elementos extraídos, com a devida vénia, da Infopédia-Dicionários Porto Editora

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LUÍS ALMEIDA MARTINS


Coautor (com Pedro Morais) de Júnior Joana & Gão (banda desenhada originalmente publicada na Visão Júnior entre 2004 e 2008 e lançada em livro em dois tomos em 2015), Luís Almeida Martins é jornalista, divulgador de temas históricos, ficcionista, amante e colecionador de BD e guionista.

Nasceu em Lisboa em 1949 e licenciou-se pela Faculdade de Letras, onde deu continuidade à participação nas lutas estudantis, que já vinha dos tempos de estudante liceal. Publicou os primeiros textos no Diário de Lisboa Juvenil e colaborou na Seara Nova, mas a sua estreia profissional deu-se na revista Flama, em 1968, de onde transitou em 1980 para o diário A Capital. Aqui acompanhou de perto o 25 de Abril e as suas sequelas. Em 1975 pertenceu ao grupo que criou o semanário O Jornal. Fundou em 1978 a revista História, que dirigiu durante 15 anos. Foi diretor do Se7e, onde assinou uma coluna sobre banda desenhada, e diretor-adjunto do Jornal de Letras, antes de fazer parte, em 1983, do núcleo fundador da revista Visão. É atualmente editor da Visão História.

No campo da ficção, é autor dos romances Viva Cartago (1983) e O Tesouro Africano (2002) e de uma biografia juvenil de Vasco da Gama (1998). Traduziu e prefaciou uma série de romances de Henry Rider Haggard.

Na área da televisão, é autor ou coautor de vários seriados, com destaque para A Estação da Minha Vida, Rua Sésamo e Arca de Noé.

Em 2011 editou o livro 365 Dias com Histórias da História de Portugal e em 2015 História Não Oficial de Portugal (ambos com a cancela de A Esfera dos Livros, o primeiro em 3ª edição).


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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores, poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas inserido no rodapé 
 

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Cais, revista com BD - Autores: Nuno Lourenço Rodrigues e André Oliveira


"O Barbeiro Que Contava Histórias": lá está o caso de um título premonitório, o leitor/visionador desta banda desenhada curta fica desde logo  a prever parte do enredo. 
Mas não totalmente, aí é que está o mérito do argumentista/ guionista André Oliveira, ao conceber um final que contraria o bem mais linear e previsível implícito no título.

A concretização gráfica, por Nuno Lourenço Rodrigues, corresponde bem à trama simples congeminada pelo André - ou será que ele resolveu contar algo da sua própria infância, com um final ligeiramente exagerado?

Espero que o meu amigo André Oliveira, argumentista meritório e prolífico não se ofenda com a inclusão desta bd curta na área da BD Infantil Portuguesa. Não tem nada de redutor, antes pelo contrário. Há pouca banda desenhada feita por autores portugueses dedicada à infância, e acredito que alguns dos pais que compraram este número da revista Cais  (*) (há um ano e picos) tenham tido a atitude louvável de dar a ler este engraçado episódio aos filhos pequenos.

(*) Revista Cais #202 Jan. 2015
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NUNO LOURENÇO RODRIGUES

Síntese autobiográfica

Nasceu em Lisboa, em 1989. 
Licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa e Design Gráfico pela University of East London em 2010. 
Em 2012, mestrou Ilustração e Animação na Kingston University, Londres. 
Diz que gosta de desenhar monstros. 
É designer gráfico e ilustrador freelancer tendo colaborado regularmente com o Jardim Botânico da Ajuda e o Grupo de Teatro Infantil Animarte. 
Em Dez. 2015 foi editado por  Edições ElPep "The Square World", o seu primeiro livro BD.  
Recentemente ingressou no The Lisbon Studio onde espera evoluir e levar a sua vertente de ilustrador e artista de banda desenhada mais além.
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ANDRÉ OLIVEIRA

Autobiobibliografia na 3ª pessoa (Versão actualizada)


André Oliveira nasceu em Lisboa, em 1982, e começou a brincar com Banda Desenhada pouco tempo depois. Davam-lhe pequenos blocos agrafados que ele preenchia com gatafunhos e ditava mais tarde as legendas ao avô, que as redigia cuidadosamente. 

Licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, é hoje copywriter na agência Fuel Design. 

Foi co-editor da antologia de banda desenhada portuguesa Zona (que publicou mais de 100 autores nacionais e estrangeiros), editor de BD da Revista Freestyle, organizador/fundador dos Prémios Profissionais de BD e comissário da Trienal Movimento Desenho 2012, tendo organizado o evento BD ao Forte. 

Escreveu os livros de BD "HAWK" (ilustrado por Osvaldo Medina e publicado pela Kingpin Books), "Tiras do Baralho!" (ilustrado por Pedro Carvalho e publicado pela El Pep) os três primeiros números da série "Living Will" (ilustrados por Joana Afonso e editados pela Ave Rara, a sua própria chancela editorial), e "Em Nós" (ilustrados por Ricardo Drumond).

Actualmente, André Oliveira edita curtas de Banda Desenhada na revista CAIS (*) faz parte do colectivo The Lisbon Studio e está a trabalhar em diversos projectos editoriais com vários ilustradores diferentes. 


(*) Pedi a André Oliveira que me fornecesse uma listagem de todos os desenhadores que com ele colaboraram na CAIS. desde o início, Junho de 2012. 
Eis a lista, até Janeiro de 2016:

Pedro Brito

Carlos Páscoa 

Ricardo Venâncio

Ricardo Cabral

Pedro Cruz

Paula Almeida

Jorge Coelho

Ricardo Reis

Marta Teives

Ricardo Drumond

André Caetano

Susana Carvalhinhos

Inês Galo

Xico Santos

Pepedelrey

Sónia Oliveira

Joana Afonso

Pedro Potier

Sérgio Marques

Osvaldo Medina

António Silva

Ana Oliveira

Pedro Carvalho

Pedro Ribeiro Ferreira

Carla Rodrigues 

Nuno Lourenço Rodrigues

Afonso Ferreira

Patrícia Furtado

Bernardo Majer

David Cerqueira

João Sequeira

Nuno Frias

Pedro Serpa

Selma Pimentel

Susa Monteiro

Susana Resende

Tiago Lobo Pimentel 
   
João Sequeira
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