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quarta-feira, outubro 19, 2016

BD luso-brasileira - Cemitério dos Sonhos





Cemitério dos Sonhos é uma obra em banda desenhada prenhe de imaginação ficcional - quiçá uma sublimação de sentimentos do escritor-argumentista - cuja leitura agarra o leitor, tal como a componente gráfica é sugestiva para o visionador. 

O apreciador de BD, para além do interesse pela leitura, depara-se com pormenores estilísticos e cromáticos de elevado nível estético, como acontece com uma prancha de Rodrigo Martins dos Santos, também com uma de Cinthia Fujii (ambas acima reproduzidas), e com várias outras.

Depois da dupla André Morgado (argumentista/guionista) com Alexandre Leoni, desenhador (*), surge outro argumentista/guionista português, Miguel Peres a criar obra de BD em conjunto com quatro ilustradores brasileiros (aliás dois, e duas brasileiras), Rodrigo Martins dos Santos, Marília Feldhues, Rômulo de Oliveira e Cinthia Fujii, a realizarem obra de qualidade.
Eis o que sobressai dela: 

Dre tem um emprego rotineiro, faz testes a máquinas de lavar roupa, tem de estar focado nelas, não pode deixar de fixar cada máquina durante uma hora. É entediante, e tem um efeito estranho: fora do emprego, Dre imerge-se em imagens oníricas, em sonhos que não distingue da realidade.
Este é um primeiro andamento, que classifico de capítulo para facilitar, com desenhos de Rodrigo Martins dos Santos.

"Onde estou?" "Estás dentro da tua cabeça, é normal ouvires o que pensas". Dre, no seu subconsciente, encontra o pai, e recorda cenas antigas, frases da mãe que o não entendia. "Não há estradas no mar", diz o pai, "podes velejar por onde quiseres, existe uma infinidade de caminhos que podes criar".
ENXAGUAR+CENTRIFUGAR: INICIAR.
A máquina de lavar traz Dre para a realidade.
Um segundo andamento/capítulo, desenhado por Marília Feldhues.

PROGRAMA: TERMINADO. Dre volta ao inconsciente, parece tentar romper com o passado, desprogramar a rotina. Mas há alguém que surge: a mãe, descontente com tudo. Dre questiona-a: foi ela que quis que ele nascesse, ou foi apenas por erro? Está aí uma parte dos traumas que o atormentam.
Andamento/capítulo desenvolvido por Rômulo de Oliveira.

"Acho que morri há muito tempo... Ou então só a minha cabeça funciona nesta confusão toda." Coral, personagem feminina, que o persuade a saltar de uma altura vertiginosa, existe, ou é simplesmente uma imagem criada pelo subconsciente de Dre?
Parte final, desenhada por Cinthia Fujii.

Estes quatro andamentos reflectem aspectos de uma personalidade atormentada por vivências que vêm desde a infância, e de que o protagonista Dre parece não conseguir libertar-se, mas contra as quais não desiste de lutar. Assistimos a essa luta, por vezes com aspectos insólitos, e não hesitamos em tomar partido por ele.   

Para terminar, esclareço: na realidade, a obra não está separada visivelmente por capítulos, mas sente-se que Miguel Peres foi criando divisões subreptícias na trama ficcional, acentuadas pelas mudanças estilísticas de cada autor gráfico.

Imagens que ilustram o post:
Capa de Rodrigo Martins dos Santos com design da Quanta
Autores das pranchas (de cima para baixo)
1ª - Rodrigo Martins dos Santos
2ª - Marília Feldhues
3ª - Rômulo de Oliveira
4ª - Cinthia Fujii
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MIGUEL PERES

Síntese autobiobibliográfica


Miguel Peres, setubalense genuíno desde 1987 e alfacinha falsificado desde 2011. 
Em petiz lia “banha desenhada”, hoje tenta escrevê-la sem erros e muita imaginação. 
Em 2011 tornou-se co-editor da antologia “Zona BD”, um projeto que aposta em jovens artistas portugueses e brasileiros. 
Já trabalhou com desenhistas como Luís Figueiredo ou Miguel Mendonça (DC Comics) em histórias curtas. 
Em 2012 estreou-se como argumentista com o álbum de BD “Cinzas da Revolta”, das Edições Leya, com desenhos de João Amaral. 
Em 2013 foi um dos nomeados para “Melhor Argumentista do Ano” na 1ª Edição dos Prémios Profissionais de BD (Portugal). 
Em 2016 criou o selo editorial “Bicho Carpinteiro” com o argumentista português André Morgado e divide o seu tempo com o trabalho de criador de conteúdos e locutor da edpON Rádio, rádio corporativa da EDP, mas está sempre irrequieto a escrever novos projetos.
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(*) http://divulgandobd.blogspot.pt/2016/10/bd-por-dupla-luso-brasileira-vida.html

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Os visitantes deste blogue que, por curiosidade, queiram ver o "post" anterior do presente tema, poderão fazê-lo clicando no item Luso-Brasileira BD visível no rodapé

quarta-feira, outubro 05, 2016

BD por dupla luso-brasileira - A Vida Oculta de Fernando Pessoa













Ao juntar-se André F. Morgado com Alexandre Leoni, para em conjunto realizarem a obra em BD A Vida Oculta de Fernando Pessoa, aconteceu algo de inédito na banda desenhada de língua portuguesa: o surgimento de uma dupla constituída por um argumentista/guionista português e um ilustrador/autor de BD brasileiro.
Sabendo-se que também acaba de ser editada uma outra banda desenhada (de que falarei em próximo post) cujos autores são um português e quatro brasileiros (aliás dois, e duas brasileiras), ocorre pensar que se está a abrir um novo caminho, não marítimo mas virtual, para uma produtiva e fraterna fase de colaboração luso-brasileira na arte da figuração narrativa.

No que concerne à obra que se debruça sobre um vértice imaginário da vida do poeta, o argumentista/guionista Morgado concebe e desenvolve o argumento, criando uma ficção insólita, em que o "Senhor Pessoa" - como é tratado por um grupo de estranhas personagens onde se inclui um padre, cujo comportamento faz crer tratar-se de membros de uma sociedade secreta - tem por missão eliminar os portadores de um mal inominável, estando a certa altura, entre os alvos humanos a abater, um trio formado por Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, três dos mais importantes heterónimos de Fernando Pessoa.
O encontro deles, um de cada vez, com o ortónimo, é a fase seguinte da componente ficcional bem urdida pelo argumentista Morgado, sob a eficiente  composição figurativa (por vezes brilhante, veja-se a prancha (*) exemplar que se inicia com a frase de Pessoa, "O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas.") com laivos caricaturais, do ilustrador Leoni. 

"Vi sempre o mundo independentemente de mim. Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim."
Uma componente bem congeminada pelos autores tem a ver com as citações de palavras de Pessoa e heterónimos estarem escritas em itálico nos balões de fala, como é o caso da frase acima citada.

Nota: Após o término da obra de BD, o livro inclui uma Galeria de Convidados, representados pelas respectivas versões ilustradas da figura de Fernando Pessoa, da autoria dos portugueses Penim Loureiro, Miguel Montenegro, Carla Rodrigues e Diogo Carvalho (acima reproduzidas), e dos brasileiros Deniz Feliz, Lucas Ribeiro, Mário Cau, Magenta King, Doug Lira, Caroline Cariba, Eduardo Vieira, Caio Yo, Rayner Alencar (que não foi possível reproduzir, por o blogue não comportar tão grande excesso de peso). 
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Em baixo: Uma amostra dos layouts preparatórios executados por Alexandre Leoni 


Nota do blogger: storyboards, a palavra que se lê no topo desta imagem, é uma expressão técnica usada para filmes, o correcto na BD é layout ou layouts.

(*) Apenas posso indicar a prancha que destaco pela qualidade, não me é possível indicar o número da página, porque esta e as restantes não estão numeradas (o que não faz falta ao leitor/visionador, mas faz a quem está a fazer análise crítica, o meu caso)
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Esta obra já tinha  sido apresentada aqui no blogue, na fase de tentativa de obter um crowdfunding, como se pode ver clicando no seguinte link, datado de 11 de Agosto de 2015:

http://divulgandobd.blogspot.pt/2015/08/a-vida-oculta-de-fernando-pessoa.html  

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ANDRÉ MORGADO

Síntese autobiográfica


André F. Morgado, professor e argumentista, natural de uma aldeia do distrito da Guarda e residente há largos anos na cidade de Setúbal, tem passado os últimos seis a desenvolver projetos pedagógicos para incentivar o interesse e gosto pela cultura junto do público infanto-juvenil, a par das aulas que continua a leccionar e dos projetos de escrita que se têm vindo a tornar mais sérios.

O mais recente e divulgado trabalho de André insere-se na Banda Desenhada, intitulado A Vida Oculta de Fernando Pessoa, projeto que nasceu numa parceria luso-brasileira e que se encontra em crescente expansão no Brasil e em Portugal.
A este título, refira-se, por exemplo, os mais de 4000 exemplares vendidos; a posição no Top 10 de melhores histórias adaptadas para BD, nos prémios HQ Mix (Brasil) 2016; ou Prémio de Melhor Capa, nos Prémios Central Comic’s 2016.
A esta sua ideia associou-se o brasileiro Alexandre Leoni, com quem, por mais de um ano, trabalhou através da internet e deu corpo ao livro que, em novembro de 2015, seria destaque num dos maiores festivais literários do Brasil. Os dois continuam de pareceria ativa.

Este projeto pessoano, que conta, de forma alternativa, a origem dos heterónimos de Fernando Pessoa, abriu uma caixa de pandora que o autor está pronto para explorar, avizinhando-se, para já, uma curta-metragem de animação em 2017 e outras novidades associadas ao universo por si criado.

Porém, não só desta obra vivem as aspirações de André, encontrando-se, neste momento, a produzir uma nova graphic novel - com uma desenhista brasileira - e que dará os primeiros ares da sua graça no final deste ano. Será, segundo o próprio, algo mais intimista.
André está, ainda, a escrever um argumento para uma outra graphic novel que já tem, segundo o próprio, um outro desenhista à sua espera.

Até hoje, todos os projetos literários que abraçou encontraram o(a) parcerio(a) do lado de lá do Atlântico, mas fundou, já no verão deste ano, uma editora com o seu amigo de longa data Miguel Peres, outro argumentista da praça nacional, com o objetivo de dar resposta àquilo que ambos não encontraram no mercado português.
O Bicho Carpinteiro, nome da editora, conta com a publicação dos dois livros mais recentes dos seus criadores mas existem várias novidades a ganhar forma, semana após semana e, contam, em breve, apresentar ao público algumas informações surpreendentes.

A par das aulas que continua a leccionar em Lisboa, André promete novas ideias colaborativas para estimular a cultura nacional, cá dentro e lá fora.



Nota do blogger: André Morgado usou o AO90 para escrever a sua  autobiografia. Apesar de contrariado por conspurcar o meu blogue com essa ortografia absurda, reproduzo o texto tal como foi escrito.
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 ALEXANDRE LEONI

Síntese autobiográfica (*)

Natural de Campo Grande (MS), Brasil, é ilustrador, formado em artes visuais pela UMFS e, a partir daí, trabalhou em diversas áreas da ilustração, colecionando experiência em publicidade, animação, games e HQ. 
Por muitos anos, publicou e editou quadrinhos de forma independente no site Trovão Quadrinhos. 
Hoje trabalha como freelancer e faz hangouts quinzenais no canal do YouTube Bate-Papo Ilustrado, onde é host e entrevistador de outros ilustradores de renome.

(*) Texto e foto extraídos da badana do álbum. 

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