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domingo, janeiro 11, 2015

Sem Palavras (IV)






Vuillemin é um autor brilhante, tanto nas ideias que transforma em BD, quanto na força das imagens que desenha.

Mais uma prova está na banda desenhada "Nossos Amigos os Animais" que, para além do aparente lugar comum do título, representa a desconstrução e ironia nele implícita que se detecta no final. 

A sensação que nos transmite a última vinheta é de tristeza, profundamente amarga. Vuillemin, especialista em humor cruel, consegue quase convencer-nos logo na imagem inicial, de que sacrificar o pequeno cão é a única forma de solucionar, durante algum tempo, a fome do filho e do casal.

Mas é bem visível a forte amizade que a criança nutre pelo animal e quão feliz ela se sente nas suas brincadeiras, até que, na continuação do episódio, essa pequena felicidade vai terminar abruptamente, dando azo à lancinante reacção da criança, construindo um final impressionante numa bd tão curta, mas assaz emotiva. Chapeau, Vuillemin.

Animal - Nº 7 (Ano não indicado)
São Paulo - Brasil

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Vuillemin

Síntese biográfica



 


Philippe Vuillemin  (8 de Setembro de 1958, Marselha, França) iniciou-se na BD em 1977.  Desde então fez bandas desenhadas curtas para os magazines L'Écho des Savanes, Hara Kiri e Charlie Mensuel
Irreverente, tem escolhido para alvo da sua virulência figuras gradas da sociedade, de Lech Walesa ao Papa.

"Sales Blagues" - piadas mais ou menos "sujas", criadas por Reiser e Coluche, desenhadas por Vuillemin -, constituem importante componente da sua produção, mas a obra que lhe deu especial visibilidade  foi "Hitler= SS", sob argumento de Jean-Marie Gourio e que, publicada em álbum em 1987, criou grande controvérsia, por tratar um tema melindroso, os campos de extermínio nazis.

Dado o seu visual algo efeminado, tanto nas feições suaves como na longa cabeleira encaracolada, Vuillemin representou o papel da personagem andrógina Alexina no filme "Le Mystère Alexina", de René Ferret, em 1985.

Em 1993 participa no renascer do magazine Hara-Kiri.

Em 1994 e 1996 concretiza dois projectos dirigidos a um público mais jovem - "Voir la Mer" e "Pit-bull contre Zoulous", com argumento de Thierry Dedieu.

Sob chancela da Albin Michel - editora onde granjeou grande prestígio -, são editadas duas obras que reunem as suas bandas desenhadas dispersas: "Monde Merveilleux de Vuillemin" (1995) e "Chefs-d'Ouvre de Vuillemin" (1997).

Philippe Vuillemin é também músico, participando no grupo "Dennis Ywist". 

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Os interessados em ver as postagens anteriores deste tema poderão facilmente fazê-lo clicando no item Sem Palavras visível no rodapé.

sábado, maio 17, 2014

Exposições BD Avulsas (L), Mesas-Redondas (IX)

  

Laura Perez Vernetti é uma autora espanhola de BD que demonstra ser grande grande admiradora de Fernando Pessoa. Realizou uma obra em banda desenhada editada em álbum em Espanha, e posteriormente em Portugal, sob o título (com grafia pouco feliz por ser algo dúbia, embora não intencionalmente) Pessoa & CIA.                                                                                                                                    


As pranchas dessa novela gráfica já foram expostas em Lisboa (Casa Fernando Pessoa) e Madrid, e vão estar de novo patentes ao público, desta vez no Porto, na Universidade Fernando Pessoa, entre 20 de Maio e 20 de Junho.                                                                                                                                     
Laura Perez Vernetti estará presente no Porto no dia 13 de Junho - bem conhecida data do nascimento do poeta em Lisboa - a fim de participar numa mesa redonda, cujo programa será o seguinte:


Mesa-Redonda com a presença de Laura Pérez Vernetti

Data: 13 de Junho 2014 | 16:00 horas


Local: Universidade Fernando Pessoa | Sala Fernando Pessoa

Entrada livre (no limite dos lugares disponíveis). Agradecemos confirmação de presença através do e-mail biblioteca@ufp.edu.pt



Moderação

Prof. Doutor Rui Estrada

Pessoa ilimitado: intertextualidade, metamorfose, apropriação

Prof. Doutor Rui Torres

Símbolo / Contra-símbolo / Emblema – a figuração possível

Prof.ª Doutora Maria do Carmo Castelo Branco

Imagens de um “drama em gente” – Algumas notas sobre o  imaginário de Pessoa na arte portuguesa do século XX

Prof. Doutor Eduardo Paz Barroso


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LAURA PÉREZ VERNETTI
Síntese biográfica

Laura Pérez Vernetti (Barcelona, 1958)

Após licenciar-se em Belas Artes, em Pintura, trabalhou durante dez anos (1981-1991) na revista El Vibora, designadamente nas bandas desenhadas "El Toro Blanco" (1989) com o argumentista Joseph Marie Lo Duca, e "La Trampa" (1990).

Entre as suas obras em BD destacam-se "Las Habitaciones Desmanteladas", (Ediciones De Ponent, 1999); "Macande" (Ikusager, 2000); "Nous Sommes Les Maures" (Éditions Amok, 1998), "11 M, Once Miradas" (2005) e "Sará Servito" (Edicions De Ponent), com Felipe Hernández Cava; "Amores Locos" (Edicions De Ponent, 2005) e "El Brillo Del Gato Negro" (Edicions De Ponent, 2008), com o argumentista Antonio Altarriba, e "Las Mil y Una Noches" (Edicions De Ponent, 2002), de novo com Joseph Marie LoDuca.

Mais recentemente, realizou a novela gráfica "Pessoa & CIA", editada inicialmente em Espanha pela editora Luces de Gálibo, em 2011, e com edição portuguesa pela ASA em 2012.

Exposições de BD: Parte das pranchas da novela gráfica "Pessoa & CIA" estiveram expostas na Casa Fernando Pessoa, em 2012, em Lisboa, e na Universidade Fernando Pessoa, em 2014,no Porto. 

Tradução livre e parcial de texto englobado no "site" da RTVE, em espaço da responsabilidade de Jesús Jimenez, jornalista da RTVE, especializado em Cultura e, sobretudo, em Banda Desenhada. 
Esse texto-base teve actualizações da responsabilidade do presente blóguer. 
(2ª versão da biografia já anteriormente publicada neste blogue) 

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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes quarenta e nove "posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé       

sexta-feira, março 21, 2014

Autor de BD como personagem da sua banda desenhada (XVI) - Joe Kubert



São numerosos os casos em que um autor de BD se auto-retrata na sua própria banda desenhada, e Joe Kubert vem enriquecer a galeria já apresentada neste blogue, tendo sido afixado o primeiro "post" deste tema em 25 de Outubro de 2005.

Ao longo dos nove anos de existência do "Divulgando Banda Desenhada", foram visionadas dezena e meia de exemplos bem representativos desta tendência quase compulsiva dos autores de BD, a maior parte das vezes colocando-se eles próprios a protagonizar cenas imaginárias, como acontece nesta curtíssima de Joe Kubert, uma autêntica pérola, que apenas era conhecida dos bedéfilos que puderam adquirir o Comic Book Creator #2, 2013 Summer Annual (First Printing - July 2013), entre os quais este mesmo sortudo blóguer.

Todavia, a partir do presente "post", haverá umas centenas de admiradores do grande Joe Kubert que igualmente ficarão a conhecer tão invulgar peça de BD.

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JOE KUBERT (1926/2012)

Síntese biobibliográfica



Joseph (Joe) Kubert nasceu em 18 de Setembro de 1926, na Polónia, mas seus pais emigraram para os Estados Unidos da América quando ele tinha apenas dois meses de idade. É presumível que tenha sido naturalizado americano.

A sua preparação iniciou-se com um estágio no estúdio de Harry A. Chesler, em 1939, passando em seguida a frequentar a New York's High School of Music and Art.

O seu início na BD deu-se em 1941, nos "Catman Comics", com os grupos editoriais "Quality", em "Phantom Lady" e "Espionage", MIJ em "Flag-Man", "Boy Buddies" e "Black Witch", e em 1943, para a DC, onde Kubert trabalhou em várias séries de "comic strips" (entre 1943 e 1949), nas quais se incluem "Johnny Quick", "Zatara", "Newsboy Legion", "Shinning Night", "Crimson Avenger", Hawkman", "Dr. Fate" e "Flash". Ainda nessa época trabalhou também nas séries "Shick Gibson", "Zebra" e "Black Cat".

Inicialmente influenciado por Hal Foster e Alex Raymond - como muitos outros dessa geração -, ele evoluiu para um estilo de claros-escuros mais contrastados, o que lhe granjeou notoriedade nos anos 1950, integrando-se no grupo editorial Archer St. John, onde realizou uma bd intitulada "Tor", em que Kubert era autor completo - escrevia o argumento, passava-o a guião, desenhava o "layout", fazia a arte-final e coloria (o que não está mesmo nada nos esquemas de trabalho nos "Comics" americanos). Ao longo dos anos sessenta, ele desenhou "Cave Carson", "Rip Hunter" e "Sea Devils".

A série "Tor" tinha entretanto granjeado grande fama, o que levou a editora National a convidar o autor/artista a retomá-la em 1975.

Posteriormente Kubert centrar-se-ia em séries de guerra, nomeadamente "Sgt. Rock", "Enemy Ace" e "Unknown Soldier", contando então com o argumentista Bob Kanigher. Especialmente "Enemy Ace" - em que surgia a personagem Baron Von Richtofen - tornou-se um exemplo de escelente trabalho baseado nos aviões da Grande Guerra.

Nessa mesma década de 1950 a 1960, Kubert dedicou-se a uma série de sword and sorcery, "Viking Prince" e para o renascido Hawkman.

Nos anos 1966 e 1967, ele passou a colaborar nos jornais Chicago Tribune - New York News, com a famosa série "Green Barets".

Nesse último ano de 1967 deu-se o regresso à National, voltando a responsabilizar-se por várias séries, entre as quais "Tarzan", sendo que esta, nas décadas de 1970 e 1980, lhe granjeou grande prestígio.

Foi exactamente sobre essa série que incidiu o meu pedido, ao qual Joe Kubert amavelmente acedeu, traçando de improviso este meu desenho autografado de estimação, visível no "post" (*)
Joseph "Joe" Kubert faleceu em 12 de Agosto de 2012.

(*) http://divulgandobd.blogspot.pt/2011/11/autografos-desenhados-xviii.html

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Para os interessados em visionar as postagens anteriores do tema Autor de BD como personagem da sua banda desenhada, basta clicarem nesse item que aparece escrito ao fundo, no rodapé.
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 Entretanto, para se ver a lista de autores e personagens anteriormente focados, aqui a ponho visível:

(XV) - Outubro 21 - Pedro Brito
2012 (daqui para cima)

(XIV) - Outubro 8 - Nuno Saraiva
(XIII) - Março 29 - Fernando Bento
2011 (daqui para cima)

(XII) - Maio 23 - JCoelho
2010 (daqui para cima)

(XI) - Fev. 25 - Pedro Manaças
2009 (daqui para cima)

(X) - Fev. 10 - Moebius
2008 (daqui para cima)

(IX) - Fev. 27 - C. Zngr (Carlos Corujo "Zíngaro")
2007 (daqui para cima)

(VIII)-Set. 11 - Art Spiegelman
(VII) - Ag. 29 - Nuno Markl
(VI) - Ag. 20 - Pedro Morais (desenhador), Luís Almeida Martins (argumentista)
(V) - Jul. 7 - Augusto Trigo
(IV) - Jun. 26 - Nuno Saraiva
(III) - Maio, 5 - Crumb
2006 (daqui para cima)

(II) - Nov. 16 - João Maio Pinto (desenhador), Esgar Acelerado (argumentista)
(I) - Out. 25 - Uderzo (desenhador), Goscinny (argumentista)
2005 (daqui para cima)


 

sábado, março 01, 2014

Exposições BD Avulsas (XLVI)



Há em pleno Alentejo um equipamento cultural dedicado essencialmente à banda desenhada, chamado, com propriedade, Bedeteca de Beja, e que mantém constante e meritória actividade.

Por exemplo: hoje, Sábado, dia 1 de Março, inaugura-se uma exposição com reproduções de obras de BD de um autor de nomeada, que se celebrizou pelo pseudónimo de Jijé, ligado indelevelmente ao herói Jerry Spring, um "cowboy" marcante no western de origem europeia, herói que reviverá agora no espaço cultural bejense. 

Esta e outras exposições que, com frequência, atraem visitantes àquela biblioteca especializada, devem-se ao seu activo e esclarecido director Paulo Monteiro, também autor de BD. 

Data limite para visitar a exposição: 27 de Março.

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Jijé  (1914-1980)

Síntese biobibliográfica

Jijé, pseudónimo de Joseph Gillain, juntamente com Hergé, Edgar Pierre Jacobs  e Franquin, integrou um quarteto de autores de BD belgas que marcaram uma época. 




Gillain, que iniciou a sua actividade, enquanto autor de BD em 1939, no magazine Spirou, produziu obra bastante diversificada, considerando que foi o criador gráfico de várias personagens, protagonistas de umas tantas séries, designadamente "Freddy et Fred", "Trinet et Trinette", "Blondin et Cirage", caracterizadas por estilos e géneros visivelmente díspares, obras de sua inteira autoria. 
Pela primeira vez, em 1941, Jijé trabalhou com um argumentista, Jean Doisy, com quem criou a personagem "Jean Valhardi".




Após uma estada, entre 1950 e 1954, nos Estados Unidos da América, Jijé iniciou "Jerry Spring", um western que se estreou no Spirou, obra e personagem que mais o notabilizou.

No magazine Pilote, com o qual colaborou em seguida, Jijé foi o continuador da série de aviação "Michel Tanguy", sob argumento de Jean-Michel Charlier, a qual tinha sido desenhada inicialmente por Albert Uderzo logo no primeiro número do Pilote (29 de Outubro de 1959). Colaborou igualmente na série de piratas "Barbe Rouge", para a qual fez dois episódios.

Jean Giraud iniciou-se na BD a colaborar com Jijé, e a influência do mestre nota-se nos inícios do brilhante aluno. 

Nascido a 13 de Janeiro de 1914, em Gedinne, na Bélgica, Joseph Gillain "Jijé" faleceu a 20 de Junho de 1980, em Versailles, França. 
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Os visitantes deste blogue que, por mera curiosidade, queiram ver os restantes quarenta e cinco"posts" sobre exposições avulsas (ou seja, não inseridas em festivais BD), poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD avulsas visível no rodapé          
 

domingo, fevereiro 23, 2014

Autógrafos Desenhados (XXV) - José Ortiz

Em continuação desta rubrica que iniciei com o "post" de 26 de Dezembro de 2005, mostro hoje um desenho original de José Ortiz, nome de primeira grandeza na BD internacional.
Obtive este autógrafo desenhado, como eu lhe chamo - ou desenho autografado, como é mais vulgarmente conhecido - na década de 1980, numa fase em que colaborava com o semanário O País, coordenando e redigindo uma rubrica, de página inteira, intitulada inicialmente "O País na Banda Desenhada" (mais tarde simplificada para "Banda Desenhada").
É por esse motivo que o excelente desenho de Ortiz apresenta a dedicatória "Especial para el periódico O País", visto que o informei de que, apesar de ser para mim, o desenho se destinava inicialmente a ilustrar um artigo meu naquele jornal dedicado ao Salon Internacional del Cómic de Barcelona, onde, além de ter estado presente na inauguração, em 1981, voltei a participar nas cinco edições seguintes.
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JOSÉ ORTIZ (1932-2013)
Síntese biobibliográfica

O espanhol José Ortiz Moya nasceu em Cartagena (Murcia) a 1 de Novembro de 1932
 Iniciou-se a desenhar séries de BD para formatos de bolso, mas logo em 1959 começa a realizar uma das suas séries mais famosas, a saga "Sigur el Viking".
Passa depois a trabalhar para o estrangeiro. Em Inglaterra dedica-se a colaborar nas prestigiosas revistas Eagle e 2000AD, fazendo para esta última a famosa personagem Judge Dredd , e para os Estados Unidos trabalha em 1974 para a editora Warren, especializando-se no género de horror, em que assina, por exemplo, o episódio "Coffin", na revista Eerie, e "Pantha", na revista Vampirella, personagem que ele próprio chegou a desenhar.

A sua carreira em Espanha, onde voltou a trabalhar, fica marcada em 1975 pela obra "O Pequeno Selvagem". Em 1981 inicia a série "Hombre", sob argumento de Antonio Segura, e para este mesmo argumentista faz "Morgan", além da série de ficção científica de cariz humorístico "Burton & Cyb".

 A partir de 1993 passa a colaborar com os "fumetti" italianos, como, por exemplo, na popular série italiana "Tex Willer", para a qual, sob argumento de Claudio Nizzi, desenhou o episódio "La Grande Rapina", publicado em Itália num "Tex Albo Speziale", traduzido para o português do Brasil por "O Grande Roubo", englobado num Álbum Gigante, ou "Texone", como lhes chamam os fãs. (Aqui por cima reproduzo uma edição rara dessa citada obra, uma peça oposta aos "texones", um mini-álbum).

Colaborou ainda com outras duas séries populares (em Itália e no Brasil), "Ken Parker" e "Mágico Vento". 

O categorizado autor espanhol foi distinguido nos Estados Unidos da América com o galardão "Best All Around Artist", e obteve também um troféu atribuído pela "Expocómic 2010", como prémio a toda uma vida dedicada à BD. 

José Ortiz Moya faleceu a 23 de Dezembro de 2013, em Espanha, Valencia. 

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Imagens que ilustram a postagem:

1 - Desenho autografado de José Ortiz

2 - Retrato recente do autor

3 -  Mini-álbum editado sob chancela de Sergio Bonelli Editore,
que se apresenta como "Albo Speciale in Miniatura - 230 pagine", 
com as medidas 10,5x8x1,8cm (altura, largura, espessura). 
Nele se inclui a obra "La Grande Rapina", com desenhos de José Ortiz
e argumento de Claudio Nizzi, editado em Setembro de 2009.

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Os interessados em ver as 24 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch, Victor de la Fuente, Mézières (entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

domingo, setembro 29, 2013

Sem Palavras (II)




Sem balões de fala, nem legendas didascálicas, tampouco cartuchos de texto auxiliares, uma banda desenhada fica muda, mas não ininteligível. Sendo Vuillemin um autor inteligente, com forte sentido de humor, a sua produção tem grande incidência neste género em que se especializou. O "gag" que ilustra a presente postagem é facilmente compreensível com o simples visionamento das imagens.

"Sem Palavras" representa um tipo de BD que tem tido grandes cultores, tanto no passado como hoje em dia. Porque, inquestionavelmente, é uma forma de a fazer ultrapassar a barreira das diferentes línguas, e poder ser legível em qualquer parte do mundo.

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VUILLEMIN

Síntese biobibliográfica

Philippe Vuillemin (8 de Setembro de 1958, Marselha, França) iniciou-se na BD em 1977.  Desde então fez bandas desenhadas curtas para os magazines L'Écho des Savanes, Hara Kiri e Charlie Mensuel. Irreverente, tem escolhido para alvo da sua virulência figuras gradas da sociedade, de Lech Walesa ao Papa.

"Sales Blagues" - piadas mais ou menos "sujas", criadas por Reiser e Coluche, desenhadas por Vuillemin -, constituem importante componente da sua produção, mas a obra que lhe deu especial visibilidade  foi "Hitler= SS", sob argumento de Jean-Marie Gourio e que, publicada em álbum em 1987, criou grande controvérsia, por tratar um tema melindroso, os campos de extermínio nazis.

Dado o seu visual algo efeminado, tanto nas feições suaves como na longa cabeleira encaracolada, Vuillemin representou o papel da personagem andrógina Alexina no filme "Le Mystère Alexina", de René Ferret, em 1985.

Em 1994 e 1996 concretiza dois projectos dirigidos a um público mais jovem - "Voir la Mer" e "Pit-bull contre Zoulous", com argumento de Thierry Dedieu.

Sob chancela da Albin Michel - editora onde granjeou grande prestígio -, são editadas duas obras que reunem as suas bandas desenhadas dispersas: "Monde Merveilleux de Vuillemin" (1995) e "Chefs-d'Ouvre de Vuillemin" (1997). 

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Esta banda desenhada foi extraída da já desaparecida revista espanhola 
Totem el Comix nº 46 de 1989 (não tem data visível, apenas está deduzível numa homenagem gráfica a Mel Blanc, indicando 1908-1989) .
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Os interessados em ver a postagem anterior deste tema, poderão facilmente fazê-lo clicando no item Sem Palavras visível no rodapé.

sábado, julho 27, 2013

Autógrafos Desenhados (XXIV) - Paolo Ongaro


Conheci Paolo Ongaro, autor italiano de banda desenhada, no Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione de Lucca, em Itália, na sua 14ªedição, entre 26 Outubro e 2 de Novembro de 1980. E, obviamente, pedi-lhe um desenho, que aqui mostro, passados mais de trinta anos.

Embora não se tratasse de um autor muito conhecido, ele era anunciado em Lucca como sendo, nessa época, um dos desenhadores do anti-herói Diabolik.

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PAOLO ONGARO

Síntese biobibliográfica

Nascido a 22 de Junho de 1946 em Mestre (Veneza), Itália, o início de Paolo Ongaro na BD deu-se com o trabalho de arte-finalização aos desenhos de Vladimiro Missaglia, a que se seguiu a realização a solo de bandas desenhadas no género de horror. 

Foi em 1970 que deu início à sua colaboração em "Diabolik", personagem criada, ao nível do argumento, pelas irmãs italianas Guissani, Angela e Luciana, e desenhado inicialmente por Luigi Marchesi.

Colaborou também com as revistas L'Intrepido, Il Giornalino (onde desenhou histórias de Larry Yuma), Il Corriere dei Ragazzi, entre outras. Em meados desses anos setenta, Ongaro encarregou-se de desenhar a personagem Tarzan. 
Fez igualmente histórias de guerra para a agência inglesa Fleetway, e para a revista Audax da editora italiana Mondadori, desenhou o Agente Speciale Magnum.

Para essa mesma editora teve a seu cargo o desenho de histórias de espionagem, entre 1976 e 1977, e colaborou na série "Uomini e Guerra", bem como na "Storia d'Italia a Fumetti", além de realizar a componente gráfica da "Storia delle Olimpiade", editada em 1996, numa outra iniciativa da editora Mondadori.

Fez a experiência de desenhar personagens da Disney editadas em Itália pela Mondadori, e a partir de 1990 começou a participar na conhecida série de origem italiana "Martin Mystère".
Também chegou a trabalhar em França, onde colaborou nas revistas L'Écho des Savanes e Pif.

(Ignoro se faz actualmente alguma coisa na BD. Espero que haja quem, entre os visitantes deste blogue, me possa dar qualquer novidade).

Fontes consultadas: 

1) The World Encyclopedia of Comics, edited by Maurice Horn - Chelsea House, 1999
2) Dictionnaire Mondial de la Banda Dessinée, de Patrick Gaumer, avec la collaboration de Claude Moliterni - Larousse, 1998
3) Lambiek Comiclopedia

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segunda-feira, maio 27, 2013

Autógrafos Desenhados (XXIII) - Mézières



Jean-Claude Mézières, como grande nome que é da BD europeia, irá constituir um inesperado foco valorizador do 9º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde vai estar presente a 1 e 2 de Junho, dias de arranque do já renomado evento bedéfilo nacional (que se prolongará até dia 16 do mesmo mês).

É dele o autógrafo desenhado - ou desenho autografado - que ilustra o topo do "post", o qual obtive de Mézières na edição de 1987 do grande Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême. 

Pelo facto de termos o ilustre banda-desenhista em Portugal, ocorreu-me mostrar este desenho autografado inédito, já com mais de vinte e cinco anos de existência no meu acervo da especialidade. Está na hora de obter uma nova versão...

Mézières, é reconhecido como autor europeu de grande prestígio, conseguido este basicamente na co-autoria da extensa saga de ficção científica "Valerian Agente Espácio-Temporal" centrada na personagem homónima - sem desprimor para Laureline, sua parceira de aventuras -, uma obra criada ficcionalmente pelo prolífico argumentista - escritor Pierre Christin.    

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MÉZIÈRES

Síntese biobibliográfica 

Jean-Claude Mézières nasceu em Paris, a 23 de Setembro de 1938. O seu pendor natural para o desenho manifestou-se cedo, aos treze anos, ou seja, ainda antes de terminar o curso liceal, tinham sido publicados desenhos seus no Le Journal des Jeunes, em 1952 fez uma banda desenhada tipo pastiche em onze pranchas, que intitulou "Tintin en Californie". 

Por essa altura, em 1953, começou a frequência de um curso de quatro anos no Institut des Arts Appliqués, em Paris.

Enquanto estudava arranjou tempo, a meio do curso, fez a uma bd de aventuras (como o título indica), "Robin des Bois", publicada na revista Bonjour Philipine, iniciada em 1955 e terminada em 1957. 

Estava definitivamente lançado na especialidade, tanto assim que para outra revista, a Fripounet, fez uma bd incidindo sobre um tema que o apaixonava, o western, cujo título não consegui localizar (ora aí está uma pergunta que farei agora a Mézières).

Após o serviço militar - iniciado em 1959, terminado em meados de 1961 - trabalhou numa agência de publicidade, para a qual fez uma banda desenhada publicitária , sob argumento do seu amigo de infância Pierre Christin.

Em 1965 foi até aos Estados Unidos a fim de estagiar com autores de comics e poder observar os seus métodos de trabalho. Lá, em Salt Lake City, encontrou-se de novo com Pierre Christin, que na altura estava como professor na Universidade de Utah. Ambos, em mais uma colaboração, fizeram uma banda desenhada de seis pranchas intitulada "Le Rhum du Punch", e enviaram uma cópia para Jean Giraud que, por sua vez, a mostrou a René Goscinny, na altura editor da revista Pilote, e este publicou-a (Pilote nº 335, de 24 Março 1966).

De regresso a França, em meados de 1967, colaborou de novo na Pilote, com a bd "L'Extraordinaire et Troublante Aventure de Monsieur Auguste Faust", sob argumento de Fred.

Ainda nesse ano de 1967, de novo sob argumento de Pierre Christin (então a usar o pseudónimo "Linus"), iniciou-se a obra de ficção científica "Valérian", também para a Pilote. Essa obra foi publicada em Portugal sob o título "Valérian - Agente Espácio-Temporal", em revista e em álbum.

Em 1987 e 1990 fez duas histórias completas para a revista Métal Hurlant. Em 1991, de novo com o seu argumentista de sempre, faz as ilustrações para a obra "Les Habitants du Ciel", com o subtítulo "Atlas Cosmique de Valérian et Laureline".

Mézières recebeu em 1984 o Grande Prémio da Cidade de Angoulême. Já esteve duas vezes em Portugal, uma delas em Lisboa, no evento BDBOOM, outra na Amadora, integrado no respectivo IX Festival Internacional de BD, e, pela terceira vez de visita a Portugal, estará em Beja, a participar no IX Festival de Banda Desenhada daquela cidade alentejana.

Alguns dos elementos constantes deste texto foram extraídos de três fontes:

1) The World Encyclopedia of Comics, de Maurice Horn, edição de 1998
2) Dictionnaire Mondial de la Bande Dessinée, de Patrick Gaumer e Claude Moliterni, edição de 1998
3) Wikipedia  
  
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Os interessados em ver as 22 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch, entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

sábado, maio 18, 2013

Autógrafos desenhados (XXII) - Victor de la Fuente



Já aqui falei, mais de uma vez, do pioneiro evento dedicado à BD, o Salone Internazionale dei Comics, del Cinema d'Animazione e dell'Illustrazione, que se realizava na cidade italiana de Lucca, e que atingia em 1980 a sua 14ª edição.

Nesse ano, como vi ser uso habitual, pedi desenhos autografados a alguns dos autores de BD presentes no evento, um dos quais, Victor de la Fuente, era ainda relativamente pouco conhecido em Portugal, mas, graças aos meus contactos com entusiastas de banda desenhada de outros países - entre os quais o espanhol Mariano Ayuso - conseguia ter acesso a revistas de BD, nomeadamente a Trinca, na qual De La Fuente tinha começado a colaborar no fim da década de 1960. 

Com alguma inexperiência na área da pedincha de desenhos autografados, e também pressionado pelo facto de haver mais bedéfilos à espera, nem pedi para me dedicar o desenho original. Mas, palavra de honra, o desenho foi "despachado" (sim, mas apesar da velocidade, está bom) à minha frente, a meu pedido.
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VICTOR DE LA FUENTE (1927-2010)

Síntese biobibliográfica 

Nascido em Ardinasa de Llanes (Astúrias, Espanha), Victor de la Fuente começou por colaborar nos magazines Maravillas, Flechas y Pelayos e Chicos.

Partiu mais tarde para o Chile, onde fundou uma agência de publicidade. Em 1944 reuniu alguns desenhadores e dirigiu a revista El Peneca, ao mesmo tempo que trabalhava para a americana Dell Publishing, de Nova Iorque.  

Colaborou, com bandas desenhadas curtas, nos "comic books" Eerie e Creepy, fazendo depois "Amargo", um western, para a editora francesa Hachette, passando em seguida para a Larousse, onde colaborou na obra "L'Histoire de France en bandes dessinées", e na "Bíblia" em imagens sequenciais. 

Em 1977 fez em BD a biografia de Charles de Gaulle, e um ano mais tarde, em colaboração para a revista À Suivre, desenha "Hagarth", uma bd de fantasia heróica.

Em 1980 tem uma nova experiência artística: um "western" erótico intitulado "Mortimer", publicado em álbum.

A partir de 1983, com o argumentista Victor Mora, concretiza a obra "Anges d'Acier, para a revista Pilote, e "Coeur de Fer" para a Okapi. Em 1985, ainda com Mora, De la Fuente desenha "La Sibérienne" para a revista Echo des Savanes.

Em 1987, sob argumento de François Corteggiani, efectua a quadradinhização de "Francis Falko". Simultaneamente, trabalha em BD para Espanha, nas revistas Tapón e Zona 84, além de participar esporadicamente na série itliana muito popular (principalmente em Itália, obviamente, e Brasil) "Tex Willer".

Em 1996, delafuente (como também costumava assinar, como se pode ver na ilustração que afixei no topo) colabora com o argumentista Alejandro Jodorowsky, na obra sequencial "Aliot, le Fils des Tenèbres", para a editora Dargaud. E em 1997 elabora as primeiras pranchas de "Josué de Nazareth", uma série cujo argumento foi escrito por Patrick Cothias para a Glenat.

Não tenho mais elementos depois desta data. Não terá feito mais nada, até falecer em 2010?
Alguém poderá ajudar? 

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Os interessados em ver as 21 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch, entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.

domingo, novembro 25, 2012

Autógrafos desenhados (XX) - Sama



Foi em Itália, "no Lucca 14" Salone Internazionale dei Comics, Illustrazione e Cinema d'Animazione, em 1980, que tive o prazer de conseguir, pela primeira vez, desenhos acompanhados de autógrafos. Ando a mostrá-los nesta rubrica desde Dezembro de 2005.

Após todos estes anos passados, sinto ainda autêntica pulsão quando vejo desenhadores, autores de banda desenhada, a darem autógrafos acompanhados de rápidas imagens dos seus heróis de BD. E aí vou eu para as extensas filas, à espera da minha vez...

Este ano, ocupado em algumas ocasiões a acompanhar a venda do meu fanzine Efeméride, na banca da editora Pedranocharco do meu amigo Machado-Dias, outras vezes a ver exposições, mas também a assistir a colóquios, palestras e mesas redondas, obtive poucos. E entre esses, houve um que me cativou em especial, tanto pelo grafismo como pela maliciosa frase.
Nome - melhor, pseudónimo - do autor: Sama.
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SAMA

Síntese biobibliográfica

Eduardo Filipe, aka "Sama", autor brasileiro de BD, está publicado em diversas revistas do seu país, com bandas desenhadas e cartunes, designadamente na Piaui.

Tem colaborado com BD no jornal francês La Gazette. Tratando-se de um artista ecléctico, a sua actividade artística estende-se ao Cinema, onde já actuou como actor e realizador.

A sua obra mais importante, até agora, na Banda Desenhada, é a novela gráfica "A Balada de Johnny Furacão", editada no seu país em 2011.

Esteve este ano de 2012 como convidado do Festival Internacional de Banda Desenhada - AMADORA BD, para o qual expressamente realizou uma colectânea de curtas de BD, de teor autobiográfico, em consonância com o tema central do evento bedéfilo português. Essa sua recente obra, intitulada "Cadernos do Sama - Vol. I", inclui também episódios de cariz erótico. 

Nota do bloguista: Esta curta biografia resultou de uma síntese efectuada, com a devida vénia, do texto de Manassés Filho, no blogue "Comic House". Os nomes próprios Eduardo Filipe foram-me indicados pelo meu amigo Pedro Bouça.
O texto foi adaptado à fraseologia específica portuguesa de Portugal, e não do Brasil, além de ter sido escrito respeitando o Acordo Ortográfico anterior, o AO45.

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Os interessados em ver as 19 postagens anteriores deste tema (onde se incluem grandes nomes da BD, tais como Joe Kubert, Aragonés, John Buscema, Manara, Mordillo, Moebius, Neal Adams, Quino, Solano López, Juan Zanotto, Rick Veitch,  entre vários outros), poderão fazê-lo clicando no item Etiquetas: Autógrafos desenhados inserido no rodapé.