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domingo, março 23, 2014

Pedro Massano e "A Batalha" - Entrevista




Pedro Massano é, entre os autores da BD portuguesa actual, um dos de maior prestígio, com uma obra em dois tomos publicada em França - ainda não traduzida em Portugal -, e numerosas obras editadas entre nós. 

A Conquista de Lisboa, em dois volumes, tinha sido a sua mais recente obra editada em Portugal, mas está prestes a acontecer o aumento da sua bibliografia com a próxima edição do livro intitulado "A Batalha - 14 de Agosto de 1385".

Trata-se de obra encomendada por uma Fundação, de cuja feitura tive conhecimento desde o início, e de que vi algumas pranchas esporadicamente, primeiro desenhadas a lápis, mais tarde algumas já terminadas.
Nunca fiz qualquer divulgação, respeitando o pedido de sigilo que me fez Pedro Massano. Porém, tendo tido conhecimento de estar próximo o seu lançamento, caducando portanto a justificação do sigilo, decidi entrevistar o autor, e graças às suas respostas, desvendar pormenores relacionados com esta muito importante e inesperada edição.

Segue-se a entrevista.

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GL - Pedro Massano: Tenho acompanhado o teu imenso trabalho de realização da obra em BD "A Batalha - 14 de Agosto de 1385", que está terminada e prestes a ser lançada pela editora Gradiva.
Sei que se trata de encomenda de uma importante instituição. Podes contar-me em pormenor como, quando e por quem te foi apresentado este projecto?

Pedro Massano - Fui  contactado por um responsável da Fundação Batalha de Aljubarrota, e o projecto deveria fazer parte do conjunto de documentos que o CIBA – Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota tem vindo a editar para esse fim.

GL - O argumento e respectivo guião de "A Batalha" são de tua autoria. Como sei quão elevado é o teu nível de exigência e de rigor histórico, calculo que tiveste de te basear em textos escritos por autores dignos de crédito. Quais?

PM -   Em primeiro lugar, obviamente, Fernão Lopes: uma dor de cabeça para restabelecer a cronologia, porque ele anda para trás e para diante, ao “sabor da pluma”, sem nenhuma consideração por nós – pobres leitores da era dos filmes e do híper texto – baralha tudo, volta a dar, e o leitor que se desenrasque. Para além disso, mascara alguns pormenores sem os quais o desfecho quase não se percebe. Esta foi a parte que mais trabalho me deu na preparação, mas o F. Lopes é sempre de uma riqueza e de um colorido fantásticos.
Depois, Froissart, que tem dois relatos; um primeiro, quase inócuo, escrito pouco depois do acontecimento, a partir de relatos de sobreviventes franceses.  E um segundo, resultante de uma entrevista ao filho do Diogo Lopes Pacheco na Flandres – aonde se deslocou para o encontrar – que, esse sim, complementa e traz nova luz à leitura de Fernão Lopes.
Por último, e de enorme interesse, a carta de D. Juan (rei de Castela) aos murcianos, que é um quase pedido de desculpas pela derrota sofrida, e os escritos de Pêro Lopes Ayalla (cronista de D. Juan) que visam desculpar o rei perante a posteridade.
Fiz questão de ler os textos nas transcrições dos originais, porquanto nas adaptações e nas traduções perde-se sempre muita coisa.

GL - Trata-se de uma obra de grande envergadura. Quantas pranchas fizeste?

PM - O número de pranchas desenhadas é de 86.

GL - Lembro-me de ter visto no teu estúdio umas pranchas duplas. Sempre foi possível incluí-las no livro?

PM - Todas as pranchas são duplas.
Gosto do efeito de alguns desenhos passarem de uma página para a outra, mesmo que isso possa dar algum trabalho às gráficas e, houve alguém que me disse, um dia, com muita graça, que eu não era capaz de respeitar os quadrados e de deixar os desenhos sossegados lá dentro.
As únicas pranchas singulares são a 1 e a 86. 

GL - A obra é completamente tua, incluindo a legendagem e a colorização. Quanto tempo investiste na sua execução?

PM -  Demorei cerca de dois meses com o texto, e mais um ano e pouco a desenhar tudo a lápis, para o conjunto poder ser aprovado pelo historiador que, à altura, tinha essa responsabilidade por parte da Fundação, o prof. Mário Barroca.
Para a execução final não me comprometi expressamente com prazos – e isto tenho de agradecer à Fundação – porque sabia e queria que a obra me desse o trabalho que merecia. Demorei cerca de 4 anos.

GL - Sendo a legendagem escrita por ti, gostaria de saber se usaste a ortografia antiga, a do acordo de 1945 (AO45), ou se a escreveste em conformidade com o novo acordo de 1990 (o AO90).

PM - Usei a antiga, embora o que haja mais na “Batalha” sejam “espetadores".
 
GL - Sei que a capa com que é editado o livro não foi a primeira que fizeste. Por que foi substituída essa capa inicial?

PM - Foi um daqueles acidentes que acontecem, às vezes, nestes percursos. O editor achou que a primeira capa “não vendia”…  Mas, para quem passou a vida a trabalhar para clientes, uns com ideias, outros sem, até poderia fazer uma terceira.

GL - Estás satisfeito com o resultado final, ou pensas que poderia ter ficado melhor em algum aspecto?

PM - Penso que houve cuidado, de todas as partes envolvidas, em respeitar o mais possível o que estava feito. Quero salientar o empenho da Multitipo – amigos que já não via há 30 anos! – no resultado final da cor.
 
GL - A edição será posta à venda na totalidade, ou haverá uma parcela reservada para a Fundação?

PM - Quanto a isso não seria elegante, da minha parte, estar a comentar acordos que desconheço entre a Gradiva e a Fundação. A pergunta deve ser-lhes dirigida.
 
GL - Quando e onde será lançada a obra? 

PM - Também não faço a mais pequena idéia.

GL - Agradeço-te a disponibilidade.

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Imagens que ilustram o presente "post":

1 - Capa definitiva da obra

2 - Capa realizada inicialmente mas não utilizada, mais a contracapa 

3 e 4 - Pranchas duplas da obra

5 - Foto recente de Pedro Massano

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terça-feira, abril 29, 2008

Banda Desenhada portuguesa nos jornais (XCIII) - Mundo Universitário - Autor. Pedro Massano

Usar capa negra é, para muitos(as) estudantes universitários(as) uma forma de identificação, uma maneira prática de poupar os fatos, e, provavelmente também, para alguns, uma forma de exibicionismo do seu estatuto. Pedro Massano aproveitou o meu convite de colaboração nesta rubrica para a criação do "intrépido herói" K Negra, desta vez numa aventura localizada no Continente Perdido de MU, (MU nº 103, de 21 Abr. 08) sendo o presente episódio o segundo de uma série que promete marcar presença na área dos heróis fixos da banda desenhada portuguesa. Pelo menos, lugar garantido já o tem na rubrica BD do jornal Mundo Universitário - MU.