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terça-feira, janeiro 27, 2015

Suportes Improváveis para BD (I) Cartaz do Festival BD de Angoulême + 42º Festival BD Angoulême/2015 - Pormenores do Programa


No princípio era o papel, como suporte ideal para a BD (após experiências em pedras e em papiros). Depois, em data recente, chegou a era digital, que não fez desaparecer o papel, mas que o vai substituindo paulatinamente em significativa escala.

Entretanto, em simultâneo, a imaginação dos autores de BD é pródiga em encontrar suportes invulgares, tais como capas de livros, bilhetes postais, t-shirts, envólucros de discos de 33 1/3 rotações, rótulos de latas de salsichas ou de garrafas de vinho, e até das raspadinhas, com curtíssimas bedês de três vinhetas. Falo com conhecimento de causa, possuo peças de todos essas curiosidades gráficas.  

Apesar disso, o cartaz do 42º Festival International de la Bande Dessinée d'Angoulême, ou seja, a edição do corrente ano de 2015 surpreendeu-me, apresentando-se como mais um improvável suporte para BD, concretamente para uma banda desenhada sem palavras da autoria de Bill Watterson.

A surpresa foi ocasionada por três motivos: pela imprevisibilidade do suporte, mais um de que tenho conhecimento, o primeiro; ter sido a única vez que tal acontece num cartaz do famoso festival francês, o segundo; por ter como autor o célebre criador da inesquecível dupla "Calvin and Hobbes", o retirado Bill Watterson, o terceiro motivo

Como é sabido, ele afastou-se, e afirma que em definitivo, da Banda Desenhada. Terá tido necessidade de dar o dito por não dito para realizar esta banda desenhada, apesar de curta, de quinze vinhetas apenas e sem palavras, para ilustrar o cartaz do festival BD de Angoulême.

Mas, tal como no ano passado - quando foi galardoado com o Grande Prémio da Cidade de Angoulême -, não estará lá presente. 
Além desta sua recusa de participar em eventos, continua igualmente a manter-se irredutível na atitude que tomou há quase vinte anos (em fins de 1995) de pôr fim à série do miúdo Calvin e do seu tigre de peluche Hobbes - que iniciara em 1985 e que mantivera durante dez anos -, ou ainda de maior radicalismo, de não tornar a fazer BD.

Todavia, surpreendentemente, abriu excepção para fazer a bd que aparece no cartaz do festival de Angoulême, reproduzida no topo da presente postagem.

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Ora por falar no cartaz do famoso - e duradouro - festival francês, ficam registados nesta, digamos, 2ª parte, algumas informações acerca do evento. Poder-se-á classificar o "post" como sendo "2 em 1".
 
42º Festival International 
de la Bande Dessinée d'Angoulême
Pormenores do programa

Começa na 5ª feira, 29 de Janeiro, termina no Domingo, 1 de Fevereiro, a edição de 2015 do mais importante evento europeu (cerca de 200.000 pessoas em quatro dias!) dedicado à BD.

Repetindo o lugar comum, apetece sempre dizer que este festival "é à grande e à francesa".

Para mim, que fui visitante vinte e tal anos seguidos, há dois aspectos imperdíveis: as exposições e os contactos, mesmo que breves - o tempo de sacar um desenho autografado - com os autores.

Quanto às exposições, vejamos as que me parecem mais interessantes:


MESTRES DA BD

1) BILL WATTERSON, Grande Prémio de 2014


2) JACK KIRBY

3) JIRÔ TANIGUCHI


HERÓIS DA BD

Mafalda
Snoopy
Boule e Bill
Blake e Mortimer

TARDI E A GRANDE GUERRA

UDERZO POR EXTENSO

40 ANOS DE GRANDES PRÉMIOS DE ANGOULÊME

EXPOSIÇÕES TEMÁTICAS

Ficção Científica na BD
Cadernos de Viagem
Júlio Verne
Humor

EXPOSIÇÃO DEDICADA AO MAGAZINE CHARLIE HEBDO 

A propósito do tema, será lançado o livro
"La BD est Charlie"
com a participação de cerca de 150 autores, entre banda-desenhistas e cartunistas, nomeadamente Crumb, Milo Manara, Lewis Trondheim, Zep, Guy Delisle, entre outros.

E a merecer destaque especial, a homenagem que será prestada ao Charlie Hebdo, com a atribuição do 
PRÉMIO CHARLIE DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

IMPORTANTE:

Os candidatos finalistas ao Grande Prémio de Angoulême são três:

1) O japonês Katsuhiro Otomo
2) O argumentista britânico Alan Moore
3) O autor belga Hermann 

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Para ver postagens anteriores relacionados com os temas Festivais, Angoulême BD, Sem Palavras, Bill Watterson, bastará clicar nesses itens visíveis em rodapé    

domingo, junho 22, 2014

Parabéns Calvin & Hobbes - Mesas-Redondas (XI)






Falar de cultura em Portugal implica necessariamente citar o CNC - Centro Nacional de Cultura, e também registar a sua notável abrangência de todas as manifestações culturais, nas quais inclui a banda desenhada.

É o que se depreende do facto de, mais uma vez, a banda desenhada estar implícita no tema da mesa redonda (*) Parabéns Calvin & Hobbes, que terá como participantes Guilherme de Oliveira Martins (Director do Centro Nacional de Cultura), Guilherme Valente (editor na Gradiva), e João Paiva Boléo (crítico e divulgador de BD).

O que se espera ouvir de três apreciadores de banda desenhada, obviamente admiradores de uma série de culto como é Calvin and Hobbes, e do respectivo autor, Bill Watterson?

Para começar, não deixarão de elogiar a trama de suporte da imaginativa relação entre Calvin e o seu urso de peluche. Hobbes, como é sabido, apenas interage com o dono quando não há mais ninguém em cena. 

Estratégia mental de Calvin? Pode admitir-se como explicação do facto esta minha teoria (nunca a vi mencionada por mais ninguém), mas para a confirmar seria necessário que alguém entrevistasse Bill Watterson, o que, dado o seu feitio avesso à exposição pública, não seria nada fácil. Desde o seu abandono da BD, ele apenas concedeu duas entrevistas.

Calvin, Hobbes, e também outras personagens importantes, designadamente o pai, a mãe, a vizinha Sue, a babysitter Rosalyn, a professora Miss Wormwood, e o matulão Moe, actuaram nas tiras diárias (a preto e branco) e nas Sunday pages (a cores), durante dez anos, entre 1985 e 1995, com enorme êxito na imprensa de numerosos países. Pela minha parte confesso que tomei contacto com a série (em língua portuguesa) no jornal Público, logo no número inicial do matutino.

As razões invocadas por Bill Watterson para a decisão de descontinuar a produção da banda desenhada quando o seu êxito era inquestionável, não foram bem aceites pelos admiradores da série, embora fossem compreensíveis tendo em conta o seu carácter algo introvertido.

Apesar de ter deixado de haver novas tiras, há jornais que continuam a publicar as antigas. Entre nós serve de exemplo o Correio da Manhã (já lá vi uma, mas não sei qual a periodicidade). 
E também vem a propósito referir a notícia de que a editora Gradiva se prepara para reeditar os álbuns, não sei se todos.
Duas provas de que o público continua a ver/ler com agrado as tiras de BD imaginadas e desenhadas pelo genial Watterson.

(*) A mesa redonda terá lugar dia 23 de Junho de 2014, pelas 18h30.
Local: CNC - Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, 68 - Lisboa


Imagens que ilustram a presente postagem:

1 - Cartaz do evento
2 - Divertida composição dos amigos Calvin e Hobbes a fazerem caretas
3 - Capa de um álbum de origem americana pertencente à colecção  deste blogger
(Editora: Andrews and McMeel, 3ª edição, Março 1990) 
3 - Retrato de Bill Watterson

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BILL WATTERSON

Síntese biográfica

William Boyd Watterson, aka Bill Watterson, Washington, D.C., U.S.A., 5 Julho 1958.
É licenciado em Ciências Políticas.
 

Foi galardoado nos Estados Unidos com o troféu Reuben, por duas vezes (1986 e 1988), na qualidade de "Melhor Cartunista (*) do Ano", e em França, em 2014, foi-lhe atribuído o Grand Prix do Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême, todos estes prémios obtidos graças à sua única e notável obra na BD, Calvin and Hobbes, publicada entre 18 de Novembro 1985 e 31 de Dezembro de 1995.

Watterson tem recusado todas as pressões para o aproveitamento das suas personagens na área do merchandising.

(*) Note-se que, em inglês dos E.U.A., tanto os autores de cartunes como os de bandas desenhadas são classificados unicamente como "cartoonists" (ou, aportuguesando, cartunistas).


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Os interessados em ler textos anteriores da rubrica Mesas-Redondas, podem fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé.
      

sábado, dezembro 31, 2005

Calvin & Hobbes - O Fim há dez anos



Bill Watterson, que tinha iniciado a série Calvin & Hobbes a 18 de Novembro de 1985, decidiu terminá-la cerca de dez anos depois, em 31 de Dezembro de 1995, faz hoje precisamente dez anos.

Eu conheci a série no primeiro número do jornal Público, que comprei por curiosidade, como faço sempre que sai um novo jornal.

Desde essa data, devido à qualidade do jornal, mas em especial atraído por aquela primeira tira de Calvin & Hobbes, passei a ser leitor compulsivo e assíduo do jornal e da série.

Leio/vejo desde então as peripécias do duo - mais as participações esporádicas da amiga (?) Susie, da mãe, do pai (um grande cromo, também ele) e da "baby-sitter" Rosalyn.

As transformações do tigre, em boneco de peluche (gosto mais do que de pelúcia) ou num verdadeiro, consoante há ou não presença de alguém além do amigo inseparável Calvin, é um achado genial de Watterson, entre outros factores que fascinam na leitura das tiras diárias, a preto-e-branco, ou nas páginas dominicais, a cores.

O sucesso da série fez com que, a certa altura,estivesse a ser publicada em 2400 periódicos, simultaneamente.

Apesar disso, Watterson resolveu "matar" as suas personagens, em litígio com a Agência Universal Press Syndicate, por se recusar a comercializar as personagens.

Admire-se a posição personalizada do autor, lamente-se o desaparecimento das suas personagens.


BILL WATTERSON

Síntese biográfica

Bill Watterson (aliás, William B. Watterson II) nasceu em Washington, D.C., em 1958.
É licenciado em Ciências Políticas.
Foi galardoado com o troféu Reuben, por duas vezes (1986 e 1988), na qualidade de "Melhor Cartunista do Ano".

(Note-se que, em inglês dos E.U.A., os autores de cartunes e de bandas desenhadas são classificados unicamente como cartunistas ou "cartoonists").