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quarta-feira, outubro 05, 2016

BD por dupla luso-brasileira - A Vida Oculta de Fernando Pessoa













Ao juntar-se André F. Morgado com Alexandre Leoni, para em conjunto realizarem a obra em BD A Vida Oculta de Fernando Pessoa, aconteceu algo de inédito na banda desenhada de língua portuguesa: o surgimento de uma dupla constituída por um argumentista/guionista português e um ilustrador/autor de BD brasileiro.
Sabendo-se que também acaba de ser editada uma outra banda desenhada (de que falarei em próximo post) cujos autores são um português e quatro brasileiros (aliás dois, e duas brasileiras), ocorre pensar que se está a abrir um novo caminho, não marítimo mas virtual, para uma produtiva e fraterna fase de colaboração luso-brasileira na arte da figuração narrativa.

No que concerne à obra que se debruça sobre um vértice imaginário da vida do poeta, o argumentista/guionista Morgado concebe e desenvolve o argumento, criando uma ficção insólita, em que o "Senhor Pessoa" - como é tratado por um grupo de estranhas personagens onde se inclui um padre, cujo comportamento faz crer tratar-se de membros de uma sociedade secreta - tem por missão eliminar os portadores de um mal inominável, estando a certa altura, entre os alvos humanos a abater, um trio formado por Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, três dos mais importantes heterónimos de Fernando Pessoa.
O encontro deles, um de cada vez, com o ortónimo, é a fase seguinte da componente ficcional bem urdida pelo argumentista Morgado, sob a eficiente  composição figurativa (por vezes brilhante, veja-se a prancha (*) exemplar que se inicia com a frase de Pessoa, "O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas.") com laivos caricaturais, do ilustrador Leoni. 

"Vi sempre o mundo independentemente de mim. Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim."
Uma componente bem congeminada pelos autores tem a ver com as citações de palavras de Pessoa e heterónimos estarem escritas em itálico nos balões de fala, como é o caso da frase acima citada.

Nota: Após o término da obra de BD, o livro inclui uma Galeria de Convidados, representados pelas respectivas versões ilustradas da figura de Fernando Pessoa, da autoria dos portugueses Penim Loureiro, Miguel Montenegro, Carla Rodrigues e Diogo Carvalho (acima reproduzidas), e dos brasileiros Deniz Feliz, Lucas Ribeiro, Mário Cau, Magenta King, Doug Lira, Caroline Cariba, Eduardo Vieira, Caio Yo, Rayner Alencar (que não foi possível reproduzir, por o blogue não comportar tão grande excesso de peso). 
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Em baixo: Uma amostra dos layouts preparatórios executados por Alexandre Leoni 


Nota do blogger: storyboards, a palavra que se lê no topo desta imagem, é uma expressão técnica usada para filmes, o correcto na BD é layout ou layouts.

(*) Apenas posso indicar a prancha que destaco pela qualidade, não me é possível indicar o número da página, porque esta e as restantes não estão numeradas (o que não faz falta ao leitor/visionador, mas faz a quem está a fazer análise crítica, o meu caso)
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Esta obra já tinha  sido apresentada aqui no blogue, na fase de tentativa de obter um crowdfunding, como se pode ver clicando no seguinte link, datado de 11 de Agosto de 2015:

http://divulgandobd.blogspot.pt/2015/08/a-vida-oculta-de-fernando-pessoa.html  

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ANDRÉ MORGADO

Síntese autobiográfica


André F. Morgado, professor e argumentista, natural de uma aldeia do distrito da Guarda e residente há largos anos na cidade de Setúbal, tem passado os últimos seis a desenvolver projetos pedagógicos para incentivar o interesse e gosto pela cultura junto do público infanto-juvenil, a par das aulas que continua a leccionar e dos projetos de escrita que se têm vindo a tornar mais sérios.

O mais recente e divulgado trabalho de André insere-se na Banda Desenhada, intitulado A Vida Oculta de Fernando Pessoa, projeto que nasceu numa parceria luso-brasileira e que se encontra em crescente expansão no Brasil e em Portugal.
A este título, refira-se, por exemplo, os mais de 4000 exemplares vendidos; a posição no Top 10 de melhores histórias adaptadas para BD, nos prémios HQ Mix (Brasil) 2016; ou Prémio de Melhor Capa, nos Prémios Central Comic’s 2016.
A esta sua ideia associou-se o brasileiro Alexandre Leoni, com quem, por mais de um ano, trabalhou através da internet e deu corpo ao livro que, em novembro de 2015, seria destaque num dos maiores festivais literários do Brasil. Os dois continuam de pareceria ativa.

Este projeto pessoano, que conta, de forma alternativa, a origem dos heterónimos de Fernando Pessoa, abriu uma caixa de pandora que o autor está pronto para explorar, avizinhando-se, para já, uma curta-metragem de animação em 2017 e outras novidades associadas ao universo por si criado.

Porém, não só desta obra vivem as aspirações de André, encontrando-se, neste momento, a produzir uma nova graphic novel - com uma desenhista brasileira - e que dará os primeiros ares da sua graça no final deste ano. Será, segundo o próprio, algo mais intimista.
André está, ainda, a escrever um argumento para uma outra graphic novel que já tem, segundo o próprio, um outro desenhista à sua espera.

Até hoje, todos os projetos literários que abraçou encontraram o(a) parcerio(a) do lado de lá do Atlântico, mas fundou, já no verão deste ano, uma editora com o seu amigo de longa data Miguel Peres, outro argumentista da praça nacional, com o objetivo de dar resposta àquilo que ambos não encontraram no mercado português.
O Bicho Carpinteiro, nome da editora, conta com a publicação dos dois livros mais recentes dos seus criadores mas existem várias novidades a ganhar forma, semana após semana e, contam, em breve, apresentar ao público algumas informações surpreendentes.

A par das aulas que continua a leccionar em Lisboa, André promete novas ideias colaborativas para estimular a cultura nacional, cá dentro e lá fora.



Nota do blogger: André Morgado usou o AO90 para escrever a sua  autobiografia. Apesar de contrariado por conspurcar o meu blogue com essa ortografia absurda, reproduzo o texto tal como foi escrito.
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 ALEXANDRE LEONI

Síntese autobiográfica (*)

Natural de Campo Grande (MS), Brasil, é ilustrador, formado em artes visuais pela UMFS e, a partir daí, trabalhou em diversas áreas da ilustração, colecionando experiência em publicidade, animação, games e HQ. 
Por muitos anos, publicou e editou quadrinhos de forma independente no site Trovão Quadrinhos. 
Hoje trabalha como freelancer e faz hangouts quinzenais no canal do YouTube Bate-Papo Ilustrado, onde é host e entrevistador de outros ilustradores de renome.

(*) Texto e foto extraídos da badana do álbum. 

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quinta-feira, novembro 12, 2015

Teaser (VI) - As Aventuras de Fernando Pessoa em BD

 




Foi iniciada em Outubro de 2007 num blogue (*), passados oito anos está finalmente terminada a obra em BD "As Aventuras de Fernando Pessoa Escritor Universal" e pronta para ser posta à venda, o que irá acontecer a partir do fim-de-semana de 14 e 15 do corrente mês de Novembro, nas FNACs, Bertrands, Bulhosas, El Corte Inglés, Barata e mais de 150 livrarias espalhadas pelo país.

Não foi fácil a tarefa de Miguel Moreira, a escrever o argumento e a desenhar, e Catarina Verdier a colorir, tendo em vista a extensão da obra que se compõe de 176 pranchas/páginas.

A obra terá uma primeira apresentação na Livraria Almedina (do C.C.Saldanha), dia 26 de Novembro, às 18:30 horas, com a presença dos autores.

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NOTAS DE LEITURA DE JERÓNIMO PIZARRO 
Jerónimo Pizarro é Professor da Universidad de los Andes, Titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia e Doutor pelas Universidades de Harvard (2008) e de Lisboa (2006), em Literaturas Hispânicas e Linguística Portuguesa. 

Banda Desenhada sobre a vida de Fernando Pessoa, mereceu a este ilustre Pessoano uma avaliação muito positiva e encorajadora.
Diz o Professor e Ensaísta:
 
«... este é um Pessoa que se reconhece e se descobre. Há um poeta byroniano, mas também um menino que faz cócegas à Teca; há um aluno estrangeirado, mas também um adolescente que colecciona selos; há um empregado da Baixa, mas também um jovem que começa a fumar e percebe que precisa de usar óculos... Descobre-se, porque enquanto Miguel sonha Pessoa, retrata-o e revela espaços, a que a Catarina dá cor, vemos momentos que nunca vimos, lemos diálogos que nunca ouvimos, percorremos ruas onde Pessoa não se fotografou. 
Gosto, por exemplo, do momento em que Sá-Carneiro exclama «viva o paulismo»; em que Ferro diz que Caeiro deve ser um lepidóptero; em que Pessoa se esconde no mercado da Praça da Figueira para escapar a uma sova monumental».

Acrescenta ainda Jerónimo Pizarro:
«Miguel e Catarina conseguiram transformar a vida de Pessoa numa aventura, através de um texto bem informado e de uns desenhos sóbrios, com momentos de uma elegância inegável. Adoro esse Pessoa silencioso, simplesmente a caminhar, a ler, a pensar, a observar, que atravessa o livro em muitas páginas».

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MIGUEL MOREIRA

Síntese biográfica

Miguel Moreira é licenciado em artes plásticas pela Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha e "dedicou-se desde então a conhecer Fernando Pessoa e a sua obra com o propósito de realizar uma banda-desenhada sobre esse desconcertante artista e pensador.
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CATARINA VERDIER

Síntese biográfica

Catarina Verdier frequentou a Escola Secundária de Ensino Artístico António Arroio, em Lisboa, de 1994 a 1997. 
Realizou os seus estudos universitários na Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha entre 1997 e 2003 e colaborou na realização da biografia de Fernando Pessoa em banda-desenhada, como colorista, durante o período de 2004 a 2014.
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(*) http://lmigueldsm.blogspot.com/

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Os visitantes interessados em ver/ler os "posts" relacionados com postagens anteriores do tema "Teaser", poderão fazê-lo, bastando para tal clicar sobre o item Teaser, visível aqui por baixo no rodapé  

terça-feira, agosto 11, 2015

A Vida Oculta de Fernando Pessoa






André Morgado, argumentista/guionista português, e Alexandre Leoni, ilustrador e autor de BD virtual no seu site, travaram conhecimento em 2014 através da internet. O português, admirador confesso de Fernando Pessoa, apresentou ao brasileiro o projecto de realizarem uma novela gráfica dedicada ao celebrado poeta, tão admirado em Portugal como no Brasil.

Inicialmente, Alexandre Leoni, achou que aquela não era a sua praia. Mas, de acordo com a frase criada por Pessoa na actividade de publicitário, na mente do desenhador o projecto "primeiro estranhou-se, depois entranhou-se". E aí esteve a génese de cooperação luso-brasileira dos dois parceiros, que se assumem, segundo palavras de Morgado, "amantes da criatividade e da cultura".

Está, pois, iniciada a tarefa de realizar uma banda desenhada onde se esmiúcem alguns dos aspectos mais ocultos da sua vida, num mundo sobrenatural idealizado pelo novel argumentista/escritor, que cria uma trama ficcional onde Fernando Pessoa surge como membro de uma sociedade secreta que luta para salvaguardar os portugueses de uma catástrofe. A fim de melhor o conseguir, o poeta recorre à sua extensa heteronimia. E daí em diante vê-se envolvido em peripécias que, por agora, apenas são conhecidas pela dupla de autores.

Mas para concretizarem o projecto gráfico-literário de uma obra em banda desenhada com grande envergadura, os dois cúmplices precisariam de verbas que nem um nem outro poderiam disponibilizar. Daí que tenham decidido recorrer ao sistema de crowdfunding.

Os interessados em participar na concretização da obra podem consultar o endereço:

https://www.catarse.me/pt/avidaocultadefernandopessoa

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terça-feira, novembro 20, 2012

Exposições BD avulsas (XXX) - Fernando Pessoa na BD... e não só (XIX)



Fernando Pessoa é uma das grandes referências na poesia de todos os tempos e quadrantes, ombreando com Luís de Camões no prestígio em Portugal e em muitos outros países, nomeadamente Brasil, Espanha, França e Reino Unido.

Não é fácil transpor poesia para a banda desenhada, mas já vários autores o têm feito, entre portugueses e estrangeiros. A acrescentar a estes últimos, surge a espanhola Laura Pérez Vernetti, cuja novela gráfica, Pessoa & CIA, já está editada em Portugal, tendo sido apresentada em Lisboa em duas sessões, a primeira na Livraria Leya na Buchholz, a segunda na própria Casa Fernando Pessoa, ainda em data recente, 18 de Outubro. Nesta última até teve direito a exposição de pranchas, complementada por uma mesa redonda em que participaram António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches e Golghona Anghel, sob moderação de Sara Figueiredo Costa.


Com o apoio do Instituto Camões - Instituto da Cooperação e da Língua - Portugal, acontece - vai acontecer - no Reial Cercle Artistic de Barcelona (C/ Arcs, 5, junto à Catedral) mais uma exposição de várias das melhores pranchas da obra (assim me diz a autora) já na próxima quinta-feira, dia 22 de Novembro, às 19h30.

Para Fernando Pessoa será mais uma merecida homenagem, sendo justo destacar o interesse da catalã Pérez Vernetti, autora de BD e admiradora do poeta português, abarcando nessa admiração alguns dos seus heterónimos, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. 


Post Scriptum - Os meus agradecimentos a Laura Vernetti, pela amabilidade de me ter dado conhecimento deste evento. 

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LAURA PÉREZ VERNETTI


Síntese biográfica

Laura Pérez Vernetti (Barcelona, 1958)

Após licenciar-se em Belas Artes, em Pintura, trabalhou durante dez anos (1981-1991) na revista El Vibora, designadamente nas bandas desenhadas "El Toro Blanco" (1989) com o argumentista Joseph Marie Lo Duca, e "La Trampa" (1990).

Entre as suas obras em BD destacam-se "Las Habitaciones Desmanteladas", (Ediciones De Ponent, 1999); "Macande" (Ikusager, 2000); "Nous Sommes Les Maures" (Éditions Amok, 1998), "11 M, Once Miradas" (2005) e "Sará Servito" (Edicions De Ponent), com Felipe Hernández Cava; "Amores Locos" (Edicions De Ponent, 2005) e "El Brillo Del Gato Negro" (Edicions De Ponent, 2008), com o argumentista Antonio Altarriba, e "Las Mil y Una Noches" (Edicions De Ponent, 2002), de novo com Joseph Marie LoDuca.

É uma das autoras/desenhadoras mais populares e premiadas na Europa.

(Tradução livre de texto englobado no "site" da RTVE, em espaço da responsabilidade de Jesús Jimenez, jornalista da RTVE, especializado em Cultura e, sobretudo, em Banda Desenhada)

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Imagens que ilustram o "post":

1. Cartaz da exposição em Barcelona
2. Capa do álbum em edição portuguesa da ASA
3. Capa do álbum da editora catalã Luces de Gálibo
4. Foto recente da autora ao lado da sua ilustração para a capa do livro


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domingo, outubro 14, 2012

Exposições BD Avulsas (XXVI), Fernando Pessoa na BD... e não só (XVIII)

 

 


Fernando Pessoa talvez nunca se tenha interessado por banda desenhada - ou, como se dizia em tempos anteriores, histórias aos quadradinhos (*).

Mas, em contrapartida, o poeta que se pulverizou em heterónimos é bastante apreciado na BD, tanto por banda-desenhistas portugueses, como também pelos quadrinhistas brasileiros ou por historietistas espanhóis, como é o caso recente de Laura Pérez Vernetti (Barcelona, 1958), autora da obra banda-desenhística Novela Gráfica: Pessoa & Cia.
Neste blogue há exemplos concretos da afirmação acima, quem tiver curiosidade, por exemplo, em ver uma banda desenhada do brasileiro Laerte poderá fazê-lo clicando na etiqueta "Fernando Pessoa na BD", visível no rodapé.

Mas o interesse deste tipo de tratamento em figuração narrativa não se esgota na publicação do livro. Tanto assin que, na 5ª feira, dia 18 deste mês de Outubro, pelas 18h30, inaugurar-se-á uma exposição homónima da recente novela gráfica da autora espanhola, na conceituada Casa Fernando Pessoa, quiçá a primeira vez que a banda desenhada lá entra (antes, o mais aproximado que vi na área expositiva pessoana foram ilustrações vagamente aparentadas com BD, de Richard Câmara).

Igualmente inédito naquela casa, tanto quanto sei, será o facto de a exposição ser complementada pelo lançamento de um álbum de BD (edição portuguesa da Leya/ASA), exactamente a citada "Novela Gráfica: Pessoa & Cia". Haverá também uma mesa redonda, onde participarão António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches e Golghona Anghel, com moderação de Sara Figueiredo Costa.

Imagens que ilustram o blogue:
1. Capa do álbum   
2. Casa Fernando Pessoa
Rua Coelho da Rocha, 16 (Campo de Ourique) - Lisboa
3. Reprodução do Convite para entrada na Casa Fernando Pessoa 

(*) Ainda há hoje quem prefira essa definição, que considero algo redutora, e dificilmente aplicável às bandas desenhadas criadas na modernidade por autores/artistas da craveira de Will Eisner, Frank Miller, Robert Crumb, Art Spiegelman, Hugo Pratt, Moebius, Schuiten e Peters, Marjane Satrapi, Joe Sacco, e tantos outros, que nas suas obras elevam a BD a níveis artísticos e/ou ficcionais que nada têm a ver com muitas das pueris histórias aos quadradinhos.

Informação "a posteriori", em 18 Out. - Fui surpreendido com a presença, na casa Fernando Pessoa, da autora/artista Laura Pérez Vernetti, que esteve presente na mesa redonda, e deu autógrafos (na lista de nomes que me forneceram para este "post", não constava o nome dela). 

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sábado, abril 07, 2012

Fernando Pessoa na BD... e não só (XVII)


Duas Cidades Sete Vidas é o título de uma obra surpreendente e imprevista, em edição de autor - Rui Cabral, de seu nome -, que escreve em textos de tonalidades poéticas e desenha em imagens de delicada linha clara, e que as colore em matizes suaves, num inesperado mas indiscutível registo de banda desenhada. 

Inesperado, repito, porque ao deparar-se-me a peça na estante de uma livraria, editada num formato oblongo, vulgo "formato italiano", e ao observar a capa e o título, julguei tratar-se de um livro de poesia unicamente dedicado a Fernando Pessoa.

Mas não é. Ou melhor: embora quem protagonize a obra sejam gatos - sete vidas são eles que a têm, diz o povo, daí o título -, Fernando Pessoa também está lá, bem presente, a sua imagem surge logo na capa, e perpassa por várias páginas. 




Aliás, por ser lisboeta, nada mais natural que o poeta nos surja em deambulações por Lisboa, rodeado de gatos, que são uma espécie de leit motif da obra, com uma presença permanente desde a primeira à última página.

E talvez por um fenómeno de mimetismo, o próprio Fernando Pessoa surge, momentaneamente, com corpo de gato.



Apercebemo-nos perfeitamente da admiração do artista/autor de BD pelo poeta, o que não o impede de brincar com a imagem, inclusive apresentando a figura inconfundível de Pessoa como código dum sinal de trânsito para passagem de peões (uma liberdade artística, imaginativa e de bom-humor, da parte de Rui Cabral).

E também o coloca numa montra onde se vêem três fotos suas, com dois objectos que claramente o identificam: chapéu e óculos.


E para quem não conheça bem Lisboa, o autor mostra aquela estátua, tão familiar aos lisboetas, em que o escultor pôs o poeta sentado na esplanada da Brasileira, em pleno Chiado, numa eterna imobilidade.

"Duas Cidades Sete Vidas": aí está um álbum que classifico de fanálbum, isto com todo o respeito, porque um fã que edita um álbum, fá-lo por amor e com amor, sem intuitos mercantis, é o que o diferencia de um álbum comercial, com a chancela de uma editora estabelecida no mercado.

Pelo facto de incluir as citadas passagens dedicadas a Fernando Pessoa, lamento até que esta pequena obra não se encontre à venda nos balcões da Fundação Calouste Gulbenkian onde o público tem de se dirigir para adquirir bilhete de entrada na excelente exposição Fernando Pessoa - Plural Como o Universo, patente ao público até 30 de Abril. 

Rui Cabral, arquitecto, na BD não tinha grande visibilidade, mas convém olhar para esta obra iniciante com atenção, e fixar o nome do autor (já havia um de apelido Cabral, o Ricardo, agora passamos a ter também o Rui).

Duas Cidades Sete Vidas
Álbum brochado com as dimensões de 29,5x20,7
Número de páginas: 48 
Tiragem: 50 exemplares (numerados, o meu é o 11/50 )
Data da edição: 2009 (*)
Preço: 29.45€ (*)
Local da edição: Lisboa

(*) Só agora, em Março de 2012, encontrei esta obra, à venda na livraria Pó dos Livros. Pelo preço indicado, acho que era por estarem a fazer descontos. 
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Os visitantes habituais da blogosfera sabem como fazer para os textos ficarem bem legíveis. Mas para quem tem pouca prática, aqui fica uma ajuda: um clique inicial sobre o texto ou sobre a imagem faz a primeira ampliação; a seguir o cursor toma o aspecto de uma lente, e volta-se a clicar. O texto e a imagem ficam bem legíveis (por acaso neste "post" isto só é verdade em relação à tira, a 3ª imagem) .

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