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quarta-feira, junho 29, 2016

Luiz Gê, cartunista e autor de BD




Luiz Gê é um cartunista e autor de BD brasileiro bem conhecido em Portugal. Foi autor convidado do Festival Internacional de Banda Desenhada - AMADORA BD, e teve a curiosidade de participar na Tertúlia BD de Lisboa (ainda no Parque Mayer), pelo que ficámos com uma boa relação pessoal traduzida em ocasional correspondência emailística.

Recentemente, o Luiz Geraldo aka Luiz Gê enviou-me vários cartunes (*) e as bandas desenhadas que ilustram o topo da postagem (aliás, a primeira compõe-se de quatro tiras verticais sem palavras), acompanhada pelo seguinte texto:

Como v sabe, o Brasil está sofrendo um novo tipo de golpe de estado que foi aplicado primeiro em Honduras, depois no Paraguai e, para nossa vergonha, agora é aqui.

Existe muito dinheiro e poder em jogo, e os países ricos, e, em especial, as multinacionais não iriam deixar que o Brasil conseguisse formar um novo bloco econômico como o dos BRICS que estava começando a se desenhar e que ameaçava e se contrapor à sua hegemonia. Mas o campo de petróleo aqui descoberto vale pelo menos um trilhão de dólares e compensa a ninharia que a Secretaria de Estado americano possa vir a gastar para fazer o que fez, desestabilizar, depor e implantar um governo formado por bandidos para que lhes entregue a riqueza que for do seu interesse.

Desde o começo do ano voltei a fazer charges políticas (que não fazia desde o fim da ditadura militar em 84) lutando contra essa violência que mais uma vez se abate contra o Brasil e contra um melhor equilíbrio de forças do mundo inteiro, bem como contra a elevação do nível de vida de um  povo que já muito sofreu sob essa oligarquia truculenta que é a brasileira. Estou mandando algumas charges que fiz desde o acirramento do golpe (que na verdade se desenrola há muito mais tempo) e está sendo concertado pela mídia (dos maiores milionários brasileiros), pela justiça, que sempre foi muito classista, e que é fácil de manipular, pois um pequeno número de seus membros é suficiente para que os juízos sejam dados, e  pelo congresso, que é o pior da nossa história, com mais da metade dos congressistas respondendo a processos, às vezes até por assassinatos (e que foi alçado ao poder também com a ajuda da mídia, é preciso que se diga)!

Espero que v possa ajudar a divulgar em Portugal esse material que foi produzido em um ambiente angustiante e kafkiano, de alguém que vê a nossa jovem democracia mais uma vez sucumbir aos golpes truculentos de uma oligarquia que jamais pensou na construção de um país, mas apenas no vil metal, para o qual desde sempre se vendeu às custas do sofrimento alheio. 

Essa BD fala sobre o poder midiático e a dificuldade que o indivíduo tem, caso pense de forma diferente. Isso é o pano de fundo em que se desenrola todo o episódio do impeachmente/golpe atual. Era muito difícil emitir uma opinião e não ser, imediatamente, escorraçado pelos demais.


(*) Em relação aos cartunes pus o Luiz Gê em contacto com o meu amigo Osvaldo Macedo de Sousa, a fim de lhos fornecer, e o Osvaldo já os divulgou no seu excelente blogue, com o seguinte título:

O GOLPE NO BRASIL PELA PENA SATÍRICA DE LUIZ GÊ

Para ver os cartunes de Luiz Gê clicar no link abaixo e procurar pela postagem de 13 de Junho

http://humorgrafe.blogspot.pt/

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sexta-feira, janeiro 22, 2016

Política e BD - Presidenciais, Uma (Não) Candidatura em BD










Nos dias que vão correndo, no ano de graça (?) de 2016, faz parte da conversa do dia-a-dia da maior parte dos portugueses trocar impressões acerca dos dez candidatos à Presidência da República, sendo também sabido que o nome de Francisco Louçã não se inclui nessa dezena de envolvidos na presente campanha presidencial.

Então por que motivo ele aparece nesta postagem?

É que tinha encontrado recentemente, entre as numerosas publicações pequenas e invulgares que tenho empilhadas num recanto de minha casa, um mini-álbum editado em 2006, dedicado às presidenciais desse ano feito em banda desenhada (e algumas vezes fotografada) pelo prolífico autor de BD Nuno Saraiva (com o apoio no argumento de Jorge Costa e Miguel Reis, nomes desconhecidos na BD).

Resolvi dar-lhe agora visibilidade, porque vem a propósito e a peça merece ser divulgada.

Ora como personagem principal da bd surge Francisco Louçã, excelentemente caricaturizado, a contracenar com os restantes candidatos da altura, numas divertidas peripécias onde o táxi em que estes entram (Louçã, plebeiamente, vai de autocarro) tem a insólita capacidade de retroceder no tempo (talvez respeitando a opinião de alguns taxistas de que o tempo da outra senhora era bem melhor).

Acompanhando a trama na deslocação para tempos anteriores, também este blogue viaja para trás até 2006, onde observa o panorama político em que aparecem como candidatos a PR os seguintes (por ordem alfabética e não por simpatias pessoais): Cavaco Silva, Francisco Louçã, Garcia Pereira, Jerónimo de Sousa, Manuel Alegre e Mário Soares.

Dessa vez foi a 22 de Janeiro de 2006, agora vai ser a 24 de Janeiro. Está nas nossas mãos que a escolha seja melhor...

Mini-álbum com 16 páginas agrafadas, a cores
Formato A5
Neste post: Reprodução da capa e 8 pranchas da banda desenhada
Edição por entidade não indicada [Bloco de Esquerda]


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NUNO SARAIVA  

Síntese biográfica (versão mais completa)

Nuno Jorge de Avelar Teixeira Saraiva, Lisboa, 27 de Agosto de 1969.
Adquiriu formação académica na FBAUL-Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e no IADE-Instituto de Artes Visuais Design e Marketing. 
É professor de Ilustração e BD no AR.CO - Centro de Arte e Comunicação Visual.
A sua vasta produção de banda desenhada está espalhada por fanzines (Banda, Comic Cala-Te, Hips!, Efeméride), revistas (Ego, Cosmopolitan) e jornais (O Fiel Inimigo, depois apenas Inimigo, neste sob o pseudónimo Ketch, Independente, Mundo Universitário).
Parte dessa produção está reunida em álbuns: Filosofia de Ponta, sob argumentos de Júlio Pinto, com três tomos editados; para o mesmo argumentista desenhou "Arnaldo o Pós-cataléptico" e "Guarda Abílio". A fazer duo com Paulo Patrício, este enquanto argumentista, desenhou a série "Escrita Fina", publicda no semanário Expresso entre 2004 e 2005.
A "solo" realizou "Os Dias de Bartolomeu", "Zé Inocêncio", "As Aventuras Extra Ordinárias de um Falo Barato".
Faz parte actualmente do colectivo TLS-The Lisbon Studio, onde tem colaborado no TLS Webmag.
É também importante a sua obra na ilustração, designadamente nos livros, de temáticas diversas, "A Crise Explicada às Crianças - Para Miúdos de Direita e Para Miúdos de Esquerda", sob texto de João Miguel Tavares, "Caríssimas 40 Canções - Sérgio Godinho", e "Isto É Um Assalto", com texto de Francisco Louçã e Mariana Mortágua.
Tem estado presente em diversas exposições de BD e Ilustração, individuais e colectivas.
Em 2006 criou imagens para dezasseis receitas de culinária, usando imagens de carácter erótico com os rostos de actores e actrizes do cinema internacional.

Ainda nesse mesmo ano, e continuando a sua criatividade abrangente, incluindo na componente política, desenhou em dezasseis pranchas a cores o episódio "Uma BD Presidencial - Regresso ao Passado?", para a candidatura a PR de Francisco Louçã. 
Em 2010 foi galardoado com o Prémio Stuart de Desenho de Imprensa, criado por El Corte Inglés e Casa da Imprensa, por uma ilustração sua para a capa do suplemento Ípsilon do jornal Público
Foi o representante de Portugal no 11º Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação - Luanda Cartoon, em Agosto de 2014.
Iniciou em Novembro do mesmo ano a obra em BD "Tudo Isto é Fado", em publicação no semanário Sol - revista/suplemento Tabu - ao ritmo de quatro pranchas por semana, a cores, sendo ele também o argumentista/guionista, sob elementos que lhe foram fornecidos pelo Museu do Fado, responsável pela co-produção. A publicação no semanário terminou em Fevereiro de 2015.

Nesse mesmo ano as bandas desenhadas foram editadas em álbum (tiragem: 2500 exemplares!), numa produção conjunta de Sol/EGEAC - Museu do Fado, e postas à venda a 15 de Dezembro 
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segunda-feira, setembro 07, 2015

Política e BD - Personagens das Aventuras de Tintim na Actualidade Portuguesa







Os heróis das célebres bandas desenhadas da autoria de Hergé foram aproveitadas pela jornalista Ana Sá Lopes de forma bastante criativa num artigo intitulado "Oliveira da Figueira, As Aventuras de Tintim na Política Nacional", que teve publicação no jornal i, de 2 de Setembro 2015.

Com a devida vénia à jornalista e ao jornal, reproduzo na presente postagem as cinco colagens das personagens dos episódios de Tintim a várias personalidades da política portuguesa, com a intromissão entre os políticos de um banqueiro actualmente muito focado pelos média por péssimas razões.

Temos portanto as equipas:

1) Dupond e Dupont & Passos Coelho e Paulo Portas
2) Capitão Haddock & Marinho e Pinto
3) Professor Tournesol & Professor Cavaco Silva
4) Bianca Castafiore & Ana Gomes
5) Serafim Lampião & Marcelo Ribeiro de Sousa
6) Nestor, o mordomo do Capitão Haddock & Durão Barroso
7) Rastapopoulos & Ricardo Salgado

Uma paródia de elevado nível irónico e de agudo sentido humorístico.
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Nota de rodapé

No texto introdutório, Ana Sá Lopes escreve:

"(...) Mas o lado Oliveira da Figueira de Paulo Portas está a ser escurecido nos últimos tempos pelo lado Dupont, os polícias gémeos - e trapalhões - que repetiam quase em simultâneo as mesmas frases. (...)"

Ora a jornalista, neste caso, limitou-se a repetir o que tradicionalmente se diz dos Dupondt.

Mas, contrariando essa habitual ideia, na minha opinião os Dupondt não são gémeos.
Vou reproduzir a argumentação que expus no meu fanzine Efeméride (nº4, Janeiro 2009) dedicado ao tema "Tintim no Século XXI", que foi a seguinte:

"(...) os aparentemente gémeos Dupond e Dupont nem sequer irmãos são. 
Como justificar a afirmativa? Porque as pessoas da mesma família têm apelidos iguais, tão simples quanto isso.
Nesse caso, qual a explicação para a incrível e rigorosa semelhança (excepto, claro, no bigode)?
Mera coincidência física, reforçada pelos fatos iguais - quiçá farda à paisana fornecida pela polícia belga, outra hipótese inédita - ou, em última análise, fruto da liberdade artística em prol do humor. (...)"

Mas reconheço que a ideia feita, habitual, de os Dupondt serem gémeos, deu jeito à jornalista para a comparação com Passos Coelho e Paulo Portas... 
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sexta-feira, abril 24, 2015

25 de Abril na BD








Há já uma razoável bibliografia na área da BD dedicada à data histórica do 25 de Abril e, consequentemente, a figuras de relevo no acontecimento de 1974, na chamada revolução dos Cravos.

O álbum que aqui apresento, intitulado "Salgueiro Maia O Rosto da Liberdade", é um daqueles que se podem considerar imprevisíveis e até difíceis de obter pelos coleccionadores de BD.

Trata-se de um álbum editado em Abril de 1999 pelo semanário regional O Ribatejo (com apoio da Câmara Municipal de Santarém) jornal esse que resolveu comemorar os 25 anos do 25 de Abril, com a história da intervenção dos militares da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandados por Salgueiro Maia.

A acção da banda desenhada, contada por desenhos em estilo realista, acompanhados algumas vezes por imagens fotográficas, tem início em Santarém num café, onde alguns amigos lêem o jornal O Ribatejo, cuja primeira página apresenta o título "Salgueiro Maia vai ter estátua em Santarém".
Um dos presentes,induzido pela notícia, começa a rememorar os acontecimentos, e a partir daí assiste-se, em flashback, à reconstituição desse episódio histórico, desde a saída dos militares de Santarém até à rendição de Marcelo Caetano perante Salgueiro Maia no Quartel do Carmo.

António Martins, autor completo da banda desenhada (argumento e desenho), serviu-se de vários testemunhos de Salgueiro Maia, designadamente do relatório da operação "Fim-Regime", do depoimento recolhido pela investigadora Maria Manuela Cruzeiro para o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, de uma entrevista dada ao jornalista Fernando Assis Pacheco e publicada no semanário O Jornal, e do livro "Alvorada em Abril", de Otelo Saraiva de Carvalho.           

Ficha Técnica
Título: Salgueiro Maia O Rosto da Liberdade
Álbum em formato A4, brochado, 32 páginas a cores (a banda desenhada tem 22 pranchas)
Texto e desenhos de António Martins
Direitos da 1ª Edição reservados por Câmara Municipal de Santarém
Tiragem: Não consta
1ª Edição: Abril 1999 
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ANTÓNIO MARTINS (1949/2012)

Síntese biobibliográfica
António da Silva Antunes Martins nasceu em Tomar, a 2 de Janeiro de 1949.

Possui o curso de Pintura Decorativa da Escola de Artes Decorativas António Arroio (como então se chamava).

Tem obras em banda desenhada publicadas em álbum, sob os títulos:
- Salgueiro Maia, o Rosto da Liberdade  (Abril de 1999)
- A Aventura de Cabral ou A Invenção do Brasil

E em revistas e jornais:
Em 1994 fez BD para a revista mensal Activa, em episódios auto-conclusivos de uma prancha, a cores, durante seis meses;
Em 1998, entre 10 de Junho e 13 de Julho, fez uma banda desenhada em 34 tiras diárias, sob o título "Vacanças", tendo por tema o Campeonato do Mundo de Futebol, realizado esse ano em França, para o jornal 24 Horas.

Tem trabalhado em ilustração para diversas publicações (revistas Visão e Visão Júnior), jornais (A Capital, 24 Horas e Expresso) e livros da Editora Verbo.

Foi homenageado pela Tertúlia BD de Lisboa, no 274º encontro, em 3 de Julho de 2007.

Faleceu em Óbidos, a 3 de Julho de 2012.

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sábado, fevereiro 14, 2015

Exposições BD Avulsas (Reguengos de Monsaraz) - Humberto Delgado


O 50º aniversário da morte do General Humberto Delgado - assassinado pela PIDE, polícia política do regime ditatorial de Salazar, a 13 de Fevereiro de 1965 - está a ser assinalado em Reguengos de Monsaraz com diversas cerimónias, entre as quais uma exposição de BD, aproveitando o facto de já haver obra em figuração narrativa dedicada exactamente à corajosa personagem, intitulada "Humberto Delgado O General Sem Medo", da autoria de José Ruy
A exposição foi inaugurada ontem, dia 13 de Fevereiro, com pranchas da citada obra, montadas em seis painéis temáticos na Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz. e estará patente ao público até 28 do mesmo mês.

E porquê Reguengos de Monsaraz? Porque o General Humberto Delgado, opositor do regime de Salazar, foi assassinado e enterrado por elementos da PIDE num caminho próximo de Villanueva del Fresno (Espanha) a menos de quarenta quilómetros daquela cidade portuguesa situada no Alentejo.

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sexta-feira, maio 02, 2014

Política e BD (VI)







Numa indispensável triagem ao amontoado de jornais que tenho coleccionado, ao longo de dezenas de anos, por terem bandas desenhadas ou simplesmente artigos sobre BD, encontrei um exemplar de O Repórter (nº10 - Março 97) mensário destinado à juventude editado pela Câmara Municipal de Loures.

É o único exemplar que possuo, terá chegado às minhas mãos por mero acaso - sou de Lisboa, e não frequento Loures. Claro que, quando o encontrei, tive a noção de o ter guardado por causa da bd de duas pranchas, impressas a cores, apresentada pelo título de "Última Página".

Contactei um dos seus autores, Diniz Conefrey, que fez os desenhos (não conheço o argumentista, Ricardo Machaqueiro), e fiquei a saber que "Última Página" era o título da rubrica, resultante do facto de, habitualmente, a bd ser reproduzida na última página do jornal, e devido a isso ter apenas uma prancha.

Essa bd - afinal sem título - que se volta a publicar, desta vez no espaço virtual de um blogue, é protagonizada por um jornalista do jornal regional (talvez fictício) Ecos do Trancão. No decurso do seu trabalho, ele entrevista um antigo membro do MUD Juvenil, que recorda os tempos da sua actividade política em Sacavém, tradicional baluarte anti-fascista, na sua opinião. Nessa conversa com o jornalista toma-se conhecimento com várias peripécias de carácter político, caso das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, do acompanhamento do funeral do escritor e militante comunista Soeiro Pereira Gomes, de que as autoridades haviam feito o possível para ocultar a hora, ou da pintura, com nitrato de prata, no Arco do Alviela, da frase "Abaixo o Campo de Concentração do Tarrafal", na véspera da passagem da Volta a Portugal em ciclismo por Santarém.

Trata-se de uma peça de figuração narrativa onde se prova, mais uma vez - contrariando preconceitos erróneos e simplistas - que a BD, além de aventuras de super-heróis e de patos e ratos antropomórficos, também abarca temas de carácter social e político.

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DINIZ CONEFREY

Síntese biográfica

Carlos Diniz Guedes Pacheco Conefrey, 10 de Junho de 1965, Lisboa.

Possui o Curso de Desenho da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

Tem colaboração em BD nos álbuns "Noites de Vidro" - aavv -, edição da Câmara Municipal de Lisboa (1991), "Vida de Preto" - aavv -, edição do Movimento Anti-Racismo, Lisboa (1995), Síndrome de Babel - aavv -, edição da Câmara Municipal da Amadora para o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (1996), "Arquipélagos" - adaptação à BD de obra poética de Herberto Helder, Editora Íman, Lisboa (2001), "O Livro dos Dias: Cochquixtia", Edições Devir, Lisboa (2003), "Os Labirintos da Água" - adaptação de três textos  de Herberto Helder, edição de Quarto de Jade (2013).

De referir o facto de "O Livro dos Dias: Cochquixtia" ter sido produzido com o apoio  de uma Bolsa de Criação Literária do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. 

Diniz Conefrey colaborou na revista Lx Comics (nº2 - Outono 1990) com a banda desenhada e fotografada de seis pranchas, "Avé-Marias - Lisboa a Medley of Colours and Noises", e também nos nºs 3 e 4 - Inverno e Verão de 1991, respectivamente, com episódios intitulados "Histórias de Família". 

Tem feito bandas desenhadas para vários jornais, designadamente "Notas de Um Bibliotecário Sobre a Leitura" (1990), "Saldos", sob argumento de João Barreiros (1991) e "Miragens" (1992), para o semanário Expresso; para o semanário Blitz criou "O Pacífico Bar" (1991), "Ruivo no Desemprego" (1991), "Ruivo - Rendez-Vous" (1992); em colaboração com o jornalista Ricardo Machaqueiro que lhe escrevia os argumentos de carácter político, desenhou alguns episódios de prancha única, por vezes de duas pranchas, para o mensário regional Repórter, editado pela C.M. de Loures em 1997.

Teve a sua fase de faneditor, ao editar os fanzines Ktulu, Aquatarkus e Gasp, nos quais também participou como autor, e colaborou em zines de outros faneditores, nomeadamente nos intitulados Hamburguer, Dossier Top Secret, Eros, Shock, Banda, BD & Roll e Azul BD Três.

Orientou o Curso de Banda Desenhada no Ateliê de Técnicas Narrativas da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, em 1995 e 1998. Colaborou na Ilustração Portuguesa, edição da Bedeteca de Lisboa, de 1998 a 2000 e 2002, e também na revista Biblioteca, nºs 3 e 4, Lisboa, 1999.

Em publicações estrangeiras colaborou no colectivo L'Encre du Polvo, aavv, Ed. Pélure Amère, França, 1994.

Participou na obra "Lissabon, Lisboa, Lisbonne, Lisbon", editada em Portugal mas em língua francesa.

Teve obra de BD sua incluída na exposição colectiva "Perdidos no Oceano", realizada em França pelo Festival International de Bande Dessinée de Angoulême, em 1998.
Colaborou com as revistas mexicanas Textofilia (nº14 - 2007) e Letra en Ruta (nº3 - 2008), publicando bandas desenhadas.

Foi galardoado com o troféu "Zé Pacóvio e Grilinho", atribuído pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, na categoria de Melhor Desenho de Álbum Nacional/2002, prémio recusado pelo autor.  

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sexta-feira, agosto 16, 2013

Política e BD (V)









O assalto ao paquete Santa Maria, levado a efeito pelo Capitão Henrique Galvão, rebelde político e escritor, a 20 de Janeiro de 1961, como forma de insurreição contra a ditadura salazarista, é um facto digno de registo na História de Portugal.


Como se compreende, considerando o rigoroso controlo exercido na época sobre a imprensa e a rádio, o acontecimento foi abafado internamente tanto quanto possível, embora tenha tido relevo mediático no estrangeiro. De tal maneira o assunto teve impacte que vamos encontrar a sua descrição em forma de banda desenhada numa revista mexicana de BD, contemporânea do assalto, intitulada Aventuras de La Vida Real.

O facto teve, com efeito, fortes contornos políticos, negativos para o regime de Salazar, e não podia ter qualquer divulgação mediática, incluindo a figuração narrativa. Aliás, os autores de BD da época não se atreveriam a tratar de assunto tão melindroso, nem as revistas em publicação nessa data - Camarada, Fagulha (estas duas ligadas à Mocidade Portuguesa, organização dependente do regime), Cavaleiro Andante, Zorro, Mundo de Aventuras - teriam a ousadia de tentar publicar uma peça com tais características políticas, sob pena de serem proibidos de o fazer pelo serviço de censura.

Por conseguinte, esta banda desenhada de autor mexicano (não identificado) nunca poderia ter tido publicação em Portugal, embora a revista mexicana apresente na sua ficha técnica a indicação "Revista Aprobada por la Secretaria de Educación Pública". Creio que poucos portugueses dela terão tido conhecimento, eu incluído, que só agora a vi, em e-mail que me foi enviado pelo meu amigo coleccionador Fernando Cardoso.

Aventuras de La Vida Real
"El Buque Rebelde" - Galvao y la Persecución del "Santa Maria"!  
Ano VII - nº81 - 1º de Septiembre de 1962
Revista Mensual
Apartado Postal 6999 - México
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Publicação em formato A4
Edição em policromia
Capa, contracapa e miolo com 32 páginas

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sábado, junho 08, 2013

Política e BD (IV)






Os 7 Magníficos Pretendentes é o título desta improvável publicação, em formato de desdobrável, que inclui uma banda desenhada e um "poster" central de grandes dimensões (formato A2), preenchido por caricaturas, sendo todo este conteúdo de cariz político.

Tal raridade, editada em Lisboa por uma praticamente desconhecida editora, teve por autores Zé Manel, que desenhou, no seu estilo inconfundível, e António Gomes de Almeida, que escreveu o argumento.

Os protagonistas, embora caricaturados, são perfeitamente reconhecíveis por quem esteja acima dos cinquenta anos (ou seja, esta bd é para maiores de 50 :-)
Trata-se de figuras com grande destaque político naqueles anos seguintes ao 25 de Abril de 1974, entre os quais vários militares - generais Ramalho Eanes, Soares Carneiro e Galvão de Melo, brigadeiro Pires Veloso (tio de Rui Veloso), Otelo Saraiva de Carvalho - e alguns políticos ligados a partidos, nomeadamente Álvaro Cunhal (PCP), Carlos Brito (PCP), Freitas do Amaral (CDS) e Sá Carneiro (PPD). 
E pela leitura de sete destes nomes se percebe que o título "Os 7 Magníficos Pretendentes" não era inocente: referia-se exactamente aos sete candidatos que, na época, aspiravam à Presidência da República. 

É por isso que a banda desenhada em três páginas (reproduzidas no topo do presente "post") mostra, em tom de sátira, todas aquelas personalidades a cortejarem uma apetitosa Miss Bethlém, que vive no seu "rancho" cor de rosa, uma metáfora bem evidente.

E no fim, na última vinheta, lá aparece a figura do simbólico Zé Povinho, numa atitude de expectativa, claramente retratada na frase que se pode ler no balão-fala: "Eu, como de costume, fico a ver no que dará esta cowboiada!..."

Trinta e três anos depois da data em que foi concretizada esta bd, a frase do Zé apenas implicaria hoje uma pequena diferença:  em vez de dizer "cowboiada", ele talvez antes dissesse "troikada"...  

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Ficha técnica
Título da publicação/desdobrável: "Os 7 Magníficos Pretendentes"
Capa (reproduzida em último lugar) e três páginas em formato A4 (reproduzidas no topo do "post"), transformadas num desdobrável em formato A2 (visível entre as três páginas da banda desenhada e a capa).
Preço: 25$00 (*)
Data da edição: 7 de Dezembro de 1980
Número único
Editora: Grafitécnica - Lisboa
Distribuição: Agência Portuguesa de Revistas - Rua Saraiva de Carvalho, 207 - Lisboa
(*) Preço apenas compreensível por maiores de 18 anos...
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sábado, fevereiro 25, 2012

Política e BD (III)


Há personalidades políticas que suscitam veementemente a criatividade de autores de banda desenhada e cartunistas, e que os fazem felizes, visto que lhes fornecem motivação frequente.

Nuno Saraiva, autor da bd em duas pranchas que ilustra o presente "post", nela explorou satiricamente uma cena divulgada pela TV, protagonizada pelo então primeiro-ministro José Sócrates. Não foi o único político que caiu sob a ironia e o sentido da oportunidade do ilustrador, o mesmo aconteceu a outros portugueses e também estrangeiros.

Foi  por causa desta estupenda série de BD, intitulada "Na Terra Como no Céu", que durante uns anos comprei o semanário Sol, e sei de mais alguns apreciadores de banda desenhada que igualmente o faziam.

Todavia, por alegadas razões orçamentais, os responsáveis do jornal terão decidido cortar despesas. E foi exactamente esta componente de BD a sacrificada. O que muito lamento.
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("Post" 2 de 7)

Conjunto de 7 postagens, uma por dia, abarcando vários temas, em bandas desenhadas afixadas diariamente, cujo intuito é o de homenagear Nuno Saraiva e a sua notável série de banda desenhada "Na Terra Como no Céu", iniciada a 16 de Setembro de 2006, e que se finou no dia 27 de Janeiro de 2012, após gloriosos anos de publicação contínua no jornal Sol, na sua revista/suplemento Tabu.

Maldita crise! Lastimável critério (?) editorial!
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