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domingo, dezembro 18, 2016

Autores de BD dizem Poesia


O que é que, neste evento, a poesia tem a ver com a banda desenhada?

Uma coisa absolutamente inédita até hoje: autores de BD vão dizer poemas em público.

Que autores? António Jorge Gonçalves, André Carrilho (*) mais conhecido como caricaturista, mas também autor de algumas bandas desenhadas, João Paulo Cotrim (ensaísta e argumentista de BD), e Filipe Homem Fonseca (não é da BD, mas sim argumentista de séries televisivas).

Há que acrescentar um pormenor importante: os diseurs de poesia terão por fundo música de Nuno Reis, estando a apresentação a cargo do host Nuno Miguel Guedes.

Tão surpreendente iniciativa, titulada A Poesia da Banda Desenhada insere-se numa mais ampla realização, o Festival Silêncio e Poetas do Povo.

Para melhor se entender qual a origem deste projecto ligado às palavras escritas e ditas em forma de poesia, que desta vez cconvida banda-desnhistas, reproduzo um excerto do texto de apresentação da revista Cidade Nua Nº1 (Out./Nov.2016), escrito por Alexandre Cortez e Nuno Miguel Guedes:

"(...) E de repente a palavra entrou na cidade./ Foi uma doce invasão, a princípio quase imperceptível. Mas depois, depois. Depois, avassaladora, irreversível, solar. (...)
(...) As sessões regulares de Os Poetas do Povo estiveram na linha da frente dessa serena anexação, convidando e praticando palavras. Ao longo do tempo o Cais do Sodré foi-se tornando porto outra vez, desta vez de poetas e outros navegantes da palavra. (...)"      

Autor do cartaz que ilustra o topo do post:
Alexandre Cortez

Local:
Povo.Lisboa é um restaurante, sito na Rua Nova do Carvalho, nº32, Cais do Sodré, Lisboa

Dia e hora:
19 de Dezembro de 2016, 2ª feira, 22h00 

(*) Informação a posteriori: André Carrilho não pôde participar

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posts anteriores em que a poesia tem ligação à banda desenhada. Os interessados poderão vê-los clicando no respectivo item visível no rodapé  

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Poesia em BD (I)




Na obra "Folhas Caídas" de Almeida Garrett, há uma poesia intitulada "Pescador da Barca Bela" que, quando a li pela primeira vez há umas dezenas de anos, me impressionou muito fortemente. Tanto, que a seleccionei para uma antologia de carácter pessoal e intransmissível.

Até que, num destes dias, quando estava a pôr em ordem a minha fanzineteca - algo desordenada após a exposição no Festival AMADORABD, mais concretamente na Galeria Artur Bual - quando se me deparou o fanzine PQñ? Porque Não? (nº1-Fev.92), onde reencontrei a tal poesia, desta vez ilustrada pela arte da banda desenhada.

Ocorreu-me de imediato passá-la para este blogue, coisa que não me teria sido possível fazer no ano em que comprei o fanzine, porque só passei a ser blóguer (ou bloguista) em Março de 2005, início deste blogue "Divulgando Banda Desenhada".

Teresa Andrade foi a autora da bd quando era uma jovem aluna da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro.
Nunca a conheci, por isso não faço ideia se voltou a fazer banda desenhada, mas nesta transposição de um trecho poético para figuração narrativa demonstrou, em apenas duas pranchas, capacidade gráfica e qualidade estilística.

O fanzine teve coordenação de Francisco Gil, à época professor daquela escola. 

Imagens que ilustram o "post": 

1 e 2 - As duas pranchas de BD com a poesia "Pescador da Barca Bela
3 - Capa do fanzine 

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É fundamental ler-se a poesia. Peço desculpa de lembrar que para aumentar a imagem é necessário clicar uma primeira vez, e após a ampliação inicial clicar de novo sobre a imagem da lente 
 

sexta-feira, setembro 29, 2006

BD portuguesa em revistas não especializadas em BD (XXXIX) - Revista "Textos e Pretextos" - Autor: Ricardo Pires Machado

Prancha inicial da banda desenhada experimental Estilo, pelo traço de Ricardo Pires Machado, sob palavras de Herberto Hélder
"Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. (...) Porque, sabe? acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver?(...)".

E assim vão escorrendo as palavras em atmosfera poética, ou não fossem escritas por Herberto Hélder, desabafo de poeta que o grafista Ricardo Pires Machado interpretou em imagens - num registo que se poderá classificar, ao limite, de banda desenhada -. mas que transporta as vivências do poeta para um plano bidimensional, a que os matizes dão volume.

São surpresas ainda de Primavera e Verão deste ano que já caminha para o ocaso: uma é o número oito da revista Textos e Pretextos, a outra a de incluir BD, a cores, em oito pranchas de grafismo experimental-alternativo, sob a estética sequencial recriada por um novel autor-ilustrador.
Ricardo Pires Machado já tem um percurso visível na Figuração Narrativa, e a sua participação nesta magnífica revista vem expô-lo, e à BD, num universo cultural diferente.