sexta-feira, julho 17, 2015

Lançamento - Shock - Tributo a Estrompa


Shock começou por ser o título de um fanzine marcante no fanzinismo português, e passará a ser, a partir de amanhã, 18 de Julho de 2015, um tributo em forma de livro, publicado sob a chancela da editora independente El Pep, dedicado ao fanzine Shock e a Estrompa, seu mais persistente e talentoso editor.

Neste livro, intitulado Shock-Tributo a Estrompa, colaboram com bandas desenhadas e ilustrações:
António José Lopes, Jorge Coelho, José Lopes, Marco Peixoto, Marcos Farrajota, Outro Nuno, Pepedelrey, Rui Gamito e Rui Lacas.

Pedro Pereira, aka Pepedelrey, conviveu bastante com o Estrompa, tem bem a noção do papel importante que ele desempenhou junto de muitos jovens candidatos a autores de BD, a quem deu conselhos e orientou graficamente, além de lhes facultar a possibilidade de colaborarem no fanzine.

Nota: A imagem no topo do post é a capa do livro, fornecida amavelmente por  www.edicoeselpep.blogspot.pt

Sábado, 18 de Julho, às 18h
El Pep Store & Gallery
Lx Factory
Rua Rodrigues Faria, 103 - Edifício I, Piso 0
Espaço 0.01D.5
Alcântara
Lisboa 

---------------------------------------------------------------
ESTROMPA (1942-2014)
 

Síntese biobibliográfica
(Escrita em 2003, mas com ligeiras alterações e actualizações)



José João Amaral Estrompa nasceu em Lisboa, a 8 de Fevereiro de 1942 (mas parece ter a idade do Tornado, seu herói de estimação, desde que rapou a barba).

Foi aluno da Escola de Artes Decorativas António Arroio, sem ter concluido o respectivo curso. A sua área profissional foi sempre a Publicidade e Artes Gráficas.

Nas revistas de BD Tintin, Mosquito (5ª série), Selecções BD (1ª série), e noutras de diferentes temas, designadamente Pão Comanteiga e DN Semanal, publicou cartunes e bedês cómicas, estas de uma página, com animais de características antropomórficas - "Pink" (um gato) e "Smaile" (um cão que tem um gato amigo chamado "Smool").

Mas a sua maior produção é mesmo nos fanzines, com destaque óbvio para os numerosos episódios da sua série de referência, o "Tornado 1989" - este já com duas merecidas promoções: ao fazer dez anos de existência (1999) teve publicação na revista Selecções BD (2ª série), surgindo posteriormente em álbum editado pela Bedeteca de Lisboa.
Foi de igual modo nos fanzines que, embora de forma esporádica, Estrompa fez viver a comportamentalmente subversiva "Família Darling".
G.Lino
------------------------------------------------------- 

TORNADO 1989 

(O herói predilecto de Estrompa)

Biografia

Sempre com a fusca calibre 69 pronta a entrar em acção, uma beata permanente ao canto da boca, chapéu, gravata amarela sobre camisa de seda azul (apesar de a série sempre ter sido publicada a preto e branco, sabemos que são essas as suas cores, graças às descrições do narrador), mais as suas inseparáveis luvas de genuína pele de porco - tão inseparáveis que nem nas cenas de sexo as tira! -, Tornado 1989 é um dos raros heróis fixos da banda desenhada portuguesa. Com a particularidade de ter nascido e vivido maioritariamente nas páginas dos fanzines - Banda, Comic Cala-te, BD & Roll, Shock, Almada BD Fanzine, CaféNoPark, Seasons of Glass, Boom e Tertúlia BDzine, por onde se espalham duas dezenas de episódios.
O seu aparecimento em Julho de 1999, no nº9 (2ª série) da revista Selecções BD correspondeu à oportunidade de saltar das publicações amadoras para uma profissional. Três anos depois, Tornado voltou a ter a possibilidade de se mostrar em suporte de prestígio, a colecção LX Comics editada pela Bedeteca de Lisboa.

Estrompa, o autor (argumento e desenho) do Tornado 1989, considera-o como que "um cavaleiro andante do asfalto". Ternuras cúmplices de criador... Do que não há dúvidas é que, seja no nome, seja no aspecto físico, ou até no vestuário, ele tem semelhanças com Torpedo 1936, personagem de referência na banda desenhada espanhola, criada pelo traço de Jordi Bernet sob argumento de Enrique Sanchez Abuli. 

Quando Estrompa viu pela primeira vez o Torpedo, em 1985, nos álbuns da entretanto extinta Editorial Futura, apercebeu-se que ele lhe fazia voltar à memória as imagens de alguns dos actores que o tinham impressionado na infância, uns tais Humphrey Bogart, James Cagney, Edward G. Robinson... Daí a criação de Tornado 1989, anti-herói que o autor admite ter desenhado um tanto à maneira de pastiche do Torpedo, embora sejam de sua autoria, enquanto argumentista, as diferentes e muito especiais características de malandro profissional evidentes no Tornado - o qual tem sido um pouco de várias coisas: polícia, mas também ladrão, detective, dono de um bar em Casablanca... - versatilidade que lhe confere uma personalidade desconcertante e muito própria.

Tornado foi criado graficamente em 1989, pormenor em destaque no "nome de guerra" com que se apresenta. Ao longo da sua existência tem-se constatado que ele possui tendências, humorísticas e críticas, diferentes da do respectivo modelo. Os constantes apartes, brejeiros ou sardónicos, que intercalam os diálogos e pensamentos da personagem, bem como os comentários mordazes do narrador, criam à série, por sua vez, uma textura interventiva que rareia nas suas congéneres. 

Aliás, Estrompa, o seu manipulador literário e gráfico, envolve-o nas mais insólitas peripécias, desde obrigá-lo a fazer-se passar por travesti (a "menina" Tornado, no episódio "Torpedo contra Tornado"), a deixá-lo apanhar uma doença venérea (no episódio "Uma História de Cowboys"), até não o poupar a uma cena imprópria para um protótipo de machão latino: a de ser sodomizado por dois ou três "gorilas", às ordens dum mafioso com voz cavernosa e cara de Marlon Brando (episódio "O Padrinho"). Estas e outras situações insólitas conferem-lhe uma dimensão ficcional de grande originalidade no universo da banda desenhada portuguesa, tornando-o num anti-herói exemplar.

Para quem entrar em contacto pela primeira vez com Tornado, há que esclarecer que o seu nome real é Bogarte - para os amigos já foi "Garte", passou depois a ser "Bogey", mas, para as "girls", foi sempre e apenas o "Boga".
Tornado é simples alcunha, criada por ele expressamente para a bófia, mas serve igualmente para os tansos e "nalfabetos", conforme diz no seu português rasca em ocasionais confidências. Quanto à idade, tem a que aparenta: quarenta sombrias "primas-beras" - assim escreve o seu "biógrafo" Estrompa - completadas num qualquer mês do signo de Carneiro; no que se refere ao local de nascimento, os elementos fornecidos na sua apresentação (Banda nº 10, Agosto de 1990) não são minimamente credíveis, visto que mencionam, em simultâneo, dois locais geograficamente bem distantes: Nova Iorque e Casal Ventoso! Será que, afinal, é português de origem, embora naturalizado americano? Com efeito, ele conhece Lisboa, tão bem que até gosta, como diz a certa altura, de "ir beber um uísque com gelo a uma espelunca ali p'rós lados do Parkmayer" (citação textual).

Mesmo a sua divulgada filiação - pai polaco, mãe italiana, emigrantes - poderá ter sido forjada, para despistar a bófia. Onde estará a verdade? Alguma vez se virá a saber? Estrompa & Tornado formam uma dupla muito sabidona, sempre com trunfos escondidos na manga...
Geraldes Lino 
 

quinta-feira, julho 16, 2015

Exposições BD Avulsas - Viriato na Banda Desenhada


Viriato é uma figura de grande prestígio histórico, tendo já dando azo a várias abordagens por autores de BD, que transformaram em arte sequencial episódios da vida do herói lusitano. 

Devido ao fascínio do tema e da personagem, houve uns tantos banda-desenhistas portugueses, e não só, que realizaram episódios em bandas desenhadas. 

São essas bandas desenhadas que, reunidas, constituem a exposição intitulada "Viriato na Banda Desenhada" inaugurada hoje, 16 de Julho, no Espaço Inovinter, na Cidade de Moura.

Autores representados: Artur Correia, Baptista Mendes, Crisóstomo Alberto, Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Garcês, José Ruy, José Salomão, Pedro Castro, Victor Mesquita, portugueses; Chuty e Manuel Gago, espanhóis.

A mostra é uma co-produção da Câmara Municipal de Moura e do Grupo de Intervenção e Criatividade de Viseu-GICAV, com colaboração da Câmara Municipal de Viseu, Junta de Freguesia de Viseu, Instituto Português de Desporto e Juventude e Inovinter - Polo de Moura.

A exposição estará visitável até 2 de Agosto.

Autor do cartaz: José Garcês

----------------------------------------------- 
Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas

quarta-feira, julho 15, 2015

Clube Português de Banda Desenhada - Historial


É provável ter havido visitantes de blogues dedicados à BD, em especial os mais jovens, que ultimamente tenham sentido alguma estupefacção ao lerem textos dedicados a um tal Clube Português de Banda Desenhada - CPBD, ainda para mais apercebendo-se, pelo teor desses textos, que se trata de uma colectividade amadora com longa ligação à BD, mas de que, apesar disso, nunca antes tinham tido conhecimento.

É perfeitamente compreensível que tal aconteça. De facto, apesar de existir desde 1976, o clube teve um longuíssimo período de quase total imobilidade, apenas dando esporádicos sinais de vida através da edição do seu fanzine, o Boletim CPBD (ou Boletim do CPBD, ou Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, títulos pelos quais se tem apresentado).

Com a intenção de dar a conhecer factos assinaláveis de tão invulgar colectividade - única do género em Portugal - com dedicação exclusiva à banda desenhada, divulga-se o seguinte texto:

HISTORIAL DO 
CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

O Clube Português de Banda Desenhada - CPBD foi criado a 28 de Junho de 1976, mercê da iniciativa de quatro coleccionadores e interessados na banda desenhada, na altura cheios de boa vontade e com desejos de completar as suas colecções e, talvez, tentar divulgar a 9ª arte no nosso país. 
A primeira iniciativa era a principal, e as outras vieram por novos conhecimentos que viriam a adquirir e a desenvolver. Depois de uma angariação de sócios, o CPBD veio a deslocar-se a Lucca (cidade italiana onde se realizava todos os anos um Festival de Banda Desenhada), na pessoa de um dos membros do clube e a convite de Vasco Granja, para ali apresentar na forma de diapositivos um estudo sobre a banda desenhada portuguesa. Estávamos no final desse ano.

Uma das principais iniciativas do CPBD e que ainda hoje continua a ser um marco na sua história, foi o de publicar, a partir de Março de 1977, o seu órgão informativo, um fanzine intitulado "Boletim do CPBD" ou "Boletim CPBD" ou "Boletim do Clube Português de Banda Desenhada".  Ao longo dos anos este fanzine viria a lançar nas suas páginas muitos trabalhos de novos desenhadores, sócios ou não do CPBD, interessados em ver as suas histórias de banda desenhada publicadas. Uma pré-selecção de todo esse material permitia que, embora a sua qualidade gráfica não fosse das melhores, a impressão era feita a stencil, pelo menos tentava apresentar o que de melhor era criado pelos jovens autores.

Com o passar dos anos a qualidade gráfica do Boletim foi melhorando, não só acabaria por surgir com algumas páginas a cores, como a qualidade de impressão era melhorada de ano para ano. Também as informações prestadas nesse fanzine, não só através de artigos sobre a 9ª Arte, como de anúncios de sócios que queriam fazer as suas trocas de revistas, eram um modo de comunicação acessível a todos os interessados. Deste modo melhoravam as suas colecções, adquiriam conhecimentos sobre o material que coleccionavam, souberam as datas das revistas, obtiveram conhecimento dos seus suplementos, e a numeração de cada colecção, além de qual o melhor modo de conservar cada revista.

Estudos exaustivos têm sido ali apresentados, como a história da revista O Mosquito, e outros sobre personagens de sucesso na Banda Desenhada, como o caso de Sexton Blake e outros. 
Devido à quotização ser pequena, só foi possível oferecer aos sócios gratuitamente o Boletim a preto e branco. Quando o mesmo foi renovado e melhorou bastante o seu aspecto gráfico, tal tornou-se inviável, até porque alguns sócios não mantinham as suas quotas em dia.

Por esta altura seriam também publicados dois álbuns de banda desenhada com trabalhos de Victor Péon, "O Neto de Cartouche" (1976) e de Eduardo Teixeira Coelho, "O Suave Milagre" (1977) com a chancela do CPBD. Cada um deles teria a numeração do sócio (ou do sócio-fundador) e eram oferecidos.

A 10 de Fevereiro de 1978 e até 19 do mesmo mês, apresentou no antigo edifício da FIL, uma vasta exposição de reprodução de imagens da 9ª Arte, subordinada ao título de "100 Anos de Histórias aos Quadradinhos em Portugal" (Um Panorama da Banda Desenhada portuguesa) e enquadrada na Exposição "FILgráficaFILescola". Esta primeira exposição irá tornar-se itinerante e depois de se ter deslocado ao Funchal/Madeira em Fevereiro de 1979, seria exposta em Aveiro, Viseu, Portalegre e outras cidades de Portugal, nomeadamente Guimarães.

A partir de 17 e até 30 de Abril do mesmo ano, seria criada uma nova exposição intitulada "A Banda Desenhada e a Sua Acção Pedagógica". A respectiva realização teria lugar no edifício da Sociedade Nacional de Belas Artes. 

O CPBD viria a colaborar também numa Exposição de Banda Desenhada, em realização da Secretaria de Estado e Cultura na Galeria de Arte Moderna de Belém em Agosto de 1979. 

Nesta fase de divulgação e expansão do CPBD serão vários os trabalhos solicitados, quer para Liceus (onde efectuou exposições) quer como júri de alguns concursos de banda desenhada a nível nacional, inclusive os "VídeOsDitos", patrocinado pela TV.

A 20 de Julho de 1980 inicia uma colaboração frutuosa com o jornal Correio da Manhã, que se manteria activa durante dezoito anos, através da publicação semanal nas suas páginas do suplemento "Correio da Banda Desenhada", onde, além de notícias do que se passava no mundo da banda desenhada, passariam a ser entrevistados muitos dos desenhadores portugueses que, até aí, eram quase uns ilustres desconhecidos.
Ainda em finais de 1980 realizará uma mini-exposição sobre a figura de Camões na Banda Desenhada, na antiga FIL. Também o jornal O País oferece as suas páginas ao CPBD a partir de Junho de 1981, para a publicação de um suplemento intitulado "O País Jovem na Banda Desenhada", mais tarde simplificado para "Banda Desenhada", que durou até ao fecho do jornal.

Mas o maior salto qualitativo nas actividades do CPBD será a criação do "I Festival de Banda Desenhada de Lisboa", igualmente realizado na FIL, durante a exposição "Nauticampo" em Março de 1982. Seguir-se-ão os II (1983) no mesmo local, tendo este a particularidade de pela primeira vez terem sido criados os prémios "O Mosquito", que irão distinguir as individualidades de maior destaque no campo da Banda Desenhada, o III (1984) e o IV (1985). Em 1985 numa ligação com o antigo FAOJ (mais tarde Instituto da Juventude), foram instituídos Concursos Nacionais de Banda Desenhada com prémios pecuniários.
Este seria outro ano em que o CPBD colaboraria em várias exposições, uma delas no Palácio Foz. No ano seguinte, 1986, será também na Feira Popular de Lisboa que se realizará uma exposição e venda de banda desenhada.

A colaboração do CPBD em jornais estendeu-se ao Diário Popular onde, em 21 de Setembro de 1985, apareceu o suplemento "Tablóide", que durou um ano. Seria substituído a partir de 25 de Setembro de 1993 por uma coluna da 9ª Arte, que se transformará mais tarde numa página e em várias ao longo dos anos, inclusive colaborando no seu suplemento "Pimba", com três a quatro artigos semanais. Tal colaboração manter-se-ia durante cinco anos, até ao desaparecimento do jornal e do seu suplemento.

Os festivais continuarão todos os anos ainda na FIL (1986), até que durante o VI (1987), deixou de haver a possibilidade de continuarmos nesse espaço e o Fórum Picoas cedeu-nos as suas instalações, para em Dezembro de 1987 (18 a 27) ali realizarmos o acontecimento. 
Neste festival seria criada pela primeira vez mais um prémio, a "Vinheta", que premiava fanzines.
Todos os anos o CPBD continuou a organizar concursos de banda desenhada. O VIII Festival (Dez. 1989) será levado a efeito neste ano nas instalações da Rádio Renascença/Espaço Poligrupo. O IX (17 a 23 Fev. 1990) será realizado de novo no Fórum Picoas. A partir do X Festival (20 a 26 Nov. 1991) até ao XV (4 a 7 Set. 1996) e último, passarão a ser realizados nas instalações do Palácio da Independência. 

Em Abril de 1992 o CPBD realiza uma exposição de banda desenhada na Câmara Municipal de Lisboa (Praça do Município) sobre novos desenhadores portugueses.

Entretanto serão também realizadas feiras de fanzines na Estufa Fria, num total de três, ao longo dos anos. 

O Jornal da BD durante um ano teve também uma página com a colaboração do CPBD. 

 


















Em 1994 realiza-se de novo um evento na Feira Popular, o "2º Salão de Banda Desenhada".

A finalizar este longo período de grande actividade, o CPBD editou ainda mais duas brochuras, uma com as aventuras de "Quim e Manecas" (1988) de Stuart, e outra com a história de "34 Macacos e Eu" de Fernando Bento.

A partir de 1996 a inércia acompanha as actividades do CPBD, resultando unicamente na continuação da publicação do seu "Boletim", o fanzine mais antigo que se publica em Portugal.

Encontram-se agora reunidas as condições para ultrapassar esta situação e tentar encontrar novos sócios que acreditem neste projecto, para no futuro serem planeadas novas iniciativas, mais ou menos ambiciosas, para a sua continuidade como entidade acreditada na divulgação da banda desenhada, quer portuguesa quer estrangeira. 

(Texto do CPBD)            

-----------------------------------------------------------
Quem quiser ver postagens anteriores dedicadas ao Clube Português de Banda Desenhada poderá fazê-lo clicando no respectivo item visível em rodapé 

domingo, julho 12, 2015

Mesa redonda - Portugal 2055 e Alterações Climáticas em BD


Alterações climáticas tratadas em BD é do que trata a obra recentemente editada no corrente ano de 2015 sob o título  "Portugal 2055".

Claro que um tema tão grave e actual, para além da sua análise em banda desenhada, merece ser esmiuçado e complementado com uma discussão aprofundada ao vivo, sem perder de vista os pontos tratados no livro de BD.

Interessa saber quem foram os autores que se envolveram na iniciativa: Bruno Pinto, o autor de todos os argumentos transformados em imagens sequenciais pelos seguintes grafistas: Fil (Luís Filipe Lopes) e Raquel Rodrigues, Rui Alex, Carla Rodrigues, Xico Santos, Susa Monteiro, Miguel Santos e Sofia Pereira, Penim Loureiro, César Évora, Filipe Duarte Gonçalves, Nuno Rodrigues.

Quanto à mesa redonda sobre tão candente tema promete ser bem animada, com a participação de:
- Bruno Pinto (Autor do argumento/Museu Nacional de História Natural e da Ciência);
- Filipe Lopes (Ilustrador/Museu Nacional de História Natural e da Ciência);
- Penim Loureiro (Ilustrador)

Estarão também presentes:
- Pedro Araújo e Tetyana Chkyrya (Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa), ilustradores científicos;
- Cheila Almeida, investigadora.

O evento está marcado para o próximo dia 14 de Julho, 3ª Feira, pelas 19h00, no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa (Campo Grande, 382).
 
-------------------------------------------------------  
Os interessados em ler textos anteriores da rubrica Mesas Redondas podem fazê-lo clicando nesse item visível em rodapé.

sexta-feira, julho 10, 2015

Exposições BD Avulsas - Exposição Ai-Ai nº 1






No editorial do Nº0 da revista independente (ou talvez prozine) Ai-Ai, entre outras palavras podiam ler-se as seguintes:

"(...) Ai-Ai pretende hoje encontrar um lugar em qualquer gruta, passagem, túnel ou galeria subterrânea, no labiríntico esquema editorial português. Para materializar alguma da oferta nacional da 9ª Arte, indo ao encontro de uma procura que acreditamos exigente e expectante em relação à produção conterrânea, Ai-Ai espera não contrair vícios redutores que ponham em causa a saúde da sua não-causa. Para tal, vai trabalhar para Adquirir Imuno-Eficiência Editorial, (A.I.E.E.)
Imunidade: 
- a críticas não construtivas e mal nutridas;
- a todo o tipo de coacção ao seu conselho editorial;
- às vicissitudes de produção.
- Eficiência na divulgação, promoção, dinamização e manutenção da banda desenhada em Portugal. (...)".

Foi isto escrito em 1995 (o ano da edição da revista apenas se descobre sob a assinatura de uma bd de Jorge Mateus), estão, pois, decorridos vinte anos.

E após este longo período de silêncio, eis que surge esta semana a inesperada notícia: Vai ser lançado o Nº1 de Ai-Ai no próximo Sábado, dia 11 de Julho, porque, dizem os seus editores/colaboradores, foi esta a data do lançamento em 1995 do Nº0.

Tomo a liberdade de reproduzir dois excertos do texto divulgado para a imprensa e blogosfera:

"A 11 de Julho de 1995 saía o número zero do Ai Ai. Uma revista alternativa de banda desenhada, feita por jovens autores então desconhecidos e que hoje compõem a mais internacional geração da ilustração portuguesa. No próximo sábado, precisamente vinte anos depois, publica-se o número um. «Somos a única revista bidecadal do mundo», diz André Carrilho, diretor da nova edição. "

"(...) Não foi preciso periodicidade para os jornais da época perceberem que algo de extraordinariamente novo tinha aparecido. O Expresso chamou-lhe «a voz da banda desenhada portuguesa» ainda em 1995. O Público disse que era «a mais audaciosa iniciativa editorial dos últimos anos». O Diário de Notícias tratou de organizar uma parceria, através do suplemento DN Jovem, para captar e difundir novos talentos da nona arte. Mas era com o falecido O Independente – onde o diretor de Arte, Jorge Silva, estava a fazer uma aposta forte na ilustração, que depois transportaria para o Público – que o Ai Ai seria encartado. (...)"

Os entusiastas da BD também apreciaram a novidade, e ficaram à espera da continuidade da publicação, que trazia umas tantas bandas desenhadas da autoria de alguns autores que, à época, já tinham ganho suficiente prestígio entre os especialistas: Ketch (Nuno Saraiva), João Fonte Santa, Pedro Burgos, Luís Lázaro, André Carrilho, Fernando Martins, Filipe Abranches, além de textos escritos por Rui Zink e JPSimões.
Mas, como diz o povo, podiam esperar sentados, Ai-Ai ficou-se por aquele número zero. Até que...

"(...) Passaram 20 anos e no próximo sábado, novamente o dia 11 de Julho, o Ai Ai volta a respirar. Um encontro entre Rui Lourenço, Luís Lázaro e André Carrilho foi o ponto de partida. «Pensámos fazer uma exposição com o trabalho destes autores todos para celebrarmos a efeméride», conta Rui. «Mas depois as coisas começaram a crescer.» Lourenço, que no final do ano passado tinha aberto a galeria PasseVite no bairro lisboeta dos Anjos, tinha o espaço certo para matar saudades daqueles desenhos. E então Carrilho lançou um repto: «E se juntássemos esta malta toda para lançar o número um?» (...)"

Por conseguinte, repetindo o que já ficou dito no início, amanhã, Sábado, dia 11 de Julho de 2015, vai com certeza haver enchente na tal galeria PasseVite, para ver a exposição com as pranchas das bandas desenhadas que preencherão este bem-vindo Número Um de Ai-Ai

E então quando teremos o Número Dois? André Carrilho, director deste nº1, esclarece: "Em 2035 cá estaremos outra vez". 

A exposição Ai Ai – Número Um estará patente ao público na Galeria PasseVite (Rua Maria da Fonte, 54-A), em Lisboa, de 11 a 30 de Julho.

A inauguração no dia 11 vai durar das 19h às 22h, porque a partir das 20h serão projectados os filmes de animação "Jantar em Lisboa", de André Carrilho, e "Pássaros", de Filipe Abranches (adaptação para cinema da bd publicada no nº0 de Ai-Ai). 

Correcção a posteriori: Não foram projectados os filmes, o que acontecerá em data a anunciar.     
  
----------------------------------------------------
Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores poderão fazê-lo clicando no item "Exposições BD Avulsas"

quarta-feira, julho 08, 2015

Improvisos na Toalha de Mesa


Podem alguns visitantes deste blogue achar estranho que, desta vez, apenas apareçam três desenhos improvisados na toalha de mesa (da autoria de André Pereira, Dileydi Florez e Pedro Correia, de cima para baixo). 

Tenho duas razões. A primeira é a seguinte: já possuo uma colecção bem volumosa deste tipo de ilustrações traçadas por autores de banda desenhada, presentes na Tertúlia BD de Lisboa, em especial, mas também no Festival BD de Beja.
E decidi, de agora em diante, em qualquer desses dois locais, apenas aproveitar desenhos de autores dos quais ainda não tenha nenhum.

A segunda razão tem a ver com o facto de eu ter transmitido, não intencionalmente, o vírus a vários amigos bedéfilos, um dos quais, João Vidigal,  assíduo participante na citada tertúlia, já se tornou um compulsivo coleccionador destes improvisos. 
 
Aliás, a propósito deste tipo de coleccionismo escrevi um artigo, publicado no Splaft! Caderno da Bedeteca de Beja (nº11, Maio de 2015), que reproduzo em seguida.

.......................................................................
Improvisos na Toalha de Mesa
Geraldes Lino
Militante da BD e dos Fanzines

Desenhar numa toalha de mesa o que lhes vem à cabeça é uma incontrolável pulsão que domina a maioria dos ilustradores/autores de BD enquanto esperam pela refeição ou mesmo depois de a terminarem.
Há bastantes anos que venho aproveitando os resultados gráficos dessas pulsões, em grande parte nos encontros mensais da Tertúlia BD de Lisboa, mas também no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, cujas características espaciais facilitam uma fácil relação convivial com autores de BD portugueses e estrangeiros, que se prolonga nos repastos.
Tanto num como noutro evento, a recolha dos desenhos improvisados nunca obedeceu a rigoroso critério selectivo. Duma maneira geral, este colector rasga todos os pedaços de toalha de papel que ficaram rabiscados. 
A presente exposição (*) é sintomática dessa abrangência, onde tanto se incluem desenhos algo rebuscados, até coloridos, como aqueles essencialmente espontâneos, por vezes traçados entre nódoas de gordura, vinho ou café.
Obviamente que na minha colecção, a maioria dos rabiscos é da autoria de ilustradores/autores de BD portugueses. Mas nela coexistem uns tantos de autores estrangeiros que, em alguns casos, se mostram surpreendidos com tão inusitado coleccionismo. Talvez até pensem que eles vão formar um acervo escondido ciosamente, o que não tem sido o caso.
Com efeito, entre 2000 e 2002 editei três números de um fanzine em modo de slimzine, formato A7, com o qual iniciei o título "Improvisos na Toalha de Mesa", preenchido com os desenhos mais pequenos e até com bandas desenhadas curtas realizadas em dimensões reduzidas.
Posteriormente, querendo dar aos novos improvisos alguma visibilidade pública, e assim compensar os seus autores, decidi afixá-los regularmente no meu blogue Divulgando Banda Desenhada (http://divulgandobd.blogspot.pt) numa rubrica homónima, em postagem inicial datada de 6 de Outubro de 2010.
E por fim - last but not the least - ocorreu-me sugerir a Paulo Monteiro, enquanto director do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, a hipótese de organizar na edição de 2015 daquele evento uma exposição, também sob o mesmo título, com parte desses improvisos, ideia que ele aceitou de imediato.
Numa descomprometida triagem, foram aproveitados desenhos da autoria de (por ordem alfabética) Ana Oliveira, André Caetano, André Oliveira, Andreia Rechena, Berberian, Bruno Ma, Bruno Silva, Carlos Faria, Carnot Júnior, Casimiro, Daniel Maia, David Rubin, Diogo Carvalho, Filipe Duarte, Fritz, Hugo Teixeira, Joana Afonso, Joana Morgado, João Ataíde, João Mascarenhas, João Sequeira, João Tércio, Jorge Coelho, Jorge Machado-Dias, José Maria Pimentel, José Smith Vargas, Klévisson Viana, Laerte, Laudo Ferreira, Lindomar, Marta Patalão, Miguel Falcato, Miguel Gabriel, Miguel Santos, Outro Nuno, Pedro Alves, Pedro Brito, Pedro Cruz, Pedro Manaças, Pedro Morais, Pedro Potier, Pedro Ribeiro Ferreira, Pepedelrey, Relvas, Ricardo Saúde, Ricardo Venâncio, Rossi, Rui Batalha, Rui Gamito, Sara Patalão, Shuang, Tché Gourgel, Tiago Ribeiro, Tommi Musturi, Véte e Victor Jesus.
Assim, por três distintas formas, as despretensiosas imagens esboçadas num frágil e improvável suporte, destinadas fatalmente a irem quase todas para o cesto dos papeis de vários restaurantes, em Lisboa e Beja, acabaram por ter três vezes imprevista repercussão pública.


(*) A citada exposição fez parte do XI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, realizado entre 29 de Maio e 14 de Junho de 2015.
---------------------------------------------------      
Para o caso de alguém querer ver outras ilustrações improvisadas reproduzidas nas postagens anteriores, poderá fazê-lo clicando sobre o item Improvisos na Toalha de Mesa visível no rodapé  

segunda-feira, julho 06, 2015

Tertúlia BD de Lisboa - 373º Encontro - Julho 2015





Faz parte do roteiro mensal de dezenas de entusiastas da banda desenhada a ida à Tertúlia BD de Lisboa.

Sempre na primeira 3ª feira de cada mês, isto há trinta anos!, realiza-se este encontro de gente da BD - desenhadores, argumentistas/guionistas, editores, investigadores, críticos, bloguistas, divulgadores, fanzinistas, livreiros/alfarrabistas, coleccionadores.

A partir das 20h00, com fecho às 23h00, a TBDL estará mais uma vez na Casa do Alentejo, com entrada livre para os bedéfilos de todos os quadrantes do país, que terão ocasião de ficar a conhecer melhor o Convidado Especial da TBDL, André Pereira (de que se pode apreciar o estilo na prancha que ilustra o topo do post.
-------------------------------------------------------- 

ANDRÉ PEREIRA aka "Robot Independente"

Síntese biográfica


Luís André Torres Pereira

Nasceu a 8 de Março de 1987, em Coimbra, mas viveu até aos 18 anos na Figueira da Foz. Actualmente reside em Lisboa. 

É arquitecto por formação, trabalha como ilustrador e autor de BD.

Inaugurou-se no circuito de BD independente com o fanzine Enjoo de Invocação.


É membro fundador da editora de zines Clube do Inferno.


Trabalha frequentemente com as editoras Kingpin Books e Chili Com Carne.


Foi um dos seleccionados para a antologia š! #20, da KUŠ, onde foram publicados exclusivamente autores portugueses.


Vencedor do prémio “Melhor Álbum de BD Português numa Língua Estrangeira” no Festival AmadoraBD de 2014 com o livro Safe Place.


Alguns títulos em que participou:

QCDI #3000 (Chili Com Carne & Clube do Inferno; 2015)

Freak Scene #2 (Clube do Inferno; 2015)

š! #20 (KUŠ, 2015)

Safe Place (Kingpin Books, 2014)

Freak Scene #1 (Clube do Inferno, 2014)

Fanzine Efeméride #6 (Parte 1 de 4) - Out. 2013 


QCDA #1000 (Chili Com Carne, 2013)

Super Pig: O Impaciente Inglês (Kingpin Books, 2013)

9:2:5 (Clube do Inferno, 2013)

Inner Math/Megafauna (Clube do Inferno, 2012)

Enjoo de Invocação (Clube do Inferno, 2012)
 

Em breve:

Ground Zero #1

Funnie Animals #1


É o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa em Julho de 2015. 

A imagem que ilustra a síntese biográfica é a auto-caricatura de André Pereira.


Contactos:

Facebook: facebook.com/RobotIndependente
Tumblr: robot-independente.tumblr.com
Instagram: instagram.com/indie_mecha

Portfolio: cargocollective.com/robot-independente



----------------------------------------------------------------
Lista de participantes fornecida por Álvaro - elemento do quarteto [fantástico] que desde Julho de 2013 dirige a TBDL - aqui acrescentada "a posteriori" 

1. Álvaro
2. Ana Saúde
3. André Pereira
4. António Isidro
5. Carlos Gonçalves
6. Célsia Alves
7. Dileydi Florez
8. Dolores Abreu
9. Falcato
10. Filipe Duarte
11. Gabriel Martins
12. Geraldes Lino
13. Helder Jotta
14. Hugo Tiago
15. Inês Ramos
16.João Paulo Sá-Chaves
17. Moreno
18. Nuno Lages
19. Paulo Costa
20. Pedro Correia
21. Pedro Sobral
22. Pedro Vieira
23. Policarpo
24. Rui Domingues
25. Sérgio Santos
26. Simões dos Santos
27. Victor Jesus
28. Vidigal
----------------------------------------------------------------

Os visitantes interessados em ver as anteriores postagens deste tema poderão fazê-lo clicando no item Tertúlia BD de Lisboa incluído em rodapé