Bastante invulgar é o mínimo que se pode dizer acerca do local de uma exposição que se inaugura amanhã, Sábado, dia 17 de Outubro: Corpo Cilíndrico nas Chegadas do Aeroporto de Lisboa. (*) (A expo estará montada ainda no dia 18, Domingo, pelas 11h30).
Vista parcial da exposição de BD montada na área das chegadas do Aeroporto de Lisboa
Bem, o título da mostra também sai bastante do habitual, e que é o seguinte: "Malas & Amadeusa - Atitude".
Quanto à entidade organizadora igualmente surpreende nesta área de eventos centrados na BD: trata-se do Sitava - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos.
E afinal, o que é que vai constituir a exposição? Pranchas de banda desenhada e cartunes do autor de BD, e também cartunista, Carlos Rocha, autor de todas as imagens que ilustram a presente postagem. Além disso, poder-se-ão visionar exemplares do boletim do Sitava, o SOS-Handling.
Haverá também o lançamento do álbum "Malas e Amadeusa - Atitude", complementado com sessão de autógrafos por Carlos Rocha.
Carlos Rocha a autografar o álbum (foto colocada aqui "a posteriori")
O álbum compõe-se de bedês e cartunes, com realização gráfica de Carlos Rocha sob argumentos de activistas do Sitava, que tiveram pré-publicação no citado boletim, entre Fevereiro de 2014 e Julho de 2015.
(*) O local da expo é original, mas a sua escolha foi forçada e de última hora: de facto, estava previsto que fosse montada dentro da Aerogare do Aeroporto de Lisboa. Todavia, por imposição imprevista da ANA-Aeroportos, a expo teve de ser deslocada para um local público, na zona de chegadas, junto à entrada do Metro.
De qualquer forma, a expo estará montada no mesmo local ainda no dia 18, Domingo, entre as 11h30 e as 17h00.
Ficha técnica
Malas & Amadeusa - Atitude
Tipo de encadernação: Brochado, capa com badanas
Dimensões: 17,5x24,5
Nº de páginas: 54
Tiragem: 1000 exemplares
Distribuição gratuita aos associados do Sitava
Editor: Sitava - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos
Setembro de 2015
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CARLOS ROCHA
Biobibliografia
Carlos de Sousa Rocha, Moçâmedes (actual Namibe), Angola, 2 de Agosto de 1974.
Veio
para Portugal com um ano de idade. Residiu durante alguns anos em Olhão, onde completou o 9ºAno.
Mudou-se em 2014 em Faro.
As suas primeiras bandas desenhadas tiveram publicação em meados dos anos 90 no jornal Algarve Região, tendo igualmente colaborado em fanzines, designadamente Bedelho Fanzine, Boom!!!, Cincinato, Terminal, Tertúlia BDzine e Efeméride.
Participou em vários concursos de BD organizados pela Junta de Freguesia de Olhão, tendo obtido um 1º prémio.
No semanário Mundo Universitário foi publicada uma banda desenhada de prancha única, a cores, em 1996.
Em Setembro de 2004 teve um momento de reconhecimento público: foi o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa.
Em 2006 colaborou com o Centre de Recherches de Toulouse (França), com ilustrações de temática etnográfica.
Nesse mesmo ano foi-lhe publicada em álbum a banda desenhada "O Passeio de Inês", sob
argumento de José Carmo e colorização de Hugo Vedes, obra concebida pela Escola Segura da PSP de
Faro com a finalidade de divulgar a prevenção rodoviária, e destinada a ser distribuída gratuitamente pelas escolas dos 1º e
2º ciclos do Algarve.
Em 2009 a Bedeteca de Beja editou-lhe,na colecção Toupeira, a obra "O Maior de Todos os Tesouros" (16 pranchas a p/b).
Em
2012 iniciou colaboração com a argumentista Aida Teixeira, fazendo a bd
"O Rato Miguel", e em 2013, a mesma dupla realizou a obra de BD infantil
"Vamos Aprender - A Moral da História, publicada em álbum.
Carlos Rocha e Aida Teixeira, com o apoio da colorista Rá Taniças concretizaram, em
Fevereiro de 2015, mais uma banda desenhada para a infância, "O Espirro
do Dragão".
Ainda em Maio deste mesmo ano foi editado o fanzine Efeméride
(nº6 - Parte 3 de 4), dedicado ao tema "Heróis de BD no Século XXI", em
que Rocha executou uma bd de prancha única, a cores, com uma versão
muito pessoal, em registo humorístico, do super-herói Thor.
Está actualmente (2015) a realizar "A Ilha dos Ogres", obra de grande fôlego que irá ter 44 pranchas a cores, de que já tem 32 concluídas
Tem tido colaboração regular no Boletim SOS handling, desde o nº1 (10 Fev. 2014) editado pelo Sitava - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, cujas bandas desenhadas e cartunes foram agora compiladas no álbum "Malas & Amadeusa - Atitude.
(2ª versão actualizada da biobibliografia)
Geraldes Lino
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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições e lançamentos anteriores poderão fazê-lo clicando nos itens Exposições BD Avulsas e Lançamentos
Mais um comic jam levado a efeito na Tertúlia BD de Lisboa, desta vez com a participação dos seguintes autores de BD/Ilustradores:
1 - Mosi (*) -------------------- 2 - Mariana Serra
3 - Paula Isabel ------------- 4 - Falcato
5 - Filipe Duarte ----------- 6 - Marta Patalão ----------------------------------------
Os
visitantes interessados em verem os "posts" anteriores que contêm todos
os
"comic jam" realizados na Tertúlia BD de Lisboa, mas também os que foram desenhados nos eventos AMADORABD e ANICOMICS, poderão fazê-lo com
um
simples clique no item Comic Jam visível aqui por baixo no rodapé.
Em 2015 passaram-se setenta anos - uma conta redonda - sobre o fim da II Guerra Mundial (1939-1945).
Pela parte de entidades oficiais ou privadas, não me apercebi que tenha havido em Portugal eventos dedicados a comemorar, através da BD, o fim desse flagelo bélico, ao contrário do que aconteceu em 1995, quando se comemoravam cinquenta anos após o fim desse conflito mundial, numa exposição de banda desenhada comissariada por mim - em representação do Clube Português de Banda Desenhada - na Biblioteca-Museu República e Resistência.
Ocorreu-me recuperar esse meu trabalho pelo facto de ter presenciado ontem, na Bedeteca da Amadora, uma exposição centrada na
I Guerra Mundial, com bandas desenhadas da autoria de Jacques Tardi e de Stuart Carvalhais, autores de BD representando dois dos países que participaram na contenda, França e Portugal.
Sem pôr em causa a qualidade da exposição bi-partida de que falei aqui no blogue (duas postagens antes), questiono a pertinência da comemoração, sendo que o normal é tal acontecer em anos redondos passados sobre o princípio ou o fim do acontecimento.
Ora se a I Guerra Mundial teve lugar entre 1914 e 1918, e a seguinte aconteceu nos anos que decorreram de 1939 a 1945, justificar-se-ia que se desse preferência a este último acontecimento bélico para tema da citada exposição, visto no presente ano perfazer uma conta redonda o seu final.
Nota: As imagens que ilustram a postagem são algumas das que constaram no catálogo da exposição "A II Guerra Mundial na Banda Desenhada", editado em 1995.
Reprodução das respectivas legendas:
1 - "Siegfried Negro em Terra Branca", por Diniz Conefrey
2 - "Führer", de Luís Louro (desenho) e António (Tozé) Simões (arg.)
3 - "Passagem por Lisboa", em desenhos de Paulo Silva, com base num argumento de Eduardo Geada, em texto final de Paulo Pereira
4,5,6 -
- Conversas de guerra em "120, Rue de la Gare", de Tardi
- Charles Chaplin no filme "O Ditador", visto por José Ruy
- Hitler visto por Frank Bellamy
7 - Quando o Super-Homem entrou na guerra
8 - Nada melhor que o Capitão América para assustar Hitler
9,10 -
- "Maus", tremenda visão de guerra, pelo artista de origem judaica Art Spiegelman.
- Pormenor da obra biográfica "Jorge Dimitrov, herói internacionalista, da autoria de José Ruy
11 - Imagem realista da guerra, pelo talento gráfico de Russ Heath
12 - Contracapa com reprodução de pormenor da obra "La Bête est Morte! - La Guerre Mondiale Chez Les Animaux", por Calvo (Edmond-François Calvo), desenhos, e Dancette (Victor Dancette), argumento
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Reproduzo (parcialmente) o texto do catálogo:
"(...) Amiudadas vezes [a BD] procura e atinge finalidades culturais, retratando os ridículos humanos ou explorando a crítica social. E, graças à riqueza da expressividade que lhe é permitida pela associação do binómio texto/imagem, tem adaptado à sua linguagem importantes obras de teatro, de ópera (ou teatro lírico), de cinema, de literatura.
Alguns dos seus autores, mais atentos e oportunos, têm aproveitado para tema factos da História da Humanidade, tanto nos seus aspectos de projecção individual, como nas suas maravilhosas sagas ou impressionantes tragédias. E nesses factos inserem-se os grandes conflitos bélicos.
Com efeito, as peripécias militares, terrestres, aéreas e marítimas, deram azo a inúmeras obras. Algumas delas atingiram superior qualidade estética e literária, quer em registo realista quer ficcional, destacando-se "Maus" (de Art Spiegelman) e "La Bête est Mort (de Calvo), duas extraordinárias alegorias em estilo animalista; "High Commands" (de Frank Bellamy), "Terry e os Piratas", (de Milton Caniff), "Os Escorpiões do Deserto" (de Hugo Pratt), "Ernie Pike" (também de Hugo Pratt, mas só no desenho, e Hector Oesterheld, autor do argumento), "Buz Sawyer" (de Roy Crane). Ou, em estilo mais popular, "Sgt. Fury" (de Jack Kirby, desenhador, e Stan Lee, argumentista), "Sgt. Rock"(de Ross Andru, Mike Esposito, Joe Kubert e outros), "Buck Danny" (de Victor Hubinon, desenhador, e Jean-Michel Charlier, argumentista), não sendo possível esquecer o "nosso" "Major Alvega" (na realidade, mera adaptação da série inglesa "Battle Britton", criada em 1956 por Geoff Campion, desenho, e Mike Butterworth, argumento).
Um aspecto muito curioso é o que se prende com o facto de alguns autores de séries famosas terem conseguido imiscuir os seus "heróis de papel" no conflito posterior, embora de forma simbólica, em subtil transposição para diferentes cenários. É o caso de Harold Foster, ao pôr o Príncipe Valente a combater contra os Hunos, invasores da Bretanha; de Hergé, com Tintin, em "O Ceptro de Ottokar"; de Edgar Pierre Jacobs, através de Blake e Mortimer, em "O Segredo do Espadão", ou de Jesús Blasco, com o seu herói Cuto em "Tragédia no Oriente".
Alguns autores "forçaram" os seus heróis a tomarem partido: Burne Hogarth foi um deles, ao criar o episódio "Tarzan e os Nazis". Outro foi Alex Raymond, ao fazer Flash Gordon regressar do Planeta Mongo, a fim de vir auxiliar na defesa contra o imperialismo. Também Phil Davis, desenhador, e Lee Falk, argumentista, criadores de Mandrake, puseram o célebre mágico a trabalhar para o "Intelligent Service", numa aventura datada de 1941, onde ajuda a desmantelar uma importante organização de espionagem nazi.
Nesta galeria de heróis, vários outros pegaram em armas. Alguns exemplos mais: o pugilista Joe Palooka (cujo nome em português passou a ser Joe Sopapo), Dick Tracy, Jungle Jim.
Ao fascínio do tema não resistiu o Super-Homem, famoso super-herói americano, que no auge do conflito trava contenda com nazis, de onde sai obviamente vitorioso. O que levou Goebbels a afirmar publicamente: "Este super-homem é judeu".
Outro super-herói, o Capitão América, foi criado em Março de 1041 - dez meses antes de os Estados Unidos defrontarem o eixo germano-nipónico - com o fito exclusivo de se tornar símbolo da intervenção americana. Para não haver quaisquer dúvidas, o seu vestuário reproduz, visivelmente, a bandeira americana.
Ainda no que se refere ao género de super-heróis "made in U.S.A", mais alguns foram criados propositadamente para fins patrióticos, prontos a entrarem na batalha. Até os nomes tinham conotações bem explícitas: Captain Battle, Captain Courageous, Captain Freedom, Major Victory, Major Liberty, U.S. Jones, Uncle Sam, American Eagle, e mais vários.
Outro aspecto curioso dentro desta corrente dos comics americanos tem a ver com o facto de também terem surgido estrategicamente super-heroínas patriotas. Os seus nomes eram, de certa maneira, o reverso da medalha de alguns dos seus confrades masculinos: Miss America, Yankee Girl, Liberty Belle.
Até mesmo pelo burlesco, alguns autores não deixaram de aproveitar o assunto. O italiano Bonvi tornou-se bem conhecido com a engraçada série "Sturmtruppen". Mas é nas numerosas revistas inglesas que se vão encontrar várias personagens desenhadas em estilo caricatural, de grande comicidade, actuando em regime de farsa. Destacam-se, entre elas, um impagável duo formado por Basil e Bert, detectives mobilizados pelos serviços secretos para a Dictatorland, onde defrontam um tal Ateful Adolf, cuja melena caída sobre a testa, mais o irritante bigodinho, o identificam iniludivelmente.
No pólo oposto estão alemães e italianos. No que se refere à Alemanha, é sintomático que a nação mais directamente implicada no conflito não tenha tido histórias de guerra em bandas desenhadas, por expressa vontade de Hitler.
Quanto à Itália teve nesse período em publicação várias revistas (Balilla, Corriere dei Piccoli, Il Vittorioso, Topolino), onde se manipulava a BD americana importada: Mandrake, graças a traições da tradução, aparece como enviado a Berlim para derrotar um grupo de espiões ingleses; Tarzan, num episódio assinado por um encapotado Ulterius, é apresentado como herói germânico; Brick Bradford passa a ser desenhado pelo italiano Carlo Cossio, sendo rebaptizado como Guido Ventura e, logo de seguida, como Giorgio Ventura, visto que Guido é nome hebraico; Kurt Caesar, outro autor comprometido com o regime de Mussolini, cria uma série de aventuras sob o título "Romano il Legionario".
Já em 1942, para além de pressões de vária ordem exercidas sobre os autores de BD, os censores atingem o máximo do ridículo:determinam a abolição dos "balões" por os considerarem invenção americana (o que não é verdade), e fazem-nos substituir pelas, segundo eles, "italianíssimas" didascálias.
Do que não restam dúvidas é que o regime fascista italiano considerou a banda desenhada como uma das mais populares e eficientes formas de propaganda, e utilizou-a como tal, não hesitando em aproveitar séries e "heróis" estrangeiros, depois de os adaptar aos seus pontos de vista políticos e belicistas.
No que concerne aos autores portugueses de BD, é notória a exiguidade de produção sobre o tema, quiçá por falta de motivação devido à neutralidade portuguesa. De facto, entre 1939 e 1945 publicaram-se, parcial ou totalmente, as revistas Senhor Doutor, Papagaio, Mosquito, Pirilau, Aventuras, Diabrete, Faísca e Lusitas. Nelas colaboraram vários prestigiosos autores, nomeadamente António Barata, Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, Jayme Cortez (que posteriormente adquiriria nacionalidade brasileira), José Garcês, José Ruy, Vítor Péon e Vítor Silva, e nenhum deles mostrou interessar-se pelo assunto nesse período.
Só depois de terminada a guerra apareceriam as primeiras histórias nela baseadas. Em 1947, Vítor Péon executa "Missão Perigosa", para o Diabrete. É ele também que que, passados uns anos, agora no Mundo de Aventuras - e já em parceria com o argumentista Edgar Caygill (Roussado Pinto) - volta aos cenários bélicos com "Don Clay"- 3 Vidas e um Segredo" (1951/52) e "Perigo no Ar" (1953).
Também José Ruy viria a tocar na matéria mais tarde, nas décadas de 70 e 80. E fê-lo por esta se inserir em alguns dos temas por ele tratados.
A primeira abordagem foi numa das seis pranchas que constituem o episódio "Da Guerra Nasceu Uma Flor - A Cruz Vermelha", surgido em Dezembro de 1978 no Mundo de Aventuras (Número Especial de Natal), com publicação repetida, no ano seguinte, nas revistas Tintin e Humanidade (órgão da Cruz Vermelha Portuguesa).
Referência à guerra - apenas três vinhetas dessa vez - fez de novo José Ruy na obra biográfica "A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin", impressa inicialmente no Spirou (1979 - 2ª série) mas voltada a publicar (em 1986) num álbum, e na revista Trujba da Associação de Amizade Portugal-Bulgária.
Editada em 1983 pelo Comité International de la Croix-Rouge, é igualmente dele "A História da Cruz Vermelha", pequeno opúsculo (ou mini-álbum) de quatro páginas, uma das quais no ambiente do conflito.
Com Jorge Dimitrov-Herói Internacionalista", obra pré-publicada num jornal lisboeta já extinto (O Diário), e em álbum no mesmo ano de 1986, volta a ser citada a contenda mundial, numa das páginas daquela biografia ilustrada.
Pela quinta e última vez, em 1989, José Ruy teve oportunidade de interpretar graficamente a II Guerra Mundial numa das páginas da sua História de Macau.
Chico Lança, no fanzine A Purga (Nº2 - Dez. 79) é o primeiro jovem a mexer no assunto, criando uma sequência em duas pranchas, onde faz um trágico paralelo entre as duas guerras mundiais.
Também muito jovem era Diniz Conefrey quando, em 1982, no seu fanzine Ktulu, escreve e desenha a história "Siegfried Negro em Terra Branca". Um ângulo de apreciação inesperado, visto que os protagonistas principais são alemães, defrontando dificuldades na retirada da Rússia, em pleno Inverno.
De Louro & Simões - autores então em início de carreira - é o episódio em oito pranchas intitulado "Führer", publicado em 1985 no Mundo de Aventuras.
José Garcês, a desenhar sob argumento de A. do Carmo Reis, focou quase imperceptivelmente o tema, no 4º tomo da "História de Portugal em BD" (1989). É uma única vinheta, onde se vêem tropas portuguesas a desfilar sob o Arco do Triunfo, a comemorar o fim da guerra.
Por último, e bem recentemente (em 1994), foi editada em álbum a obra "Passagem por Lisboa", baseada no filme homónimo de Eduardo Geada, estreado no mesmo ano. O guião de Paulo Pereira, e os desenhos de Paulo Silva, descrevem peripécias na capital portuguesa onde, em pleno conflito, se misturam espiões, uma actriz e um actor de cinema, ao lado de figuras da realeza britânica, em cenas paralelas à guerra, numa rápida, misteriosa e conturbada passagem por este território neutro.
Cenas suficientemente sugestivas - como tantas outras de obras anteriormente citadas -, para ficarem registadas nos quadradinhos sequenciais da Banda Desenhada, e constituírem fascinante registo gráfico, realista ou imaginário, da II Guerra Mundial.
Geraldes Lino
Clube Português de Banda Desenhada
1995
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Não é bem uma exposição de BD. Porque diários gráficos, Ilustração, e só de vez em quando uma banda desenhada, é o que ocorre quando o nome de Richard Câmara vem à baila. E também o vai-vem Lisboa/Madrid, Madrid/Lisboa, percursos que o Richard faz com frequência.
Por exemplo, agora está por cá, na Mui Nobre e Sempre Leal, onde hoje inaugurou uma exposição na bonita Biblioteca Camões, ali perto da estátua do imortal poeta.
Vale a pena ir ver a expo, abarca aquelas três áreas acima mencionadas, e vai lá estar até 6 de Novembro de 2015.
Endereço da Biblioteca Camões:
Largo do Calhariz, 17-1º
Lisboa
Horário para ver a exposição:
2ª a Sábado, das 10h30 às 18h00
(A biblioteca estará fechada nos dias 17, 19 e 31 de Outubro,
7e 9 de Novembro)
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RICHARD CÂMARA
Síntese biobibliográfica
Richard
Câmara nasceu na Bélgica, concretamente em Bruxelas, corria o ano de
1973.
Tendo vindo para Portugal, licenciou-se em Arquitectura na
Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa (1997).
Actualmente está a residir em Madrid, embora com frequentes regressos a Lisboa.
Foi
bolseiro do Programa de Bolsas de Criação Literária do IPLB/MC -
Instituto Português do Livro e das Bibliotecas do Ministério da Cultura,
para um projecto de adaptação de contos tradicionais marroquinos em
Banda Desenhada (2002/2003).
Possui
Cursos de Cinema de Animação, Ilustração Infantil e Banda Desenhada do
CITEN -Centro de Imagem e Técnicas Narrativas, Fundação Calouste
Gulbenkian, Lisboa (1998 - 2001).
Foi
Monitor de "workshops" de Banda Desenhada para crianças e adultos com o
CITEN e o Sector educativo do CAM - Centro de Arte Moderna, ambos
pertencentes à Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2002 - 2004).
Participou em concursos desde 1995, onde obteve várias distinções,designadamente:
Prémio BD "Melhor Argumento" e selecção para exposição no "Fumetto Internationale Comix - Festival de Luzern, Suiça (2004);
3º Prémio de Banda Desenhada no concurso "Cena d'Arte 2001", Lisboa (2001);
1º e 2º Prémios de Ilustração, no concurso "Ambiente", da Faculdade de Economia do I.S.C.T.E. (1997);
2º Prémio de BD no 1º Concurso Internacional "Cidades Geminadas", em Póvoa de Varzim (1996);
1º Prémio de Cartoon no 6º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (1995).
Tem as seguintes bandas desenhadas publicadas em álbum:
"A Caixa Vermelha", sob argumento de Miguel Valverde, no álbum "Memórias 10" - Edição do CITEN, em 2005;
"BZZzzZT",na
colecção Lx Comics, da Bedeteca de Lisboa, e "O Capuchinho Vermelho -
na versão que as crianças mais gostam" (Edições Polvo), ambas em 2003;
Outros tipos de trabalho, essencialmente na área da Ilustração, estão dispersos por diversas publicações, entre as quais:
Diário de Notícias (DN Jovem), Expresso (Suplementos "Economia", "Vidas" e "Única"), Independente, Público (Edição Público Ilustrado) e Combate.
Colaboração, desde 2003, no fanzine de BD e Ilustração Milk & Wodka (Zurique);
Participação, em 2001, na Antologia Internacional de BD e Ilustração "Mutate & Survive".
Algumas das exposições para as quais teve obras seleccionadas:
Colectiva
"As minhas primeiras 80 mil palavras: Dicionário Ilustrado", no 6º
salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada (2005);
Individual referente à obra "O Capuchinho Vermelho", no Salão Lisboa (2003);
Colectiva do livro "BZZzzZT" na Bedeteca de Lisboa (2003);
BD e Ilustração "Mutate & Survive", da Associação Chili Com Carne (2001);
"40" International Knokke-Heist Cartoon Festival, Bélgica (2001)
Tem
elementos biográficos publicados no "Catálogo de Autores de Banda
Desenhada Portuguesa"), uma edição do CNBDI - Centro Nacional de Banda
Desenhada e Imagem, Amadora.
Nota: A imagem que ilustra a autobiobibliografia é um auto-retrato.
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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas
Duas exposições em simultâneo na Bedeteca da Amadora - que assim demonstra assinalável dinâmica - tendo a guerra por tema através da BD, embora por intermédio de bandas desenhadas realizadas em tempos e estilos gráficos muito diferentes: Quim & Manecas Vão à Guerra, por Stuart Carvalhais, e Putain de Guerre - A Guerra das Trincheiras, de Jacques Tardi.
Essa evidente diferença entre as duas obras em exposição, uma de autor português, outra de um francês, será talvez razão para aguçar o interesse do público interessado pela BD, que terá tempo, a partir das 16h30 de 10 de Outubro até 8 de Novembro de 2015, de visionar as pranchas de Stuart e de Tardi.
Local das exposições
Bedeteca da Amadora
Avenida Conde Castro Guimarães, 6
Venteira
Amadora
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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas. Quem quiser ver postagens anteriores sobre o tema Guerra, o item respectivo está no rodapé.
É já no próximo Sábado, 10 de Outubro, que se inaugura uma exposição de bandas desenhadas de Marcos Farrajota na portuense Livraria Mundo Fantasma.
"Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology" é o título da mais recente obra daquele autor, com que também foi baptizada a exposição.
Livraria Mundo Fantasma (*)
Endereço: Shopping Center Brasília
1º Andar - Loja 509/510
Porto
(*) Para melhor conhecer esta excelente livraria de BD, visione o seguinte vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=pSN2Kp9KmKs
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MARCOS FARRAJOTA
Síntese autobiobibliográfica
Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa desde
2000.
Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine
mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita. Criou a
editora MMMNNNRRRG “só para gente bruta” em 2000 mas antes fundou a
Associação Chili Com Carne em 1995.
Participou em vários fanzines,
jornais, revistas e livros com BD ou artigos sobre cultura DIY e BD pelo
mundo fora.
Criou a série Loverboy com desenhos de João
Fazenda.
Tem feito capas e cartazes para bandas punks e afins. Organizou
ou fez parte de organização de vários eventos como a Feira Laica, bem
como acções de formação, colóquios, rádio e “unDJing”.
Participou em
várias exposições de BD colectivas como o Zalão de Danda Besenhada na
ZDB (2000) ou Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011) bem como
em festivais como Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa,
Komikazen em Ravenna e BD Amadora.
Exposições individuais só houve uma,
Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é
por isso que o autor aceitou com muito prazer o desafio de mostrar
originais seus na galeria da loja Mundo Fantasma – inauguração dia 10 de
Outubro de 2015, às 17h.
A acompanhar e de título homónimo será lançado o livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology. Tal como os seus livros anteriores, Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local
(2010) ambos pela Chili Com Carne, este novo livro reúne mais BD
autobiográficas suas dispersas em várias publicações desde 2010,
incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Barroselas
Metalfest,mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por “s” como a Suécia ou a Sérvia!
As BD que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos
como noutras BD de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a
cultura portuguesa e subculturas underground… Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não ‘tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo
e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas
famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto – Puppetmastaz,
Repórter Estrábico ou Dälek – como algumas “fim-da-linha” como os Dr.
Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima
Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de
Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.
Ah! E o Rudolfo vai participar no livro… com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!
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Os visitantes interessados em ver notícias sobre exposições anteriores poderão fazê-lo clicando no item Exposições BD Avulsas
Confirma-se:
na sua maioria, os apreciadores têm a pulsão de desenhar, mesmo quando
dizem que não sabem desenhar. E nos encontros da Tertúlia BD de Lisboa
fazem-no com à-vontade e descontraidamente nas toalhas de mesa.
Aqui
fica a prova no topo do poste, com improvisos feitos por desenhadores
já com provas dadas, mas feitos também por simples apreciadores/leitores
de BD que reconhecem não saber desenhar, mas não resistem a fazer uns
rabiscos.
Vejamos os nomes dos desenhadores e dos autores dos rabiscos. Em primeiro lugar, os desenhos dos desenhadores assumidos:
1. Joana Mosi, a Convidada Especial da tertúlia
2. Mariana Serra
(que retratou as amigas presentes: Mosi, em cima ao centro, a Sara, em
cima à esquerda, a própria Mariana, em cima à direita, e a Paula Bivar
de Sousa, em baixo ao centro
3. Pedro Brito, numa bem-humorada auto-caricatura
4. Paula Bivar de Sousa
5. Rui Batalha
6. Diogo Campos, mais conhecido como argumentista
7. Tiago Bulha
8. Miguel Sousa Ferreira (este e os seguintes são assumidos não-desenhadores)
9. João Vidigal
10. Pedro Bouça
11. Geral (pseudónimo do argumentista habitual do Derradé)
12. Paulo Costa
E
pronto. Com esta minha brincadeira de convidar não-desenhadores a
fazerem um improviso (sim, estes, a partir de Miguel Sousa Ferreira
desenharam porque os desafiei) termina aqui (parcialmente) esta minha
recolha de improvisos.
A partir de agora apenas recuperarei os improvisos desenhados pelos/as Convidados/as Especiais.
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Para
o caso de alguém querer ver outras ilustrações improvisadas
reproduzidas nas postagens anteriores, poderá fazê-lo clicando sobre o
item Improvisos na Toalha de Mesa visível no rodapé